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Inep anula questão do Enem 2019

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anunciou, na manhã desta terça-feira (19), a anulação de uma questão da prova de ciências humanas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2019 .Segundo o instituto, por causa da metodologia do Enem, a Teoria de Resposta ao Item (TRI), “a anulação de um item, ou mesmo a aplicação de provas com itens diferentes, não compromete o processo de estimação da nota das participantes”.

Correlação da questão anulada:

Caderno azul: questão 90
Caderno amarelo: questão 78
Caderno branco: questão 66
Caderno rosa: questão 72

Segundo o Inep, a questão não tem problemas no enunciado ou nas alternativas; o motivo da anulação foi o fato de ela já ter aparecido no Enem 2018, no chamado Caderno de Questões Braille e Ledor.

“O caderno Ledor é preparado para os aplicadores que atuam como ledores para os participantes que, por algum motivo, solicitam auxílio para a leitura da prova como recurso de acessibilidade”, explicou a autarquia.

Esse atendimento específico para candidatos com deficiência pode fazer com que algumas questões do caderno de provas desses candidatos sejam diferentes dos demais candidatos. O Inep diz que isso acontece quando é preciso substituir uma questão com recursos visuais, como os gráficos e as imagens, por outras, já que o trabalho de descrição desses recursos tornaria a questão difícil demais para a compreensão dos participantes com deficiência.

Esse é o segundo ano consecutivo em que uma questão do Enem é anulada por já ter aparecido em outra prova. No ano passado, uma questão da prova de matemática sofreu o mesmo fim, depois de professores do Curso Anglo, em São Paulo, terem identificado que ela já havia sido publicada em 2014 no vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Leia abaixo a nota na íntegra do Inep:

“O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informa a anulação de uma questão da prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias da aplicação regular do Enem 2019: questão 90 do Caderno Azul; questão 78 do Caderno Amarelo; questão 66 do Caderno Branco e questão 72 do Caderno Rosa.

O Inep identificou que a referida questão fez parte do Caderno de Questões Braile e Ledor da aplicação do Enem 2018 (questão 56 do Caderno Laranja). O caderno Ledor é preparado para os aplicadores que atuam como ledores para os participantes que, por algum motivo, solicitam auxílio para a leitura da prova como recurso de acessibilidade.

O cálculo estatístico da nota do Enem, de acordo com a metodologia da Teoria da Resposta ao Item (TRI), considera a combinação da coerência do padrão de resposta com o pressuposto da cumulatividade, e ainda, as características (parâmetros de complexidade) de cada item. Por isso, a anulação de um item, ou mesmo a aplicação de provas com itens diferentes, não compromete o processo de estimação da nota das participantes.

Respeitando a comparabilidade garantida pela TRI, as questões que compõem as provas acessíveis podem sofrer ligeira alteração comparadas à prova de aplicação regular devido às especificidades deste público. As provas do Caderno Braile e Ledor, por exemplo, contém a descrição de gráficos, imagens, esquemas e outros recursos visuais utilizados e questões que inviabilizam ou dificultam demasiadamente a compreensão por parte dos participantes com algum tipo de deficiência visual são substituídas.”

 

 

G1

 

 

Dilma vai pedir em discurso reforma da ONU para enfrentar questão dos refugiados

Agência Brasil
Agência Brasil

O discurso que a presidenta Dilma Rousseff fará na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na segunda-feira (28), vai destacar a necessidade de uma reforma na instituição, especialmente em um momento em que questões delicadas como a imigração em massa de refugiados sírios para a Europa se intensificam no cenário global.

A intenção do governo brasileiro é sensibilizar os membros do Conselho de Segurança para que o país consiga um assento permanente. Nesse sentido, ao abrir o debate de alto nível da Assembleia, a presidenta Dilma Rousseff deverá ressaltar que a organização enfrenta dificuldades de representatividade para tratar de temas importantes da atualidade. Mencionará a questão dos imigrantes sírios como um desafio urgente a ser enfrentado pelos líderes mundiais.

Seguindo a tradição iniciada em 1947 pelo então ministro das Relações Exteriores Oswaldo Aranha, de um brasileiro ser o primeiro orador na abertura da Assembleia- Geral da organização, Dilma Rousseff será a primeira chefe de estado a discursar na 70ª sessão, nesta segunda-feira (28). Além da política migratória, a presidenta citará as políticas que o Brasil vem adotando no acolhimento a refugiados.

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Nesta semana, o Comitê Nacional para os Refugiados prorrogou por mais dois anos a concessão de visto especial a imigrantes sírios e pessoas afetadas pelo conflito na região, fazendo com que a exigência de documentos e requisitos seja menor. Desde 2012, o Brasil também permite a concessão de visto humanitário a imigrantes haitianos.

Desde que discursou pela primeira vez na ONU, em 2011, a presidenta repete posicionamentos do Brasil sobre questões internacionais. Desse modo, ela deverá novamente defender a paz no Oriente Médio e o direito de existir um Estado da Palestina.

Neste domingo (27), em discurso na Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável, Dilma deverá anunciar as metas do país para a Cúpula do Clima de Paris que ocorre no final do ano. Por isso, a lista desses compromissos do governo brasileiro deverá também ser repetida por ela durante a fala na Assembleia.

Como o Brasil alcançou antecipadamente a maioria dos Objetivos do Milênio propostos pela ONU em 2000, o cumprimento dessas metas também será ressaltado pela presidenta para os chefes de estado e de governo reunidos em Nova Iorque, como a redução do desmatamento, o aumento da escolarização de crianças de até seis anos, as políticas de superação da pobreza e garantias da segurança alimentar e nutricional.

