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Provocada por Cássio, Dilma Rousseff diz que tucano se se aliou a ‘chantagista’

cassio-cunha-limaApós ser  provocada pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB), a presidente Dilma Rousseff  alegou que o tucano foi cúmplice de um processo chantagista comandado pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PSDB).

Cássio tinha dito que o processo de impeachment surgiu de forma espontânea nas ruas e não no Senado como tinha afirmado antes a petista em resposta a  outros parlamentares.

“Não concordo que veio das ruas de forma espontânea. Quem é que é o responsável pela aceitação do impeachment. A aceitação do impeachment tratava de uma chantagem explicita de Cunha: São cúmplices de um processo que começou com uma chantagem implícita”, afirmou.

Durante os seus questionamentos, Cássio disse que Dilma tinha perdido a última chance de fazer a sua defesa contra “os graves crimes” cometidos. Cássio rebateu a nomeclatura de golpe para o processo e disparou:

“Golpe é vencer a eleição mentido e quebrando  a Petrobras.

“É fazer terrorismo contra os mais pobres como fez em todas as eleições o partido de vossa excelência. O que estamos vendo aqui hoje é mais um espetáculo político do que  uma defesa”, argumentou.

Apesar de se unir ao PMDB pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff,  Cássio e o  PSDB se posicionaram favoráveis as investigações e cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha (PSDB) acusado de esconder contas no exterior.

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Partidos tentam barrar decreto bolivariano assinado à surdina pela presidente Dilma Rousseff

dilma_wf2O decreto bolivariano número 8.243/2014, assinado à surdina pela presidente Dilma Rousseff na semana passada, não caiu bem no Congresso Nacional. Nesta terça-feira, nove partidos resolveram se unir para tentar impedir o avanço da medida destinada a aparelhar órgãos públicos e entidades da administração federal direta e indireta com integrantes de “movimentos sociais”, conhecida massa de manobra do PT.

Na Câmara, nove legendas – DEM, PPS, PSDB, Solidariedade, PV, PSD, PSB e Pros – assinaram uma proposta para votar, em regime de urgência, a suspensão do decreto presidencial. Embora a transferência de votos não seja automática, juntas, as agremiações contabilizam 229 dos 513 deputados. A decisão de colocar a proposta em votação cabe ao presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que ainda não se manifestou. No Senado, os partidos de oposição também tentam anular os efeitos do texto presidencial.

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O decreto para instituir um canal paralelo de poder, antiga pretensão petista, foi assinado à surdina por Dilma (Decreto 8.243/2014), no último dia 23 de maio. No papel, determina a criação da Política Nacional de Participação Social (PNPS) e do Sistema Nacional de Participação Social (SNPS). Na prática, prevê a implantação de “conselhos populares”, formados por integrantes de movimentos populares, vinculados a órgãos públicos. Tudo sob a tutela do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República).

O texto bolivariano ataca um dos pilares da democracia brasileira, a igualdade dos cidadãos, ao privilegiar grupos alinhados ao governo. A Constituição brasileira estabelece que os cidadãos têm direito à livre manifestação por meio de eleições diretas. “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I – plebiscito; II – referendo; III – iniciativa popular”, diz o artigo 14 da Constituição de 1988.

O decreto de Dilma, porém, é explícito ao justificar sua finalidade: “consolidar a participação social como método de governo”. Um dos artigos quer estabelecer, em linhas perigosas, o que é a sociedade civil: “I – sociedade civil – o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Ou seja, segundo o texto de Dilma, os movimentos sociais – historicamente controlados e manipulados pelo PT – são a representação da sociedade civil no Estado Democrático de Direito. Nesse sentido, são autoexplicativos os afagos do governo federal a militantes do MST e grupos baderneiros de índios e sem-teto após protagonizarem cenas deploráveis de ataques a prédios públicos, privados e à polícia.

“A presidente tenta subtrair os Poderes do Parlamento brasileiro. É o mesmo modelo ideológico que se propôs para a Venezuela e para Cuba e que agora estão tentando trazer aos poucos ao Brasil. Temos que resistir a isso porque o Parlamento é o foro da sociedade brasileira. Esses conselhos subtraem a democracia porque são um aparelho do PT. Não podemos fazer que eles passem por cima da lei e caminhar pela estrada mais triste, que é o caminho antidemocrático que o PT está propondo. Isso vai acabar no STF”,  diz o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR). “Dilma quer criar uma estrutura paralela de poder e dividir o cidadão em 1ª e 2ª classe”, afirma o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE).

