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Ramalho Leite é eleito e empossado novo presidente do IHGP

O historiador e cronista Ramalho Leite foi eleito na manhã deste sábado (30) presidente do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP), para um mandato de três anos, tendo como vice-presidente o professor e historiador Jean Patrício.

Ramalho obteve 33 votos, dos 37 aptos para votar, dos quais quatro não compareceram.

Ao final da votação, após assembleia extraordinária que aprovou a antecipação, Ramalho tomou posse. Eleito numa votação que teve comparecimento recorde nas últimas duas décadas, candidato único depois de desistência do sócio Guilherme D’ávila Lins.

O novo presidente do IHGP, que também integra os quadros de imortais da Academia Paraibana de Letras, disse que estava cercado de gente nova e também experiente, e esperara que, juntos, poderá melhorar a imagem do Instituto e “fazer com que não seja apenas um depósito da história, mas seja a história viva que nós amamos e apreciamos”.

A mais antiga casa da memória e da cultura da Paraíba, com 114 anos, em seus amplos salões estão guardados valiosos documentos referentes à Colônia, ao Império e a República, com mapas, jornais e revistas antigos fora de circulação, além de livros raros.

 

clickpb

 

 

Ramalho Leite confirma candidatura à presidência do IHGP

“Estou fora da política partidária e da administração pública, por isso estou com tempo para me dedicar à gestão do Instituto”, revelou o escritor, jornalista e historiador Ramalho Leite ao confirmar em contato com o Portal WSCOM, que será candidato a presidente do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP). Ele deve disputar com o atual presidente Guilherme Ávila Lins.

A eleição acontecerá no dia 31 de agosto e deve contar com a participação de 37 integrantes do IHGP.

Segundo fontes ligadas ao Instituto, Ramalho Leite indicava inicialmente o interesse em apoiar o atual presidente, que não assumiu candidatura à reeleição, mas começou a pedir votos no paralelo quebrando pacto.

 

Portal WSCOM

 

 

Ramalho Leite lança seu novo livro na próxima sexta (16)

ramalhoNesta sexta-feira, 16, o jornalista e escritor Ramalho Leite lança mais um livro de sua lavra. Trata-se de GENTE DO PASSADO, FATOS DO PRESENTE, uma coletânea de artigos selecionados e enfeixados em edição de Juca Pontes, impressa em A União Editora. Neste livro, que se soma à estante com os anteriores “Dá Licença Um aparte”, “Nos Espelhos do Palácio” e “Em  Prosa e no Verso, entre outros trabalhos, Ramalho Leite exercita sua vocação de historiador e resgata figuras do passado, a exemplo do Barão de Araruna, primeiro chefe da mesa de rendas da sua Bananeiras, cujo nome foi aproveitado em ficção no romance Sinhá Moça e em novela homônima na televisão.

Na apresentação do seu oitavo livro, Ramalho Leite diz que “quem já me conhece sabe que costumo colocar em fatos sérios uma pitada de humor, dourar com ironia atitudes muitas vezes equivocadas e criticar com acidez atos que incomodam a perspicácia deste ativista político que exerceu mandatos, ajudou outros a conquistá-los e, por isso mesmo, acumulou experiência que o transformou em um gestor público requisitado por vários governos”.

O convite de Ramalho é bastante original e leva a assinatura do Barão de Araruna, Barão do Abiahy, Barão de Mamanguape, integrantes da nobreza paraibana, além de patenteados da Guarda Nacional, os antigos coronéis que vieram do Império e conseguiram sobreviver e manter sua influencia por uma bom período republicano, a exemplo do comendador Felinto Florentino da Rocha, que na feira de Moreno/Solânea, proclamou: aqui eu quero, posso e mando!

O livro é prefaciado pelo professor José Loureiro Lopes, membro do Conselho Nacional de Educação e da Academia Paraibana de Letras e pelo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Arnóbio Alves Viana. No evento de lançamento, que será presidido pelo acadêmico Damião Ramos Cavalcanti, a apresentação do livro ficará a cargo do conselheiro Arnóbio Viana.

A solenidade será as 19horas, no auditório da Fundação Casa de José Américo, em Tambaú.

