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Pesquisadores conseguem combater sintomas do Alzheimer com canabinoide

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) conseguiu combater os sintomas do Alzheimer usando um composto canabinoide. Os testes apresentaram bons resultados em ratos em que houve a simulação dos estágios iniciais da doença. Os resultados forma publicados na revista científica Neurotoxicity Research.

Para os experimentos foi usado o composto sintético ACEA (Araquidonil-2′-cloroetilamida) em animais em que receberam no cérebro a droga estreptozotocina (STZ), que provoca uma deficiência no metabolismo dos neurônios. Em seguida, foram aplicados teste da memória nos ratos, com o reconhecimento de objetos.

São colocados objetos novos no ambiente onde estavam os animais. Os ratos que não estavam sob o efeito da droga exploraram mais os locais com as novidades, enquanto aqueles com Alzheimer mantiveram o mesmo interesse por todo o ambiente. Os testes foram repetidos com o intervalo de uma hora e de um dia, para avaliar memória de curto e longo prazo.

Resultados

A partir daí, os ratos passaram a ser tratados com o ACEA, uma forma sintética de um dos compostos extraídos da maconha. Ele se liga ao receptor CB1, presente especialmente no hipocampo, parte do cérebro relacionada à memória e que é afetada pelo Alzheimer.

Segundo a coordenadora do estudo, professora Andréa Torrão, os resultados da administração do canabinoide foram “bem positivos”. De acordo com a pesquisadora, foi verificada uma “reversão do déficit cognitivo”. Segundo ela, isso significa que o composto foi capaz de impedir a progressão da doença que foi simulada em uma fase inicial.

Andréa disse que o ACEA tem sido usado por diversos grupos de pesquisa no mundo, porém, ainda existem aspectos não investigados, que a equipe do Instituto de Ciências Biomédicas tentou avaliar. “Ele foi bem descrito bem mais recentemente. Mas tinha muitas outras perguntas, lacunas, que a gente queria entender”, enfatizou.

Apesar dos bons resultados, as pesquisas com o canabinoide no instituto foram paralisadas. “Os complexos canabinoides estão muito caros para a gente importar com os cortes de verbas que tem sido feito nos últimos anos”, ressaltou a pesquisadora. Por isso, o grupo tem usado outras substâncias que agem em outros aspectos do Alzheimer.

Agência Brasil

 

 

Pesquisadores de SP e Texas estudam causas do estresse crônico em crianças

Um grupo de pesquisadores do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com colegas da Texas Tech University (TTU), dos Estados Unidos, desenvolve um estudo que pretende identificar, nos dois países, causas comuns do estresse crônico, principalmente em crianças.

Abuso infantil
Abuso infantil é uma das principais causas do estresse em criançasMarcello Jr/Arquivo da Agência Brasil

O estresse crônico normalmente está relacionado à pobreza, abusos, conflitos familiares e uso de drogas. “Já detectamos que é comum, nas duas regiões, a alta prevalência de abuso infantil”, destacou a pesquisadora Andrea Parolin Jackowski, professora da Unifesp e coordenadora do projeto do lado brasileiro.

Informações preliminares do estudo indicam que, apesar das diferenças culturais, há semelhanças significantes nas reações das crianças dos dois países ao estresse tóxico: crianças que vivem em extrema pobreza em East Lubbock, no Texas, ou no centro-sul de Los Angeles, por exemplo, apresentam efeitos cognitivos e comportamentais semelhantes aos das que moram em favelas no Brasil.

“O que a gente percebe é que, independentemente do país que você resida, seja em um país como os Estados Unidos, que é um país desenvolvido, ou um país como o Brasil, que é um país em desenvolvimento, o estresse afeta da mesma forma o desenvolvimento da criança. Claro que existem diferenças culturais, que têm um papel importante, mas é uma forma de a gente poder fazer uma comparação entre as populações”, disse Parolin.

Em outubro, os pesquisadores do Texas vieram a São Paulo para conhecer os lugares pesquisados – como a região da cracolândia, no centro da capital paulista – e verificar in loco a realidade em que vivem as crianças que estão sendo estudadas pela coordenadora do projeto brasileiro. Em 2017, será a vez de os pesquisadores brasileiros irem aos EUA.

“A gente quer entender qual é o papel da cultura, das questões culturais no próprio desenvolvimento da criança, se são fatores protetores, aquilo que pode deixar o ambiente mais saudável e impedir que essa criança tenha uma doença no futuro. E entender também um pouco mais quais são os fatores de risco, porque existem questões que são muito peculiares de cada cultura”, ressaltou.

A pesquisa brasileira está sendo financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O intercâmbio entre os pesquisadores recebe apoio do programa São Paulo Researchers in International Collaboration (Sprint – em português, Pesquisadores de São Paulo em Colaboração Internacional).

Agência Brasil

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Pesquisadores alertam que água do açude Boqueirão pode envenenar população

Reprodução/TV Correio
Reprodução/TV Correio

Segundo declarações de pesquisadores durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa da Paraíba, a água do açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) não é propícia para consumo. Dentre os profissionais ouvidos, a médica e pesquisadora Adriana Melo, pioneira nas pesquisas sobre microcefalia, alertou que “a população pode estar sendo envenenada. Não se deve retirar água do Boqueirão”.

