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Famílias na PB negam 41% das possíveis doações de órgãos; irmã de doador destaca importância

Cerca de 41,6% das possíveis doações de órgãos na Paraíba em 2019 não ocorreram por negativas das famílias, segundo dados da Central de Transplantes do estado, coletados até o dia 19 deste mês. Edmilson Silva é uma exceção a essa estatística. Após a morte dele, no dia 6 de setembro, a família decidiu doar o coração, rins, córnea e fígado. “Eu saberia que, a cada pessoa que recebesse um órgão, ia estar ali um pedacinho dele, sobrevivendo”, contou Lenilda Silva, irmã dele.

A coleta do coração de Edmilson para transplante foi a primeira realizada na Paraíba em um período de 10 anos, caso que virou exemplo e ganhou destaque ao longo da semana desta sexta-feira (27), Dia Nacional do Doador de Órgãos e Tecidos.

Os dados indicam que, até o dia 19 de setembro, 48 mortes encefálicas foram confirmadas pela Central, sendo 33 em João Pessoa e 15 em Campina Grande. Porém, apenas em 11 casos os órgãos foram efetivamente captados e o motivo que mais pesa para a diferença entre esses números é o “não” ao procedimento, dito por 20 famílias.

A doação de órgãos pós-morte só pode ocorrer, de acordo com o Ministério da Saúde, quando é constatada a morte encefálica, ou seja, quando ocorre a perda completa e irreversível das funções cerebrais.

O irmão de Lenilda morreu após sofrer um acidente de moto, quando estava indo buscar uma outra irmã. Aos 34 anos, ele morava em Cabedelo, município situado na Grande João Pessoa, era casado e pai de dois filhos, um de 8 anos de idade e outro que ainda está na barriga da mãe, com quatro meses de gestação.

“Eu choro todos os dias. Ele era uma pessoa muito boa, muito amorosa, gostava de ajudar, estava sempre presente. É uma dor inesquecível, na verdade. Eu acredito que o que mais fez conformar (com a morte) foi a doação de órgãos. Depois disso, pra minha família, pra mim, ele não se foi”, lembrou Lenilda.

O pedreiro foi internado no Hospital Estadual de Emergência e Trauma de João Pessoa em uma segunda-feira, dia 2 de setembro, e entrou em coma no dia 4 do mesmo mês. Na quinta-feira, ao ir visitar o irmão, Leninha, como é chamada pelos amigos, descobriu que ele havia morrido.

A diarista contou que foi abordada por uma equipe médica, que perguntou se a família gostaria de doar os órgãos e informou que esse ato poderia salvar as vidas de até seis pessoas. De primeira, ela concordou. Entretanto, ainda era preciso conversar com os outros membros da família sobre o assunto, enquanto dava a notícia da morte do irmão.

Lenilda descreve o irmão Edmilson, que morreu e teve os órgãos doados na Paraíba, como amoroso e prestativo — Foto: Lenilda Silva/Arquivo pessoal

Lenilda descreve o irmão Edmilson, que morreu e teve os órgãos doados na Paraíba, como amoroso e prestativo — Foto: Lenilda Silva/Arquivo pessoal

“Tava eu e minha irmã comigo. Aí eu perguntei a ela ‘tu vai aceitar que seja feita essa doação de órgãos?’ e ela falou ‘não, eu quero meu irmão por completo’. Aí foi quando eu expliquei pra ela ‘irmã, o importante é o espírito e ele já partiu pra Cristo, ele não se encontra mais aqui, o que está aqui é uma matéria. Tu já imaginou um pedacinho dele salvando seis vidas?’” comentou.

Com a resistência da irmã, elas decidiram conversar com a mãe sobre o procedimento. À princípio, ela hesitou tomar a frente, porém escolheu seguir com a doação e ver a vida do filho continuar em outras pessoas. Leninha relatou ainda que, no dia do velório, a mãe deles contou que foi lembrada, por outra pessoa, de um pedido que havia sido feito pelo filho pouco tempo antes do acidente.

“Ela disse que tinha esquecido desse pedido que ele tinha feito, mas essa pessoa foi e lembrou a ela. ‘Lembra do dia que ele falou pra senhora que, no dia que Deus levasse ele, doasse um pedacinho dos órgãos dele pra pessoas que precisassem?’ Aí foi quando confirmou a minha decisão”, narrou.

