Tenha uma gravidez tranquila com algumas práticas simples

Publicado em terça-feira, junho 7, 2011 ·

Estar grávida pode já ser uma forma de prática de Yoga, mas posturas e meditações ajudam a passar por esse processo com bem-estar e consciência.

Nove meses de carinho, mudanças. Nove meses de cuidados, atenção. A gravidez, é sem dúvida, um dos momentos mais especiais na vida de uma mulher, quando um novo ser está sendo gerado. E a mãe se cerca de atenções para que essa pequena pessoa nasça da melhor maneira possível, saudável e feliz. Todos os cuidados passam a ser para o bebê. O médico obstetra especialista em parto humanizado Eliezer Berenstein, da Clínica Berenstein de Atendimento à Mulher, em São Paulo, acredita que a gravidez por si só é a chegada do outro. “Ela tem o mesmo significado que a palavra cabala: receber. A grávida está aberta a receber o outro. Consideramos isso a função primordial da reprodução. Como essa pessoa especial será recebida é o que motiva a gravidez. O que torna o casal uno é a junção dos dois em outra pessoa, característica de ser espelho de um e de outro”, diz. E, para o médico, o fato de as pessoas terem cada vez menos filhos torna a gravidez ainda mais especial. “Isso faz da gestação algo épico. Antigamente tinham-se seis filhos, então era quase uma rotina. Agora, como a gravidez é nuclear, tornou-se muito mais importante. A gravidez hoje é mais delicada, mais deliciosa. E por parte da medicina, é mais cuidadosa”, diz.

GRÁVIDA YOGINI

Para ajudar a passar por essa fase bem, ter um parto feliz e, talvez, influenciar a saúde física e emocional do bebê, o Yoga tem entrado na lista de “coisas a fazer” durante a gestação. “Ao longo dos nove meses, a mãe vai criando condições físicas, mentais, emocionais e espirituais para que o novo ser possa enfrentar os desafios do próprio nascimento, desvendar mistérios, conquistar a consciência da luz e entrar na esfera da vida plenamente. Ela o auxilia a marcar suas fases e a enfrentar suas transformações durante esse ritual de passagem, de forma que possa celebrar sua existência com plenitude”, diz a professora Carmen Perez, da escola de Yoga Carmen Perez, em São Paulo, e que faz um reconhecido trabalho com grávidas. Carolina Hess, professora de educação física de Botucatu, São Paulo, não praticava antes, mas decidiu que o Yoga era a atividade que faria na gestação. “Procurei o Yoga por saber dos benefícios dessa prática, ainda mais na gravidez, quando decidi me cuidar mais do que nunca. Preparei-me para ser mãe e o Yoga foi uma das maneiras que encontrei para trazer mais qualidade para mim e para o bebê”, diz.

A professora Fadynha, do Rio de Janeiro, conhecida por seu trabalho de mais de 30 anos com Yoga e gravidez, afirma que a prática ajuda a futura mãe de uma forma bastante ampla. “Praticar é imprescindível para trazer bem-estar, pois algumas transformações da gravidez se tornam dificuldades, como peso, dores de coluna, varizes, postura, aumento ou queda de pressão. Além disso, o Yoga tem um trabalho energético espiritual de que a grávida precisa, pois a gravidez é uma avalanche de emoções: tem de pensar no futuro, o corpo não responde ao que ela quer, o relacionamento com o companheiro fica diferente. Essa fase muda demais a vida pessoal e o Yoga ajuda a se concentrar, ficar bem, tranquila, com foco”, comenta. A professora Veena Mukti, de São Paulo, diz que o Yoga dá mais consciência do corpo à mãe, inclusive a deixa mais conectada com a energia sutil. “É um momento de parada no dia a dia para se observar e conectar-se conscientemente com o bebê, de ajudar o corpo a adaptar-se ao novo eixo de gravidade conforme a barriga vai crescendo. O relaxamento e a meditação ajudarão a criar um ambiente emocional tranquilo para que a futura mamãe possa responder com mais equilíbrio às demandas deste lindo e intenso período”, diz. Veena concorda que o Yoga ajuda a diminuir os desconfortos que algumas vezes aparecem na gravidez. “A prática dos asanas (posturas) auxilia a aliviar dores na coluna, e também a melhorar a circulação sanguínea e linfática, prevenindo inchaços. A prática dos pranayamas (exercícios respiratórios) proporcionará maior consciência da respiração e ajudará a ampliar a capacidade respiratória (conforme o bebê vai crescendo, os órgãos internos precisam se reacomodar e começam a ocupar espaço dentro da caixa torácica, diminuindo o espaço dos pulmões)”, diz.