Atualmente, o Conselho de Segurança da ONU tem 15 vagas, das quais cinco são permanentes e dez rotativas, com membros eleitos pela Assembleia-Geral a cada dois anos. Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França e China possuem assento permanente no órgão. O conselho é o único fórum da entidade com poder decisório e todos os membros das Nações Unidas devem aceitar e cumprir suas decisões.

 

 

Agência Brasil

Enem 2014: Questão de biologia pode ter duas respostas, dizem professores

enemO primeiro dia de provas do Enem 2014 foi realizado neste sábado (8) e cobrou conhecimentos nas áreas de ciências humanas e suas tecnologias e de ciências da natureza e suas tecnologias. Segundo professores do Curso e Colégio Objetivo, a questão 62 da prova amarela causou dúvidas entre os candidatos por ter duas alternativas possíveis.

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“Com certeza os candidatos tiveram dificuldades para responder essa questão, que fala sobre branqueamento e morte de corais. Os nossos professores acreditam que as alternativas A e E acabaram confundindo os participantes”, disse Giuseppe Nobilioni, coordenador de matemática do Objetivo.

 

Uol

 

Reações da vacina do HPV criam pânico no país. Tomar ou não tomar, eis a questão

vacinaQuando as pessoas se posicionam contra vacinas, são chamadas de loucas. As vacinas são importantes para evitar doenças em grande escala e no meio disso, há efeitos negativos, é claro. Porém, qual a distância entre casos isolados e um problema que realmente deveria suspender a vacinação? É exatamente esse o caso da vacina contra o HPV, indicada para crianças a partir dos 9 anos – na rede pública, o foco são as meninas.

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Desde o começo da vacinação, sabe-se que há efeitos adversos que não foram divulgados aos pacientes e familiares nem pela campanha, nem pela mídia – sim, também sou culpada por isso. Assim como no Brasil, no Japão, França, Espanha, Índia, Colômbia e Estados Unidos a vacina causou problemas leves como desmaios, náuseas, fraqueza muscular, dormência, e mais graves como dor incapacitante, visão turva, histeria (um problema psicológico) e paralisia. Quem teve essas reações, não pode tomar a segunda dose, mas isso não vem sendo divulgado também.

Na cidade de El Carmen, na Colômbia, foram 200 meninas. Em Bertioga (SP), 11 adolescentes tiveram reações e duas delas ainda correm risco de paralisia. No Japão, foram mais de duas mil queixas sobre reações adversas, o que levou ao cancelamento da campanha de vacinação contra o HPV. No Ceará, uma menina de 12 anos ficou cega. Em Viana (ES), mais 11 meninas tiveram reações leves. E esses são apenas os casos registrados e que ganharam espaço na mídia. Os médicos não ligam diretamente os problemas com a vacinação, mas todos os casos aconteceram depois da aplicação da primeira dose. Algumas dessas meninas seguem internadas sem uma previsão de cura ou reestabelecimento da saúde. Tem algo errado aí, não tem?

No site do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano é possível encontrar informações e relatos sobre os efeitos adversos. Entre 2006 e 2013 foram distribuídas 57 milhões de doses e registrados 22 mil eventos adversos. Essas reações são as mesmas apontadas pelas meninas nas outras partes do mundo.

A vacina tem uma intenção positiva? Tem. Mas é importante que pais e pacientes tenham em mente os riscos que correm com sua aplicação. É obrigação dos profissionais de saúde clarearem essa questão, é obrigação do governo informar que existem riscos e que nenhuma vacina é 100% segura quando olhada em pequena escala. Os números em grandes populações são interessantes, mas cada vida perdida ou modificada tem um valor inestimável.

Se você tomou vacina ou conhece alguém que tomou, fique atenta às reações adversas e procure um médico o mais rápido possível. Se você teve uma reação desse tipo e está prestes a tomar a segunda dose, converse com um médico de confiança primeiro ou busque informações em estudos (no Centro Cochrane você encontra diversos estudos sobre milhares de temas, todos baseados em evidências científicas) e tome a decisão bem informada.

A decisão de se vacinar é sua e deve ser feita depois de conhecer os riscos que existem. Nossa obrigação, como cidadãos, é tomar o protagonismo da nossa saúde.

A assessoria do Ministério da Saúde nos enviou uma nota de esclarecimento. Leiam, informem-se, mas nunca deixem de tomar decisões tão importantes na nossa vida, como vacinação, sem pesquisar antes e buscar diversas fontes de informação. Veja a nota:

“O Ministério da Saúde reforça que a vacina contra o HPV é segura e recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para prevenção do câncer do colo do útero – terceiro tipo mais frequente na população feminina e terceira causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima a prevalência de 15 mil novos casos e cerca de 5 mil óbitos por câncer do colo do útero em 2014. 
 
A vacinação é utilizada como estratégia de saúde pública em outros 51 países, que já realizaram a aplicação de mais de 175 milhões de doses desde 2006, sem registros de eventos que pudessem pôr em dúvida a segurança da vacina.
 
Até o momento, mais de 4,3 milhões de meninas, entre 11 e 13 anos, receberam a primeira dose da vacina contra HPV, o que representa 87,3% da população prevista. A vacina estará disponível nos postos de saúde durante todo o ano. 
 
