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Presidente da Câmara de Guarabira atende pedido do povo e retira vidraça que separava plenário do auditório

presidenteDentre as primeiras medidas administrativas adotadas pela nova Presidência da Câmara de Guarabira está a retirada da estrutura de vidro que isolava os vereadores das pessoas que acompanham as sessões. A divisória não permitia o acesso direto ao plenário.

Para a Presidente, Neide de Teotônio, a ação visa aproximar as pessoas das discussões no ambiente legislativo bem como extingue a qualquer pensamento de superioridade que possa existir entre os que ocupam os diferentes lugares da Casa. Neide lembrou que a mudança atende também a uma reivindicação da própria população e não gerou despesas para Casa.

No lugar da antiga divisória de vidro foi recolocada a estrutura metálica.

manchetepb

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Prefeito eleito, Nelinho usa redes sociais para agradecer ao povo de Cacimba de Dentro

nelinhoEleito no último domingo (02), para governar a cidade de Cacimba de Dentro, o jovem empresário, Nelinho agradeceu sua expressiva votação em sua página na rede social Facebook. Nelinho foi eleito com 5.420 (50,88%), contra 5.232 (49,12%) do candidato da situação, Marcos Firmino.

 

Veja mensagem
“Eu nunca vi um escolhido sem resposta”.
Meus amigos e amigas. Querido povo de minha amada Cacimba de Dentro. O momento é para agradecimento. Agradecer a Deus,e as famílias,a toda militância,a juventude,a Tutuca Ferreira e toda sua familia,a todos os Vereadores que foram importantes nessa luta e me ajudaram a vencer, minha esposa, meus filhos e pelos amigos que confiaram em mim. Pedi ao povo uma oportunidade para mostrar como se faz uma gestão voltada para o cidadão, sem perseguição, sem prepotência, sem arrogância, sem rancor e sem demagogia. O povo sentiu a minha vontade de fazer muito por esta terra e me fez vitorioso. A velha política ficou para trás, agora a nossa terra provará de uma nova política, aquela que vai revolucionar nosso município, onde o povo tem vez e voz. Vencemos o senador,deputado federal,deputada estadual duas máquinas públicas Cacimba e Araruna, o prefeito atual, o vice-prefeito, o presidente da câmara e ainda mais uma doação de terreno em plena campanha com mais de 400 lotes e a maioria dos vereadores que estavam com o candidato que se achava dono das pessoas. Não adianta querer derrotar aquele que Deus escolheu para vencer. Eu tinha Deus e o povo que escutou o anseio de um humilde jovem que tem em seu coração a coragem de lutar por nossa gente. Obrigado meu Deus. Obrigado povo de Cacimba de Dentro. A caminhada foi longa, árdua, mas nunca pensei em desistir. Venci o cansaço físico e guiado por Deus, pela vontade do povo e pelo apoio dos que acreditaram em mim sou vencedor. Vocês agora tem um prefeito de verdade. Um prefeito amigo e fiel. Um prefeito que jamais vai tratar a você como se as pessoas fossem objetos. Eu não irei maltratar a ninguém. Deus nos abençoe e vamos comemorar porque a vitória é de Deus e do povo.
#Nelinhoeleito.#Nelinhoprefeito #ObrigadoDeus #Anossavitoriatemsabordemel
 
Fonte: Diário de Araruna

via: http://www.ararunaonline.com/

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Arnaldo: Governador comete estelionato eleitoral ao enganar povo dizendo que água de Esperança vem de Camará

arnaldoO deputado estadual Arnaldo Monteiro (PSC) acusou o governador Ricardo Coutinho de cometer estelionato eleitoral ao ludibriar o povo de Esperança e de Remígio dizendo que as cidades estão sendo abastecidas pela barragem de Camará, quando, na verdade, continuam recebendo água de Vaca Brava, em Areia. O parlamentar lembrou que foi preciso recorrer ao Ministério Público para que a água que estava represada há três meses fosse liberada um pouco antes da vontade do governador.

“A água que foi liberada para Esperança, infelizmente, só vai durar mais uns 90 dias, caso não chova. A água de Camará é imprestável, pois o reservatório tem apenas 1% da sua capacidade. Enganando o povo, por ter interesses políticos, o Governo do Estado represou a água de Vaca Brava para só liberar agora na eleição, pois se tivesse liberado antes a água já tinha acabado. Quis mostrar que tinha resolvido o nosso problema da água, quando não o fez. Reconheço a importância da barragem para a região, mas repudio essa enganação que vem sendo feita com o povo”, comentou.

Arnaldo lembrou que o Ministério Público do Estado (MPE) recomendou que a Cagepa liberasse a água para a população de Esperança, após uma denúncia feita pelo vereador Sizinho Dias. Mesmo com água na barragem de Vaca Brava, a empresa tinha suspendido a distribuição deixando a cidade desabastecida.

“Neste momento de profunda crise a Cagepa, que levava o nosso dinheiro nos vendendo água, agora deu as costas para Esperança. Mesmo com água na barragem de Vaca Brava represada há mais de três meses, a empresa deixou para soltar a água agora na época de eleição”, alertou o deputado.

Para ele, a situação é grave uma vez que a população vem sofrendo com os desmandos do Governo do Estado no município orientado pelo candidato a prefeito Nobinho. “O adversário ligado ao Governo não teve a menor consideração e piedade com o nosso povo. Mandou represar a água para liberar apenas agora em período eleitoral.  E ainda diz que quer o bem do povo, mesmo deixando todos sem água”, disse.