 

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Múltipla: 67% dos paraibanos aprovam a gestão de Dilma Rousseff na presidência

ROBERTO STUCKERT FILHO/PLANALTO
ROBERTO STUCKERT FILHO/PLANALTO

A gestão da presidente Dilma Rousseff (PT) na presidência da República tem a aprovação de dois terços da população paraibana. É o que aponta pesquisa do Instituto Múltipla, contratada pelo Portal Paraíba.com.br. De acordo com a consulta, 67% dos paraibanos aprovam o governo da presidenta.

A pesquisa do Instituto Múltipla ouviu 1.000 eleitores divididos na quatro grandes regiões do Estado. O percentual daqueles que desaprovam é de 29,8%. O número daqueles que não souberam opinar somou 3,2%.

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A pesquisa mostrou ainda que 11,4% dos paraibanos consideram a gestão  Ótima e 43,5% consideram Boa. Os que consideram Regular o número é de 23,2%.

Apenas 11,5% consideram a gestão Ruim e 9% Péssima. O índice daqueles que não souberam ou não quiseram opinar foi de 1,1%.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba sob o número 00006/2014. O Instituto Múltipla/Paraíba.com.br/ Sistema Arapuan de Comunicação realizou a pesquisa entre 10 a 14 de abril, ouvindo 1000 eleitores em todas as regiões do Estado.

O Instituto Múltipla está no mercado desde 2009, atuando em Pernambuco, Alagoas, Bahia e Paraíba. Além de pesquisas, o portal Paraíba vai acompanhar passo a passo as eleições de 2014, realizando entrevistas com os candidatos e cobrindo os debates a serem realizados pela Arapuan FM e pela TV Arapuan.

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Dilma Rousseff empossa quatro novos ministros nesta segunda-feira

dilma-rousseffA presidente Dilma Rousseff vai dar posse nesta segunda-feira (3) a quatro novos ministros, na primeira etapa de reforma ministerial do governo. O ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante assumirá a Casa Civil, enquanto o ex-secretário-executivo da Educação José Henrique Paim vai comandar a pasta; o médico Arthur Chioro será o novo ministro da Saúde (Alexandre Padilha deixou o cargo para uma provável candidatura ao governo de São Paulo); e o ex-porta-voz da Presidência da República Thomas Traumann estará à frente da Secretaria de Comunicação Social.

A cerimônia de posse está marcada para as 11h desta segunda-feira no Palácio do Planalto. Parlamentares e outros ministros devem participar do evento. As nomeações dos quatro novos ministros e as exonerações das quatro pessoas que deixaram seus postos foram publicadas nesta segunda no Diário Oficial da União.

A presidente iniciou na quinta-feira (30)  as mudanças em seu ministério. Além de substituir ministros que devem ser candidatos nas eleições de 2014, como Padilha, Dilma pretende acomodar partidos da base aliada que não estão na Esplanada, para lhes garantir tempo na propaganda eleitoral de rádio e TV. A presidente também estuda como incluir legendas como PTB, PROS e PSD, e ampliar o espaço de seu principal aliado, o PMDB, que reclama por mais pastas nos ministérios.

Trocas
A então ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, deixa a pasta para concorrer ao governo do Paraná. Em dezembro de 2013, durante um café da manhã com jornalistas, ela havia dito que pediu a Dilma para sair do cargo já em janeiro, para poder se dedicar à campanha eleitoral.

Para sucedê-la, Dilma escolheu Aloizio Mercadante, que, além de coordenar os principais projetos do governo, terá a missão de fazer a interlocução entre o Palácio do Planalto e a equipe de campanha à reeleição da presidente.

Já para o Ministério da Educação (MEC), Dilma optou por uma solução técnica, ao escolher Paim. Com isso, a presidente busca manter o estilo da gestão do MEC em projetos como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A última troca, confirmada apenas na sexta-feira (31), ocorre na Secretaria de Comunicação Social,de onde sai Helena Chagas e entra Traumann.

Veja abaixo um perfil dos quatro novos ministros do governo:

Aloizio Mercadante
Aloizio Mercadante nasceu em Santos (SP), em 13 de maio de 1954. Formou-se em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), tem mestrado e doutorado na área econômica e é professor licenciado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A vida política de Mercadante começou em 1975, quando foi presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. Ele foi ainda presidente da Associação de Professores da PUC-SP e vice-presidente da Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior (Andes).

Mercadante fez parte da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT). Em 1982, foi coordenador do programa de governo e da campanha ao governo de São Paulo. Em 1989, 1994 e 1998, coordenou a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, sendo que, em 1994, foi vice na chapa de Lula.

