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Prefeito que pintava prédios de vermelho é expulso do PT por apoiar tucanos

Prefeito de Barrinha pinta a Prefeitura de vermelho, cor do partido (Foto: Arquivo Pessoal/ Divulgação)
Prefeito de Barrinha pinta a Prefeitura de vermelho,
cor do partido (Foto: Arquivo Pessoal/ Divulgação)

O prefeito de Barrinha (SP), Mituo Takahashi, conhecido por pintar os prédios públicos da cidade de vermelho, com suposta alusão ao PT, foi expulso do partido após apoiar candidatos do PSDB durante as eleições deste ano. Segundo o diretório municipal do PT, Katiá, como é chamado, cometeu infidelidade partidária por apoiar uma legenda da oposição. Procurado pela reportagem do G1, o chefe do Executivo não foi encontrado para comentar o caso.

“Ele tirou fotos com candidatos a deputado federal, estadual e a governador que não faziam parte da coligação do PT, eram todos do PSDB”, afirma o secretário-geral do Diretório Municipal do partido em Barrinha, Alcides Ignácio de Barros Filho. “É uma falta grave o que ele cometeu aqui, então o diretório e a comissão de ética municipal consideraram que não havia condição dele permanecer no partido”, diz.

Segundo o secretário-geral, o que Katiá fez foi campanha e cometeu erro grave, segundo o estatuto do partido. “Ele entregou panfletos, foi para a rua, participou de cafés da manhã com os candidatos, botou adesivo no peito de apoio a outros candidatos que não eram PT, foi uma falta grave”.

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Em um panfleto divulgado pelo diretório municipal, o prefeito de Barrinha aparece ao lado dos candidatos a deputado federal Duarte Nogueira e deputado estadual Roberto Engler, ambos do PSDB. Segundo o material, a opção de voto nos dois seria para “o bem de Barrinha”.

Procurados pelo G1, Engler afirmou em nota que não comentaria o caso “por se tratar de assuntos internos de outro partido”, e Nogueira não retornou às ligações da reportagem.

Diretório estadual
Após a decisão de excluir o prefeito do PT municipal, tomada no início de outubro, o processo de expulsão foi encaminhado ao diretório da macroárea de Ribeirão Preto e ao partido estadual, que analisam a situação.

Segundo o assessor da Secretaria de Organização do partido em São Paulo, Edson dos Santos, o prazo para Katiá recorrer já se excedeu e o diretório estadual deve discutir o assunto no final de semana. “Vamos dar conhecimento à comissão estadual sobre o que aconteceu e nosso entendimento inicial é de que houve problemas e o PT municipal tomou a providência necessária”, afirmou.

Se o político for expulso do PT de São Paulo, o diretório do partido em Barrinha considera entrar na Justiça para requerer o mandato de prefeito. “O cargo é do partido, não dele, vamos requerer assim que tivermos a decisão estadual”, disse o secretário-geral Barros Filho.

Entretanto, o diretório estadual não considera essa possibilidade. “A questão é política e quem o elegeu como prefeito foi a população, não o PT, mas é a Justiça Eleitoral quem vai analisar isso, se eles entrarem com o pedido”, afirmou o assessor do PT-SP.

Prédios vermelhos
Em agosto deste ano, o prefeito Mituo Takahashi foi obrigado a repintar todos os prédios públicos do município que foram tingidos de vermelho desde o início de seu mandato.

A medida foi resultado de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público e a Prefeitura, após denúncias de que a pintura dos locais faria alusão à cor do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda a qual pertence o chefe do Executivo.

Na época, a Prefeitura negou que a cor escolhida para a pintura dos prédios teria sido proposital e que fazia qualquer referência ao partido. Segundo a administração, a tinta vermelha era a única disponível no almoxarifado na época.

Prefeito do PT aparece ao lado de candidatos do PSDB em Barrinha (SP). (Foto: Diretório do PT de Barrinha)Prefeito do PT aparece ao lado de candidatos do PSDB em Barrinha (SP). (Foto: Diretório do PT de Barrinha)

G1

‘Tucanos vão ter uma surpresa com Padilha’, diz Lula em Ribeirão Preto

A baixa popularidade do ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), que em dezembro do ano passado apareceu na pesquisa Datafolha com apenas 4% das intenções de voto em uma possível disputa pelo governo de São Paulo, parece não desanimar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em encontro realizado pelo Partido dos Trabalhadores na manhã deste sábado (8) em Ribeirão Preto (SP), Lula disse que o desempenho de Padilha na eleição irá “surpreender os tucanos”.