Até o dia 19 deste mês, a Paraíba tinha 360 pessoas que aguardavam por córneas, 146 por rins, 10 por fígado e uma por coração. Em contrapartida, até então tinham sido realizados 102 transplantes de córneas, 14 de fígado e 17 de rins, além de seis transplantes entre pessoas vivas.

A decisão da mãe de Edmilson foi aceita e respeitada pelos oito irmãos e pela esposa dele, segundo Leninha. A família acompanhou o processo de retirada e permaneceu no hospital até o momento em que alguns dos órgãos foram encaminhados para Recife, em Pernambuco, para transplante.

“Desde o dia da doação até hoje eu não escuto nenhuma pessoa da minha família dizer que está arrependida do que fez. Não, eu escuto dizer que foi a melhor coisa que fez”, disse.

O ato da família não somente salvou as vidas dos receptores, mas inspirou outras pessoas, que presenciaram todo o processo, a tomar a mesma decisão quando chegar o momento necessário, como foi o caso do esposo de Leninha.

“Ele tinha falado pra mim assim ‘no dia que eu falecer, não doe meus órgãos’. Ele falou desse jeito pra mim. Aí quando foi na retirada dos órgãos do meu irmão, quando passaram com o coração dele [Edmilson], ele [o esposo] pegou a chorar e falou assim ‘no dia que eu falecer, o que servir de mim pode doar’”, destacou.

A diarista, que explicou que tomou a frente de quase todas as questões que precisaram ser resolvidas depois do acidente, comentou que a “ficha só caiu” quando precisou escolher o caixão. No entanto, ela afirmou que a decisão de doar os órgãos foi, em meio a tantas dificuldades, um acerto.

“É tanta gente na fila de espera, esperando por um órgão. Muita gente com poucos dias de vida. E às vezes tem gente que tem possibilidade de doar, mas não doa. Eu me vejo no lugar daquela pessoa esperando por uma doação de órgão e, de repente, essa pessoa aparece e doa. Tu já imaginou como eu não ficaria? Eu acho que eu não teria palavras pra agradecer à família daquela pessoa, porque eu saberia que estava salvando a minha vida”, frisou.

“Eu saberia que ele tinha partido, mas deixou um pedacinho dele para me deixar viva na Terra. É por isso que eu não me arrependo”, ressaltou.

Transplantes impossibilitados

O Diretor da Central de Transplantes da Paraíba, o médico Luís Gustavo, afirmou que a proporção de negativas das famílias em relação ao total de possíveis doações teve uma baixa significativa em agosto.

Número de transplantes de órgãos tem crescido na Paraíba, segundo dados da Secretaria de Saúde — Foto: Secom-PB/Divulgação

Número de transplantes de órgãos tem crescido na Paraíba, segundo dados da Secretaria de Saúde — Foto: Secom-PB/Divulgação

“Esse mês a gente teve cinco potenciais doadores que tornaram-se doadores efetivos, que é muito para um mês. Então a gente diminuiu significativamente a negativa familiar, quando a gente avalia de forma ampla, era 70%, então já está caindo”, explicou.

Entre os outros motivos que impossibilitaram a doação de órgãos entre as 48 mortes encefálicas estão parada cardiorrespiratória antes da retirada, contraindicação pelas condições clínicas e idade avançada.

A doação

Os órgãos e tecidos doados são direcionados para pacientes que estão aguardando em uma lista única, organizada pela Central de Transplantes das Secretarias Estaduais de Saúde e controlada pelo Sistema Nacional de Transplante, segundo o Ministério da Saúde.

Ainda conforme a pasta, o Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo, o Sistema Único de Saúde (SUS), pelo qual os pacientes recebem assistência integral e gratuita. Veja abaixo as diretrizes para o procedimento.

Tipos de doadores

  • Doadores vivos: qualquer pessoa que concorde com o procedimento, desde que não prejudique a própria saúde. Nesses casos, podem ser doados um dos rins, parte do fígado, da medula óssea ou do pulmão. A legislação estabelece que parentes de até quarto grau e cônjuges podem ser doadores, porém, pessoas que não têm essas relações devem obter autorização judicial.
  • Doadores falecidos: como foi o caso de Edmilson, são pacientes com morte encefálica confirmada, geralmente vítimas de traumatismo craniano ou acidente vascular cerebral (AVC). O diagnóstico é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Em caso de parada cardiorrespiratória, podem ser doados tecidos, como córnea, pele e muculoesquelético.

