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Cartilha explica as verdades e os mitos do armazenamento do cordão umbilical

A cartilha também busca incentivar a doação de material para o banco público. Esta é a melhor maneira de garantir que o material guardado seja útil no tratamento de algum paciente

 

Com intuito de esclarecer as verdades e os mitos sobre o armazenamento do sangue de cordão umbilical, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disponibiliza uma cartilha para pais e mães de todo o Brasil. Apesar desta prática ter crescido nos últimos anos, muitas pessoas ainda desconhecem os reais benefícios e as limitações desse tipo de transplante. A cartilha também busca incentivar a doação para o banco público. Esta é a melhor maneira de garantir que o material guardado será útil no tratamento de algum paciente.

Divulgação/Loterpa PA O sangue do cordão umbilical é rico em células-tronco e por isso pode ser uma alternativa no tratamento de doenças hematológicas

  • O sangue do cordão umbilical é rico em células-tronco e por isso pode ser uma alternativa no tratamento de doenças hematológicas

Segundo a publicação, o sangue de cordão umbilical e placentário (sangue que permanece na placenta e na veia umbilical após o nascimento do bebê), pode ser facilmente coletado, de forma indolor e segura, e ser armazenado por anos. A sua obtenção não traz nenhum prejuízo à saúde da mãe ou do bebê.

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O sangue do cordão umbilical, assim como o da medula, é rico em células-tronco e por isso pode ser uma alternativa no tratamento de doenças hematológicas. Porém, são raros os relatos da realização de transplantes de sangue de cordão autólogo, ou seja, do próprio doador  em nível mundial. Também não há estatísticas quanto ao uso e eficácia destes tratamentos. Um dos motivos é que o sangue de cordão pode carregar o mesmo material genético e os mesmos defeitos responsáveis por uma doença que venha a aparecer nos primeiros anos de vida da criança. O uso de células do cordão da própria pessoa é desaconselhado, por exemplo, em casos de leucemia.

Esse procedimento tem sido utilizado para tratar, principalmente, pacientes com doenças hematológicas, como por exemplo cânceres das células sanguíneas e outras disfunções do sistema de produção ou funcionamento das células do sangue quando há a necessidade de transplante.

No Brasil, entre 2003 e 2010, 45.661 unidades de cordão umbilical foram armazenadas em bancos privados, mas apenas três foram utilizadas para transplante autólogo. A grande maioria dos transplantes que utilizam as células-tronco do sangue de cordão é realizada com células armazenadas em bancos públicos.

A cartilha também ressalta que mais de 80 doenças podem ser tratadas por meio de transplante, mas nem sempre será possível utilizar o próprio sangue de cordão, por isso é mais interessante e proveitoso a doação de células em banco públicos de armazenamento, assim a agilidade em encontrar material compatível será maior.

 

Bancos públicos

Nestes bancos as células-tronco armazenadas são provenientes de doações voluntárias, que são realizadas de forma sigilosa e com o consentimento materno. Nos bancos públicos, as células poderão ser utilizadas por qualquer pessoa desde que haja compatibilidade (uso alogênico não-aparentado), ou mesmo pelo próprio doador ou um parente seu, se estiverem disponíveis. Os custos são cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A grande maioria dos transplantes que utilizam as células-tronco do sangue de cordão é realizada com células armazenadas em bancos públicos. Mais de 12.800 pacientes no mundo todo foram tratados desta maneira

Há raros relatos da realização de transplantes de sangue de cordão autólogo em nível mundial. Não há estatísticas quanto ao uso e eficácia destes tratamentos realizados. A chance de uma criança necessitar de suas próprias células-tronco é extremamente baixa. Considerando as chances de alguém desenvolver câncer, necessitar de um transplante e não encontrar um doador compatível, indicam probabilidades de 0,04% a 0,0005% nos primeiros 20 anos de vida.

