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Solanense Luís Henrique, filho de Ronaldo estreia no Botafogo-RJ e vira destaque no jogo contra Atlético no Mineirão

O Botafogo mais uma vez foi presa fácil no Campeonato Brasileiro. Chegou à 21ª derrota – são 13 no returno – com os 2 a 0 sofridos diante do Atlético-MG. Um rápido exemplo da fragilidade alvinegra é a discrepância no número de finalizações: 28 a 13 para o Galo.

Enfim, nova partida ruim, a maioria das apostas não deu certo, substituições erradas, e os experientes também não corresponderam. De positivo só o garoto Luis Henrique, que substituiu Valencia no segundo tempo.

Luis Henrique foi o melhor jogador do Botafogo contra o Galo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Luis Henrique foi o melhor jogador do Botafogo contra o Galo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

O Alvinegro é o penúltimo colocado do returno. Perdeu 13 vezes, marcou apenas 12 gols em 18 jogos e só pontuou mais do que o Avaí: 15 a 6. Uma reta final incompatível com o apoio irrestrito que a torcida tem dado no Nilton Santos.

Ao lado do CSA, Botafogo é o segundo time com mais derrotas no Brasileirão 2019. São 21, sendo superado apenas pelo Avaí, que soma 23.

Primeiro tempo: início positivo, fim melancólico

O Botafogo começou relativamente bem, chegou a ter 60% de posse de bola, mas repetiu o problema crônico da equipe: criação zero. Sorte que o Galo pouco levava perigo também, mas começava a gostar do jogo.

Os donos da casa tinham em Otero sua figura mais perigosa. Deu dois chutes perigosos na etapa. No segundo, Gatito voou e colocou para escanteio. Na sequência, o Botafogo saía para o contra-ataque, e Rhuan tomou a pior das decisões. Tocou a bola no vazio, Guga disparou e entregou a Cazares, que cruzou para Jair abrir o placar.

Após o gol, o Botafogo já tinha a cara do time que fez péssimo returno. Acuado, pressionado e mais perto de sofrer o segundo do que fazer o primeiro. Foi para o intervalo com apenas 1 a 0 de desvantagem. No lucro.

Segundo tempo: Luís Henrique se escala para pegar o Ceará

No segundo tempo, o Galo foi melhor de novo e não fez muita força para fechar o placar. Bem superior. De interessante mesmo pelo lado botafoguense só a entrada do garoto Luis Henrique.

O paraibano de 17 anos, que completa 18 no próximo dia 14, mostrou força e personalidade. Em seu primeiro lance, saiu arrastando o adversário em direção ao gol e acabou parado com falta. Natural de Solânea, Luis Henrique é filho do ex-jogador do vila Branca Ronaldo e atualmente dono da Escolinha do Ronaldo.

Se Rhuan, outra esperança da base alvinegra, esteve muito apagado, Luis foi para cima. Finalizou duas vezes, primeiro pelo lado esquerdo e depois, no fim da partida, em ótima jogada individual pela ponta direita. Além disso, lutou, deu opção e buscou o jogo o tempo todo.

Luis Henrique vai para cima de Igor Rabello após passar por José Welison — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Luis Henrique vai para cima de Igor Rabello após passar por José Welison — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Além das boas participações do jovem, destaque apenas para uma finalização de Cícero que tirou casquinha da trave. Completou bom cruzamento de Luiz Fernando com chute seco, mas não teve sucesso.

A animadora atuação de Luis Henrique fez Alberto Valentim confirmá-lo como titular para o jogo contra o Ceará, domingo, às 16h, no Nilton Santos.

– Sempre falo que preciso, no fim de temporada, sem tempo de recuperação, ver quais jogadores estão bem fisicamente. Gostei muito do Luis Henrique durante o jogo. Garoto que entrou bem. Vai ter oportunidade para jogar essa partida. As outras duas vagas vamos estudar direitinho – disse o treinador.

O segundo gol atleticano deu-se aos 23 minutos. E que facilidade! Igor Rabello, Jair e Otero trocaram passes com muito espaço até Guga invadir a área. Na sequência, Marcinho e Marcelo bateram cabeça, e Luiz Fernando e Cícero não se entenderam na saída de bola.