A audiência, que ocorreu na tarde desta terça-feira (29), foi de propositura da deputada estadual Daniella Ribeiro (PP), presidente da comissão especial para acompanhar a crise hídrica em Campina Grande e região, área que é abastecida pelo reservatório, que também está próximo de entrar em colapso devido à escassez de água.

A também pesquisadora Mônica Lopes, do Instituto Butantan, mostrou através de gráficos que estudos feitos nas águas do Boqueirão causaram anomalias e mortes em peixes cujos genes se assemelham aos de serem humanos. “A água não deve ser utilizada, pois matou os animais ou deixou anomalias. Não é uma água própria para consumo”, explicou. O estudo contemplou a água de outros açudes e também do Hospital Pedro I, em Campina Grande.

O professor Fabiano Thompson, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que não teria coragem de dar água de Boqueirão para um filho dele, demonstrando preocupação com a qualidade do açude. Segundo ele, foram feitas duas coletas no reservatório e ficou comprovada uma alta carga bacteriana. “Dentre os problemas que podem ser causados por essa água, diarreia seria o menor deles”, alertou Thompson, destacando ainda que Boqueirão possui uma grande concentração de metais pesados, como zinco e cobre.

Já o professor de Geografia da Universidade Estadual da Paraíba, Ozéas Jordão, disse que a situação de Boqueirão é crítica e merece ser discutida com seriedade, buscando minimizar os efeitos da falta de água na região.

A audiência pública contou ainda com a participação de representantes da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), Ministério Público, Secretaria de Saúde de Campina Grande e Defesa Civil das localidades abastecidas pelo açude.

portalcorreio

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Pesquisadores da UFPB desenvolvem novo método para tratamento do Alzheimer

pesquisaOs pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Neurociências Cognitiva e Comportamento (PPGNeC) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveram novo tratamento para o mal de Alzheimer.

O método de estimulação cerebral com eletrodos está sendo testado há um ano, em pareceria com a Associação Brasileira de Alzheimer, e conta com 30 profissionais de medicina, psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e biomedicina.

De acordo com a pesquisadora do PPGNeC, Suellen Andrade, o sistema é eficiente para pacientes nos estágios leve e moderado e que o método testado na UFPB está melhorando a memória e concentração de mais de 40 pacientes idosos.

O tratamento consiste em três sessões por semana, com meia hora de duração cada. Para Suellen “nossa perspectiva é que o aparelho seja inserido no SUS como um serviço de rotina e, no futuro, o próprio paciente possa usar em casa com a ajuda de um familiar. É portátil e não é caro”.

Suellen também relatou que a cada dois meses, novas pessoas são inseridas no estudo e que para confirmar se o idoso é um possível candidato, basta procurar a clínica de psicologia da UFPB e deixar o número de telefone que a equipe do projeto entrará em contato e dará seguimento aos procedimentos necessários.

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Aquicultura é discutida por mais de 400 pesquisadores e produtores em Bananeiras

Evento ocorre durante esta sexta-feira (19) e sábado (20), na UFPB, com Seminário e oficinas, para pesquisadores, empreendedores e instituições de parceiras

encontroA abertura do 1º Encontro de Aquicultura da Paraíba (Enaqua) reuniu cerca de 400 participantes nesta sexta-feira (19) no campus da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) da cidade de Bananeiras, no Brejo paraibano. Representantes de cinco Estados do Brasil e da Paraíba estão presentes debatendo as melhores e inovadoras soluções para cadeia produtiva da aquicultura.

O diretor técnico do Sebrae Paraíba, Luiz Alberto Amorim, destacou as ações na área da piscicultura que a instituição realiza há alguns anos. “Percebemos o potencial econômico que pode ser desenvolvido nesta área. A cidade de Bananeiras sai na frente pelo complexo que está querendo apresentar ao Estado, onde haverá a unidade de tratamento e as fábricas de peixe e de ração animal. Aqui também está uma das parcerias, a UFPB, com esse trabalho”, comentou.

Ele convocou os empreendedores presentes a começarem a pensar nas inovações para o setor. “Precisamos da força empreendedora de cada um de vocês para que todos contribuam para o crescimento e evolução dessa cadeia produtiva. Os órgãos que participam também ganham com essa parceria, necessárias para que a atividade possa crescer e que a experiência seja proveitosa com todos os conhecimentos envolvidos”, falou.

Já o professor da UFPB, Alberto Cabral, ressaltou as soluções socioambientais viáveis para a construção de uma rede de parceiros sólidos. “Precisamos pensar como cadeia produtiva, que exista produção e co-produção. Precisamos das expertises para a criação de novos produtos e reaproveitar os resíduos da aquicultura. Por que não podemos fabricar ração animal para os pets ou animais de estimação? Aqui encontraremos as soluções”, informou.

O prefeito da cidade, Douglas Lucena, disse que o momento foi construído com o esforço coletivo. “Precisamos continuar a unir esforços para fortalecer um dos pleitos municipais mais importantes, que é a conclusão do complexo de piscicultura de Bananeiras, que dará mais visibilidade à cadeia produtiva”, disse.

O I Enaqua é uma realização do Sebrae Paraíba e da UFPB – Campus Bananeiras. Mais informações e inscrição no site: https://www.sympla.com.br/i-enaqua—encontro-paraibano-de-aquicultura__78698.

