Arquivo da tag: preconceito

Novembro Azul: preconceito faz mal à saúde

Falta de informação afasta pacientes do consultório médico e atrapalha diagnóstico precoce do câncer de próstata

Apesar da igualdade de gênero ser pauta recorrente em diversos debates, sabemos que o machismo ainda perdura em alguns pensamentos e, além dos malefícios sociais, muitas vezes essa falta de conhecimento pode afetar a saúde masculina.

É fácil perceber que homens vão menos ao médico do que mulheres, e quando vão costumam estar acompanhados da mãe, irmã ou esposa. Levantamento feito pela Doctoralia, maior plataforma de agendamento de consultas do mundo, apontou que eles representam apenas 24% dos acessos a sua página, enquanto elas são responsáveis pelos outros 76% (120 milhões de cliques), comprovando a discrepância existente quando o assunto é prevenção.

Como sabemos, uma rotina preventiva com exames periódicos, seguindo orientações com base no histórico pessoal e familiar de cada um, é essencial para evitar surpresas desagradáveis. O INCA (Instituto Nacional do Câncer) estima que em 2019 sejam diagnosticados 69 mil novos casos da doença no Brasil, desses, 90% têm cura se descobertos em fase inicial. “Geralmente os homens procuram o médico quando há algum incômodo persistente, não existe uma cultura de consultas rotineiras”, afirma o Dr. Flávio Iizuka, urologista membro da plataforma Doctoralia.

Uma vez que o câncer de próstata é assintomático no início, se atentar à rotina de exames preventivos é essencial. “Quando há histórico familiar da doença, é necessário realizar a análise sanguínea para medir os níveis de PSA (Antígeno Prostático Específico – proteína que pode indicar a presença do tumor ou alguma outra alteração na próstata) junto ao exame de toque, anualmente, a partir dos 45 anos de idade”. Para homens negros, mesmo sem hereditariedade, a regra é a mesma, “não se sabe ao certo o porquê, mas a incidência da doença dentro desse grupo é em média três vezes maior”, pontua o médico. Os demais devem iniciar esse check up a partir dos 50 anos.

Além disso, o sexo masculino precisa cuidar melhor da saúde como um todo. “Se atentar à alimentação, com dietas saudáveis e balanceadas, não pode ser exclusividade da parceira, das irmãs ou amigas. Os homens também se beneficiam e muito desses hábitos saudáveis, que são de suma importância para prevenir o aparecimento de tumores e outras doenças”, finaliza o Dr. Iizuka.

Assessoria de imprensa

 

Paraibano, Renan da Resenha foi alvo de preconceito em emissoras

O que era apenas uma brincadeira se tornou coisa séria e o paraibano de Nova Floresta, Renan da Resenha, se tornou um dos maiores youtubers do Brasil. O humorista foi entrevistado pelo jornalista Heron Cid, no programa Frente a Frente, da TV Arapuan, onde revelou bastidores das suas “resenhas” e o preconceito que sofreu por ser nordestino.

Em um ano e meio, Renan já gravou 600 vídeos, acumula quase 144 mil seguidores no Youtube e outros 318 mil no Instagram. São mais de 70 milhões de visualizações em suas redes sociais.

Como humorista, Renan da Resenha já fez testes na TV Globo e participações em programas da Rede Record e SBT.

“Já sofri preconceitos por ser nordestino. Um diretor me falou que eu falava muito arrastado e que hoje as coisas são mais modernas. Eu discordei. Ele disse que tinha uma oportunidade para mim, mas que eu precisaria de uma reformulação. Não topei”, revelou.

As resenhas começaram via WhatsApp em áudios compartilhados com amigos sobre as “farras do final de semana”, por exemplo. “E o pessoal me respondia: recebi teu áudio em Cajazeiras, recebi em um grupo de Pernambuco”, contou.

O paraibano percebeu que fazia sucesso quando um de seus áudios chegou às mãos da cantora Solange Almeida. Apostando nas redes sociais, somente na noite em que estreou no Youtuber ele conseguiu atrair 1.500 seguidores.

Entre os humoristas que o inspiram está o também paraibano Nairon Barreto, o famoso “Zé Lezim”. Já entre os famosos que curtem o humor feito por Renan está a cantora Cláudia Leitte.