Resultado: o Galo se reorganizou, e Jair, totalmente livre, cruzou. Luan também teve muita tranquilidade para passar nas costas de Lucas Barros e marcar.

Titulares tomam cartões evitáveis e não fazem a diferença

Cícero, de 35 anos, nem jogou tão mal. Manteve o hábito de acertar a maioria dos passes tentados (errou três de 35), foi o autor da finalização mais perigosa do time na partida, mas levou cartão amarelo evitável. Chegou duro demais em Luan, por baixo e por cima em jogada que ainda não era tão promissora.

Jogadores "pendurados" do Botafogo recebe cartão amarelo

Jogadores “pendurados” do Botafogo recebe cartão amarelo

Diego Souza, de 34 e menos participativo do que o volante, levou cartão amarelo após desentendimentos na área atleticana. Isso aos 43 minutos do segundo tempo, quando o jogo já estava resolvido. Pisou na bola.

Luiz Fernando, de 23 e bem mais novo que os outros dois, foi amarelado por cotovelada em Jair. É jovem, mas, diante de um elenco desmantelado no início da temporada, já é um dos mais cascudos.

Léo Valencia não tomou amarelo, mas também não aproveitou a chance dada por Alberto Valentim. Foi discretíssimo em campo e o líder em erros de passes no jogo (cinco).

FN com GE

 

Sucesso da Copa faz Ronaldo mudar discurso

copaAos poucos, um a um, os críticos da Copa do Mundo estão recuando de suas previsões pessimistas sobre o evento iniciado no Brasil há duas semanas – e que já revela um sucesso. Nesta quinta-feira (26), foi a vez do ex-jogador Ronaldo Nazário tentar remendar o que disse há um mês, quando se declarou “envergonhado” com os atrasos no Mundial.

Em entrevista coletiva organizada pela Fifa e pelo Comitê Organizador Local (COL), ele argumentou que suas críticas anteriores estavam dirigidas apenas a obras de mobilidade urbana. “Não critiquei a organização da Copa, até porque eu faço parte dela. Disse que poderia ser muito melhor se todas as obras, de mobilidade urbana, tivessem sido entregues. A minha crítica foi naquele momento sobre as obras que foram prometidas e não entregues”, disse.

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Desde que declarou apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência, Ronaldo passou a atacar constantemente o governo Dilma em relação ao Mundial. “E de repente chega aqui é essa burocracia toda, uma confusão, um disse me disse, são os atrasos. É uma pena. Eu me sinto envergonhado, porque é o meu país, o país que eu amo, e a gente não podia estar passando essa imagem para fora”, disse o ex-jogador à agência Reuters, no dia 23 de maio.

Com a Copa já em andamento, Ronaldo disse nesta quinta-feira ter ficado surpreso com a forma como a população brasileira acabou recebendo a Copa. “A população mais uma vez nos surpreendeu positivamente. Vivíamos um clima muito tenso, com a população muito descontente. Começou a Copa, e agora estamos vivendo um sonho. Nenhum de nós pensava que poderia ter esse clima tão amistoso”, afirmou.

 

brasil247

Miss Bumbum tira a roupa para Cristiano Ronaldo e Neymar

Representante de Portugal no Miss Bumbum, Marianne Ranieri posou nua em homenagem a Cristiano Ronaldo e disse que também quer Neymar. “Quero tirar a concentração do Cristiano Ronaldo e massagear o ego do Neymar caso o Brasil seja campeão”, disse a loira.

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A gata também disse que irá ‘causar’ nos jogos da seleção brasileira.

Marianne terá ensaio nu publicado na revista Sexy de junho.

Rede TV

Após receber convite para ser vice, Ronaldo Fenômeno entrará na campanha de Aécio Neves após Copa

Aécio Neves e Ronaldo Nazário em foto postada no Instagram
Aécio Neves e Ronaldo Nazário em foto postada no Instagram

Integrante do Comitê Organizador Local (COL)  da Copa do Mundo, o ex-jogador Ronaldo  provocou a ira do governo na semana passada,  ao afirmar que se sente “envergonhado” com os  problemas que o país enfrenta para concluir as obras necessária para a competição. A presidente Dilma Rousseff (PT) e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B), apressaram-se em rebater as declarações – classificadas como ‘um jute contra o próprio gol’ pelo ministro. Agora, outra entrevista de Ronaldo promete causar burburinho no Planalto: o ex-jogador afirmou ao jornal Valor Econômico que votará no tucano Aécio Neves (PSDB) nas eleições de outubro. E disse que uma participação na campanha do senador mineiro à Presidência não está descartada. Em 2012, ele já havia recebido convite do próprio Aécio Neves para compor a chapa como vice.