 

Fonte:
Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Anvisa lançará cartilha sobre reais benefícios de armazenar sangue de cordão umbilical

cordão umbilicalA Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai lançar, no fim de março, uma cartilha para alertar os futuros pais sobre os reais benefícios de armazenar o sangue de cordão umbilical para uso próprio, também conhecido como autólogo.

O gerente de Tecidos, Células e Órgãos da Anvisa, Daniel Roberto Coradi de Freitas, explicou que a iniciativa, que conta com a parceria do Instituto Nacional do Câncer (Inca), foi impulsionada pela constatação de que muitos pais pagam caro para congelar o sangue dos cordões umbilicais dos filhos na crença de que estão adquirindo um seguro de vida.

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“Na verdade, o uso dessas unidades é muito restrito. E nosso intuito é esclarecer aos pais essa realidade para que eles tomem uma decisão consciente”, disse Coradi. “Alguns bancos acabam fazendo propaganda sobre o uso da célula para o tratamento de uma série de doenças, o que ainda está sendo pesquisado”, acrescentou.

Panfletos em salas de espera de consultórios ginecológicos e de maternidades são facilmente encontrados com a promessa de salvar a vida do bebê por meio do uso do sangue do cordão umbilical do próprio recém-nascido em casos de doenças futuras, hoje incuráveis. Os preços podem variar de R$ 2,5 mil a R$ 7 mil e ainda existe a taxa de manutenção que varia entre R$ 500 e R$ 700.

No Brasil, os bancos privados de sangue de cordão umbilical têm licença de funcionamento, emitida pelo órgão de vigilância sanitária, para executar exclusivamente atividades afetas ao armazenamento, com o fim de utilização pelo próprio recém-nascido, mas alguns têm se utilizado de manobras jurídicas para tratar parentes do detentor do cordão umbilical armazenado, que é proibido por lei, já que essa é competência do banco público, gratuito e universal.

O uso autólogo das células-tronco é justificado por entidades médicas para os casos de alto risco genético para doenças, entre elas anemias hereditárias, como talassemia, doença falciforme.

Em abril de 2010, a Anvisa determinou adequações no material publicitário de bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário para uso autólogo, depois de identificar itens irregulares, como informações que possibilitariam interpretação errônea a respeito da utilização das células do sangue de cordão umbilical e placentário, resultando em falsa sensação de segurança para os pais ao adquirir um serviço que, de fato, não tem meios de assegurar a saúde futura dos filhos. Um ponto pouco esclarecido para os pais é que crianças prematuras costumam ter uma quantidade de sangue no cordão umbilical insuficiente para a coleta.

A gerente de Produção do maior banco privado de sangue de cordão umbilical do país, Cryopraxis, Janaína Machado, admitiu que existem no mercado propagandas enganosas, mas defendeu a existência dos bancos privados, que, segundo ela, podem ser úteis para pacientes que não encontram doadores compatíveis nos bancos públicos.

“É preciso ter muito cuidado com o tipo de propaganda, mas não se pode colocar todos os bancos no mesmo saco. É uma atividade regulamentada pela Anvisa e cabe às agências reguladoras analisar caso a caso,” disse ela. “É dever do Estado prover saúde a todos os brasileiros, mas o Estado não tem a capacidade de prover saúde para todos. Não é justo que quem possa pagar pelo privado utilize o serviço  público”, comentou.

O armazenamento privado é proibido em vários países e condenado pela Comunidade Europeia. Nos Estados Unidos, a prática é permitida. A expansão desse tipo de atividade no Brasil preocupa as entidades médicas, como a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) e a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula que defendem que o uso comercial do cordão umbilical autólogo não tem respaldo científico, clínico ou terapêutico.

Coradi ressaltou que a Anvisa regula a qualidade e a segurança desses produtos e que não é de sua alçada aprovar ou proibir essa atividade comercial. “Nós regulamentamos a atividade, porque ela já existia. A proibição, se for o caso, deve ser feita por lei. O Congresso Nacional e o ministério devem se articular para definir se isso deve ser proibido e como”.

