Vídeo com alunos dançando hino em ritmo de funk ganha repercussão nacional

Publicado em segunda-feira, setembro 15, 2014 ·

extraO vídeo que mostra alunos de Cacimba de Dentro, dançando o hino nacional em ritmo de funk ganhou repercussão na mídia nacional. O site Extra, do Globo.com, destacou a polêmica gerada pela apresentação e que foi noticiada inicialmente no Focando a Notícia.

 

Veja o vídeo

 

Confira a reportagem do Extra na íntegra:

 

Apresentação escolar com hino nacional em ritmo de funk gera polêmica na web
Uma apresentação dos alunos da Escola Senador Humberto Lucena, em Cacimba de Dentro, interior da Paraíba, tem gerado polêmica nas redes sociais. Durante a abertura de um evento cultural da institução, a turma fez uma coreografia de funk. O detalhe é que a parte instrumental da música era composta pelo hino nacional. Ao compartilhar o vídeo no Facebook, o professor Alan Oliveira, de 25 anos, tornou-se alvo de críticas, agressões verbais e até mesmo ameaças.— São mensagens de racismo, coisas absurdas. Acionei o Ministério Público por conta de um comentário que dizia que os paraibanos são analfabetos. Meu advogado está cuidando disso. Inclusive, quando ele tentou argumentar no Facebook, o chamaram de corno, usaram palavras de baixo calão. É um absurdo, está muito dificil. 

Foto: Reprodução/Facebook

 

Alan explica que a ideia de realizar uma apresentação com o hino partiu da coordenação da escola, inspirada em uma coreografia de 2013, com o forró. Na época, não houve nenhuma reclamação sobre o gênero musical associado à canção. Para ele, há preconceito relacionado ao funk.

— Tomou uma proporção absurda. Vi comentários dizendo que eu deveria ser metralhado. Pensei no funk porque os alunos amam o funk. Fiz para atrair os alunos, para que eles participassem. A coordenação da escola me deu carta branca porque conhece meu trabalho. Na cidade, só umas duas ou três pessoas foram contra. Críticas são normais, agora não pode acontecer o que estão fazendo comigo, fazer montagem do Bin Laden (terrorista) com a minha cara. Isso me entristece. Estou mais sereno porque tem muita gente do meu lado, estou vendo que não cometi um crime. Com certeza, é preconceito — lamentou Alan.

No Facebook, o vídeo já foi compartilhado mais de 15 mil vezes. Entre os comentários, há até quem defenda a volta da ditadura militar no Brasil.

“Façam isso na Rússia, Japão, Estados Unidos e Alemanha, que vocês verão o que é “liberdade de expressão” eles vão ser livres em “expressar” a vontade de fuzilar vocês em praça pública”, escreveu um homem no perfil de Alan. “Pra dançar e rebolar a bunda aprende rapidinho, agora estudar, que é bom, nada”, comentou outro.

 

Volta da ditadura militar?
Volta da ditadura militar? Foto: Reprodução/Facebook

 

Apesar das críticas, a apresentação dos alunos também tem recebido apoio nas redes sociais.

“Legal a iniciativa. Que a escola brasileira possa cada vez mais se sincronizar com o ambiente na qual ela está inserida, afinal de contas, é muito mais didático ensinar com meios pelos quais os alunos sintam-se mais à vontade e livres para se expressar. E cultura significa o estilo de vida que levamos, se associando o hino ao ritmo de funk tem mais relação com a cultura local (e assim com estilo de vida das pessoas), que assim eles sejam ensinados. (…) Não gosto de funk, mas vejo o funk como mais um estilo popular brasileiro, e se o hino fosse tocado em ritmo de forró? Ou talvez mpb? Seria isso diferente? Enfim, que se possa associar o hino ao axé, funk, sertanejo e assim por diante”, afirmou um jovem.

“Não há crime”

Muitas pessoas têm argumentado que a atitude de apresentar o hino nacional em ritmo de funk seria desrespeitosa e até mesmo ilegal. Uma campanha para denunciar o vídeo à Polícia Federal foi iniciada, acusando Alan de ferir a Lei 5.700, que dispõe sobre a forma e apresentação dos símbolos nacionais.

Mas de acordo com o presidente da Comissão de Direito Constitucional da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ), Leonardo Vizeu, a interpretação está equivocada e a apresentação dos alunos não pode ser caracterizada como desrespeito ao hino nacional.

— Os símbolos nacionais só podem ser utilizados em cerimônias oficiais. No caso de eventos não oficiais, precisam ser apresentados de forma respeitosa. Mas o que seria desrespeito ao hino? Eu mesmo não gosto de funk, mas vi o vídeo e não tem ato de desrespeito nenhum. Se fosse em ritmo de forró, não falariam nada. O que vi ali é que dentro do gosto deles, fizeram uma homenagem ao hino. É um exercício de liberdade, que evoca a liberdade cultural também.

 

Segundo advogado, a lei não pode ser aplicada a este caso
Segundo advogado, a lei não pode ser aplicada a este caso Foto: Reprodução/Facebook

 

O advogado afirmou ainda que os comentários se baseiam no preconceito contra o gênero musical e as mensagens de ódio devem ser analisadas com cuidado.

— O professor pode ficar despreocupado. Você pode não gosta de funk, mas ouvir funk ainda não é crime no país. Tocar o hino em ritmo de funk não difere em nada do que já foi feito no passado em outros ritmos. Preocupante é ver as pessoas veiculando mensagens de ódio nas redes sociais. Intolerância e falta de respeito com a opinião alheia. Querem o monopólio da verdade e do bom gosto para si. O sentimento de patriotismo é seletivo. A polêmica é resultado da carga de marginalização que o ritmo carrega — finalizou.

Extra

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