Adoção tardia: aos 5 anos, eles são tidos como ‘velhos’ demais

Publicado em domingo, setembro 13, 2015 ·

Foto:Francisco França
Foto:Francisco França

Enquanto Bianca brincava de desenhar e colorir, em uma folha de papel, Nilza se aproximou.

– Como é seu nome?
– Bianca. – respondeu a menina.
– Olha que desenho lindo! – disse Nilza, tentando se aproximar.
– Quando terminar, eu vou dar para senhora.

Na folha de papel, então, escreveu: “Beijos, Bianca”. E perguntou:

– Por que você está aqui?
– Vim visitar vocês -, respondeu Nilza, disfarçando o fato de que já estava ali, na verdade, tentando se aproximar de Bianca, com vistas a uma possível adoção.

Ao receber o desenho, seu coração já estava arrematado. Bianca, no entanto, foi mais fundo. Saiu do mundo encantado dos desenhos e começou a contar seu sonho, da vida real:

– Todo dia, eu rezo para papai do céu, para ele me dar uma família.

Quando saiu dali, Nilza já não tinha mais dúvidas: Bianca, era, de fato, a filha que seu coração escolhera para ser sua. Embora já seja mãe de dois rapazes (“homens feitos”, com mais de 20 anos), a vontade de ter uma menina há tempos lhe acompanha. Quando fez seu registro no Cadastro Nacional de Adoção, no entanto, optou por crianças de zero a dois anos – um bebê, de preferência. A medida em que o tempo foi passando, porém, as coisas foram se modificando. Um tempo depois, mudou sua preferência para crianças de até cinco anos. Ao ter notícia da existência de Bianca, à época, com nove anos, alterou mais uma vez seu registro: estava disposta a adotar uma criança com até dez anos.

Hoje, com apenas três meses de convivência com Bianca, morando na mesma casa, não tem dúvidas: essa foi a melhor escolha que poderia ter feito. E garante: a ideia é que, no futuro, “se Deus quiser”, consiga adotar uma outra menininha.

Bianca, no entanto, já estava há anos em um lar de acolhimento de João Pessoa (os antigos orfanatos), em busca de uma possível família. Embora a lista de espera de pretendentes seja enorme – na Paraíba, são 390 pretendentes à adoção habilitados no CNA -, eles esbarram em um grande dilema: optam por crianças com, no máximo, três anos – perfil completamente diferente das crianças que se encontram nos lares de acolhimento, à espera de alguém que lhes escolha como filhos. Em todo o Estado, atualmente, há 58 crianças disponíveis para adoção, no entanto, somente sete delas têm até três anos de idade. É uma conta que, infelizmente, não fecha.

RAFAELA GAMBARRA JP

 

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