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Ronaldo afirmou que mantém uma relação de amizade com o pré-candidato do PSDB há pelo menos quinze anos. Questionado sobre em quem votaria, o ex-jogador da seleção brasileira afirmou que seu voto irá para Aécio. Ele falou ainda da relação com a presidente Dilma: “Conheci a presidente, tenho uma ótima relação com ela. Mas minha amizade com Aécio tem quinze anos. Ele foi o único cara que eu apoiei publicamente. Sempre tivemos uma amizade muito forte e agora vou apoiá-lo. É meu amigo, confio nele”, afirmou.

Sobre a possibilidade de filiar-se ao PSDB, partido do amigo, Ronaldo descarta. “Não sou filiado a nenhum partido, não tenho pretensão de entrar para a política. Voto declarado, mesmo, só no Aécio”. Ronaldo confirmou ainda sua participação na campanha do candidato tucano. “Alguma coisa [vou fazer], sim. Justamente num momento em que vai acabar a Copa do Mundo e eu precisava de umas férias. Foram dois anos de luta e batalha para esta Copa. Mas vou fazer”, afirmou o ex-jogador.

Apoio

Mês passado, Ronaldo publicou imagem no Twitter e no Instagram em que está acompanhando a partida entre Cerro Porteño e Cruzeiro, pela Copa Libertadores, com o mineiro Aécio Neves, que pode ser o candidato do PSDB nas eleições. “Futuro presidente do Brasil”, escreveu o ex-camisa 9. “Deixando de ver o Timão por causa do meu grande amigo e futuro presidente do Brasil @aecionevesoficial que hoje como visita eu deixei ele escolher assistir o Cruzeiro! Vamos Timão e vamos Cruzeiro!”, disse Ronaldo no Instagram.

Veja e Terra

Após ataque de governista, Vital do Rêgo defende legado de Ronaldo

cassio e vitalUm dia depois de o deputado governista Tião Gomes (PSL) atacar os legados dos governos Ronaldo e Cássio Cunha Lima (PSDB), o senador Vital do Rêgo (PMDB) postou mensagem no twitter neste sábado (8) que pode ser interpretada como solidariedade ao clã Cunha Lima e até senha para, quem sabe, a especulada aliança entre os grupos e o PSDB e PMDB na eleição deste ano na Paraíba.

Na tuitada, Vital foi categórico: “Há memórias que, pela sua história, são inatacáveis. Verdadeiros patrimônios que honram a Paraíba”. Logo abaixo das frases, uma fotografia de Vital do Rêgo e Ronaldo Cunha Lima, pais de Vitalzinho e Cássio, respectivamente.

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Cassistas ouvidos pelo MaisPB entenderam a postagem como uma senha, inconfundível, para uma provável chapa a ser formada no futuro. Cássio governador e Veneziano Vital, ex-prefeito de Campina Grande, para o Senado.

Nos bastidores, são cada vez mais crescentes os burburinhos e conversações em torno de uma aliança entre PSDB e PMDB na Paraíba, em caso da confirmação de rompimento de Cássio com o governador Ricardo Coutinho (PMDB).

Setores do PMDB defendem internamente a aliança já no primeiro turno. Entre eles, os deputados Manoel Júnior e Trócolli Júnior.