Doação pós-morte

No Brasil, conforme o Ministério, esse tipo de doação só pode ser feita com a autorização familiar, ou seja, não existe uma forma efetiva de garantir que a vontade do doador se cumpra. Por isso, o caminho mais indicado é o diálogo. Apesar disso, caso haja decisão judicial, a vontade pode ser respeitada se tiver sido expressamente registrada.

Medula óssea

O transplante pode ser feito entre pessoas vivas e consiste na substituição de medula óssea doente por células normais. Os doadores devem ser cadastrados no Registro nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Este ano, um paraibano realizou esse tipo de doação pela segunda vez em menos de quatro anos, por ser compatível com receptores. “Desejo que mais pessoas consigam salvar vidas”, afirmou Arinaldo Azevedo, de 35 anos.

*Sob supervisão de Taiguara Rangel

G1

 

Como identificar possíveis sinais de abuso sexual em crianças?

70% das vítimas de violência sexual são crianças e adolescentes (Foto: CDC/ Amanda Mills)

Casos de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes são mais comuns do que se imagina – dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), por exemplo, mostram que 70% das vítimas de estupro do país são menores de idade.

Segundo dados do Disque 100 (Disque Direitos Humanos) e do Sistema Único de Saúde, mais de 120 mil casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes foram registrados no país entre 2012 e 2015 – o equivalente a pelo menos três ataques por hora.

Mas como identificar abuso sofrido por uma criança próxima? O caso do uruguaio Felipe Romero, que teria sido vítima de seu técnico de futebol, chamou a atenção dos leitores da BBC Brasil, que pediram esclarecimentos sobre quais são, afinal, esses sinais.

Com base em informações de sites especializados e entrevistas com profissionais da área, a BBC Brasil elaborou o guia abaixo.

“Geralmente, nao é um sinal só, mas um conjunto de indicadores. É importante ressaltar que a criança deve ser levada para avaliação de especialista caso apresente alguns desses sinais”, diz Heloísa Ribeiro, diretora executiva da ONG Childhood Brasil, de defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

1) Mudança de comportamento

O primeiro sinal a ser observado é uma possível mudança no padrão de comportamento das crianças. Segundo Ribeiro, esse é um fator facilmente perceptível, pois costuma ocorrer de maneira repentina e brusca.

“Por exemplo, se a criança nunca agiu de determinada forma e, de repente, passa a agir. Se começa a apresentar medos que não tinha antes – do escuro, de ficar sozinha ou perto de determinadas pessoas. Ou então mudanças extremas no humor: a criança era superextrovertida e passa a ser muito introvertida. Era supercalma e passa a ser agressiva”, afirmou.

A mudança de comportamento também pode se apresentar com relação a uma pessoa específica, o possível abusador.

“Como a maioria dos abusos acontece com pessoas da família, às vezes a criança apresenta rejeição a essa pessoa, fica em pânico quando está perto dela. E a família estranha: ‘Por que você não vai cumprimentar fulano? Vá lá!’. São formas que as crianças encontram para pedir socorro, e a família tem que tentar identificar isso”, afirma a educadora sexual Maria Helena Vilela, do Instituto Kaplan.

Em outros casos, a rejeição não se dá em relação a uma pessoa específica, mas a uma atividade. A criança não quer ir a uma atividade extracurricular, visitar um parente ou vizinho ou mesmo voltar para casa depois da escola.

2) Proximidade excessiva

Apesar de, em muitos casos, a criança demonstrar rejeição em relação ao abusador, é preciso usar o bom senso para identificar quando uma proximidade excessiva também pode ser um sinal.

Teria sido o caso, por exemplo, do técnico de futebol Fernando Sierra, que tinha uma relação quase paternal com o garoto Felipe Romero. O treinador buscou o menino na escola, desapareceu e ambos foram encontrados mortos dois dias depois.

A hipótese principal é que o treinador tenha atirado no menino e, em seguida, cometido suicídio por não aceitar um pedido da mãe para que se afastasse da criança. Laudo preliminar da autópsia indicou que o garoto vinha sendo vítima de abusos sexuais.

Importante notar, no entanto, que o papel do desconhecido como estuprador aumenta conforme a idade da vítima – ou seja, no abuso de menores de idade, a violência costuma ser praticada por pessoas da família na maioria dos casos.

Se, ao chegar à casa de tios, por exemplo, a criança desaparece por horas brincando com um primo mais velho ou se é alvo de um interesse incomum de membros mais velhos da família em situações em que ficam sozinhos sem supervisão, é preciso estar atento ao que possa estar ocorrendo nessa relação.

