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Borborema recebe a Rota Cultural Raízes do Brejo e espetáculo “As Lembranças das Marias” promete surpreender o público

Nesta sexta-feira (08) a Rota Cultural Raízes do Brejo chegará em Borborema. A Rota Raízes do Brejo, contempla visitação a engenhos, casarões, estações e linha férreas, museus, oficinas, feiras de gastronomia e artesanato, shows, além de passeios a cachoeiras e trilhas ecológicas.

Começou em 20 de setembro e vai até 1 de dezembro passando por 9 municípios: Belém, Alagoinha, Duas Estradas, Pirpirituba, Lagoa de Dentro, Serra da Raiz, Borborema, Dona Inês e Pilõezinhos. E este final de semana é a vez de Borborema, que terá como tema “Educação: 60 anos de História”.

“Estou muito feliz e realizada em poder contar um pouco sobre a história da educação do nosso município. Trazer esse tema para a abertura da Rota Cultural Raízes do Brejo é de extrema importância para a valorização da educação, da arte e da cultura local. Além do que, deixa um marco no aniversário de 60 anos de Emancipação Política de Borborema, que será no próximo dia 12/11. Estamos ansiosos para assistir ao espetáculo, como também para os demais eventos que acontecerão ao longo do final de semana. Borborema aguarda todos de braços abertos,” comentou a prefeita Gilene Cândido.

A cerimônia de abertura será na Escola José Amâncio Ramalho, a partir das 19:00 horas, e terá além da recepção dos prefeitos que compõem a Rota cultural, a estreia do espetáculo “As Lembranças das Marias”, espetáculo escrito, dirigido e coreografado por Renilson Targino e Jailson Silva, que é uma viagem pelas lembranças de 7 velhinhas, que relembram/contam da escola e do modelo educacional rígido; das professoras; das inúmeras brincadeiras; de suas infâncias e de todos acontecimentos de uma época que éramos felizes com tão pouco.

“Quando recebemos o convite para escrever e dirigir o espetáculo, a proposta foi que falássemos sobre a educação e sobre os professores. Uma espécie de uma retrospectiva- homenagem. Mas pesquisando  mais especificamente a história da Escola José Amâncio Ramalho (a escola mais antiga de Borborema, construída em 1955)  e entrevistando alguns alunos que vivenciaram o modelo educacional de um tempo remoto, vimos que era muita informação para apenas um espetáculo, e que seria necessário um série com várias temporadas para abarcar todo o material coletado, então decidimos que faríamos um espetáculo que tivesse algumas essências das histórias que ouvimos nas entrevistas. Então selecionamos alguns temas que eram presentes em todas as entrevistas: a tabuada; o modelo educacional rígido; a reguada e palmatória; a sopa da escola; as brincadeiras de roda; o desfile cívico; o amor a religião e civilidade; os brinquedos de antigamente e de um tempo em que todo dia era bom. Assim criamos 7 personagens-narradores, que são velhinhas que relembram suas infâncias e amarram todo o espetáculo”, destacou Renilson Targino.

“E quem não lembra da Infância? Da primeira professora? Do tempo da escola? Quando penso na infância, vem  logo na memória a primeira professora; as brincadeiras de rua; os banhos de chuva; o homem do algodão doce ; a sopa da escola; às vezes que tocava a companhia e saía correndo; as mangas com sal; os pirões na casa da vovó; de quando caía e os machucados eram curados com mertiolate que ardia para danar; e de uma época que éramos felizes com tão pouco. As Lembranças são como ondas do Mar, vem e vão. Por instantes, lembramos de uma voz; um cheiro; um som. E quem não tem saudades de quando era criança, daqueles momentos tão simples? Como o tempo passa depressa… mas é incrível como existem coisas que marcam a vida da gente. Assim, temos certeza que o espetáculo fará o público relembrar de uma época que o nosso único medo era do escuro e a nossa única preocupação era com o que ia brincar. Vem se se emocionar com as histórias trazidas pelo espetáculo”, complementou Jailson Silva.

 

Assessoria para o FN

 

 

Rota Cultural Raízes do Brejo chega à cidade de Duas Estradas

A cidade de Duas Estradas recebe, neste fim de semana (11 a 13 de outubro), a Rota Cultural Raízes do Brejo. Localizada a pouco mais de 110 km de João Pessoa, Duas Estradas abre a programação cultural na sexta-feira, às 9h, com uma cerimônia de boas-vindas na antiga Estação Ferroviária. No início da noite acontece a abertura das Exposição de fotografia, desenhos e artes plásticas.

