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O homem que fez as palavras falarem além da morte

Créditos da foto: Arquivo
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A tristeza é enorme, infinita, insuportável. A língua castelhana está de rigoroso luto. Morreu Juan Gelman, terça-feira (14), aos 83 anos, na cidade do México, onde residia há mais de vinte e cinco anos. Morreu o poeta que tinha a poesia tatuada nos ossos. Morreu o maior dos poetas argentinos, nosso Prêmio Cervantes, o homem que estendeu o elástico da linguagem e suas impossibilidades, convertendo verbos em substantivos e substantivos em verbos para arranhar a realidade que escorre entre as mãos. O poeta que se transformava para permanecer, refratário às normas, ao piloto automático ou ao funcionamento aluvial da “maquinita” expressiva, como preferia chamá-la.

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Morreu o homem que transformou as feridas em versos memoráveis – “a memória é uma caixinha que reviro sem solução” ou “o frio treme em portas do passado que voltam a bater” –; uma voz indomável, tão próxima e querida, à beira do sussurro, com essa cadência grave e profunda por onde flameavam sempre as chispas de uma ironia elegante e brincalhona.

Terceiro filho de uma família de imigrantes ucranianos, Gelman nasceu em Buenos Aires no dia 3 de maio de 1930. Não sobrava dinheiro nessa família, mas se poupava de centavo em centavo para ir ao Teatro Colon uma vez ao ano. Seu irmão maior, Boris, lhe recitava versos de Pushkin em russo. O levava a um canto afastado e Gelman, aos seus sete anos, caía rendido pelo ritmo e a música daquelas palavras que não entendia em absoluto. Aos nove anos decidiu escrever poemas a uma vizinha dois anos mais velha. A princípio lhe mandava versos de Almafuerte (poeta argentino – 1854/1917 – N. do T.), como se fossem próprios, mas a indiferença da menina o obrigou a dar um passo a mais.

A batalha não seria simples. Então tentou escrever ele mesmo; tampouco obteve resposta. Ela continuou no seu caminho; ele ficou com a poesia. E seus leitores do mundo, claro, agradecidos pela reticência da vizinha. Ainda não havia dado o estirão, quando o “guri taquinho”, como era conhecido nos campinhos de futebol da Villa Crespo pelo modo de levar a bola, publicou seu primeiro poema na revista Rojo y Negro. Tinha onze anos. Juan, menino precoce que aprendeu a ler aos três anos, cursou o ensino médio no Colégio Nacional de Buenos Aires. Começou a estudar a carreira de Química, mas, como contou mais de uma vez, lhe interessava “muito mais a poesia que a decomposição do átomo, os prótons e os nêutrons”.

Experimentou vários trabalhos, mas escolheu o ofício de jornalista para ganhar a vida. Longe de depreciar a profissão jornalística, Gelman a entendia como um gênero literário “que se escreve bem ou se escreve mal”.

Seu itinerário jornalístico arrancou em Orientación, semanário do Partido Comunista Argentino (PCA), continuou no jornal La Hora até que, em 1962, entrou na Xinhua, a agência chinesa de notícias. Na revista Confirmado, na qual ingressou em 1966, se encarregava da seção de livros. Depois se seguiram a seção internacional de Panorama e La Opinión (1971-1973), a revista Crisis (1973-1974) e a chefia de redação do jornal Noticias (1974). Com o regresso da democracia, se somou a Página/12, onde escreveu desde seu primeiro número (cobrindo o histórico julgamento do criminoso de guerra nazista Klaus Barbie) até a contracapa do último domingo.

Do ambiente da militância no PC, surgiu o grupo “El pan duro”, integrado por Gelman, José Luis Mangieri, Héctor Negro e Juana Bignozzi, todos muito jovens e, naquela época, poetas desconhecidos. Eram tempos difíceis para publicar e pior ainda quando se trata de poesia, “essa Cinderela da literatura, que apenas ocupa algum cantinho nos catálogos das grandes editoras”. Os membros do grupo decidiram autofinanciar suas próprias edições através de um método: vendiam bônus de dez pesos, que era o que podia custar um exemplar. Faziam recitais, festas populares em clubes como Vélez Sarsfield e, à medida que reuniam o dinheiro, escolhiam por votação a ordem dos livros para publicar.