(AAPL)

Ramalho Leite lança novo livro na XII ACCTEC, em Cacimba de Dentro, nesta quinta

ramalho-leiteReconhecido como advogado, jornalista, político, historiador e escritor, Ramalho Leite, que também é membro da Academia Paraibana de Letras, estará presente, nesta quinta-feira, dia 25 de agosto, na XII edição da Mostra Cultural, Científica e Tecnológica, que está sendo realizada na Escola Estadual Senador Humberto Lucena, de Cacimba de Dentro.

Na oportunidade, ele lançará o livro “Gente do passado, fatos do presente”, seu oitavo trabalho. Ramalho Leite já publicou Dá Licença, Um Aparte; Nos Espelhos do Palácio; Em Prosa e no Verso; O Vendedor de Calúnias; A Botija de Camucá; Solon de Lucena e Década de Vinte na Paraíba; A Constituição de 1967.

O novo trabalho consta de uma coletânea de textos publicados no Jornal A União e cerca de dez sites do Estado da Paraíba.  Os artigos refletem fatos passados e comparados com acontecimentos do presente, como exemplo para evitar a sua repetição ou fazê-lo repetir-se.

Capa do novo livro do escritor Ramalho Leite.

Consta ainda os discursos de posse e recepção do autor na Academia Paraibana de Letras e no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Resgata figuras históricas como o Barão de Ararunae os antigos Coronéis da Guarda Nacional, além de alguns retalhos da memória, escritos com clareza jornalística e, às vezes, com um toque de humor.

Ramalho Leite é bananeirense do antigo Distrito de Borborema, hoje cidade, e exerceu os mandatos de vereador em sua terra natal, deputado estadual e federal. Foi ainda diretor do Banco do Nordeste, Secretário de Estado e Presidente de A União, imprensa oficial do Estado.Depois que deixou de exercer mandatos eletivos, Ramalho Leite voltou a colaborar com os jornais O Norte, Correio e A União e publicou vários livros.

Exímio contador de histórias, Ramalho publicou um livro com cem histórias do folclore político da Paraíba intitulado O Poder de Bom Humor, todos as suas produções, com edições esgotadas.

Os interessados poderão participar do lançamento durante o evento e adquirir o livro autografado, que estará sendo vendido por apenas R$ 20,00. Portanto, anote na agenda cultural da semana: Ramalho Leite, em Cacimba de Dentro/PB, neste dia 25 de agosto, às 19h30min., na Escola Estadual Senador Humberto Lucena.

Portal Opinião

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RAMALHO LEITE – Moreno, Vila Branca, Solânea

 

ramalhoEntre os historiadores que compulsei, resta uma dúvida a esclarecer. Todos contam a mesma lenda. O português colonizador perdeu-se pelas terras das bananeiras e aprisionado por índios antropófagos, estava sendo preparado para servir de banquete aos seus carcereiros. Era Gregório da Costa Soares, vindo  da serra do Cuité.Salvo por uma índia, ao clarear o dia alcançou a Aldeia de Santo Antonio da Boa Vista e, agradecido, casou com a índia e prometeu erigir uma capela à Nossa Senhora do Livramento. Há uma escritura publica que comprova a doação e o doador do terreno onde surgiu a capela. A mesma lenda serve de alicerce à historia do surgimento de Sol ânea. A “Planeza”, como Celso Cirne queria que fosse chamada, nasceria justamente nessa Aldeia de Santo Antonio, onde aportou Gregório ao fugir do cativeiro. Essa a versão de Novais Junior corroborada por Humberto Nóbrega. Luis Pinto, porém, conta a mesma história mas se refere a Gregório Soares Moreno. Bastos de Azevedo, por sua vez, acusa o surgimento do povoado de Moreno e já com essa denominação, em razão da presença ali de um Soares Moreno, parente de Gregório da Costa Soares, justamente o doador das terras para a capela de Bananeiras. Lailton Oliveira acrescenta um Antonio ao nome do citado Soares Moreno, um cearense que resolveu fincar raízes no lugar que, em virtude da sua presença e fama, passou a ser chamada de Chã de Moreno. Existiram dois Gregório ou misturaram os sobrenomes?