No discurso deste sábado, o ex-presidente ainda teceu críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a forma como o julgamento do mensalão foi conduzido e disse que o PT é solidário aos condenados no caso.

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Governo de SP
Apesar do discurso positivo sobre a campanha pelo governo de SP, Lula admitiu que a disputa com o PSDB não será fácil. “Os tucanos não brincam em serviço porque ninguém tem um bico daquele tamanho à toa. É bico de um predador, de comedor de filhotinho, temos que ter muito cuidado”, avaliou.

A alta cúpula do PT se reuniu em Ribeirão Preto para lançar a “Caravana Horizonte Paulista”, projeto que vai levar o ex-ministro da Saúde a várias cidades de São Paulo antes do início da campanha eleitoral. Além de Padilha e de Lula, também participaram do encontro o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o presidente estadual, Emídio de Souza, o senador Eduardo Suplicy, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, e o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia.

Em discurso de mais de meia hora, Lula manteve o mesmo tom de crítica ao governo do PSDB adotado por Padilha na sexta-feira (7), quando os dois participaram de um encontro com cerca de 200 empresários da região. “Acho que poucas vezes em que o PT disputou o governo do estado de São Paulo nós tivemos tantos argumentos e o PSDB esteve tão fragilizado como está hoje. Acho que os tucanos vão ter uma surpresa com o Padilha”, disse.

Lula afirmou ser solidário aos petistas presos por envolvimento no mensalão (Foto: Eduardo Guidini/G1)Em Ribeirão, Lula afirmou ser solidário aos petistas
presos por envolvimento no mensalão
(Foto: Eduardo Guidini/G1)

Críticas ao STF
Sem citar nomes, o ex-presidente aproveitou o encontro para criticar a atuação dos ministros do STF na forma como o julgamento do mensalão foi conduzido. “O papel de um ministro da Suprema Corte é falar nos autos do processo e não ficar falando para a televisão o que ele pensa. Se quer fazer política, entra em um partido político e seja candidato. Quando você indica alguém você está dando um emprego vitalício e um cidadão que quiser fazer política que diga que não aceita ser ministro, que quer ser deputado.”

Lula não concedeu entrevista aos jornalistas, mas também se referiu aos petistas presos no mensalão, dizendo que o partido “se solidariza com os companheiros que estão na prisão”. “Temos que ter um julgamento justo. Se os companheiros erraram e tiverem provas, tudo bem. Se tiverem provas contra mim, eu tenho que pagar. Se tiverem provas contra a Marta, ela tem que pagar. O nosso partido não deixou sujeira embaixo do tapete. Queremos a transparência neste país”, disse.

Caravana
Após o encontro em Ribeirão, a caravana do ex-ministro da Saúde segue, ainda neste sábado (8), para visitas a Brodowski (SP) e Barretos (SP), sem a presença de Lula. A primeira etapa da viagem pelo interior paulista passará nos próximos dez dias por cidades como Sertãozinho (SP), Pirassununga (SP), Leme (SP), Araras (SP), Piracicaba (SP), Limeira (SP), Americana (SP) e terminará em Campinas (SP). A segunda etapa da caravana será feita no Vale do Ribeira.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, fez questão de ressaltar que a caravana servirá para debater os problemas de cada região, mas que o movimento não faz parte da campanha eleitoral. “A lei nos impede de fazer propaganda e campanha antes das datas estipuladas, mas não nos impede de conversar e debater sobre os nossos problemas. É isso que nós estamos fazendo com esse projeto”, disse Falcão.

Encontro do PT em Ribeirão Preto reuniu lideranças do partido neste sábado (8) (Foto: Eduardo Guidini/G1)Encontro do PT em Ribeirão Preto reuniu lideranças do partido neste sábado (8) (Foto: Eduardo Guidini/G1)

G1

Ao contrário do mensalão, processo contra tucanos será desmembrado no STF

ANTONIO CRUZ/ABR
ANTONIO CRUZ/ABR

O Supremo Tribunal Federal (STF), por indicação do ministro Marco Aurélio de Mello, irá desmembrar a ação que investiga o pagamento de propina e a formação de cartel para fraudar licitações do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM): dessa forma, dos dez réus acusados na ação, apenas quatro serão julgados pelo STF em Brasília, enquanto os demais serão encaminhados à primeira instância. A diferença é o foro privilegiado, que leva ao julgamento direto no Supremo: Rodrigo Garcia (DEM), José Anibal e Edson Aparecido (ambos do PSDB) são parlamentares licenciados, e Arnaldo Jardim (PPS) cumpre mandato na Câmara dos Deputados.