De acordo com a programação do evento, na rua Costa Filho, ocorre a abertura da Feira de Artes e Artesanato com apresentação da Banda Conexão. Às 19h30, no palco Costa Filho, ocorre a abertura oficial com atos solenes do evento. Os Barbosas se apresentam logo em seguida.

Foto: Secom/PB

Foto: Secom/PB

No sábado (12), às 9h30, na Estação Ferroviária, a programação cultural prevê abertura da Exposição fotográfica com o tema A Fé que nos move; Mostra de Desenhos de Aroldo Leal, Jarbelly Karina, Jhonatan Borges e Victor Humberto; e Artes Plásticas com obras de Tiago Ribeiro.

Em homenagem ao Dia das Crianças, às 14h, está programada apresentação do Grupo Show da Alegria. Durante toda a tarde estão previstos sorteios de brinquedos e participação de recreadores com distribuição de pipoca, algodão doce e sorvete.

Foto: Secom/PB

À noite, as atividades culturais estão agendadas para o palco Costa Filho. Às 20h, ocorre a apresentação do Grupo Flor da Idade, apresentação Arte e Cultura com Jackson do Pandeiro (20h30), Cine Duas Estradas (21h), Fabiano Guimarães e Banda (22h) e à meia-noite, apresentação de Eduarda Brasil e Banda.

No domingo (13), as atividades culturais têm início pela manhã com exposição fotográfica e passeio pelas principais ruas de Duas Estradas (Nos Trilhos da Cidade). Às 10h, está prevista uma visita ao Engenho Imaculada Conceição que produz a cachaça Serra Limpa. A saída está confirmada na frente da estação ferroviária. Após o almoço, por volta das 14h30, acontece uma visita guiada nas dependências da igreja Sagrado Coração de Jesus. Em seguida, ocorre a apresentação do Grupo Estação da Música.

Às 16h, oportunidade para contemplação do pôr do sol do Mirante de São Francisco com apresentação musical de Amós de Sá (Voz e violão).  A programação do Raízes do
Brejo em Duas Estrada se encerra às 19h30, com uma missa dominical com a participação do Coral Sagrado Coração de Jesus.

 

Secom/PB

 

 

Raízes do Brejo-Rota Cultural acontece no próximo fim de semana em Dona Inês

Com o tema; Beleza, Cultura e Paixão, o Município de Dona Inês, distante 165km de João Pessoa, recebe no próximo fim de semana, de 17 a 19 de novembro, o Raízes do Brejo-Rota Cultural.  O evento conta com mostra de comidas típicas, feira de artesanato, desfile de Bandas Marciais e fanfarras, caminhada, rapel, evento literário, apresentações culturais, oficinas, shows musicais e muito mais.

Na sexta-feira, 17 de novembro, a programação começa pela manhã, a partir das 06h00 com alvorada e Hasteamento das bandeiras. Às 08hoo, no Espaço da Memória, serão realizadas as oficinas de sabão ecológico e de reciclagem com garrafas pets. A programação segue à tarde com uma oficina de Pífano e visitação na Comunidade Pimenta, a partir das 14h00. Na Cidade, no CEMCAP, será realizada oficina de Teatro de Rua. A partir das 15h00 será realizado, no Espaço da Juventude, um encontro de bandas marciais e fanfarras.  À noite acontece a solenidade de abertura, a partir das 19h00, em frente a Igreja Mãe, seguida de apresentações culturais e show com o Trio Paraibano. O Público participante vai poder prestigiar a mostra de comidas típicas e feira de artesanato.

No sábado (18) a programação conta com City Tour por pontos turísticos do Município, pela manhã. Já à tarde escritores locais e convidados se reunirão no Espaço da Memória em um café literário. Na Comunidade Quilombola, Cruz da Menina, serão realizadas as oficinas de Dança Maculelê e Arte na Argila. Às 16h00 haverá uma visita à Capela da Cruz da Menina, onde será apresentada a Peça Teatral; “a Menina Dulce”. À noite segue a mostra de comidas típicas e feira de artesanato. O Cantor Neco Lobão, Forró de Cabo a Rabo e Curió e Forró Caboclo se apresentam no palco do evento a partir das 21h00.

A programação se encerra no domingo (19) com a Caminhada pela Trilha das Pedras, Rapel na Pedra Lavrada e almoço com Forró Pé de Serra na Mata do Seró.

O Raízes do Brejo-Rota Cultural é uma realização do Fórum do Turismo Sustentável do Brejo, com o apoio do Governo do Estado por meio da Empresa Paraibana de Turismo (PBTUR), do SEBRAE e das prefeituras dos municípios que fazem parte do evento entre outras instituições.