Nessa chã nasceria, a partir de 1953, uma cidade progressista e rebelde, herdeira dos ideais de Celso Cirne, Leôncio Costa e José Pessoa da Costa. A vitória do epitacismo em 1915   daria a Solon de Lucena, com os votos de Moreno, a hegemonia política de Bananeiras, derrotando o poderio dos Rocha que vinha da ação política e força econômica do comendador Felinto Rocha, filho do Barão de Araruna. Foi no discurso de agradecimento à  vitória que Solon de Lucena previu o seu crescimento político a partir “desta Vila Branca onde fincarei a mi nha bandeira triunfante”. Celso Cirne era cunhado de Sólon de Lucena e genro do Comendador Felinto, o que o deixava em situação incômoda na política do brejo. Contudo, foram os dois eleitos deputados em 1912. Seu entusiasmo pelo progresso da Vila de Moreno, onde plantara vários empreendimentos, o coloca frente à Solon na disputa pela estrada de ferro. Chegou a obter aprovação para o seu projeto da chegada do trem a Moreno, deixando Bananeiras à margem. Solon, porém, esbravejou: “o trem chegará a Bananeiras, nem que seja por debaixo da terra”. E chegou em 1925, após dez anos de construção do túnel da Serra da Viração. A rivalidade entre o distrito e sua sede começou daí, sendo Celso Cirne o maior incentivador.

Entendo que Solânea comemora em data errada a sua emancipação política. A lei que cria o município é datada de 26 de novembro, todavia, sua vigência somente ocorreu a partir de 30 de dezembro de 1953, quanto teve lugar a instalação do município, como consta do artigo 10 do edito sancionado pelo governador João Fernandes de Lima. Uma lei só tem validade quando entra em vigor, logo, a data a ser comemorada deveria ser 30 de dezembro, como está explícito, com a posse do prefeito nomeado, o solanense Tancredo de Carvalho. Com a renúncia deste, assumiu Luiz Ferreira de Melo. O primeiro prefeito eleito, como candidato único, foi o empresário Waldemar Alves da Nóbrega, seguido por João Elísio da Rocha, Epifân io Plácido da Silva, Jocob Soares Pereira,Waldomiro Jayme da Rocha e  Arnóbio Alves Viana. João Rocha e Waldomiro seriam prefeitos em duas oportunidades. Com o desaparecimento das lideranças tradicionais, surgiram  Beto do Brasil,nascido em Serraria com o nome de Sebastião Alberto Cândido da Cruz, prefeito pela terceira vez, e Francisco de Assis Melo, dr.Chiquinho. Antes desses dois últimos, foram eleitos Francisco de Freitas Chaves, que não concluiu o mandato e Arnaldo Alves Viana, segundo membro do clã Viana a ocupar a municipalidade.

Solânea repetiu comigo o que no passado fizera com Solon de Lucena. Ficou ao meu lado no enfrentamento às oligarquias familiares que imperavam  há décadas. Como os votos de Solânea tornei-me majoritário no antigo município de Bananeiras e me mantive deputado até que um filho de Solânea-Arnóbio Viana, pleiteou a vaga. Parabéns, Solânea, pela comemoração dos seus 62 anos de liberdade e independência.

 

 

 

 

RAMALHO LEITE – Deputados à moda antiga

 

ramalhoNos dias de hoje as casas legislativas são entidades fartas em recursos e seus membros recebem uma remuneração difícil de ser somada. Antigamente, um deputado federal tinha que enfrentar “esse marzão” como dizia Ernani Satyro, para desestimular Walter Arcoverde a tentar uma cadeira igual à sua.  Depois vieram as passagens aéreas e o velho Rui Carneiro fazia questão de lembrar o risco que corria ao enfrentar um avião da  “Panair”. Brasíli a tornou o exercício do mandato um paraíso com direito a verba para moradia, passagens, comunicação e otras cositas más… Até bem pouco tempo, o direito às passagens para o Estado de origem, incluía, também, um bilhete extra para se matar a saudade do Rio de Janeiro. Comparando, as mordomias do passado remoto seriam risíveis hoje, pois, incluíam até um estábulo, onde os deputados guardavam suas montarias.

