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Mulheres contam como a plástica vaginal mudou suas vidas

Getty Images
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A fisioterapeuta Luana*, 29 anos, percebeu, ainda na adolescência, por volta dos 14, que os pequenos lábios de sua vagina cobriam os grandes lábios, o que é incomum na anatomia do corpo feminino. Por causa do tamanho aumentado do órgão, sempre que fechava as pernas ela sentia um incômodo.

A hipertrofia dos pequenos lábios vaginais, como é chamado o problema, sempre foi motivo de constrangimento para a fisioterapeuta, que não se sentia confortável em se trocar na frente das amigas nem da própria mãe. Conversar sobre o assunto, então, era impossível. “Quando eu usava biquíni, ficava o tempo todo preocupada, porque marcava a calcinha. Mas nunca tive coragem de falar sobre essas questões com ninguém. Só consegui me abrir com o meu marido e com a minha médica”, diz.

“Muitas mulheres têm receio de aparecerem nuas na frente do companheiro, o que pode atrapalhar bastante o relacionamento”, explica a cirurgiã plástica Eliane Hwang Dietrich, que atua no hospital São Cristóvão e no Hospital São Paulo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

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Era o que acontecia com Luana que, durante as relações sexuais, preferia manter as luzes apagadas. “No momento em que meu marido me olhava, eu ficava envergonhada. Não conseguia me sentir à vontade”, afirma. “Eu cheguei a descartar a hipótese de ter um parto normal, quando engravidasse, por vergonha de ficar muitas horas em uma posição em que todos olhariam para a minha vagina”, declara.

Para acabar com tanta insatisfação, há três meses ela passou por uma cirurgia plástica e reduziu os pequenos lábios. Agora, prepara-se para engravidar.

Não é só estética

Outra queixa das mulheres com hipertrofia dos pequenos lábios é a dor durante a relação sexual. O incômodo ocorre por causa do excesso de pele pode entrar no canal vaginal durante a penetração. Era esse o caso da psicóloga Leila*, 46 anos, que realizou a cirurgia para a redução dos pequenos lábios há nove meses. “Machucava durante a relação e também quando eu ficava muito tempo sentada. Em viagens longas, por exemplo, eu chegava ao destino toda dolorida. Eu tinha de ajeitar o lábio para dentro para amenizar”, diz.

Leila percebeu a hipertrofia aos 25 anos, após uma consulta ginecológica. Na época, a descoberta não a incomodou. No entanto, com o passar dos anos, a pele da região íntima tornou-se mais flácida e aumentou de tamanho. Foi aí que ela resolveu operar.

Com a advogada Maísa*, 54 anos, ocorreu algo parecido. Ela notou o tamanho avantajado dos pequenos lábios ainda na adolescência, mas, inicialmente, não se incomodou. “Naquele tempo, não se falava sobre isso. Eu simplesmente não sabia que poderia melhorar o aspecto da minha vagina”, diz. Mas, conforme ela foi envelhecendo, os pequenos lábios aumentaram mais e escureceram um pouco.

“Os ginecologistas diziam que era besteira operar e o meu marido também nunca se importou. Mas aquilo me incomodava e, por isso, eu insisti na cirurgia plástica”, conta Maísa, que fez o procedimento há três semanas.

Rápido e quase indolor

A operação plástica que reduz o tamanho dos lábios vaginais chama-se ninfoplastia e é considerada simples. Exige apenas anestesia local e sedação. “Fazemos pontos que caem sozinhos e a cicatriz é quase imperceptível. Geralmente, após um mês, a mulher pode voltar a ter relações sexuais”, diz o cirurgião plástico Luis Henrique Ishida, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

“O incômodo após a cirurgia praticamente não existe, se comparado ao bem-estar que a mudança provoca”, diz Maísa. Luana concorda. Uma semana após o procedimento, a fisioterapeuta já estava trabalhando e, 45 dias depois, retomava a atividade sexual com o marido. Dessa vez, com a luz acesa. “Para o meu marido não mudou nada, mas, para mim, mudou muito. Eu me sinto melhor, mais confiante e segura”, diz a fisioterapeuta.

