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Governo reforça segurança nas divisas da Paraíba para evitar rebeliões em presídios

segurançaAs forças de Segurança da Paraíba – Polícias Civil, Militar e Corpo de Bombeiros – estão trabalhando de maneira integrada com as forças de segurança do Rio Grande do Norte a fim de reforçar as ações de enfrentamento às ocorrências envolvendo o Sistema Penitenciário.  O objetivo é identificar presos que estejam praticando delitos dentro e fora dos presídios (semi-aberto).

Segundo o secretário executivo da Segurança e da Defesa Social da Paraíba, Jean Nunes, existe um planejamento operacional articulado, que envolve não só prevenção e repressão qualificadas, como também participação de todo o sistema de Inteligência estadual, o qual abrange inclusive o Sistema Penitenciário da Paraíba.

“Há uma articulação entre as duas secretarias e os estados para antecipar ações de prevenção, além das operações que a Polícia já vem fazendo, identificando presos que estão praticando crimes de dentro do presídio ou aqui fora. Além disso, a Paraíba ainda tem desenvolvido ações de reforço de policiamento nas divisas, o que resultou na prisão de dois fugitivos de Alcaçuz hoje na cidade de São Bento. O estado vizinho também conta com a colaboração do nosso Instituto de Polícia Científica (IPC) no que for necessário”, explicou Jean Nunes, que embarcou para Brasília (DF), a fim de participar de uma reunião com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, nesta terça-feira (17).

“Nesse encontro, queremos entender como vai acontecer o funcionamento dos núcleos estaduais de Inteligência, propostos pelo Ministério da Justiça, assim como sua estruturação. Nesse sentido, a Paraíba já saiu na frente, pois desde 2014 a Lei 10.338 já integra o nosso Sistema de Inteligência, com a participação do Sistema Penitenciário”, concluiu.

Secom-PB

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Fim de regalias motivou rebeliões, diz secretário

Inaê Telles/G1
Inaê Telles/G1

O secretário de Administração Penitenciária, Wallber Virgolino, declarou ontem que as rebeliões ocorridas na última segunda-feira na Penitenciária Flósculo da Nóbrega, o presídio do Róger, em João Pessoa, e no Presídio João Bosco Carneiro, em Guarabira, não teriam ligações. No entanto, conforme o secretário, o conflito ocorrido durante a manhã no presídio da capital, pode ter estimulado uma reação ocorrida horas mais tarde entre os detentos da penitenciária do Brejo. O choque de gestões nos comandos das unidades e a consequente retirada de “regalias” também foram motivos apontados por Wallber Virgolino.

Dois detentos morreram em decorrência de ferimentos durante o tumulto nos dois presídios. Segundo o secretario, as vítimas foram atingidas por espetos e golpes de estilete e não teriam sido vítimas das ações de policiais durante o processo de contenção do conflito.

O secretário revelou, ainda, que pretende apurar se houve conspiração entre os diretores que saíram recentemente. Até a manhã de ontem, com a situação controlada, a polícia realizou uma operação pente-fino no presídio do Róger e conseguiu localizar mais de 100 espetos, 50 aparelhos de celular e ainda aproximadamente 1 quilo de droga, entre maconha e crack. Os números da operação em Guarabira não foram divulgados, mas a Polícia Militar informou que foram encontrados diversos aparelhos e baterias de celular, espetos, facas artesanais e pequenas quantidades de droga.

“No Róger, ainda existem as brigas entre gangues rivais, um conflito que gerou o princípio de tumulto. Em Guarabira, não existem as facções, apenas os conflitos entre bairros, o que também provoca confusão entre os presos. Lá também constatamos que havia presos com televisão de plasma e TV a cabo, uma regalia que foi tirada”, explicou Wallber Virgolino.

TRANSFERÊNCIA
A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária informou, através da assessoria, que cerca de dez homens foram transferidos ontem do Presídio do Róger para outras unidades prisionais. Detalhes sobre a operação só vão ser informados hoje, através de nota oficial divulgada pela secretaria.

 

 

jornaldaparaiba.

Rebeliões nos presídios da PB são contidas após 18 horas de tumulto

De acordo com ouvidor da Secretaria de Administeração Penitenciária (Seap), Iran Alves, desde as 8h da manhã desta quarta-feira (30) que a situação no Complexo Penitenciário de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes em João Pessoa, os PB1 e PB2, está controlada. No caso do presídio Flósculo da Nóbrega, o Roger, somente após às 13h os presos foram agrupados no pátio e uma vistoria foi iniciada pela polícia por todo o prédio, de acordo com a assessoria da Seap.

Segundo Iran Alves, parte dos prédios do PB1 e PB2 foi destruída e alguns presos terão que ser transferidos para outras unidades prisionais. Ele não disse, no entanto, quantos terão que ser transferidos. Foi dito apenas que várias instituições penais receberão presos do complexo de Jacarapé;

Por volta das 9h, o comandante Lívio do 5° BPM informou que um detento havia sido ferido na rebelião do PB2. O presidiário foi socorrido pelo Samu e levado para o Hospital de Emergência e Trauma. Segundo informações do hospital passadas às 13h30 desta quarta, o preso foi ferido na cabeça e está em estado gravíssimo. Já de acordo com a Seap, o preso morreu.