Assim apareceu Violín y otras cuestiones, seu primeiro livro de poesia, publicado em 1956, prologado por Raúl González Tuñón, que destacou que, nessa seleção de poemas “palpita um lirismo rico e vivaz e um conteúdo social, mas social bem entendido, que não elude o luxo da fantasia”. Entre outras virtudes, Tuñón ponderava “a forma ágil, fresca, variada em tons e matizes”, de um poeta “nacional, portenho, muito nosso”, que “recém começa e já está maduro”. Essa surpreendente maturidade se expandiu em Gotán (1962), que significa tango ao contrário; em Cólera Buey (1965) e nos poemas de Sydney West (1969) com formas e ritmos que pescavam no ar as inflexões da fala portenha, além de traduções simuladas de poemas. Então já se vislumbrava o que logo seria uma certeza: que nenhum dos livros de Gelman se parecem entre si. Que cada livro novo postulava uma ruptura radical com o anterior. Como se fosse e não fosse, cada vez, o mesmo poeta.

Na década de 60 suas ideias se radicalizariam mais à esquerda e se distanciaria do PC, partido que depois o expulsou de suas filas. “Foi o momento da Revolução cubana e um grupo de nós sustentava que esse fato era uma linha divisória”, explicou. “Se falava de chegar ao socialismo pela via pacífica; nós vimos em Cuba outro tipo de possibilidades.” Em 1967 se incorporou às Forças Armadas Revolucionárias (FAR) e, quando FAR e Montoneros se fundiram em uma única organização, em 1975, Juan foi enviado ao exterior para denunciar publicamente a repressão e a violação da Triple A. Há golpes na vida, tão fortes… se poderia parafrasear César Vallejo, um de seus poetas preferidos.

Em 1976 sequestraram seus filhos Nora Eva e Marcelo Ariel, junto a sua nora María Claudia Iruretagoyena, que se encontrava grávida de sete meses. Seu filho e sua nora desapareceram, junto a sua neta nascida em cativeiro. A ruptura com os Montoneros chegou quando a condução dispôs “essa loucura da contraofensiva militar, que conduziu à morte a maioria das pessoas que participou nela”.

O poeta, nesta época já exilado, voltou clandestinamente ao país em 1978, com o objetivo de que um punhado de jornalistas pudesse ver o que estava acontecendo na Argentina, o terror da ditadura cívico-militar. Durante sete anos não escreveu nem publicou. Regressaria à atividade com Hechos e relaciones, texto onde emerge a dor em carne viva, do exílio e das mortes. Em 1989 o presidente Carlos Menem assinou o indulto. Juan objetou a medida através de uma nota publicada neste jornal: “Estão me trocando pelos sequestradores de meus filhos e de outros milhares de meninos que agora são meus filhos”, se queixou.

“Me encolho para não te encobrir mais com visões de teu abrigo longo. Uma piscada dura muito quando se afasta o ser de si em voos sem rumor. Livre ainda entre muros de cimento e cal vivo/lançado a que nunca fosses certeza”, se lê em um dos poemas recentes que dedicou a seu filho. No dia 7 de janeiro de 1990, a Equipe Argentina de Antropologia Forense identificou os restos de Marcelo, encontrados em um Rio de San Fernando, dentro de um tambor de graxa cheio de cimento. O haviam matado com um tiro na nuca.

Em 1998 descobriu que sua nora havia sido levada ao Uruguai e que havia sido mantida com vida ao menos até dar à luz a uma menina no Hospital Militar de Montevidéu. A partir desse momento lançou uma busca incansável para encontrar sua neta, apoiado por escritores, artistas e intelectuais. Em 2000, finalmente se reuniu com sua neta María Macarena Gelman García. “Marcelo Gelman, presente!” O filho do poeta, entre outras vítimas da ditadura militar, soou mais vivo que nunca nessa quinta-feira, 31 de março de 2011, quando o Tribunal Oral Federal 1 julgou os repressores do centro clandestino Automotores Orletti. Eduardo Cabanillas, o assassino de Marcelo, foi condenado a prisão perpétua. Juan dizia que não sentiu nada. Nem alegria, nem ódio. Nada. E se perguntou por que. A resposta está encadeada nos textos que integram Hoy, o último livro que publicou no ano passado.