Tilápia – O aumento da produção da tilápia é um dos principais temas do evento, que segue até este sábado (20). A primeira palestra do Seminário foi sobre o “Cenário atual do mercado de Tilápia no Brasil”, com o secretário executivo da Peixe BR, Francisco Medeiros. Ele ressaltou que falta políticas públicas para a produção de peixes no Brasil. Uma das metas em relação à produção de pescados é aumentar o consumo no País.

“Não se sabe quanto se pesca no Brasil, mas sim quanto se consome, pela pequena representação de 2,7 quilos por habitante ao ano. No caso da Tilápia, esse consumo cai mais ainda para 1,3 quilos por habitante por ano. O maior índice de consumo desse peixe no país está no Nordeste, pois no Sul e Sudeste eles só comem o filé. Então, um pouco desses dados, passados pelo Ministério da Aquicultura e Pesca, dá para saber que estamos no lugar certo para negociar as melhorias dos pescados”, concluiu.

Programação – O Enaqua segue com a programação à tarde com um ciclo de palestras técnicas sobre “Elaboração de Co-produtos a base de Tilápia” e “Alternativa econômica para a Piscicultura do Brejo paraibano: policultivo Tilápia x Macrobrachium Rosenbergii”. Já no sábado (20), três oficinas serão realizadas, com 30 participantes cada. “Elaboração de Co-produtos a base de Tilápia”, “Qualidade da água na Piscicultura” e “Projetos técnicos de viabilidade econômica e de regularização ambiental na Piscicultura” são os temas das oficinas, que serão ministradas a partir das 8h e a partir das 18h.

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Produtores e pesquisadores debatem fortalecimento da piscicultura paraibana em Bananeiras

 

I Encontro Paraibano de Aquicultura (Enaqua) será realizado nesta sexta-feira (19) e sábado (20), no Campus de Bananeiras da UFPB

viveiroCerca de 500 produtores piscicultores paraibanos se reúnem nesta sexta-feira (19) e sábado (20) para discutir as estratégias de melhoria da cadeia produtiva aquicultura no Estado durante o I Encontro Paraibano de Aquicultura (I Enaqua), em Bananeiras.  O evento vai ainda apresentar o cenário brasileiro e paraibano da piscicultura e buscar soluções para os problemas encontrados na atividade.

O analista técnico e coordenador de Agronegócios do Sebrae Paraíba, Jucieux Palmeira, disse que a Paraíba ocupa o sétimo lugar no ranking da aquicultura continental no Nordeste. “A piscicultura na Paraíba ainda se encontra em desenvolvimento. Esta posição pode ser melhorada com o aumento de área produzida e da intensificação da produção por meio da aplicação de tecnologias e manejos adequados, além da oportunidade da produção em tanques rede que pode vir a se tornar realidade para um maior número de produtores do estado”, destacou.

Ele explicou que a Paraíba possui dois grandes espelhos de água – Boqueirão e Coremas – que podem ser mais aproveitados na produção de pescados, além das cidades de Sapé, Araçagi e outros municípios do Agreste paraibano.  “O Agreste paraibano é a principal região produtora na aquicultura continental do Estado, pois possui um potencial ambiental e econômico. Esperamos desenvolver o agronegócio dos empreendimentos rurais que atuam na cadeia produtiva da aquicultura, através do fomento à inovação, à sustentabilidade, ao aumento da produtividade e à melhoria da gestão dos negócios”, disse Jucieux Palmeira.

Segundo o analista, uma das ações do Sebrae Paraíba para estimular o cultivo da tilápia no Agreste paraibano é o projeto AquiParaíba, que está promovendo uma série de iniciativas em 23 municípios da região (Araçagi, Alagoa Grande, Alagoinha, Areia, Bananeiras, Belém, Borborema, Caiçara, Cuitegi, Duas Estradas, Guarabira, Lagoa de Dentro, Logradouro, Mari, Mulungu, Pilões, Pilõezinho, Pirpirituba, Sapé, Serra da Raiz, Serraria e Sertãozinho).

O I Encontro Paraibano de Aquicultura faz parte destas ações. Ao longo de dois dias, o foco de pesquisadores e produtores será trocar experiências e buscar estratégias para melhoria da atividade. Estão programadas palestras sobre “Cenário atual do mercado da tilápia no Brasil”, com Francisco Medeiros, secretário executivo da PeixeBR; “A experiência de uma cooperativa que atua na cadeia produtiva da piscicultura no Oeste do Paraná, com Ricardo Krause (Copices); “O beneficiamento de tilápias através de entrepostos móvel de pescado”, com Patrícia Mochiaro (Embrapa); e “Trabalhos desenvolvidos pelos projetos ArquinordesteAquiparaiba”, com Jucieux Palameira, Gustavo Costa (Sebrae Paraíba) e Rui Trombeta (Ecofish).

O evento vai oferecer duas palestras técnicas: “Elaboração de co-produtos a base de tilápia”, com Luciana Andrade e Maria de Fátima Lacerda (IFPB), e “Alternativa econômica para piscicultura do Brejo paraibano: policultivo de tilápia x macrobrachiumrosembergii”, com Marino Eugenio (UFPB).

