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Religião é a instituição de maior credibilidade perante os paraibanos, aponta pesquisa

religiaoA pesquisa Opinião/Sistema Arapuan divulgada na última segunda-feira (05), mostra que a Igreja (religião) é a instituição com maior credibilidade junto os paraibanos com um percentual de 58,1%.  Em segundo vem a Polícia Federal com 55,2% de aprovação.

Com 39,1% de aprovação, as Forças Armadas estão em terceiro lugar no quesito confiança. Em quarto lugar os paraibanos escolheram o Poder Judiciário com 32,4% e em quinto lugar estão os Meios de Comunicação com uma aprovação de 27,0%.

A pesquisa Opinião/Sistema Arapuan foi realizada com eleitores a partir de 16 anos entre os dias 26 e 27 de setembro de 2015. Ao todo, foram mais de 800 entrevistas em quarenta bairros da capital paraibana. O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

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Paulo Cosme

Projeto de lei prevê multa de até R$ 270 mil para quem ridicularizar religião

 (Foto: REUTERS/Joao Castellano )
(Foto: REUTERS/Joao Castellano )

A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) vota nesta quarta-feira (19), em regime de urgência, projeto de lei do deputado Fábio Silva (PMDB) que prevê multa de até R$ 270 mil para quem ridicularizar qualquer aspecto religioso. O projeto de lei 540/2015, em seu artigo 1º, diz que “Fica proibido em todo território do Estado do Rio de Janeiro, durante manifestações públicas, sociais, culturais e/ou de gênero, a satirização, ridicularização e/ou toda e qualquer outra forma de menosprezar ou vilipendiar dogmas e crenças de toda e qualquer religião.” O deputado Fábio Silva é filho do pastor, empresário e ex-deputado Francisco Silva.

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Segundo o artigo, são entendidas como ofensa à crença alheia condutas como encenações pejorativas, teatrais ou não, que mencionem ou façam menção a atributo e/ou objeto ligado a qualquer religião; distribuição de toda e qualquer forma impressa com imagens ou charges que visem a ridicularizar, satirizar ou menosprezar a crença alheia; vinculação de religião ou crença alheia a imagens e/ou toda e qualquer outra forma de cunho erótico; utilização de todo e qualquer objeto vinculado a qualquer religião ou crença de forma desrespeitosa ao dogma.

Segundo o projeto de lei, caberá à Polícia Militar autuar as infrações. Os valores decorrentes da arrecadação com as multas serão destinados ao reaparelhamento da PM.

“O Brasil é um país pacífico, mas não podemos deixar que a falta de respeito se fomente no nosso país. Discordar da religião alheia é um direito, mas respeitar a fé alheia, mesmo não concordando, é um dever, uma obrigação”, diz o deputado.

Na justificativa para colocar o projeto de lei em votação, o deputado afirma que na segunda-feira 8 de junho, recebeu muitos telefonemas de pastores, amigos e eleitores, chocados com o episódio ocorrido na 19ª Parada do Orgulho LGBT, realizada no dia anterior em São Paulo, em que foi encenada a crucificação de Jesus por um transexual. Segundo o deputado, os telefonemas que recebeu cobravam uma solução para que tal situação não acontece no Estado do Rio.

Nova edição da Charlie Hebdo (Foto: GloboNews)
Edição do jornal satírico Charlie Hebdo após o
atentado que deixou 12 mortos (Foto: GloboNews)

“A 19ª Parada do Orgulho LGBT, realizada em São Paulo, chocou o país como um todo. Não só pela passeata em si, mas pelo desrespeito e intolerância religiosa que ficou evidente na infeliz encenação da crucificação de Jesus por um transexual.  Busquei regulamentar via legislação estadual tal fato, de forma que todos, concordando ou não com a crença alheia, obrigatoriamente se respeitassem. Daí surgiu a ideia de fomentar no Estado do Rio, mesmo que através de sanções, o respeito e a tolerância religiosa”, explicou.

Fábio Silva lembrou ainda o atentado ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, em janeiro.