Com a evolução das coisas, os subsídios dos deputados também evoluíram. Na Paraíba, ainda alcancei deputado vendendo antecipadamente seus rendimentos. Posso dizer que, quando secretário do Poder Legislativo acabei esse comércio de juros altos, transferindo para o Banco do Estado o pagamento dos parlamentares e afastando os agiotas da tesouraria da Assembléia. Esses foram problemas republicanos mais recentes. Mas ninguém pense que durante a Monarquia  o exercício dos mandatos eram gratuitos. Naquele tempo, Celso Mariz informa que os deputados ganhavam de acordo com a distancia entre sua cidade de origem  e a Capital. Pagava-se por léguas. E o negócio era meio rigoroso. Contavam-se as léguas de vinda. Ao Imperador não interessava como o deputado retornaria aos seus pagos. As pressões foram grandes e no final da Monarquia passaram a contar as léguas de ida e volta, pois ninguém é de ferro… Tudo isso dava quatro mil réis diários e mil e duzentos réis por légua a ser percorrida. Quem faltasse não recebia.

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Com a República o subsídio alcançava dez mil réis diários e trezentos réis fixos “para o trem, a fatiota nova, o transporte dos queijos que traziam para o chefe do partido” ironiza Celso Mariz, deputado nos idos de 1924-27, quando já se  percebia uma representação de um conto de réis e quarenta mil réis de diária, ou jetom, palavra que apropriamos do francês ( jeton). Os tempos modernos fixaram o subsídio parlamentar em duas partes, uma fixa para declarar ao Imposto de Renda, e uma variável que servia de incentivo ao comparecimento das sessões. A nossa ultima Constituição vedou o pagamento de jetom pela presença, até em sessões extraordinárias e, antes como agora, a ausência continuada vive sob a ameaça de cortes  nos contra-cheques dos faltosos.

Mesmo com um recesso prolongado, a produção legislativa, tanto no passado quanto no presente abordava os mais variados assuntos. Se em 1947, o deputado Pedro de Almeida preocupou-se com o prejuízo que os caprinos soltos  poderiam conferir à agricultura de subsistência, muito antes, nos idos de 1862, o presidente Francisco Araujo Lima, desta Província da Paraíba do Norte,  editou uma lei que protegia as cabras de leite, por servirem para “amamentação das crianças”. As cabras de leite poderiam ser criadas soltas, desde que conduzissem “cangas  de quatro palmos” e fossem recolhidas até as seis horas da tarde. Esta exceção, aberta para as criações da Vila de Campina Grande, não atingiam bodes, ovelhas, porcos e cães que, caso encontrados soltos pela fiscalização, seriam os seus proprietários multados em dois mil réis.

Para incentivar o cultivo do café, em Bananeiras e Areia, a Assembléia Provincial estabeleceu um prêmio ao cafeicultor que exportasse pela primeira vez em um ano, duas mil arroubas de sua produção.

Estas reminiscências históricas me fazem lembrar que o jornalista e historiador Rui Leitão é candidato a uma cadeira no IHGP. Torço pela sua eleição, principalmente, para que dê continuidade às pesquisas de seu genitor, Deusdedith Leitão, recuperando até os nossos dias a memória do Poder Legislativo.

RAMALHO LEITE – Pedro de Almeida e a “lei do bode”

 

ramalhoSua origem, como de todo Almeida da gema, é a Vila Real do Brejo de Areia. No sobrado de Marinheiro Jorge, seu pai, Rufino de Almeida, tentou o comércio. Sem vocação para esse ramo de negócio, terminou voltando para Várzea, seu engenho de cachaça e rapadura, enquanto os filhos venciam a pé  a distancia entre o engenho e escola, em  Areia. Pedro Augusto de Almeida deixou um dia  esse cenário e, às escondidas, fugiu para a casa de parentes. Fixou-se na Capital onde trabalhou no comércio, continuou seus estudos e se iniciou como missionário da educação. Pelos idos de 1917 vamos encontrá-lo em Bananeiras, como agente fiscal da mesa de rendas, nomeado pelo presidente Camilo de Holanda. Esse mesmo governante o designou professor para a escola noturna de adulto e o prefeito Antonio Barbosa de Farias Coutinho faria o mesmo para as cadeiras de português  e aritmética da escola secundária municipal.