Ataque – Essa semana, em entrevista nas rádios de João Pessoa, o deputado governista Tião Gomes (PSL) espinafrou as gestões de Ronaldo Cunha Lima e Cássio Cunha Lima (PSDB), pai e filho, para quem as duas não têm o que mostrar, diferente dos resultados da administração do governador Ricardo Coutinho. Tião sugeriu o comparativo e foi além na crítica a Cássio: “Ele só sabe abraçar e dar cheirinho”,

MaisPB

Atuação de Ronaldo como comentarista é criticada por Jô Soares e colunista da “Folha”

Na última segunda-feira (24/6), o ex-jogador Tostão, campeão do Mundo em 1970, utilizou sua coluna na Folha de S.Paulo para criticar Ronaldo como comentarista. Nesta semana, o Fenômeno também foi criticado por Jô Soares.
Crédito:Divulgação
Apresentador e colunista não gostam de Ronaldo como comentarista
“Dos comentaristas, pelos conhecimentos técnicos e táticos e pelo senso crítico, prefiro os da ESPN Brasil, que não transmitem os jogos da Copa das Confederações. Ronaldo e Casagrande, da TV Globo, não dizem nada mais que o óbvio”, escreveu o colunista.

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Quando entrevistava outro ex-jogador, Carlos Alberto Torres, Jô Soares também condenou declarações de Ronaldo. “Eu tinha que te perguntar sobre seu posicionamento em relação à Copa e também… lamentar as declarações de craques, como Ronaldo, que tão falando o que não devem e falando na hora errada.”
Segundo o Yahoo!, a crítica do apresentador faria referência ao vídeo no qual Ronaldo aparece dizendo que “Copa do Mundo não se faz com hospitais”, uma declaração de 2011.
Portal IMPRENSA

Ramalho Leite – Ronaldo e o Sacerdócio

Ouvi no programa eleitoral de  um candidato a prefeito  que ele ” fazia da política um sacerdócio, não um balcão de negócio”. A frase foi citada sem atribuir a autoria ao poeta Ronaldo Cunha Lima, que nos deixou recentemente. O plágio e a falta de ética me incomodaram. O fato me fez lembrar que devia aos poucos leitores meu depoimento sobre a convivência com o poeta. Havia sem duvida uma afinidade entre nós, explicitada certa feita pelo filho Cássio: o seu estilo se aproxima mais de Ronaldo que de mim.

Quando prefeito de Campina e nas suas vindas à Capital, era eu um dos seus companheiros de tertúlias poéticas e noitadas intermináveis no Elite Bar. Seu cunhado Ernani Moura era meu vizinho e de  repente, entravam os dois pelo meu terraço:

– Ramalhinho, vamos cumprir nossas obrigações alcoólicas… Era  o poeta me apressando, pois, na praia, já nos aguardavam Jório Machado, Edvaldo Motta e Orlando Almeida.

Como sempre, o papo era mil vezes superior às doses ingeridas. O encontro valia pela conversa, a revisão política dos fatos e os projetos futuros que todos nós haveríamos de nos engajar. Fui com Humberto Lucena e estive presente à famosa reunião no quarto de Raymundo Asfóra, quando o jovem Cássio transmitiu a decisão de Ronaldo de permanecer até o final do seu mandato, prefeito de Campina. Foi o Dia do Fico de Ronaldo e do nascimento de Raymundo Lira, que tomaria seu lugar na chapa de Senador.

No segundo turno da sua eleição para Governador, comemorava o meu aniversário quando entra Ronaldo e sua alegria, Ernany à tira colo. Já foi recebido com as suas musicas de campanha Ajudei-o na vitória em todos os municípios onde tinha influencia.  O destino nos afastou por um  tempo.Nos reencontramos e reatamos a velha e adormecida afeição. Tive o prazer de contribuir para a sua eleição de deputado federal, a ultima que disputaria, para completar todos os diplomas que a justiça eleitoral pode conceder ao cidadão, no seu Estado.

Sem dúvida que a política para Ronaldo era um sacerdócio. Para ele, valia muito mais as amizades do que os votos. Milhares não votavam nele, mas lhe devotavam sentimento de admiração e apreço. Esse sacerdócio, exercício de poucos políticos neste País patrimonialista, deve ter tornado Ronaldo um homem rico de afeto, porém, sem bens a transmitir. Está entre os poucos políticos que não têm inventário a fazer. Quando muito, seus bens merecem um arrolamento.

Para Ronaldo Cunha Lima, o “faço política como sacerdócio e não como balcão de negócio”, não era apenas uma rima, mas um mandamento da vida pública.

