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‘Síndrome de Peter Pan’: por que há homens que se recusam a crescer?

sindrome-de-peter-panEles se recusam a crescer. São inseguros, imaturos, dependentes, irresponsáveis, têm acessos de raiva e dificuldade em manter um compromisso afetivo. Apesar de não demonstrarem, costumam ter baixa autoestima. São muitos e estão em vários lugares, independentemente de país ou conta bancária. Trinta anos atrás, o psicólogo norte-americano dedicou a eles o livro “The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up” (A Síndrome de Peter Pan: Homens que Nunca Crescem, numa tradução livre). No Brasil, publicado simplesmente como “Síndrome de Peter Pan”.

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Mas o que é essa síndrome, por que acontece e qual é o papel dos pais? Para o psiquiatra Paulo Gaudêncio, autor de “Men at Work” e “Mudar e Vencer” (ambos da Palavras e Gestos Editora), entre outros livros, as causas são sociais e familiares. “Ninguém fica neurótico por elegância”, diz ele. “Se há homens que entraram nessa, é porque foram levados pela sociedade ou pela família, muitas vezes por ambos”, afirma, lembrando que nas últimas décadas houve uma grande mudança de postura do homem e da mulher diante da sociedade.

Mulheres pós-guerra

A Segunda Guerra Mundial é o maior marco para essa mudança de comportamento, segundo o psiquiatra. Os homens foram lutar, as mulheres se empregaram nas fábricas para manter a família. Logo depois, o sexo feminino começou a frequentar universidades. “As mulheres das classes A e B puseram o coração na carreira e cresceram bastante. Já os homens se acomodaram. Elas passaram a tomar a frente em todas as áreas, inclusive sexualmente. Está tudo muito mais fácil para os homens”, afirma Gaudêncio.

O que provoca um terreno fértil para se tornar um Peter Pan eterno, o garoto da Terra do Nunca que se recusa a crescer, no caso de já existir uma predisposição da personalidade. “Já vi casos de mulheres que compram carro novo e escondem do namorado, para não colocá-lo em posição de inferioridade”, conta.

A família também tem seu papel. A superproteção dos pais, por exemplo, é um dos motivos que podem fazer com que o homem fuja de compromissos na vida adulta, diz Paulo Gaudêncio.

A professora Adriana Marcondes Machado, do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), também lembra que a valorização excessiva da infância, transformando a criança em um pequeno tirano em casa, pode levar a um adulto que não vai ter tolerância alguma com as coisas que vão contra seus desejos. Ou seja, a tirania continua, mas nem sempre o mundo tem a condescendência dos pais.

“Hoje em dia, pais não querem deixar a criança chorar ou se frustrar. A consequência é que elas acabam ficando com pouca capacidade criativa para inventar a vida”, diz a professora Adriana. Ou, como diz a psicoterapeuta Cecília Zylberstajn, as crianças não criam “casca” e acabam não adquirindo habilidades para enfrentar a vida adulta.

“A superproteção gera pessoas mimadas e despreparadas, que acham que o mundo e as pessoas existem para servi-las. Quanto mais a família protege, mais está ajudando o filho a se tornar uma pessoa inapta para o mundo”, diz Cecília. “Para você se tornar adulto, tem de passar, sim, por situações doloridas. Relacionamentos terminam, há contas a pagar, amigos vão embora, rejeições acontecem em várias áreas”, afirma.

Juventude eterna e prazer imediato

Família à parte, a professora Adriana Machado Marcondes também aponta outras causas que contribuem para que o Peter Pan se manifeste na idade adulta: a valorização extrema da juventude, o temor à velhice e a divulgação na mídia de que há certas coisas que precisam ser feitas. “Precisamos viajar, precisamos fazer algo diferente, precisamos de novas experiências. A intensidade do tempo vivido perde terreno para o tempo cronológico”, diz ela.

Já Cecília Zylberstajn lembra que hoje, ainda mais do que quando o livro foi escrito, em 1983, o mundo está ligado a prazeres imediatos e à incapacidade de adiá-los, vinda daí a sensação de que precisamos de mais tempo para fazer tudo o que se espera e a recusa em envelhecer.

O que os pais podem fazer

Os pais desempenham papel fundamental para que o filho se desenvolva emocional e afetivamente. “Eles precisam cortar o cordão umbilical e deixar o filho crescer”, diz Cecília, mas sempre orientando a criança, acompanhando-a em suas dificuldades e mostrando as consequências de seus atos. “Ao decidir mudar de atitude, é preciso deixar claro por que está fazendo isso, para que não soe como abandono e, sim, como possibilidade de crescimento”, diz ela.