Para investigar os casos de possíveis eventos adversos de qualquer vacina do calendário nacional, o Programa Nacional de Imunizações mantém o Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos. Desde o início da vacinação, em março de 2014, 97% dos eventos associados à vacina contra HPV foram classificados como leve, reações como dor no local de aplicação, coloração avermelhada da pele, dor de cabeça. Foram confirmados 12 casos de reações alérgicas. Apenas dois casos estão sendo avaliados pelo Comitê para saber se a causa está relacionada ou não à vacinação.
 
No dia 4 de setembro, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo recebeu 11 notificações de possíveis eventos adversos associados à vacina HPV, ocorrido no município de Bertioga. Destas, três adolescentes foram encaminhadas ao Hospital Guilherme Álvaro para avaliação neurológica e os exames realizados não apresentaram nenhuma alteração. As pacientes continuam sendo monitoradas pelo serviço de saúde. O fenômeno já foi observado em aplicações com outras vacinas injetáveis e nesse momento a hipótese diagnóstica tem associação com a ansiedade ao receber uma injeção (reação de ansiedade pós vacinação).
 
No estado de São Paulo, vários municípios receberem o mesmo lote e não se observou a ocorrência de qualquer evento adverso pós vacinação, sendo que desde o dia 1º de setembro já foram vacinadas cerca de 20 mil meninas. O Ministério da Saúde esclarece que não há indicação de suspensão deste lote e a vacinação deve continuar em todos os municípios do país”

 

Yahoo

Igreja e Questão Agrária no início do século XXI. Um retumbante silêncio

reforma agraria“O pronunciamento da Igreja sobre a questão agrária do século XXI é um reflexo da necessidade de atualização do pensamento da Igreja sobre o assunto, já que o documento com igual significado a respeito da questão agrária brasileira é de 1980”, avalia o economista.

“Reatualizar a questão agrária dos anos 1980 para hoje.”Esse é o cerne do documento intitulado Igreja e Questão Agrária no Início do Século XXI, apresentado pela CNBB na 52ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP), em maio deste ano, resume Guilherme Delgado, um dos membros da Comissão Episcopal responsável pela redação do texto, na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone.Delgado explica que o documento oficial, recentemente publicado, “deve ser visto como uma continuidade do documento de 1980, num novo contexto histórico”, referindo-se ao texto produzido há mais de 30 anos, quando a Igreja apresentava uma posição favorável à reforma agrária.

De acordo com Delgado, o novo documento da CNBB foi aprovado por 96% dos bispos, mas “um número razoável dos que estavam presentes não votou”.

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O economista esclarece que, apesar de o país estar em outro momento político, as questões relacionadas ao uso e à propriedade da terra ainda não foram solucionadas. Diante dessa conjuntura, pontua, “a Igreja se viu na obrigação de se pronunciar em uma perspectiva de mudança da estrutura agrária, no sentido de atender aos clamores dos que estão excluídos das benesses do pacto de poder dominante. A ideia, portanto, é reatualizar a questão agrária dos anos 1980 para hoje, dizer por que aestrutura agrária de hoje é iníqua do ponto de vista ético, do ponto de vista da doutrina social da Igreja, que tem, na função social e ambiental da propriedade, o roteiro para que se compreenda uma verdadeira mudança no sentido de atender aos reclamos e aos anseios dos povos da terra”.

Delgado acompanha o processo de elaboração do documento desde 2010, quando a questão agrária foi proposta como tema a ser retomado pela Igreja. Segundo ele, na ocasião não houve consenso entre os bispos, e o assunto só passou a ser visto positivamente após a eleição do Papa Francisco. “De 2010 até agora, quando as assembleias se pronunciaram sobre documentos que elas próprias convocaram para elaborar, há uma mudança positiva, ou seja, melhorou a percepção e a atenção do episcopado sobre esse assunto por várias razões.

Do ponto de vista estritamente eclesial, diria que a grande mudança acontece com o papado do Papa Francisco. O papado dele relança a questão social, o debate sobre a economia, a sociedade, a pobreza”, assinala. E acrescenta: “Pessoalmente, a última exortação que ele publicou sobre a situação da Igreja no mundo contemporâneo ajudou enormemente a desbloquear a compreensão e a ação episcopal do sentido das questões que já eram de longa data presentes, mas que estavam abafadas: a questão agrária, a questão da família (que agora tem um sínodo), as questões da colegialidade na Igreja, as questões relacionadas à própria relação da Igreja com a modernidade, a pós-modernidade.

Todos esses temas voltam com muito mais legitimidade e percepção de que é urgente voltarmos aos temas do Concílio Ecumênico Vaticano II que, por um bom período, ficaram desativados na compreensão do papado”.

O documento Igreja e Questão Agrária no Início do Século XXI foi aprovado na 52ª Assembleia Geral da CNBB, em maio deste ano, e publicado no final de junho. Sobre o processo de divulgação do conteúdo, Delgado é categórico: “Eu me manifestei ao secretário geral da CNBB dizendo que um documento como esse tem um conteúdo pastoral e doutrinário pastoral e, portanto, político. Assim sendo, o “timing” dele — considerando as mídias que temos hoje — é imediato, ou seja, o texto saiu da assembleia e deveria ter sido publicado no site da CNBB, que é uma mídia mundial. Mas a compreensão da conferência foi de que o documento só poderia ser divulgado depois de editado em papel e publicado nos documentos CNBB nº 101, como foi publicado recentemente. Mas veja que o tempo editorial é outro, demora por causa de revisão e mais revisão. E, portanto, o documento demorou quase dois meses para ser publicado”.