Para o deputado Arnaldo Monteiro, querem fazer da água uma questão eleitoreira, mas diante das denúncias ao Ministério Público e da imprensa, tiveram que ligar a água e agora estão inventando que ela vem de Camará. “Não se pode brincar dessa forma com a vida das pessoas”, lamentou.

Assessoria

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Ricardo Marcelo confirma apoio a reeleição de Edgard e diz que Cris continuará ao lado do povo

Ricardo-e-Cris“Há tempo para tudo na vida. Há tempo de avançar e tempo de recuar. De prosseguir e de parar. De agir e de esperar”.

Utilizando o livro bíblico de Eclesiástico, o deputado estadual Ricardo Marcelo (PMDB) falou pela primeira vez sobre a retirada do nome de sua esposa Crisneildes Rodrigues (PTB) da disputa municipal em Belém (PB).

Na entrevista concedida a Rua Nova 87,9 FM de Belém (PB), o parlamentar deixou claro que realizou pelo menos cinco pesquisas de consumo interno para nortear sua decisão.

Ricardo reiterou a capacidade de gerenciamento de dona Cris e a sua forte aceitação popular, mas ao final, prevaleceu a humildade dela que preferiu somar para Belém (PB) ganhar mais e não criar conflitos em detrimento dos que mais precisam. “Dona Cris continuará dedicada aos projetos sociais que beneficiam crianças e adolescentes de Belém (PB), sua política social não será interrompida, o futuro e o povo dirão se um dia ela disputará cargo eletivo, desta vez apoiaremos os amigos”, lembrou.

“Ao final das consultas internas percebemos uma tendência clara do nosso eleitorado de acompanhar o atual prefeito Edgar Gama (PSB) e o verdadeiro líder é aquele que não impõe ao povo sua vontade e sim o escuta e com ele decide”, frisou Ricardo Marcelo.

O deputado filho de Belém (PB), esclareceu que não fez exigências pessoais ao prefeito, apenas pontuou áreas que podem avançar mais, como educação, saúde e ação social.

“Nossa aliança é de trabalho e desenvolvimento e sei que para melhorar a administração municipal, diante de uma crise nacional tão forte, precisamos dar as mãos e para isso Edgard contará com minha modesta colaboração”, reforçou Marcelo.

Sobre a indicação do ex-vereador Severino Porpino, o popular Bau, para vice de Edgard, Ricardo alegou que é um nome que tem passado limpo e coerente, é paciente e sabe conviver com os diferentes.

Rafael San

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Alagoinha comemora 62 anos de emancipação com inaugurações e festa para o povo

FESTAA cidade de Alagoinha comemorou 62 anos de emancipação política com muita festa, nesta quinta-feira (3). Uma intensa programação movimentou o município durante os dias 2 e 3 de dezembro, que começou com exposição de fotografias que passeiam pela história do município, na Praça Geraldo Beltrão e depois a realização do cortejo literário.

No dia 3, a programação começou logo cedo, às 6h, com Alvorada com a banda maestro Cidalino Pimenta, que percorreu as principais ruas de Alagoinha. No período da tarde ocorreu a finalíssima do campeonato municipal da 2ª divisão de futebol, inauguração da reforma e ampliação do Estádio Municipal Moura Filho, um dos mais modernos da região, sequenciando com a final do campeonato municipal da 1ª divisão de futebol.

Durante a noite, a prefeita Alcione Beltrão recebeu convidados e o povo em geral para a inauguração da reforma e ampliação da Biblioteca Municipal José Rodrigues de Carvalho; depois, uma multidão lotou o pátio do mercado para dançar ao show da banda Forró Bom Demais, até a madrugada.

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A solenidade de inauguração contou com as presenças do deputado estadual Gervásio Filho, os vereadores Luciano de Biu de Téo, Zé Ronaldo, Maria de Jesus e Socorro de Davi, do ex-presidente da Câmara Davi Cassimiro, ex-vereador Geraldo Marcolino e secretários da gestão municipal.

Em seu pronunciamento, Gervásio disse que estava muito feliz em participar da inauguração da biblioteca porque trata-se de investimento em educação, que é o único fator capaz de transformar uma nação. O deputado lembrou que mesmo num momento de dificuldade financeira vivido pelo Brasil, a cidade de Alagoinha mantém o equilíbrio financeiro porque o dinheiro público é tratado com a seriedade que o povo merece.

A prefeita Alcione justificou a homenagem feita ao poeta José Rodrigues de Carvalho e informou ter conversado com um bisneto do homenageado, que narrou o fato de o avô sempre contar que nasceu na zona rural de Alagoinha e que por essa razão a homenagem é mais que justa, a quem tanto contribuiu com a literatura brasileira.

Salário em dia

Desde que assumiu o comando administrativo, em janeiro de 2009, a prefeita Alcione Beltrão garante o pagamento dos funcionários dentro do mês trabalhado e honrando os direitos do funcionalismo com pagamento do 13º salário. Fornecedores também são respeitados e recebem pelos serviços prestados ao município. A gestora assegurou que todos os pagamentos estarão em dia até o final do ano, aquecendo a economia local para as compras de Natal e final de ano.