Entre as oficinas estão programadas: “Elaboração de co-produtos a base de tilápia”; “Qualidade de água na piscicultura”; e “Projetos técnicos de viabilidade econômica e de regularização ambiental na piscicultura”.

Para se inscrever no evento, basta acessar o site: https://www.sympla.com.br/i-enaqua—encontro-paraibano-de-aquicultura__78698. A inscrição para o seminário custa R$ 20 e para as oficinas R$ 20. Os interessados em participar de todas as atividades pagam R$ 30. O I Enaqua é uma realização do Sebrae Paraíba e da UFPB – Campus Bananeiras.

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Pesquisadores acreditam que zika causa infecções em células nervosas

zikaImportantes pesquisadores do vírus da zika acreditam agora que a microcefalia, uma má-formação cerebral, e a síndrome de Guillain-Barré são apenas as doenças mais evidentes causadas pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.

A suspeita é alimentada por recentes descobertas de graves infecções cerebrais e da medula espinhal, incluindo encefalite, meningite e mielite, em pessoas expostas ao zika.

A prova de que os danos causados pelo vírus da zika podem ser mais variados e amplos do que inicialmente se acreditava aumenta a pressão sobre os países afetados para controlar a proliferação do mosquito transmissor e se preparar para fornecer cuidado intensivo e, em alguns casos, ao longo da vida, para os pacientes.

Os distúrbios recentemente suspeitos podem causar paralisia e incapacidade permanente – uma perspectiva clínica que acrescenta urgência aos esforços de desenvolvimento de vacinas para o vírus da zika.

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Os cientistas têm duas hipóteses sobre o aparecimento dessas novas doenças. A primeira é que, como o vírus está se espalhando por populações grandes, se revelaram aspectos do zika que passaram despercebidas em surtos anteriores em áreas remotas e pouco povoadas. A segunda é que os distúrbios recentemente detectados evidenciam que o vírus evoluiu.

“O que estamos vendo são as consequências deste vírus transformando a partir da cepa africana para uma cepa pandêmica”, disse o dr. Peter Hotez, reitor da Escola Nacional de Medicina Tropical do Baylor College of Medicine, no Texas, Estados Unidos.

A suspeita de que o zika age diretamente sobre as células nervosas começaram com autópsias em fetos abortados e natimortos mostrando o vírus se replicando nos tecidos cerebrais. Além de microcefalia, pesquisadores relataram a descoberta de outras anormalidades associadas ao Zika, incluindo morte fetal, insuficiência placentária, retardo do crescimento fetal e danos ao sistema nervoso central.

Os médicos também estão preocupados que a exposição ao zika no útero pode ter efeitos ocultos, tais como problemas comportamentais ou dificuldades de aprendizagem, que não são aparentes no nascimento.

“Se você tem um vírus que é tóxico suficiente para produzir microcefalia em alguém, você pode ter certeza que ele vai produzir uma série de condições que nós ainda nem começamos a entender”, disse o dr. Alberto de la Vega, um obstetra no Hospital Universitário de San Juan, em Porto Rico.

Pacientes expostos ao zika também tiveram outros problemas neurológicos, incluindo a encefalomielite disseminada aguda, o que provoca a inflamação da mielina, a bainha protetora que cobre as fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal. Outros pacientes experimentaram sensações de formigamento, picada e ardor, que muitas vezes são marcadores de danos nos nervos periféricos.

G1

Pesquisadores arrecadam dinheiro na internet para desenvolver teste do Zika

Pesquisadores de três países desenvolvem trabalho para criar teste rápido e barato do vírus Zika (Foto: Gilas Gomé/Divulgação)
Pesquisadores de três países desenvolvem trabalho para criar teste rápido e barato do vírus Zika (Foto: Gilas Gomé/Divulgação)

Pesquisadores de três países – Israel, Reino Unido e Brasil – estão arrecadando dinheiro pela internet para o trabalho que pretende desenvolver um teste rápido e barato a fim de detectar com precisão a presença do vírus Zika na saliva. Caso o estudo dê frutos, a promessa da equipe é tornar públicos, na internet e de forma gratuita, todos os resultados e métodos obtidos, para serem reproduzidos em qualquer parte do mundo.

O teste deve detectar o RNA (sigla em inglês para ácido ribonucleico) do vírus na saliva, caso a pessoa tenha sido infectada. Esse código molecular é uma espécie de identidade do Zika, semelhante ao DNA (ácido desoxirribonucleico, em português), que é único para todos os organismos vivos. Essas sequências de genes, no entanto, têm partes semelhantes e podem confundir métodos de testagem.

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Para isso, a primeira fase da pesquisa se dedicou a reunir todos os 40 mapeamentos de variedades do zika feitos no mundo até agora e a cruzar informações para saber que parte do RNA é inconfundível – ou seja, só tem nesse vírus específico, inclusive em comparação com humanos e o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. “Fazendo diagnósticos para identificar esse RNA você pode ter um resultado muito preciso, porque trabalha com o RNA do vírus e não com a proteína que ele produz ou que o seu corpo produz quando tem o vírus”, diz o pesquisador-chefe do projeto, Gilas Gomé, da Universidade de Tel Aviv, em Israel.