O novo ministro da Casa Civil também foi deputado federal por São Paulo por dois mandatos (entre 1991 e 1995, e entre 1999 e 2003) e senador por um mandato, entre 2003 e 2010. Nesse período, foi líder de governo, líder do PT e presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Como deputado, participou da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Collor e do Orçamento.

Em 2010, o petista foi candidato ao governo de São Paulo, mas perdeu para seu opositor tucano, Geraldo Alckmin. Após a derrota, Mercadante foi convidado por Dilma a assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

José Henrique Paim
Paim ocupou o cargo de secretário-executivo da pasta desde a gestão de Fernando Haddad, que deixou o ministério em 2012 para concorrer à prefeitura da capital paulista. Paim foi o escolhido como uma solução “técnica” para a sucessão de Mercadante, para dar continuidade aos projetos do antecessor.

O novo ministro da Educação é economista, com pós-graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Gaúcho, ele nasceu em 1966. Paim foi também subsecretário da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, em 2002. Ele foi presidente do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Paim é réu em uma ação civil pública por suspeita de irregularidades em um convênio de R$ 491 mil com a ONG Central Nacional Democrática, para alfabetizar jovens e adultos, na época em que era presidente do FNDE. Auditores do Tribunal de Contas da União identificaram falhas na prestação de contas, como a falta de documentos que comprovassem os pagamentos. Em 2009, o tribunal aceitou a alegação de Paim de que teria sido induzido ao erro.

Arthur Chioro
Médico concursado da Prefeitura de Santos (SP) desde 1989, Chioro já havia trabalhado no Ministério da Saúde anteriormente. Ele retorna à pasta nove anos após ter exercido o cargo de diretor do Departamento de Atenção Especializada da pasta entre 2003 e 2005.

Chioro se formou pela Fundação Serra dos Órgãos e especializou-se em medicina preventiva e social pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Anos depois, tornou-se mestre e doutor em saúde coletiva, cadeira que leciona na Faculdade de Fisioterapia Unisanta e na Faculdade de Medicina (Unimes). É também pesquisador na área de planejamento e gestão em saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Em São Bernardo do Campo, o petista integra o primeiro escalão da prefeitura desde o primeiro mandato do atual prefeito Luiz Marinho, que foi eleito em 2008 e reeleito em 2012. Marinho é ex-ministro do Trabalho e da Previdência Social do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem mantém amizade próxima.

Chioro também deixa o cargo de presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo, que agora será ocupado pelo vice-presidente da entidade, Fernando Monti.

Thomas Traumann
O novo ministro nasceu em 29 de julho de 1967, em Rolândia (PR). É formado em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná.

Em 2008, Traumann deixou as redações de jornal para trabalhar na área de assessoria de imprensa. Dois anos depois assumiu a assessoria do então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci. Em seguida, exerceu o cargo de assessor especial da ministra Helena Chagas, na Secretaria de Comunicação Social até que, em 2012, foi nomeado porta-voz da Presidência.

Como porta-voz, Traumann foi ganhando a confiança da presidente. Despachos com o chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo, se tornaram frequentes. No ano passado, Traumann assumiu o gabinete digital da presidente e capitaneou o retorno de Dilma às redes sociais. O papel como auxiliar de Dilma na internet foi um dos fatores que contaram para que ele assumisse a Secretaria de Comunicação.

G1

Contra as tramoias da direita: sustentar Dilma Rousseff

leonardo boffÉ notório que a direita brasileira especialmente aquela articulação de forças que sempre ocupou o poder de Estado e o tratou como propriedade privada (patrimonialismo), apoiada pela mídia privada e familiar, estão se aproveitando das manifestações massivas nas ruas para manipular essa energia a seu favor. A estratégia e fazer sangrar mais e mais a presidenta Dilma e desmoralizar o PT e assim criar uma atmosfera que lhes permita voltar ao lugar que por via democrática perderam.

Se por um lado não podemos nos privar de críticas ao governo do PT (e voltaremos ao tema), mas críticas construtivas, por outro, não podemos ingenuamente permitir que as transformações político-sociais alcançadas nos últimos dez anos sejam desmoralizadas e, se puderem, desmontadas por parte das elites conservadoras. Estas visam ganhar o imaginário dos manifestantes para a sua causa, que é inimiga de uma democracia participativa de cariz popular.

