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Torres diz que parcelas do duodécimo foram repassadas e pagamento do 13º da UEPB fica por conta da instituição

luis-torresO secretário de Comunicação do Governo do Estado, Luís Tôrres, isentou, na tarde desta sexta-feira (23) o governador Ricardo Coutinho (PSB) e a administração estadual de ter qualquer responsabilidade com o atraso da reitoria da Universidade Estadual da Paraíba da segunda parcela do 13º salário dos servidores da entidade.

 

Ele assegurou que o Estado repassou, em dia, todos os meses, as parcelas do duodécimo da UEPB, cerca de R$ 23 milhões/mês, e cabe ao órgão assegurar o montante para a realização do pagamento tanto da folha, quanto do 13º salário.

Conforme o secretário, ainda ontem, quinta-feira (22), foram repassados mais R$ 16 milhões, valor extra, para que a entidade realizasse o pagamento das categorias.

“Cabe a todo órgão assegurar o provisionamento do décimo terceiro salário. O governo da Paraíba repassou em dia todos os meses o duodécimo da UEPB, cerca de 23 milhões de reais por mês. E ontem, mais uma vez, assegurou um repasse extra de 16 milhões de reais para que a instituição pague o décimo terceiro dos funcionários. Mas não vai acontecer de novo. A partir de 2017 quem vai provisionar o décimo da UEPB é o próprio governo, retendo na fonte”, avisou.

O secretário ainda lembrou que o governador não é o Reitor da universidade e que a responsabilidade que cabe a gestão estadual já foi efetivada.

 

PB Agora

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Luis Tôrres diz que rompimento de Rômulo com Ricardo Coutinho foi a maior traição da história política da Paraíba

luis-torresO secretário estadual de Comunicação, Luis Tôrres, disse, na tarde desta sexta-feira (27), que o rompimento do vice-governador Rômulo Gouveia (PSD) com o governador Ricardo Coutinho (PSB) ficará marcado como um dos maiores episódios de traição da história política da Paraíba. No início da tarde, durante entrevista coletiva na sede da Associação Paraibana de Imprensa (API), Rômulo justificou o afastamento do socialista com o fato de ter perdido a vaga de senador na chapa majoritária do PSB para o PT.

“Fica marcado como um dos episódios mais fortes de traição da história da política da Paraíba”, afirmou o secretário.

 

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Na coletiva, Rômulo disse que em nenhum momento Ricardo conversou com ele sobre o processo de aliança com o PT e que ficou sabendo através da imprensa da articulação, na qual foi oficializado o nome de Lucélio Cartaxo (PT) na chapa na vaga de senador, que estava “apalavrada com o PSD”. No entanto, Luis Tôrres disse que Rômulo foi avisado e acompanhou pessoalmente todos os passos com relação às composições políticas.

Tôrres revelou que o vice-governador, inclusive, colocou a disposição o cargo que pleiteava dentro da chapa majoritária, para que o governador ‘costurasse’ o processo de aliança.

“O que mais surpreendeu foi à justificativa que confronta violentamente a realidade, pois o vice-governador colocou a disposição o cargo que pleiteava dentro da chapa majoritária para que o governador costurasse o processo de aliança”, declarou.

O secretário acrescentou ainda que Rômulo Gouveia não teve sequer “coragem de olhar nos olhos do governador Ricardo Coutinho e dizer diretamente o que motivou o rompimento, que foi orquestrado na calada da noite, entre quatro paredes”.

“A Paraíba vai perguntar por anos e anos quais são as razões do vice-governador para o rompimento, depois de usufruir e compartilhar deste governo durante três anos e seis meses”, completou.

Cristiano Teixeira – MaisPB

Em respeito à Justiça Eleitoral, o MaisPB suspende temporariamente a publicação de comentários neste espaço para evitar eventuais casos e interpretações de propaganda eleitoral antecipada.

Agradecemos aos leitores pela compreensão.