Depois de conseguir isolar essa sequência genética, a ideia dos cientistas é usar uma tecnologia simples e barata para identificar a presença do Zika na saliva. De acordo com eles, não é preciso usar qualquer equipamento, laboratório ou profissional altamente treinado. Basta que se colha uma amostra da saliva ou da excreção do nariz, se coloque em um pequeno tubo de plástico com um reagente químico e pronto: se ele mudar para a cor indicada, a pessoa tem o vírus. “Você pode usar isso no meio da selva, em lugares inacessíveis”, afirma o pesquisador.

A precisão e o custo baixo estão entre os principais fatores buscados no projeto, que são também os dois maiores defeitos dos testes usados atualmente para a detecção do zika e das outras arboviroses, dengue e chikungunya, de acordo com os estudiosos. “O método que os laboratórios comuns de análise usam é o PCR, que é Reação em Cadeia de Polimerase. É bem clássico dentro da biologia molecular, mas é caro, de alto custo. Isso é um fator limitante porque, por exemplo, o SUS [Sistema Único de Saúde] não tem como arcar com a demanda de todo mundo que está infectado para fazer os testes”, diz Maria Amélia Borba, biomédica e estudante de doutorado do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “O que a gente está fazendo também é uma PCR, mas ela é isotermal. Não precisamos de equipamento, só de água quente”.

Os resultados dos testes que já estão no mercado, segundo a equipe, também apresentam erros no diagnóstico. “A gente tem reação cruzada. Isso significa que a pessoa tem dengue e o diagnóstico mostra que ela tem Zika ou vice-versa. Esses testes não são precisos. Isso acarreta um manejo clínico alterado. O tratamento é diferente”, analisa Maria Amélia Borba, que também argumenta que o novo teste pode ajudar pesquisas sobre problemas neurológicos e sua relação com o vírus. “Pra gente saber se o Zika realmente está ligado à microceflia e malformação fetal temos que ter certeza absoluta que é Zika, então a precisão é muito importante”.

O projeto começou em março e na próxima semana já entra na segunda fase, que é a testagem do método em amostras de sangue, urina e saliva contaminadas e armazenadas no laboratório Lika, da UFPE. É quando eles esperam otimizar os testes, estabelecendo as condições e os materiais ideais para a detecção, e criar resultados para comparar com os métodos usados pelo mercado. Em experiências-piloto já feitas, o resultado saiu em até uma hora.

A última fase é levar o kit de testagem a campo para usar em humanos e mosquitos, o que, dependendo do valor arrecadado, pode ocorrer em dois meses, segundo Borba. No futuro, a intenção dos pesquisadores é ampliar o teste para identificar também sinais de dengue ou chikungunya mas, para isso, segundo a biomédica, é preciso seguir os mesmos passos usados com o Zika: reunir os genomas, comparar e achar uma peça-chave única para cada vírus, trabalho realizado por pesquisadores da área de computação ligada à ciência de duas entidades brasileiras, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e a Universidade Federal Rural do estado (UFRPE).

Outro integrante da equipe, Alexander Kumar, médico britânico especialista em doenças infecciosas com base na Universidade de Leicester, no Reino Unido, afirma que os princípios do projeto o atraíram diante de experiências anteriores. “Quando eu estava trabalhando no tratamento de ebola, era muito frustrante como a pesquisa se movia tão lentamente. Ver as pessoas morrendo sem oportunidade para tratamento, porque como o Zika, não há cura ou vacina, e confiar em um teste que não funciona bem, e só em uma curta janela de tempo. Quando eles me abordaram, foi uma coisa rápida: eu queria justamente estar aqui em campo, inovando, colaborando, contribuindo. Produzir algo barato e confiável”. De acordo com Kumar, o teste que está em desenvolvimento pode ter de 96% a 100% de precisão.

Por isso, o britânico acha que o projeto pode não só contribuir para o combate ao vírus Zika, mas “revolucionar” o diagnóstico de doenças infectocontagiosas em países pobres. “Um dos problemas é que todas as bases de teste são o PCR e são caras. Isso não pode ser pago em El Salvador, Gana, no Vietnam. Esse teste pode ser acessível, efetivo e confiável”. E completa: se eu, como clínico, posso me sentar na frente de alguém que talvez tenha Zika, essa pessoa pergunta se tem, e eu tenho uma ferramenta que pode dizer isso, sim ou não, e se pode ter algum problema para o bebê – ainda não foi provado, mas há muita evidência da ligação do vírus com a microcefalia – se posso trazer isso para o cenário atual, isso muda vidas”, comenta.

Gilad Gomé destaca que, posteriormente, o método pode ser usado para outras doenças. “Potencialmente, podemos fazer isso para outros vírus no futuro, porque estamos trabalhando no nível de RNA. Só é preciso mudar a sequência para combinar com o que você está procurando”, avalia.

Rapidez e engajamento social
Mesmo com a disponibilização de milhões de reais pelo governo federal e outras organizações internacionais para financiar pesquisas relacionadas ao vírus Zika e ao mosquito Aedes aegypti, a equipe responsável pelo projeto escolheu o crowdfunding, uma forma de arrecadação online, para conseguir recursos destinados à segunda fase da pesquisa.

Esse método é popular para que músicos criem novos discos ou cineastas obtenham dinheiro para um documentário, por exemplo, mas também encontra espaço na comunidade científica. Ele é feito pela internet, onde é publicada uma proposta resumida com os objetivos e o orçamento do projeto.