“É uma loucura, porque a minha vida mudou completamente. Peço a Deus sabedoria para não me iludir com as coisas do mundo”, frisou.

A produção começou de forma simples, pelo celular. Renan era o produtor, editor, ator e algumas vezes contava com o apoio da irmã como cinegrafista.

“Amo nosso Nordeste e nossa cultura muda muito em um pequeno espaço. Procuro buscar inspirações nas coisas do dia a dia”, afirmou.

De vendedor de rapadura a fenômeno nas redes sociais

Renan da Resenha é fenômeno nas redes sociais

Aos 10 anos, Renan perdeu o pai em um acidente de carro. Para garantir a renda da família, a mãe vendia roupas para amigas.

Com 15 anos, o humorista começou a vender CDs para seus colegas na escola. Posteriormente, ele passou a vender rapadura de Picuí nas feiras de João Pessoa. Comemorou ao conseguir vender 20 caixas de uma única vez, mas também enfrentou preconceitos.

Ele ainda trabalhou como vendedor de feijão, veículos e foi assessor parlamentar. Em certo momento se viu envolvido com a política. “Meu avô foi prefeito de Nova Floresta e eu me vi seduzido pela política, participei de campanhas eleitorais”, contou.

Durante a entrevista ele revelou que pretende seguir os passos do seu ídolo, Nairon Barreto, e fazer humor pelos próximos 30 anos. Ele garantiu honrar o nome da Paraíba “com muito amor”.

MaisPB

Acompanhe mais notícias do FN nas redes sociais: FacebookTwitterYoutube e Instagram

Entre em contato com a redação do FN:  WhatsApp (83) 99907-8550. 

E-mail: jornalismo@focandoanoticia.com.br

 

“Preconceito é uma ignorância”: Músico conta como venceu o câncer de próstata

exames-de-prostataDia 23 de março de 2013. Para o músico Rafael Prista, essa data ganhou um significado diferente, um tanto amargo. Foi quando ele recebeu o diagnóstico do câncer de próstata, aos 58 anos. “Foi terrível. Quando abri o envelope do resultado da biópsia, cheguei a ter uma queda de pressão. Eu, que nunca senti nada, que nunca havia entrado em um hospital como paciente, tinha um câncer”, lembra o carioca.

“Sempre fui uma pessoa muito saudável. Não costumo ficar gripado mais que dois ou três dias. Sempre fui magro, não sou sedentário, me alimento muito bem, corro três vezes por semana pelo menos 5 km e nunca senti absolutamente nada”, conta ele. Tudo começou durante um exame de rotina, que apontou a alteração no resultado do PSA – Antígeno Prostático Específico, proteína indicadora do câncer de próstata. O exame foi refeito e continuou com o resultado acima do esperado. O próximo passo foi o exame de toque retal e a biópsia.

O exame dura menos que cinco segundos, não dói e pode salvar a sua vida

O que fez a diferença no tratamento e na recuperação foi o diagnóstico precoce, graças aos exames e consultas regulares que Rafael realizava: “Infelizmente perdi recentemente um amigo para o câncer de próstata. Ele não fazia exames regulares. Quando descobriu, só conseguiu administrar uma sobrevida bastante sofrida. Fazer exames regulares é de fundamental importância”.

Com o diagnóstico em mãos, era hora de decidir como seria o tratamento. “O médico me explicou as possibilidades e disse que, pela experiência dele, a opção com maior possibilidade de cura real seria a cirurgia. A cirurgia no estágio inicial tem uma chance de 90% de cura. Pesei todos os prós e contras e decidi operar o mais rápido possível. Me operei em 20 de abril, menos de um mês depois da descoberta”, conta.

Medo e superação

“É impossível não haver alguma sequela inicial. Quando você vai para a mesa de operação, sabe que pode ser que não vença o câncer, que terá pelo menos alguma incontinência urinária e que pelo menos por algum tempo terá que esquecer que sexo existe. Tive muita sorte por ter sido assessorado por médicos muito competentes. Fui para a mesa de operação pensando que o principal era remover isso de mim. Qualquer sequela que eu viesse a ter, depois veria o que fazer”, explica ele.