Parte de uma das torres do Moinho Motrisa desaba em Maceió

Parte do Moinho Motrisa desaba em Maceió. (Foto: Carolina Sanches/G1)Parte do Moinho Motrisa desaba em Maceió. (Foto: Carolina Sanches/G1)

Parte de uma das torres do Moinho Motrisa, uma fábrica de alimentos localizada na Avenida Comendador Leão, no bairro do Poço, desabou na tarde desta segunda-feira (7). De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo menos 20 pessoas ficaram feridas e há suspeita que outras pessoas estejam soterradas. Ainda não se sabe o que provocou o acidente e não há informação sobre mortos. A área foi isolada pelas equipes de resgate devido ao risco de novos desabamentos.

Todo o trigo que estava armazenado na torre ficou espalhado na via. Carros também foram soterrados pelo produto. Equipes de resgate trabalham na remoção dos feridos. Uma casa que fica próximo ao moinho e que foi atingida pelo impacto do acidente também desabou. Não havia ninguém dentro do imóvel.

O Corpo de Bombeiros também foi acionado e encaminhou oito viaturas ao local. Já o Samu mandou nove viaturas e duas motos para prestar socorro aos feridos. Diante da gravidade do acidente, viaturas reservas também foram encaminhadas ao local. “Quem estava a pelo menos 500 metros do local sofreu com o impacto do acidente”, disse o supervisor do Samu, Rodrigo Elisário. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) auxilia na busca de vítimas com apoio de um cão farejador.

Localização

  • Fábrica fica no bairro do Poço

Até o momento, foram resgatados dois feridos. Um homem e uma criança que estavam parcialmente soterradas e não tiveram a identidade revelada. O adulto, que estava em situação mais grave, foi encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE).

Moradores da região que presenciaram o acidente contaram à reportagem que a estrutura do prédio não passava por manutenção regular. O G1 entrou em contato com a empresa, mas devido à urgência em socorrer os feridos, nenhum representante pode se pronunciar.

O coordenador da Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos, afirmou que não havia irregularidades quanto à fiscalização do prédio. “Toda a documentação do moinho estava regularizada, também não recebemos nenhuma reclamação ou denúncia que apontasse o contrário”.

Pelo menos cinco viaturas da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) foram acionadas para controlar o trânsito na região e desviar o tráfego. Duas máquinas retroescavadeiras e um caminhão caçamba trabalham na remoção do produto espalhado na via.

Muito trigo está espalhado no local do desabamento. (Foto: Carolina Sanches/G1)Muito trigo está espalhado no local do desabamento. (Foto: Carolina Sanches/G1)

 

Equipes de resgates estão no local para tentar localizar vidas. (Foto: Carolina Sanches/G1)Equipes de resgate estão no local para tentar resgatar feridos. (Foto: Carolina Sanches/G1)
Muitos populares etsão no local do desabamento. (Foto: Carolina Sanches/G1)Muitos pessoas se aglomeraram no local para acompanhar trabalho de resgate. (Foto: Carolina Sanches/G1)

 

Equipes de resgate estão no local. (Foto: Carolina Sanches/G1)
Equipes de resgate estão no local. (Foto: Carolina Sanches/G1)
Carolina Sanches e Roberta Cólen

Suplente de Demóstenes Torres vai receber R$ 16 mil por um dia de trabalho

Suplente do ex-senador Demóstenes Torres, o senador Wilder Morais (DEM-GO) vai receber R$ 16,3 mil por um dia trabalhado no Senado em julho. Como o Senado entrou em recesso parlamentar nesta quarta-feira e Morais só esteve no Senado na sexta-feira, quando tomou posse, o suplente vai receber proporcionalmente o salário mensal de R$ 26,7 mil. Todos os 81 senadores recebem durante o recesso, mesmo com as atividades paralisadas. A diferença é que os demais trabalharam por 17 dias no mês.

Outro suplente também será beneficiado pela manobra. Tomás Correia, empossado ontem na vaga do presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), vai receber R$ 12 mil por nenhum dia de trabalho em julho.

Ele assumiu a vaga na última sessão do Senado antes do recesso. Raupp se licenciou do mandato para se dedicar às campanhas eleitorais municipais.

O parlamentar receberá proporcionalmente por 14 dias em que o Senado vai estar com suas atividades paralisadas.