 

nordeste1

Direita piscou: teme Lula e povo na rua

FHCMedoO movimento foi tratado de forma discreta pela mídia tucana. Mas Miguel do Rosário deu o primeiro alerta: os tucanos amarelaram diante da possibilidade de um confronto aberto e total, que saia das redes sociais e ganhe as ruas nas próximas semanas

Reunidos em São Paulo, na última sexta-feira, os grão-tucanos (FHC, Aécio, Serra, Aloysio, Cunha Lima e Tasso Jereissati) decidiram que o partido não vai mergulhar de cabeça nas manifestações de rua para pedir o impeachment de Dilma. A avaliação do PSDB: o país está sobre um barril de pólvora, e os tucanos não ganhariam nada com a queda de Dilma (o poder provavelmente ficaria nas mãos do PMDB).

Eles são muito corajosos…

A decisão tucana vem logo depois de Lula dizer que vai pra rua enfrentar o golpe, com uma frase que não deixa margem a dúvidas: “Quero paz e Democracia. Mas se eles não querem, nós sabemos brigar também.” Lula deu o recado no Rio, na terça da semana passada, num ato em defesa da Petrobrás.

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Os tucanos não pagaram pra ver. E a decisão já ecoa entre aqueles que colocam suas penas a serviço do PSDB na imprensa.

Na “Folha”, o colunista Demetrio Magnoli (ex-trotskista, hoje direitista assanhado) disse o óbvio nesse sábado: impeachment – sem provas – faria o Brasil virar “um imenso Paraguai”.

Hum…

É como se ele dissesse: “peraí, pessoal, sigamos a odiar o PT, mas não vamos fazer besteira se não queimamos o nosso filme”.

Um tal Igor Gielow, articulista do mesmo jornal, reclama de Lula. Diz que o petista resolveu “incitar as células dormentes do MST e da CUT” (ops, esse aí teve formação na escola Costa e Silva de jornalismo – “células dormentes”, ui!!), e afirma (zeloso em cuidar de Dilma): “tudo que o governo não precisa agora é disso”.

Não, Igor. De fato. O governo precisa só dos caminhoneiros democratas, do Ives Gandra e de colunistas espertos como você… A Dilma deve estar emocionada com a preocupação do Igor.

Ah, ele também reclama da “guerra cultural” promovida pelo petismo. Ahn?! Tudo que o PT não fez em 12 anos foi enfrentar a guerra cultural promovida pela direita midiática no Brasil. Talvez a guerra venha agora – com ou sem PT…

O Clube Militar (que reúne velhotes reacionários de pijama) também chiou. Disse que Lula assumiu postura de “um agitador de rua”. Sim, caros senhores da reserva, as ruas devem ficar abertas apenas para os golpistas. Agitação de rua é só pra incitar os tresloucados contra o PT. Isso mesmo.

Claro, a decisão do PSDB (amplificada por seus sócios na mídia) tem algo de malandra. Não se compromete com manifestações que podem degenerar em balbúrdia no dia 15. Mas também não acha ruim que elas prossigam…

Aliás, não pensem que os textos de colunistas e comentaristas chamando para certa “contenção” não fazem parte de um jogo combinado. Essa turma tem coordenação, tem agenda comum, decide temas a serem tocados.

A decisão agora parece ser: não vale a pena fazer o confronto total. Por vários motivos. Um é prático: nesse momento, não há qualquer garantia de que o confronto aberto favoreça o tucanato. Lula segue com muita força. Pode colocar mais gente na rua.

Além disso, a esquerda pós-petista mostra sinais de alguma força. O MTST colocou mais de 10 mil pessoas em frente ao Palácio dos Bandeirantes, para protestar contra falta de água. Cercou Alckmin.

No Paraná, o tucano Richa enfrenta uma sublevação popular.

Ou seja: o clima de esfola e mata insuflado por amplos setores midiáticos pode, sim, levar o governo Dilma e o PT de roldão. Mas não há garantia de que tucanos e seus governos estaduais não sejam levados juntos no redemoinho. A situação é confusa.

O fato é que a direita piscou. E não falo da direita levyana, instalada dentro do governo petista; mas da direita que (mesmo com os recuos de Dilma, e a aparente rendição a uma agenda liberal) quer esmagar o que sobrou do lulismo – porque teme que logo à frente ele possa se fortalecer de novo.

A direita piscou. Mas não significa que vá recuar. Ao contrário. Significa que ainda teme Lula. Por isso, estancou a ofensiva às portas de Leningrado. Até porque Lula prometeu um combate casa a casa, porta a porta (e os tucanos não são lá muito corajosos pra essas coisas, preferem terceirizar o golpe pela Globo/Veja).

Um movimento muito acintoso de golpe paraguaio, além de afundar o país numa crise gravíssima e arrastar governos do PSDB, poderia unificar a esquerda. Imaginem se a velha geração de Lula, Stédile (com a CUT e outros movimento sociais) conseguir unificar discurso e ações de rua com os novos movimento sociais?

Dilma e o PT já estão desgastados. Mas Lula mostrou as garras. Os próximos movimentos serão para emparedar o líder que assusta demétrios, aécios, mervais, marinhos e os velhotes do clube militar.

Lula foi às bases e, ao mesmo tempo, foi ao PMDB – que pode ser tudo, mas não é bobo a ponto de entregar o governo para os tucanos na hora em que o peemedebismo se torna cada vez mais poderosos no Congresso.

