Visão a respeito do nosso próximo

Publicado em quinta-feira, outubro 27, 2016 ·

padre boscoA igreja tem sido cada vez mais convidada e lembrada pelo papa Francisco a exercer o seu papel de mãe diante da realidade crescente de sofrimento de seus filhos. É bom lembrar de que quando falamos em igreja temos diante do nosso discernimento duas dimensões: a igreja como instituição com seus pastores e a igreja povo de Deus composta por cada fiel batizado. É a esta realidade de igreja à qual o papa faz o seu apelo.

Não resta dúvidas a respeito do papel de uma verdadeira mãe: ela se caracteriza por gestos de carinho e ternura diante da situação de seus filhos. Assim a igreja é chamada a repensar sempre a sua missão pastoral que é a missão também de toda comunidade cristã.

As normas necessárias que nos orientam não podem ofuscar a caridade a ser dispensada ao nosso próximo necessitado de misericórdia, sempre convidado a se erguer para seguir o seu caminho: vá em paz e não peques mais. Evangelho de João capitulo 8.

Nosso ponto de partida em relação ao nosso semelhante nunca deveria ser a partir da ideia que fazemos a respeito dos que tratamos como irrecuperáveis. Uma coisa é perceber os defeitos que a todos nós nos são comuns; outra coisa é partirmos para uma ação condenatória que rotula para sempre o ser humano que não consegue mais ser acreditado na sociedade.

Como é triste perceber que o ser humano seja analisado sempre a partir do seu passado apenas do ponto de vista pejorativo.

Não podemos nos esquecer dos malefícios causados pelo sistema prisional, sobretudo do Brasil, em relação aos egressos: como eles estão estigmatizados por toda sociedade. A consequência da prisão em quem por ela passou é como uma lepra nos tempos do Antigo Testamento: não consegue ser eliminada. Por mais que a pessoa seja de boa índole e não ofereça riscos para a sociedade, se insiste de que ela seja uma ameaça e, quase sempre, a mesma retorna para a vida criminal e prisional.

Vivemos uma sociedade extremamente preconceituosa e capaz de excluir, segregar e criminalizar.

As nossas prisões estão sempre mais cheias não só por causa de crimes que devam ser punidos com a prisão mas por causa dos nossos preconceitos que prevalecem.

A audiência de custodia, criada pelo judiciário, como medida excelente para evitar que pessoas sejam injustiçadas por serem conduzidas à prisão sem uma avaliação do judiciário, tem causado inúmeros aborrecimentos entre setores da sociedade, entre os que prendem, por quererem a segregação pela segregação sem uma avalição previa da justiça.

Por tudo isso é que a sociedade, com suas particularidades é responsável por toda essa situação de violência e banalização da vida. A prisão tem sido a principal causa de tantos malefícios presentes na sociedade.

As igrejas cristãs precisam assumirem o papel que lhes é próprio: denunciar com veemência todos os males e todas as formas de violência, como anunciar o rosto da misericórdia, tornando-se, elas, a experiência viva da própria misericórdia de Deus.

pebosco@gmail.com

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