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Brasil sofre com retranca, mas vence Paraguai nos pênaltis

Não jogou bem, não foi brilhante, mas passou. O Brasil está na semifinal da Copa América após exorcizar um antigo fantasma da competição: os pênaltis. Na Arena do Grêmio, nesta quinta-feira, a equipe empatou sem gols com o Paraguai no tempo normal após sofrer com a retranca adversária e precisou dos pênaltis para ganhar por 4 a 3 e devolver as derrotas diante do mesmo rival nas quartas de final do torneio em 2011 e 2015.

O Brasil foi superior ao adversário ao longo de mais de 90 minutos de futebol. Tropeçou na insegurança em chutar, na falta de criatividade e prevaleceu na hora de decidir nas cobranças. Firmino chutou para fora, enquanto Gómez e González erraram. Coube ao atacante Gabriel Jesus fechar a série decisiva e colocar o Brasil na semifinal contra quem passar do confronto entre Argentina e Venezuela.

Sob os olhos de Neymar, presente em um camarote ao lado do presidente da CBF, Rogério Caboclo, a seleção brasileira esteve longe de repetir a atuação empolgante da partida contra o Peru. O Paraguai escalado com três zagueiros de origem, posicionado com cinco no meio e uma imensa disposição para marcar e desacelerar o jogo fez o encontro ser monótono e de imensa disputa para cada palmo.

O Brasil conseguiu algumas finalizações logo no começo e criou uma falsa expectativa de pressão. Na verdade, ficaria preso na defesa, atrapalhado pelos erros de passe, dezenas de faltas e sabotado pela própria vontade de querer caprichar mais no lance em vez de chutar a gol. Por isso, passou 35 minutos no primeiro tempo sem finalizar e viu a partida ficar parada, como o Paraguai gostaria.

A chance mais clara do primeiro tempo foi dos paraguaios. Após cruzamento, Derlis González apareceu atrás da defesa e chutou para Alisson salvar, aos 28 minutos. A torcida sentiu a dificuldade do jogo travado e por alguns instantes entoou o coro de Grêmio. Ao fim do primeiro tempo, a arena mesclou vaias com aplausos após ver 45 minutos de futebol pobre em um gramado maltratado.

O Brasil voltou para a etapa final disposto a acelerar mais o jogo e conseguiu uma chance importante. Gabriel Jesus fez bela jogada individual e serviu para Firmino, que foi derrubado na entrada da área. Inicialmente o árbitro deu pênalti, mas após revisar o lance no vídeo, decidiu marcar falta fora da área e expulsar o paraguaio Balbuena. Foram cinco minutos de paralisação.

A vantagem numérica deixou o Brasil ainda mais pressionado a buscar o gol da vitória. O time avançou inteiramente, a ponto de a linha de defesa ficar posicionada na intermediária do Paraguai. Tite tirou o volante Allan e colocou o meia Willian para aumentar a força ofensiva. O jogo virou de um time só, com os paraguaios atordoados e sem qualquer opção para sair da defesa.

O Brasil radicalizou de vez nos minutos finais, ao tirar Daniel Alves e colocar Lucas Paquetá. A equipe queria a todo custo resolver a partida no tempo normal, pois só atacava e sequer sofria perigo. A angústia aumentou após o chute de Willian acertar a trave aos 44 minutos do segundo tempo. Foram mais sete minutos de acréscimos e de gritos de gol sufocados. A decisão foi para os pênaltis.

A torcida compreendeu o sofrimento e entendeu a superioridade brasileira ao longo do tempo normal. Com vaias sobre os paraguaios, ajudou a pressionar e induzir ao erro os dois paraguaios que atuam no futebol nacional: Gómez parou nas mãos de Alisson e Derlis Gonzalez chutou para fora. Em uma noite em que o fiasco assombrou a seleção, a classificação premiou quem mais procurou jogar futebol.

