Tragédias reforçam medo de viajar de avião

Publicado em sexta-feira, julho 15, 2011 ·

especialistaEmbora estatísticas mostrem que, para cada 1,32 milhão de passageiros de avião, apenas um poderá morrer em acidente aéreo, enquanto mais de 265 poderão morrer no trajeto até o aeroporto, o medo de voar atinge mais de 40% dos brasileiros. Acidentes aéreos, como o que aconteceu no Recife nessa quarta-feira (13), só reforçam esse medo.

Quem mostra esses números é a psicóloga paranaense e terapeuta especializada em fobias, Elvira Gross. Escritora do livro Avião – viaje sem medo, ela afirma que “as pessoas fóbicas são super ansiosas e a fobia vem à tona quando elas estão sensíveis, após alguma perda, mudança ou estresse”. Segundo a especialista, o sofrimento gerado pelo medo de voar é intenso e provoca uma cadeia de reações físicas desagradáveis, como pensamentos catastróficos e crises emocionais, além de palpitações, sudorese, tremores, desconforto abdominal, falta de ar, náusea e vertigem.

Parte desses sintomas é sentida pelo bibliotecário Alberto Castro, de 31 anos, sempre que pensa em viajar de avião. No início do ano, ele precisaria ir a Curitiba a trabalho; meses antes já não conseguia dormir direito. Para alívio do jovem, a viagem foi cancelada. “Já estava certo de que iria tomar remédio e ficar totalmente dopado”, confessou.

Apesar de já ter viajado de avião três vezes quando criança, Alberto Castro acredita que começou a apresentar o medo depois de ver alguns acidentes, associando isso a outra fobia, o medo de altura. “Se eu estiver dirigindo e vir um obstáculo, sei que posso desviar. Mas no avião, eu não poderei fazer isso”.

A psicóloga clínica, Jacira Andrade, explica o comportamento do bibliotecário: “No carro, o motorista tem o domínio da situação, no avião, esse poder está na mão de outra pessoa”. Para ela,  há pessoas que precisam de acompanhamento psicológico e, muitas vezes, psiquiátrico, para receber algum tipo de medicação.

No carro, o motorista tem o domínio da situação, no avião, esse poder está na mão de outra pessoa

Depois do acidente no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em julho de 2007, a estudante de direito, Paula Soares, 20, que sempre andou de avião, passou a ter medo de voar. “Deixei de viajar para Teresina [Piauí] com minha família para a formatura de uma prima. Já tínhamos comprado as passagens, mas terminou que ningúem foi por minha causa”, lembra. Hoje em dia ela afirma que, apesar de ficar muito nervosa, já consegue viajar. “Fico com mais medo quando decola, para aterrisar já estou mais tranquila”, disse.

“Essa fobia, além de gerar constrangimentos às pessoas, pode prejudicar também sua vida social e profissional. Alguns chegam a recusar excelentes empregos ou a perder passeios por temerem viajar de avião. Outras se refugiam no efeito do álcool e tranquilizantes para enfrentar a viagem”, esclarece Elvira Gross.

Assim como a estudante Paula Soares, a bióloga Fátima Gouveia, 47, – que nunca andou de avião – já desistiu de viajar com familiares por causa desse medo. “Eu ia com minha cunhada e um sobrinho para São Paulo, as passagens já estavam compradas, mas desisti de ir”, esclarece. Mesmo assim, ela, que faz terapia, afirma que está tentando superar isso: “Acho que quando eu entrar num avião, eu desmaio, mas eu preciso perder esse medo”.

ne10

Comentários

Tags :

REDES SOCIAIS











ARTICULISTAS
Ramalho Leite
Karlos Thotta
Padre Bosco





INSTAGRAM @focandoanoticia


Focando a Notícia - CNPJ: 11.289.729/0001-46
Proibida reprodução total ou parcial deste site sem aviso prévio
jornalismo@focandoanoticia.com.br
(83) 99301.2627