Vaticano decide investigar bispo por perseguir padres e ser omisso ao não apurar denúncias

Publicado em sexta-feira, junho 26, 2015 ·

d-tome-ferreiraO Vaticano instaurou sindicância para apurar denúncias de que o bispo de São José do Rio Preto, no interior paulista, d. Tomé Ferreira da Silva, teria sacado dinheiro da conta da diocese e entregado ao seu motorista, com quem manteria um relacionamento amoroso.

Na iminência de ser descoberto por manter a relação, o bispo teria sacado “quantia exorbitante” e dado ao motorista para que ele deixasse o cargo e a cidade. O bispo também é acusado de perseguir padres e ser omisso ao não apurar denúncias contra sacerdotes que estariam usando dinheiro da igreja.

Na quinta-feira (25), d. Tomé falaria a 120 padres da diocese. Ele nega as acusações. Disse ao Colégio de Consultores da Diocese e a integrantes do Conselho de Presbíteros que são boatos.

O suposto namorado do bispo teria sido contratado em março de 2013, quando d. Tomé chegou a Rio Preto. Mas o motorista teria trabalhado na diocese somente até 30 de agosto do mesmo ano. A troca teria ocorrido porque a diocese não tinha mais necessidade de um motorista.

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Papa

O pedido de investigação partiu do papa Francisco à Nunciatura Apostólica em Brasília, que encarregou o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, de presidir as investigações. Em visita-surpresa a Rio Preto, d. Odilo ouviu d. Tomé, que negou as denúncias.

Segundo um padre, o cardeal também conversou com o ex-motorista, o gerente da agência na qual a diocese mantém conta bancária, com padres do Colégio de Consultores e com sacerdotes que denunciaram o bispo.

O padre disse ainda que o cardeal fez perguntas sobre um abaixo-assinado enviado por fiéis ao Vaticano. Eles pediam a saída do bispo porque ele teria deixado de investigar padres que estariam abusando do dinheiro da Igreja e não teria punido um padre acusado de assediar três ex-secretárias de sua paróquia.

Em nota, a assessoria de d. Odilo disse que ele não comentaria o caso, mas que confirma a visita “fraterna e privada” a d. Tomé. “Na ocasião, também conversou com outras pessoas sobre a diocese.” Até as 22h, a reportagem não havia conseguido localizar d. Tomé. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Paraíba

Um ex-padre, que preferiu o anonimato, afirmou que a Arquidiocese da Paraíba estaria passando por uma ‘intervenção branca’. De acordo com ele, a intervenção teria se dado por conta de um suposto dossiê  que acusaria Dom Aldo Pagotto de acobertar supostas práticas de pedofilia e homossexualismo dentro da igreja. Além disso, haveria denúncias da suposta prática de grilagem contra Dom Aldo à época em ele foi bispo de Sobral, no interior norte do Ceará.

A Arquidiocese da Paraíba negou qualquer intervenção programada pelo Vaticano.  “Não procede. Não existe nenhum processo de intervenção na Arquidiocese. Nem no momento, nem marcada para acontecer”, garantiu.

No início do ano, o arcebispo teria sido chamado teria sido chamado às pressas para dar explicações ao representante do papa Francisco no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello, em Brasília, informação também negada pela assessoria da Arquidiocese.

Em 2013, já no cargo de arcebispo da Paraíba, dom Aldo disse que teria encaminhado ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) denúncia de pedofilia contra dois padres da Igreja Católica.  A denúncia teria sido entregue por Dom Aldo diretamente a Oswaldo Trigueiro, enquanto este era procurador geral do Ministério Público do Estado.

Com UOL

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