FICHA TÉCNICA

BRASIL 0X0 PARAGUAI

BRASIL: Alisson; Daniel Alves (Lucas Paquetá), Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Luís (Alex Sandro); Allan (Willian), Arthur e Philippe Coutinho; Everton, Gabriel Jesus e Roberto Firmino. Técnico: Tite.

PARAGUAI: Gatito Fernández; Piris, Balbuena, Gómez e Alonso; Sánchez (Escobar), Ortiz, Pérez (R. Rojas) e Arzamendia (Valdez); Derlis González e Almirón. Técnico: Eduardo Berizzo.

Nos pênaltis: Brasil 4 (Willian, Marquinhos, Coutinho e Gabriel Jesus); Firmino perdeu) e Paraguai 3 (Almirón, Valdez, Rodrigo Rojas; Gómez e Derlis González perderam)

Árbitro: Roberto Tobar (Chile).

Cartões amarelos: Arzamendia, Piris, Alonso, Filipe Luís, Firmino, Arthur.

Cartão vermelho: Balbuena.

Público: 45.495 pagantes.

Renda: R$ 10.352.430,00.

Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre.

 

Estadão

 

 

Brasil vence o Paraguai e aumenta euforia da torcida

A cada rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo, o técnico Tite ganha um novo motivo para se preocupar com a euforia em torno da Seleção Brasileira. Nesta quinta-feira, por exemplo, a sua equipe foi a Itaquera e não tomou conhecimento do Paraguai. Venceu por 3 a 0, com gols do meia Philippe Coutinho no primeiro tempo e do atacante Neymar (que ainda perdeu um pênalti) e do lateral esquerdo Marcelo no segundo.

Neymar comemora seu gol
Neymar comemora seu gol

Foto: Reuters

Virtualmente classificado para o Mundial da Rússia, em 2018, o Brasil alcançou os 33 pontos ganhos, na liderança disparada das Eliminatórias após ganhar os oito jogos que disputou com o técnico Tite à beira do campo. Os próximos serão contra Equador, dentro de casa, e Colômbia, fora, entre o final de agosto e o início de setembro.

Já o Paraguai permanece fora da zona de classificação para a Copa do Mundo, com os seus 18 pontos. Ainda sonhando com uma vaga, o time dirigido por Arce receberá o Chile e visitará o Uruguai nas rodadas seguintes.

O jogo – A Seleção Brasileira já havia amansado o sempre exigente público paulista antes mesmo de entrar em campo. A série invicta sob o comando de Tite fazia até quem não é corintiano idolatrar o treinador minutos antes de a partida contra o Paraguai começar em Itaquera. Para os torcedores do clube proprietário do estádio, a festa se estendia a jogadores como Marquinhos, Fagner e Renato Augusto – e mesmo para um adversário, o atacante Ángel Romero, reserva da equipe paraguaia.

Quando a bola rolou, o Paraguai pareceu sentir a pressão. Jogou a bola bizarramente para a lateral logo na saída de jogo, no meio-campo. Do outro lado, o Brasil contava com a tranquilidade mostrada em compromissos recentes – como quando teve paciência para alcançar uma goleada por 4 a 1 sobre o Uruguai, de virada, em Montevidéu – para superar o estilo de jogo pouco corajoso dos visitantes.

A ordem de Tite era fazer a bola rodar de um lado a outro do gramado, à procura de espaços na fechada defesa paraguaia. O capitão Neymar se mostrou a principal válvula de escape brasileira, levantando o público com as suas fintas e sendo ele próprio erguido pelos paraguaios, que o brecavam com faltas. Nas cobranças, quem aparecia bem era o goleiro Antony Silva.

O outro goleiro em campo, Alisson, permanecia com o seu uniforme verde limpo. Com somente 25% de posse de bola, o Paraguai não representava uma ameaça quando avançava à base de chutões e da velocidade de Derlis González. Sem se assustar, a torcida brasileira era mais estimulada pelos tiros de meta cobrados por Antony Silva, marcados pelos berros de “bicha”. O furor homofóbico era tamanho que fez o animado locutor de Itaquera pedir “respeito” ao oponente – e ser repreendido com vaias.