De acordo com o diretor do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Inca no Rio e coordenador da Rede Pública de Bancos de Sangue de Cordão, Luis Fernando Bouzas, proibir esses bancos não é a melhor opção e a informação é a melhor forma de conscientizar a população sobre essa atividade.

“Acho que proibir é pior. Em países onde se proibiu, choveram ações judiciais, passaram a congelar em outros países. Acho que o melhor é informar e criar bancos públicos”, comentou.

 

 

Agência Brasil

Saiba como cuidar e higienizar o cordão umbilical do bebê do jeito certo

SHUTTERSTOCK
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Ele não é só o canal de comunicação entre a mamãe e o bebê, mas também um importante cordão de sobrevivência do feto. O cordão umbilical é responsável por fornecer proteínas, glicose e micronutrientes ao bebê. Além disso, reforça a proteção do feto com inúmeros anticorpos e leva para ele oxigênio, indispensável para sua sobrevivência.

 

Ao nascer, o obstetra rompe esse canal (que é ligado à placenta da mãe). Nesse momento, o bebê passa a sobreviver sozinho. Mas, ainda por alguns dias, o restinho do cordão umbilical (cerca de 4 cm) fica no umbigo do bebê até que caia sozinho.

 

O cordão umbilical merece alguns cuidados para evitar que infeccione e cause dor ao bebê. Segundo a Dra. Karina Zulli, obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, limpar o local com algodão e álcool é o processo mais seguro e higiênico, evitando o acúmulo de bactérias e infecções posteriores. “Algumas mães sentem aflição na hora de dar banho no bebê pensando que ao tocar no cordão umbilical ele sente alguma dor ou incômodo. Mas elas podem ficar despreocupadas, pois essa extremidade é desprovida de nervos, por isso a criança não sente nenhuma dor”, afirma ela.

 

A obstetra também alerta sobre os cuidados na hora da troca da fralda. “É importante e necessário que a mãe, ao fazer a troca da fralda, limpe o cordão umbilical também. E sempre deixe a fralda presa em baixo do umbigo, deixando o local respirar”, explica a médica.

 

Sempre depois de fazer a higiene do cordão umbilical é importante que a mãe se certifique que o local esteja bem seco. “Quando úmido, pode ocorrer a proliferação de bactérias. Por isso secar bem e deixar o umbigo respirar é importante e fundamental para evitar a aparição de qualquer infecção”, finaliza ela.

 

Se surgirem manchas avermelhadas ao redor do cordão umbilical é aconselhado levar o bebê ao especialista. Segundo a obstetra, geralmente o o cordão demora de 7 a 15 dias para de desprender da barriguinha do bebê. E, nesse tempo, ele muda de cor, ficando cada dia que passa mais preto. A cor é normal e mostra que está tudo bem com o bebê, e o processo de cicatrização está sendo feito corretamente.

 

 

itodas.

Pais congelam células-tronco do tecido do cordão umbilical dos filhos

O que ainda é uma promessa da ciência já está dando origem a um negócio no país: o congelamento de células-tronco mesenquimais retiradas do cordão umbilical de recém-nascidos.

O uso dessas células, que dão origem a diferentes tecidos, como músculos, gordura e ossos, é alvo de estudos para o tratamento de doenças cardíacas, autoimunes e degenerativas. No entanto, nenhuma terapia com o material foi aprovada até hoje.

Mesmo assim, ao menos dois bancos privados de células-tronco em São Paulo estão vendendo o serviço de coleta e preservação das células do tecido do cordão, que normalmente é descartado.

Karime Xavier/Folhapress
Fernanda Cabral, 32, e seu filho Felipe, que teve as células-tronco do tecido do cordão umbilical congeladas
Fernanda Cabral, 32, e seu filho Felipe, que teve as células-tronco do tecido do cordão umbilical congeladas

A justificativa é a possibilidade de que essas crianças, no futuro, possam se beneficiar de tratamentos com as células mesenquimais.