A designer Fernanda Rodart já havia praticado Yoga quando adolescente. Agora que está esperando o primeiro filho, voltou à prática porque queria uma gravidez tranquila. “A prática de Yoga tem me ajudado a me equilibrar mental, emocionalmente e até mesmo no aspecto hormonal. No começo da gravidez ficava muito tonta e enjoada. Com a prática de Yoga isso tudo foi se equilibrando e se adaptando ao meu novo corpo. Nos dias em que faço Yoga, sinto-me mais disposta, com mais energia e mais presente”, declara.

A HORA DO PARTO

Em um país em que os partos são marcados no momento em que a mulher fica grávida, é difícil se manter firme ao propósito de ter um parto natural. A professora Fadynha diz que apenas 10% das mulheres não têm condições de ter parto normal. “As mulheres estão convencidas de que parto é dor, é horrível, e não é. A mulher quer se livrar desse medo, mas sofre uma pressão da sociedade, de pessoas que tiveram experiências ruins. Pessoas que falam mal do parto normal foram enganadas, foram atendidas por obstetras que não sabem o que é o parto normal, que dão remédios para induzir a dilatação, enquanto elas ficam deitadas sem poder fazer nada. Isso não é parto. O parto não deve ser doloroso, deve até ser prazeroso. É para ser vivido com plenitude, segurança, amor. E se estiver em um ambiente que propicie isso, vai dar certo”, diz.

O médico Eliezer Berenstein concorda que o grande aumento do número de cesarianas se deve a vários fatores já intrínsecos na sociedade moderna e diz que quem engravida não procura saber se o médico é comprometido com o que ela quer. “Encontre o médico certo e faça o que for preciso. A própria sociedade está muito confortável, estão acabando com os parteiros. Também é interessante comprometer o marido para dar apoio no parto. Comprometer o corpo, pois ele vai entender a linguagem de que você está disposta a ter um parto natural”, declara o obstetra. De acordo com ele, o parto é o resultado do esforço que a mulher fez na gravidez. O mundo moderno depõe contra o parto normal, pois ficamos sentados o tempo todo e não há nenhum trabalho na zona do períneo. Antigamente as mulheres andavam, trabalhavam mais em pé. Por isso é tão necessário fazer atividades hoje.

A professora Carmen Perez explica como a prática de Yoga pode ajudar. “Para a mãe, as posturas criam uma agradável sensação de poder dar à luz por suas próprias forças e com facilidade, e esse convencimento dissipará os temores que ainda possa abrigar em seu interior. Os pranayamas ajudam a equilibrar as emoções, promovendo um estado de concentração e bem-estar que é de vital importância no trabalho de parto”, diz.

Veena explica que a prática ajuda a gestante a preparar o físico para a chegada do bebê, pois trabalha músculos importantes. “Fortalecerá os músculos do assoalho pélvico (principais músculos envolvidos no trabalho de parto), os músculos da perna (ajudando a evitar entorses), dos braços e também o peitoral (auxiliando posteriormente na amamentação)”, comenta.

Mas se o parto normal não for uma possibilidade para você, não se preocupe. “Parto normal é parto feliz, seja ele cesariana ou vaginal”, declara o médico Eliezer. E mesmo em cesarianas, o Yoga pode ser benéfico. “As pessoas que fazem Yoga têm uma recuperação do pós-parto muito melhor. O corpo volta muito mais rápido, a mãe tem um aproveitamento do condicionamento que ela fez”, diz a professora Fadynha.