“O insulto à crença de um povo motivou esse absurdo, que foi a morte de 12 pessoas”, ressaltou o deputado.

Delegacia especializada
Na terça-feira (18), em audiência pública na Alerj, foi apresentado relatório do Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (Ceplir), ligado à Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, que informa que em dois anos e meio quase mil denúncias de casos de intolerância religiosa foram registradas.

O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, deputado Marcelo Freixo (PSOL), informou que vai pedir ao presidente da Casa, deputado Jorge Picciani (PMDB), a implantação da Lei 5.931/11, que criou a Delegacia de Combate aos Crimes Raciais e Intolerância.

Já o presidente da Comissão de Combate às Discriminações e ao Preconceito da Alerj, e autor da lei de 2011 que cria a delegacia especializada, o deputado Átila Nunes (PSL), afirmou que quase todo mês um ou dois casos de intolerância são registrados.

“Temos um pequeno estado islâmico encravado no Rio de Janeiro”, disse.

Segundo o presidente da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), Ivanir dos Santos, até janeiro de 2016 a comissão vai finalizar um relatório, com o objetivo de fazer uma denúncia internacional.

Agressão
Na noite do domingo, 14 de junho, a jovem Kayllane Campos, de 11 anos, foi atingida por uma pedra na Avenida Meriti, na Vila da Penha, Zona Norte do Rio, quando voltava de um culto de candomblé.

O caso foi registrado como lesão corporal e no artigo 20, da Lei 7716 (praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional).

No fim daquele mês, a menina foi recebida na sede da OAB pelo ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Pepe Vargas, no Centro do Rio.aa fez um pedido pela ação do poder público. Com mais de 35 mil assinaturas, o documento pede uma campanha para promover a liberdade religiosa.

G1

Justiça Federal define que cultos afro-brasileiros, como a umbanda e candomblé, não são religião

candombleA Justiça Federal no Rio de Janeiro emitiu uma sentença na qual considera que os cultos afro-brasileiros não constituem religião e que “manifestações religiosas não contêm traços necessários de uma religião”.

A definição aconteceu em resposta a uma ação do Ministério Público Federal (MPF) que pedia a retirada de vídeos de cultos evangélicos que foram considerados intolerantes e discriminatórios contra as práticas religiosas de matriz africana do YouTube.

 

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O juiz responsável entendeu que, para uma crença ser considerada religião, é preciso seguir um texto base – como a Bíblia Sagrada, Torá, ou o Alcorão, por exemplo – e ter uma estrutura hierárquica, além de um deus a ser venerado.

A ação do MPF visava a retirada dos vídeos por considerar que o material continha apologia, incitação, disseminação de discursos de ódio, preconceito, intolerância e discriminação contra os praticantes de umbanda, candomblé e outras religiões afro-brasileiras. “Para se ter uma ideia dos conteúdos, em um dos vídeos, um pastor diz aos presentes que eles podem fechar os terreiros de macumba do bairro”, disse o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jaime Mitropoulos.

De acordo com o site Justiça em Foco, o MPF vai recorrer da decisão em primeira instância da Justiça Federal para continuar tentando remover os vídeos da plataforma de streaming do Google.

“A decisão causa perplexidade, pois ao invés de conceder a tutela jurisdicional pretendida, optou-se pela definição do que seria religião, negando os diversos diplomas internacionais que tratam da matéria (Pacto Internacional Sobre os Direitos Civis e Políticos, Pacto de São José da Costa Rica, etc.), a Constituição Federal, bem como a Lei 12.288/10. Além disso, o ato nega a história e os fatos sociais acerca da existência das religiões e das perseguições que elas sofreram ao longo da história, desconsiderando por completo a noção de que as religiões de matizes africanas estão ancoradas nos princípios da oralidade, temporalidade, senioridade, na ancestralidade, não necessitando de um texto básico para defini-las”, argumentou Mitropoulos.