A soma dos cuidados de Rafael com a saúde resultaram na ótima recuperação que ele teve. “É claro que após passar por uma experiência dessas, nada é igual a antes. Fui tão abençoado, que não tive nem que fazer nenhuma terapia complementar após a cirurgia. Fiquei dentro do melhor prognóstico. Aos poucos e com o auxílio de medicamentos fui tendo melhoras e, hoje, passados três anos da cirurgia, estou recuperado. A única sequela definitiva foi a infertilidade, mas não quero mais ter filhos. Isso me deu até uma certa ‘liberdade'”, brinca ele, hoje com 62 anos.

“Não tenham preconceito!”

E para os homens que ainda relutam em realizar os exames de rotina, como o de toque retal, Rafael dá o recado: “Não tenham preconceito! É uma ignorância sem tamanho. O exame dura menos que cinco segundos, não dói e pode salvar a sua vida. Muitos homens não sabem, mas o câncer de próstata é um tipo de câncer que se alimenta da testosterona, produzida pelos testículos. Quando há uma metástase grave, um dos tratamentos para tentar frear o câncer é a castração, tudo por causa do medo e preconceito de fazer um exame rotineiro. Isso não é ser macho, é ser burro”, conclui o músico.

minhavida

Acompanhe mais notícias do FN nas redes sociais: FacebookTwitterYoutube e Instagram

Entre em contato com a redação do FN:  WhatsApp (83) 99907-8550. 

E-mail: jornalismo@focandoanoticia.com.br

 

Mulheres são mais vulneráveis ao HIV e sofrem mais preconceito

AidsA aids é mais recorrente entre homens do que entre mulheres, no Brasil, mas a diferença vem diminuindo ao longo dos anos, segundo o Ministério da Saúde. Em 1989, a proporção era de seis casos de aids no sexo masculino para cada caso no sexo feminino. Em 2011, a equivalência baixou para 1,7 caso em homens para cada caso em mulheres – de uma proporção de 500% caiu para 70%.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Hoje (1º), Dia Mundial de Luta contra a Aids, a diretora da Federação Internacional de Planejamento Familiar, Carmen Barroso, destacou que também é preciso atentar para a questão de gênero quando o assunto é saúde. Em entrevista ela afirmou que as mulheres são mais vulneráveis à doença, e as soropositivas sofrem mais preconceito.

“O mais importante é a vulnerabilidade social do que a vulnerabilidade biológica, porque a menina sente muito mais pressão para ter uma relação sexual sem proteção do que o rapaz. O rapaz tem mais controle se usa ou não uma camisinha”, destacou Carmen.

O estigma, o preconceito e o estereótipo também incidem com mais força nas mulheres. Baseada em pesquisas feitas na América Latina, ela aponta que “tanto na família quanto no trabalho, a mulher é muito mais exposta à violência ou ao estigma do que o homem”.

De acordo com a especialista, que atua junto às comissões da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo com estudos sobre aids, gênero e saúde, a relação desigual de poder que ainda existe em muitos casais acaba tornando a mulher vulnerável. Na hora de optar por usar a camisinha, por exemplo, muitas mulheres não se sentem com poder de negociação diante dos homens, o que também está relacionado à dependência econômica e a outras relações desiguais entre os gêneros.

Essa situação pode ser confirmada quando são analisadas as formas de contágio com o vírus. Dados do Ministério da Saúde revelam que 86,3% das mulheres soropositivas, em 2012, foram infectadas por meio de relações heterossexuais. Entre os homens, essa situação gerou 43,5% dos casos.

Já em relação à transmissão, tem diminuído a chamada transmissão vertical do HIV, que é quando o vírus passa da mãe para o bebê, o que o Ministério da Saúde considera ser fruto de políticas voltadas para as gestantes. Nessas situações, Carmen Barroso destaca que é papel dos serviços de saúde divulgar a existência do teste, a importância do teste, para que toda mulher escolha fazê-lo ou não.

“Tem que respeitar a autonomia da mulher grávida, ela tem o direito de ser informada sobre o teste e suas implicações, e ela tem o direito à confidencialidade. Aquele resultado é ela que deve saber, e é ela que deve divulgar, se quiser divulgar”, avalia Carmen.