O poema “VIII” é o primeiro dedicado a seu filho: “Quanto sangue custa/ ir de saber a contramão/ do esquecimento ao horror/ da injustiça à justiça? Há que tocar os altares ardentes/ evitar a vergonha/ a falta que preocupava Teognis/ interrupção do dia? O beijo do laço se converte no laço que o assassino ajusta. Desvio sem limite nem fundo nem virtude. A mesmice é um espelho partido em terceira pessoa e ouço tua mão desenhando um pássaro azul”.

Definir sua poesia como política – um mal-entendido generalizado – é reduzir e etiquetar a obra de um poeta que demonstrou, livro após livro, a insensatez de prendê-lo quando ele se dedicou, com uma obstinação poucas vezes vista, a desfazer e refazer os modos de colocar em jogo a língua. “Quando se fala de minha poesia como política, penso que o erro está em pensar que vivo conectado à realidade as 24 horas do dia. Nem tudo o que acontece no mundo me desperta a necessidade de escrever um poema. Como cidadão, tenho compromissos e responsabilidades que não têm que estar, necessariamente, na poesia. A ideologia de alguém forma parte de sua subjetividade, mas não é toda sua subjetividade – dizia o poeta em uma entrevista a Página/12 –. Não me afeta nem em um sentido nem em outro que digam que minha poesia é política. O que me importa é meu trabalho como poeta, não me preocupa o que digam os demais, têm todo o direito de opinar. Mas, francamente, o único que influi é a leitura da poesia e o trabalho de escrevê-la.”

Tudo o que se escreve, advertia Juan, é um longo fracasso na tentativa de conseguir pegar a poesia. “Se alguém insiste neste oficio ardente que é a poesia, é porque espera a aparição do milagre, mas, como dizia Dylan Thomas: o milagroso dos milagres é que às vezes eles acontecem.”

Juan agradecia os prêmios que foi recebendo nos últimos anos: o Prêmio Nacional de Poesia na Argentina (1997), o Prêmio Cervantes em 2007; os prêmios ibero-americanos de poesia Ramón López Velarde (2003), Pablo Neruda (2005) e o Rainha Sofía (2005); e o Prêmio de Literatura Latino-americana e do Caribe Juan Rulfo (2000), entre outros. Sem dúvidas eram um estímulo e reconhecimento.

“A poesia fala ao ser humano não como um ser feito, mas por fazer, lhe descobre espaços interiores que ignorava ter e que por isso não tinha – argumentou no discurso de recebimento do Rainha Sofía –. Vai à realidade e a devolve outra. Espera o milagre, mas sobretudo procura a matéria que o faz. Nomeia o que aesperava oculto no fundo dos tempos e é memória do não sucedido ainda. Só no desconhecido canta a poesia. Ela aceita a espessura da tragédia humana, mas não obedece o princípio de realidade, mas a ordem do desejo. Choca contra os limites da língua e vai além na tentativa de responder o chamado de um amor que não cessa. É um movimento em direção ao Outro, passa de seu mistério ao mistério de todos e lhes oferece rostos que duram a eternidade de um resplendor. Corrige a feiura, aliena o cálculo e dá abrigo em suas tendas de fogo. Se instala na língua como corpo e não a deixa dormir.”