 

Antes de ser professor da escola pública, Pedro de Almeida fundara um externato para receber o alunado do Instituto Bananeirense, fundado em 1906 pelo poeta e advogado Dionísio Maia mas com suas atividades suspensas. Era sonho da comunidade a reabertura daquele educandário, reconhecido, à época, como dos melhores do interior do estado, rivalizando, até, com o Liceu Paraibano. Sua reativação foi efetivada em 1920  e  contou com a direção honorária de Dion&ia cute;sio Maia e a executiva de Pedro de Almeida, seu vice-diretor. Entre seus professores estavam Álvaro de Carvalho e Vieira de Alencar. Este último deixou o Instituto e ingressou no Banco do Brasil. Chegou à sua presidência e exerceu, ainda, eventualmente, o Ministério da Fazenda. O primeiro substituiu o presidente João Pessoa, e foi um dos fundadores da Academia Paraibana de Letras.

 

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A projeção social de Pedro de Almeida terminaria por levá-lo ao exercício da política partidária. Pelas mãos do prefeito José Antonio da Rocha, depois deputado constituinte em 1935, Argemiro de Figueiredo nomeou Pedro de Almeida prefeito de Bananeiras. Os laços familiares o levaram a esse destino. Pedro de Almeida casara-se com uma neta do comendador Felinto Rocha, sogro e tio do cel.José Antonio da Rocha. A prefeitura ficaria na família. O velho coronel iria para a Assembléia Constituinte e Pedro de Almeida ficaria na prefeitura. Testado com êxito na gestão pública, em 1936 seria eleito prefeito com 84% dos votos, destituído em função do golpe do Estado Novo. Nomeado, novamente, por Argemiro, retorna à prefeitura onde permaneceu até 1940.  Na redemocratização,  ganhou assento na Assembléia Constituinte de 1947.

 

Vinculado a uma aristocracia rural, Pedro de Almeida voltou-se para os problemas econômicos que envolviam a produção agrícola e os recursos hídricos indispensáveis. Foi dos primeiros a denunciar a desertificação do Estado em função do desmatamento indiscriminado. A energia a vapor tinha na lenha o seu material de combustão, ”as nossas florestas estão se extinguindo pela ação nefasta do machado”, advertiu em discurso na Assembléia.

 

Maior repercussão, contudo, alcançou a sua emenda à Constituição que ficou popularmente conhecida como Lei do Bode. Inserida nas Disposições Transitórias, proibia a criação de caprinos em regime aberto e definia áreas onde seria permitida a criação, desde que em compartimentos cercados para essa finalidade. “Criado solto, sem disciplina, o bode destruiria a seu talante as plantações constitutivas de sustentação do homem do campo, criando problemas sociais e econômicos graves” justificou Pedro de Almeida, segunda narrativa de seu filho, o imortal Maurílio Almeida. No curimataú, encravado no município de Casserengue, existe um lugar denominado “Travessa” que o vulgo  chama “Trevessa”. A partir dali, os bodes e cabras poderiam atravessar os limites agrícolas e correrem soltos, livres como Deus os criou e Pedro de Almeida  legalizou. Reeleito, Pedro de Almeida faleceu antes de assumir o novo mandato.Para a sua vaga foi chamado o primeiro suplente Humberto Coutinho de Lucena. Mas essa é outra história!

RAMALHO LEITE – Mariz, o coerente

 

ramalhoO AMIGO VELHO Ernani Satyro , quando censurado por contestar o regime que  ajudara a implantar e lhe  exigiram coerência, respondeu bem humorado:“quem tem coerência tem idéia fixa e quem tem idéia fixa  é doido”. Logo, não se exija coerência dos políticos, pois a política é dinâmica e muda como as nuvens, levando nos ventos das mudanças, os seus protagonistas. Antonio Marques da Silva Mariz, promotor de justiça,  prefeito, deputado, senador e governador, não era adepto dessa teoria. O silogismo dele era outro e não partia de premissas falsas. Podia a política mudar, ele mesmo mudar de partido, mas não renunciava aos  seus princípios. Estes eram imutáveis. Nos vinte anos da ausência de Mariz, muitas passagens de sua vida pública  vieram à tona. Escolhi duas, que representam sua paixão pela coerência e firmeza de princípios:

O cenário era o gabinete do senador Humberto Lucena, em Brasília. Os aliados do governo e integrantes da bancada federal paraibana foram reunidos pelo ex-governador João Agripino. Agripino prometera ao presidente Sarney o apoio unânime de seus correligionários à tese dos cinco anos para o mandato presidencial que estava prestes a se findar.Passou essa informação aos deputados e foi ouvindo um a um. A maioria era a favor dos cinco anos, mas havia discrepâncias: João Agripino Neto, Cássio Cunha Lima e Antonio Mariz.