A programação e as informações do evento estão disponíveis no www.raizesdobrejo.com e no www.pmdonaines.pb.gov.br.

Assessoria

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Serra da Raiz recebe o Raízes do Brejo-Rota Cultural no próximo fim de semana

Já tido como um dos principais produtos turísticos do Estado da Paraíba, o Raízes do Brejo-Rota Cultural, segue passando pelos Municípios da Região Turística do Brejo. Depois de passar por Belém, no início de outubro e seguir por Alagoinha, Duas Estradas e Lagoa de Dentro, o evento chega no próximo fim de semana no Município de Serra da Raiz, distante cerca de 130km de João Pessoa, numa região de serras e de clima ameno.

O evento vai acontecer de 03 a 05 de outubro, com Feiras de Gastronomia e de artesanato, desfile de Bandas Marciais e fanfarras, passeio ecológico, passeio ciclístico, apresentações culturais, shows musicais e muito mais.

A Programação começa na sexta (03) com alvorada, logo às 04h00, seguida de hasteamento dos pavilhões às 08hh00. A solenidade de abertura acontece às 19h00 no Ginásio da Escola Padre Emídio Fernandes, com a Orquestra Joaquim Menezes, Marcelo Lima e Antônia Pereira, apresentação teatral com o Grupo “Arte e Cultura” e Dança Cultural do Grupo do SCFV/CRAS. Os artistas locais irão se apresentar no palco do evento.

No Sábado (04) a programação conta com Exposição: Museu do Homem Serrano na Avenida Kennedy a partir das 09h00, desfile e apresentações das Bandas Marciais e Fanfarras das Escolas do Município, Feira Gastronômica e Feira de Artesanato a partir das 13h00, na Praça de Eventos, seguido de uma apresentação do Grupo de Artes Marciais do SCFV de Muay Thai Tradicional, apresentação dos Índios Potiguaras (Baia da Traição), ciranda de Roda – Grupo de Idosos “Pra Sempre Feliz” do SCFV e apresentação: Coral de Flautas e Música do SCFV. Às 17h00 será realizado um encontro Motociclístico. Às 19h00 se apresentam; o pastoril Adalto Ribeiro, Boi de Reis Mestre Ivanildo e o Grupo Folclórico Sanfony-Fest.

A partir das 22h00 tem shows com os Barbosas e Joãozinho Dantas e Banda Sete.

A programação se encerra no domingo (05) com a Santa Missa, às 08h00 na Igreja Matriz Senhor do Bom Fim. Às 09h30 tem o passeio Ecológico, passando pela “Loca da Nega” e Passeio Ciclístico com sorteio de 01 bicicleta. A programação ainda conta com a exposição do Museu do Homem Serrano às 10h00, na Av. Presidente Kennedy, s/n.

O encerramento acontece com uma atividade esportiva. Às 11h00 haverá um Torneio de Futsal, na quadra da EEEF Padre Emídio Fernandes.

O Raízes do Brejo é uma realização do Fórum do Turismo Sustentável do Brejo, com o apoio do Governo do Estado por meio da Empresa Paraibana de Turismo (PBTUR), do SEBRAE e das prefeituras dos municípios que fazem parte da ação entre outras instituições.

Outras informações você encontra no www.raizesdobrejo.com.

Assessoria

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Governo confirma apoio ao Projeto Raízes Culturais – Rota do Brejo

Secretários do Governo do Estado se reuniram, nesta terça-feira (25), com prefeitos de oito municípios da região do Brejo para discutir o apoio do Governo do Estado ao Projeto Raízes Culturais – Rota do Brejo, a ser realizado pela primeira vez em cidades que não integram o Rota Cultural Caminhos do Frio. Participaram da reunião o secretário da Comunicação Institucional, Luís Tôrres; o secretário da Cultura, Lau Siqueira; a presidente da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), Ruth Avelino; e a presidente da Fundação Espaço Cultural (Funesc), Nézia Gomes.

O Raízes Culturais – Rota do Brejo ocorrerá de 7 de outubro a 25 de novembro nas cidades de Belém, Alagoinha, Duas Estradas, Lagoa de Dentro, Serra da Raiz, Borborema, Dona Inês e Pilõezinhos. Essas cidades não fazem parte do Projeto Rota Cultural Caminhos do Frio, e a proposta é divulgar ainda mais a identidade cultural do Brejo paraibano.

A presidente da PBTur, Ruth Avelino, destacou a importância do Raízes Culturais – Rota do Brejo para estimular a economia da região. “Quando termina o Caminhos do Frio, há uma diminuição no fluxo de turistas. Essas cidades vão estimular a ocupação de seus hotéis, inclusive a ocupação de hotéis das cidades que fazem parte do Caminhos do Frio, dinamizando a economia do Brejo paraibano”, explicou.