Como não evocar as palavras que pronunciou quando recebeu o Cervantes, frente aos Reis da Espanha. “É algo verdadeiramente admirável, nestes tempos mesquinhos, tempos de penúria, como os qualificava Holderlin, perguntando-se: para que poetas? Que teria dito hoje, em um mundo no qual a cada três segundos e meio uma criança menor de cinco anos morre de doenças curáveis, de fome, de pobreza? Me pergunto quantos terão falecido desde que comecei a dizer estas palavras. Mas aí está a poesia: de pé, contra a morte”. O poeta repassou o significado que teve ler Santa Teresa e San Juan de la Cruz durante o exilio que o condenou a ditadura. “Sua leitura, desde outro lugar me reuniu com o que eu mesmo sentia, ou seja, a presença ausente do amado, Deus para eles, o país do qual fui expulso para mim. E quanta companhia de impossível me brindaram. Esse é um destino ‘que não é mais morrer muitas vezes’, comprovava Teresa de Avila. E eu morria muitas vezes e mais, com cada notícia de um amigo ou companheiro assassinado ou desaparecido que aumentava a perda do amado”, confessou o autor de uma obra descomunal composta por mais de trinta títulos na qual cabe destacar Citas e comentarios (1982), Interrupciones II (1986), Carta a mi madre (1989), Salarios del impío (1993), Dibaxu (1994), Incompletamente (1997), En el flaco perdón de Dios/Hijos de desaparecidos, junto a sua esposa Mara, A Madrid (1997), Valer a pena (2001), País que fue será (2004) e Mundar (2007), entre outros.

A língua de Juan foi a chama que aumentou a temperatura na noite de segunda-feira, nesse 26 de agosto, na Biblioteca Nacional, quando o poeta apresentou Hoy, 288 poemas em prosa que transitam o caminho do luto pela desaparição e assassinato de seu filho Marcelo, mas também dão conta do abismo insondável do mal no mundo. O poeta leu durante mais de meia hora. Não voava uma mosca na sala. Todos mudos frente a versos que grudam nos lábios da memória: “A terra pule ossos que o tempo rouba sem retorno”.

 

cartamaior

Sobrinho de José Maranhão chama Luciano Cartaxo de ‘homem sem palavras’

 

Faltando quatro dias para as eleições municipais em todo o país, cresce os acirramentos políticos, as trocas de farpas e ofensas entre os candidatos.

Em João Pessoa não é diferente. Nessa terça-feira (02), o deputado federal e coordenador da campanha do PMDB na capital, Benjamim Maranhão, durante entrevista a uma emissora de Rádio local, não poupou críticas ao candidato petista Luciano Cartaxo.

Em uma das suas falas, o coordenador peemedebista e sobrinho do ex-governador José Maranhão classificou Cartaxo de “homem sem palavras”.

“Luciano Cartaxo não tem ética e é um homem sem palavras. Enquanto deputado estadual, o candidato do PT, usou inúmeras vezes a tribuna da Assembleia, para ‘descer a lenha’ no prefeito Luciano Agra, o chamando de corrupto. Agora de forma oportunista, se aproxima do prefeito e esquece todo o seu discurso enquanto deputado. Homem sem palavras”, disparou.

Benjamim ainda frisou: “Nós não vamos aceitar que certos candidatos transvestidos de oposição fiquem enganando a população afirmando que ele é oposição. Oposição mesmo é só o PMDB”, pontuou.

Mas adiante na entrevista, Benjamim disse acreditar que o candidato do PMDB estará no 2º turno.

“Tenho plena convicção de que Maranhão estará no 2º turno. Temos pesquisas qualitativas que mostram isso e o que nos dá confiança é o sentimento da população. Não se admirem que José Maranhão for para o 2º turno em 1º lugar”, finalizou o coordenador da campanha do PMDB em João Pessoa, Benjamim Maranhão.

  Fábio Augusto / Paraíba Já

Focando a Notícia

Dom Delson dirige suas primeiras palavras ao povo da Diocese de Campina Grande

Aos Irmãos e irmãos da Diocese de Campina Grande,

Ao Reverendíssimo Pe. Márcio Henrique Mendes Fernandes (Administrador Diocesano) e aos membros do Colégio de Consultores,

A todos os presbíteros, diáconos, religiosos, religiosas, ministros, missionários e agentes de pastoral,

Às autoridades civis e militares,

A todo Povo de Deus de Campina Grande,

Caríssimos irmãos: Paz e Bem!

Quero saudar com paternal afeto aos irmãos presbíteros, diáconos, religiosos, religiosas, ministros, missionários, agentes de pastoral, membros de movimentos e pastorais, catequistas, funcionários da Diocese, paróquias e instituições da Igreja, evangelizadores, famílias cristãs, crianças, jovens, idosos, homens e mulheres de fé.