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A decisão é a primeira demonstração de mudança radical de tom da Corte em relação ao julgamento do mensalão, no qual o pedido de desmembramento foi negado. Entre os réus da AP 470, apenas três (João Paulo Cunha, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto) tinham direito a foro privilegiado, o que significa que José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e os outros 32 réus poderiam ter sido encaminhados à primeira instância e, com isso, contar com mais oportunidades para recorrer: nesses casos, os réus podem recorrer ainda à segunda instância e apenas se resolverem recorrer mais uma vez vão à terceira instância, hierarquia do STF, onde as decisões são finais.

O ministro Marco Aurélio Mello, relator da ação do cartel, também defendeu o desmembramento do processo do mensalão, mas seu argumento foi derrotado no plenário pelo relator do processo e presidente da Corte, Joaquim Barbosa, que insistiu em não desmembrar o processo.

“O determinante é a conexão entre os réus que têm foro privilegiado e os que não têm. Se a Corte compreende que a intensidade do vínculo entre os réus é grande o suficiente para determinar a plena apreciação do caso, então os julgamentos ocorrem conjuntamente”, explica o doutor em direito processual Antônio Scarance Fernandes, da Faculdade de Direito da USP. Assim, a decisão do STF indica que a Corte não considera essencial para a investigação da corrupção no governo estadual de São Paulo a presença dos representantes das empresas envolvidas no esquema de fraudes em licitações e pagamento de propina a agentes públicos ligados ao PSDB.

“Eventualmente, o Supremo vai ter de adotar uma posição sobre esses casos, porque não existe clareza sobre como proceder nessas situações. Por isso houve intenso debate sobre o assunto durante o julgamento do mensalão”, completa Scarance. Para o professor, o julgamento da AP 470 foi uma oportunidade não aproveitada para estabelecer mais critérios para os desmembramentos. “Sempre haverá algo de subjetivo nessa decisão, porque depende de cada caso, mas pode haver mais clareza”, pondera.

 

 

por Diego Sartorato, da RBA

Pressionado por socialistas e tucanos, Cássio vive dilema sobre 2014; decisão será fundamental para destino de 2018

cassioEm busca de palanques fortes nas eleições à Presidência, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) continua pressionando o senador correligionário Cássio Cunha Lima a disputar o governo da Paraíba, em 2014.

Aécio tem tentando de todos os meios a convencer Cássio a disputar o governo, rompendo assim, com o socialista Ricardo Coutinho. Para forçar o tucano a se decidir, Aécio tem se baseado nos números das últimas pesquisas encomendadas para consumo interno queapontam uma vantagem de Cássio em relação ao governador Ricardo Coutinho (PSB) e ao pré-candidato a governador pelo PMDB, Veneziano Vital do Rego.

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Como se não bastasse a pressão da Executiva Nacional do PSDB, os tucanos da Paraíba também tem exercido uma pressão psicológica sobre Cássio. O senador Cícero Lucena, um dos defensores da candidatura do senador, defende que seja realizada uma prévia, antes da convenção oficial de junho. Se depender de Cícero, uma das lideranças do PSDB estadual, Cássio anunciará logo em janeiro o seu futuro político.

“Estou defendendo algo que vem das ruas. Então, se existe o clamor da população porque não anteciparmos esse debate, se temos também um candidato, no caso do senador Cássio Cunha Lima, disparado nas pesquisas de intenções de votos”, ressaltou Cícero.

Se por um lado, os tucanos querem que Cássio saia candidato a governador para garantir um palanque para Aécio Neves, por outro, os socialistas cobram do senador paraibano a preservação da aliança política selada em 2010; O governador Eduardo Campos (PSB-PE) quer o apoio dos tucanos a seus candidatos ao governo, como em Pernambuco e na Paraíba.