Coutinho abriu o placar
Coutinho abriu o placar

Foto: Reuters

Como o placar permaneceu zerado durante mais de meia hora, os gritos de “bicha” passaram a se alternar com o silêncio quando o Brasil estava com a bola, com entusiasmo esporádico com algumas jogadas de efeito (como em um chapéu aplicado por Fagner). Aos 33 minutos, porém, Philippe Coutinho fez o público recobrar a vibração. Ele carregou da direita para o meio, tabelou com Paulinho, que devolveu de calcanhar, e finalizou no canto para anotar 1 a 0.

Ao coro de “o campeão voltou”, os torcedores brasileiros só voltaram a se manifestar negativamente outra vez depois do intervalo, quando o experiente zagueiro Thiago Silva (marcado pelo choro na Copa do Mundo de 2014) substituiu o ex-corintiano Marquinhos. No Paraguai, Arce apostou no meia Óscar Romero, o irmão gêmeo de Ángel Romero, na vaga de Almirón.

Com duas peças diferentes no gramado, o jogo seguiu o mesmo. Ainda superior, a Seleção Brasileira teve a grande chance para ampliar o marcador aos cinco minutos. Neymar carregou a bola para dentro da área, passou por Paulo da Silva e caiu ao encontrar a perna de Rodrigo Rojas. Pênalti. O próprio astro do Barcelona cobrou – mal – e parou na defesa de Antony Silva.

“Neymar! Neymar! Neymar!”, apoiaram os torcedores, sem se importar por terem sido frustrados ao gravar o pênalti perdido com seus telefones celulares. O atacante justificou o voto de confiança. Aos 18 minutos, ele voltou a avançar pelo lado esquerdo da área paraguaia, deu um drible de corpo no seu marcador e chutou. A bola desviou no meio do caminho e entrou.

Pouco mais tarde, Neymar voltou a colocar a bola na rede mais ou menos daquela distância, com uma conclusão cruzada, após dar sequência a uma jogada que ele mesmo pareceu acreditar estar em impedimento. Com atraso – o astro brasileiro já comemorava com a bandeirinha de escanteio -, a arbitragem invalidou o que seria o terceiro gol da equipe de Tite.

Aos 30 minutos, a torcida local esqueceu o protesto contra o árbitro para ovacionar um adversário. Ángel Romero, atacante do Corinthians, substituiu Cecilio Domínguez e foi ovacionado pela parte do público mais habituada a frequentar o estádio da Zona Leste paulistana. Não muito tempo depois, todos os brasileiros já estavam unidos outra vez para gritar “olé”.

Embora a Seleção não diminuísse o ritmo, Tite resolveu mexer nos minutos finais, com as entradas de Diego Souza e Willian nas posições de Roberto Firmino e Philippe Coutinho. Antes disso, houve tempo de marcar o terceiro gol. Aos 40, Marcelo foi outro a receber uma assistência de calcanhar de Paulinho e completou por cima de Antony Silva para fechar a contagem em Itaquera.

FICHA TÉCNICA

BRASIL 3 X 0 PARAGUAI

Local: Estádio de Itaquera, em São Paulo (SP)

Data: 28 de março de 2017, terça-feira

Horário: 21h45 (de Brasília)

Árbitro: Víctor Carrillo (Peru)

Assistentes: Jonny Bossio e Coty Carrera (ambos do Peru)

Público: 44.378 pagantes

Renda: R$ 12.323.925,00

Cartões amarelos: Bruno Valdez, Rodrigo Rojas e Cecilio Domínguez (Paraguai)

Gols: BRASIL: Philippe Coutinho, aos 33 minutos do primeiro tempo, Neymar, aos 18, e Marcelo, aos 40 minutos do segundo tempo