Geledes

Ex-freira vira especialista em sexo: ‘Celibato não pode ser base de religião’

Quando a irmã Jane Frances de Chantal fugiu do convento em que morava, na Inglaterra, sabia que deixava para trás sua vida religiosa. Ela não imaginava que se tornaria especialista em sexo. Hoje, Fran usa seu sobrenome de casada, Fisher. Atende na Califórnia pacientes com problemas sexuais. A mudança de carreira ocorreu décadas depois de Fran sair do convento, onde viveu entre os 18 e os 20 anos. Ela se casou e teve dois filhos. Diz que só entendeu como a religião limitara seu prazer quando foi estudar sexologia, depois dos 40 anos. Decidiu, então, investigar a vida íntima de outras mulheres que abandonaram o hábito. O resultado está no livro In the name of God, why? (Em nome de Deus, por quê?), lançado nos Estados Unidos no fim de 2012.

EX-NOVIÇA REBELDE A sexóloga Fran Fisher em seu consultório, nos Estados Unidos. Abaixo, uma fotografia de quando ela acabara de entrar no convento (Foto: Christopher Thomond/The Guardian e arq. pessoal)

ÉPOCA – Por que a senhora decidiu entrar para um convento?
Fran Fisher –
Meus pais imigraram da Irlanda para a Inglaterra. Eram católicos fervorosos com pouquíssima educação. A escola em que fiz o ensino médio era católica. As freiras vinham conversar com as alunas, para sondar se alguma tinha interesse em entrar para o convento. Aos 15 anos, me senti atraída por esse estilo de vida. Tinha um interesse pessoal pela espiritualidade e era muito religiosa.

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ÉPOCA – Em seu livro, a senhora relata que, aos 14 anos, acreditou estar grávida. Como esse momento influenciou a decisão de entrar para o convento?
Fran –
Tive um encontro com um rapaz e não houve sexo, apenas preliminares. Não entendia muito bem como a gravidez ocorria. Tive medo de estar grávida e procurei minha mãe. Em vez de me acalmar, pois a gravidez naquele caso seria impossível, ela disse que eu poderia estar grávida. Disse ainda que eu fizera algo muito errado, que Deus desaprovaria. Fiquei apavorada e envergonhada. A partir daquele momento, passei a achar que o sexo arruinaria minha vida. Naquele dia, tornei-me muito mais religiosa.

ÉPOCA – Como era sua relação com a sexualidade enquanto estava no convento? A senhora lidava bem com eventuais desejos físicos?
Fran –
Não tinha nenhum desejo, estava dormente. Num único momento, tive noção de minha sexualidade durante meus anos no convento. Quando nosso padre ficou doente, um substituto passou a vir ao convento para fazer a missa diária. Ele era jovem, e me lembro de sentir atração, mas não fiz nada a respeito. Não se podia discutir nada ligado ao corpo com as outras freiras. Tudo era reprimido.

 

ÉPOCA – A senhora se lembra de algum exemplo de repressão que sofreu?
Fran –
A repressão estava no cotidiano. Por baixo do hábito, usávamos uma anágua feita de algodão bem pesado. Dessa forma, quando estávamos limpando o chão, poderíamos levantar o hábito para não sujá-lo. Lembro uma vez em que estava limpando uma escadaria com meu hábito enrolado na cintura, quando meu padre confessor apareceu inesperadamente. Eu me levantei para saudá-lo e fui repreendida por outra freira por estar com meu hábito levantado. Para ela, eu estava seminua.

ÉPOCA – Por que decidiu abandonar o convento?
Fran –
Por uma série de razões. Tínhamos uma madre superiora paranoica e muito rígida. A pressão me deixou doente. Tive pneumonia duas vezes, perdi peso e sofri muito. O controle mental que nos impunham era muito difícil para mim. As perguntas que eu fazia eram consideradas inaceitáveis por minhas superioras. Lembro uma vez em que perguntei como Maria poderia ser virgem até sua morte, se pariu um filho. A madre superiora ficou chocada. Disse que aquilo era um desrespeito. A gota d’água foi quando minha irmã se casaria e me disseram que eu não poderia ir ao casamento, mesmo que comparecesse somente à cerimônia religiosa, com uma acompanhante. Todo esse dogma e paranoia foram demais para mim. Fugi enquanto todos estavam na missa da manhã.

