Acidente com atleta de 15 anos foi fatalidade, dizem lutadores de jiu-jítsu

Publicado em sábado, agosto 24, 2013 ·

 

Gabriel Diniz, lutador de jiu-jítsu, no hospital (Foto: Reprodução/TV Gazeta)Gabriel Diniz, lutador de jiu-jítsu, no hospital em
Vila Velha (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

O acidente sofrido pelo lutador de jiu-jítsu Gabriel Diniz, de 15 anos, durante um campeonato em Vitória (ES), desencadeou o debate sobre as condições de segurança dos jovens atletas nos tatames brasileiros. No dia 4 de agosto, o lutador da categoria juvenil enfrentava Wesley Marques, quatro anos mais velho, quando sofreu um golpe que provocou uma grave lesão em sua coluna. Após o episódio, a Federação de Jiu-Jítsu do Espírito Santo optou por adotar a recomendação da Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu (CBJJ), que proíbe confrontos entre lutadores de diferentes categorias.

O lutador sofreu uma grave lesão na coluna cervical, que o deixou sem os movimentos das pernas e dos braços, e está hospitalizado desde o acidente. O jovem já apresentou uma melhora significativa no seu quadro clínico, com a recuperação de parte da sensibilidade nos membros inferiores, e não esconde a vontade de se reestabelecer totalmente para voltar ao tatame.

Para o vice-presidente da CBJJ, Marcelo Siriema, o acidente com Gabriel Diniz foi uma fatalidade, e não teve relação direta com a diferença de idades dos dois lutadores. Faixa-preta de jiu-jítsu, Siriema afirma que o estatuto da CBJJ já recomendava a separação por faixa etária, e ressalta que as normais atuais já oferecem condições satisfatórias de segurança.

– Eu não vejo muito o que fazer em relação a mudanças das regras. As chaves de cervical já foram proibidas há muitos anos, e não foi esse o caso do Gabriel. O que ocorreu ali foi uma emborcada, que é um tipo de passagem de guarda que não tem o intuito de finalizar o adversário, e dificilmente termina com qualquer tipo de lesão.  Eu não acho que o adversário do Gabriel tenha tido a intenção de bater com ele no chão – o que é proibido pelas regras. Acho que também não foi intencional quando ele joga o peso – opinou Marcelo Siriema.

Gabriel Diniz, lutador de jiu-jítsu que sofreu lesão (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)Gabriel Diniz, de 15 anos, sofreu lesão grave e ainda está internado (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

O árbitro e instrutor Muzio de Angelis também aponta uma fatalidade no acidente de Gabriel. Campeão da Copa do Mundo de 2002, o lutador acredita que Wesley Marques não teve a intenção de machucar seu oponente, e afirma que a mesma situação poderia ter ocorrido entre dois atletas da categoria juvenil. Muzio destaca ainda que o sistema de competições da CBJJ é automatizado e impede, por meio de um programa de computador, que lutadores de faixas etárias diferentes se enfrentem no tatame.

– A CBJJ já não permite isso há muito tempo. No ato da inscrição do atleta, o computador impede que ele participe de uma competição de categoria superior. Infelizmente, a Federação do Espírito Santo não estava seguindo essa recomendação, mas isso também não foi determinante no acidente. Eu nunca presenciei uma situação como essa, com uma passagem de guarda, mas estou na torcida para que o Gabriel se recupere o mais rápido possível – disse Muzio de Angelis.

O árbitro e professor Muzio de Angelis, em sua academia particular no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução / Facebook)O professor Muzio de Angelis, em sua academia particular no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução / Facebook)

O vice-presidente da CBJJ, Marcelo Siriema, ressalta que a entidade elaborou um quadro de golpes que são proibidos nas competições, dividido a partir da faixa etária dos atletas. Na categoria infanto-juvenil, de 13 a 15 anos, golpes como estrangulamento que force a vertical, chave de pé reta e triângulo de mão constituem faltas que podem ocasionar a desclassificação sumária do lutador.

– Já há alguns anos, a CBJJ proíbe os atletas do infanto-juvenil de lutar com os juvenis (16 e 17 anos) e com os adultos (18 ou mais), e os juvenis também são proibidos de lutar com adultos. Nós tomamos essa decisão porque preferimos pecar por excesso de zelo que termos qualquer problema. Inclusive, em outras modalidades é permitido a atletas de diferentes idades lutarem entre si – reforçou o vice-presidente da CBJJ.

Gabriel Diniz, lutador de jiu-jítsu (Foto: Cesinha Fernandes/ TV Gazeta)Gabriel está internado em Vila Velha (ES) há quase
um mês (Foto: Cesinha Fernandes/ TV Gazeta)

Para Muzio de Angelis, o acidente de Gabriel pode suscitar uma nova discussão interna na CBJJ, e algumas mudanças podem reduzir ainda mais a ocorrência de fatalidades. O instrutor acredita que a intervenção do árbitro com o intuito de proteger o lutador, prevista no regulamento da categoria infantil (até 12 anos), poderia ser estendida para as competições do infanto-juvenil.

– Até os 12 anos, a norma diz que é dever do árbitro proteger a cervical do atleta quando ele é retirado do solo pelo adversário em caso de triângulo ou guarda fechada. A recomendação é que o árbitro posicione sua mão de forma a proteger a coluna desse lutador. Penso que talvez isso possa ser estendido também para as lutas do infanto-juvenil, o que garantiria ainda mais segurança para os competidores, que ainda estão em desenvolvimento e aprimorando suas habilidades – opinou Muzio.

Gabriel está internado desde o dia 4 de agosto em um hospital particular, em Vila Velha. Entre adultos, o jovem disputava as semifinais da segunda etapa do Campeonato Capixaba de Jiu-Jítsu, no Ginásio Jones dos Santos Neves, em Vitória. De acordo com o médico José Lucas, responsável por Gabriel, não há exames que garantam se o adolescente voltará a ter os movimentos dos braços e das pernas.

 

 G1

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