BRASIL: Alisson; Fagner, Marquinhos (Thiago Silva), Miranda e Marcelo; Casemiro, Paulinho, Philippe Coutinho (Willian), Renato Augusto e Neymar; Roberto Firmino (Diego Souza)

Técnico: Tite

PARAGUAI: Antony Silva, Bruno Valdez, Paulo da Silva, Dario Verón e Junior Alonso; Cristian Riveros, Rodrigo Rojas, Hernan Perez e Almirón (Óscar Romero); Derlis González (Federico Santander) e Cecilio Domínguez (Ángel Romero)

Técnico: Francisco Arce

Gazeta Esportiva

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Mais de 32 mil pacotes de cigarros do Paraguai são apreendidos em Araçagi

Divulgação/PRF-PB
Divulgação/PRF-PB

Cerca de 32.500 pacotes de cigarros contrabandeados do Paraguai foram apreendidos entre a tarde e a noite dessa segunda-feira (23) num galpão de uma fazenda em Araçagi (Agreste paraibano, a 64 km de João Pessoa). Duas pessoas foram detidas no local e uma delas estava armada.

A apreensão, realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), em conjunto com a Receita Estadual, foi a maior já registrada na Paraíba. Ao todo, cerca de 6,5 milhões de unidades de cigarros contrabandeados foram tirados de circulação. Os pacotes da droga estavam armazenados em cerca de 650 caixas.

O dono da fazenda onde os cigarros foram apreendidos estava na propriedade no momento da abordagem policial e disse que alugava o galpão para um conhecido. Ainda durante os trabalhos da operação, um homem esteve na fazenda para pagar o aluguel. Ele foi abordado pelos policiais, que acabaram encontrando com o suspeito uma pistola calibre 380. O homem não possui porte de arma de fogo e acabou preso. O dono da fazenda também foi detido.

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Os suspeitos e o carregamento de cigarro foram levados para a Superintendência da Polícia Federal.

 

 

portalcorreio

Petrobras volta a reduzir os preços da gasolina e do diesel… no Paraguai

GASOLINAA Petrobras anunciou uma nova redução no preço dos combustíveis – no vizinho Paraguai. Todos os produtos sofreram reajustes para baixo, inclusive os tipos especiais. Foi a nona vez que a estatal brasileira reduziu o preço dos combustíveis no Paraguai desde julho do ano passado.
O litro da gasolina comum caiu quase 5% do outro lado da fronteira. Convertendo os valores de guarani para real, a queda varia de R$ 0,13 a R$ 0,20. O preço da gasolina agora está entre R$ 2,85 e R$ 2,89. Os valores não são fixos e variam de posto para posto. Podem ficar abaixo desses valores dependendo da região do país. O diesel caiu 4%.

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Segundo informou a Petrobras, em nota ao jornal O Estado de S. Paulo, as reduções são possíveis porque o mercado de distribuição de combustíveis no Paraguai é livre e desregulado.

Istoé

 

Jornalista é morto por homens armados na fronteira do Brasil com o Paraguai

Nessa quinta-feira (25/4), um jornalista foi morto a tiros por homens armados no norte do Paraguai, na fronteira seca com o Brasil. Carlos Manuel Artaza faleceu antes de chegar ao Centro de Emergências Médicas de Assunção.
Crédito:Reprodução
Jornalista morreu em emboscada na fronteira com o Brasil
Segundo a Zero Hora, Artaza, que era radialista e trabalhava para um órgão público da região, foi vítima de uma emboscada quando chegava em casa, na noite da última quarta-feira (23/4), após uma festa para comemorar a vitória de Pedro González ao governo.