Segundo o ministério, quando as medidas preventivas são adotadas, a chance de transmissão vertical cai para menos de 1%. Dentre essas medidas estão o uso de medicamentos antirretrovirais durante o período de gravidez e no trabalho de parto.

Agência Brasil

Psoríase: combata o preconceito contra a doença

Divulgação/ Blog da Saúde
Divulgação/ Blog da Saúde

A psoríase é uma doença inflamatória crônica não contagiosa que provoca lesões escamosas e manchas avermelhadas pruriginosas (coceira) no corpo. Porém, a enfermidade ainda é um problema cercado de mistérios.

Ela tem caráter hereditário, mas ainda não se sabe ao certo qual é a causa, muito menos a cura. O estado emocional do paciente interfere na recorrência dos sintomas e no controle da doença, podendo agravar o problema ou ajudar na sua recuperação.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

A psoríase ataca principalmente a pele, mas pode afetar outras partes do corpo, como por exemplo, as articulações. As lesões de pele mais frequentes são manchas e placas avermelhadas com escamas prateadas.

As áreas mais comuns onde ela surge são as dobras, como os cotovelos, os joelhos e a região das nádegas. Entretanto, também pode aparecer em outras partes, como no couro cabeludo e nas unhas.

Sintomas 

De acordo com a localização e características das lesões, existem vários tipos de psoríase:

Psoríase Vulgar

Lesões de tamanhos variados, delimitadas e avermelhadas, com escamas secas, aderentes, prateadas ou acinzentadas que surgem no couro cabeludo, e na região externa dos joelhos e cotovelos.

Psoríase Invertida

Lesões mais úmidas, localizadas em áreas de dobras (áreas internas) como couro cabeludo, joelhos e cotovelos.

Psoríase Gutata ou Psoríase Eruptiva

Pequenas lesões localizadas, em forma de gotas, associadas a processos infecciosos. Geralmente, aparecem no tronco, braços e coxas (bem próximas aos ombros e quadril) e ocorrem com maior frequência em crianças e adultos jovens.

Psoríase Eritrodérmica

Lesões generalizadas e com fina descamação, por vezes bastante pruriginosas (coceira), em 75% ou mais do corpo.

Psoríase Ungueal

Surgem depressões puntiformes, espessamento ou manchas amareladas, principalmente nas unhas da mãos, podendo se associar a fragilidade da unha.

Psoríase Artropática ou Artrite Psoriática

Até 30% dos casos, pode estar associada a comprometimento articular. Surge de repente com dor nas pontas dos dedos das mãos e dos pés ou nas grandes articulações como a do joelho.

Psoríase Postulosa

Aparecem Lesões vesiculosas (pequenas bolhas) contendo pus em seu interior nos pés e nas mãos (forma localizada) ou espalhadas pelo corpo.

Recomendações

É recomendado, ao primeiro sinal de anormalidade na pele, como lesão difícil de curar ou surgimento de placas, buscar atendimento médico em uma unidade Básica de Saúde. Como ainda não há cura, o tratamento é feito para controlar a doença, com o uso de pomadas e hidratantes no local das lesões.

Especialistas dão dicas de como conviver com a doença

Fonte:

Ministério da Saúde

Quem compartilha preconceito na web pode ser punido, diz ONG

Assim que o resultado das eleições presidenciais foi divulgado, às 20h de domingo, os comentários sobre a participação dos votos do Nordeste na vitória da candidata do PT, Dilma Rousseff, começaram a surgir nas redes sociais. Segundo o diretor-presidente da organização não governamental (ONG) SaferNet Brasil, Thiago Tavares, as páginas que exibem violações aos direitos humanos serão investigadas e seus autores poderão ser punidos. Ele explica que, assim como quem cria, quem compartilha um conteúdo de ódio e preconceito também pode ser responsabilizado criminalmente.

Tavares, que é professor de direito da informática da Universidade Católica de Salvador, disse que desde domingo a ONG  recebeu 421 denúncias referentes a 305 novas páginas nas redes sociais, especialmente no Twitter e no Facebook, com o objetivo de promover o ódio e a discriminação contra a população de origem nordestina. “Lamentavelmente, tudo indica que essas manifestações devem continuar crescendo ao longo desta semana também”, disse o professor.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

As denúncias feitas após a divulgação do resultado do segundo turno são 342,03% maiores em relação àquelas recebidas no dia 5 de outubro, do primeiro turno das eleições. E, segundo ele, 662,5% maiores em relação às no dia 26 de outubro de 2013, fora do contexto eleitoral. “Diante de uma campanha tão polarizada e tão radicalizada, é difícil muitas vezes conter o ímpeto de alguns usuários que resolvem descarregar nas redes as suas frustrações e seu preconceito em relação à população nordestina”, disse.