Seria grande irresponsabilidade e vergonhosa traição de nossa parte  entregar à velha e apodrecida classe política aquilo que por dezenas de anos  temos construído, com tantas oposições: um novo sujeito histórico,  o PT e partidos populares, com a inserção  na sociedade de milhões de brasileiros. Aquela classe se mostra agora feliz com a possibilidade de atuar sem máscara e mostrando suas intenções antes ocultas: finalmente, pensa, tem chance de voltar e colocar esse povo todo que reclama reformas no lugar que sempre lhe competiu historicamente: na periferia, na ignorância e no silêncio. Aí não incomoda nem cria caos na ordem que por séculos ela construiu, mas que, se bem olharmos, é ordem na desordem ético-social.

Essa pretensão se liga a algo anterior e que fez história. É sabido que com a vitória do capitalismo sobre o socialismo estatal  do Leste europeu em 1989, o presidente Reagan e a primeira ministra Thatcher inauguraram uma campanha mundial de desmoralização do Estado, tido como ineficiente e da política como empecilho aos negócios das grandes corporações globalizadas e à lógica da acumulação capitalista. Com isso visava-se a chegar ao Estado mínimo, debilitar a sociedade civil e abrir amplo espaço às privatizações e ao domínio do mercado, até conseguir a passagem de uma sociedade com mercado para uma sociedade de puro mercado, na qual tudo, mas tudo mesmo, da religião ao sexo, vira mercadoria. E conseguiram. O Brasil sob a hegemonia do PSDB se alinhou ao que se achava o marco mais moderno e eficaz da política mundial. Protagonizou vasta privatização de bens públicos, que foi maléfica ao interesse geral.

Que isso foi uma desgraça mundial se comprova pelo fosso abissal que se estabeleceu entre os poucos que dominam os capitais e as finanças e a grandes maiorias da humanidade. Sacrifica-se um povo inteiro como a Grécia, sem qualquer consideração, no altar do mercado e da voracidade dos bancos. O mesmo poderá acontecer com Portugal, com a Espanha e com a Itália.

A crise econômico-financeira de 2008 instaurada no coração dos países centrais que inventaram esta perversidade social, foi consequência desse tipo de opção política. Foram os Estados que tanto combateram que os salvaram da completa falência, produzida por suas medidas montadas sobre a mentira e a ganância (greed is good), como não se cansa de acusar o Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman. Para ele, esses corifeus das finanças especulativas deveriam estar todos na cadeia como criminosos. Mas continuam aí faceiros e rindo.

Então, se devemos criticar  a nossa classe política por ser corrupta e o Estado por ser ainda, em grande parte, refém da macroeconomia neoliberal, devemos fazê-lo com critério e senso de medida. Caso contrário, levamos água ao moinho da direita. Esta se aproveita dessa crítica não para melhorar a sociedade em benefício do povo que grita na rua, mas para resgatar seu antigo poder político, especialmente aquele ligado ao poder de Estado a partir do qual garantia seu enriquecimento fácil. Especialmente os meios de comunicação privados e familiares, cujos nomes não precisam ser citados, estão empenhados fevorosamente nessa empreitada de volta ao velho status quo.

Por isso, as demonstrações devem continuar na rua contra as tramoias da direita. Precisam estar atentas a essa infiltração que visa mudar o rumo das manifestações. Elas invocam a segurança pública e a ordem a ser estabelecida. Quem sabe até sonham com a volta do braço armado para limpar as  ruas.

Daí, repetimos, cabe reforçar o governo de Dilma, cobrar-lhe, sim,  reformas políticas profundas, evitar a histórica conciliação entre as forças em tensão para juntas novamente esvaziarem o clamor das ruas e manterem um status quo que prolonga  benefícios compartilhados.

Inteligentemente sugeriu o analista politico Jeferson Miolo em Carta Maior (7/7/2013):”Há uma grave urgência política no ar. A disputa real que se trava neste momento é pelo destino da sétima economia mundial e pelo direcionamento de suas fantásticas riquezas para a orgia financeira neoliberal. Os atores da direita estão bem posicionados institucionalmente e politicamente… A possibilidade de reversão das tendências está nas ruas, se soubermos canalizar sua enorme energia mobilizadora. Por que não instalar em todas as cidades do país aulas públicas, espaços de deliberação pública e de participação direta para construir com o povo propostas sobre a realidade nacional, o plebiscito, o sistema político, a taxação das grandes fortunas e do capital, a progressividade tributária, a pluralidade dos meios de comunicação, aborto, união homoafetiva, sustentabilidade social, ambiental e cultural, reforma urbana, reforma republicana do Estado e tantas outras demandas históricas do povo brasileiro, para assim apoiar e influir nas políticas do governo Dilma?”

Dessa forma se enfrentarão as articulações da direita e se poderá com mais força reclamar reformas políticas de base que vão na direção de atender a infraestrutura reclamada pelo povo nas ruas: melhor educação, melhores hospitais públicos, melhor transporte coletivo e menos violência na cidade e no campo.