 

ÉPOCA – Qual é sua relação com a religião hoje em dia? Ainda é católica?
Fran –
Não me considero mais católica. Pessoalmente, não gosto de religiões organizadas. Se você atribui tanto poder a uma organização, ela se torna corrupta. Minha relação com Deus hoje em dia está cada vez mais forte e pura. Mas não é o Deus punitivo da minha infância.

“As freiras que ficaram muito tempo no convento acabaram tendo relações com padres, fiéis
ou com outras freiras”

ÉPOCA – Por que decidiu estudar sexualidade?
Fran –
Quando me interessei por sexualidade, meu casamento já tinha 25 anos. Sua única área problemática era o sexo. Conheci uma sexóloga numa conferência. Fiquei fascinada, porque nunca tinha ouvido falar dessa profissão. Ela sugeriu que eu fosse a um curso. Achei que seria interessante. Fui e fiquei chocada com o que ouvi naquele fim de semana. Jurei que nunca voltaria. Acabei voltando, mesmo com medo, porque a curiosidade foi maior.

ÉPOCA – Quais eram os problemas relacionados ao sexo em seu casamento?
Fran –
Fui educada para ficar de boca fechada e não expressar minha opinião. A raiz disso estava no lugar destinado às mulheres na sociedade em que fui criada e na religião católica. Infelizmente, me casei muito cedo, aos 22 anos, menos de dois anos depois de sair do convento. Não tinha aprendido a ser dona de meus próprios pensamentos com convicção. Depois de ter meus filhos, passei a ter relações só por obrigação. Minha resposta-padrão para qualquer sugestão de inovação sexual era “não”. Quando decidi estudar sexualidade, meu marido ficou animadíssimo. Passei a ser tão curiosa quanto ele, e, no lugar de dizer não, quando ele sugeria alguma coisa, eu pedia para ele me contar mais sobre aquilo.

 

ÉPOCA – Em seu livro, são entrevistadas outras ex-freiras. O que as histórias dessas mulheres têm em comum com a sua?
Fran –
A principal similaridade entre todas era o silêncio sobre o sexo durante a infância. As mulheres que saíram cedo do convento, como eu, se casaram rapidamente. A proibição do sexo antes do casamento ainda era muito forte, então a maioria acabou se casando com o único homem com quem se envolveu, como eu. Aquelas que ficaram muito tempo no convento acabaram tendo vida sexual lá, com padres ou fiéis. Duas das 69 ex-freiras que pesquisei se relacionaram sexualmente com outras freiras. Quando uma freira se envolvia com um padre, havia uma dinâmica de poder, em que a mulher deveria ser subserviente. Uma delas me contou que só ela fazia sexo oral no padre. A contrapartida nunca ocorreu em muitos anos de relação. A exceção foi uma mulher que adorava sexo e estava na faixa dos 50 anos.

ÉPOCA – O perfil das jovens freiras mudou?
Fran –
As freiras continuam vindo de onde sempre vieram, de países muito pobres, onde mulheres veem na Igreja sua única oportunidade de uma boa educação e de escape de uma existência difícil. Na minha infância, uma grande quantidade de freiras católicas vinha da Irlanda. Quando o país entrou para a União Europeia e mudanças econômicas poderosas ocorreram por lá, a vocação religiosa diminuiu. Agora, as noviças quase não existem mais, e os conventos estão fechando.

 

ÉPOCA – O que a senhora acha do celibato?
Fran –
É inconcebível que a Igreja ainda tente basear sua religião numa premissa tão pouco natural quanto o celibato. A maior parte das pessoas gosta muito de sentir prazer, mesmo devotando sua vida a Deus. A ideia de que a Igreja consegue controlar a sexualidade das pessoas acabou gerando reações contrárias. Existem muitos homossexuais em conventos e mosteiros. Se você é muito religioso e gay, para onde mais pode ir?

