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Produção de motos cai 13% em julho e 25,2% em um ano, dizem fabricantes

Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

A produção nacional de motocicletas registrou queda de 13% em julho, na comparação a junho, e de 25,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, de janeiro a julho, a produção de motocicletas somou 799.981 unidades, um recuo de 12% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Com 101.721 unidades produzidas em julho último, as vendas de motocicletas no atacado [para concessionárias] nos sete primeiros meses do ano somaram 752.747 unidades, volume 9,3% inferior ao acumulado de 2014. Considerando-se apenas julho, houve queda de 7,3% na relação com junho e de 17,1% na relação a julho de 2014, com a comercialização de 93.654 unidades.

No varejo, as vendas tiveram queda de 10,6% no acumulado do ano, somando 749.441 unidades vendidas. Em julho, houve avanço de 6,6% em relação a junho e queda de 11% na relação com julho do ano anterior, totalizando 107.741 unidades comercializadas.

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Apesar da queda, o setor acredita que o mercado poderá crescer nos próximos meses. “As férias coletivas nas fábricas, localizadas no Pólo Industrial de Manaus, além das incertezas do contexto macroeconômico nacional presentes no início do segundo semestre, incluindo crescimento da inflação, risco à empregabilidade e baixa oferta de crédito para aquisição de veículos, são os principais fatores impactantes para este cenário do setor. Mesmo assim, as montadoras permanecem confiantes e, inclusive, realizam lançamentos de novos produtos. Acreditamos que o Salão Duas Rodas, a ser realizado de 7 a 12 de outubro, no Anhembi, em São Paulo (SP), trará vários atrativos aos consumidores, podendo impulsionar o mercado de motocicletas”, disse Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo.

As exportações do setor totalizaram 26.815 unidades entre janeiro e julho deste ano, um recuo de 49,3% em relação ao ano passado. Em julho, no entanto, houve alta de 56,6% nas exportações em comparação a junho, com 8.574 unidades.

Agência Brasil

Brasil bate recorde na produção de energia eólica

energiaO Brasil bateu recorde na produção diária de energia eólica. Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, em apenas um dia (20 de julho), foram produzidos 2.989,2 megawatts médios (MWmed) de energia gerada pela força dos ventos.

A energia é suficiente para o abastecimentos de cerca de 13 milhões de pessoas, levando-se em conta o consumo de energia elétrica residencial de 166 KWh/mês. O Nordeste, líder em produção de energia eólica, produziu 2.282,0 MWmed, enquanto a região Sul gerou 707,3 MWmed.

Em um ano, a produção da energia eólica, que representa 3,5% do total da matriz de energia do Sistema Interligado Nacional, cresceu 179%. No mês de maio, foram gerados 1.536 GW/h pelos ventos, 57% a mais do que em abril.

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De acordo com o Ministério de Minas e Energia, em oito anos, a expansão dos parques eólicos pode fazer a produção representar 11% da matriz elétrica brasileira. Segundo o Plano Decenal de Energia (PDE 2023), a participação das fontes de energia renováveis na matriz pode chegar a 83,8% até 2023.

Os empreendimentos para construção de usinas eólicas vêm atraindo mais empresas nos leilões agendados pelo governo federal. Cerca de 475 projetos foram cadastrados para o leilão A-3, que vai ocorrer no dia 21 de agosto. Os empreendimentos totalizam 11.476 megawatts (MW) de capacidade instalada. Já o 2º Leilão de Reserva, marcado para o dia 13 de novembro, recebeu 730 empreendimentos eólicos, que somam 17.964 MW.

 

 

brasil247

Brasil vai ‘virar’ a produção industrial, afirma Levy

levyO Brasil vai “virar a produção industrial”. A promessa foi feita nesta terça-feira (2), em Paris, pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, horas após a divulgação da contração de 1,2% da produção das fábricas em abril na comparação com março.

De acordo com ele, parte da contração registrada em abril foi gerada pela menor atividade no setor automotivo, que recebia estímulos no primeiro governo de Dilma Rousseff, agora extintos.