Lula faz o que Dilma deveria ter feito: usa a força que se move nas ruas para assustar o lado de lá, e assim negociar com o centro – numa posição de mais força (ou de menos fraqueza).

A direita piscou. Vai esperar o dia 13 (com a esquerda na rua), e o dia 15 (com os celerados golpistas na rua), para avaliar se é hora de avançar de novo as tropas. Ou de promover mais ataques de artilharia midiática contra Lula. E vai, sobretudo, esperar a lista de Janot e a CPI do HSBC.

Antes de brigar na rua, os tucanos precisam cuidar de contas e processos.

A fala de Lula significou algo parecido com a frase de Brizola em 1961: “dessa vez, não vão dar o golpe pelo telefone”.

Ou seja: se querem brincar de golpe, preparem-se. Não será um passeio na avenida Paulista.

altamiroborges

Carta aberta ao povo brasileiro: liberdade de expressão em risco

Dirijo-me ao nobre e valoroso povo brasileiro, na qualidade de um cidadão atingido por uma absurda violência política, e que não afeta somente a mim, mas o coletivo e a própria liberdade de expressão de uma nação continental.

Trata-se de um processo movido contra mim por Ali Kamel, empregado da família mais rica do país.

Mais rica e que controla um dos maiores impérios de mídia do mundo.

Não creio que, em nenhum país democrático (com exceção talvez da Itália, que tem o seu Berlusconi), exista um grupo que reúna tanto poder financeiro e midiático como a Globo.

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Pois o empregado deste grupo, e não qualquer empregado, mas o seu diretor-geral de jornalismo, pediu-me, e venceu na justiça, uma indenização de mais de R$ 20 mil, a qual, acrescida pelos custos judiciais, me custarão mais de R$ 30 mil.

O processo já terminou. Ele venceu na segunda instância e não conseguimos chegar ao Supremo Tribunal de Justiça. Não há mais como recorrer.

O juiz mandou executar e terei de pagar o montante em alguns dias.

E qual a razão do processo? Simplesmente porque fiz uma crítica política à empresa para a qual ele trabalha.

Não ataquei sua honra. Não o chamei de ladrão ou corrupto. Não pedi sua demissão.

Apenas disse que ele trabalhava para uma concessão pública que, na minha opinião, merece ser criticada.

Para não faltar com a verdade, os únicos adjetivos que dirigi ao autor da ação, e que poderiam ser considerados pessoalmente ofensivos, foram: sacripanta e reacionário. E me referia a ele enquanto diretor de jornalismo da Globo, a concessão pública líder de audiência no país.

O dia em que todos forem condenados porque chamaram, num artigo político, o diretor de jornalismo da maior concessão pública de um país, de “reacionário” e “sacripanta”, será o último dia de liberdade no Brasil.

Creio se tratar de um desses casos emblemáticos que podem influenciar o país durante muitos anos.

Até porque, neste momento, já são vários blogueiros agredidos judicialmente pelo mesmo personagem, ou pelo mesmo campo político.

É um fato notório o mal que a concentração da mídia faz à democracia, um mal denunciado por inúmeras organizações nacionais e internacionais.

A Repórteres Sem Fronteiras acusou o Brasil de ser o país dos 30 Bersluconis, referindo-se às famílias que dominam a mídia de massa no país.

O relator da ONU para Liberdade de Expressão, Frank de La Rue, veio ao Brasil recentemente e afirmou que a concentração da mídia é a maior ameaça à liberdade de expressão. La Rue se referia, naturalmente, à situação da midia no Brasil.

Essas denúncias foram abafadas por nossa mídia corporativa, cuja estrutura segue muito parecida, e até mais concentrada ainda, em relação aos chamados anos de chumbo.

O surgimento de blogs políticos que fazem um contraponto à grande mídia, devem ser entendidos, portanto, como uma reação biologicamente natural, saudável e necessária, do ambiente democrático.

Se a mídia age como um partido político homogêneo, um verdadeiro cartel ideológico, impondo sempre as mesmas pautas, repetindo as mesmas opiniões e até usando os mesmos colunistas, é natural que emergissem blogs no lado oposto do espectro ideológico.

Se a mídia torna-se dia a dia mais conservadora, os blogs se notabilizam por defender pautas progressistas e trabalhistas.

Não é fácil manter um blog, contudo. Raros são os blogs atualizados constantemente, e raríssimos aqueles que conseguiram se profissionalizar.

Entretanto, creio que, neste momento da nossa história, os blogs políticos constituem um respiro democrático no ambiente histérico, reacionário, udenista, muitas vezes flertando com o golpismo, da nossa imprensa corporativa.

Não digo que os blogs sejam perfeitos, nem que a nossa imprensa seja 100% um lixo (digamos que ela seja 75% lixo). Mas representamos um contraponto importante. E ajudamos a concretizar um dos princípios que norteiam a nossa Constituição: a pluralidade política.

Claro, os blogs não resolvem o problema da concentração midiática. Apenas ajudam a enriquecer o debate, a criar uma válvula de escape num ambiente que, sem eles, seria talvez desesperador para muita gente.

A sustentação financeira dos blogs é complicada. Apesar dos adversários nos acusarem de recebermos “apoio do governo”, sabemos que isso não é verdade. Recentemente, os dados referentes a todos os órgãos de governos, incluindo estatais, foram abertos e comprovamos que apenas dois ou três blogs ou sites recebiam apoio oficial (não estou incluído), e mesmo assim, irrisórios se comparados ao custo de manutenção dos mesmos, e ridiculamente ínfimos, se comparados ao que receberam os grandes ou mesmo medianos grupos de mídia tradicionais.