 

ÉPOCA – A senhora costuma atender em seu consultório pessoas com problemas sexuais ligados à religião?
Fran –
Recebo muitos pacientes justamente por causa do meu histórico. É importante respeitar a crença em Deus, mas separá-la do que foi doutrinado durante a infância. Quando se fala de sexualidade, muitos continuam com os mesmos medos, julgamentos e restrições da infância. Não os superamos só porque nos tornamos adultos. É um aprendizado rever esses conceitos. E um desafio.

 

 

revistaepoca

Padre espanhol casado e anti-celibato briga na Justiça para voltar a dar aula de religião

O padre espanhol José Antonio Fernández Martínez, de 76 anos, é casado e tem cinco filhos. Nasceu e vive em Cieza, uma vila de 35 mil habitantes na região de Murcia, onde também ministrava, desde 1991, aulas de religião e ética em uma escola pública secundária.

Em novembro de 1996, o jornal regional La Verdad publicou uma foto de Martínez na assembleia do Movimento Pró-Celibato Opcional. Seus membros se diziam também pró-aborto. O padre perdeu o emprego.

Desde então, Martínez briga na Justiça para voltar a dar aulas em escola pública. Seu caso foi parar na Corte Europeia de Direitos Humanos, que analisa nesta quarta-feira (30/01), mais de 15 anos depois da demissão, sua última tentativa de retornar às classes por via legal. O padre afirma, com base no Artigo 8 da Convenção Europeia de Direitos Humanos, que não teve respeitados seu direito à vida privada e familiar e que foi discriminado por ser casado e ter vários filhos.

Segundo a Corte, Martínez foi ordenado padre em 1961 e, em 1984, pediu ao Vaticano dispensa do celibato, o que conseguiu em 1997. Mesmo antes disso, ainda em 1985, ele se casou no civil. “Meu nome é Fernández Martínez e eu sou um padre casado”, dizia ele aos alunos no primeiro dia de aula, de acordo com reportagem do jornal El País. “Eu me apaixonei”, contou, sobre sua mulher.

A diocese de Cartagena, que sabia do casamento de Martínez, retirou sua Declaração Eclesiástica de Idoneidade – documento necessário para ministrar aulas de religião – logo em seguida à publicação da reportagem sobre sua presença na assembleia do Movimento Pró Celibato Opcional. O padre estava acompanhado da mulher e dos cinco filhos. “Você acredita que passamos 15 anos demonstrando que ir a uma reunião do movimento pelo celibato opcional não é crime? Eu estou assombrado”, disse ao jornal.

A epopeia de Martínez passou pelo tribunal trabalhista de Murcia, que até entendeu que ele havia sido discriminado por ser casado e membro do movimento. Mas concluiu que o cargo de professor de religião na Espanha é “excepcional” e que as razões da demissão foram “puramente religiosas”.

Na ação, o padre questiona o Estado espanhol pela demissão, que já se disse incapaz de interferir nos assuntos da Igreja Católica com base em um acordo que garante autonomia a comunidades religiosas no país. Enquanto isso, a diocese afirma que tem seus critérios para definir quem pode e quem não pode ministrar aulas de religião.

Hoje ocorre a última audiência do caso na Corte, em Estrasburgo, na França. José Antonio Fernández Martínez afirma que ser casado e ter filhos é parte de sua liberdade de expressão. Em julgamento anterior, na mesma Corte, no ano passado, o padre viu seu pedido rejeitado. Mas apelou da decisão ao saber que dois dos juízes eram católicos convictos.

 

 

Roberto Almeida

do Opera Mundi

Religião e conservadorismo impedem avanço no debate sobre aborto no Brasil

Movimentos feministas brasileiros enxergaram a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto no Uruguai como exemplo a ser seguido para que um debate mais responsável sobre o tema se desenvolva no Brasil. O texto, que garante o direito das uruguaias de abortar até 12º semana de gestação, ainda precisa passar por segunda votação no Senado.