(Texto publicado originalmente no blog de Leonardo Boff com a seguinte nota de rodapé: “Leonardo Boff não é filiado ao PT, é teólogo e escritor, da Comissão da Carta da Terra”)

Congresso em Foco

Prefeito Beto do Brasil recebe retroescavadeira da presidente Dilma Rousseff em João Pessoa

 

beto_dilmaO prefeito do município de Solânea, Beto do Brasil (PPS), foi um dos 22 gestores municipais que receberam, nesta segunda-feira (04), das mãos da presidente Dilma Rousseff (PT), as chaves de uma retroescavadeira. A máquina irá ajudar a melhorar as estradas vicinais do município.

A entrega das retroescavadeiras foi feita durante solenidade realizada em João Pessoa e que contou com a presença da presidente que vinha sendo esperada na Paraíba desde a sua eleição. Beto do Brasil esteve entre os presentes e acompanhou a comitiva da petista.

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Dilma chegou à Paraíba por volta das 11h e seguiu do aeroporto Castro Pinto, em Bayeux, para o condomínio Jardim Veneza, na Capital, onde fez a entrega de 576 apartamentos juntamente com o ministro das Cidades Aguinaldo Ribeiro; o governador Ricardo Coutinho; o presidente da Assembleia Legislativa, Ricardo Marcelo; e, o prefeito Luciano Cartaxo, além de outras autoridades locais.

À tarde Dilma estará no município de Itatuba onde assina uma ordem de serviço para o início do segundo trecho do canal Acauã-Araçagi, com investimentos de R$ 106 milhões. A assinatura acontecerá durante a visita às obras da primeira etapa do denominado Canal das Vertentes Litorâneas, que tem investimentos orçados em R$ 956 milhões e ofertará segurança hídrica para 590 mil pessoas de 37 municípios.

 

Redação/Focando a Notícia

Em ano eleitoral, Dilma Rousseff reduz em 28% viagens pelo país

Em 2012, ano de eleições municipais, a presidente Dilma Rousseff reduziu o ritmo de viagens pelo país em relação a 2011.  Segundo levantamento feito pelo G1, foram 50 viagens oficiais para fora de Brasília durante este ano, número 28% menor que 2011, quando a presidente deixou Brasília 69 vezes com destino a outras cidades brasileiras.

A lei eleitoral proíbe a participação de candidatos em inauguração de obras públicas nos três meses que antecedem as eleições. Neste período, de 7 de julho a 7 de outubro – data do primeiro turno das eleições –, Dilma fez apenas seis viagens. No mesmo intervalo em 2011, foram 32 cidades visitadas.

A presidente Dilma Rousseff em viagem à Índia na semana passada (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)A presidente Dilma Rousseff em viagem à Índia em
abril deste ano (Foto: Roberto Stuckert Filho /
Presidência)

O levantamento é referente apenas a viagens oficiais e não leva em conta as viagens consideradas “privadas”, como as vezes em que Dilma deixou Brasília para subir no palanque de candidatos aliados. Nas eleições deste ano, ela viajou para São Paulo, onde participou de comício ao lado do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, Manaus (para apoiar Vanessa Grazziotin), Campinas (Márcio Pochmann), Salvador (Nelson Pelegrino) e Belo Horizonte (Patrus Ananias).

Desde o início das eleições, Dilma deixou claro sua intenção de se envolver o mínimo possível com campanhas, deixando sua participação em comícios apenas para o segundo turno. A presidente participou de um único evento no primeiro turno, ao lado de seu ex-ministro Haddad.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, chegou a dizer em julho que Dilma não tinha intenção de se envolver nas campanhas. “A presidente não tem intenção de se envolver. Aliás, ela tem dito reiteradamente [que] a melhor maneira de ela ajudar nas eleições é o Brasil continuar bem. Esta é a prioridade”, declarou Ideli na época.

Ideli afirmou ainda que não havia “menor possibilidade” de se trazer a disputa eleitoral para dentro do governo. A declaração foi feita para negar que a presidente estaria fazendo campanha a favor da reeleição do ex-ministro de Lula Luiz Marinho à Prefeitura de São Bernardo do Campo quando Dilma participou, em julho, da inauguração de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas na cidade.

Também são consideradas “privadas” as viagens que a presidente frequentemente faz para Porto Alegre, para visitar a família, e para São Paulo, onde faz exames médicos de rotina. Essas não foram contabilizadas.

Tanto em 2011 quanto em 2012, os principais destinos nacionais da presidente foram Rio de Janeiro e São Paulo. Em seguida vêm Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. Somente esse ano, Dilma fez nove viagens oficiais à capital paulista e oito ao Rio de Janeiro.