Segundo o NHS, o SUS britânico, 40% dos abusos no Reino Unido são cometidos por outros menores de idade, muitas vezes da mesma família. Também segundo os dados britânicos, 90% dos abusadores fazem parte da família da vítima.

No Brasil, 95% dos casos desse tipo de violência contra menores são praticados por pessoas conhecidas das crianças, e em 65% deles há participação de pessoas do próprio grupo familiar.

Nessas relações, muitas vezes, o abusador manipula emocionalmente a vítima que nem sequer percebe estar sendo vítima naquela etapa da vida, o que pode levar ao silêncio por sensação de culpa. Essa culpa pode se manifestar em comportamentos graves no futuro como a autoflagelação e até tentativas de suicídio.

“As pessoas acham que o abusador será um desconhecido, que não faz parte dessa vida da criança. Mas é justamente o contrário, na grande maioria dos casos são pessoas próximas, por quem a criança tem um afeto. O abusador vai envolvendo a criança pra ganhar confiança e fazer com que ela nao conte”, afirmou Ribeiro, da ONG Childhood Brasil.

“A violência sexual é muito frequente dentro de casa, ambiente em que a criança deveria se sentir protegida. É um espaço privado, de segredo familiar e é muito comum que aconteça e seja mantido em segredo.”

3) Regressão

Outro indicativo apontado pelas especialistas é o de recorrer a comportamentos infantis, que a criança já tinha abandonado, mas volta a apresentar de repente. Coisas simples, como fazer xixi na cama ou voltar a chupar o dedo. Ou ainda começar a chorar sem motivo aparente.

“É possível observar também as características de relacionamento social dessa criança. Se, de repente, ela passa a apresentar esses comportamentos infantis. Ou se ela passa a querer ficar isolada, não ficar perto dos amigos, não confiar em ninguém. Ou se fugir de qualquer contato físico. A criança e o adolescente sempre avisam, mas na maioria das vezes não de maneira verbal”, considera Ribeiro.

A diretora da ONG Childhood Brasil alerta, porém, que é importante procurar avaliação especializada que possa indicar se eventuais mudanças de comportamento são apenas parte do desenvolvimento da criança ou indicativos de vulnerabilidade.

“É importante lembrar que o ser humano é complexo, então esses comportamentos podem aparecer sem estarem ligados a abuso.”

4) Segredos

Para manter o silêncio da vítima, o abusador pode fazer ameaças de violência física e promover chantagens para não expor fotos ou segredos compartilhados pela vítima.

É comum também que usem presentes, dinheiro ou outro tipo de benefício material para construir a relação com a vítima. É preciso também explicar para a criança que nenhum adulto ou criança mais velha deve manter segredos com ela que não possam ser compartilhados com adultos de confiança, como a mãe ou o pai.

5) Hábitos

Uma criança vítima de abuso também apresenta alterações de hábito repentinas. Pode ser desde uma mudança na escola, como falta de concentração ou uma recusa a participar de atividades, até mudanças na alimentação e no modo de se vestir.

“Às vezes de repente a criança começa a ter uma aparência mais descuidada, não quer trocar de roupa. Outras passam a não comer direito. Ou passam a comer demais”, pontuou Ribeiro.

A mudança na aparência pode ser também uma forma de proteção encontrada pela criança. Em entrevista à BBC Brasil no ano passado, a nadadora Joanna Maranhão, que foi vítima de abuso sexual por seu técnico quando tinha nove anos, revelou que se vestia como um menino na adolescência para fugir de possíveis violências.

Ribeiro cita também mudanças no padrão de sono da criança como indicativo de que algo não anda bem. “Se ela começa a sofrer com pesadelos frequentes, ou se tem medo de dormir ou medo de ficar sozinha.”

6) Questões de sexualidade

Um desenho, uma “brincadeira” ou um comportamento mais envergonhado podem ser sinais de que uma criança esteja passando por uma situação de abuso. “Quando uma criança que, por exemplo, nunca falou de sexualidade começa a fazer desenhos em que aparecem genitais, isso pode ser um indicador”, apontou Maria Helena Vilela.

“Pode vir em forma de brincadeira também. Ela chama os amiguinhos para brincadeiras que têm algum cunho sexual ou algo do tipo”, observou Henrique Costa Brojato, psicólogo e especialista psicossocial. Podem, inclusive, reproduzir o comportamento do abusador em outras crianças.