“A gente vai virar a nossa produção industrial”, garantiu Levy, após uma reunião com Jean Pisani-Ferry, comissário-geral da France Stratégie, um órgão ligado ao primeiro-ministro francês, Manuel Valls, voltado para políticas de longo prazo no País.

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— Obviamente nós tivemos alguns anos com muito apoio e uma produção (automobilística) muito mantida pelo crédito público.

Levy ainda avaliou o atual cenário de queda nas vendas de veículos como “um período de acomodação”.

Apesar de não demonstrar surpresa com a queda na produção automotiva, Levy ressaltou que o segmento é importante.

— Todo esse setor é relevante. O setor de autopeças é uma área que deveria ter vantagem competitiva; […] Tem de ver se a estrutura de proteção favorece ou não favorece [a competitividade].

Segundo o ministro, a proteção comercial da cadeia de produção ligada ao setor automotivo “não é muito alta”, sendo mais concentrada “no final da cadeia”. Questionado sobre eventuais medidas para alterar as condições de proteção do setor, o ministro não deu detalhes.

— Isso é questão que tem de ser estudada. A gente não vai fazer nenhum movimento.

Levy admitiu que o atual nível do real em relação ao dólar “tem ajudado a indústria”. “O câmbio está no nível em que os mercados decidem e que reflete também a percepção sobre a nossa produtividade”, afirmou em um primeiro momento, reconhecendo a seguir que “esses elementos são cada vez mais importantes” para o horizonte após o ajuste econômico em curso.

— Vencida a primeira parte do ajuste, [é importante] para que as pessoas tomem decisões de investimento.

No encontro com Pisany-Ferry, Levy discutiu infraestrutura, inovação, produtividade, a inserção das novas gerações e o acordo de livre comércio com a União Europeia. Ao deixar a reunião, Levy afirmou ter projetado com o francês como aproveitar as atuais condições para obter “crescimento sustentável através de medidas do lado da oferta e algumas medidas estruturais”.

R7

 

Cidade do interior da Paraíba é destaque na produção de abacaxi

abacaxiA cidade de Araçagi, no Agreste paraibano, vem sendo destaque na produção de abacaxi no estado e em outras regiões do Brasil. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater-PB), Araçagi é o terceiro município com maior produção de abacaxi na Paraíba, com mais de três mil hectares plantados e cerca de 30 mil frutos por hectare.

De acordo com o produtor Evaldo Santos, o abacaxi cultivado em Araçagi é muito bem aceito em outros mercados como Fortaleza, Garanhuns, Belo Horizonte e Porto Alegre. “Ele é mais doce e tem mais durabilidade que os outros. O nosso abacaxi passa oito dias e continua do mesmo jeito”, diz.

Evaldo é sócio de Tarcísio Martiniano, que cresceu em meio ao cultivo do abacaxi. Os dois têm 220 hectares destinados à produção. Desse total, 50 hectares são irrigados todos os dias e, por isso, têm produção saindo de lá todos os dias.

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Ainda conforme os agricultores, de dezembro a março é o melhor período para a plantação, já que é antes do período das chuvas. Na época chuvosa o cultivo fica comprometido pelas dificuldades.

Apesar do sucesso, os produtores paraibanos têm problemas com os atravessadores que ajudam no escoamento da produção. Mas, o secretário de agricultura de Araçagi, Antonio Cesário, diz que medidas estão sendo tomadas.

“Estamos nos organizando, fazendo eventos com o Sebrae, criamos uma cooperativa e firmamos apoio com a Emater, prefeitura de Araçagi e todos os sindicatos para ajudar os produtores a lucrarem mais”, afirmou.

 

Do G1 PB

Produção de energia para o Sudeste e Centro-Oeste pode durar só mais um mês se não chover

energiaSó mais um mês é o tempo de produção de hidrelétricas que geram energia para as regiões Sudeste e Centro-Oeste. Se não chover, elas não terão mais como produzir energia, diz o diretor do Instituto Luiz Alberto Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe), Luiz Pinguelli Rosa. Ele está tão seguro deste estudo que encaminhou carta com este alerta ao ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga.