Guilherme Delgado (foto abaixo) é doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Trabalhou durante 31 anos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o tema da reforma agrária foi abordado na 52ª Assembleia Geral da CNBB? Por que a Igreja retoma esse tema?

Guilherme Delgado – Esse tema já vem sendo tratado pelaCNBB desde 2009, e um texto sobre a questão agrária — uma versão de estudos — foi objeto de apreciação pela Assembleia da CNBB em 2010. Então, o pronunciamento da Igreja sobre a questão agrária do século XXI, que é o tema do documento, é um reflexo da necessidade de atualização do pensamento da Igreja sobre o assunto, já que o documento com igual significado a respeito da questão agrária brasileira é de 1980, quando essa questão da terra foi objeto de uma Assembleia de bispos também na CNBB.

IHU On-Line – Como ocorreu o processo de elaboração do novo documento? Quem participou da formulação do texto?

Guilherme Delgado – O texto é objeto de uma Comissão Episcopal. Houve um texto elaborado em 2012, o qual foi apresentado na Assembleia de 2013. Esse texto recebeu uma quantidade tão grande de emendas, que foi impossível incorporá-las. Então, a Assembleia de março de 2013 recomendou que uma Comissão Episcopal fosse constituída ou reconstituída para incorporar todas aquelas recomendações, para que na Assembleia de 2014 se fizesse uma apreciação. Então nós tivemos um ano para fazer esse trabalho, que contou com a participação de várias pessoas, entre elas, membros da Comissão Pastoral da Terra – CPT, das universidades, etc. Mas basicamente a comissão era formada pela Comissão Episcopal: meia dúzia de bispos com mais alguns leigos escolhidos, que elaboram e discutem durante certo período um texto já apreciado em fase de reformulação.

No final do ano enviamos o texto para os bispos, que até o mês de dezembro receberam o material, pontuaram suas considerações, as quais foram incorporadas, e na Assembleia de março/abril houve uma rodada de várias versões e contribuições. De forma que, neste segundo momento, na Assembleia de 2014 o texto já chegou mais ou menos discutido e com a maior parte das dificuldades anteriores superadas. Essas dificuldades eram mais ligadas à linguagem, porque a linguagem dos bispos tem uma série de conteúdos teológicos, doutrinários, que precisam ser considerados.

Mas o documento, na versão final, foi aprovado por 96% dos bispos votantes; apenas 4% votaram contra. Tem sempre uma minoria que é contra, que não quer mexer nesse assunto, alguns até se manifestaram publicamente, acham que esse tipo de discussão não deve ser feito pela Igreja.

IHU On-Line – Quais bispos se manifestaram contrários?

Guilherme Delgado – Eu não posso falar os nomes, mas dois bispos foram ostensivamente contra, porém foram vencidos no processo. O argumento deles era muito parecido com o do pessoal da economia do agronegócio: “A economia do agronegócio é a salvação da pátria e todos esses ataques são ideológicos”. Mas esse tipo de discurso não “colou”, porque está na contramão do discurso geral da Igreja, do Papa Francisco, e porque não é real, mas sim altamente ideológico. Uma parte dos bispos, mesmo estando de acordo, ou não estando em contraposição, resolveu não votar. Um número razoável dos que estavam presentes não votou, mas o documento foi largamente aprovado por mais de 286 votos favoráveis, entre os 300 e poucos bispos votantes.

 

IHU On-Line – Como o tema da reforma agrária foi tratado na Assembleia deste ano? Há um consenso entre os bispos em torno desse tema e do enfoque que se deve dar à questão da reforma agrária?

Guilherme Delgado – Esses documentos, antes de chegarem às assembleias, são objetos de um projeto elaborado por uma comissão episcopal, por leigos que fazem um trabalho durante todo um processo anterior. Participei de todas essas comissões desde 2009 e posso dizer que há variações em relação à recepção do assunto pelos bispos.

De 2010 até agora, quando as assembleias se pronunciaram sobre documentos que elas próprias convocaram para elaborar, há uma mudança positiva, ou seja, melhorou a percepção e a atenção do episcopado sobre esse assunto por várias razões. Do ponto de vista estritamente eclesial, diria que a grande mudança acontece com o papado doPapa Francisco.

O papado dele relança a questão social, o debate sobre a economia, a sociedade, a pobreza, etc. De certa forma, o episcopado fica mais atento ao tema que, se não era desatento anteriormente, passava um pouco ao largo. Na assembleia de 2010, por exemplo, quando se apresentou um trabalho sobre a Igreja e a questão agrária, criou-se uma reação muito forte de parte dos bispos de uma corrente integrista que, mesmo com minoria, fazia um barulho muito grande. Desta vez não; houve pouquíssimas exceções de um ou outro bispo que ficou mais desolado. Houve uma compreensão mais forte no sentido de entender que é hora de retomar a questão agrária brasileira, se não nos mesmos termos de 1980 — porque a história muda —, ao menos com o mesmo sentido. Ou seja, temos de pensar como vemos os clamores dos povos, da terra, da água, das florestas, dos campesinos, dos familiares de uma perspectiva ética e profética da Igreja. Então, esse foi o sentido novo que se alcançou na última assembleia.

IHU On-Line – Quais são as linhas centrais do documento?