Segundo matéria publicada no jornal o Globo, o socialista defendeu esta posição com o senador Cássio Cunha Lima (PSDB). A unidade entre os dois partidos nos Estados seria muito importante no plano nacional, quando estará em jogo o apoio a uma das candidaturas de oposição no segundo turno, acrescenta a notícia. Temos que nos entender. Porque ninguém é louco de achar que a presidente Dilma estará fora do segundo turno”, disse Cássio Cunha Lima ao Globo.

Além do mais, o vice-governador Rômulo Gouveia (PSD), não esconde o desejo de ver a aliança entre PSDB e PSB preservada. Pré-candidato ao Senado, Rômulo depende da manutenção da aliança para consolidar a sua pré-candidatura. E mesmo sendo fiel a Cássio, já adiantou que o PSD não abrirá mão de uma vaga na chapa Majoritária.

A decisão que Cássio tomará em 2014 deverá ser fundamental para o pleito de 2018, quando Ricardo só terá a chance de disputar o Senado. Já Cássio deverá disputar a reeleição ou migrar para a disputa ao Governo do Estado depois de ter se negado a atender aos apelos dos correligionários.

PBAgora

Sujeira entre cartel e tucanos rompe décadas de blindagem ao governo de São Paulo

AlckminNão nasceram em julho, quando a revista IstoÉ publicou reportagem sobre o caso, as denúncias da empresa alemã Siemens de prática criminosa de cartel em diversas licitações para o transporte ferroviário do estado. O que os executivos da companhia detalharam ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) envolve um esquema de pagamento de propinas para viciar concorrências públicas desde o governo Mário Covas (1995-2001), passando pelas administrações de José Serra (2007-2010) e de Geraldo Alckmin (2001-2006 e desde 2011).

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Datam de 2008 as primeiras de um total de 15 representações encaminhadas ao Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal pela bancada petista na Assembleia Legislativa do estado, apontando denúncias de superfaturamentos e aditamentos de contratos. Nenhuma foi concluída. O jornalista Gilberto Nascimento, hoje no jornal Brasil Econômico, havia revelado em 2009, em reportagem na Carta Capital, documentos que a imprensa desprezou e dados como novidades por jornais e TVs no início de agosto.

Nos bastidores da política, circulam burburinhos de que as denúncias de corrupção no ninho tucano só foram jogadas no ventilador por obra de “fogo amigo” no interior do próprio PSDB, entre os grupos de Aécio Neves e de José Serra­, que vivem em briga de foice no túnel, ambos com muitos amigos nas redações.

Em São Paulo, contratos suspeitos somam R$ 30 bilhões e teriam sido firmados com superfaturamento de 30% – segundo a Siemens. Isso representaria R$ 9 bilhões, o suficiente para pagar a construção de 20 quilômetros de metrô, nas contas dos parlamentares da oposição. Conforme a revista, a manipulação de licitações e a corrupção de políticos e autoridades governistas continuaram mesmo depois do escândalo da Alstom, de 2008. A multinacional francesa assinou 237 contratos com o estado, de 1989 a 2009, somando R$ 10,6 bilhões. Na época, o Ministério Público suíço descobriu o pagamento de propinas do grupo a funcionários da gestão paulista. Algo em torno de R$ 848 milhões.

A empresa foi punida em todos os países onde aplicou a prática. Menos no Brasil. Só em abril de 2011 o Superior Tribunal de Justiça abriu investigação sobre o – ainda – vice-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), Robson Marinho, suspeito de receber propina da Alstom para conseguir contratos adicionais. Chefe da Casa Civil de Covas entre 1995 e 1997, ele teria movimentado US$ 3 milhões, segundo autoridades suíças.

Com a repercussão da denúncia da Siemens, Alckmin afirmou não ter conhecimento de esquema e que, se o caso do cartel for comprovado, “o estado é vítima”.

A denúncia ao Cade veio a público um ano depois de um incêndio criminoso na P.A. Arquivos, em Itu (SP). A firma de digitalização de documentos tem entre seus clientes o Metrô. Em julho do ano passado, nove homens encapuzados roubaram dez computadores e incendiaram o galpão – . É provável que ali houvesse documentos relacionados a irregularidades.

Em 1996, para alavancar a campanha de José Serra à prefeitura, Covas retomou obras do Metrô, apesar dos contratos considerados irregulares e superfaturados pelo Ministério Público e pelo TCE. Na época, o tribunal apontava favorecimento a empreiteiros na construção do trecho Clínicas-­­­-Vila Madalena, da Linha Verde. Em 1998, ­Covas apresentou os trens da espanhola Renfe, que os “doou” ao estado com a condição de receber R$ 93,2 milhões por um contrato para reforma e adaptação.