Os blogs políticos, em geral, são sustentados pelo próprio bolso dos autores.

Em alguns casos, como o meu, o blog é sustentado por assinaturas e contribuições dos leitores, uma ou outra publicidade, além do adsense do Google, um esquema randômico de propaganda.

Não posso reclamar de nada, todavia.

A blogosfera, aqui entendida como o conjunto de leitores, sempre foi generosa comigo. Tenho centenas de assinantes pagantes e as contribuições sempre foram generosas por parte de um público idealista.

Não espero matérias elogiosas a meu trabalho em reportagens de TV, em jornais ou revistas de grande circulação.

Ao contrário, sempre que me citam, e são obrigados a fazê-lo de vez em quando, fazem-no tentando me prejudicar.

Entretanto, às vezes recebo doações e assinaturas até mesmo de pessoas de baixa renda, e isso realmente me comove e me faz entender a importância de continuar o meu trabalho.

Digo isso para mostrar a fragilidade financeira dos blogs, por representarem uma coisa nova, ainda não assimilada pelos agentes econômicos, sobretudo num país onde o ambiente publicitário permanece sob o controle dos monopólios corporativos consolidados no regime militar.

Frágeis, mas essenciais!

De qualquer forma, contra tudo e contra todos, estamos crescendo.

Os blogs têm cada vez mais visitas. O Cafezinho tem cada vez mais assinantes.

Adentramos até mesmo o terreno mais custoso do jornalismo: a investigação.

Os blogs hoje também realizam investigações importantes, como eu fiz no caso da sonegação da Globo, do apartamento em Miami de Joaquim Barbosa, e agora, sobre a participação de graúdos das finanças e da política na lista do OffShore Leaks e do HSBC suíço.

Pois bem, diante de tal situação, o que posso fazer diante da ofensiva covarde da Globo contra o meu trabalho?

O dinheiro que ganho serve para pagar meu custo de vida, ao qual tive que acrescentar agora os honorários do meu advogado.

Como posso entrar numa batalha judicial com o diretor de jornalismo da Globo, cujos proprietários têm uma fortuna maior que a de Rupert Murdoch, o magnata australiano dono de um império midiático nos EUA, maior que a de Berlusconi, proprietário de vários canais de TV na Itália e um dos principais expoentes da direita europeia?

O valor imposto, R$ 20 mil mais custos judiciais, equivale ao valor que o Judiciário costuma impor à revista Veja, que pertence também a uma das famílias mais ricas do país. E isso quando a Veja perde na justiça, o que é raro.

Não falta aqui um senso de proporção?

Depois de judicializarem a política, agora partirão para a judicialização da censura?

Qual o objetivo da Globo? Reduzir o já diminuto pluralismo político do país?

E ela ainda quer se vender como defensora da liberdade de expressão?

Ainda quer acusar a esquerda de pretender promover a censura por querer estabelecer uma regulamentação que evite esse tipo de aberração, na qual a grande mídia pode destruir reputações, e a pequena mídia não pode falar nada?

É muito cinismo! Dão golpe e falam que a democracia voltou! Censuram e acusam os outros de censura! Roubam e gritam pega ladrão!

Só blogueiros cubanos serão defendidos por nossa mídia?

O caso do blogueiro saudita, condenado a levar algumas centenas de chibatadas, foi denunciado por nossa “imprensa livre” e aqui o diretor de jornalismo da nossa maior empresa de mídia persegue judicialmente os blogs?

É uma contradição atrás da outra!

Entendo, contudo, perfeitamente, que as pessoas se sintam ofendidas e procurem reparação na justiça.

Se houvesse a lei de imprensa, o ofendido ganharia direito de resposta no blog, que eu publicaria com o maior prazer.

Ali Kamel poderia explicar, a meus leitores, que não pode ser culpabilizado pelos crimes que a Globo cometeu contra a democracia, no passado remoto e recente.

Tudo bem.

Não há mais lei de imprensa, porém. Não há qualquer tipo de regulamentação da mídia, que proteja o cidadão contra ofensas e o jornalista contra abusos do poder econômico e arbítrios da justiça.

Voltamos à lei da selva, à lei do mais forte.

Não tenho pretensão de acertar sempre. Entendo que um blogueiro pode passar dos limites às vezes. O limite entre o sarcasmo, o humor, o chiste, e a ofensa, é frequentemente tênue.

Pode-se publicar por vezes uma denúncia equivocada (o que não é o caso aqui, não “denunciei” nada acerca de Ali Kamel).

O blogueiro costuma caminhar sobre a corda bamba.

Ora, mas então que se aplique uma multa proporcional ao padrão financeiro de um blog!

Um blog político independente não tem R$ 20 ou R$ 30 mil para sair distribuindo para o primeiro que se sentir ofendido!

Se não conseguir pagar este valor, minhas contas serão bloqueadas e, evidentemente, meu trabalho ficará comprometido.

E aí é que não conseguirei pagar nada mesmo!

É uma coisa tão absurdamente injusta, tão ridiculamente sem sentido, que dá vontade de rir.