A doutoranda Maria Amélia Borba explica a escolha pelo crowdfunding: “A gente também submeteu o projeto a todos os editais que estão sendo abertos de verbas públicas, tanto federais quanto estaduais, porque nossa ideia é conseguir o máximo possível. No entanto, demora um tempo para análise, aprovação e liberação do dinheiro. Como a situação que estamos vivendo hoje dessa tríplice epidemia [dengue, chikungunya e zika] é urgente, a gente entende que é uma boa opção recorrer à sociedade para que ela participe do processo, de modo que não fique caro para todo mundo; quando junta tudo, ajuda muito”.

Na opinião do pesquisador Gilad Gomé, além de acelerar a pesquisa, para que os testesem laboratório já comecem a ser feitos, o mecanismo envolve a sociedade no combate à epidemia e educa as pessoas. “Queremos fazer algo agora e fazer as pessoas participarem. Com a campanha, estamos também educando as pessoas. Estamos postando lab notes [notas de laboratório, uma ferramenta disponível na página usada para arrecadar o dinheiro] sobre o trabalho desenvolvido, o que é o vírus, o mosquito”, informa.

Os interessados contribuem com qualquer valor, e, no caso da pesquisa para desenvolver o teste rápido, é possível acompanhar diariamente tudo o que está sendo feito. Os proponentes têm 30 dias para reunir o total do valor solicitado, que é baixo para o meio científico: US$ 6 mil, ou cerca de R$ 20 mil. Em 48 horas eles já conseguiram 70% do orçamento necessário, ou US$ 4,2 mil. Os profissionais explicam que o dinheiro será usado para adquirir o material básico para construir os kits de testagem.

“É também um experimento interessante de como inovar sem limitação de orçamento. Esse valor pode nos dar a primeira prova do experimento. Então, mesmo com um baixo orçamento, podemos caminhar uma grande distância”, defende Gilad.

O projeto traz outra inovação: no fim da pesquisa, uma vez que os kits sejam criados, todos os resultados vão ser disponibilizados na internet de forma aberta e gratuita. “Esse teste não foi feito para ganhar dinheiro. Uma vez que validemos tudo, vamos compartilhar toda a pesquisa com o mundo pela internet, para os outros países saberem o que fizemos, como fizemos, o que devem fazer. Esperamos que outros tomem isso como exemplo e abram a ciência para mais pessoas. Se tiver outro vírus em outra parte do mundo, eles podem se inspirar nesse caso e desenvolver uma tecnologia semelhante”, sugere o pesquisador-chefe do projeto.

Agência Brasil

Pesquisadores buscam alternativas para salvar café da extinção

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

Dois bilhões de xícaras de café são bebidas em todo o mundo todos os dias, e 25 milhões de famílias dependem do seu cultivo para viver. Nos últimos 15 anos, o consumo cresceu 43%, mas pesquisadores vêm alertando que a variedade mais popular de café, a arábica, está ameaçada.

Apesar de haver 124 espécies de café conhecidas, a maioria dos cultivos é restrita a apenas duas delas – arábica e robusta.

A robusta representa cerca de 30% da produção do mundo – e, segundo a Embrapa, uma igual proporção no Brasil, sendo o maior país produtor, respondendo por 33% do mercado global – e é usada principalmente para a produção de café instantâneo. Como diz seu nome, trata-se de uma planta forte, mas que, para muitas pessoas, não se compara ao sabor mais complexo e suave dos grãos da arábica.

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É esta segunda espécie que movimenta a indústria de café e responde pela maior parte da produção global – e brasileira -, mas é uma planta mais frágil, particularmente sensível a mudanças de temperatura e no regime de chuvas. E esta característica diante da perspectiva dos impactos das mudanças climáticas.

Em 2012, uma pesquisa do Royal Botanic Gardens, Kew, no Reino Unido, revelou um cenário nada animador para o café selvagem da Etiópia, de onde vem a arábica, por meio de modelos gerados por computador, que previram como as mudanças no meio ambiente afetariam esta espécie neste século.

Segundo a previsão do instituto de pesquisa britânico, a quantidade de locais onde a arábica selvagem poderia ser cultivada seria reduzida em 85% até 2080, podendo chegar a 99,7% se as piores perspectivas forem confirmadas.

“Se não fizermos nada agora ou ao longo dos próximos 20 anos, no fim deste século, a arábica selvagem da Etiópia pode ser extinta”, diz Aaron Davis, chefe de pesquisa em café do Kew.

Na prática

Este relatório foi notícia em todo o mundo, e fez a indústria agir. Desde então, uma equipe do Kew e seus parceiros na Etiópia visitaram áreas de produção do país africano para comparar suas previsões com o que estava acontecendo de fato no cultivo.

“É importante ver o que está ocorrendo na prática, observar a influência atual da mudança climática no café e falar com agricultores. Eles podem dizer o que aconteceu, às vezes fazendo uma retrospectiva de décadas”, afirma Davis.

Sua equipe agora está trabalhando com o governo da Etiópia para encontrar formas de proteger a indústria de café. Levar os cultivos para áreas mais elevadas – onde o clima é mais ameno – pode ser parte da solução. Enquanto isso, outras áreas hoje consideradas inadequadas para a produção de café podem vir a ser boas para isso. “Há ameaças em certos locais e oportunidades em outras”, diz Davis.