Os dois suplentes também vão se beneficiar do “recesso branco” decretado pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no segundo semestre. Para liberar os senadores a participarem das campanhas municipais nos Estados, Câmara e Senado vão ter apenas três semanas de trabalhos entre agosto e outubro.

Durante o recesso branco, todos os congressistas recebem os salários normalmente.

Além da remuneração mensal, os senadores têm direito a um “cotão” de R$ 15 mil para despesas relacionadas ao mandato. Também têm cota livre de telefone celular, carro próprio com motorista e despesas de gabinete cobertas pela Casa.

O regimento do Senado determina que o suplente seja empossado se o titular se afastar do mandato por mais de 120 dias. Raupp comunicou ao Senado que vai ficar fora da Casa por 121 dias –um a mais que o necessário para o suplente ser empossado.

O peemedebista nega que tenha feito um “acordo” com o suplente para ceder sua vaga. Afirma que a licença tem o objetivo de permitir sua participação na campanha eleitoral para a disputa municipal de outubro por ser presidente do PMDB.

Já Wilder assumiu a vaga com a cassação de Demóstenes. O suplente tomou posse 48 horas depois do ex-líder do DEM perder o mandato, embora tivesse o prazo de 60 dias para assumir o cargo.

Folha de S. Paulo

Plenário do Senado cassa mandato de Demóstenes Torres

Demóstenes Torres (sem partido-GO) teve seu mandato de senador cassado nesta quarta-feira (11) pelo plenário do Senado em razão de sua ligação com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em votação secreta, Demóstenes foi o segundo senador cassado na história do Senado com 56 votos favoráveis – Luiz Estevão foi cassado em 2000. Apenas 19 dos 80 senadores presentes votaram pela manutenção do mandato do senador. Foram cinco abstenções.

O senador Demóstenes Torres com seu advogado no plenário do Senado (Foto: Agência Senado)O senador Demóstenes Torres com seu advogado
no plenário do Senado (Foto: Agência Senado)

Para se confirmar a perda do cargo, aprovada anteriormente por unimidade no Conselho de Ética e na Comissão de Constituição e Justiça, seriam necessários, no mínimo, 41 votos de senadores. O único senador ausente na sessão foi Clovis Fecury (DEM-MA), que está de licença desde o dia 6 de julho.

Com a cassação aprovada, Demóstenes Torres tem seus direitos políticos suspensos por oito anos a contar do fim do mandato parlamentar, que se encerraria em 2019. Com isso, Demóstenes só poderá voltar a disputar eleições a partir de 2027, quando tiver 66 anos.

Em tese, ele poderia questionar a cassação no Supremo Tribunal Federal (STF), mas ainda nesta terça (10), antes da decisão, o advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, descartou uma apelação na Justiça. “Não vamos recorrer. A decisão do plenário é soberana. Não há como fazer qualquer tipo de recursos. Só nos cabe aceitar a decisão”, disse o advogado.

Com a perda do mandato, Demóstenes também perde o foro privilegiado e deixa de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, onde é alvo de inquérito. Como é procurador de Justiça do Ministério Público de Goiás licenciado, Demóstenes passa a ter como foro o Tribunal de Justiça de Goiás.

O senador cassado foi acusado de quebra de decoro parlamentar por suspeita de ter utilizado o mandato parlamentar para auxiliar nos negócios do contraventor, preso pela Polícia Federal no fim de fevereiro durante a Operação Monte Carlo sob acusação de explorar jogos ilegais e corrupção. Poucos dias após a prisão, surgiram notícias do envolvimento de Carlinhos Cachoeira com Demóstenes Torres.

Eu fui perseguido como um cão sarnento. Tudo o que aconteceu na minha vida e o que não aconteceu veio a público. Mandaram jornalistas para todo lugar de Goiás e do Brasil. Por que não apareceu meu nome em desvios? Eu fui investigado como ninguém no Brasil.”
Demóstenes Torres, durante discurso no plenário do Senado

‘Bode expiatório’ e ‘cão sarnento’
Demóstenes chegou ao plenário nesta quarta para sessão que votaria sua cassação antes dos colegas e permaneceu sentado durante os discursos. Antes da votação, voltou a negar ter favorecido o bicheiro e disse que foi um “bode expiatório” e “perseguido como um cão sarnento”.

