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Transtornos emocionais afastam professores das salas de aula


Histórias de transtornos emocionais entre os professores se repetem em todo o País. No Distrito Federal, do quadro de servidores públicos, cerca de 2% estão afastados por este motivo. No Rio de Janeiro, 7 mil dos 64 mil professores ativos não dão aula atualmente pelo mesmo diagnóstico. Os transtornos emocionais também podem ser chamados de comportamentais, de humor ou mentais. São doenças como estresse agudo, depressão, síndrome do pânico, síndrome de burnout – quando o profissional, motivado pela estafa, desenvolve relação apática com o ofício -, estresse pós-traumático, transtornos de ansiedade, entre outros. O problema, porém, não é mensurável. Não existem números nacionais do Ministério da Educação (MEC). Os dados são resultado de pesquisas realizadas em algumas secretarias de Educação do País ou universidades.

Sucateamento da esperança – Doutora no assunto, a psicóloga e professora da Universidade de São Paulo (USP) Renata Paparelli explica que o cenário atual é o grande responsável pelos problemas dos docentes. Segundo Renata, a escola hoje representa uma desestruturação de tudo o que o professor acredita. “A desvalorização do professor e do lugar de conhecimento, bem como as condições adversas, os baixos salários e uma jornada infinita de trabalho contribuem com as doenças”, analisa. As políticas públicas falhas da educação também corroboram para o desencantamento. “Hoje, os professores vivem um quadro de sucateamento da esperança”, diz.

Fonte: Diário de Penambuco
Focando a Notícia

Educação: País tem cerca de 500 mil crianças em idade escolar fora das salas de aula

Educação pública, gratuita e de qualidade foi o tema central do seminário “Direito Humano à Educação no Haiti: Desafios e Horizontes”, realizado semana passada na capital haitiana, Porto Príncipe. O evento reuniu representantes de organizações da sociedade civil e educadores/as haitianos, além de uma delegação internacional da Campanha Latino-americana pelo Direito à Educação (Clade), com especialistas e membros de organizações parceiras de oito países.

Durante três dias, os participantes empreenderam debates e realizaram visitas de campo, como no acampamento Camp Toto, para conhecer de perto a situação da educação no país. Uma das constatações mais sérias foi que hoje o Haiti tem cerca de 500 mil crianças em idade escolar fora das salas de aula. Além disso, a taxa de analfabetismo absoluto está acima dos 50%.

Outro problema constatado e amplamente criticado foi o nível de privatização na educação. Atualmente, 92% das escolas são privatizadas, taxa considerada o mais alta do planeta. Esta realidade é um empecilho para que milhares de meninos e meninas tenham acesso à escola, já que o valor cobrado anualmente, cerca de 70 dólares, é impraticável para a grande maioria.

Durante as visitas, os participantes também verificaram as péssimas condições dos equipamentos de educação no país; a superlotação nas salas de aulas, que por vezes abrigam até 225 alunos na zona rural; e a imposição do francês na educação, mesmo quando a língua materna do país é o creole.

A constatação destes e de outros problemas motivou as organizações locais e as comissões internacionais a chamarem atenção das autoridades por meio de um manifesto, que foi entregue ao chefe do gabinete do Ministério da Educação, Frantz Casséus. O documento cobra do Estado que se posicione como garantidor do direito à educação em todas as regiões do país e destaca demandas urgentes.

Uma delas diz respeito à adoção de um marco legal e institucional por meio do qual o Estado promova o fortalecimento e a consolidação de um sistema público de educação. Outra reclamação é o cumprimento incondicional da gratuidade da educação pública primária.

O documento também rejeita a crescente privatização da educação e os projetos de organismos financeiros internacionais, e pede financiamento estatal para garantir o direito à educação para todos/as, em todas as etapas e modalidades, até durante a educação superior.

Os/as professores/as também são lembrados. Para estes profissionais é pedido que se cumpram todas as obrigações estatais em matéria de remuneração e condições dignas de trabalho. Também se reivindica que sejam tratados com respeito os/as ativistas e integrantes de movimentos sociais. A criminalização destes atores sociais é enfaticamente criticada e se pede liberdade para que exerçam seus direitos à liberdade de expressão, manifestação, associação e crítica ao governo.

O seminário e as visitas de campo fazem parte da iniciativa “Haiti somos todos e todas”, incentivada pela Clade com o apoio de parceiros regionais e internacionais. O encontro foi realizado para dar visibilidade aos desafios enfrentados pelo povo haitiano para conseguir ter acesso ao direito humano à educação pública, gratuita e de qualidade para todos/as sem discriminação.

Adital

Projeto Cisternas nas Escolas abastece salas de aula com água e conhecimento

Apesar de ser um direito humano, o acesso à água ainda não é uma realidade garantida para todos/as. Foi pensando na situação das crianças e dos adolescentes que estudam em escolas no semiárido que a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) desenvolveu o projeto Cisternas nas Escolas.

A iniciativa, realizada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS) e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid), agora está em fase de prestação de contas. Durante dois anos, o projeto, desenvolvido dentro do Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC) da ASA, construiu cisternas em 843 escolas de nove estados do semiárido brasileiro.

De acordo com Jean Carlos Medeiros, coordenador do P1MC, 146 municípios foram contemplados e 56 mil pessoas, entre alunos/as, professores/as e funcionários/as foram beneficiadas com a iniciativa. Com as cisternas, a comunidade escolar agora tem água para beber e para preparar a merenda escolar. Cada cisterna, segundo Medeiros, tem capacidade para 52 mil litros de água.

Se antes os/as alunos/as precisavam levar garrafas com água para escola ou às vezes até mesmo deixavam de ter aulas por falta de água, agora não só têm o bem natural para consumir como também discutem o assunto em sala de aula.

“O projeto reforça a convivência com o semiárido, além das cisternas, desenvolveu materiais em que professores e alunos estavam representados. Algumas cartilhas foram utilizadas nas aulas de matemática, ciências e geografia para discutir recursos hídricos, uma educação contextualizada, que destaca a realidade local”, comenta o coordenador do P1CM.

Através de desenhos animados, por exemplo, as crianças aprendem sobre o ciclo da água, o direito à água potável, o uso racional do recurso natural, entre outros assuntos que são destaque na série Água, Vida e Alegria no Semiárido. Na avaliação de Medeiros, o projeto ainda conseguiu ir além. Isso porque, de acordo com ele, a construção das cisternas contribuiu para o diálogo entre comunidade e poder público.

“Em muitos locais o poder público foi responsável por melhorar a escola para receber a cisterna […], o que gerou uma expectativa na comunidade para dialogar mais com o poder público sobre as necessidades das escolas”, afirma, lembrando ainda que o projeto também gerou espaços de debates entre a própria comunidade escolar, como questões sobre o reabastecimento da cisterna no período de estiagem e os cuidados na época em que não há aulas. “Fortaleceu o controle social na escola e foi catalisador de outros processos, outros temas”, acrescenta.

Água nas escolas

A falta de água nas escolas ainda é problema comum na região semiárida. No relatório O Direito de Aprender – Potencializar avanços e reduzir desigualdades “Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009”, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a partir de dados do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), destacou que, “das 37,6 mil escolas na zona rural da região, 28,3 mil não são abastecidas pela rede pública.”

O coordenador do P1MC da ASA, por sua vez, reforça que o acesso à água é um direito humano e que a organização realiza ações justamente para contribuir para a garantia desse direito. “É importante garantir o acesso à água não só às famílias, mas também aos filhos dos agricultores [que estão em sala de aula]”, considera.

Para mais informações, acesse: www.asabrasil.org.br

Adital