Para Heloísa Ribeiro, o alerta deve ser dado especialmente para crianças que, ainda novas, passam a apresentar um “interesse público” por questões sexuais. “Quando ela, em vez de abraçar um familiar, dá beijo, acaricia onde não deveria, ou quando faz uma brincadeira muito para esse lado da sexualidade.”

O uso de palavras diferentes das aprendidas em casa para se referir às partes íntimas também é motivo para se perguntar à criança onde ela aprendeu tal expressão.

7) Questões físicas

Há também os sinais mais óbvios de violência sexual em menores – casos que deixam marcas físicas que, inclusive, podem ser usadas como provas à Justiça. Existem situações em que a criança acaba até mesmo contraindo doença sexualmente transmissível.

“Há casos de gravidez na adolescência, por exemplo, que é causada por abuso. É interessante ficar atento também a possíveis traumatismos físicos, lesões que possam aparecer, roxos ou dores e inchaços nas regiões genitais”, observou a diretora da Childhood.

8) Negligência

Muitas vezes, o abuso sexual vem acompanhado de outros tipos de maus tratos que a vítima sofre em casa, como a negligência.

Uma criança que passa horas sem supervisão ou que não tem o apoio emocional da família, com o diálogo aberto com os pais, estará em situação de maior vulnerabilidade.

O que fazer

Caso identifique um ou mais dos indicadores listados acima, o melhor a se fazer é, antes mesmo de conversar com a criança, procurar ajuda de um especialista que possa trazer a orientação correta para cada caso.

“Há muitas dessas características que são semelhantes às de um adolescente em desenvolvimento. Por isso que é importante ter avaliação de alguém que é especialista nisso. Um psicólogo, por exemplo. Se tiver dúvidas, a pessoa pode perguntar na escola, que costuma ter profissionais treinados pra identificar esses casos”, disse Ribeiro.

“É sempre aconselhável também acionar o Sistema de Garantia de Direitos à criança e ao adolescente, um conselho tutorial ou uma Vara da Infância e da Juventude para encontrar caminhos para uma resposta mais adequada”, afirmou Henrique Costa Brojato.

Muitas vezes por se sentir culpada, envergonhada ou acuada, a criança acaba não revelando verbalmente que está ou que viveu uma situação de abuso. Mas há situações também em que ela tenta contar para alguém e acaba não sendo ouvida. Por isso, o principal conselho dos especialistas é sempre confiar na palavra dela.

“Em primeiro lugar, é importante que quando a criança tentar falar alguma coisa, que ela se sinta ouvida e acolhida. Que nunca o adulto questione aquilo que ela está contando. Ou que tente responsabilizá-la pelo ocorrido”, diz Ribeiro.

G1

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TCU e TSE identificam 200 mil casos de possíveis fraudes em doações no 1º turno

tseO Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta quarta-feira (5) que, juntamente com o Tribunal de Contas da União (TCU), identificou 200.011 casos com possíveis indícios de irregularidades nas receitas e despesas de campanhas, totalizando R$ 659,3 milhões. É a primeira análise feita após o primeiro turno, que aconteceu no domingo (2).

Segundo o TSE, entre os indícios levantados pelos técnicos estão:

– 37.888 doadores inscritos no Programa Bolsa Família que doaram R$ 36.877.030,61

– 55.670 doadores desempregados que desembolsaram R$ 84.293.201,68

– 24.646 doadores cuja renda conhecida é incompatível com o valor doado que destinaram R$ 207.119.049,07 para as campanhas

– 43.382 casos com concentração de doadores em uma mesma empresa com desembolso de R$ 90.787.549,74

– 14.510 doadores sócios de empresas que recebem recursos da administração pública que deram R$ 187.263.765,45

– Doadores de campanha mortos aumentou de 143 para 250.

Os casos específicos citados pelo TSE são:

– uma pessoa que recebe Bolsa Família e fez uma doação de R$ 1,2 milhão em bens e serviços estimáveis em dinheiro

– pessoa física sem renda doou R$ 1,030 milhão

– 35 pessoas físicas que efetuaram doações acima de R$ 300 mil tendo renda incompatível

– professor universitário que doou R$ 300 mil

– sócio de empresa de candidato que doou recursos próprios de R$ 3 milhões

– segundo maior empregador privado atua na área de educação superior e onze de seus empregados injetaram R$ 616 mil em campanha

Com relação a fornecedores, foram detectados os seguintes indícios de irregularidades:

– empresa, cujo sócio é beneficiário do Programa Bolsa Família, prestou serviço de R$ 1,75 milhão

– dois fornecedores de campanha com situação inativa ou cancelada que prestaram serviços de campanha acima de R$ 400 mil

– empresa de transporte e turismo com dois funcionários e contratada para a campanha por R$ 187 mil

– empresa de filiado a partido, aberta em junho de 2016, e que prestou serviço no valor de R$ 250 mil.