Guilherme Delgado – O cerne do documento foi o seguinte: a estrutura agrária, o direito de propriedade, posse e uso da terra, que foi objeto de tratamento em 1980, quando o Estado brasileiro era governado pela segurança nacional e havia uma forte aliança com grandes proprietários, mudou nos anos 2000 no sentido de que hoje o Estado é democrático, é de direito, mas também tem uma aliança com grandes proprietários, com o grande capital, com o chamado “arranjo da economia do agronegócio”. Então, nesses dois momentos, principalmente neste último, o que complica a situação do ponto de vista da Igreja é que os trabalhadores e os pequenos agricultores, os campesinos, os povos indígenas, os quilombolas são espezinhados nesse processo de estruturação de um pacto de poder com novas políticas.

Diante dessa conjuntura, a Igreja se viu na obrigação de se pronunciar em uma perspectiva de mudança da estrutura agrária, no sentido de atender os clamores dos que estão excluídos das benesses do pacto de poder dominante. A ideia, portanto, é reatualizar a questão agrária dos anos 1980 para hoje, dizer por que a estrutura agrária atual é iníqua do ponto de vista ético, do ponto de vista da doutrina social da Igreja, que tem, na função social e ambiental da propriedade, o roteiro para que se compreenda uma verdadeira mudança no sentido de atender aos reclamos e aos anseios dos povos da terra.

A ideia da função social e ambiental é uma ideia oriunda da doutrina social da Igreja e também é uma ideia da Ordem Constitucional Brasileira instituída em 1988. É preciso que esse norte seja retomado como critério para se pensar a mudança na estrutura agrária, porque a estrutura agrária vem sendo conduzida de forma ilegal e até ilegítima por uma estratégia tipicamente capitalista de acumulação de capital e de dinheiro no campo.

IHU On-Line – O documento oficial elaborado nos anos 1980 apresentava uma divisão entre terra de trabalho e terra de negócio. O texto atual também apresenta alguma divisão? Como o documento está dividido e que aspectos do documento anterior foram considerados?

Guilherme Delgado – Essa dicotomia “terra de trabalho, terra de negócio”, que nos anos 1980 já era apontada como uma contradição grave da reforma agrária brasileira, e que foi juridicamente resolvida naConstituição de 88, de fato retorna à atual situação brasileira, porque há um pacto de poder entre o Estado e os grandes capitais, chamado de “pacto do agronegócio”. Essa dicotomia confere um sentido de máxima divisão, ou seja, a terra de negócio vira praticamente o cerne da política agrária brasileira, mas isso está em contradição com a ordem jurídica e com a doutrina social. Portanto, alguma coisa está errada nesse processo: está errada do ponto de vista do critério ético e está errada do ponto de vista do critério constitucional, que não é respeitado, porque essa centralidade da terra como bem estritamente de negócio, de especulação, de acumulação de capital, contraria o princípio da função social e ambiental da propriedade.

Portanto, é nesse campo que o documento se coloca e, nesse sentido, recupera o documento de 1980. Na verdade, o atual documento deve ser visto como uma continuidade do documento de 80, num novo contexto histórico.

IHU On-Line – Considerando o documento oficial dos anos 1980 em relação ao elaborado neste ano, quais avanços e retrocessos aponta no que se refere à abordagem da questão agrária?

Guilherme Delgado – No documento atual, foram incluídos novos atores reconhecidos como merecedores de atenção e de direitos. Entre eles, estão os povos indígenas, que já estavam no documento anterior; os quilombolas, que não estavam no documento anterior; os assentados de reforma agrária, que não estavam no documento anterior porque também não tínhamos esse processo; as categorias de agricultores, pescadores, coletores florestais, pequenos proprietários, todos são explicitamente mencionados como públicos destinatários de uma mudança necessária na ordem agrária brasileira e que, atualmente, são vítimas de um processo de exclusão da terra, dos direitos de propriedade, de posse e uso da terra, ou, quando detêm esses direitos, são marginalizados do ponto de vista da política agrícola, da política agrária vigente.

Nesse sentido, o documento tem um foco, uma discriminação e um campo de denúncia. Nas denúncias se inclui tanto os grandes interesses agropecuários que estão no cerne da economia do agronegócio como também o Estado brasileiro, que há vários governos é árbitro e ao mesmo tempo protagonista desse pacto do poder. Nesse sentido, a questão agrária é vista não como a questão de setor agrícola em particular, mas como uma questão nacional.

IHU On-Line – Como a atuação pastoral da Igreja se relaciona com a questão social e política da reforma agrária?

Guilherme Delgado – A atuação pastoral da Igreja, que é outro foco do documento, a partir da perspectiva do “ver, julgar e agir”, precisaria se pautar por essa nova visão doutrinária e pastoral. O documento, que tem um caráter doutrinário e pastoral, não é mais um documento de estudos, como foi aquele de 2010. O documento oficial é doutrinário e pastoral para pautar a ação das igrejas locais do ponto de vista da solidariedade, das intervenções, das orientações no sentido do desenvolvimento rural em uma perspectiva alternativa; essa é a questão central. Agora, como isso vai se dar no concreto, bom, aí você sabe que documento é texto, é papel, são linguagens verbais, então nós temos de ver, fazer uma leitura de realidade.

Nos anos 1980, tínhamos um episcopado extremamente atento e protagonista em fator dos povos da terra e um Estado da segurança nacional extremamente repressivo. Hoje, temos outra situação: um Estado democrático com eleições, com liberdade de comunicação, mas ao mesmo tempo um campo ideológico muito forte no sentido de justificar e apresentar os interesses agrários dominantes como sendo a salvação da pátria. Portanto, a ação pastoral de antes e de hoje são diferentes.