Para Ruth Avelino, o apoio do Governo do Estado a esse novo projeto da região do Brejo é fundamental. “São cidades com potencial turístico muito grande, como os engenhos, a gastronomia, a cultura. O Governo do Estado dará todo o apoio ao Raízes Culturais, com estrutura, logística e divulgação”, afirmou. “É uma parceria em que todos saem ganhando”, acrescentou.

O presidente do Fórum de Turismo do Brejo, Sérgerson Silvestre, disse que o projeto já vinha sendo pensado há pelo menos dois anos. “O Raízes Culturais – Rota do Brejo vai mostrar toda a identidade cultural da região do Brejo, sendo um cartão de visita às potencialidades turísticas do Brejo”, disse. “O Governo do Estado tem sido um importante parceiro na concretização de projeto, que vai promover ainda mais o desenvolvimento da nossa região”, completou.

A prefeita de Serra da Raiz, Adailma Fernandes, ressaltou que o apoio do Governo do Estado fortalece ainda mais as expectativas dos gestores na realização do Raízes Culturais – Rota do Brejo. “A nossa cidade, assim como as demais, sempre teve vontade de participar de um projeto semelhante ao Caminhos do Frio, de mostrar as nossas potencialidades. Tivemos a iniciativa de criar o projeto e seguimos ainda mais confiantes com o apoio do Governo do Estado”, destacou.

Já o prefeito de Alagoinha, Jeová José, afirmou que o Projeto Raízes Culturais – Rota do Brejo irá incrementar ainda mais a economia da cidade. “É uma oportunidade de entrarmos ainda mais no circuito turístico do Estado. Isso vai fortalecer a nossa economia e nos dar a oportunidade de mostrar cada vez mais que a Paraíba é mais que sol e mar”, concluiu.

Programação – O Raízes Culturais – Rota do Brejo será realizado de 7 de outubro a 25 de novembro, nas seguintes cidades:

– Alagoinha, 7 de outubro;

– Duas Estradas, 21 de outubro;

– Lagoa de Dentro, 28 de outubro;

– Serra da Raiz, 4 de novembro;

– Borborema, 11 de novembro;

– Dona Inês, 18 de novembro;

– Pilõezinhos, 25 de novembro.

Bananeiras Online com Assessoria

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A luta de classes na Europa e as raízes da crise econômica mundial (I)

A situação europeia não pode ser compreendida sem considerar a situação da economia mundial em sua totalidade. Hoje, após a reintegração da China e a plena incorporação da Índia na economia capitalista mundial, a densidade das relações de interconexão e a velocidade de interações no mercado alcançaram um nível jamais visto anteriormente. O que prevalece hoje na arena mundial é o que Marx chama de “anarquia da produção”. Alguns Estados, os que ainda têm meios para isso, são cada vez mais os agentes ativos dessa competição. E único Estado que conserva esses meios na Europa continental é a Alemanha. O artigo é de François Chesnais.

François Chesnais – SinPermiso

A crise financeira europeia é a manifestação, na esfera das finanças, da situação de semiparalisia na qual se encontra a economia mundial. Neste momento é sua manifestação mais visível, mas de modo nenhum a única. As políticas de austeridade aplicadas simultaneamente na maior parte dos países da União Europeia contribuem para a espiral recessiva mundial, mas não são sua única causa.

Foram eloquentes as manchetes da nota de perspectiva de setembro de 2011 da OCDE: “A atividade mundial está perto da estagnação”; “O comércio mundial se contraiu, os desequilíbrios mundiais persistem”; “No mercado de trabalho, as melhoras são cada vez menos perceptíveis”; “A confiança diminuiu”, etc. Após as projeções de Eurostat, em meados de novembro, apontando uma contração econômica da UE, da qual nem a Alemanha escaparia, a nota da OCDE de 28 de novembro assinala uma “considerável deterioração” com um crescimento de 1,6% para o conjunto da OCDE e de 3,4% para o conjunto da economia mundial.

Compreensivelmente, a atenção dos trabalhadores e dos jovens da Europa está centrada nas consequências do “fim de caminho” e do “salve-se quem puder” das burguesias europeias. A crise política da UE e da zona euro, assim como as intermináveis vacilações do BCE acerca do financiamento direto dos países em maiores dificuldades, são suas manifestações mais visíveis. A tendência é endurecer as políticas de austeridade e montar uma operação de “resgate total” da qual não escape nenhum país. No entanto, a situação europeia não pode ser compreendida independentemente da consideração da situação da economia mundial em sua totalidade.