Para Tavares, o mais preocupante é que existem usuários que não são tipicamente criminosos, mas compartilham mensagens de ódio que muitas vezes são postadas “por grupos de extrema direita, de orientação neonazista, inclusive, que se sentem legitimados, fortalecidos e encorajados em momentos como este e encontram nesses eleitores inconformados uma espécie de instrumento para propagar esse tipo de mensagem de ódio e desestabilizar o País”.

A ONG foi criada em 2005 com foco na defesa dos direitos humanos na internet e é operada em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. As denúncias podem ser feitas de forma anônima na página da SaferNet, apenas copiando o link da página que tem a violação. A Lei 7.716, de 1989, pune, com pena que pode chegar a cinco anos de reclusão, aquele que utiliza os meios de comunicação social, como a internet, para promover o ódio e a discriminação em razão da raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Para o professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília, Sadi Dal Rosso, algumas pessoas acusam os nordestinos de votar apenas por causa de algum benefício financeiro que recebam do governo, sem se preocupar com o projeto social como um todo. “O governo agora tem esse papel de dialogar, há um laço comum no País, até porque a Dilma teve votos de Norte a Sul. Não há desunião no País, mas questões ideológicas que debatemos quando o ‘sangue sobe à cabeça’; ações concretas para elevar as condições de vida da população são importantes, políticas reais e afirmativas para diluir essas questões”, disse o sociólogo.

Para Dal Rosso seria problemático se surgissem movimentos de rua truculentos, como alguns que atuaram nas manifestações de junho de 2013, mas ele diz que já viu um usuário pedindo desculpas nas redes sociais por ter usado “expressões muito duras”, reconhecendo os exageros, o que, para ele, indica que o clima pode estar esfriando.

Segundo Tavares, há dois exemplos emblemáticos de crime de ódio na internet. “Nas eleições de 2010, a estudante de direito da Universidade Mackenzie, Mayara Petruso, de 21 anos, declarou no Twitter, logo que saiu o resultado, que os usuários da rede deveriam fazer um favor a São Paulo e matar um nordestino afogado. Em razão dessa mensagem, ela foi condenada pela Justiça Federal, perdeu o estágio, teve que prestar serviço comunitário, pagar multa, o que gerou um transtorno para a vida dela”, contou.

O outro caso aconteceu nas eleições deste ano. Segundo Tavares, uma auditora do Trabalho da Bahia foi indiciada por usar as redes sociais para pregar a violência física e o ódio contra nordestinos. “Os casos estão começando a chegar ao Judiciário e ele tem se pronunciado no sentido de condenar as pessoas que tem usado a internet para essa finalidade”, completou.

Agência Brasil

Ministério Público abre frente para combater preconceito contra nordestinos

mpfDiante de várias denúncias relacionadas à incitação ao ódio e preconceito contra a comunidade nordestina pela internet, a Procuradoria-Geral da República (PGR) recomendou que os integrantes do Ministério Público Federal (MPF) em todos os Estados levantassem denúncias com o objetivo de que a PGR instaure procedimentos criminais ou administrativos contra autores de posts preconceituosos na rede.

Além disso, na semana que vem, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) começará a analisar medidas judiciais contra comunidades ou pessoas que incitem o ódio contra nordestinos na internet. Uma das páginas de Facebook que já está sob investigação do Ministério Público Federal e deve ser alvo de ações judiciais por parte da OAB é a “Dignidade Médica”, que chegou a pregar um “holocausto contra nordestinos”. O caso foi revelado pelo iG.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Segundo o iG apurou, desde a semana passada, a PGR vem recebendo várias denúncias de incitação ao ódio contra nordestinos não somente no Facebook, como também no Youtube, Twitter e outras redes sociais. Somente o Ministério Público Federal do Ceará, por exemplo, recebeu seis representações pedindo investigações contra atos de preconceito na internet, uma delas páginas ligadas à “dignidade médica”.