PEQUENA VIDA FELIZ

Ainda não se sabe comprovadamente se a prática ajuda a ter um bebê mais tranquilo. Mas um trabalho de respiração pode oxigenar o bebê por meio do funículo umbilical, a via de comunicação entre mãe e filho. “O bebê dentro do útero liga-se ao pulsar rítmico da respiração, recebendo sensações agradáveis, o que favorece seu desenvolvimento. Tudo o que a mãe faz e sente fica gravado na memória celular do bebê”, diz Carmen Perez. Fadynha comenta sua experiência de 30 anos com gestantes. “Estudos mostram que só a conversa com o bebê ou a música já são importantes, fazer esse contato interno e profundo”, explica. A terapeuta ayurvédica Silvana Cutollo diz que, segundo o Ayurveda, tudo que a mãe faz vai influenciar, de alguma forma, a formação da criança. “A partir do quarto mês, todos os membros e órgãos do embrião se fortalecem e o feto adquire consciência, por causa da formação do coração. Segundo Sushruta Samhita (um dos livros mais importantes do Ayurveda), o coração é o assento da consciência, por onde o feto expressa seus desejos pelos prazeres sensoriais através das vontades da mãe”, diz Silvana, que também explica que a prakriti, ou a parte física do ser, é formada a partir dos atos da mãe. “Podemos considerar que a matéria (prakriti) é inanimada e depende do sopro de vida (purusha), então, quando o coração é formado e ocorrem os batimentos cardíacos, temos o assento da consciência na vida intrauterina, mas ainda temos a dependência da mãe. Nos primeiros três meses, embrião e mãe estão presos pelo cordão que auxilia na nutrição (ahararasa virya) da mãe para o feto. Nesse período é muito importante que a gestante seja cuidadosa, vigilante e procure momentos de relaxamento com exercícios de respiração e meditações, ouvir músicas agradáveis, entoar mantras para acalmar os ambientes interno e externo”, explica.

O médico Eliezer, porém, faz ressalvas quanto à crença de que as práticas ajudam na personalidade e inteligência emocional do bebê, mas sabe que as ações vão influenciar no parto. “As atividades influenciam na saúde da gravidez. Uma mãe bem saudável tem tendência a ter bebê saudável, mas dizer que uma mãe executiva vai ter um filho neurótico, eu não acredito. A segurança mental, espiritual, física da mãe repercute no parto. E coisas negativas também repercutem negativamente, como tabagismo e alcoolismo”, completa o médico.

CUIDADOS NECESSÁRIOS

O doutor Eliezer diz que as atividades físicas podem e devem ser feitas durante a gravidez com um trabalho específico, mas que pessoas que não estão acostumadas a exercícios precisam de acompanhamento médico. A professora Fadynha insiste que é necessário um trabalho personalizado para cada tipo de gestante. “Fazer um trabalho conjunto é complicado. É preciso avaliar a pessoa antes de começar, ver os exames, acompanhar de perto, saber o que pode ou não fazer. O primeiro trimestre é sensível e propenso a ter problemas, porque o enraizamento do embrião não está completo. Não se devem fazer esforços grandes, posturas puxadas, a prática tem de ser bem leve. E grávidas às quais o médico recomendou repouso não podem fazer de jeito nenhum”, explica.

Carmen Perez comenta que é necessário um profissional para acompanhar a gestante durante a gravidez, por ser um período bastante sensível e especial. E dá dicas para evitar qualquer problema ou desconforto. “Comece a praticar a partir do terceiro mês e continue até o fim da gravidez, se sentir-se confortável; evite as posturas deitadas sobre a barriga durante toda a gestação, as torções que comprimam os músculos abdominais, as retenções de ar, as posturas que tragam angústia e desconforto; descanse, entre as posturas, sobre o lado esquerdo; e evite as posturas invertidas”, orienta.

Grávidas Iniciantes por Fadynha

Quem nunca praticou Yoga e quer iniciar na gestação saiba que esta é uma decisão maravilhosa. Muitas grávidas adotam o Yoga para a vida toda. É possível fazer um trabalho adequado ao trimestre da gravidez e ao perfil de cada uma. Tudo é levado em conta na hora de elaborar a série personalizada do Yoga.

A gravidez é um estímulo e uma inspiração para muitas mudanças na vida da mulher e essa é uma oportunidade de buscar o autoconhecimento, aproveitar as riquezas que a gestação traz e mergulhar no aprendizado do ser.

Para uma gravidez saudável é necessário investir no cuidado consigo mesma. O retorno será no seu bem-estar e no do bebê, para o presente e para reflexos importantes no futuro de ambos.

yogajournal

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