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No mesmo local, a fronteira seca entre Brasil e Paraguai, já foram registrados outros assassinatos de jornalistas em 2013. O radialista Juan Arístides Martínez e o proprietário da rádio 98.5 FM, Marcelino Vázquez, também foram executados com tiros.
O crime aconteceu um dia antes do Dia do Jornalista no Paraguai.
Portal IMPRENSA

Brasil faz megaoperação militar nas fronteiras com Argentina, Uruguai e Paraguai

O governo brasileiro enviou uma força com cerca de 9 mil militares – equipados com helicópteros de combate, navios-patrulha, aviões de caça e blindados – para as fronteiras do país com o Paraguai, a Argentina e o Uruguai.

O deslocamento de tropas para a “Operação Ágata 5”, começou na segunda-feira e deve durar entre 20 e 30 dias.

“É uma operação de fronteira que tem por objetivo, sobretudo, a repressão à criminalidade”, afirmou à BBC Brasil o ministro da Defesa, Celso Amorim.

A Marinha enviou aos rios da bacia do Prata ao menos 30 embarcações – entre elas três navios de guerra e um navio-hospital.

A Força Aérea participa da operação com esquadrões de caças F5 e Super Tucano, além de aviões-radar e veículos aéreos não-tripulados.

O Exército mobilizou infantaria e blindados Urutu e Cascavel de três divisões. As três forças usam ainda helicópteros Black Hawk e Pantera, para transporte de tropas e missões de ataque.

A operação terá ainda o apoio de 30 agências governamentais – entre elas a Polícia Federal – que elevarão o efetivo total para cerca de 10 mil homens.

Segundo o general Carlos Bolivar Goellner, comandante militar do sul, a área crítica de patrulhamento será entre as cidades de Foz do Iguaçu, no Paraná, e Corumbá, no Mato Grosso do Sul – onde ocorre a maior incidência de tráfico de drogas e contrabando.

Militares participam de operação Agata 3 (Foto: Divulgação/Ministério da Defesa)A operação Ágata é uma determinação direta da presidente Dilma Rousseff ao Ministério da Defesa

 

“A ação visa reforçar a presença do Estado na fronteira com a bacia do Prata”, disse Goellner. Segundo ele, as fronteiras serão fortemente guarnecidas e como consequência o tráfico de drogas e o contrabando devem ser “sufocados”.

Paraguai

O governo brasileiro afirma que o ambiente entre os países da América do Sul é de cooperação na área de defesa.

Apesar disso, a alta concentração de tropas nas fronteiras pode ser entendida pelos países vizinhos como um recado, segundo Samuel Alves Soares, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e presidente da ABED (Associação Brasileira de Estudos de Defesa).

“Os países (vizinhos) podem interpretar que é uma demonstração de força. (Essa operação) tem um simbolismo, um peso, que pode ser entendido de outra maneira.”

Segundo Soares, esse entendimento é especialmente possível em relação ao Paraguai, que foi isolado politicamente no mês passado após uma ação diplomática costurada pelos presidentes Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e Jose Mujica.

Assunção foi suspensa do Mercosul após destituir o então presidente Fernando Lugo em um julgamento “relâmpago”.

Segundo Soares, em alguns setores políticos paraguaios a operação Ágata 5 deverá ser entendida como uma ação típica do “imperialismo brasileiro”.

Cinturão da paz

Essa possibilidade é descartada pelo ministro da Defesa. “Todos os Estados vizinhos foram previamente avisados, informados, e convidados a enviar observadores (para a operação)”, afirmou Amorim durante o VI Encontro Nacional da Abed, em São Paulo, na segunda-feira.

Militares participam de operação Agata 3 (Foto: Divulgação/Ministério da Defesa)Até agora cinco edições da operação já foram realizadas, em diversas regiões de fronteira

 

Segundo ele, em operações anteriores, a Venezuela e a Colômbia até cooperaram com os brasileiros, fazendo ação semelhante de seu lado da fronteira.

De acordo com Amorim, a diplomacia brasileira criou ao longo dos anos um processo de integração regional e cooperação militar na América do Sul – com órgãos como o Conselho de Defesa Sulamericana, da Unasul – que resultou em um “cinturão da paz” em torno do Brasil.