 

Uol

Mania de cirurgia vaginal estética preocupa

Médico ginecologista e cirurgião plástico de reconstrução, o dr. John Miklos, de Atlanta, nos Estados Unidos, se define como um “alfaiate médico”, especializado em cirurgia para remodelar partes íntimas da mulher.

O médico, atuando como cirurgião ginecologista há quase 20 anos, cita casos de pacientes que dizem ter obtido melhor desempenho sexual depois da vaginoplastia, um procedimento para apertar cirurgicamente o canal da vagina, alargada pela idade ou partos.

“As mulheres chegam e me dizem que não têm mais o desejo de ter relações sexuais porque nada sentem”, disse Miklos. “Eu garanto que se um homem não sentisse nada, ele também não faria sexo.”

A cirurgia cosmética na genitália feminina é um pequeno segmento do mercado de cirurgia plástica nos Estados Unidos, mas está crescendo, e se estima que milhares de mulheres se submetam a essa intervenção todos os anos.

Essa expansão ocorre apesar do alerta feito em 2007 pelo Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras (Acog, na sigla em inglês), que questionou fortemente a validade médica e a segurança da cirurgia cosmética no órgão sexual feminino. No começo deste ano a entidade debateu a tendência em seu encontro anual, em San Diego, na Caligórnia.

“Não foi comprovada a eficácia em nenhum desses procedimentos, e há um potencial de danos”, escreveu a ginecologista Cheryl Iglesia, de Washington, ex-membro do comitê da Acog, em um editorial na publicação Obstetricia e Ginecologia, edição de junho. “As mulheres estão sendo enganadas ou estão confusas sobre o que é normal… e sobre o que constitui uma condição para a qual podem obter ajuda por meio de tratamento”, escreveu ela no artigo.

Críticos dizem que a tendência é o mais recente serviço destinado a mulheres em busca de um ideal impossível de perfeição física, estimulado pela pornografia na Internet e propaganda de cirurgiões que podem não estar explicando todos os riscos, como infecções, cicatrizes, dor e perda das mesmas sensações que algumas pacientes buscam melhorar.

“Mesmo quando as mulheres são informadas sobre as potenciais complicações, como insensibilidade do clitórios… ainda assim elas podem não mudar de ideia se têm a noção de que precisam de uma aparência mais jovem ou uma vulva mais perfeita ou mais desejável”, disse o psicólogo Harriet Lerner, especializado em questões femininas.

Mais de 2.140 mulheres se submeteram a cirurgias de “rejuvenescimento vaginal” no ano passado nos Estados Unidos, de acordo com a Sociedade Americana para a Cirurgia Plástica Estética. Mas a Sociedade Internacional de Cirurgiões de Plástica Estética estima o total no país em 5.200 em 2010. Especialistas dizem que essas cifras não incluem muitos procedimentos feitos por ginecologistas.

A Acog alerta não apenas para os riscos da cirurgia na genitália, mas também enfatiza que a resposta sexual feminina é induzida por fatores psicológicos, e não pela aparência da genitália. A entidade pediu que seus membros estejam conscientes de como podem estar influenciando inconscientemente uma paciente ao falar sobre a cirurgia

Nos EUA, médicos dizem que desde adolescentes a mulheres na casa dos 70 anos querem conversar sobre a intervenção cirúrgica, que pode custar entre 2.500 a 12.000 dólares e não costuma ser coberta por planos de saúde.

“Eu digo a todas as pacientes que elas são normais do jeito que são”, disse Miklos, que anualmente realiza cerca de 180 labioplastias, para cortar o excesso de pele ao redor da abertura vaginal. “Eu nunca sugeriria que elas fizessem uma (labioplastia). Qual é o tamanho certo de um nariz ou de um queixo? Isso é com cada indivíduo. É seu direito decidir”, afirmou.

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