Com base em outro estudo, assinado pelo diretor do Instituto de Desenvolvimento do Setor Energético (Ilumina), Roberto D’Araujo, a Coppe afirma: “Se não chover, estamos perdidos”. Eles apelam para a urgência da questão. “Todas as medidas que estão sendo tomadas estão corretas, mas com um grande atraso”, destacou.

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Segundo a Coppe, se chover 50% da média tradicional, vai haver racionamento no meio do ano, pois o período de seca começa em abril. Os estudos mostram que a situação hídrica é severa, mas não é inédita. O caso mais grave é o do Rio São Francisco, que registra índices declinantes há mais de dez anos.

Campanhas e reformulação
No sentido de dizer a verdade a população, os especialistas acreditam que devem haver campanhas, por parte do governo, de esclarecimento sobre o uso racional de energia e água. “É igual campanha de vacinação. Tem que ter uma campanha para economizar energia e água. O governo tem que educar e estabelecer regras. No momento é a solução”, disse D’Araujo.

Outra medida apontada pelos especialistas é reformular o setor elétrico. Eles alegam que é preciso rever os certificados de garantia dados a cada usina. “No passado tínhamos reservatórios que eram capazes de guardar água equivalente ao consumo de dois anos. Nós não temos mais, e a carga foi subindo.”

Incentivo ao uso de lâmpadas de led, que gastam menos e esquentam menos o ambiente; redução de impostos para a instalação e aquisição de placas de energia e os tributos sobre a utilização de energia solar são outros meios de mudar o sistema. “Esse incentivo transforma o consumidor em uma espécie de investidor do setor elétrico. Telhados com placas solares, o preço no Brasil é proibitivo, porque as placas pagam imposto, e ao se produzir a energia e não usar, fica com o saldo na Light, mas se consumir de volta, paga ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]. É um negócio inacreditável”.

CNM e EBC

Governo instala usina de produção de concreto e acelera obras da barragem Camará

barragem-camaraAs obras da barragem Camará, no município de Alagoa Nova, vão ser aceleradas com a instalação de uma segunda usina de produção de concreto. O investimento do Governo do Estado na reconstrução do manancial é de R$ 50 milhões, para garantir oferta de água a 170 mil pessoas de sete cidades.

A barragem, que tem capacidade total de 26 milhões de metros cúbicos, começará a acumular água este ano e vai abastecer os municípios de Alagoa Nova, São Sebastião de Lagoa de Roça, Matinhas, Puxinanã, Remígio, Lagoa Seca, Esperança, além de distritos da região como São Tomé, Campinote, Cepilho, dentre outras comunidades.

Em visita de inspeção nessa terça-feira (20), o secretário da Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, João Azevedo, constatou o bom ritmo das obras que envolvem hoje 140 operários. “Com a instalação da segunda usina de concreto, esse ritmo vai ser acelerado para que a gente possa agora em 2015 começar a acumular água, dando início à solução de problemas de abastecimento, principalmente da região de Remígio e Esperança”.

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Obra segura – O secretário ressaltou que a reconstrução da barragem Camará passa por um processo de acompanhamento dos maiores profissionais do Brasil, geólogos e especialistas em barragens. “É uma obra que tem todos os cuidados para que possa oferecer essa tranquilidade à população”. A barragem será inaugurada no segundo semestre deste ano, com a primeira etapa da adutora em funcionamento.

João Azevedo esteve acompanhado pelo secretário executivo da Infraestrutura e Recursos Hídricos, Deusdete Queiroga, pelo deputado eleito João Bosco Carneiro Júnior, além do engenheiro proprietário da construtora Andrade Galvão Engenharia, Antonio Galvão.

“Aqui nós temos a nata dos mais renomados técnicos do Brasil na elaboração de estudos, a exemplo de professores da USP, e a obra em si vai se consagrar como um conhecimento adicional para a engenharia que deve ser observado por projetistas, por contratantes, por executores. Aqui é, na verdade, uma escola”, revelou Antonio Galvão. Ao final da reconstrução, a obra terá consumido 40 mil metros cúbicos de concreto.

Além de reconstruir Camará, o Governo do Estado também está implantando um sistema adutor para distribuir água para sete municípios e três distritos. “Nós já estamos com cerca de três quilômetros de adutora já executados e a estação de tratamento em processo inicial”, destacou João Azevedo. A adutora de 74 quilômetros tem investimentos de R$ 75 milhões.