A CNUCED começa seu informe assinalando que “o grau de integração e interdependência econômicas no mundo atual não tem precedentes” (CNUCED, 2011). Este reconhecimento é um inegável progresso intelectual no qual muitos analistas e, inclusive, militantes de esquerda, deveriam se inspirar. O campo da crise é o do “sistema de mudança internacional mais desenvolvido”, do qual já falava Marx em seus primeiros escritos econômicos (Marx, 1971: 161). Hoje, após a reintegração da China e a plena incorporação da Índia na economia capitalista mundial, a densidade das relações de interconexão e a velocidade de interações no mercado mundial alcançaram um nível jamais visto anteriormente. Este é o marco no qual devem ser abordadas as questões essenciais: a superacumulação e a superprodução, os super poderes das instituições financeiras e a competição intercapitalista.

Não há nenhum “fim da crise” à vista
Na usual linguagem econômica de inspiração keynesiana, o termo “saída da crise” indica o momento no qual o investimento e o emprego se recuperam. Em termos marxistas, é o momento no qual a produção de valor e de mais valia (tomando e fazendo trabalhar os assalariados e vendendo as mercadorias a fim de realizar sua apropriação pelo capital) está baseada na acumulação de novos equipamentos e na criação de novas capacidades de produção. São muito raras as economias que, como é o caso da China, apesar de estarem inseridas em relações de interdependência, seguem desfrutando de certa autonomia, de modo tal que a saída da crise pode ser concebida em nível na economia do Estado-Nação. Todas as demais estão inseridas em relações de interdependência que determinam que o fechamento do ciclo do capital (Dinheiro-Mercadoria-Produto-Mercadoria-Dinheiro) da maior parte das empresas (de todas as grandes, em todo caso) se realize no estrangeiro. E os maiores grupos deslocalizam diretamente todo o ciclo de uma parte de suas filiais.

A isso se deve o alcance do atoleiro registrado desde o último G20. A mais de quatro anos do começo da crise (agosto 2007) e três desde as convulsões provocadas pela quebra do banco Lehmann (setembro 2008), o conjunto da situação está marcado pela incapacidade, ao menos momentaneamente, do “capital” – os governos, os bancos centrais, o FMI e os grupos privados de centralização e poder do capital coletivamente considerados – para encontrar meios que permitam criar uma dinâmica como a indicada em nível da economia mundial ou, pelo menos, em muitos grandes setores da mesma. A crise da zona euro e seus impactos sobre um sistema financeiro opaco e vulnerável são uma expressão disso.

Mas essa incapacidade não implica passividade política. O que ocorre simplesmente é que a ação da burguesia está cada vez mais movida exclusivamente pela vontade de preservar a dominação de classe em toda sua crueza. E faz isso de maneira imediata e direta sobre os trabalhadores da Europa. Os centros de decisão capitalista buscam ativamente soluções capazes de proteger os bancos e evitar o imenso choque financeiro que significaria a moratória de Itália ou Espanha, fazendo cair mais do que nunca o peso da crise sobre as classes populares. Um testemunho disso foi o desembarque (com poucos dias de intervalo) na cúpula dos governos grego e italiano, de agentes do capital financeiro que foram designados diretamente por este, “ignorando os procedimentos democráticos”. Outro testemunho é a dança de rumores sobre projetos de “governança” autoritária que estão sendo discutidos na zona euro. Isso tem implicações políticas ainda mais graves para os trabalhadores, porque vem acompanhado pelo reforço do caráter pró-cíclico das políticas de austeridade e privatização que contribui para a nova recessão em marcha.

Os incessantes chamados que, do outro lado do Atlântico Norte, fazem Barack Obama e o Secretário do Tesouro, Tim Geithner, para que os dirigentes europeus apresentem uma rápida resposta à crise do euro traduzem o fato de que o “motor americano”, como dizem os jornalistas, está “avariado”. Desde 1998 (rebote da crise asiática), o funcionamento macroeconômico estadunidense foi construído quase inteiramente na base do endividamento das famílias, das pequenas e médias empresas e das comunidades locais.

Este “regime de crescimento” está muito arraigado: reforçou com tanta força o jogo dos mecanismos de distribuição desigual de renda que os dirigentes não têm outra perspectiva a qual se agarrar que o momento – distante – em que as pessoas possam (ou estejam, na verdade, obrigadas a) endividar-se novamente. As diferenças “irreconciliáveis” entre democratas e republicanos estão ligadas a duas questões interconectadas: qual seria a melhor maneira de desendividar o Estado Federal desde essa perspectiva e se pode, ou mesmo deve, endividar-se ainda mais para alcançar esse objetivo.

