Vendramini promete fazer primeira cena de amor gay no SBT

Publicado em segunda-feira, Maio 9, 2011 ·

lucianaLuciana Vendramini está prestes a protagonizar um momento histórico. Marcela, sua personagem na novela “Amor e Revolução”, do SBT, protagonizará pela primeira vez na TV brasileira o beijo gay tão adiado por outros folhetins há alguns anos. Prevista para ir ao na quarta-feira na trama escrita por Tiago Santiago, a sequência pode ser o início de um relacionamento ousado. Marcela é apaixonada por Marina (Gisele Tigre), que resiste ao assédio por ser apaixonada por um homem. A personagem, no entanto, fica balançada ao saber do amor da companheira de trabalho. No que depender da atriz, o público verá até mesmo sexo entre as amigas. A polêmica será exibida poucos dias depois da aprovação da união civil entre pessoas do mesmo sexo pelo Supremo Tribunal Federal. Não poderia haver hora mais oportuna. Luciana ainda pode ser vista todas as tardes de segunda a sexta, quando o Canal Viva reprisa “Vamp”, a novela de vampiros de 1991. A atriz conversou com a coluna.

IG: Como tem sido se rever em “Vamp”?
LUCIANA VENDRAMINI: Sabe que até tentei assistir outro dia com o meu sobrinho e foi divertido? Como normalmente estou trabalhando à tarde tem sido difícil acompanhar. Mas acho engraçado, a novela tem aquela coisa dos anos 90, um visual diferente. É curioso que todo mundo até hoje adora, comenta. Acho que “Vamp” foi uma novela moderna, foi a primeira voltada para os adolescentes mesmo.

IG: Acha que a novela marcou época?
LUCIANA VENDRAMINI: Foi minha primeira novela, tinha um carinho especial. Acho que “Vamp” preservou uma ingenuidade difícil de se ver nas novelas de hoje. Eu vejo essas tramas adolescentes acho todas têm muita violência e ação, tudo muito influenciado por esses joguinhos de videogame. Tinha seu lado ficção fantasiosa, ao falar dos vampiros, mas também tinha muito apelo para discutir as questões jovens. Era muito saudável, sinto falta de ver coisas assim hoje. Na época eu queria mesmo era ter virado vampira!

IG: Chegou a pedir para virar vampira?
LUCIANA VENDRAMINI: Pedi! Adoro história de vampiro desde pequena! Pedia pro diretor: “Mas não dá para virar vampira nem mesmo num sonho da minha personagem?”. Mas não deixaram nem em sonho, porque eu era da ala do bem da novela.

A atriz acompanhada dos atores que viviam seus irmãos em “Vamp”, em 1991

IG: Ainda encontra os colegas de elenco da época?
LUCIANA VENDRAMINI: Eu encontro com alguns ainda hoje. Mas é curioso que esse é um tempo muito distante pra gente, quando nos encontramos falamos mais dos trabalhos novos. Mas, claro, tem um carinho, foi a minha primeira novela, a primeira de vários atores!

IG: Acha que “Vamp” foi a grande chance de enterrar a imagem de paquita de uma vez?
LUCIANA VENDRAMINI: Na verdade eu já havia sido convidada pra fazer outras novelas. Me chamaram para fazer “Top Model”, mas eu estava no teatro com “Rapunzel” e não quis fazer. Logo depois fui estudar teatro com Antunes Filho e me apaixonei, não queria sair de lá. Tanto que depois me chamaram pra fazer “Que Rei Sou Eu?” e “Barriga de Aluguel” e também recusei. Aliás, curioso a Cláudia Abreu acabou fazendo as personagens que recusei.  O que me levou a fazer “Vamp”, na verdade, foi o assunto, eu tinha certeza que iria virar vampira! (risos).

IG: Esta semana, com a exibição do beijo gay em “Amor e Revolução”, você protagonizará um momento histórico na TV brasileira. Tem noção disso?
LUCIANA VENDRAMINI: Olha, não sabia disso, não tenho essa noção! Ainda estou processando tudo o que está acontecendo.

IG: Ficou ansiosa quando soube que gravaria a cena do beijo?
LUCIANA VENDRAMINI: Olha, fiquei mais ansiosa na hora de fazer. Nem eu nem Gisele (Tigre, companheira de novela) havíamos feito uma cena com outra mulher. Mas o diretor (Reynaldo Boury) nos tranquilizou e disse que faria do mesmo jeito que faz com qualquer casal heterossexual. Achei ótimo fazer, porque a gente tem de mostrar a vida como ela é mesmo. O horário permite. Acho uma hipocrisia ficar escondendo, não mostrar o que todo mundo sabe que acontece. Hoje em dia as pessoas já viram de tudo. A gente riu muito ao fazer a cena. Acho até que a Gisele ficou um pouco mais travada que eu, que já fui com tudo! Mas é divertido, virou aquela coisa de melhores amigas, sabe? Além do mais, eu acho que tem um outro lado: ver duas meninas se beijando é mais bonito que ver dois homens. (risos). Tem um fetiche nisso também, né? E, olha, no que depender de mim, vamos mais longe: vamos fazer a primeira cena de amor gay na televisão brasileira.

A cena do beijo: “Acho uma hipocrisia não mostrar o que a gente sabe que acontece”

IG: Acha que o romance tem chances de emplacar na novela?
LUCIANA VENDRAMINI: Queremos continuar essa polêmica. Para mim, não é um flerte. A Marcela é uma mulher muito bem resolvida em sua condição. Espero que ela namore de fato uma mulher. Nos próximos capítulos já tem uma pista. A Marina (Gisele Tigre) diz que ela tem vontade de se jogar num relacionamento de maneira livre. Ela é uma mulher moderna e sem preconceitos. A única coisa que a impede de ceder a Marcela é sua paixão por um outro homem.

IG: Está preparada para mostrar nudez no caso de haver uma cena de sexo entre as duas?
LUCIANA VENDRAMINI: Não tenho nenhum problema com nudez, desde que seja de bom gosto. Para mim, isso é o de menos. Outro dia vi uma cena de sexo na novela e ela era muito bonita, delicada. Estou me jogando de cabeça na personagem e vou fazer de peito aberto tudo o que vier. Imagina, isso é inédito e, provavelmente, essa vai personagem vai ser a única com esse perfil na minha carreira, é muito marcante.

IG: Você recebe muita cantada de mulher? O assédio deve estar aumentando.
LUCIANA VENDRAMINI: Fico muito tímida quando isso acontece, viro a caipira de Jaú de novo! (risos). Engraçado que cantada de homem para mim é tranquilo, levo numa boa. Mas quando recebo uma de mulher fico catatônica, numa timidez que chega a me incomodar! Ainda não sei lidar bem. Será que com a personagem isso vai mudar?

iG

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