Então, como vamos enfrentar isso? Talvez tenhamos de nos atualizar sobre qual estágio da história nos encontramos para que não tentemos imitar os processos anteriores, para que tenhamos um quadro de realidade novo. Mas sobre esse desafio, não sei se o episcopado está completamente consciente, porque não é simples. Veja bem, enquanto nos anos 80 nós tínhamos a oposição ao regime militar, os partidos em formação, boa parte da mídia e todo um contexto um pouco alinhados ao movimento agrário, hoje não há. A mídia, os partidos políticos, o Estado, são todos inimigos. O próprio movimento agrário também foi muito cooptado nesse processo (parte dele), e como o episcopado também faz parte dessa realidade, parte dele também fica meio confusa. Então, precisamos discutir esse assunto; não é um assunto que está certo e acabado. A tradução de um texto doutrinário e pastoral à ação concreta pastoral e política é outro momento que teremos de enfrentar.

 

IHU On-Line – A Igreja sinalizou alguma ação concreta a partir da formulação do documento deste ano?

Guilherme Delgado – No documento tem uma série de pistas de ações pastorais, desde ações recomendadas aosPoderes Executivo, Legislativo e Judiciário, até ações de solidariedade aos povos indígenas, aos quilombolas. No Congresso é evidente que há uma bancada ruralista, cujo papel principal é desconstruir a ordem constitucional para impedir que o regime fundiário da função social, da terra indígena, da terra quilombola, da terra de parte das reservas naturais tenha essa destinação e, ao contrário, vire mercadoria. Portanto, o trabalho de ação política de defesa do que foi conquistado e de avanço de estrutura agrária é um trabalho que tem muito mais adversidades hoje do que teve no passado. Não obstante, no passado parecia ser muito mais grave a situação, porque havia o exército, a marinha e a aeronáutica contra o povo. Hoje, estão contra: grileiros, empreiteiros, mídia, etc. É um cenário muito mais complexo para se enfrentar do ponto de vista da ação política.

IHU On-Line – Por que a Igreja demorou tantos anos para produzir um novo documento sobre a reforma agrária? Tem a ver com o novo pontificado?

Guilherme Delgado – Eu acho que sim. Eu diria — sem tirar o mérito dos bispos que amadureceram e refletiram durante esse tempo todo — que o pontificado do Papa Francisco inicia uma nova etapa, como ele próprio diz: “vamos sair das nossas próprias questões e ir em missão para o mundo, para ver os problemas”. Pessoalmente, a última exortação que ele publicou sobre a situação da Igreja no mundo contemporâneo ajudou enormemente a desbloquear a compreensão e a ação episcopal do sentido das questões que já eram de longa data presentes, mas que estavam abafadas: a questão agrária, a questão da família (que agora tem um sínodo), as questões da colegialidade na Igreja, as questões relacionadas à própria relação da Igreja com a modernidade, a pós-modernidade. Todos esses temas voltam com muito mais legitimidade e percepção de que é urgente voltarmos aos temas do Conselho Ecumênico Vaticano II que, por um bom período, ficaram desativados na compreensão do papado.

 

IHU On-Line – Por que o documento oficial da CNBB em relação à reforma agrária, depois de ser aprovado, demorou para ser divulgado?

Guilherme Delgado – Eu me manifestei ao secretário geral dizendo que um documento como esse tem um conteúdo pastoral e doutrinário pastoral e, portanto, político. Assim sendo, o “timing” dele — considerando as mídias que temos hoje — é imediato, ou seja, o texto saiu da assembleia e deveria ter sido publicado no site da CNBB, que é uma mídia mundial. Mas a compreensão da conferência foi de que o documento só poderia ser divulgado depois de editado em papel e publicado nos documentos CNBB nº 101, como foi publicado recentemente. Mas veja que o tempo editorial é outro, demora por causa de revisão e mais revisão. E, portanto, o documento demorou quase dois meses para ser publicado.

Do ponto de vista midiático, há muito tempo se cria uma cortina de silêncio em relação a esse tema. Essa cortina de silêncio é parte de uma reação da mídia conservadora que, por não concordar com o documento, resolveu ignorá-lo completamente. Pode ver que o carro-chefe dessa mídia, o jornal O Estado de S. Paulo, publicou uma linha na nona ou décima página no sábado seguinte ao dia nove, em que ocorreu a assembleia. As outras mídias não publicaram quase nada. Então, esse retumbante e estrondoso silêncio sobre o assunto não é coincidência. É que uma parte da mídia, a grande mídia, é contra o cerne do documento, ou seja, contra a mudança da estrutura agrária.

 

IHU On-Line – Mas a CNBB tem um site e poderia ter divulgado o documento, mas também não publicou, não é?

Guilherme Delgado – No momento em que se soma esse retumbante silêncio das grandes mídias com a forma de divulgação um pouco burocrática da CNBB, isso pega mal do ponto de vista do conhecimento público e da percepção. Eu já tinha dito lá que pega mal, porque o “timing” político pastoral não é igual ao “timing” editorial. O “timing”editorial tem seus tempos, tem suas dificuldades. Mas como agora o documento já está publicado, nós temos um texto que tem a pretensão de ser uma fala no sentido de configurar uma situação nova.

Agora, se ele vai configurar uma situação nova, depende de como isso vai repercutir e de como será recebido pela sociedade, pelos destinatários, pelos grupos sociais, tanto os marginalizados como os grupos sociais que são denunciados.

