29 meninas mortas em 2,5 anos

Publicado em quarta-feira, julho 10, 2013 ·

Policial .“Vai fazer dois anos, mas é como se fosse hoje”. É com essas palavras que a educadora Teresa Cristina Gomes resume o sentimento de dor com que convive desde a perda da filha, encontrada morta e abusada sexualmente em 11 de julho de 2011, na Capital. Mesmo após todo esse tempo, com mais de 100 pessoas ouvidas e cerca de 10 suspeitos apontados e descartados, o caso ainda não teve um desfecho. Entre informações secretas que se restringem à polícia, a família da adolescente segue desassistida, à base de remédios psiquiátricos. A perturbação é tanta, que Teresa sequer tinha planejado um culto em referência aos dois anos de saudade. “Você acredita que não tenho nenhuma programação? Não tenho estímulo”, confessou. Rebecca Cristina é mais uma entre 29 adolescentes com até 15 anos assassinadas entre 2011 e 2013 na Paraíba.
O delegado Glauber Fialho Fontes garante que o homicídio não foi esquecido, mas observa que, quanto mais o tempo passa, mais complicado fica de solucioná-lo. Segundo ele, a polícia tem linhas de investigação em andamento e, embora quaisquer outras informações tenham caráter secreto, se pode dizer que o crime provavelmente foi planejado. “No mínimo, o autor já deveria estar acompanhando os passos de Rebecca”, afirma Glauber, que lembra que o Disque Denúncia (197) continua a ofertar R$ 10 mil para quem oferecer pistas que ajudem na identificação do criminoso.
A mãe de Rebecca afirma que pouco sabe das investigações. “A polícia entrou em silêncio comigo. Dizem que estão investigando, mas não revelam nada. Me chamam só para confirmar se isso ou aquilo procede, só para confirmar ou negar. Se têm suspeito, não me informaram”, disse. Enquanto isso, Teresa Cristina se dedica ao trabalho, por necessidade financeira e psicológica. “Tomo medicação controlada. O trabalho é como uma terapia para mim. Se ficasse dentro de casa 24 horas, já tinha enlouquecido”, desabafa.
Mãe quer sair de Mangabeira
Estar dentro de casa, aliás, é um desafio para a mãe de Rebecca Cristina, tendo em vista as lembranças de tudo que viveu com a filha, naquela residência. “Tentei morar de aluguel, mas voltei para minha casa, porque não tinha condição de pagar. Morei 11 meses e voltei, contrariando ordem médica de não viver ali. Morar na outra casa era bom para mim, porque pegava outro caminho, mas agora passo todos os dias pelo caminho que ela passava para o colégio”, explica. A dor é tanta, confessa Teresa Cristina, que ela evita estar em casa em horários como o meio-dia e o fim da tarde.
“Quando dá entre 11h40 para o meio-dia e 17h30 e 19h, eu não saio de casa para não ver as meninas fardadas. Para não olhá-las do mesmo jeito como minha filha passava. É traumatizante. São dois anos, mas é como se fosse hoje. Parece que estou ouvindo a voz dela, se despedindo do irmão, enquanto eu estava na cozinha, com a chaleira no fogão, desejando boa aula. Parece que estou ouvindo o portão fechar”, lamenta.
O caso
A estudante Rebecca Cristina Alves Simões, 15, saiu a pé de casa para o Colégio da Polícia Militar, em Mangabeira, no dia 11 de julho de 2011. Depois do meio-dia, a mãe estranhou a demora da filha e acionou a polícia. O corpo foi encontrado com vários tiros na cabeça na tarde daquele mesmo dia, na Praia de Jacarapé, em João Pessoa. Ela foi encontrada usando apenas calcinha em um matagal. Um exame realizado pela polícia constatou a violência sexual. O  autor do crime nunca foi encontrado.
Violência
De 2011 a 2013, 343 mulheres foram mortas na Paraíba
Desse total, 29 tinham entre 0 e 15 anos, idade da estudante
13 garotas com até 15 anos foram mortas só em 2011, como Rebecca
Denúncias podem ser feitas através do 197
Secretaria de Segurança oferece recompensa de R$ 10 mil por pista concreta
 
Correio da Paraíba, Tássio Ponce de Leon

Comentários

Tags :

REDES SOCIAIS


















Focando a Notícia -
Proibida reprodução total ou parcial deste site sem aviso prévio
jornalismo@focandoanoticia.com.br