De acordo com Marlon Knabben, diretor médico da empresa Cordvida, o serviço começou a ser vendido em maio e tem cerca de 30 amostras coletadas.

As células-tronco mesenquimais são extraídas principalmente da geleia de Wharton, tecido que envolve os vasos sanguíneos do cordão.

A coleta é feita no parto, mesmo momento no qual hoje já é feita a retirada do sangue do cordão –material que tem uso consagrado em transplantes de medula.

No Brasil, há uma rede pública de sangue do cordão. As bolsas ficam disponíveis para quem precisar de transplante. Já nos bancos privados, só a própria pessoa pode usar o material.

Lucas Lima/Folhapress
A bióloga Verônica Oliveira, 34, com sua filha Gabriela; a mãe optou por congelar as células mesenquimais do cordão
A bióloga Verônica Oliveira, 34, com sua filha Gabriela; a mãe optou por congelar as células mesenquimais do cordão

Dados divulgados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2011 mostram que, das 45 mil unidades de sangue de cordão de bancos privados, só oito foram usadas, desde 2003. Já na rede pública, com 9.000 unidades, foram feitos 106 transplantes desde 2001.

A coleta privada das células do tecido, assim como as do sangue, custa cerca de R$ 2.000, mais taxa anual de R$ 600 pela preservação.

CRÍTICAS

Pesquisadores fazem ressalvas à venda desse serviço. Além de não se saber para que as células vão servir, não há certeza sobre se o cordão umbilical é a melhor fonte para as mesenquimais.

De acordo com a geneticista e especialista em células-tronco Mayana Zatz, da USP, é possível que, dependendo da finalidade, seja melhor usar as células-tronco armazenadas, por exemplo, no tecido gorduroso e que podem ser coletadas a qualquer momento (não só ao nascer).

Outra questão é se o uso das células da própria pessoa é o mais apropriado. “No caso de doenças genéticas, não servem. Todas aquelas células vão ter a doença.”
Knabben, da Cordvida, diz que a chance de coletar as células do tecido do cordão não deve ser desperdiçada se a família puder pagar. “Daqui a 20, 30 anos, se aparecer um tratamento com essas células, que argumento eles [os críticos] vão dar?”

Telma Kühn, diretora técnica da Cordcell, empresa que também preserva células do tecido do cordão, afirma que, no nascimento, as células são “novas e não sofreram o impacto do ambiente”.

Para Luiz Fernando Lima Reis, diretor do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa, a preservação desse material não se justifica hoje. “Não há evidências da aplicabilidade.”

“ACREDITO QUE AS PESQUISAS VÃO AVANÇAR”, DIZ MÃE

Felipe, segundo filho de Fernanda Cabral, 32, nasceu em maio e com uma dupla poupança celular: tem as células do sangue e do tecido do cordão umbilical congeladas em tanques de nitrogênio líquido.

Fernanda afirma que o banco que ela procurou foi claro ao dizer que todos os possíveis usos das células-tronco mesenquimais ainda estão em estudo.

“Para mim isso não é problema. Acredito que as pesquisas vão avançar e que a célula vai ter uso. Eu também pago plano de saúde sem saber se vou usar. Se um dia precisar, o que paguei não será nada perto do benefício.”

A bióloga Verônica Ramos Souza Oliveira, 34, também procurou um banco privado para guardar células do tecido e do sangue do cordão da filha Gabriela, nascida em outubro. “Não gostaria que pegassem o cordão, tirassem o sangue e jogassem no lixo. É um pecado, o cordão é rico em células-tronco.”

Apesar de saber que não há nada concreto sobre o uso das células mesenquimais, Verônica contratou o serviço “por segurança”. “Se um dia ela precisar, quero que esteja tudo guardado num lugar de confiança.

Editoria de arte/folhapress

Folha.com