“Eu fui perseguido como um cão sarnento. Tudo o que aconteceu na minha vida e o que não aconteceu veio a público. Mandaram jornalistas para todo lugar de Goiás e do Brasil. Por que não apareceu meu nome em desvios? Eu fui investigado como ninguém no Brasil. E não apareceu nada, nada, nada. Aí começaram a inventar”, disse Demóstenes.

Apesar da votação secreta, a sessão, que começou às 10h11, foi aberta e as galerias do plenário já estavam repletas de pessoas convidadas por partidos, que receberam 100 senhas para assistir de perto.

Relembre o caso
No começo de março, a primeira denúncia indicava que Demóstenes havia recebido uma cozinha de presente do contraventor. No mesmo mês foram revelados indícios de que o então senador vazava informações do Congresso para Cachoeira. Depois disso, surgiram novas suspeitas de tráfico de influência em diversos órgãos federais. Em abril, Demóstenes deixou seu partido, o DEM, e passou a ser alvo de processo no Conselho de Ética.

Desde o início das denúncias, ele alegou que sua relação com Cachoeira, revelada em gravações da Polícia Federal, se limitaria à amizade e que não sabia de qualquer atividade ilegal. Em discursos e na defesa escrita, Demóstenes alegou que as inteceptações eram ilegais, por não terem sido autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), questionou a interpretação dada sobre os diálogos com Cachoeira e se disse vítima de perseguição política e da opinião pública.

Demóstenes adotou comportamento incompatível com o decoro mandato. Ele feriu de morte a dignidade do cargo e a ética que se impõe aos parlamentares”
Pedro Taques, senador

Discursos na sessão
A representação que pediu a cassação de Demóstenes por quebra de decoro parlamentar foi de autoria do PSOL. Em nome do partido, o senador Randofe Rodrigues (AP) usou a tribuna por 30 minutos para afirmar que o senador quebrou o decoro e defender a cassação.

Randolfe afirmou que as gravações feitas pela Polícia Federal entre Demóstenes e Cachoeira deixam claro que as relações entre o senador e o contraventor não eram apenas pessoais. “O que está em jogo é um sinal para milhões de brasileiros sobre a credibuliade de uma instituição”, afirmou. “O diálogo mostra claramente o nível de relação entre Cachoeira e o representado […] Muitas são as provas que mostram a conduta incompatível com o decoro parlamentar.”

Antes de Randolfe, o senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo no Conselho de Ética, afirmou que Demóstenes mentiu aos parlamentares ao negar sua relação com o contraventor.

“Vossa Excelência disse aqui que não sabia dos afazeres ocultos de Carlos Cachoeira. É muito difícil acreditar. Como poderia não saber das atividades criminosas? […] Que amigo é este que não procura saber por que o amigo havia sido indiciado por seis crimes. Portanto, me perdoe, mas Vossa Excelência faltou com a verdade”, disse o relator.

Quem também defendeu a cassação do mandato durante a sessão foi o senador Pedro Taques (PDT-MT), relator de processo contra Demóstenes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Segundo ele, Demóstenes “feriu de morte a dignidade do cargo”.

“Demóstenes adotou comportamento incompatível com o decoro mandato. Ele feriu de morte a dignidade do cargo e a ética que se impõe aos parlamentares”, disse no discurso.

Histórico de cassações
Antes de Demóstenes, apenas um senador teve o mandato cassado: Luiz Estevão, então no PMDB-DF, perdeu o mandato sob a acusação de ter mentido no Senado ao negar envolvimento no desvio de R$ 169 milhões nas obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo.

A cassação ocorreu no dia 28 de junho de 2000, com 52 votos a favor da cassação, 18 contra e dez abstenções. Além do mandato, Luiz Estevão perdeu os direitos políticos até 2014.

No ano seguinte, Antonio Carlos Magalhães, então no PFL-BA, renunciaria ao mandato antes da votação de um processo de cassação, motivado pela revelação de que obteve a relação dos votos da cassação de Luiz Estevão. O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, então no PSDB-DF e líder do governo, também renunciou, sob suspeita de ter fornecido a lista. Ambos foram eleitos novamente em 2002, ACM para o Senado e Arruda para a Câmara.