RAMALHO LEITE

O texto é de inteira responsabilidade do assinante

Ricardo decreta luto oficial de três dias pelo falecimento de Ronaldo

O governador Ricardo Coutinho decretou luto oficial de três dias pelo falecimento do ex-governador Ronaldo Cunha Lima, ocorrido na manhã deste sábado (7), em João Pessoa. O decreto de nº 33.093 lembra que as homenagens fazem jus ao “elevado caráter, dedicação, honradez, bom amigo, bom pai e, sobretudo, pelos relevantes serviços prestados ao Estado”.

O decreto determina que os funerais de Ronaldo Cunha Lima sigam mesmo ritual destinado aos chefes de Estado. “Os pavilhões nacional e estadual devem ser hasteados à meia-verga, em todos os estabelecimentos públicos estaduais”, conclui o texto.

Redação iParaíba com Secom/PB

Ronaldo Cunha Lima: poeta, político, homem do povo




O poeta e político Ronaldo Cunha Lima nasceu na cidade de Guarabira, em 18 de março de 1936, mas ainda jovem mudou-se com a família para Campina Grande. Com a morte do pai, Demóstenes, para ajudar a mãe, dona Nenzinha, no sustento da casa e para custear os estudos, vendeu jornais, foi garçom e trabalhou em cartório.

Ronaldo formou-se em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mas desde cedo a vocação para a política passou a marcar sua trajetória. Fez parte do Centro Estudantil Campinense, um verdadeiro celeiro de líderes políticos, sendo, inclusive, vice-presidente da entidade.

Disputou sua primeira eleição em 1959, com 23 anos, elegendo-se vereador pelo PTB, com 952 votos. Três anos depois (1962), foi eleito deputado estadual, somando 3.796 sufrágios, dos quais 2.057 oriundos das urnas de Campina Grande. Em 1968, aos 32 anos, chegaria à Prefeitura de Campina Grande, uma história interrompida.

A partir de 31 de março de 1964, o Brasil passou a ser comandado pelo regime militar, cujas mudanças políticas acabaram por atingir Campina Grande, com o afastamento do então prefeito Newton Rique, que, além de perder o mandato conquistado no ano anterior, teve os direitos políticos cassados por dez anos.

Amigo de Rique, Ronaldo certamente não imaginava que, cinco anos depois, enfrentaria o mesmo destino. Mesmo sem ser o mais votado para a Prefeitura em 1968, Cunha Lima venceu, beneficiando-se da nova legislação, outorgada pelos militares, que instituiu o sistema da sublegenda. As eleições aconteceram em 15 de novembro.

Prefeito eleito, prefeito cassado

Na votação direta, Severino Cabral, da Arena I, teve mais sufrágios: 17.568. A Arena II, com Plínio Lemos, que poderia ter balançado a disputa em favor de Cabral, obteve apenas 635 votos. E a Arena III, de Stênio Lopes, teve ainda pior desempenho, com 241 sufrágios. Na soma, a Arena, onde praticamente só o “Pé de Chumbo” teve votos, totalizou 18.444 sufrágios. Com isso, o partido ficou atrás do MDB, que somou 22.156 votos: 13.429 de Ronaldo Cunha Lima, 312 de Osmar Aquino e 8.415 de Vital do Rêgo.

Candidato mais votado do partido que obteve a maior votação, Ronaldo elegeu-se. Venceu de acordo com as regras do jogo. Mas, se a norma casuística da Ditadura Militar ajudou a vencer, o arbítrio acabaria levando a uma virada de mesa.

Ronaldo e seu vice, Orlando Almeida, tomaram posse no dia 31 de janeiro de 1969. Menos de dois meses depois, em 14 de março, por efeito do famigerado Ato Institucional nº 5 (AI-5), decretado no dia anterior, assim como acontecera com Newton Rique, Ronaldo também teve o mandato cassado, com suspensão dos direitos políticos por dez anos. Seu vice assumiu, mas também acabou afastado, ficando Campina nas mãos de um interventor, Manoel Paz de Lima.

Do mesmo modo que Newton Rique, Ronaldo Cunha Lima também deixou Campina Grande. Mas, ao contrário do amigo rico, o poeta-político, casado com Maria da Glória Rodrigues da Cunha Lima, penou para sustentar a prole de quatro filhos – Ronaldo, Cássio, Glauce e Savigny Cunha Lima – fora da Rainha da Borborema, ainda mais com os direitos políticos suspensos – o que o impediu de assumir cargo público.