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Agripino começou cobrando a posição do próprio filho. Agripino Neto reafirmou sua posição em favor dos quatro anos para o mandato presidencial, todavia, afirmou: “se o partido fechar questão, eu voto pelos cinco anos”. Chegando a sua vez, Cássio acompanhou a posição de Agripino Neto, apesar de defender o mandato de quatro anos, mas diante do “fechamento de questão”, não iria contrariar o partido. Mariz ouviu seus companheiros, contudo,  não esperou ser cobrado: “Sou a favor dos quatro anos de mandato. Se o partido fechar questão, continuo votando a favor dos quatro anos”, encerrou o assunto. Fui testemunha da contrariedade de João Agripino.

Na batalha pela indicação para governador da Paraíba, pela via indireta, a ARENA estava dividida em dois blocos. O capitaneado pelo governador Ivan Bichara defendia a indicação do senador Milton Cabral e o outro queria a ascensão do deputado Mariz.  Os ânimos ainda não estavam acirrados e os blocos dialogavam entre si. Conseguimos um encontro de Mariz e seus contestadores com a participação também dos que o apoiavam.

O cenário foi o antigo Elite Bar, de saudosa memória, em Tambaú,  em frente à gameleira também desaparecida. A mesa que se formou era enorme, acomodando  doze deputados de ambas as facções. Houve quem lembrasse a Ceia Larga, sem a presença do Cristo, mas com alguns candidatos a Judas. Pelos  governistas falou o deputado Egidio Madruga expondo seus pontos de vista, mas asseverando que, pessoalmente, nada tinham contra o nome de Mariz. Como o processo de escolha era uma inc&o acute;gnita, qualquer um poderia ser escolhido, disse Egídio. Aquela reunião era para abrir o diálogo, por isso, “queremos saber, de logo, qual a sua posição com relação a nós que não o apoiamos, caso seja escolhido  governador”? A resposta veio rápida, no estilo inimitável de  Mariz:

Se eu for governador, vou ensinar vocês a ser oposição durante quatro anos.

O desfecho desse episódio todos sabem: o escolhido para governar a Paraíba foi o professor Tarcisio de Miranda  Burity.

RAMALHO LEITE – Dorgival Terceiro Neto

 

 
ramalhoDificilmente eu deixava de ir abraçá-lo a cada 12 de setembro.Se  levasse uma simples gravata de presente, era recriminado. Dispensava qualquer afago, mas não me negava a alegria de um abraço sincero.Era o seu jeito. Acostumado ao poder sem dele tirar proveito, sabia como ninguém viver longe dele e reconhecer os verdadeiros amigos. Na despedida, concluía: você é dos poucos que se lembram de mim…E continuo me lembrando, Dorgival, e lhe rendendo as melhores homenagens.Hoje me falta o abraço, mas não deixo de registrar minha saudade.

Em um  discurso, chegou a traçar o seu perfil: “Ninguém procura o destino; percorrem-se caminhos que levam até ele. Menino do mato, nascido nas terras sáfaras de Taperoá, que foi meu berço e será meu túmulo, criei-me contemplando, a pouca distância das fraldas da Borborema, a pedra do pico, segundo ponto mais alto da Paraíba, com o feitio de um polegar gigante apontando para o infinito. Mas minha admiração silenciosa para o alto, nunca me infundiu inveja e nem ambição para alcançar mais do que a vida me reservasse.”

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Dorgival Terceiro Neto não procurou o seu destino. O destino o procurou e fez dele um dos grandes da Paraíba. Deixou o Colégio de Padre Vieira, em Patos, e virou comensal da Casa do Estudante da rua da Areia, onde ingressou em 1951.  Foi concluinte da Faculdade de Direito em 1957, já federalizada.Enquanto estudava, iniciava-se no jornalismo na velha escola da Praça João Pessoa- A União. Foi servidor da Universidade e do Judiciário, recebendo do governador Flávio Ribeiro seu primeiro emprego, no DER. Diretor do Paraiban, dalí saiu para governar nossa Capital.