Em abril de 2004, o TCE suspendeu a continuidade da licitação da Linha Amarela, com obras estimadas em R$ 786 milhões. Dos sete consórcios aptos à disputa, venceram o Via Amarela, formado pela CBPO, OAS, Alstom e Queiroz Galvão; e o Camargo Corrêa, com Siemens, Mitsui e Andrade Gutierrez.

Três anos depois, sete pessoas morreram quando uma cratera se abriu próximo às obras da estação Pinheiros. Dezenas de representações foram encaminhadas ao Ministério Público, que em novembro de 2008 já contabilizava mais de 20 inquéritos para apurar irregularidades em contratos com a Alstom. Dezesseis desses inquéritos eram para investigar a CPTM, que em 2005 assinou contratos de R$ 50,7 milhões com a multinacional francesa. Inquéritos, arquivados por falta de provas, foram reabertos.

 

 

Tristes coincidências

A longa temporada de suspeitas coincide com um período em que a população passou a ser cada vez mais prejudicada por acidentes e panes no transporte paulista. O Metrô, que durante muitos anos foi símbolo de qualidade, não acompanhou o crescimento da demanda – nem com a expansão da rede, nem, ao que parece, com a conservação. Um dos episódios mais marcantes é o de 21 de setembro de 2010. Problemas entre as estações Pedro 2º e Sé, entre as 7h50 e 9h15, deixaram desesperados os passageiros, que quebraram os vidros, desceram e andaram por túneis e vias.

O Metrô chegou a dizer que uma blusa impedira o fechamento das portas, lideranças tucanas afirmaram ser intriga da oposição e um laudo técnico atestou se tratar de problemas no fornecimento de energia. Em julho de 2011, dois trens se chocaram na estação Barra Funda, deixando 42 feridos. Nova colisão em maio de 2012, entre as estações Penha e Carrão, por falha no sistema de automação, deixou 49 feridos. No 5 de agosto passado, um trem descarrilou a 300 metros da estação Barra Funda. Causa: quebra de um jogo de rodas na composição. Ninguém se feriu.

Os problemas na CPTM também são cada vez mais frequentes. Em julho de 2000, nove pessoas morreram e 115 ficaram feridas num acidente na estação de Perus. Uma composição vazia não conseguiu parar num trecho de declive. Segundo o sindicato dos trabalhadores da empresa, recomendações de um relatório da investigação das causas só começaram a ser implementadas um ano depois.

Em maio de 2008, uma pane levou 2 mil pessoas a sair da composição e a ocupar os trilhos entre as estações Tatuapé e Brás. O ar-condicionado foi desligado, após problema no sistema de freio que levara ao acionamento do sistema de emergência. Houve confusão e depredação.

No final de novembro de 2011, um técnico e dois engenheiros da CPTM foram atropelados e mortos por um trem de passageiros quando testavam uma composição. Um quarto atropelado sobreviveu.

A empresa chegou a afirmar que as vítimas não seguiam normas de segurança. Dois meses adiante, outros dois trens se chocaram entre as estações Itapevi e Engenheiro Cardoso, deixando feridos cinco passageiros e o maquinista. Em fevereiro de 2012 a empresa demitiu por justa causa o maquinista de um trem que descarrilou na Linha Esmeralda.

Em março, problema no sistema de tração de um trem causou tumulto e quebra-quebra no Brás, com seis pessoas detidas; no final do mês, novo “apagão”: a quinta pane no sistema num mesmo dia deixou passageiros revoltados e houve depredações. Em julho do ano passado, duas composições se chocaram na Barra Funda, matando cinco pessoas e deixando 47 feridas. Em dezembro, dois trens bateram em Francisco Morato, ferindo 29.

Aumentou a pressão sobre os parlamentares que apoiam o governador Alckmin. É praxe na Assembleia Legislativa o esforço para impedir a abertura de CPI que incomode o Palácio dos Bandeirantes. A oposição (PT, PCdoB, PSOL e um deputado do PDT) não consegue alcançar as assinaturas necessárias para superar a blindagem montada pela base do governador (PSDB, PDT, PV, PMDB e PSD). “Uma maioria dá guarida para o governador”, lamenta o líder do PT na Casa, Luiz Cláudio Marcolino. É possível que parte desses acidentes pudesse ser evitada se recursos públicos não tivessem tomado o trem errado.

