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Ditadura militar torturou desde os primeiros dias do regime, indica pesquisa

ditaduraUma pesquisa feita por alunos de mestrado em história e direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), a pedido da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão Estadual da Verdade, mostrou que violações aos direitos humanos ocorreram desde os primeiros dias da ditadura militar instalada no país (1964-1985).

“Houve tortura desde o início do golpe e também prisões em massa, feitas a partir de listas previamente preparadas por delegacias. Eram levados para estádios de futebol, que pudessem guardar esse conjunto de detentos, que não cabiam mais nas delegacias”, disse o professor da PUC Marcelo Jasmin, coordenador do levantamento cujos dados preliminares foram divulgados nessa quarta (18). A pesquisa foi feita ao longo de seis meses. Os alunos analisaram 1.114 processos de requerimento de reparação que fazem parte do acervo do Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio de Janeiro.

O levantamento constatou que os estádios de futebol Caio Martins, em Niterói (38 casos relatados na pesquisa); e do Ypiranga Futebol Clube, em Macaé (21 casos), foram usados como prisão pelos agentes da ditadura. Segundo o professor, nos primeiros anos grande parte dos presos era formada por operários e integrantes do movimento sindical, muitos ligados ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), e após 1968, com a publicação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), aumentou a prisão de profissionais liberais.

A integrante da Comissão Nacional da Verdade Rosa Cardoso disse que a pesquisa comprovou o uso intenso da violência desde os primeiros dias do golpe militar. “Queríamos descobrir na pesquisa se o golpe de 1964 foi feito com muita violência ou se essa grande violência acontece somente após um processo de militarização do Estado, em 1968. E não temos dúvida de que foi um golpe muito violento, a tal ponto que as prisões não puderam abrigar as pessoas presas, que foram levadas a estádios”, disse.

 

Agência Brasil  

Movimento ‘Esculacho’ denuncia militar que torturou a presidenta Dilma Rousseff

 

'Esculacho' em São Paulo denuncia militar que torturou a presidenta Dilma Rousseff	Movimento é formado por jovens da cidade e do campo e está presente em 17 estados (Foto: Divulgação/Levante)

 

Ativistas do movimento Levante Popular da Juventude reuniram-se na segunda-feira (14) no Guarujá, na Baixada Santista (SP), para realizar mais uma ação do movimento “Esculacho”, que denuncia pessoas envolvidas em episódios de tortura durante a ditadura militar (1964-1985). O alvo dessa vez foi o tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, reconhecido pela presidenta Dilma Rousseff como agente de tortura da chamada Operação Bandeirante. O movimento é formado por jovens da cidade e do campo e está presente em 17 estados. Eles apoiam a instalação da Comissão da Verdade, cobram a localização e identificação dos restos mortais de desaparecidos políticos e exigem julgamento e punição dos torturadores.
Foram realizados também atos em Pernambuco, Pará, Bahia, Ceará, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
O Levante Popular já organizou em São Paulo um “esculacho”, no dia 26 de março, denunciando Davi dos Santos Araújo. Segundo o movimento, ele foi torturador e responsável por abuso sexual, ações que constam de ação civil pública do Ministério Público Federal. No Brasil, até o início deste mês, já foram organizadas seis ações de denúncia.
Segundo informações do Levante na internet, em depoimento à Justiça Militar, em 1970, quando tinha 22 anos, Dilma Rousseff afirmou ter sido ameaçada de novas torturas por dois militares chefiados por Lopes. “Sobre as torturas, o coronel admitiu que era procedimento comum durante a repressão, mas nega ter torturado a presidenta ou qualquer outro preso.”
Segundo a estudante paulista Lira Alli, ligada ao movimento, a sociedade deve ficar atenta à Comissão da Verdade, cujos sete integrantes foram conhecidos na semana passada. Ao afirmar a relevância do colegiado, disse é que igualmente importante que a sociedade continue se posicionando. “Que a gente saiba de verdade quem são esses torturados, o que eles fizeram para o nosso país e que a gente siga a caminho da justiça porque acreditamos que os crimes não julgados fazem da nossa história atual, uma história de muita violência”, disse.

Em Belo Horizonte, em Minas Gerais, o ato denunciou João Bosco Nacif da Silva, médico-legista da Polícia Civil da ditadura militar, e no Rio de Janeiro, acusou José Antônio Nogueira Belham. Segundo o movimento, ele era envolvido em torturas como colaborador e informante. Cerca de 400 jovens participaram dos manifestos.
Maurício Lopes Lima foi apontado em 2010, por meio de  ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), como um dos responsáveis pela morte ou desaparecimento de seis pessoas e pela tortura de outras 20 durante os anos de 1969 e 1970.

Vanessa Ramos, da Rede Brasil Atual
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