Histórico – Inaugurada em 2002, a barragem Camará sofreu um rompimento em junho de 2004. Em 2011, o Governo do Estado decidiu pela reconstrução, após ouvir prefeitos da região e renomados especialistas.

Secom PB

Mudança climática derruba colheita de avelãs e pode prejudicar a produção de Nutella

nutellaO mau tempo na Turquia, maior produtora mundial de avelãs, está provocando uma aguda escassez desse ingrediente. A indústria turca, responsável pelo cultivo de 70% das avelãs de todo o planeta, se vê diante de uma colheita de avelãs que pode estar mais de 30% abaixo das expectativas originais, de acordo com o Guardian.

Como resultado, o preço das avelãs teve alta superior a 60% este ano, sendo atualmente mais do que o dobro do preço registrado no segundo semestre do ano passado.

Embora a alta no preço das avelãs deva prejudicar alguns fabricantes de chocolate, o mais vulnerável deles parece ser o grupo Ferrero, responsável pela Nutella. Isso porque, o Ferrero compra atualmente quase um quarto das avelãs de todo o mundo, dependendo muito da Turquia para obter as 50 avelãs necessárias para a produção de cada pote de 365g de Nutella.

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A cadeia global de valor da Nutella, mapeada pela OCDE no ano passado, abrange o mundo inteiro. A sede do Ferrero fica na Itália, mas suas fábricas se espalham por diferentes continentes – e o mesmo vale para os fornecedores de ingredientes. As avelãs usadas são de fato turcas, mas o azeite de dendê vem da Malásia, e o cacau é cultivado na Nigéria.

A boa notícia para os fãs de Nutella é que o Ferrero adquiriu a empresa turca Oltan Group, uma das principais fornecedoras de avelãs da Turquia. O fato de agora estar com as mãos no pote de doce, por assim dizer, significa que o Ferrero pode se proteger um pouco das pressões do mercado, como a atual escassez de avelãs. “O Ferrero se protegeu até certo ponto dos problemas no fornecimento”, disse Julian Gale, editor-assistente do Foodnews, à Bloomberg.

A má notícia é que a situação parece estar piorando para o creme de chocolate com avelãs mais querido do mundo. As avelãs não são o único ingrediente cujo custo está aumentando. O azeite de dendê, responsável por cerca de 20% da composição do Nutella, também apresenta alta nos preços por causa da demanda maior e de problemas climáticos que afetaram a produção. O mesmo vale para o cacau, outro ingrediente chave – o preço do cacau aumentou mais de 40% desde o ano passado.

Nada disso significa que não haverá Nutella para todos esse ano, ou mesmo no seguinte. O Ferrero ainda não ajustou o preço nem alertou para um ajuste iminente. Mas, se persistirem as circunstâncias na Turquia, Nigéria e Sudeste Asiático, não seria surpreendente se as 250 mil toneladas de Nutella vendidas pelo Ferrero em mais de 75 países de todo o mundo começarem a ser oferecidas por um preço mais salgado.

Agência Estado 

 

Exigência de camisinha derruba produção de filmes pornô na Califórnia

Getty Images
Getty Images

A exigência de uso de camisinha em filmes adultos rodados em Los Angeles, em vigor desde novembro de 2012, derrubou a produção local deste gênero no ano passado, com perspectivas de que o fenômeno se repita neste ano, segundo porta-vozes da indústria.

Apenas 40 autorizações de filmagem na cidade foram concedidas em 2013, uma queda de mais de 90% em relação às 480 dadas em 2012, segundo números do órgão que concede as licenças, FilmLA, citados pelo jornalLos Angeles Times.

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No primeiro semestre deste ano, as autorizações somaram apenas 20, segundo o jornal.

O correspondente em Los Angeles do serviço em espanhol da BBC, Jaime González, indicou que as produtoras estão mudando suas atividades para cidades mais ao sul na própria Califórnia, como San Diego, ou para outros Estados americanos, como o vizinho Nevada e a Flórida. Em alguns casos, para o Leste Europeu, onda há menos regulamentação.