Um bom começo é a família fazer com que o filho encare responsabilidades em todos os sentidos, acrescenta o psiquiatra Paulo Gaudêncio. Em primeiro lugar, com os estudos. Depois disso, com a própria subsistência. A partir daí, novas responsabilidades ocorrerão naturalmente.

Uol

Nordeste: Militares se recusam a trabalhar na folga, doam sangue e podem ser presos

Foto: ascom

Um homem trabalhador pai de família está em seu dia de folga, junto com seus parentes, mas “de repente” é informado que vai ter que cancelar o lazer para trabalhar de novo. Ou seja, nada de folga. Nada de lazer. Nada de família.

A labuta é fazer a segurança de foliões numa festa de grandes proporções, tipo Micarande (felizmente extinta da humanidade campinense). “E se o sujeito não quiser abrir mão de seu direito e se recusar a sacrificar sua folga?” Aí é simples: vai preso, amigo…

Então pensemos: com que espírito público esse policial vai atuar nessa festa? Por que ele é tão ‘agressivo’ durante as ocorrências nesses eventos? A sociedade sabe que eles estão sendo simplesmente forçados a trabalhar em pleno dia de folga? Você, leitor, com que ‘semblante’ encararia seu cliente nessas circunstâncias? Você gosta de ser obrigado a trabalhar na sua folga? Que nome você daria ao sistema de governo que lhe mandasse preso, caso você dissesse “não, eu já cumpri minhas 44 horas semanais de trabalho [às vezes, mais!]e por isso quero gozar minha folga”?

Não adianta dizer que “quando o candidato faz o concurso sabe como é o regime”. Isso não cola mais. A sociedade tem que andar para frente, e não viver do atraso. Já pensou se o diretor de uma escola mandasse prender os professores caso estes se recusassem a trabalhar no domingo? Que nome você daria a isso? Ora, se a educação e a segurança devem ser “serviços de qualidade” para o governo oferecer ao povo, qual a diferença do professor para o policial?

É hoje!

Não, não estamos falando da Idade Média nem do movimento militar de 1964. Os absurdos acontecem hoje! Com os policiais que você faz questão de bater no peito e dizer “eu que pago o seu salário e mereço respeito!” Tem como respeitar ao menos as horas de folga dele também?…

No estado de Sergipe, onde ocorre um evento chamado Pré-Caju, policiais e bombeiros militares, mesmo de folga, foram obrigados a trabalhar. Mas ao invés de se submeterem a essa versão moderna [?] de escravidão, decidiram doar sangue e não foram sacrificar suas horas de descanso no tal evento. Resultado: foram punidos e podem vir a ser presos.

Por que os policiais são tão agressivos quando abordam foliões?

Quer saber mesmo? Veja a entrevista de um representante da categoria, sobre o caso.

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JornaldaCidade.Net – Sargento, se os militares estavam de folga, por que eles foram punidos?

Sargento Edgard – Pela necessidade que o sistema tem de amedrontar a tropa, haja vista que o nosso efetivo é reduzido e festas como o pré-caju e outras necessitam de um grande efetivo, que sem cercear a folga dos poucos militares que estão na ativa não tem como efetuar o policiamento desses eventos.

JC.NetFala-se na existência de um documento que prove a inocência deles. Que documento seria esse?

S.E.– É o TAC (termo de ajustamento de conduta) no qual ficou firmado que só iriam ser escalados os voluntários e os de serviço ordinário. Ou seja, escalados para aquele dia de serviço normal.
JC.NetA Amese também acusa o comandante do Corpo de Bombeiros de está fazendo isso por maldade. Por que?
S.E.– A maldade do comandante do Bombeiro está comprovada quando na apuração feita pela tenente Antenora. Ela absolveu todos os militares. Mesmo assim ele desconsiderou a investigação e pediu punição.
JC.NetEles cometeram transgressão disciplinar ou crime?
S.E.– Não cometeram nem transgressão nem crime. Eles estavam de folga e resolveram doar sangue. Portanto, foi um ato solidário. O crime foi escalá-los sem que eles fossem voluntários.
JC.NetA Amese está organizando alguma manifestação para defender esses militares?
S.E.– Nós já estamos defendendo na esfera administrativa, com pedido de reconsideração de ato, e ao persistir a punição iremos até a esfera judicial.
Fonte: Jornal da Cidade