A incapacidade de conceber qualquer outro “regime de crescimento” reflete a quase intocável força econômica e política da oligarquia político-financeira que constitui esse 1%. O movimento Ocupa Wall Street é um primeiro sinal do enfraquecimento desta dominação, mas até que não ocorra um terremoto mundial que inclua os Estados Unidos, a política econômica norteamericana seguirá reduzida às injeções de dinheiro do Banco Central (FED), ou seja, a fazer funcionar a máquina de fabricar cédulas, sem que ninguém saiba até quando isso pode durar.

A China e a Índia podem ajudar, como fizeram em 2009, a limitar a contração da produção e do comércio. Em particular a China seguirá – mas com mais dificuldade que antes – ajudando a enfrentar a contração mundial. Com a plena integração da Índia e da China na economia se produziu um salto qualitativo na dimensão do exército industrial de reserva a disposição do capitalismo mundial em seu conjunto. Adicionalmente, deve-se recordar que na China se encontram alguns dos mais importantes focos de superacumulação e de superprodução. Fala-se muito do efeito tesoura entre a grande baixa do PIB dos países capitalistas industriais “velhos” e a ascensão dos “grandes emergentes”, e a crise também acelerou a finalização do período de hegemonia mundial dos Estados Unidos (hegemonia econômica, financeira e monetária, desde os anos 1930, hegemonia militar não compartilhada a partir de 1992). No entanto, a China não está de nenhum modo em condições de tomar o lugar dos Estados Unidos como potência hegemônica.

A novidade da grande questão política do período
Este artigo trata de repassar a origem e a natureza das crises capitalistas que se tornaram particularmente notórias com a crise atual e situar esta na “história de longo prazo”. A crise em curso estourou ao término de uma fase muito longa (mais de cinquenta anos) de acumulação quase ininterrupta: a única fase desta duração em toda a história do capitalismo. Precisamente, a crise pode durar muitos anos, até uma década, porque tem como substrato uma superacumulação de capacidades de produção especialmente elevada e, como aberração, uma acumulação de capital fictício em um valor também sem precedente.

Por outro lado, a situação muito difícil dos trabalhadores em qualquer parte do mundo – por diferenciada que ela seja de continente para continente e, inclusive de país para país, devido a suas trajetórias históricas anteriores – resulta da posição de força obtida pelo capital graças à mundialização do exército industrial de reserva com a extensão da liberação dos intercâmbios e do investimento direto na China.

Se em um horizonte temporal previsível não há “saída da crise” para o capital, de maneira complementar e antagônica, o futuro dos trabalhadores e dos jovens depende, em grande medida, senão inteiramente, da capacidade para abrir espaços e criar “tempos de respiração” políticos próprios, a partir de dinâmicas que hoje só eles podem mobilizar. Estamos em uma situação mundial na qual o decisivo passou a ser a capacidade destes movimentos – nascidos sem aviso – se organizarem de tal modo que conservem uma dinâmica de “autoalimentação”, inclusive em situações nas quais não existam, no curto prazo, desenlaces políticos claros ou definidos.

Na Tunísia, Grécia ou Egito, mas também nos Estados Unidos, os movimentos OWS (Ocupa Wall Street), em especial no contexto nacional da principal potência capitalista do mundo e de um espaço geográfico continental, o melhor que os militantes podem fazer é ajudar a que os atores dos movimentos com essa potencialidade afrontem os diversos e numerosos obstáculos contra os quais se chocam e defendam a ideia de que, em última instância, as questões sociais decisivas são “quem controla a produção social, com que objetivo, segundo que prioridades e como pode ser construído politicamente esse controle social”. Possivelmente seja este o sentido dos processos e consignas “de transição” hoje em dia. Alguns poderão dizer que sempre foi assim. Mas, dito nos termos acima, para grande quantidade de militantes constitui uma formulação em grande medida – se não completamente – nova.

A valorização “sem fim e sem limites” do capital como motor da acumulação

Antes de retomar a crise iniciada em 2007, é preciso explicitar os meios da acumulação capitalista. Detenhamo-nos por um instante na teoria da acumulação no longo prazo. O objetivo é ajudar, partindo de uma compreensão precisa dos estímulos do movimento de acumulação capitalista, para facilitar a explicitação da natureza das crises e situar cada grande crise na história social e política mundial. Como escreveu Paul Mattick, ao comentar uma indicação de Engels, “nenhuma crise real pode ser entendida se não for situada no contexto mais amplo de desenvolvimento social global” (Mattick, 1977:39). A magnitude e os traços específicos das grandes crises são a resultante dos meios aos quais o capital (em um sentido que inclui os governos dos países capitalistas mais importantes) recorreu no período precedente para “superar esses limites imanentes” antes de ver “que voltam a se levantar esses mesmos limites, ainda com maior força” (Marx, 1973: III, 248).