Pouco era sabido sobre a arábica selvagem até recentemente. Foi só no final do século 19, por exemplo, que cientistas confirmaram que a planta era da Etiópica e não árabe, como o nome sugere. O etiópio Tadesse Woldermariam Gole, um especialista em café selvagem, só completou seu mapeamento da arábica selvagem há alguns anos. Agora, sabe-se que esta espécie só cresce naturalmente no sul da Etiópia, e no planalto Boma no sul do Sudão.

Implicações

A pesquisa do Kew tem muitas implicações, não apenas para os pequenos produtores da Etiópia, mas também para o resto do mundo. Se algo é uma ameaça para sua versão selvagem e nativa da arábica africana, afetará ainda mais suas variedades comerciais. O meio ambiente é um fator-chave em seu cultivo, mas há outra razão para isso: a genética.

“Espécies selvagens tem uma diversidade genética muito maior – qualquer coisa que ocorra com elas é amplificado nas variedades comerciais, nas quais a diversidade genética é bem menor”, diz Justin Moat, de análises espaciais do Kew.

Acredita-se que o café comercial, cultivado em plantações, tenha não mais que 10% da variedade genética da arábica selvagem.

Parte da razão para isso é histórica. Muitos cultivos nacionais foram criados a partir de plantas únicas, enviadas para várias colônias. Foi assim com o Suriname, onde o cultivo de café começou em 1718 a partir de uma planta do jardim botânico de Amsterdã, na Holanda, de onde saiu também uma planta para a Martinica em 1720.

No Brasil, o cultivo começou em 1727, sendo introduzido no Pará a partir da Guiana Francesa. “De lá, migrou para o Maranhão, depois chegou à Bahia, desceu para o Rio e subiu o Vale do Paraíba até o interior de São Paulo”, explica Gabriel Bartolo, chefe-geral da Embrapa Café.

Poucas variedades

Desde então, pouquíssimas novas variedades foram desenvolvidas. “Ao contrário de outras espécies de cultivo, o café teve pouca pesquisa por trás dele”, diz Timothy Schilling, diretor-executivo do World Coffee Research Institute (WCR).

Schilling diz que o café é um “cultivo órfão”, referindo-se ao fato de que ele foi levado para países tropicais que não tinham recursos para investir em pesquisa. Hoje, o café tem apenas 40 desenvolvedores de espécies, em comparação com os milhares existentes para milho, arroz ou trigo.

“Países mais ricos o compram, torram e bebem, mas não pagam pela parte agronômica. Só agora a indústria está acordando e percebendo que é necessário fazer isso também”, diz Schilling. “Mas há uma grande lacuna em nosso conhecimento. Por exemplo, não sabíamos que sua base genética era tão pequena.”

E o quão pequena ela de fato é só ficou totalmente claro no início deste ano. Em 2013, o WCR pensou ter encontrado uma mina de ouro de variedade genética de café – 870 cepas de arábica selvagem crescendo no Centro para Pesquisa e Educação de Agricultura Tropical da Costa Rica.

As plantas haviam sido coletadas na Etiópia na década de 1960 pela ONU e distribuídas para mais de uma dezena de países num esforço para aumentar a diversidade genética. A coleção costa-riquenha havia sido uma das poucas sobreviventes da iniciativa.

“Pegamos cada uma destas cepas e sequenciamos seu DNA para verificar sua diversidade”, afirma Schilling. “Quando chegaram os resultados, no início deste ano, havia muito pouca diversidade. Foi um grande choque. Sabíamos que seria pequena, mas não tão pequena assim. Como resultado, não temos a diversidade necessária no café arábica para os próximos 200 anos.”

Consequências desastrosas

Esta falta de diversidade pode ter consequências desastrosas, como tornar o cultivo mais suscetível a doenças. E o café tem um grande inimigo: uma praga conhecida como ferrugem. Sem encontrar resistência nas plantas, este fungo acabou com as plantações do Sri Lanka no fim do século 17, e houve uma crise na América Central em 2013.

Por isso, Schilling e outros pesquisadores, inclusive no Brasil, assumiram uma missão ambiciosa: recriar a arábica, por meio de cruzamentos de espécies.

A origem da arábica é extraordinária. Trata-se de um híbrido entre dois tipos de café, C eugenioides e C canephora (a espécie robusta).

“É uma história de amor, na verdade”, diz Schilling. “A arábica teve dois pais, que se encontraram há cerca de 10 a 15 mil anos. Foi um evento único, um caso de uma noite, por assim dizer. Então, desde o início, a base genética da arábica não era muito grande.”

Agora, Schilling pretende recriar a arábica e melhorá-la. “O que podemos fazer é pegar um grupo muito diverso de C eugenioides e de C canephora e cruzá-las, para recriar a C arabica, mas melhorada, mais diversa.”

Cruzamentos no Brasil e no exterior

Schilling destaca que não se trata de engenharia genética, mas de cruzamentos à moda antiga, usando técnicas modernas – e que isso pode levar décadas.