“O Uruguai é um país latino-americano em que há forte presença da igreja católica, como no Brasil. Então se aconteceu lá, aqui também pode acontecer”, afirma Miryam Mastrella, socióloga do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis), ONG que promove pesquisas em direitos humanos e feminismo. Para ela, o debate sobre o aborto no Brasil ainda deixa muito a desejar. “O aborto ainda é tratado como tabu, e não como questão de saúde pública, como deveria ser”, comenta.

As eleições presidenciais de 2010 comprovam o tratamento do tema criticado pela pesquisadora. Assunto bastante debatido nas campanhas, o aborto foi tratado como uma questão pontual que definia, dependendo da posição dos candidatos, quem era ou não “a favor da vida”. “O aborto é tratado como moeda de barganha, de maneira muito superficial”, diz.

Além do peso de valores culturais e sociais conservadores, que interditam o debate sobre a descriminalização, Mastrella avalia que a religião também exerce influência nesse atraso. “Não há dúvida de que a religião é importante para aqueles que tem fé, mas num Estado plural e laico certos valores não podem ser colocados como universais, válidos e impostos a todos”.

Para a pesquisadora, os movimentos feministas têm uma força importante para puxar o debate para além dos valores morais e religiosos. “Os movimentos colocam em pauta o tema sob uma perspectiva mais séria, discutindo a autonomia e a dignidade das mulheres”, diz.

Sílvia Camurça, pesquisadora do SOS Corpo e coordenadora nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), movimento feminista que articula ONGs e coletivos em todo o país, reafirma o caráter que o debate deve assumir para além das questões eleitorais. “O papel do movimento é reivindicar uma discussão franca e honesta, e não baseada em politicagem de campanhas irresponsáveis”.

Ela também ressaltou a função principal dos movimentos feministas do país. “O problema tem que ser colocado, e é preciso que se busque com a sociedade uma solução que proteja a vida das mulheres ao invés de criminalizá-las”.

A coordenadora da AMB afirmou que a criminalização dá margem ao crescimento da chamada “indústria do aborto”, que são as clínicas clandestinas para a prática abortiva. “Aborto não é caso de polícia, precisamos encontrar outra solução no âmbito da saúde pública”.

Segundo Camurça, embora a decisão do Uruguai represente uma conquista frente à forças conservadoras que se opõem à descriminalização, ela ainda não é o que o movimento feminista idealiza.

O texto aprovado pela Câmara dos Deputados prevê a descriminalização da interrupção da gravidez desde que a mulher se apresente diante de uma equipe de médicos e psicólogos, que a informarão sobre todos os riscos, alternativas e programas de apoio à maternidade e à adoção. Após a entrevista, a mulher deve esperar cinco dias para confirmar sua decisão, e, finalmente, interromper a gravidez.

“Para os movimentos, isso significa desautorizar a mulher como ser eticamente responsável por suas decisões, significa tirar de nós essa decisão para colocar nas mãos de terceiros, mesmo que sejam médicos e psicólogos”, diz.

A decisão do Uruguai aconteceu na semana do Dia Latino-Americano de Luta pela Descriminalização do Aborto, que acontece nessa sexta-feira (28). Serão várias iniciativas e passeatas por toda a América Latina que visam reacender um debate crítico sobre o tema.

Saúde pública

A Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), que traçou o perfil da mulheres que abortam no Brasil, recebeu no último dia 17 o prêmio Fred L. Soper Award for Excellence in Health Literatura, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde para estudos de alto impacto na área da saúde pública.

O estudo foi financiado pelo Ministério da Saúde e feito pelos professores da Universidade de Brasília (UnB) Debora Diniz e Marcelo Medeiros. O prêmio é considerado o mais importante das Américas em referência à saúde pública. O estudo revelou que das 2002 entrevistadas no estudo, de 18 a 39 anos, 15% declararam que já fizeram pelo menos um aborto.

Para Mastrella, o perfil traçado das mulheres que abortam no país revela a perversidade da criminalização do aborto. “São mulheres de carne e osso, com emprego, muitas vezes com outros filhos, que têm religião, mas que optam pela interrupção da gravidez. É perverso que elas possam ser presas por causa disso”.

redebrasilatual