Como prefeito de João Pessoa estruturou a edilidade e deu-lhe o primeiro Plano Diretor. Fez seu cadastro imobiliário e instalou um Centro de Processamento de Dados quando pouco se falava em computador por estas bandas. Os servidores municipais passaram a receber salário mínimo como piso. Começou a pagar a previdência nunca honrada em seus créditos. Até o Fundo de Garantia, um ilustre desconhecido por ali, sentou praça na Prefeitura.Construiu 16 unidades escolares e acabou com os “pardieiros”, como chamava as escolas então existentes.Deu sede a várias secretarias e a cidade ganhou um novo Pronto Socorro.

Quando ainda não se falava em mobilidade urbana, avançou no tempo e abriu a Pedro II, ligando-a ao Castelo Branco; a BR-230, chegou à Beira-mar pelo retão de Manaíra; o Cabo Branco ganhou uma avenida de retorno e o contorno do Farol; paralela à Epitácio, surgiu a Beira-rio e da favela removida  de suas margens, nasceu a Cidade Padre Zé. Deixou a Lagoa toda ajardinada e com um sistema de irrigação permanente; reformou a Bica e levou para a maré a água que transformava o Bairro dos Estados em uma lagoa a cada inverno. Construiu os mercados do Bairro dos Estados, Jaguaribe, Castelo Branco e Oitizeiro. Tudo isso em apenas dois anos e dez meses.

A ligação da Cidade Alta com a Cidade Baixa deu lugar ao Viaduto da Miguel Couto. Como era o terceiro viaduto da cidade, eu o batizei de Terceirão, na data de sua abertura. Passaram a chamá-lo de Viaduto Dorgival Terceiro Neto. Nunca houve uma lei que concedesse esse batismo. Aguardo a iniciativa de um licurgo municipal.

Antes que me esqueça: a antiga Universidade Autônoma de João Pessoa, hoje UNIPÊ, empreendimento vitorioso de um grupo empresarial/religioso foi viabilizada em seu nascedouro por que Dorgival  criou a Fundação Municipal  exigida pelo MEC. Nunca se fez esse reconhecimento histórico.

Pela obra que realizou na Capital, Dorgival foi escolhido vice-governador de Ivan Bichara e ocupou em caráter definitivo o cargo de governador da Paraíba.

Como advogado manteve um respeitado escritório de advocacia e, na qualidade de mais antigo filiado à OAB, foi o principal homenageado durante os 80 anos daquela Casa.Ocupou a Cadeira 07 da Academia Paraibana de Letras e a Cadeira 45 do Instituto Histórico. Se vivo estivesse, completaria, hoje, 83 anos.Para resumir a vida e obra de Dorgival Terceiro Neto, concedo-lhe, novamente, a palavra:

Assumi compromissos e tomei responsabilidades, mas tão logo me desincumbia dos afanosos ofícios, saia às pressas, sem olhar para trás, por que não carregava pesadelos”.

RAMALHO LEITE – Os nobres paraibanos

ramalhoMeus poucos leitores já devem ter notado minha predileção por assuntos que envolvem a história pátria. Tenho saído do dia a dia, e assim, evito desagradar aos vivos, pois os mortos não reclamam.Os personagens que por aqui têm passado já se foram de há muito e, seus feitos,  bons ou maus, fazem parte da história. Comecei com o Barão de Araruna e enveredei pelas espadas dos coronéis, quase todos, donos da terra e dos seus ocupantes, fossem servís ou libertos. Mas a Paraíba, terra de grandes, que exportou inúmeros filhos seus para dirigir outras terras, teve também a sua pequena nobreza, situada, é bem verdade,  na base da escala nobiliárquica. A nossa safra de nobres não passou do baronato  e de um visconde, embora devessem sonhar com a mesma ascensão que teve o marechal Luiz Alves de Lima e Silva, que começou barão, ascendeu a visconde, conde, e finalmente Duque de Caxias.

Já vimos que o Barão de Araruna – Estevam José da Rocha, foi político eminentemente municipal, prendendo-se ao seu burgo e não aceitando ascender a qualquer posição a nível estadual.Desfrutou pouco o baronato: ungido em 1871, faleceu em 1874. Mais famoso e tendo ocupado os mandatos de deputado geral e senador do Império, Flávio Clementino da Silva Freire, o Barão de Mamanguape a partir de 1860, governou a Província da Paraíba do Norte em várias oportunidades entre 1853 a 1877. Era também comendador da Ordem da Rosa e faleceu em agosto de 1900.