 

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Guilherme Delgado – A única coisa que eu gostaria de acrescentar é que, incrivelmente, hoje os grandes aliados do passado da reforma agrária, como foram o PT, os movimentos agrários, e em parte a mídia, estão alinhados em outro campo, no sentido de compor o pacto do poder com a economia do agronegócio, e elegem a estrutura agrária como um assunto interditado. Então, essa é a nossa dificuldade, porque ao interditar o debate da estrutura agrária, é como se não existisse uma questão agrária, como se esse fosse um assunto inventado por meia dúzia de pessoas, e aí não conseguimos sintonia para o debate público. Nesse sentido, o maior problema da questão agrária, hoje, é vencer essa barreira ideológica, que nos coloca à margem do debate público.

 

Adital

Renan agora diz que vai instalar duas CPIs exclusivas da Petrobras; é a marcha da irracionalidade. E a questão do medo

Aloysio Nunes: governo está com medo porque, na CPI, as línguas se destravam

Aloysio Nunes: governo está com medo porque, na CPI, as línguas se destravam

Em vez de uma, podem ser instaladas duas CPIs da Petrobras. Eis um sintoma da mais absoluta irracionalidade que tomou conta das hostes governistas. Vamos pensar um tantinho e pôr um pouco de lógica nessa conversa. Os defensores da CPI mista conseguiram o número necessário de assinaturas no Senado e na Câmara, que é um terço em cada Casa. Nesta última, aliás, houve a adesão de 230 deputados — bastavam 171. Há 30 senadores — bastavam 27. Ora, deixar de instalar, então, a comissão conjunta por quê?

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A crispação era tal entre os deputados que muitos, e não só os formalmente ligados à oposição, ameaçavam recorrer ao Ministério Público e ao Conselho de Ética do Senado contra Renan. Há mais: a decisão de Rosa Weber, do STF — em favor da CPI exclusiva da Petrobras — não determinou a sua instalação nesta ou naquela Casa. A ministra se pronunciou sobre a essência e a natureza do processo de investigação como um direito fundamental da minoria — logo, alcança também uma comissão mista.

Em entrevista concedida nesta terça à noite ao programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, o senador Aloysio Nunes Ferreira, líder do PSDB,  afirmou que a oposição indicaria, sim, os nomes da CPI do Senado, mas que não havia aberto mão, de jeito nenhum!, da comissão mista, também com os deputados. E, como ele observou, é claro que esta é preferível àquela. Mas, se for o caso, afirmou Nunes, que se façam, então, duas comissões.

O governo quer agora restringir a investigação apenas ao Senado porque considera ter mais controle sobre essa Casa Legislativa do que sobre a Câmara — coisa, aliás, que deveria deixar os senadores irritados porque passam a ser tratados como capachos do Executivo.

No fim da noite desta terça, Renan convocou líderes da oposição e afirmou que vai instalar, na próxima terça-feira, as duas CPIs exclusivas da Petrobras: uma só com senadores e outra mista. Faz sentido? Nenhum! Se o governo não queria CPI nenhuma e, depois, acabou concordando com a do Senado ao menos, em que esta comissão mudaria o conteúdo da mista?

Pior: o homem que anunciou a disposição de instalar as duas comissões anunciou que não desistiu de apelar ao Supremo para impedir as CPIs só da Petrobras. Ele quer porque quer aquela comissão X-Tudo…

Na entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, Aloysio Nunes resumiu: “O governo não queria de jeito nenhum a CPI da Petrobras. Está apavorado com essa história. A CPI é um catalisador de informações que já estão vindo de todo lado. Dentro da Petrobras, você tem muita gente, técnicos qualificados, que não se conformam com aquilo que aconteceu, que vem acontecendo na Petrobras. Então, muitas línguas vão se destravar”.

Tomara! E só para concluir: ter duas CPIs é um troço de tal sorte irracional que me parece que o mais provável é que se instale mesmo a CPI mista!

Por Reinaldo Azevedo

Presidente do PT revela futuro dos dissidentes da legenda na Paraíba e dispara: “Não é questão de perseguir”

charliton-machadoO presidente do Partido dos Trabalhadores na Paraíba, Charliton Machado, garante que o PT está disposto a tomar uma decisão contra os correligionários que insistem em ocupar cargos nas administrações do PSB – Partido Socialista Brasileiro – e do PSDB – Partido Socialista e Democrata Brasileiro.

Desde o momento em que o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, que também é pré-candidato a presidência da república, rompeu com a presidente Dilma, que o PT vem pedindo que seus filiados entreguem seus cargos nas gestões do PSB. Essa solicitação também se estende aos companheiros que atuam também das administrações do PSDB, partidos estes que garantem a renovação da aliança no pleito deste ano.

Na Paraíba, na administração do governador Ricardo Coutinho, o PT solicitou aos petistas que peçam suas exonerações. Determinação que se estende a Campina Grande, na administração do prefeito Romero Rodrigues (PSDB). Porém, alguns dissidentes do PT insistem em não seguir as determinações dadas pelo partido.

Para eles, o PT estipulou que até o próximo dia 29 de janeiro coloquem seus cargos a disposição e garante que não acontecendo haverá punição. Charliton não informou qual será a punição aplicada aos dissidentes, mas afirmou que uma decisão será tomada. “Já foram notificados todos aqueles que têm espaço no governo de Campina grande e no governo do estado. Não é uma questão de perseguir, não é por uma questão de confrontar. Nós queremos deixar claro que temos um projeto que vai estar em contraposição ao projeto do PSB e ao projeto do PSDB na Paraíba e no Brasil” disse.