Os caras mais ricos do país, donos do maior império de mídia da América Latina, tentando matar um blogueiro de fome!

Tudo com apoio de uma justiça sem grande apreço, aparentemente, pela liberdade de expressão (ou que entende que esta liberdade seja propriedade da grande mídia); e a complacência de uma sociedade amedrontada e chantageada por uma mídia doentiamente inchada pelo totalitarismo político.

Vivemos uma ditadura sanguinária, onde a liberdade de expressão é monopólio de meia dúzia de poderosos?

O querelante se aproveita do fato do poder judiciário não estar devidamente atualizado sobre a importância dos blogs para o pluralismo político no Brasil, nem habituado à linguagem às vezes agressiva, própria da blogosfera, sobretudo quando se trata de enfrentar a grande mídia, herdeira da ditadura, símbolo do mainstream e de séculos de opressão e desigualdade social.

Eu fui condenado, aliás, porque escrevi um texto em apoio a um outro blogueiro, também condenado injustamente.

Até isso querem criminalizar, a solidariedade.

Até onde vai essa perseguição política, promovida por um gigante corporativo, através de seu diretor de jornalismo, contra simples blogueiros?

Gostaria de acreditar que vivemos um regime democrático, que vencemos a luta contra a ditadura, e que, portanto, os herdeiros dos anos de chumbo não vencerão esta batalha fundamental.

*

Aos leitores que quiserem ajudar, podem fazê-lo através deste link. Qualquer dúvida, use o email assinatura@ocafezinho (falar com Mônica Teixeira). Meu email é migueldorosario@gmail.com (que é também meu ID no Paypal).

Fonte: Blog O cafezinho

RAMALHO LEITE – Os santos do povo

 

ramalhoHá poucos dias ganharam manchetes nos jornais e sítios da internet, a notícia de que o ex-Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara, poderia virar Santo. O Vaticano, segundo o informe, teria dado sinal verde ao prosseguimento do feito na Congregação da Causa dos Santos. Por essa decisão, o pequeno-grande  Helder já pode ser considerado Servo de Deus. É o primeiro passo.

Fiquei surpreso por que  tão rapidamente o Vaticano concedeu o Nihil Obstat a Dom Helder, quando o processo de canonização do padre Ibiapina tramita há mais de vinte anos, sem a nomeação de, pelo menos, um  “advogado do diabo”, para a formalização da instrução e da conclusiva investigação de suas virtudes. Igualmente reconhecido Servo de Deus, Ibiapina abraçou o sacerdócio a partir dos 47 anos de idade. Antes foi magistrado, chefe de polícia, deputado e advogado dos pobres e oprimidos.Desencantado com a vida pública foi ordenado padre sem passar pelo Seminário.Conhecia Direito Canônico mais do que ninguém, e logo tornou-se professor do Seminário de Olinda.

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Avançado no tempo, Ibiapina fez a opção pelos pobres ainda no Século XIX, quando a nossa Igreja, só depois do Vaticano II, adotou a Teologia da Libertação. Construtor de igrejas, capelas e cemitérios, era também inconformado com a seca e sua conseqüente miséria. Construiu açudes e barreiros para matar a sede dos sertanejos. As Casas de Caridade, erigidas em 22 cidades desse imenso nordeste, serviram para morada  de órfãos e educação dos que não possuíam outros meios de encontrá-la. Precisa de pelo menos dois milagres para ser venerado como Santo.

No Brasil, não temos ainda um santo nacional, apesar dos muitos batizados pelo povo: Ibiapina, Antonio Conselheiro, Padre Cícero e o brasileirado Frei Damião  de Bozzano, italiano de nascimento.Os dois últimos, de história mais recente e ainda viva na lembrança dos nordestinos.

O padre José Comblin, que repousa ao lado de Ibiapina, em Santa Fé, Solânea, estranhava a ausência de um santo brasileiro, declarando: ”  aqui no Brasil venera-se São João Maria Vianney, o cura de Ars, como modelo dos sacerdotes. Ora, há uma distância infinita entre o cura de Ars e a história dos sacerdotes no Brasil. A figura de São João Maria Vianney é totalmente inimitável: alguém que foi vigá­rio de uma paróquia de 228 habitantes, cujo maior problema pastoral foi a existência de duas bodegas no território da paróquia — flagelo que conseguiu eliminar depois de anos de insistência. Os desafios dos padres no Brasil são outros” .

O desafio de Antonio Conselheiro por exemplo, era fazer de Canudos “uma comunidade igualitária sob o amparo de Deus”. Instalou na sua cidadela uma economia auto-sustentável onde ninguém passaria fome. A República nascente atacou seu projeto e fez milhares de vitimas em uma guerra quase santa.Triste memória.

Alguns historiadores afirmam que  Conselheiro e Padre Cícero foram influenciados por Ibiapina, cada qual com sua história mas no mesmo cenário resultante da estiagem do semi-árido: a pobreza, as doenças e a fome.

Enquanto o Vaticano não canoniza um brasileiro, (João Paulo II, beatificou 1.340 pessoas até 2004) nosso povo já consagrou Padre Cícero, Antonio Conselheiro, Frei Damião e Padre Ibiapina como Santos do Povo, e repetirá até o final dos séculos, a saudação ibiapiniana: “Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo”.

 

 

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RAMALHO LEITE – Almirante vermelho ou do povo?