 

 

Cida de Oliveira,

 

da Rede Brasil Atual

Durante convenção, tucanos chamam PT de ‘autoritário’ e Lula de ‘canalha’

©Sérgio Lima/Folhapress
©Sérgio Lima/Folhapress

Discursos contra o PT, contra o governo da presidenta Dilma Rousseff e contra a figura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dominaram a convenção nacional do PSDB que ocorreu nesse sábado (18) em Brasília e ratificou o nome do senador Aécio Neves (MG) como presidente da sigla.

Aécio, potencial candidato tucano à presidência da República em 2014, assumiu a tarefa de atacar o governo Dilma, que tem a aprovação de mais 70% dos brasileiros.

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Ele classificou o baixo crescimento do PIB nos últimos anos, em meio à crise econômica internacional, de “ridículo, irrisório e vexatório”, e criticou a “inflação saindo de controle e as obras inacabadas e estagnadas”. Afirmou ainda que a gestão petista, que tirou mais de 30 milhões de pessoas da miséria, “se conforma com a administração diária da pobreza”.

Contra Lula, o mais exaltado foi o governador de Goiás, Marconi Perillo, flagrado em duas operações da Polícia Federal em transações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O conteúdo as investigações veio a público no ano passado. Perillo chamou Lula de “canalha”.

“Nunca foi tão difícil ser oposição ao maior canalha deste país. Um dia eu alertei esse canalha que no governo dele havia mesada para comprar deputados e, desde então, fui escolhido ao lado de José Agripino, Arthur Virgílio e Tasso Jereissati como os seus adversários maiores”, bradou.

Os principais ataques ao PT vieram do ex-governador José Serra e de um de seus principais aliados, o deputado federal Carlos Sampaio (SP).

Depois de Sampaio dizer, aos berros, que na convenção tucana não havia “mensaleiros”, Serra afirmou que o PSDB tem “a missão de defender a democracia da sanha autoritária” petista.

Disputa interna

Apesar de Aécio assumir a presidência do partido em clima pré-eleitoral, as lideranças tucanas evitaram cravar seu nome como candidato em 2014. O principal obstáculo para a definição antecipada continua sendo José Serra, que não esconde o desejo de continuar controlando o partido e de concorrer novamente.

Serra perdeu para Dilma em 2010 e desgastou-se ainda mais no PSDB após ser derrotado também por Fernando Haddad (PT) na disputa pela prefeitura de São Paulo em 2012.

Em uma tentativa de contornar a falta de unidade, Aécio negociou cargos importantes na nova direção. O deputado federal Antonio Carlos Mendes Thame (SP), ligado a Serra, foi escolhido para a Secretaria Geral. E o ex-governador Alberto Goldman, também serrista, deve continuar na vice-presidência.

Isso não foi suficiente, porém, para que Serra e Aécio chegassem juntos ao evento de hoje, contrariando as expectativas das forças que buscam o apaziguamento interno.

Durante seu discurso, Serra disse que irá trabalhar pela unidade tucana “com os olhos em 2014”.

 

 

Redação RBA

Tucanos são contrários à indicação de Aécio Neves

Ao contrário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, que lançaram nessa segunda-feira (3) a candidatura do senador Aécio Neves (MG) à Presidência da República em 2014, os senadores tucanos Aloysio Nunes Ferreira (SP) e Alvaro Dias (PR) entendem que não é hora de tratar da eleição.

Aloysio acredita que o partido deve, primeiramente, cuidar de questões internas. Cita como exemplo a escolha dos dirigentes tucanos nos municípios e Estados e a discussão e atualização do programa do partido. “A eleição da direção nacional deve ser o coroamento desse processo”, alega. “Aécio sabe administrar bem o seu calendário, mas antes vamos ter de passar por um processo de definição interna do partido”, acrescenta o Aloysio Nunes Ferreira.

O senador Alvaro Dias acredita que o partido deve escolher o nome do candidato ouvindo seus filiados numa eleição primária. Argumenta que a iniciativa fortaleceria o PSDB, valorizando as lideranças do partido. “E o partido possui um bom número deles”, afirma, citando entre eles o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. “A abertura para participação direta da militância na escolha do candidato seria o caminho para o fortalecimento do partido”, reitera.