As informações estão sendo rastreadas pela Justiça Eleitoral e passadas ao Ministério Público para verificar, caso a caso, se há irregularidades. Dependendo da gravidade, as punições variam entre multa e cassação do registro do candidato, caso comprovado abuso.

G1

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Juiz eleitoral deve priorizar análise de possíveis irregularidades em campanha

urnaJá está em vigor a Instrução Normativa nº 18, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determina a todos os juízes eleitorais do país prioridade no exame de indícios de irregularidades relativas à campanha eleitoral informadas ao TSE por órgãos públicos de fiscalização. A instrução foi assinada na noite desta terça-feira (16) pelo presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, nos termos dos arts. 21 e 23, incisos IX e XVIII, do Código Eleitoral, e em razão da necessidade de regulamentar os procedimentos a serem observados pelos juízes eleitorais.

Após analisar a materialidade e a relevância dos indícios que receberem do TSE, o juiz poderá requisitar informações a candidatos, partidos políticos, doadores, fornecedores e a terceiros, que terão 72 horas para prestá-las, sob pena de se configurar crime de desobediência, em caso de descumprimento desse prazo. Caso seja necessário, o juiz poderá determinar, inclusive, a quebra dos sigilos fiscal e bancário. Essas diligências devem ser determinadas pelo juiz em até cinco dias, contados da data do conhecimento do indício da irregularidade.

Cumpridas as diligências e obtidos os elementos de prova, o juiz eleitoral encaminhará os autos ao Ministério Público Eleitoral ou, se entender necessário, à autoridade policial competente para instauração de inquérito.

Na hipótese de indícios de irregularidades relativas ao financiamento da campanha eleitoral, as provas serão juntadas aos autos da prestação de contas do candidato ou partido.

Com exceção da determinação de quebra de sigilo, as providências previstas na Instrução Normativa nº 18/TSE poderão ser delegadas pelo juiz ao chefe do cartório eleitoral.

Leia aqui a íntegra da Instrução Normativa nº 18 do TSE.

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Perdeu o tesão? Conheça possíveis causas para poder combatê-las

Getty Images
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Não existe uma fórmula pronta para reverter a perda do desejo sexual, que pode ter múltiplas causas. Mas descobrir a origem do problema ajuda o casal a acertar seus ponteiros. Tanto homens quanto mulheres podem sofrer com a diminuição da libido por razões físicas ou psicológicas. Veja, a seguir, as mais comuns para eles e para elas.

No caso deles

Do ponto de vista clínico, há três possibilidades para a perda do desejo, explica o médico Geraldo Eduardo Faria, presidente do Departamento de Sexualidade Humana da Sociedade Brasileira de Urologia: por uma causa emocional, quando a pessoa está deprimida, ansiosa, estressada, ou por conta de um período difícil, como o luto; também inclui os cansados da rotina ou vivendo uma situação emocionalmente instável.

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Outro inimigo comum do desejo é o desequilíbrio hormonal, principalmente na chamada andropausa (esperada a partir dos 50 anos), quando há uma queda na produção de testosterona, estimulante da sexualidade. O terceiro motivo é de origem metabólica e/ou medicamentosa, quando a pessoa toma medicações para tratar depressão, pressão arterial, problemas prostáticos ou outros que podem interferir na libido, além de alterações no metabolismo, que podem ser causadas por diabetes ou sedentarismo, por exemplo.

“A maioria dos pacientes chega ao meu consultório pensando que sofre de um problema hormonal. Mas, na verdade, a causa mais comum é a psicológica”, diz o urologista.
Os especialistas foram unânimes ao apontar, dentre as causas psicológicas, a rotina e o estresse como os principais inimigos do tesão. A psicóloga Carla Zeglios, diretora do Inpasex (Instituto Paulista de Sexualidade), chama atenção para a distinção entre a disfunção erétil, que pode ser corrigida com medicamentos, e a disfunção do desejo. “Com frequência, a dificuldade de resolver problemas no dia a dia vai parar na cama”, diz.
Com mais de 35 anos de experiência na prática de atendimento em psiquiatria e psicoterapia de casais e famílias, Luiz Cuschnir avalia que os homens precisam se sentir desejados. “Esse quadro aparece com frequência nas relações afetivas que seguem muito tempo sem estímulos apropriados para mantê-los interessados na mulher que têm”, diz.