 

 

Quando ele chegava à Paraíba, antes da implantação do regime de 64, era recebido com todas as honras. Carro oficial e ordenança à disposição. Lembro-me de tê-lo avistado na Festa das Neves, acompanhado de Waldir dos Santos Lima, então Chefe da Casa Civil de Pedro Gondim. Marta o apontou de longe: é Cândido, primo de papai. Anos depois, quando me aproximei dele, já estava anistiado e reformado da patente de Almirante. Dera uma volta ao mundo, fugido da Pátria, e agora, na sua Paraíba, receberia, apenas, o aconchego e o abraço dos parentes.

Fora batizado Cândido Virginio de Aragão e levado à pia da Igreja das Neves por um procurador de Flávio Maroja, seu padrinho ausente ou indisposto para cumprir essa tarefa que, por certo, não pedira. “Tangido pela fome”, como confessaria um dia, o jovem Cândido pegou um navio em Cabedelo e partiu para o Rio onde, inicialmente,  ingressou no Exercito. Dois anos depois, porém, já era soldado fuzileiro do Regimento Naval. E como já se escreveu, à época,  “somente grande vocação ou grande necessidade impelia o cidadão para a caserna”. Cândido Aragão talvez unisse as duas precondições, acredita seu biógrafo, de quem falarei adiante.

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Começar a vida como marinheiro e alcançar o almirantado não era para “qualquer um”. Herança do período imperial, chegar à patente de oficial das nossas Forças Armadas não era fácil para os menos favorecidos. Notadamente, na Marinha, predominou por décadas a tradição oriunda da Academia Real de Marinha onde sòmente os filhos de fidalgos tinham acesso. A reformulação pela qual passou a força anfíbia após 1924, permitiu a ascenção do paraibano ao oficialato, e mais adiante, ao comando do Corpo de Fuzileiros Navais, onde o encontrou o golpe militar de 64.

Para seus opositores, Aragão era o “almirante vermelho”. Para seus admiradores,  o ” almirante do povo”. Integrante do dispositivo militar do presidente João Goulart, há quem o aponte como o pivô da queda de Jango, por ter sido carregado nos braços durante assembleia dos sargentes no Automovel Clube do Brasil. A quebra da hierarquia militar que já incomodava os quarteis, teve, no episódio, a gota d´água. A queda de Goulart levaria o almirante Aragão à prisão e ao exílio.

No exílio demorou-se no Uruguai, onde rompeu com Brizola na disputa pelo apoio de Fidel Castro. Passou pela China, esteve na Argélia e no Vietnã em guerra.   Estava no Chile na queda de Allende e conspirou na Argentina de Peron, demorando-se em Lisboa durante a Revolução dos Cravos, quando foi “aconselhado” a sair, por pressão do governo brasileiro junto aos portugueses.

Retratado como um militar indisciplinado e de conduta social censurável, Cândido da Costa Aragão tem registrado “passagens elogiosas e medalhas militares em momentos alternados com as punições“. A unidade que dirigiu procurou apagar sua tragetória, negando-lhe até a aposição de sua foto na galeria de honra da corporação. Mas seus biógrafos trataram de resgatar a meritória história desse paraibano, acolhido como embarcadiço em um navio, e que chegou ao comando do Corpo de Fuzileiros Navais.

Exemplo disso é a tese de doutorado do ex-marinheiro Anderson da Silva Almeida, sergipano da serra de Itabaiana, que traçou a caminhada de Cândido Aragao desde os primeiros passos no Regimento Naval até a sua morte, solitária de honras militares, acompanhado apenas de parentes e alguns soldados que serviram sob suas ordens. Anderson visitou sua sepultura ornamentada por “petúnias amarelas”. Medita sobre seu significado que, entre outros, traduz revelações, obstáculos e ressentimentos, e pergunta:

-Quem és tú Aragão? O que fazem aqui essas petúnias? Revelações, obstáculos ou ressentimentos?

Leonardo Boff: Quão “cordial” é o povo brasileiro?

Leonardo_BoffSergio Buarque assume a cordialidade no sentido estritamente etimológico: vem de coração. O brasileiro se orienta muito mais pelo coração do que pela razão. Do coração podem provir o amor e o ódio. Bem diz o autor:”a inimizade bem pode ser tão cordial como a amizade, visto que uma e outra nascem do coração”(p.107).

Escrevo tudo isso para entender os sentimentos “cordiais” que irromperam na campanha presidencial de 2014. Houve por uma parte declarações de entusiasmo e de amor até ao fanatismo para os dois candidatos e por outra, de ódios profundos, expressões chulas por parte de ambas as partes do eleitorado. Verificou-se o que Buarque de Holanda escreveu: a falta de polidez no nosso convívio social.

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Talvez em nenhuma campanha anterior se expressaram os gestos “cordiais” dos brasileiros no sentido de amor e ódio contidos nesta palavra. Quem seguiu as redes sociais, se deu conta dos níveis baixíssimos de polidez, de desrespeito mútuo e até falta de sentido democrático como convivência com as diferenças. Essa falta de respeito repercutiu também nos debates entre os candidatos, transmitidos pela TV. Por exemplo, que um dos candidatos chame a Presidenta do país de “leviana e mentirosa” se inscreve dentro desta lógica “cordial”, embora revele grande falta de respeito diante da dignidade do mais alto cargo da nação.