A exigência, contida na chamada Medida B, abrange apenas o condado de Los Angeles. Legisladores estaduais estão discutindo a ampliação da lei para o resto da Califórnia.

A indústria diz que já requer exames de HIV dos atores e atrizes de filmes adultos e que isso é suficiente para conter o vírus. Ao mesmo tempo, aponta a baixa demanda por produções nas quais as estrelas usem preservativos. Muitos atores inclusive se recusam a usar a proteção.

A controvérsia envolvendo o gênero adulto reforça as incertezas da indústria do cinema na Califórnia, que vem perdendo investimentos para outros Estados americanos ou para países como o Reino Unido e o Canadá, que oferecem mais incentivos fiscais para a atividade.

Segundo um estudo da FilmLA, foram rodados na Califórnia apenas dois dos 25 filmes com orçamento maior de US$ 3,5 milhões que estrearam em 2013.

Isto significa uma drástica mudança em relação a 15 anos atrás, quando 16 dos 25 filmes de maior orçamento foram rodados neste Estado da costa oeste americana.

 

iG

Produtores da Paraíba investem na produção de abacaxi mesmo no período de estiagem

abacaxiMesmo durante o período de estiagem, que provocou perdas significativas para a agricultura, produtores da Zona da Mata e do Agreste paraibano pretendem continuar investindo na produção de abacaxi. Esse é o resultado de um diagnóstico feito por pesquisadores da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa), que visa medir os efeitos da seca na região e avaliar se a abacaxicultura ainda é uma atividade viável.

O diagnóstico, realizado em 2013, entrevistou 155 produtores dos municípios de Araçagi, Itapororoca e Lagoa de Dentro, regiões que abrangem cerca de 45% da área de abacaxi do Estado, e diagnosticou que apesar da queda de até 80% na produção, os agricultores ainda continuarão investindo nessa atividade.

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Segundo o pesquisador da Emepa, Miguel Barreiro Neto, mesmo diante de todo o risco climático e não tendo água para fazer irrigação de salvamento, os agricultores dessa região não tem outra alternativa que dê mais lucratividade que a produção de abacaxi.

A Paraíba é o maior produtor de abacaxi no Nordeste, região que responde por cerca de 38% da produção nacional. Em 2011, foram cultivados no Estado 9.216 hectares e obtidos 276 milhões de frutos, correspondendo a 40,2% da área e 45,2% da produção regional. De acordo com dados do IBGE 2012, as regiões da Mata e do Agreste Paraibano respondem por cerca de 76% da área cultivada e 23% da produção do Estado.

A produção de abacaxi na Paraíba foi fortemente afetada pela pouca disponibilidade de água, especialmente nas suas fases de crescimento e frutificação. Além disso, ocorreram fortes reduções nas reservas d’água, o que impediu que os produtores as utilizassem na irrigação dos seus plantios. O que ocasionou perda de aproximadamente 20 a 40% da produção.

A pesquisa sobre “Prejuízos decorrentes da seca na abacaxicultura da Mesorregião Agreste Paraibano” identificou que nenhum produtor pretende mudar de cultivo ou mesmo sair da agricultura para outro setor de atividade, evidenciando assim que a cultura do abacaxi ainda é capaz de proporcionar uma rentabilidade satisfatória.

De acordo com o diretor técnico da Emepa, Wandrick Hauss de Sousa, para o setor agrícola da Paraíba a cultura do abacaxi é uma atividade de extrema importância, tanto econômica quanto social. Por isso, a Emepa tem dado uma grande contribuição para essa cultura, contemplando-a com atividades de pesquisa, com o apoio do Banco do Nordeste (BNB) e de outros órgãos financiadores de projetos. A partir desse diagnóstico, a Empresa elaborou um projeto, a ser aprovado pelo BNB, que engloba o enfoque sistêmico na abacaxicultura, ou seja, que envolve não só a parte de manejo, mas as partes de pragas, adubação, irrigação, etc.