No total, foram 119 viagens oficiais pelo país nos dois primeiros anos de governo Dilma, 64 a menos que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez 89 viagens durante o primeiro ano do primeiro mandato (2003) e 94 durante o segundo ano (2004).

Discursos e entrevistas
O G1 preparou uma nuvem com as cem palavras mais pronunciadas pela presidente durante discursos feitos em viagens nacionais este ano. Entre as mais ditas, estão “Brasil”, “país”, “governo” e “desenvolvimento”. Dilma também deu destaque a assuntos relacionados a “renda”, “pobreza”, “social” e “família”, além de ter se referido diversas vezes a “Petrobras”, “petróleo”, “energia” e “indústria”.

Nuvem das cem palavras mais ditas pela presidente em discursos durante viagens nacionais. (Foto: G1)Nuvem das cem palavras mais ditas pela presidente em discursos durante viagens nacionais. (Foto: G1)

Dilma reduziu também quase pela metade o número de entrevistas concedidas à imprensa, tanto nacional quando internacional. Foram 35 entrevistas em 2012 contra 65 no ano passado. A exemplo de 2011, a presidente preferiu falar com a imprensa fora da sede do governo federal. Ela concedeu 13 entrevistas no exterior, outras 13 durante viagens nacionais e apenas nove no Palácio do Planalto, em Brasília.

Agenda internacional
Em relação ao ano passado, neste ano Dilma também reduziu o número de viagens internacionais. Foram 14 idas ao exterior, seis para países da América do Sul e América Central, além de duas para América do Norte (Estados Unidos), mais cinco para a Europa e uma ida à Ásia (Índia).

Em 2011, Dilma realizou 17 viagens para o exterior, sendo que a América do Sul e América Central também foram os locais mais visitados, seguidos de Europa e África. O ex-presidente Lula, por sua vez, viajou mais que sua sucessora. No seu primeiro ano de governo, 2003, foram 35 idas ao exterior e, em 2004, 24.

Nos discursos proferidos no exterior, as palavras mais pronunciadas por Dilma foram “Brasil”, “países”, “crescimento” e “mundo”. Temas relacionados à economia também tiveram destaque, como “crise”, “desenvolvimento”, “energia”, “comércio” e “investimento”.

A presidente também se referiu por diversas vezes aos “Brics”, bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia e China. Figuram entre as palavras mais ditas “Rússia” e “Índia”, além de “cooperação”, “oportunidades” e “integração”.

Nuvem das cem palavras mais pronunciadas por Dilma durante viagens ao exterior. (Foto: G1)Nuvem das cem palavras mais pronunciadas por Dilma durante viagens ao exterior. (Foto: G1)

Um dos discursos que ganhou destaque internacionalmente foi o da abertura da 67ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Na ocasião, Dilma criticou o que chamou de “políticas fiscais ortodoxas” dos países ricos contra a crise financeira internacional.

Por outro lado, este ano Dilma recebeu mais autoridades estrangeiras em seu gabinete. Entre as 17 audiências com chefes de governo e de Estado, o presidente do Uruguai, José Mujica, foi o mais presente e realizou quatro visitas à Dilma. Cristina Kirchner, presidente da Argentina, esteve duas vezes com Dilma no Brasil.

Em 2011, Mujica também foi o chefe de Estado que mais apareceu na lista das 15 autoridades recebidas por Dilma no Brasil.

G1

Dilma Rousseff supera Lula para eleição de 2014, aponta pesquisa

O eleitorado lembra mais da presidente Dilma Rousseff (PT) do que de seu padrinho político para a sucessão de 2014. Em pesquisa do Ibope, Dilma foi citada espontaneamente por 26% dos eleitores como candidata preferida à Presidência em 2014. Sem que eles vissem os nomes na cartela, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou em segundo lugar, com 19% das menções. A diferença de sete pontos é maior do que a margem de erro.

Do lado da oposição, apenas três nomes superaram o traço na espontânea: dois tucanos, José Serra (4%) e Aécio Neves (3%), e uma ex-candidata à Presidência que está sem partido, Marina Silva (2%). Juntos, os demais nomes citados somam 2%.

A taxa dos que não souberam dizer, espontaneamente, em quem votariam para presidente se a eleição fosse hoje chegou a 39%. A eles se soma 1% de eleitores que não quiseram responder.

Além desses, outros 4% disseram que anulariam ou votariam em branco. Faltando dois anos para a eleição, o total de 44% de eleitores sem candidato é baixo, em comparação a outros pleitos.