No curto prazo, o WCR decidiu dar início também a outro programa de cruzamentos. “Precisamos pegar o que há de melhor na robusta e combinar com a arábica”, diz ele. “A robusta é resistente e muito produtiva, mas tem um gosto muito ruim.”

Uma iniciativa semelhante vem sendo realizada no Brasil pelo Consórcio Pesquisa Café, organização criada em 1997 que reúne mais 1 mil cientistas de cem entidades, entre institutos de pesquisa, universidades e empresas.

“Desde 2004, quando foi decodificado o genoma do café, foram identificados mais de 30 mil genes que conferem diversas resistências e tolerâncias a pragas”, afirma Antônio Guerra, gerente de pesquisa da Embrapa Café.

“A partir daí, trouxemos materiais da Etiópia e Camarões para levar a campo e realizar cruzamentos com o objetivo de gerar plantas mais resistentes e adaptáveis a climas mais quentes, capazes de suportar temperaturas maiores do que a faixa de 28ºC a 30ºC recomendada para o cultivo da arábica.”

Guerra concorda que a variedade da arábica é muito pequena, mas também aposta em programas de cruzamento com outras espécies para conferir novas caraterísticas a esta espécie.

“Existe uma grande preocupação que o café não poderá mais ser produzido em determinada região com as mudanças climáticas, com o aumento da temperatura média em um ou dois graus e com chuvas ou secas mais intensas”, afirma o especialista da Embrapa, que destaca também a importância de novas técnicas de manejo dos cultivos e o uso da irrigação, hoje presente em apenas 10% da área de café cultivada, mas por 25% da produção, para se prevenir contra condições climáticas adversas.

“Ainda não sabemos se são de fato mudanças ou se é apenas um ciclo natural do clima, mas a função da ciência é antever este perigo e desenvolver plantas adequadas às futuras condições, buscando mais produtividade e qualidade, além da redução do custo de produção, para garantir o suprimento a este mercado.”

Por sua vez, Davis, do WCR, diz que algumas espécies de café têm potencial para solucionar o problema, seja cultivando-as ou por meio de programas de cruzamento: “Mas isso não ocorrerá da noite para o dia”.

G1

Pesquisadores descobrem vírus causador de ‘doença misteriosa’ que deixou PB em alerta

Funcionário da TV Arapuan ficou doente
Funcionário da TV Arapuan ficou doente

Dois pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) descobriram o vírus causador da doença cujos sintomas são semelhantes aos da dengue e que vem assustando a população de pelo menos sete estados da região nordeste: o Zika Vírus, que é transmitido pelos mosquitos aedes aegypti, aedes albopictus e outros tipos de aedes.

A Secretaria de Saúde da Paraíba iniciou, em parceria com o Ministério da Saúde, uma investigação para identificar a doença exantemática (manchas vermelhas).

A gerente operacional de resposta rápida da Vigilância Epidemiológica Estadual, Diana Pinto, conversou com o portal Paraíba e explicou que a investigação continua em andamento, mas já foi possível identificar que a doença, após sete dias, evolui para uma cura, indicando que é benígna. “A nossa recomendação é que, quem apresentar os sintomas, se encaminhe para o Posto de Saúde mais próximo, não há necessidade de ir a uma unidade de emergência”, orientou.

Já na Bahia, de acordo com Gúbio Soares, pesquisador que fez a descoberta junto com Silvia Sardi, é a primeira vez que o vírus é identificado na América Latina, sendo mais comum na África e Ásia. A dupla suspeita que o vírus chegou à Bahia por causa da Copa do Mundo de Futebol, realizada em 2014 no Brasil.

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“A Copa atraiu pessoas do mundo inteiro. Então acreditamos que algumas pessoas que estavam infectadas foram picadas pelos moquitos trasmissores, e o vírus foi passado para outras pessoas”, diz.

A identificação do vírus foi realizada nesta semana, após a dupla de pesquisadores trabalhar por cerca de 20 dias em amostras de sangue de pacientes de Camaçari, cidade da região metropolitana de Salvador, por meio de uma técnica chamada RT-PCR, que amplifica o material genetico do virus, através de reagentes, aumentando o sinal deste material genético.

Segundo Gúbio, o Zika Vírus causa um quadro muito parecido com o da dengue, em que o paciente pode apresentar sintomas como febre, diarreia, dores e manchas no corpo. Porém, este novo vírus é mais fraco e os sintomas mais brandos.

 

“Zika Vírus não é tão grave quanto dengue ou chikungunya, não leva o paciente à morte. O quadro parece alérgico, é mais tranquilo e o tratamento é o mesmo”, explica o pesquisador. Além destes sintomas, o paciente pode apresentar sinais de conjuntivite.

“O tratamento é o mesmo para dengue: Paracetameol. Você não combate o vírus. Isto quem faz é o seu organismo. Você combate os sintomas”, afirma Gúbio.

A descoberta de Gúbio e Silvia derruba as duas hipóteses levantadas pela Vigilância Epidemiológica e a Secretaria de Saúde de Camaçari, para explicar a doença. No último mês de março, os dois órgãos suspeitavam que o sintomas seriam causados por roséola ou parvovírus-B19.

Gúbio acrescenta que, em geral, os sintomas duram cerca de 12 dias até desaparecerem. “O importante é procurar um médico, assim que os sintomas começarem”, diz.

Globo.com