A ideia da PGR agora é que parte das investigações seja comandada por Brasília. A decisão toma como base o volume de representações que vem chegando ao Ministério Público Federal relacionadas a atos de preconceitos contra nordestinos na internet.

Nesse processo de investigação, os autores dos posts preconceituosos serão chamados a explicar o teor das citações. O MPF também quer vasculhar perfis falsos, de onde geralmente saem as citações mais preconceituosas, conforme a análise preliminar de procuradores que atuam em ações criminais. No caso dos perfis falsos, o MPF não descarta pedir auxílio da Polícia Federal para identificar números de IPs (endereços virtuais das máquinas) com o intuito de se chegar aos autores das frases preconceituosas.

Preconceito na rede 

O procurador da República Samuel Miranda Arruda, integrante do Núcleo Criminal do Ministério Público Federal no Ceará, que integra a investigação local sobre atos de preconceito contra nordestinos, afirmou que tem sido recorrente a existência de posts preconceituosos motivados pelo processo eleitoral. “Isso é um fenômeno cíclico”, disse o procurador. “Alguns comentários, porém, não são tão absurdos assim. A gente tem que diferenciar o ‘joio do trigo'”, analisou o procurador.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Wadih Damous, informou que na próxima semana terá um encontro como presidente da OAB Nacional, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, para discutir possíveis intervenções da OAB com relação a atos de preconceito contra nordestinos na internet. “Precisamos analisar isso com muita cautela. Mas é inadmissível que no Brasil ainda se veja a incitação ao ódio como no caso dessas páginas de internet”, afirmou Damous.

Uma das possibilidades é que a OAB ingresse com uma representação ou denúncia. “Isso é fruto da ignorância (atos de preconceito). Isso se combate com educação e conhecimento. Acho absurdo que pessoas que vivem em um mesmo país se odeiem desse jeito”, sentenciou o procurador Samuel Arruda, cearense, mas casado com uma paulista.

 

IG

Mães se unem contra o preconceito durante “Hora do Mamaço” em Campina Grande

mãesVergonha ou imposição familiar são apontados por especialistas como uns dos principais motivos que impedem as mulheres brasileiras de amamentarem seus filhos em locais públicos. Para quebrar esta barreira e chamar a atenção da população para a importância da amamentação, dezenas de mães campinenses se reuniram na manhã deste sábado, 02, no Parque da Criança. Elas participaram da “Hora do Mamaço”, uma mobilização que aconteceu simultaneamente em diversos municípios brasileiros e que também faz parte das ações da Semana do Aleitamento Materno.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Acompanhadas de maridos e familiares, as mães amamentaram seus filhos no parque municipal, participaram de rodas de conversa e puderam trocar experiências sobre a vivência da amamentação. As mais experientes no assunto fizeram questão de dar depoimentos para estimular mamães de primeira viagem. “Meus filhos mamaram além dos seis meses de vida sem a necessidade de nenhum outro alimento e estão crescendo saudáveis”, relatou a dona de casa Jordânia Macedo.

Segundo a secretária municipal de Saúde de Campina Grande, Lúcia Derks, iniciativas como a “Hora do Mamaço” servem de estímulo, principalmente, para gestantes que vão amamentar pela primeira vez. “O leite materno é a primeira vacina do bebê, pois possui anticorpos da mãe e nutrientes necessários para que a criança se desenvolva nos primeiros meses. No entanto, muitas vezes, estimuladas por parentes ou amigos, algumas mães deixam de amamentar por receberem informações equivocadas quanto à amamentação, gerando mitos e preconceitos”, explicou.

Durante a “Hora do Mamaço”, uma equipe do Banco de Leite Humano do Instituto de Saúde Elpídio de Almeida – Isea explicou para as mães que participaram da ação como funciona o serviço de doação de leite da maternidade. Os profissionais falaram da importância de doar o leite materno para as crianças que não podem receber o leite das suas mães. “Além de salvar vidas, a doação ajuda a mãe doadora a voltar ao peso normal e a protege de doenças como o câncer de mama, ovário e osteoporose”, informou a coordenadora do Banco de Leite do Isea, Alane Tavares.