O presidente da Emepa, Manoel Duré, destacou que a Empresa está sempre investindo em pesquisas para a abacaxicultura, por considerá-la de grande importância para o Estado. Esses diagnósticos sempre darão subsídios para formular projetos de pesquisas e políticas públicas de governo, além de mostrar um perfil da realidade local. “É de interesse do Governo do Estado continuar investindo nessa atividade, pois isto permitirá que a Paraíba continue sendo o maior produtor de abacaxi do País, além de gerar emprego e renda para os agricultores.”

Secom-PB

Crianças sem identidade, o trabalho infantil na produção de castanha de caju

CajuOlhe a ponta do seu dedo. Repare no conjunto minúsculo de linhas que formam sua identidade. Essa combinação é única, um padrão só seu, que não se repete. As crianças que trabalham na quebra da castanha do caju em João Câmara, no interior do Rio Grande do Norte, não têm digitais. A pele das mãos é fininha e a ponta dos dedos, que costumam segurar as castanhas a serem quebradas, é lisa, sem as ranhuras que ficam marcadas a tinta nos documentos de identidade.

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O óleo presente na casca da castanha de caju é ácido. Mais conhecido como LCC (Líquido da Castanha de Caju), esse líquido melado que gruda na pele e é difícil de tirar tem em sua composição ácido anacárdico, que corrói a pele, provoca irritações e queimaduras químicas. No vilarejo Amarelão, na zona rural de João Câmara, as castanhas são torradas – além de corroer a pele, o óleo é inflamável – e quebradas em um sistema de produção que envolve famílias inteiras, incluindo as crianças.

Com a pele cada vez mais lisa, as pontas dos dedos perdem as digitais, e as linhas e traços de identidade se esfacelam. Fotos Daniel Santini/Repórter Brasil

O óleo é pegajoso. Basta pegar uma castanha e quebrá-la para ficar com a pele manchada por alguns dias. Nem todas as crianças e os adultos que trabalham no processo sabem que o óleo é ácido. Muitos acham que a mão fica assim machucada por conta da água sanitária utilizada para tirar o preto encardido da mão depois de horas seguidas manuseando e quebrando as castanhas torradas.

“Se fosse assim, as pessoas que usam água sanitária para limpeza estariam roubadas! É o óleo LCC que tem uma ação irritante, ele é cáustico, produz lesões e chega a retirar as digitais”, explica o médico Salim Amed Ali, autor de diferentes estudos sobre doenças ocupacionais para a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), do Ministério do Trabalho e Emprego.

A perda da identidade não é permanente. Com o tempo, as digitais voltam se a pessoa se afastar da atividade.

Sobrevivência

O médico fez pesquisas específicas sobre a saúde de trabalhadores de unidades industriais de processamento de castanhas de caju e diz que a atividade pode ser considerada insalubre. No caso em questão, em que a produção é totalmente artesanal e as famílias dependem do trabalho para sobreviver, ele destaca quão contraditória é a situação.

“A subsistência está calcada em condições de trabalho inviáveis. Para viver, o sujeito precisa se submeter a condições inaceitáveis e as crianças acabam sacrificadas. Não dá para aceitar isso em pleno século 21”, afirma.

O emprego de crianças na quebra da castanha de caju está incluído na lista de piores formas de trabalho infantil, ao lado de atividades como beneficiamento do fumo, do sisal e da cana-de-açúcar. A situação a que estão submetidas as crianças de João Câmara (RN) não chega a ser novidade. A auditora fiscal do trabalho Marinalva Cardoso Dantas, coordenadora do Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho da Criança e de Proteção ao Adolescente Trabalhador, tem realizado sucessivas ações de fiscalização, denunciado a situação e cobrado soluções.

“Não dá para aceitar que as crianças continuem nessa situação, mas não basta reprimir, é preciso oferecer alternativas”.

Além de identificar as crianças e reunir informações para relatório a ser entregue ao Conselho Tutelar da cidade, ela também tem procurado cobrar providências por parte da prefeitura sobre a situação das famílias. Os programas sociais são considerados insuficientes pelos moradores, que reclamam da atuação do poder público.

“Sabemos do que está acontecendo, mas até agora não conseguimos avançar”, admite Maria Redivan Rodrigues, secretária de Assistência Social e primeira-dama de João Câmara, que promete solucionar o problema em um ano, até setembro de 2014.