O presidente disse ainda que não é “politicamente correto” para o PT ocupar espaço nesses governos e que, portanto, o tomará algumas decisões que variam desde advertência, suspenção e expulsão. “Essa não é uma decisão só do presidente. Será uma decisão coletiva do partido e com certeza se encerrará no dia 29”, garantiu.

Ao falar sobre o deputado federal, Luiz Couto, que defende abertamente dentro do PT sua simpatia pelo governador RC, Charliton disse que o parlamentar insiste em teses dissidentes e que não há uma justificativa para que Luíz Couto continue trabalhando numa perspectiva contrária. “Em 2012 nós tínhamos uma candidatura nas ruas, o deputado Luíz Couto não apostou nesse projeto e foi derrotado”, afirmou.

PB Agora

Uma questão é anulada e quatro resultados são alterados; confira gabarito do PSS 3

VestibularUma questão foi anulada e quatro foram alteradas, foi isso que divulgou nesta terça-feira (29), a Comissão Permanente do Concurso Vestibular (Coperv) da UFPB, em relação ao gabarito oficial das provas referentes ao PSS 3. Os exames foram realizados nos últimos dias 20 e 21.

Alterações 

Dia 20: A questão de número 8, a alteração da resposta passou de C para E.
Dia 21: A questão de Matemática de número 24 foi anulada. Em Biologia, na questão de número 42 ficaram corretas as alternativas A e B, na 45 as certas foram C e E e na 46, o resultado foi alterado de E para C.

Clique e confira as alterações e gabarito definitivo

No vestibular da Universidade Federal da Paraíba, dos 43.918 inscritos, apenas 25.999 (59,25%) fizeram as provas referentes ao PSS 3. O baixo número de candidatos aprovados foi atribuído, em grande parte, ao número de faltosos nos PSS 1 e 2 (9.867 não compareceram à primeira etapa), e ao baixo desempenho, pois 7.963 obtiveram nota zero ou não atingiram 15% de acertos nos testes que avaliam o aprendizado no ensino médio.
portalcorreio.

Questão ambiental ainda é pouco debatida por candidatos

Embora os brasileiros tenham vivenciado um ano marcado pela realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), pelo debate sobre o uso de sacolas plásticas e por planejamentos municipais voltados a ações sustentáveis como o fim dos lixões e a coleta seletiva de resíduos, ainda não é o atual processo eleitoral, iniciado há cerca de um mês, que posicionará a questão ambiental no centro dos debates políticos.

A despeito do espaço que o tema tem conquistado na agenda do país, nem os programas partidários eleitorais ou os eleitores consideram o meio ambiente uma área prioritária para a definição do voto na opinião de alguns especialistas.

“Dados os altos índices de poluição, devastação florestal, mudança climática etc. [o meio ambiente] somente vai adquirir centralidade para a população quando questões que afetam seu cotidiano estiverem mais bem solucionadas”, afirmou Rachel Meneguello, professora do Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Campinas (Unicamp).

Os programas partidários continuam voltados para os temas que estão no topo do ranking de preocupações apontadas pelos eleitores em pesquisas de opinião. “Em um cenário em que o poder público não consegue dar conta de questões básicas, medidas como o fim das sacolas plásticas têm pouca adesão, porque se sabe que é uma medida muito parcial, e sua implantação afeta o cotidiano da maioria das pessoas, que não recebeu alternativa para dar conta, por exemplo, de parte do lixo doméstico”, acrescentou.

O resultado pode ser confirmado com o acompanhamento dos primeiros programas eleitorais apresentados pelos partidos. “Em São Paulo, todos os candidatos concentram a temática em problemas de saúde ou transporte, refletindo as reivindicações básicas do eleitorado para o Poder Público”, disse a professora, ao acrescentar que esses temas só deixarão de ser dominantes quando tiverem sido solucionados para a maioria da população.

Por outro lado, ainda há pouco investimento em uma política de educação e mudanças de hábitos que possa sustentar medidas importantes nessa direção. Algumas pesquisas sobre hábitos com relação ao meio ambiente mostram que as pessoas têm informação sobre os materiais que poluem o ambiente, mas a reciclagem ainda não atingiu números satisfatórios, devido à falta de tempo das pessoas, a falta de motivação e a falta de coleta seletiva no município.

Na semana passada, representantes da organização não governamental SOS Mata Atlântica lançaram, no Congresso Nacional, um projeto para atrair o comprometimento de candidatos com a área. Denominado Plataforma Ambiental 2012, o documento reúne os principais pontos da agenda socioambiental, que devem ser discutidos, respondidos e solucionados pelos dirigentes do país, como a implantação da Política Municipal de Meio Ambiente e o Sistema Municipal de Informações sobre Meio Ambiente, além da identificação de áreas de preservação permanente (APPs).

“Nunca ouvimos tanto falar em sustentabilidade, mas sustentabilidade para quem? Muita gente está falando sem saber sequer o que é. Tem gente prometendo coisas que não vai acontecer porque sequer é competência do vereador ou do prefeito”, alertou Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.

Além de atrair o comprometimento de políticos, a proposta é que o documento também seja usado pelos eleitores para acompanhar e avaliar seus candidatos, sob pelo menos cinco áreas de ação, como medidas voltadas ao desenvolvimento sustentável, clima, educação, saúde e saneamento básico.

“O candidato pode aderir, e o eleitor também pode levar a plataforma para o candidato e virar uma espécie de avalista desse candidato para ver se é promessa política ou fato”, acrescentou Mantovani.

Agência Brasil