Para entender melhor esta nossa “cordialidade” cabe referir duas heranças que oneram nossa cidadania: a colonização e a escravidão. A colonização produziu em nós o sentimento de submissão, tendo que assumir as formas políticas, a lingua, a religião e os hábitos do colonizador português. Em consequência criou-se a Casa Grande e a Senzala. Como bem o mostrou Gilberto Freyre não se trata de instituições sociais exteriores. Elas foram internalizadas na forma de um dualismo perverso: de um lado os senhor que tudo possui e manda e do outro o servo que pouco tem e obedece ou também a hierarquização social que se revela pela divisão entre ricos e pobres. Essa estrutura subsiste na cabeça das pessoas e se tornou um código de interpretação da realidade e aparece claramente nas formas como as pessoas se tratam nas redes sociais.

Outra tradição muito perversa foi a escravidão. Cabe recordar que houve uma época, entre 1817-1818, em que mais da metade do Brasil era composta de escravos (50,6%). Hoje cerca de 60% possui algo em seu sangue de escravos afro-descendentes. O catecismo que os padres ensinavam aos escravos era “paciência, resignação e obediência”; aos escravocratas se ensinava “moderação e benevolência” coisa que, de fato, pouco se praticava.

A escravidão foi internalizada na forma de discriminação e preconceito contra o negro que devia sempre servir. Pagar o salário é entendido por muitos ainda como uma caridade e não um dever, porque os escravos antes faziam tudo de graça e, imaginam que devem continuar assim. Pois desta forma se tratam, em muitos casos, os empregados e empregadas domésticas ou os peões de fazendas. Ouvi de um amigo da Bahia que escutou uma senhora, moradora de um condomínio de alta classe dizer:”os pobres já recebem a bolsa-família e além disso creem que têm direitos”. Eis a mentalidade da Casa Grande.

As consequências destas duas tradições estão no inconsciente coletivo brasileiro em termos, não tanto de conflito de classe (que também existe) mas antes de conflitos de status social. Diz-se que o negro é preguiçoso quando sabemos que foi ele quem construiu quase tudo que temos em nossas cidades. O nordestino é ignorante, porque vive no semi-árido sob pesados constrangimentos ambientais, quando é um povo altamente criativo, desperto e trabalhador. Do nordeste nos vêm grandes escritores, poetas, atores e atrizes. No Brasil de hoje é a região que mais cresce economicamente na ordem de 2-3%, portanto, acima da média nacional. Mas os preconceitos os castigam à inferioridade.

Todas essas contradições de nossa “cordialidade” apareceram nos twitters, facebooks e outras redes sociais. Somos seres contraditórios em demasia.

Acrescento ainda um argumento de ordem antropológico-filosófica para compreender a irrupção dos amores e ódios nesta campanha eleitoral. Trata-se da ambiguidade fontal da condição humana. Cada um possui a sua dimensão de luz e de sombra, de sim-bólica (que une) e de dia-bólica (que divide). Os modernos falam que somos simultaneamente dementes e sapientes (Morin), quer dizer, pessoas de racionalidade e bondade e ao mesmo tempo de irraconalidade e maldade. A tradição cristã fala que somos simultaneamente santos e pecadores. Na feliz expressão de Santo Agostinho: cada um é Adão, cada um é Cristo, vale dizer, cada um é cheio de limitações e vícios e ao mesmo tempo é portador de virtudes e de uma dimensão divina. Esta situação não é um defeito mas uma característica da condition humaine. Cada um deve saber equilibrar estas duas forças e na melhor das hipóteses, dar primazia às dimensões de luz sobre as de sombras, as de Cristo sobre as do velho Adão.

Nestes meses de campanha eleitoral se mostrou quem somos por dentro, “cordiais” mas no duplo sentido: cheios de raiva e de indignação e ao mesmo tempo de exaltação positiva e de militância séria e auto-controlada.

Não devemos nem rir nem chorar, mas procurar entender. Mas não é suficiente entender; urge buscar formas civilizadas da “cordialidade” na qual predomine a vontade de cooperação em vista do bem comum, se respeite o legítimo espaço de uma oposição inteligente e se acolham as diferentes opções políticas. O Brasil precisa se unir para que todos juntos enfrentemos os graves problemas internos e externos (guerras de grande devastação e a grave crise no sistema-Terra e no sistema-vida), num projeto por todos assumido para que se crie o que se chamou de o Brasil como a “Terra da boa Esperança ”(Ignacy Sachs).

Leonardo Boff*: Doutorou-se em teologia pela Universidade de Munique. Foi professor de teologia sistemática e ecumênica com os Franciscanos em Petrópolis e depois professor de ética, filosofia da religião e de ecologia filosófica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Conta-se entre um dos iniciadores da teologia da libertação. É assessor de movimentos populares. Conhecido como professor e conferencista no país e no estrangeiro nas áreas de teologia, filosofia, ética, espiritualidade e ecologia. Em 1985 foi condenado a um ano de silêncio obsequioso pelo ex-Santo Ofício, por suas teses no livro Igreja: carisma e poder (Record).

A partir dos anos 80 começou a aprofundar a questão ecológica como prolongamento da teologia da libertação, pois não somente se deve ouvir o grito do oprimido, mas também o grito da Terra porque ambos devem ser libertados. Em razão deste compromisso participou da redação da Carta da Terra junto com M. Gorbachev, S. Rockfeller e outros. Escreveu vários livros e foi agraciado com vários prêmios.

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