O lado delas

As causas do fim do desejo sexual feminino também estão divididas em físicas ou psicológicas. “Entre as físicas, podemos citar prolapsos genitais, infecções vaginais, causas hormonais como menopausa e amamentação, uso de medicações ou drogas e outras doenças sistêmicas”, enumera a ginecologista Andreia Mariane Deus, do Hospital Evangélico de Sorocaba.
O pós-parto costuma ser um período delicado. A mulher entra em uma nova relação, com um ser totalmente dependente. Os horários sofrem mudanças bruscas e o casal também deve se adaptar a uma nova dinâmica. Além disso, alterações hormonais reforçam o problema.

“A mãe está sob efeito da ação da prolactina e progesterona, que podem diminuir o desejo sexual”, explica Silvia Carramão, ginecologista da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que recomenda o diálogo e o apoio de parentes para ajudar nos cuidados com a criança.

“É importante que se crie momentos de intimidade entre os dois, às vezes contando com a ajuda de familiares para cuidar do bebê, para que o casal possa ter um tempo para aproximação”.

Nas causas de fundo emocional, elas se aproximam dos homens. Estresse, ansiedade, problemas com o relacionamento e baixa autoestima foram apontados como os principais culpados pela perda do desejo sexual feminino.

Para Cuschnir, mulheres mais reprimidas, com dificuldades de vivenciar plenamente a sexualidade, tendem mais a ter problemas de libido. “A falta do desejo pode estar associada com a dispareunia, ou seja, a dor no ato sexual, e outros quadros que afetam a possibilidade de sentir satisfação em virtude de incômodos nessa hora”, descreve.

O problema pode se tornar maior, segundo o psiquiatra, quando as mulheres vão, gradativamente, evitando relacionamentos íntimos e assumindo uma rotina assexuada.

Um tenta ajudar o outro

É preciso identificar o problema e ter ao menos uma pista da causa para começar a agir. Se as mulheres percebem o desinteresse do parceiro, podem tentar novidades no sexo e tentar abrir um canal de comunicação. “Homens guardam o que desaprovam e, aos poucos, perdem a atração pela companheira”, explica Luiz Cuschnir.
Os homens também precisam estar atentos às respostas femininas ao notar o afastamento. A conversa é sempre recomendada: não tenha medo de abordar temas que parecem tabus. “A vida sexual precisa ser constantemente ativada”, resume o psiquiatra. “O jogo de sedução tem de permanecer e os problemas da vida não podem invadir este espaço”.
Se não for possível fazer isso a dois, está na hora de procurar um terceiro: um especialista em medicina ou psicologia.

Fale com seu médico

Do ponto de vista clínico, considera-se a perda do desejo um problema quando a relação sexual não ocorre há mais de seis meses e essa falta não está associada a outra patologia, como a depressão. Mas, na prática, os especialistas recomendam que se busque ajuda o quanto antes.
Uma armadilha comum é o conformismo à situação. E ela pode ser fatal. “Às vezes, o desvio é irrecuperável e, mesmo atravessando a situação que causou o problema, o casal já não consegue retomar o ritmo e interesse que havia”, afirma Luiz Cuschnir.
Carla Zeglios concorda: “As pessoas passam tempo demais achando que ‘vai passar'”, diz. “Ao perder tanto tempo, os casais acabam chegando ao consultório ‘quebrados’, pois já destruíram tudo de legal que tinham na relação”.
Por isso é importante procurar apoio o quanto antes. “Seja de um terapeuta, médico ou advogado, se perceberem que a situação não tem mais conserto”, finaliza Carla.
Terra

Aguinaldo quer apuração rigorosa de possíveis irregularidades no programa Minha Casa Minha Vida

aguinaldoO ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), pediu uma apuração rigorosa à Polícia Federal e à Controladoria-Geral da União (CGU) das denúncias de irregularidades praticadas por ex-servidores no programa Minha Casa, Minha Vida. Assim que tomou conhecimento da denúncia, há dois meses, o ministro acionou os órgãos de controle e abriu uma sindicância interna para apurar a conduta dos ex-servidores Daniel Vital Nolasco, Fernando Lopes Borges e José Iran Alves dos Santos. “Não vamos permitir qualquer irregularidade no MCMV que já beneficiou mais de um milhão de pessoas de baixa renda no nosso país, além de gerar renda e empregos. Vamos investigar e punir os responsáveis”, disse o ministro.