As crises estouram no momento em que o capital fica novamente “enredado” em suas contradições, enfrentando as barreiras que ele mesmo cria. Quanto mais importantes tenham sido os meios utilizados para superar seus limites, mais prolongado será o tempo em que esses meios de superação atingirão seu objetivo, e mais poderão diferir sua revelação. Além disso, mais importante será a crise e mais difícil a busca de novos meios para “superar esses limites imanentes”. Deste modo, a história invade a teoria da crise.

Cada geração lê e relê Marx. E o faz tanto para seguir a evolução histórica como também para dar conta da experiência de dificuldades teóricas com as quais tropeçou. Durante muitas décadas predominou a problemática do desenvolvimento das forças produtivas em suas distintas variantes, com as reminiscências das teorias do progresso que a mesma ainda podia arrastar.

Hoje, o Marx que, como militante-investigador, deve ser lido é o que ajuda a compreender o que significa a tomada do poder pelas finanças, o dinheiro em toda sua brutalidade, aquilo sobre o qual ele escreveu nos Manuscritos de 1857-58 dizendo que “o capital (…) enquanto representante da forma universal da riqueza – o dinheiro – constitui o impulso desenfreado e desmedido de passar por cima de suas próprias barreiras” (Ibid.: 276). Ou também o que sustenta em O Capital, a saber que “a circulação do dinheiro como capital carrega em si mesmo seu fim, pois a valorização do valor só se dá dentro deste processo constantemente renovado. O movimento do capital é, portanto, incessante” (Ibid.: I, 108). Ao longo do século XX, muito mais que no momento em que foi estudado por Marx, o capital evidenciou um profundo nível de indiferença quando ao uso social das mercadorias produzidas ou a finalidade dos investimentos.

Há trinta anos, a “riqueza abstrata” tomou cada vez mais a forma de massas de capital-dinheiro em busca de valorização colocadas nas mãos de instituições – grandes bancos, companhias de seguros, fundos de pensão e Hedge Funds – cujo “trabalho” é o de valorizar seus bens de maneira puramente financeira, sem sair da esfera dos mercados de títulos e de ativos fictícios “derivados” de títulos, sem passar pela produção. Enquanto as ações e os títulos da dívida – pública, das empresas ou das famílias – só são “vales”, direitos de se apropriar de uma parte do valor e da mais valia, concentrações imensas de dinheiro se voltam ao “ciclo curto Dinheiro-Dinheiro” que representa a suprema expressão do que Marx chamou de fetichismo do dinheiro. Expressa mediante formas cada vez mais abstratas, fictícias, “nocionais” (termo utilizado pelos economistas das finanças) de dinheiro, a indiferença ante as consequências da valorização sem fim e sem limites do capital impregna a economia e a política, inclusive em “tempos de paz”.

Os traços principais do capital a juro, que foram destacados por Marx – manter-se “à margem do processo de produção” e apresentar “o juro como o verdadeiro fruto do capital, como o originário, e com o lucro transfigurado agora como lucro de empresário, como simples acessório e aditamento adicionado no processo de reprodução” (Ibid.: III, 373) – hoje colocam os dirigentes capitalistas defrontados com a toda a sociedade, com o conjunto da sociedade. O que ocorre em nível da distribuição (o 1% frente ao 99%, segundo diz a consigna dos militantes do OWS) é só a expressão mais facilmente perceptível de processos muito mais profundos. Na cúpula dos grandes grupos financeiros – tanto nos chamados “com predomínio industrial” como nos demais – existe uma fusão quase completa entre o “capital-propriedade” e o “capital-função”, que Marx identificou, opondo-os parcialmente. A “era dos gerentes” deu lugar a outra na qual há uma identidade de visão quase completa entre os acionistas e os dirigentes.

Para um capital no qual as finanças estão no comando, a busca “desenfreada e desmedida” da valorização deve ser conduzida muito mais impecavelmente se o sistema está em crise. Os “vales” sobre a produção em forma de dividendos ou juros estão ameaçados e alcançam montantes que, desde os anos 1920, nunca tinham sido tão elevados. É por isso que, seja se trate dos trabalhadores que o capital emprega apesar da situação de superprodução, ou dos recursos básicos que vão ficando raros ou mesmo da posição a se adotar frente às mudanças climáticas e suas previsíveis consequências, o reflexo predominante no capital tomado de conjunto é intensificar as exploração das “duas fontes originais de toda riqueza”: a terra e o homem (Ibid.: I, 424) e isso, ilimitadamente, até o esgotamento, sejam quais forem as consequências.