A Semana do Aleitamento Materno segue até o próximo dia 07, com diversas atividades. Serão realizadas oficinas lúdicas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e exibição de vídeo educativo sobre alimentação saudável para alunos de creches do Município. Na quarta-feira, 06, um fórum sobre assistência materna e neonatal irá reunir 42 secretários municipais de saúde da região de Campina Grande. O encerramento acontecerá no dia seguinte no Isea e as maternidades da FAP e da Clipsi também terão programação voltada para a mobilização.

 

portalcorreio

Parada do Orgulho LGBT lota a Paulista para marchar contra o preconceito

© ANDRE HANNI /BRAZIL PHOTO PRESS/FOLHAPRESS
© ANDRE HANNI /BRAZIL PHOTO PRESS/FOLHAPRESS

Um dos maiores eventos em prol da diversidade sexual do mundo, este ano em sua 18ª edição, a Parada do Orgulho LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), realizada neste domingo (4), na capital paulista, reuniu um público total estimado em cerca de 4 milhões de pessoas, com o lema: “País vencedor é país sem homolesbotransfobia. Chega de mortes!”

O objetivo, segundo os organizadores, foi ressaltar a urgência da questão e reforçar o pedido por punições mais rígidas a quem praticar crimes de homofobia. “O que querem os gays na avenida que é o maior símbolo do capital? Nós queremos respeito. Queremos dignidade”, disse o sócio-fundador da associação da parada, Nelson Matias, sobre o espírito do evento. “Amar quem eu quero é um direito de foro íntimo. A sociedade tem que respeitar e o governo, garantir”, acrescentou.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Presente na abertura da parada, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvati, disse que a comunidade LGBTT deve aproveitar a mobilização demonstrada em eventos como o de domingo para pressionar o Parlamento a aprovar projetos contra o preconceito e contra a violência provocada pela discriminação. “Vocês colocam 2 ou 3 milhões de pessoas na rua. Vocês precisam transformar isso em votos no Congresso Nacional. Porque essa imagem de poder do homem branco, rico e hétero está instalada lá”, ressaltou a ministra.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), destacou que, apesar do clima festivo, a parada ainda remete a temas de grande seriedade. “Nós entendemos que isso aqui é uma parada cívica. Para nós, infelizmente, ainda não é uma festa”, disse, ao lembrar “atrocidades” cometidas por pessoas que mantêm o preconceito.

Por sua vez, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aproveitou para anunciar a instalação definitiva da sede do Museu da Diversidade Sexual, num casarão, ainda a ser desapropriado e reformado, da própria Avenida Paulista, onde ocorreu a parada –a instituição funciona atualmente na Estação República do metrô e recebeu cerca de 35 mil visitantes no ano passado.

O ex-ministro da Saúde e pré-candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, também esteve na Paulista, onde visitou o camarote da Prefeitura e andou em três trios elétricos – o da organização da Parada GLBT, o da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de uma drag queen. “Essa celebração da diversidade é muito importante para São Paulo”, disse, enquanto acenava aos participantes na rua.

Neste ano, a 18ª Parada do Orgulho LGBTT, tradicionalmente realizada no primeiro domingo após o feriado de Corpus Christi, em junho, foi antecipada para não coincidir com a Copa do Mundo, o que deverá encarecer os preços na rede hoteleira. “Mudamos a data pensando no grande número de participantes que vêm de fora de São Paulo”, explicou o presidente da associação da parada, Fernando Quaresma.

Para a transexual Lara Pertille, a parada é um momento de afirmação para as transexuais e o restante de comunidade LGBTT. “Acho que é um dia de protesto, de visibilidade. Um dia para mostrar que existimos, que pagamos impostos e que somos ‘limpinhos'”, ironizou a jornalista, de 26 anos, que veio de Paulínia, interior paulista

O estudante universitário Anderson Melo, de Mairinque (SP), relatou que veio para se divertir, mas igualmente protestar. “Além de toda a festa, eu faço questão de me integrar à militância”, disse. Ele se preocupa, entretanto, que o apelo festivo possa enfraquecer a mensagem contra o preconceito. “Talvez esse formato tire um pouco da atenção da causa social. Não para o público LGBT, mas para quem vê de fora.”