Segundo ele, por causa disso, a maior ameaça militar contra o Brasil, em tese, é um cenário futuro no qual potências internacionais em conflito venham a se interessar por recursos brasileiros como água, energia e capacidade de produção de alimentos.

“O Brasil deve construir uma capacidade dissuasória crível que torne extremamente custosa a perspectiva de agressão ao nosso país”, disse em palestra durante o evento.

Porém, Soares explica que tal estratégia assume que, mesmo com grandes investimentos no setor de Defesa, o Brasil não seria capaz de vencer um eventual conflito com uma potência militar internacional – sendo apenas capaz de fazer a empreitada menos atrativa ao adversário.

Criminalidade

A operação Ágata é uma determinação direta da presidente Dilma Rousseff ao Ministério da Defesa.

Até agora, cinco edições da operação já foram realizadas, em diversas regiões de fronteira do Brasil, desde o ano passado.

A atual ocorre semanas após o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do partido opositor PSDB, cobrar um maior policiamento nas fronteiras do país ao tentar explicar o aumento da criminalidade em seu Estado.

Nas quatro primeiras Ágatas foram apreendidas mais de 2,3 toneladas de drogas, 302 embarcações irregulares e 59 armas.

As Forças Armadas também dinamitaram quatro pistas de pouso clandestinas e fecharam oito garimpos e cinco madeireiras ilegais.

Também foram realizados 19 mil atendimentos médicos e 21 mil odontológicos para populações isoladas ou carentes.

Porém, as críticas dos habitantes das regiões atendidas é que quando a operação acaba, os criminosos voltam a agir normalmente.

A resposta do Ministério da Defesa é que devido à vasta extensão das fronteiras do país, as operações Ágata visam mais dissuadir as ações de criminosos do que combatê-las diretamente – além de levar a autoridade do Estado para áreas remotas do território.

A pasta afirma ainda que, após o fim das operações, a Polícia Federal faz ações específicas para flagrar criminosos que tentam “recuperar o prejuízo” após um mês de inatividade.

Segundo o general Goellner, quando não há operações de larga escala como a Ágata 5, é quase impossível fechar totalmente as fronteiras para a ação de criminosos. “Estamos sempre presentes na região, mas fechar a fronteira não é nossa missão principal, se olharmos só o lago de Itaipú, de Foz de Iguaçu a Guaíra, (encontrar os criminosos que cruzam entram no país em barcos pequenos) é como achar uma agulha em um palheiro, são quase 700 quilômetros de lago”.

Segurança pública

Para o professor Soares, o governo brasileiro não deveria usar seus militares para fazer o papel de policiais, especialmente em ações domo as Ágatas. “É um equívoco. Não são forças para essa finalidade e perspectiva. Desse jeito, as Forças Armadas irão se transformar em uma espécie de Guarda Nacional”, disse.

Para ele, usar os militares como policiais é um desperdício de recursos que poderiam ser usados na preparação e equipamento das Forças Armadas para um eventual conflito com uma nação estrangeira.

Amorim também afirmou que a segurança pública é competência dos Estados e que a função dos militares é a defesa contra “ameaças externas”. Disse porém, que podem haver exceções para essa regra, “desde que limitadas no tempo e no espaço”.

BBC Brasil

Paraguai: governo acaba com medida progressista de Lugo no campo

 

Uma das primeiras medidas tomadas por Federico Franco no Paraguai foi a liberação do cultivo de sementes transgênicas de algodão da multinacional Monsanto. A ação indica a dimensão que tem a questão agrária no país, que tem a maior proporção de população campesina da América Latina. Para falar sobre esta questão, o Portal Vermelho entrevistou a socióloga, professora universitária e pesquisadora do Base Investigaciones Sociales, Marielle Palau.