Inicialmente, Ronaldo transferiu-se para São Paulo e, em seguida, para o Rio de Janeiro, exercendo a advocacia. Nunca desligou-se, todavia, de Campina Grande. Segundo relato do filho, o hoje senador Cássio Cunha Lima, acompanhava os acontecimentos da cidade através das páginas do agora extinto Diário da Borborema, até que, nos estertores do regime militar, após a anistia, regressou à Paraíba e voltou a disputar a Prefeitura campinense.

1982: O retorno triunfal nos braços do povo

Convocado por amigos para voltar às disputas políticas, Ronaldo Cunha Lima deixou o Rio de Janeiro, em 1982, e retornou à Rainha da Borborema. A volta triunfal ficou eternizada nos versos de uma quadrinha: “Volto à minha Campina / No templo e no Evangelho! / E ao entrar nesta cidade / Afoguei minhas saudades / Nas águas do Açude Velho”.

Em sua nova disputa pela Prefeitura, Ronaldo não precisou se valer, como em 1968, da sublegenda, para reconquistar a Prefeitura. O sistema era o mesmo, mas o bipartidarismo havia sido rompido. Indiferente a esses aspectos, Ronaldo atropelou todos os adversários, e venceu com larga vantagem.

Candidato pelo PMDB I, Ronaldo somou 40.679 votos, o equivalente a 56,33%. Vital do Rêgo (PSD I) obteve 28.625 sufrágios, ou 39,64%. A votação dos demais candidatos foi minúscula. Passados 13 anos desde a cassação pelo regime militar, Ronaldo voltava ao cargo que lhe fora usurpado pelo arbítrio.

Tal pai, tal filho

Ronaldo cumpriu mandato de seis anos. Em 1986, elegeu o filho Cássio, então com 23 anos, deputado federal constituinte. E, beneficiando-se pelas disposições transitórias da nova Carta Magna, fez do jovem deputado seu sucessor no comando do executivo municipal campinense, vencendo na disputa o ex-prefeito Enivaldo Ribeiro.

O jingle da campanha de Cássio expressava o sentimento e a estratégia de marketing daquele momento: “Plantar o grão / Pra colher o milho / Depois do pai / Sempre vem o filho / Continuar por amor é a sina / Francisco Lira, Cássio Cunha Lima”. O sucesso em 1982, coroado com a vitória do filho em 1988 e o poderio do PMDB estadual, somados, pavimentaram o caminho para a corrida pelo Palácio da Redenção, em 1990.

Seria a primeira eleição direta para governador, a ser decidida no segundo turno. E a nova regra permitiu que Ronaldo Cunha Lima derrotasse o ex-governador Wilson Braga (PDT), que venceu o primeiro turno, com 498.763 votos, contra 462.562 do peemedebista. Também estiveram no primeiro tempo da refrega outros candidatos: João Agripino (PDS) – 137.487 sufrágios; Genival Veloso de França – 44.719; Juracy Palhano – 6.494.

No segundo turno, Cunha Lima reverteu a vantagem de Wilson Braga, vencendo com ampla vantagem: 704.375 sufrágios a 571.802 (diferença de mais de 132 mil votos). No balanço entre as duas principais cidades do Estado, enquanto em João Pessoa a diferença pró-Braga caiu para menos de 24 mil sufrágios, em Campina Grande Ronaldo ampliou sua margem para quase 85 mil votos.

Ronaldo governou a Paraíba de 15 de março de 1991 a 2 de abril de 1994, quando renunciou ao mandato, entregando o cargo ao vice-governador, Cícero Lucena, para se eleger senador.

Um poeta de alma e verso

Ex-vereador, ex-deputado, ex-prefeito, ex-governador e ex-senador, Ronaldo Cunha Lima sempre gostou de ser tratado por um título bem mais singelo: poeta. É assim que os próprios filhos o chamavam. Tem diversos livros publicados e sua obra transita entre o estilo clássico, preponderante, marcadamente romântico, ao popular típico do Nordeste. Essa veia, inclusive, sempre esteve presente em suas ações como gestor público. Quando governador, fez imprimir na contracapa dos livros distribuídos nas escolas públicas duas quadrinhas:

No livro que você lê

Se aprender bem direitinho

Cada página é um caminho

Que se abre pra você.