Em fevereiro de 2010, oito meses antes de irem às urnas para escolher o sucessor de Lula, 52% não tinham candidato na ponta da língua (Ibope) — e outros 23% citavam o nome do então presidente, que era inelegível. Na prática, só 1 a cada 4 eleitores sabia dizer, espontaneamente, o nome de um candidato viável.

Hoje, segundo o mesmo Ibope, nada menos do que 55% dos eleitores têm o nome de um presidenciável viável na ponta da língua — e 4 de cada 5 desses eleitores citam Dilma ou Lula.

Vale lembrar que pesquisas eleitorais feitas com tanta antecedência têm taxa de acerto menor do que as feitas mais perto da eleição, porque impõem um problema sobre o qual a maioria das pessoas não pensou a respeito.

Um ano antes da sucessão de 2010, Serra batia Dilma. No começo de 1994, Lula era favorito e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), uma especulação.

A presidenta é mais citada espontaneamente no Nordeste (31%), na classe C (27%), nas cidades com menos de 100 mil habitantes, por jovens de 16 a 24 anos (31%), por quem tem escolaridade intermediária (29% entre quem cursou até da 5.ª à 8.ª série). Lula vai melhor entre os mais velhos e entre os mais pobres.

O Ibope entrevistou 2.002 eleitores em 143 municípios entre 8 e 12 de novembro. A margem de erro máxima é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos. As três perguntas sobre sucessão foram inclusas em um questionário mais amplo, que pesquisa assuntos diversos a cada mês e é chamado de “bus” pelo Ibope.

Clientes pagam para incluir perguntas no “bus”. As questões eleitorais foram incluídas por iniciativa do próprio Ibope, que bancou seu custo. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.


Estadão

Dilma Rousseff participa do guia eleitoral e pede voto para Luciano Cartaxo na Capital

O guia eleitoral de Luciano Cartaxo (PT) trará a participação da presidenta Dilma Rousseff, que pede apoio pela eleição de Luciano, que vai trabalhar junto ao Governo Federal. “Por essa razão, neste segundo turno, peço o seu voto para Luciano”, convocou Dilma.

A presidenta ainda falou sobre o momento vivido pelo país. “O Brasil hoje é um país que cresce por inteiro, de forma equilibrada, em todas as regiões. Que se desenvolve de forma mais justa, porque temos uma boa política econômica e amplos programas sociais”. Para ela, essa é a razão pela qual João Pessoa tem de escolher um prefeito que conheça os problemas da cidade. “Luciano Cartaxo é o candidato que quer governar junto a nós”, explicou.

Luciano agradeceu o apoio e afirmou que essa participação demonstra que o grupo segue no caminho certo. “Isso deixa clara a importância da união que teremos com o Governo Federal. Como bem disse a nossa presidenta, nós sabemos muito bem o que precisamos fazer para a nossa cidade avançar. Vamos trabalhar juntos”, declarou.

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Dilma Rousseff revela detalhes do sofrimento vivido nos porões da ditadura militar

A presidente Dilma Vana Rousseff foi torturada nos porões da ditadura em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira, e não apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro, como se pensava até agora. Em Minas, ela foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária. É o que revelam documentos obtidos com exclusividade pelo Estado de Minas , que até então mofavam na última sala do Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG). As instalações do conselho ocupam o quinto andar do Edifício Maletta, no Centro de Belo Horizonte. Um tanto decadente, sujeito a incêndios e infiltrações, o velho Maletta foi reduto da militância estudantil nas décadas de 1960 e 70.

Perdido entre caixas-arquivo de papelão, empilhadas até o teto, repousa o depoimento pessoal de Dilma, o único que mereceu uma cópia xerox entre os mais de 700 processos de presos políticos mineiros analisados pelo Conedh-MG. Pela primeira vez na história, vem à tona o testemunho de Dilma relatando todo o sofrimento vivido em Minas na pele da militante política de codinomes Estela, Stela, Vanda, Luíza, Mariza e também Ana (menos conhecido, que ressurge neste processo mineiro). Ela contava então com 22 anos e militava no setor estudantil do Comando de Libertação Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), dando origem à VAR-Palmares.

As terríveis sessões de tortura enfrentadas pela então jovem estudante subversiva já foram ditas e repisadas ao longo dos últimos anos, mas os relatos sempre se referiam ao eixo Rio-São Paulo, envolvendo a Operação Bandeirantes, a temida Oban de São Paulo, e a cargeragem na capital fluminense. Já o episódio da tortura sofrida por Dilma em Minas, onde, segundo ela própria, exerceu 90% de sua militância durante a ditadura, tinha ficado no esquecimento. Até agora.