A festa não é um problema para a consultora financeira Ana Braz. “Eu acho super legal esse tipo de manifestação, é alegre e dá um ar diferente”, disse Ana, que afirmou ser heterossexual. Este ano, 14 trios elétricos desfilaram na Avenida Paulista. A parada foi encerrada com show da cantora Wanessa Camargo, na Praça da República, no chamado Centro Velho da cidade.

Com reportagens da Agência Brasil, FSP e agências

Obesidade: as consequências do preconceito

atrizNas últimas semanas, ganhou destaque na novela Amor à Vida, da Rede Globo de Televisão, o preconceito contra as pessoas gordas. A personagem Perséfone, uma enfermeira vivida pela atriz Fabiana Karla, teve que enfrentar uma maratona de insultos, apelidos e desaforos para ficar com seu noivo, um homem bonito e magro.

Na vida real, muitos homens e mulheres, crianças, adolescentes e pessoas de mais idade também sofrem o mesmo tormento que a personagem e motivados por isso buscam medidas extremas de emagrecimento, que vão de dietas com pouquíssimas calorias, consumo de remédios para reduzir o apetite à exacerbação nos exercícios físicos. As consequências disso são problemas físicos, como úlceras, gastrite, refluxo esofágico, apneia do sono e também psicológicos, como depressão e reclusão, que muitas vezes acompanham as pessoas pelo resto da vida.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

O psiquiatra Fábio Gomes de Matos, coordenador do Centro de Tratamento de Transtorno Alimentar (Cetrata), que funciona em Fortaleza, Ceará, no Hospital Universitário Walter Cantídio, explica que um dos primeiros pontos é o estigma que se tem com as pessoas obesas e o tratamento de desdém dado a elas.

“O obeso sofre bullying social, desde sempre ele recebe apelidos ofensivos. Essas pessoas não se sentem com atrativos físicos, muitas usam roupas frouxas, querem esconder o corpo. A partir daí, surge a depressão, a ansiedade e o uso da comida como forma de compensação, fazendo com que a pessoa entre em um círculo vicioso, pois ela come, fica deprimida, come mais porque se sente gorda e porque não deveria ter comido, e por aí vai”, explica.

O psiquiatra lembra que hoje a oferta de comida é exagerada e que não é preciso pagar muito para comer carne, pizza e sorvete à vontade em alguns restaurantes, fazendo assim com que as pessoas consumam mais calorias do gastam.

“O reflexo disso é que 51% da população brasileira está acima do peso e 19% está obesa e ao mesmo tempo em que a sociedade induz as pessoas a serem obesas exige que sejam magras e estejam dentro de um padrão”, critica.

A professora de educação infantil, Soraia Nascimento, decidiu, aos 98 quilos, fazer a intervenção mais procurada pelos obesos, a cirurgia bariátrica, mais conhecida como ‘redução do estômago’. Ela conta que começou a engordar depois da primeira gestação e que seu principal motivo foi a saúde, mas a estética, claro, também pesou.

“Eu me sentia uma gordinha bem resolvida, não sofri muito preconceito, meu marido também não se incomodava com isso. Eu só ficava triste quando tinha que comprar roupas e não tinha meu número ou quando precisava alugar algum vestido para festa e só tinha coisa grande e feia. Aí, quando ficava triste e ansiosa, a tendência era comer mais. Mas eu nunca me privei de fazer nada por ser gorda”, contou.

Antes de decidir pela cirurgia a professora disse que fez todo tipo de dieta que se possa imaginar. “Teve uma época até que eu viajava para Mossoró para me consultar com um médico que me tratava com remédios controlados, eu até perdi muito, foram 22 quilos, mas quando parei com os remédios voltei a engordar e cheguei à conclusão de que nada dava certo”.

Depois disso, sentindo o peso das doenças que a obesidade traz consigo, sobretudo hipertensão e diabetes, a professora decidiu entrar na fila da cirurgia bariátrica no serviço público, mas anos se passaram sem que ela fosse chamada e a oportunidade apareceu quando seu esposo mudou de emprego e o plano de saúde possibilitou. Hoje, com 35 quilos a menos, ela diz que sente muito bem, mas que também estaria assim se ainda estivesse gordinha.

 

Adital