Se for muito bem usado

O livro que a escola deu

De certo, será usado

Por outro colega seu.

Responsável pela construção da marca “Maior São João do Mundo”, ao inaugurar o Parque do Povo, em 1986, fez constar na placa inaugural mais uma quadra:

Que este meu gesto marque

O nascer de um tempo novo

O povo pediu o parque

Eu fiz o Parque do Povo.

Outra paixão de Ronaldo Cunha Lima era o poeta Augusto dos Anjos. Dominando a história e a obra do autor do Eu, Ronaldo participou do programa “Sem Limites”, na extinta TV Manchete. Durante semanas, encantou o apresentador e o público, respondendo todas as perguntas sobre Augusto dos Anjos, algumas vezes com versos improvisados, e venceu o programa.

Nas urnas, Ronaldo Cunha Lima jamais conheceu derrota. Amargou a cassação pelo regime militar, o revés na convenção peemedebista de 1998 e a cassação do filho pela Justiça, em 2009 – talvez sua maior tristeza. Mas, malquisto por alguns e adorado por muitos, sempre foi agraciado pelo concurso do apoio popular. Encontrou em Campina Grande seu porto seguro, seu lugar forte. Entra agora para a história como um dos maiores líderes políticos da Paraíba. Com todas as marcas que caracterizam os grandes líderes, inclusive as contradições.

Ronaldo não fugiu à tradição oligárquica que marca os grandes nomes da política paraibana e, em seu meio, soube impor sua vontade. Mas, de qualquer forma, nesse jogo da real democracia brasileira, sempre recebeu a chancela popular – e, nesse sistema, o povo é o maior juiz. Foi um homem do seu tempo. No entanto, conseguiu ser, ao mesmo tempo, um intelectual respeitado nos altos círculos e um gênio popular, transitando poética, política e humanamente entre nobres e plebeus com igual desenvoltura, com a mesma identificação.

O julgamento da istória, que inevitavelmente perscruta todos os homens públicos, de todos os tempos, precisará analisar Ronaldo Cunha Lima pelos inúmeros aspectos, tantas vezes controversos, que marcam a sua personalidade. Sem o ardor messiânico dos apaixonados nem a má vontade inexorável dos críticos, não será um trabalho simples, porque Ronaldo nem de longe foi uma figura simplória, ao contrário de tantos homens públicos.

Aliás, essa é uma das marcas de Ronaldo que não podem ser negadas: ele não foi político por acaso, ele não foi um grande líder por acidente de percurso, ele jamais foi uma personalidade irrelevante no cenário paraibano, nem no seu alvorecer político, nem no seu ocaso. Sem padrinhos poderosos, sem berço de ouro, Ronaldo tornou-se o patriarca de uma família hoje de elite na política estadual. Ele escreveu, com versos e brilho a própria história, a poesia tipicamente humana da sua própria existência.

Secom

Estado de saúde de Ronaldo piora e familiares e amigos fazem vigília na casa do poeta

O ex-governador da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima, apresentou uma piora na noite desta sexta (6) e os familiares e amigos estão apreensivos e em vigília na casa do poeta permanentemente.

No twitter, Ronaldinho Cunha Lima, filho do poeta, comentou que passou momentos difíceis na madrugada, ‘de muita dor’.

Ronaldinho twitou: ‘Noite escura que parece não ter fim. Meu Deus’ , Após a noite em claro, Ronaldinho comentou: ‘O dia clareou, mas não consigo enxergar a luz. Em Deus e nas milhares e milhares de manifestações de solidariedade eu me apego. Muita dor”.

Há pouco, o filho do poeta comentou que familiares e amigos chegam constantemente à casa do poeta. “Familiares a amigos mais próximos se amontoam em cadeiras e sofás aqui na casa do poeta numa vigília q comove e conforta. Momentos difíceis

A noite, Ronaldinho já havia alertado para a piora do estado de saúde do poeta: “Ao lado do Poeta, que infelizmente a noite apresentou uma piora. Uma sedação leve a matem dormindo agora. Estamos todos em oração”, apontou.

 

Marília Domingues