Líder do PSDB, Alvaro Dias considera legal que Fernando Henrique Cardoso e Sérgio Guerra tenham suas preferências, mas insiste na tese de oferecer à militância do partido a oportunidade de participar do projeto. Outro ponto defendido pelo líder é que a indicação de um nome para disputar a Presidência da República pode ser prematura, “porque a população não está ainda interessada no processo eleitoral de 2014”. Argumenta, ainda, que a colocação de um candidato com tanta antecedência vai favorecer os adversários “que não cuidarão de procurar as virtudes do indicado e, sim, os seus defeitos”.

Estadão

PMDB e PSDB são os que mais têm ‘fichas-suja’; tucanos lideram em SP

PMDB e PSDB são os partidos que mais têm candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa em 19 dos 26 estados com eleições municipais neste ano, segundo levantamento feito pelo site Congresso em Focojunto aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Não prestaram informações os TREs do Acre, de Alagoas, Bahia, Goiás, Piauí, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro. A lista inclui candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador.

De 920 candidaturas barradas até agora, 129 são do PMDB e 104 do PSDB. Na sequência aparecem, entre os dez primeiros, o recém-fundado PSD com 88; o PR com 70; PSB e PTB com 68 cada; PT e PP com 54 cada; PDT com 43; e DEM com 40.

Em São Paulo, os tucanos estão isolados na liderança do ranking, com 26 candidatos entre os 117 impugnados. Em seguida, aparecem PTB (17), PMDB (15), PDT (6), PR (6), PSB (6), PT (5), PPS (4), PV (4) e PSD (2).

A Lei da Ficha Limpa impede o registro de candidaturas de quem já foi condenado em segunda instância por órgãos colegiados.

Clique aqui para ler a matéria do Congresso em Foco, que traz a lista de todos os barrados pelos TREs dos 19 estados.

redebrasilatual

Com medo da derrota, tucanos demonstram irritação com Lula

 

O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), classificou como “antidemocrática” a promessa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite da quinta-feira (31), no Programa do Ratinho, de que não pode “deixar que um tucano volte a governar” o Brasil.

Presidente do PSDB, Sérgio Guerra, irritado

Para o chefe do tucanato, a fala de Lula “é demonstração antidemocrática”, de “profunda arrogância” e de “total desequilíbrio”. Ao que parece, Sergio Guerra não acompanhou a participação do ex-presidente Lula no programa.

Lula afirmou que será candidato ao governo federal em 2014 apenas se a presidente Dilma Rousseff não quiser disputar a reeleição. E, neste caso, disputará legitimamente a Presidência da República, dificultando o sonho dos caciques tucanos de voltar a ocupar o cargo maior do Estado brasileiro.

Já em relação à suposta arrogância de Lula é de conhecimento de todos que o PSDB perdeu as últimas três disputas à Presidência – duas delas com José Serra e uma com Geraldo Alckmin.

O tucano afirmou ainda que as declarações de Lula são uma tentativa “desequilibrada” de atingir o partido. “O presidente tem feito o que está ao seu alcance. Até procurar ministro do Supremo para limpar a barra de seus companheiros”, fazendo menção às trocas recentes de acusações entre Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que diz ter sido pressionado para atrasar o julgamento do mensalão.

Durante a entrevista com Ratinho, Lula foi incisivo ao tratar das acusações do ministro do STF: “Quem inventa a história, que prove a história”.

O PSDB sustenta ainda que a participação do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, ao lado de Lula, pode ser interpretada como propaganda eleitoral antecipada. Em um trecho da entrevista, Lula afirmou: “Ele vai passar para a história, como o ministro da Educação que criou o ProUni e colocou 1 milhão de jovens da periferia nas universidades”.

Haddad, que tem como um dos principais rivais na campanha o pré-candidato do PSDB José Serra, é visto pelo presidente do PSDB como uma escolha pessoal de Lula para concorrer às eleições. “O Fernando Haddad não tem legitimidade para ser candidato em São Paulo”, disse Guerra.

O departamento jurídico do PSDB está agora analisando medidas a serem tomadas em relação aos comentários, encarados pelo advogado especialista em direito eleitoral como um tipo de campanha eleitoral antecipado.

A irritação do PSDB com Lula e a ameaça de ir à Justiça Eleitoral contra o ex-presidente demonstram que o pânico começa a se instalar no poleiro tucano.

Com informações das agências