Por Vanessa Silva, para o Portal Vermelho

Vanessa Silva

Marielle Palau“Sem a realização de uma reforma agrária, não haverá nenhuma possibilidade de desenvolvimento e saída para os problemas sociais no Paraguai”

Durante o governo do ex-presidente Fernando Lugo, deposto após um golpe parlamentar no dia 22 de junho, a Senave (Serviço Nacional de Qualidade Vegetal e de Sementes) tentou impedir a liberação das sementes transgênicas de algodão, embora o plantio de soja transgênica já fosse autorizado. Marielle ressalta que essa atuação da Senave foi um dos poucos movimentos progressistas do ex-presidente no âmbito rural.

Em um país em que 42% dos cidadãos vivem no campo, segundo dados oficiais de 2005, a questão é pujante. Tanto que foi um “conflito” entre camponeses e policiais, o massacre de Curuguaty, o estopim da crise política que acarretou no golpe que derrubou Lugo.

Essa população rural é empobrecida. Em 2005, a taxa de pobreza no campo, de acordo com dados oficiais, era de 36,6%. Entre as explicações possíveis para esse número está o fato de o Estado não prover essas regiões com serviços básicos como saúde, educação e infraestrutura, além da diminuição da fertilidade dos solos (devido à monocultura e outras práticas degradantes), a exclusão social, econômica e cultural e a concentração de terras — uma das maiores do mundo.

Portal Vermelho: A questão da terra é importante no Paraguai. Quais são os principais atores nesta área hoje?
Marielle Palau: Eu diria que o problema mais grave no Paraguai é o interesse do agronegócio e das grandes corporações. O Paraguai tem um solo muito privilegiado e desde os finais dos anos 1990 foi-se dando a invasão silenciosa da soja no país. Quase 30% do território cultivável do Paraguai são de soja transgênica e há muito interesse das grandes corporações em avançar com os transgênicos. (…) Outro elemento importante é a questão da terra em geral. Há mais de 30 mil camponeses sem-terra com uma luta histórica pela reforma agrária. Essa era uma das principais promessas eleitorais de Lugo e, no entanto, avançou-se muito pouco pela fraqueza de Lugo em tocar os interesses dos setores mais poderosos, com uma política muito vacilante com relação a isso.

Portal Vermelho: Como essa questão influenciou na deposição de Lugo?
Marielle Palau: É muito importante no Paraguai a questão das terras “malhavidas” [adquiridas de forma irregular durante a ditadura de Alfredo Strossner]. (…) Essas terras teriam que ser destinadas à reforma agrária, mas foram entregues a apoiadores do regime stronista e, durante a década de 1990, a amigos do Partido Colorado. (…) Essas terras estão destinadas a grandes proprietários ligados fundamentalmente à questão da soja transgênica. O simples debate público do tema gerou insegurança nos grandes plantadores de soja. Então acreditamos que foi um ponto que esteve vinculado a este golpe, que se deu em quase 24 horas.

Portal Vermelho: Mas Lugo chegou a sinalizar que iria rever a questão das terras malhabidas?
Marielle Palau: Não. Simplesmente começaram a discutir a necessidade de recuperação [dessas áreas]. Lugo não havia tomado nenhuma ação neste sentido, mas a direita paraguaia é tão débil e os interesses das corporações são tão fortes que o simples debate deste tema gerou muita insegurança. (…) Além disso, há uma questão histórica das associações campesinas, setores progressistas de esquerda e setores não governamentais que há muito tempo pedem uma reforma agrária. Sem ela não há nenhuma possibilidade de desenvolvimento e saída para os problemas sociais no Paraguai.