Não posso estender-me aqui na análise das questões ecológicas e sua interação com o movimento da acumulação e suas contradições, mas cabe assinalar que, com a crise, estas interações se tornam ainda mais estreitas, como mostra o último informe da Agência Internacional de Energia (Reverchon).

Centralização e concentração do capital e intensificação da competição intercapitalista
A ideia associada à expressão “os senhores do mundo”, a de uma sociedade planetária do tipo de Metrópolis, de Fritz Lang, acaba de ser reforçada pela difusão de um estudo estatístico muito importante sobre as interconexões financeiras entre os maiores bancos e empresas transnacionais, publicado pelo Instituto Federal Suíço de Tecnologia, de Zurich (Vitali et. al.). Seria preciso um artigo inteiro para examinar a metodologia dos dados de base e as conclusões deste ambicioso estudo, cujos resultados têm importantes implicações, mas devem ser cruzados com outros fatos.

Qual o sentido de classificar cinco grupos financeiros franceses (Axa no quarto lugar e Société Générale no posto vinte e quatro) entre os cinquenta primeiros grupos mundiais com base no número de seus laços (caracterizados como “de controle”) com outros bancos e empresas? Como reconciliar essa informação com a exigência de socorrer esses mesmos grupos? A densidade de interconexões financeiras não traduz sobretudo o fluxo de operações financeiras nas quais os grupos em questão são intermediários? E os numerosos laços não teriam o estatuto de nós do sistema e não o de centralizadores do valor e da mais valia?

Em todo caso, a publicidade dada ao estudo exige fazer dois tipos de observações teóricas que são, ao mesmo tempo, indispensáveis para compreender a situação mundial. Os processos de liberalização e privatização fortaleceram muitíssimo os mecanismos de centralização e de concentração do capital, tanto em nível nacional, como de maneira transnacional. São processos que alcançaram tanto o Sul como o Norte. Em determinados setores dos países chamados “emergentes” – a banca e os serviços financeiros, a agroindústria, a mineração e os metais básicos – vimos a centralização e a concentração do capital e sua expansão para os países vizinhos.

No Brasil e na Argentina, por exemplo, a formação de poderosas “oligarquias” modernas andou de mãos dadas com fortes processos endógenos de acumulação financeirizada e a valorização de “vantagens comparativas” conformes às necessidades de matérias primas desta acumulação mundial na qual a China passou a ser o pivô. Especialmente no Brasil se formaram oligopólios que rivalizam com seus pares norteamericanos ou australianos na extração e transformação de metais e na agroindústria. Devido à mundialização, as interconexões entre os bancos e entre bancos e empresas comprometidas com a produção industrial e os serviços, passaram a ser mais fortemente transnacionais do que em qualquer outro momento. O campo de ação do que Lenin chamava de “entrelaçamento” é a economia mundial. Não é por isso que o capital é monolítico. O entrelaçamento não apaga a competição entre os oligopólios que, por ocasião da crise, recuperam traços nacionais e comportamentos pouco cooperativos.

O que prevalece hoje na arena mundial é o que Marx chama de “anarquia da produção”, cujo motor é a competição, mesmo que o monopólio e o oligopólio sejam a forma absolutamente dominante dos “múltiplos capitais” que conjuga o capital considerado como totalidade. Os Estados, ou mais exatamente, alguns Estados, os que ainda têm meios para isso, são cada vez mais os agentes ativos dessa competição. O único Estado que conserva esses meios na Europa continental é a Alemanha. Não ocorre o mesmo na França, onde a burguesia se tornou novamente financeira e rentista, deixando que ocorresse um processo de desindustrialização, encerrando-se na opção da energia nuclear e que vê agora seus “campeões nacionais” caírem um após o outro. Por isso, as dúvidas a respeito da presença dos bancos franceses entre os cinquenta “senhores do mundo”.

A outra grande observação referente à centralização-concentração do capital nos devolve ao nosso fio condutor. A razão pela qual as leis coercitivas da competição desfazem as tendências que vão no sentido do acordo entre os oligopólios mundiais é que o capital, por mais centralizado que seja, não tem o poder de se libertar de suas contradições constitutivas, assim como não pode bloquear o momento no qual volta a se encontrar com seus “limites imanentes”.

cartamaior