Ainda em 2001, Jader Barbalho (PMDB-PA) renunciou, também para evitar a perda de direitos políticos. Na época, ele presidia o Senado e era acusado de desvios no Banco do Estado do Pará, fraudes na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e venda de títulos da dívida agrária.

O processo mais recente de ameaça de cassação ocorreu em 2007, quando o então presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) foi acusado de ter as contas pessoais pagas por um lobista. Na época, ele renunciou à presidência do Senado e escapou da cassação.

G1

Conselho de Ética decide pela cassação de mandato do senador Demóstenes Torres

 

Por unanimidade, o Conselho de Ética do Senado aprovou na noite da segunda-feira (25) o relatório do senador Humberto Costa (PT-PE) que pede a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). A votação ocorreu de forma nominal e por meio de voto aberto. O relatório recebeu a aprovação dos 15 senadores que integram o conselho.

O parecer será encaminhado agora à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, para análise dos aspectos constitucionais. Antes de votar, no entanto, a CCJ terá que esperar um intervalo equivalente a cinco sessões ordinárias do Senado, o que fará com que o julgamento político de Demóstenes só ocorra a partir da próxima semana.

Após passar pela CCJ, a posição do conselho segue para o plenário, que terá que decidir, em votação secreta, sobre a perda de mandato do senador.

A reunião durou cerca de cinco horas. No texto, o relator destacou a relação próxima de Demóstenes com o empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, investigado pela Polícia Federal por suspeita de explorar jogos ilegais e comandar um esquema de corrupção de agentes públicos e empresários.

Costa destacou em seu relatório que Demóstenes mentiu ao Conselho de Ética sobre a sua relação com o empresário e que colocou o seu mandato de senador a serviço dos interesses de Cachoeira. O relatório também apontou que o parlamentar goiano participava do esquema de “lavagem de dinheiro” operado por Cachoeira.

“Afirmo, sem tergiversar, que o Senador Demóstenes Torres teve um comportamento incompatível com o decoro parlamentar: percebeu vantagens indevidas; praticou irregularidades graves no desempenho do mandato”, disse o senador Humberto Costa ao apresentar seu voto.

A defesa do senador, que falou na abertura da reunião durante 30 minutos, declarou que Demóstenes quer ser avaliado pelo plenário do Senado e optou por não pedir o arquivamento do processo.

O pedido da defesa causou protesto do senador Mário Couto (PSB-PA). Ele disse que se desligaria do conselho, caso a decisão fosse a favor de Demóstenes. “Jamais vi na minha vida uma defesa pedir a condenação. Peço meu desligamento antecipado deste Conselho de Ética se o plenário absolver Demóstenes”, declarou.

Couto prometeu que abrirá o seu voto quando o processo de cassação for apreciado pelo plenário da Casa. “Quero fazer um apelo, que o senhor [o presidente do Conselho de Ética, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)] seja portador de um pedido de voto aberto. Nós temos que moralizar o Senado. Não podemos mais esconder o nosso voto do povo brasileiro”, disse. “A nação está carente de moralidade, e nós não podemos esconder o nosso voto. Vou abrir o meu voto, nem que, para isso, meu voto seja anulado”, completou.

Já o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse ao votar que os atos de Demóstenes Torres acabaram prejudicando a imagem do Senado. “O que estamos aqui cuidando não é da ética no comportamento pessoal. A quebra de decoro parlamentar não atinge o indivíduo, atinge a instituição”, destacou. “Nos não estamos aqui em uma confraria de amigos. O Senado não é um clube”, declarou.