Portal Vermelho: E como se dá a correlação de forças com os brasiguaios?
Marielle Palau: Brasiguaios é um tema extremamente complicado porque são eles que introduziram a soja transgênica no país. E são eles que se dedicam a isso, não são os pequenos campesinos, mas os grandes proprietários como o [brasileiro Tranquilo] Favero, que é o rei da soja aqui. Então os interesses dos brasiguaios, e inclusive do Brasil no Paraguai, com o tema da Soja é muito grande. Isso provavelmente também explica essa posição bastante dúbia da presidenta Dilma [Rousseff] neste conflito, muito diferente da [atitude de] Cristina Kirchner. (…) Os brasiguaios, tão logo se deu o golpe, pediram que Dilma aceitasse o novo governo, evidenciando a vinculação política e econômica dos brasiguaios com todo o modelo agroexportador e com a crítica, muito forte, a Lugo que tentava algumas mudanças mínimas com relação a isso.

Portal Vermelho: Em um artigo, você defende que o Paraguai poderá se tornar a Colômbia ao Sul do ponto de vista da influência estadunidense…
Marielle Palau: O Paraguai tem uma posição geopolítica muito importante na região por estar no centro do cone sul e isso sempre refletiu em um interesse dos EUA. A embaixada dos Estados Unidos teve uma presença muito importante durante o governo de Lugo, sobretudo em temas relacionados a questões de segurança. Inclusive conseguiu que Lugo destituísse [o ex-ministro da Defesa, Luis Bareiro] Spaini. Então há um poder da embaixada dos Estados Unidos que é muito importante. E este interesse está muito vinculado à questão da soja, do alumínio, do petróleo, do gás boliviano.

Esta localização geopolítica do Paraguai é importante também pela questão da IIRSA [Iniciativa Para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana]. O Paraguai está no centro de todo esse projeto (…). Então controlar o Paraguai também implica um forte controle do cone sul, sobretudo tendo em conta que, com a exceção do Chile há uma tendência progressista muito grande na região, por isso esse interesse tão grande dos Estados Unidos no Paraguai: o país sempre foi o elo mais fraco; o que teve uma das ditaduras mais terríveis e mais longas; tem uma burguesia com nenhuma consciência de defesa dos interesses nacionais e que tem uma esquerda incipiente, a mais débil entre os países sul-americanos.

Portaal Vermelho

Suprema Corte do Paraguai autoriza Lugo a disputar vaga para o Senado em 2013

O presidente do Supremo Tribunal do Paraguai (o equivalente ao Supremo Tribunal Federal no Brasil), Victor Nuñez, autorizou ontem (17) o ex-presidente do país Fernando Lugo a disputar uma vaga no Senado e concorrer nas eleições majoritárias de abril de 2013. No último dia 22, Lugo foi submetido a um processo de impeachment no Congresso do Paraguai, destituído do poder, e substituído pelo vice-presidente, Federico Franco.

O ex-presidente insiste que foi alvo de um golpe de Estado. Mas as autoridades paraguaias dizem que foi seguida a Constituição. Apesar da decisão da Suprema Corte do Paraguai, Lugo não pode ser senador vitalício. No país, os ex-presidentes se tornam senadores vitalícios. Porém, ele pode concorrer ao cargo de senador.

De acordo com Nuñez, ao aceitar o impeachment e abrir mão do poder, Lugo “se tornou um cidadão comum”. Ele lembrou ainda que a Constituição do Paraguai não determina restrições aos chefes de Estado que renunciam ao poder.

No último dia 1º, Lugo confirmou sua intenção de concorrer ao Senado, em abril de 2013. No Paraguai, o Congresso é formado pelo Senado, com 45 vagas, e pela  Câmara, com 80 assentos. No começo deste mês, ele disse ainda que não trabalhava com a hipótese de ser candidato a presidente da República.

A destituição de Lugo do poder levou o Mercosul e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) a suspender o Paraguai até as eleições do próximo ano. A medida faz com que as autoridades do país não participem de eventuais reuniões e decisões dos blocos. Para os líderes políticos da região, há dúvidas sobre a condução do processo de impeachment do então presidente.

*Com informações da emissora multiestatal de televisão, Telesur // Edição: Juliana Andrade

Agência Brasil