Zé Lacerda aos oitenta

Publicado em domingo, setembro 22, 2013 ·

artigoramalho

Se algum dia eu publicasse um dicionário, para o verbete “político”, colocaria apenas uma foto de José Lacerda Neto. Ninguém que eu conheça, viveu, mais do que ele, a atividade política.Seu “slogan” nunca mudou: deputado o tempo todo. Nada mais verdadeiro. Com onze mandatos, segundo o Wikipédia estaria completando 81 anos, pois  nascera em 17 de setembro de 1932, em São José de Piranhas, onde foi prefeito. Ele, porém, comemora, apenas, 80 anos, e aparenta 70. E como bom político, acredito nos seus cabelos pretos, sem pintura.

Na hierarquia da Assembleia,em mais de uma oportunidade, chegou a primeiro-secretário. Na época, o executivo  e  ordenador de despesa da Casa de Epitácio. Quando cheguei lá, já o encontrei veterano de outros mandatos.Saí e ele ficou até ser escolhido por Cássio Cunha Lima para seu vice, na disputa pela reeleição em 2006. Ficou no cargo até 2009, por razões amplamente conhecidas.

Quase foi governador por um período de dez meses, cargo que chegou a ocupar nas ausências do titular. Mas o mandato definitivo, mesmo curto, estava pronto para ser sacramentado. Colega de Tarcisio Burity na Faculdade de Direito,conservavam uma boa amizade e nutriam confiança recíproca. Burity estava ungido para ser Ministro do Supremo Tribunal Federal e desejava deixar no governo alguém da sua estima. Zé Lacerda seria o escolhido.

Em uma tarde qualquer dos anos oitenta, nos reunimos na casa do deputado Pedro Medeiros. O dono da casa, eu, Zé Lacerda e Burity. O governador expôs as razões para aceitar a indicação do Presidente Sarney e sua dificuldade por não ter vice-governador. Zé Lacerda fazia parte do PFL, e esta bancada, junto com os integrantes do PMDB fieis ao governo, daria a certeza de vitoria na hipótese da eleição de um mandato-tampão de  governador e o vice, com a vacância do primeiro cargo. Zé Lacerda aceitou a missão que incluía a minha eleição para a presidência da Assembleia, de onde comandaria o processo sucessório.

A mão do destino fez de José Lacerda vítima de insidiosa campanha envolvendo seu filho, injustamente, em um fato delituoso. As suas prioridades se voltaram para a prova da inocência do filho e o resgate da tranquilidade de sua família. O projeto de Burity tornou-se inexequível. A história da Paraíba mudou, mas o homem, o pai, o companheiro Zé Lacerda, não mudaria. Chega aos oitenta anos com a dignidade que construiu ao longo de sua vida pública.E sem um cabelo branco…

 

 

RAMALHO LEITE

 

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