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Fazendeiro e político, falecido em Mamanguape aos 75 anos e nascido na capital desta província em 1798,  chegou à sua presidência. Refiro-me a José Teixeira de Vasconcelos, o Barão de Maraú, que, além de comendador da Imperial  Ordem da Rosa ocupou o comando superior da Guarda Nacional. Foi casado com Francisca Monteiro da Franca e não deixou filhos.

Em  prestígio perante o Império ninguém superou Silvino Elvídio Carneiro da Cunha,   o primeiro e único Barão de Abiaí. Formado pela Faculdade de  Direito de Olinda, foi deputado provincial em várias legislaturas. Notabilizou-se, porém, como presidente das províncias do Rio Grande do Norte, Alagoas e Maranhão. Recusou do gabinete Rio Branco a oferta de dirigir o Ceará e o Pará. O gabinete Cotegibe lhe ofereceu a Bahia, igualmente recusada. Sua desistência em governar os baianos não impediu que presidisse sua Paraíba do Norte em duas oportunidades entre 1869 e  1876. Foi Inspetor da Alfândega na Paraíba, no Amazonas e no Maranhão e depois de todos esses encargos monárquicos, por decreto imperial de 18 de janeiro de 1882, recebeu o titulo de Barão de Abiaí, numa referência à localidade do mesmo nome, hoje município de Pitimbú. Comendador da Ordem da Rosa e da Ordem de Cristo, foi casado com Adelina Bezerra Cavalcanti de Albuquerque. Falecida esta, sua irmã Leonarda Mirandolina Bezerra Cavalcanti, casaria em 1878 com o futuro barão. A segunda esposa seria  a baronesa consorte de Abiaí.

Outro paraibano, este de Pilar, Diogo Velho Cavalcanti de Albuquerque, teve promoção maior na nobreza, recebendo o titulo de Visconde de Cavalcanti. Advogado da escola do Recife, promotor e ministro do Império em várias pastas.Foi responsável pela construção da estrada de ferro Conde D´Eu  entre Cabedelo e Alagoa Grande. Não presidiu a Paraíba, mas governou o Piauí, o Ceará e Pernambuco entre 1859 a 1871. A partir de então, foi senador do Império até 1889.Alcançou os primeiros anos da Republica. Seu nome patrocina a Cadeira 13 da Academia Paraibana de Letras. Seu parente e conterrâneo Damião Cavalcanti preferiu a Cadeira 33.

Alguns topônimos de municípios paraibanos serviram para nomear o baronato brasileiro. Assim tivemos o Barão da Alhandra, que era pernambucano; o Barão de Itapororoca, baiano;Barão de Pilar, carioca falecido em Petrópolis; Barão de Itaporanga, nascido em Sergipe; Barão de Lucena, pernambucano, e até um Barão da Paraíba, vinculado à Paraíba do Sul. E para não dizer que não tenho parente na nobreza, encontrei um Barão do Ramalho, assim denominado Antonio Tomé da Fonseca Paim da Câmara,político de Açores. Esse título  passou para o seu neto também chamado Antonio. Estou pensando em regatar essa patente para ilustrar o meu sangue que não tem um pingo azul. Faltar-me-ía,  apenas, os 750 contos de réis do custo da patente.

Sobre o citado Barão de Lucena, consta que Solon de Lucena era seu parente. Deixo a duvida para o nobre Iveraldo Lucena, também filho de um Henrique e tio de outro do mesmo nome. O Barão de Lucena, chamava-se Henrique Pereira de Lucena e governou Pernambuco com grande brilho e um acervo de obras considerável. Como deputado geral e presidente da Câmara fez transitar com urgência o projeto da abolição da escravatura conquistando a simpatia da Princesa Isabel que lhe concederia o baronato. Foi ainda presidente da Bahia, do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul. Formado pela Faculdade de Direito do Recife, o Barão de Lucena foi ministro de Deodoro da Fonseca, de quem era amigo. Derrubado Deodoro, caiu também em desgraça quando pretendia exercer o cargo de Ministro do Tribunal Militar para o qual fora nomeado. Floriano o aposentou. Faleceu no Rio de Janeiro em 1913.(Consultei obras de Wilson Seixas e Apolônio Nóbrega.  Otinaldo Lourenço,aos 81 anos, o único monarquista que conheço,  me ajudou com sua memória privilegiada.)