Antes da votação, o senador Pedro Taques (PDT-MT) lembrou que as gravações indicaram que Demóstenes avisou Carlinhos Cachoeira sobre as investigações da Polícia Federal. “Isso é um fato gravíssimo porque expõe a risco de morte pessoas que estão exercendo uma função pública”, disse Taques. “Não existe nada mais trágico no mundo do que saber o que é certo e fazer o errado. O senador Demóstenes sabia o que é certo e optou pelo que era errado”, ressaltou.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) falou da decepção que sentiu ao saber das denúncias envolvendo o senador goiano. “Eu vivo um momento muito doloroso porque eu tinha uma grande admiração pelo senador Demóstenes. A mim, ele enganou o tempo todo. Sinceramente, eu acreditei nele. Será que o problema dele não é um problema psiquiátrico e não jurídico. Um problema de dupla personalidade”, disse.

Simon também defendeu que a votação em plenário fosse feita de forma aberta. “Eu vou votar pela cassação e gostaria que a votação fosse aberta”, disse Simon.

 

Luciana Lima/Repórter da Agência Brasil
Focando a Notícia

Imprensa transformou Demóstenes Torres em celebridade

 

A imprensa operou uma mágica em Demóstenes Torres: transformou rapidamente um político paroquial e inexpressivo numa personalidade nacional.

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Em 2009 Demóstenes foi celebrado em capa da revista Época

Demóstenes, para ganhar uma cobertura extraordinária de jornais e revistas, seguiu a receita clássica: falou o que os outros queriam ouvir. Basicamente, um discurso arquiconservador enfeitado por uma pregação moralista em que o governo era combatido pela ótica da corrupção.

Com isso, Demóstenes se tornou uma presença ubíqua, previsível e maçante na mídia. Ele se juntaria a um coral conservador do qual fazem parte articulistas como Merval Pereira, Ali Kamel, Marco Antonio Villa, Luiz Felipe Condé e Arnaldo Jabor. Todos eles falam, essencialmente, a mesma coisa, frases como que extraídas dos discursos de Ronald Reagan e Margaret Thatcher nos anos 1980. (Curioso que a nenhum deles ocorra fazer, já com a distância que vinte anos permitem, o balanço da obra que Reagan e Thatcher legaram aos Estados Unidos, ele, e ao Reino Unido, ela: declínio econômico acrescentado de uma elevação notável da desigualdade social. Cada um de seu lado do Atlântico, os dois criaram o que um economista americano chamou, num livro recente, de Nanny State ao contrário – Estados-Babás para os ricos.)

É vital que haja microfones para o pensamento conservador. Mas onde o contraponto para ajudar o leitor a formar opinião? Hoje, esse contraponto está praticamente confinado à internet no Brasil. Até por razões econômicas – o consumidor de notícias que não se sente representado é sinônimo de perda de circulação e de audiência – é imperioso para a indústria da mídia brasileira a retomada do equilíbrio perdido. O Deus Mercado, para usar uma expressão cara ao conservadorismo, demanda isso. Os leitores — eu incluído — ficarão felizes.

Demóstenes floresceu exatamente num ambiente de perda de pluralidade de idéias na mídia brasileira. Picaretas aparecem assim, porque a filtragem fica rala. Basta dizer coisas como as que Demóstenes dizia, e seu celular vai tocar, chamado por jornalistas que precisam de frases para preencher textos com idéias preestabelecidas. Das entrevistas telefônicas a convites para participar de programas na Globonews ou escrever colunas é um passo. (Numa rápida pesquisa que fiz, vi que Demóstenes tinha até uma coluna no blog de Ricardo Noblat, das Organizações Globo.)

Demóstenes pertencia claramente à categoria dos conservadores de conveniência. Espertalhões como ele sabem como atrair os holofotes, e se adaptam às circunstâncias. Se para conseguir espaço ele tivesse que adotar uma retórica de esquerda, com certeza Demóstenes andaria com um chaveiro de Marx no bolso e repetiria frases de Lenine. Homens como ele têm uma única ideologia: a do dinheiro.

Demóstenes usou a imprensa, com motivos pecuniários, para se promover. Foi usado por ela, por motivos ideológicos. E quem perdeu nisso foi o Brasil: é nociva para a democracia a crença de que todo político é corrupto. E é difícil fugir dessa conclusão ao ler a história de Demóstenes.

Há uma espécie de justiça poética no fato de que a notícia mais importante da política brasileira em muitos anos tenha nascido não da mídia — mas da Polícia Federal. Para a qual seguem aplausos de pé.

vermelho.org