No caso do presídio do Roger, a assessoria da secretaria informou que não houve feridos graves ou mortos. Por conta disso não houve a necessidade da entrada do Samu. Apenas a polícia entrou na unidade prisional para verificar os danos causados e fazer uma varredura nos
pavilhões em busca de armas, drogas e telefones.

pb1 (Foto: Walter Paparazzo/G1 PB)Bombeiros, socorristas e policiais passaram a noite
cercando os presídios(Foto: Walter Paparazzo/G1)

Motivos
No fim da manhã o presidente da Ordem dos Advogados (OAB) do Brasil, seccional Paraíba, Odon Bezerra, afirmou que entrou em contato com os rebelados e eles apontaram dois possíveis motivos para os tumultos registrados nos presídios. Odon disse que os presidiários falaram que a briga entre duas facções criminosas deu início ao tumulto. Uma outra causa apontada pelo advogado, foi o atraso nos processos penais.

Tiros no presídio
De acordo com Josenildo Porto, diretor da Flósculo da Nóbrega, tiros foram disparados para que os detentos descessem do teto do presídio, mas que foram usadas armas não letais. No PB1, o tenente-coronel Arnaldo Sobrinho, gerente executivo do Sistema Penitenciário da Paraíba, informou que duas bananas de dinamite foram encontradas durante um pente-fino.

G1 PB

Padre Bosco – As rebeliões

O que aconteceu no PB1-PB2 foi apresentado como a rebelião mais grave da historia dos presídios da Paraíba. Como estive por lá acompanhando a situação a partir de dentro, ao ouvir os relatos diversos, pude perceber que muitas pessoas viajaram na maionese. Muitas informações sem fundamento, apresentadas e depois desfeitas, isto é, corrigidas ou desmentidas. Por isso, a população que fica ouvindo tantas informações e não tem como saber o que de fato aconteceu.

É bom enfatizar que uma rebelião não acontece por acaso. A comunidade carcerária sabe que corre o maior risco em uma rebelião. Porque então ela acontece? Quando um presidio se rebela é porque já se chegou ao extremo da situação, o que resta é chamar a atenção da forma mais trágica possível.

No PB1, a comunidade carcerária pediu por inúmeras vezes que a situação fosse trabalhada e amenizada. Quem não se lembra daquela greve de fome nos dias 26-29 de agosto de 2011? Naquela ocasião não houve nenhum dano ao patrimônio publico. Eles queriam apenas que fossem ouvidos sobre a alimentação e sobre o acesso das famílias. Pediam também um tratamento mais humano por parte do estado. A nossa presença contribuiu para que a greve de fome chegasse a seu termino. O que aconteceu há quase um ano depois? As mudanças não se efetivaram. Por exemplo, a família que levava um pouco mais de comida pronta era impedida de entrar com quantidade maior. Este era um ponto da discussão. Lembro-me do Coronel Claudio, então gerente da Gesipe que dizia: “Qual é o problema se entra um pouco mais de comida”? O fato é que ninguém chegou a administrar essa situação.

Quando se trata do sistema prisional se põe de imediato a falta de recursos. Em um dos seminários realizados pela SEAP (Secretaria de Administração Penitenciaria) lembro-me que em uma das minhas intervenções perguntei: Quanto custa tratar com respeito e com dignidade os que estão na prisão? Naturalmente nenhum centavo. Em meio à rebelião era isso que os presos estavam pedindo: que fossem tratados como gente. Os mesmos reconhecem a condição de presos, a dívida com a sociedade, mas não admitem não serem respeitados e ouvidos. É um direito que ninguém pode tirar do ser humano.

Temos, portanto a consciência que a rebelião do Presídio Romeu Gonçalves de Abrantes (PB1), demorou muito a acontecer. Para nós que temos acompanhado a situação desde a sua instalação não foi nenhuma surpresa. Na realidade, PB1 desde a sua origem ainda não deu certo.

Os que fazem a SEAP, neste governo sabem da realidade do PB1, pois a pastoral sempre repassou todas as noticias que  tinha acesso.  As causas desta rebelião são por demais conhecidas. Em Brasília também se sabe por que aconteceu tudo isso. O Conselho Nacional de Politica Criminal e Penitenciaria, a Ouvidora Nacional do Sistema Penitenciário, entre outras instituições.  Na vida é assim, não se corrige um mal menor, para se ter um estrago maior. Foi exatamente o que aconteceu.

Agora a imprensa divulga, não sei do fundo de verdade, que eles, uma vez identificados serão processados pelos danos causados ao patrimônio público. É verdade, na Lei de Execuções Penais que rebelião é uma falta grave, que só acontece por causa também muito grave que normalmente são as violações de direitos humanos.

É lamentável, mas enquanto o estado não for digno do elogio dos direitos humanos pelo bom comportamento no trato aos apenados, resta a crítica seria e construtiva para que tenhamos dignidade e vida nas unidades prisionais para todos.

Padre Bosco

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