O Brasil se comprometeu a erradicar as piores formas de trabalho infantil até 2015, mas, mesmo com denúncias, situações com a de João Câmara persistem.

Em 24 de fevereiro de 2012, o promotor Roger de Melo Rodrigues, do Ministério Público Estadual, abriu o Inquérito Civil nº 06.2012.00003777-7 após denúncias.

“Ele disse que ia processar as famílias, tentou proibir as pessoas de trabalhar, deixou todo mundo apavorado. Foi muito ruim”, diz Ivoneide Campos, presidente da Associação Comunitária do Amarelão.

“A fumaça faz mal, a gente sabe, mas as famílias não querem mudar o método com que sempre trabalharam. E não adianta forçar, tem de transformar em querer, ajudar na busca de alternativas”, defende.

Procurado para comentar a reclamação, o promotor negou, em nota, que sua atuação tem sido meramente repressiva. Ele diz que “os problemas relacionados à queima de castanha, tais como impacto ambiental, danos à saúde dos moradores e trabalho infantil, não têm passado desapercebidos do Ministério Público Estadual” e que “em vez de buscar a repressão de delitos relacionados ao caso, esta Promotoria tem priorizado o diálogo com a respectiva comunidade, já havendo sido realizadas duas reuniões no local com todos os interessados e representantes de órgãos municipais, estaduais e federais, objetivando a construção de um consenso para solucionar o caso”.

O promotor reclama, porém, que embora “busque uma resposta adequada e legítima aos problemas, tem enfrentado alguma resistência relacionada ao costume já enraizado, da parte de algumas famílias locais, de proceder à queima de castanhas ao alvedrio dos respectivos danos decorrentes, o que não impedirá uma atuação isenta e efetiva para a resolução do caso”.

Potiguar

Entre as famílias que dependem do processamento de castanhas de caju para sobreviver estão as de um assentamento localizado na região de índios Potiguar, um dos poucos núcleos remanescentes dessa etnia que no passado povoou o estado inteiro. Os ganhos são mínimos. A castanha crua é comprada de pequenos produtores da região de Serra do Mel. Um saco de 50 kg rende, em média, 10 kg de castanha processada. As famílias contam que ganham de R$ 30 a R$ 100 por semana, vendendo a produção a intermediários que revendem em feiras e mercados de cidades.

Assim que as castanhas estão torradas, as mãos se levantam; pancadas quebram uma noz, depois outra e outra, e outra

“Tentamos identificar quem lucra com isso, mas é um sistema muito primitivo. As indústrias organizaram a produção e estão processando diretamente as castanhas, não identificamos nenhuma envolvida. Os intermediários são pequenos comerciantes que adquirem o produto diretamente com as famílias”, explica o auditor fiscal José Roberto Moreira da Silva.

Criatividade na busca por soluções para as famílias não falta. Nilson Caetano Bezerra, do Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho da Criança e de Proteção ao Adolescente Trabalhador Aprendiz, por exemplo, sonha em fazer parcerias com as empresas de produção de energia eólica, que fazem multiplicar o número de torres de geração na região, para empregar adolescentes como aprendizes. E em providenciar máquinas para que os adultos não tenham de manusear as castanhas torradas. Experiências com mecanização já aconteceram, mas o descasque manual ainda é o preferido porque a taxa de desperdício é menor.

Em fevereiro, o juiz Arnaldo José Duarte do Amaral, titular da 9ª Vara do Trabalho de João Pessoa, visitou a comunidade e também encontrou as crianças trabalhando na produção de castanhas. Ele escreveu um artigo sobre a questão e, desde então, tenta articular soluções e envolver mais interessados em resolver o problema.

“Quando estive lá como juiz, me perguntavam se ia prender alguém. Não é esse o papel do judiciário, o objetivo não é prender ninguém, é achar solução”, diz, defendendo a formação de cooperativas e mecanismos de economia solidária como o melhor caminho para erradicar o trabalho infantil e melhorar a condição de trabalho dos adultos. “A gente tenta corrigir essas questões há séculos, sem sucesso. Não bastam ações repressivas, que vão além de tentar punir.”

 

Daniel Santini

da Repórter Brasil