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Depois de dois meses de trabalho, a sindicância concluiu que há indícios de favorecimento e conflitos de interesses dos ex-servidores que trabalharam no ministério até 2009 e foram sócios de uma empresa que opera o programa MCMV. Por isso, o ministro Aguinaldo Ribeiro acatou a sugestão da comissão de sindicância e solicitará à CGU a abertura de um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar o caso. O relatório da sindicância auxiliará as investigações em andamento na CGU e na Polícia Federal.

 

A denúncia publicada na imprensa aponta que os ex-servidores faziam parte do quadro societário da RCA. Esta empresa opera, através das instituições financeiras privadas autorizadas, a modalidade Oferta Pública do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) para construir unidades habitacionais de interesse popular, em cidades com menos de 50 mil habitantes. A denúncia também aponta que os ex-servidores se valeram do conhecimento que adquiriram nos cargos para atuar na empresa.

 

Polícia Federal – O ministro solicitou em 26 de abril deste ano, por meio do Aviso 18/2013 ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a investigação do caso pela Polícia Federal. Tal providência resultou na Operação 1905 da PF que na quarta-feira (17/07) cumpriu oito mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal, em São Paulo, Brasília e Fortaleza.

 

O ministro também solicitou à CGU, em abril deste ano, uma auditoria na modalidade Oferta Pública do programa Minha Casa Minha Vida. Nesta semana, Aguinaldo Ribeiro e o ministro da CGU, Jorge Hage, estiveram reunidos para tratar dessas providências.

 

Oferta Pública – O Programa Minha Casa Minha Vida, na modalidade Oferta Pública tem por objetivo o atendimento aos beneficiários, com renda bruta familiar até R$ 1,6 mil, por meio de concessão de subvenção econômica para a construção de unidades habitacionais, em áreas urbanas de municípios com população até 50 mil habitantes.

 

O repasse da subvenção econômica é feito por meio de instituições financeiras habilitadas no processo de oferta pública de recursos, regulamentada pelos Ministérios das Cidades, Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão. Para participar do processo, as instituições financeiras e agentes financeiros devem obter autorizações do Banco Central e do Ministério das Cidades, no âmbito de suas competências, de acordo com o parágrafo 2º, do artigo 6º-B, da Lei 11.977, de 2009.

 

Os recursos desta modalidade são oriundos do Orçamento Geral da União (OGU) e repassados às instituições financeiras habilitadas em nome do beneficiário, pessoa física. A contrapartida obrigatória é o terreno, que poderá ser do beneficiário ou doação da prefeitura ou estado. Também é necessária, como contrapartida, a execução de obras de infraestrutura básica, além do compromisso do município de elaborar e executar o trabalho social junto aos beneficiários.

 

Para ter acesso à modalidade Oferta Pública do MCMV, os municípios com menos de 50 mil habitantes ou estados devem cadastrar as propostas no site do Ministério das Cidades. Após o ministério selecionar as propostas, os municípios ou estados assinam um Termo de Acordo e Compromisso com instituições financeiras ou agentes financeiros habilitados da sua preferência.

 

Através dos agentes e instituições financeiras, os municípios enviam ao Ministério das Cidades a relação dos candidatos a beneficiários para análise de enquadramento nos critérios de seleção do programa. Esta análise será realizada

 

pela Caixa Econômica Federal, de acordo com a Portaria nº 610/201. Concluído este trabalho, o ministério devolve aos agentes e instituições financeiras a relação daqueles que poderão assinar o contrato, que terá também a participação dos municípios.

 

A partir daí, será feita a liberação da primeira parcela da subvenção econômica do Governo Federal em nome do beneficiário, pessoa física, por meio da instituição financeira ou agente financeiro signatário do contrato. As demais parcelas serão liberadas de acordo com andamento das obras, conforme medições encaminhadas pelos bancos e agentes financeiros ao Ministério das Cidades. A última parcela é liberada após a apresentação do termo de recebimento da unidade habitacional assinado pelo beneficiário final. O Ministério das Cidades não se relaciona com as empreiteiras na modalidade Oferta Pública do programa MCMV.

Fonte: assessoria