Com a palavra, a presidente: “Algumas características da tortura. No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite. Geralmente, o básico era o choque”. Ela continua: “(…) se o interrogatório é de longa duração, com interrogador experiente, ele te bota no pau de arara alguns momentos e depois leva para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina. Muitas vezes usava palmatória; usaram em mim muita palmatória. Em São Paulo, usaram pouco este ‘método’”.

General Sylvio Frota passa a tropa em revista no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte: militar colocou Dilma na lista dos infiltrados no poder públicoGeneral Sylvio Frota passa a tropa em revista no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte: militar colocou Dilma na lista dos infiltrados no poder público[/I]

Bilhetes Dilma foi transferida em janeiro de 1972 para Juiz de Fora, ficando presa possivelmente no quartel da Polícia do Exército, a 4ª Companhia da PE. Nesse ponto do depoimento, falham as memórias do cárcere de Dilma e ela crava apenas não ter sido levada ao Departamento de Ordem e Política Social (Dops) de BH. Como já era presa antiga, a militante deveria ter ido a Juiz de Fora somente para ser ouvida pela auditoria da 4ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM). Dilma pensou que, como havia ocorrido das outras vezes, estava vindo de São Paulo a Minas para a nova fase do julgamento no processo mineiro. Chegando a Juiz de Fora, porém, ela afirma ter sido novamente torturada e submetida a péssimas condições carcerárias, possivelmente por dois meses.

Nesse período, foi mantida na clandestinidade e jogada em uma cela, onde permaneceu na maior parte do tempo sozinha e em outra na companhia de uma única presa, Terezinha, de identidade desconhecida. Dilma voltou a apanhar dos agentes da repressão em Minas porque havia a suspeita de que Estela teria organizado, no fim de 1969, um plano para dar fuga a Ângelo Pezzuti, ex-companheiro da organização Colina, que havia sido preso na ex-Colônia Magalhães Pinto, hoje Penitenciária de Neves. Os militares haviam conseguido interceptar bilhetinhos trocados entre Estela (Stela nos bilhetes, codinome de Dilma) e Cabral (Ângelo), contendo inclusive o croqui do mapa do presídio, desenhado à mão.

Reportagem do jornal Estado de Minas que noticiou o julgamento em Juiz de Fora (Dilma aparece no banco dos réus, no alto à direita)  (Reprodução/EM)Reportagem do jornal Estado de Minas que noticiou o julgamento em Juiz de Fora (Dilma aparece no banco dos réus, no alto à direita)

Seja por discrição ou por precaução, Dilma sempre evitou falar sobre a tortura. Não consta o depoimento dela nos arquivos do grupo Tortura Nunca Mais, nem no livro Mulheres que foram à luta armada, de Luiz Maklouf, de 1998. Só mais tarde, em 2003, ele conseguiria que Dilma contasse detalhes sobre a tortura que sofrera nas prisões do Rio e de São Paulo. Em 2005, trechos da entrevista foram publicados. Naquela época, a então ministra acabava de ser indicada para ocupar a Casa Civil.

O relato pessoal de Dilma, que agora se torna público, é anterior a isso. Data de 25 de outubro de 2001, quando ela ainda era secretária das Minas e Energia no Rio Grande do Sul, filiada ao PDT e nem sonhava em ocupar a cadeira da Presidência da República. Diante do jovem filósofo Robson Sávio, que atuava na coordenação da Comissão Estadual de Indenização às Vítimas de Tortura (Ceivt) do Conedh-MG, sem remuneração, Dilma revelou pormenores das sessões de humilhação sofridas em Minas. “O estresse é feroz, inimaginável. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente pelo resto da vida”, disse.

Humilde Apesar de ser ainda apenas a secretária das Minas e Energia, a postura de Dilma impressionou Robson: “A secretária tinha fama de durona. Ela já chegou ao corredor com um jeito impositivo, firme, muito decidida. À medida que foi contando os fatos no seu depoimento, ela foi se emocionando. Nós interrompemos o depoimento e ela deixou a sala com uma postura diferente em relação ao momento em que entrou. Saiu cabisbaixa”, conta ele, que teve três dias de prazo para colher sete depoimentos na capital gaúcha. Na avaliação de Robson, Dilma teve uma postura humilde para a época ao concordar em prestar depoimento perante a comissão. “Com ou sem o depoimento dela, a comissão iria aprovar a indenização de qualquer jeito, porque já tinha provas suficientes. Mas a gente insistia em colher os testemunhos, pois tinha a noção de estar fazendo algo histórico”, afirma o filósofo.

Correio Braziliense