Saúdo com grande respeito às autoridades civis e militares, com sua responsabilidade de promover o bem da Sociedade,

Saúdo com todo carinho o Povo de Deus de Campina Grande e as pessoas de boa vontade.

O Santo Padre Bento XVI acaba de me nomear Bispo da Diocese de Campina Grande. A minha resposta ao Papa é sim, que significa minha adesão à vontade de Deus, manifestada na pessoa do Pontífice. Estou dizendo sim ao Papa e, através da sua pessoa, estou dizendo sim à Igreja de Jesus Cristo que está em Campina Grande.

O meu lema episcopal é: “Ide aos meus irmãos!” Estou indo aos irmãos e irmãs que estão nessa querida Diocese de Nossa Senhora da Conceição de Campina Grande. Levo no coração uma certeza: vou como irmão encontrar muitos irmãos e com vocês caminhar na fé, procurando viver o Evangelho de Jesus Cristo, como Igreja, nestes tempos tão desafiadores.

Ainda emocionado, tento expressar os primeiros sentimentos. Neste momento, paira sobre mim certa perplexidade. E julgo isso como sendo muito natural. Tenho dois olhares e sentimentos correspondentes: um olhar sobre Caicó e outro sobre Campina Grande. Olho para a Diocese de Caicó e o coração se aperta de saudades: deixar padres, diáconos, religiosos (as), pessoas próximas, colaboradores fieis e amigos; deixar este clima bom que a Igreja do Seridó vive; deixar trabalhos iniciados; partir para outras searas, depois de quase seis anos. Este sentimento humano é sempre vivido por todo missionário, que deixa tudo e vai em nome de Deus! Isso faz parte da missão do Bispo. Sei que tudo pertence a Deus e Ele cuida de todos. As sementes lançadas neste chão fértil de homens e mulheres de fé do Seridó potiguar vão fecundar e produzir muitos frutos. É o Senhor que vai providenciar os meios e pessoas para continuar sua obra. Acredito profundamente nisso. E isso me faz aceitar com paz e grande esperança a mudança que a Igreja me pede.

Também olho e contemplo com interesse todo particular a Diocese de Campina Grande e brotam no meu coração outros sentimentos: novas e grandes possibilidades de partilhar a vida e a missão; desejo de ir ao encontro dos irmãos e irmãs que Deus está me dando; alegria de acolher infinitas possibilidades de realização; construir amizades e agir como pastor que Deus envia para esta grande diocese. Com vocês, meus irmãos, vou fazer um caminho de fé e fraternidade. Sei que irei crescer com vocês, aprender muito e descobrir novos horizontes e possibilidades de concretizar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Agora, depois de expressar os primeiros sentimentos que me envolvem, penso nas minhas atitudes iniciais diante do mandato de ser bispo da Diocese de Campina Grande.

No início de uma nova missão as palavras mais importantes são: acolhimento, conhecimento, diálogo, caminhar juntos, na fé e no amor. Quero, movido pelo Espírito Santo, acolher a todos; conhecê-los como meus irmãos e irmãs; dialogar sobre os assuntos pertinentes à vida da Igreja; e a partir daí fortalecer os vínculos da fé, na força divina do amor.

Estou consciente da grandeza e importância da Diocese de Campina Grande no cenário da Igreja Católica e, em especial, da Igreja do Brasil. A responsabilidade do seu Bispo Diocesano é grande. Para corresponder à grandeza dessa missão e à confiança que o Papa depositou em mim, vou contar com o apoio do clero, ministros, agentes de pastoral, funcionários da diocese, membros das pastorais e movimentos, autoridades e instituições de promoção do bem comum. Vamos nos dar as mãos e trabalhar por uma Igreja viva, movida pelo Espírito Santo, no cumprimento da Palavra de Deus. São muitas as iniciativas da Igreja Diocesana de Campina Grande e vamos juntos trabalhar incrementando-as e nos empenhando em realizá-las. Na unidade, teremos forças para enfrentar os desafios que o Evangelho nos pede para os dias de hoje.

Nestes tempos complexos e de profundas mudanças, temos como Igreja muitas preocupações, entre elas: realizar uma “Nova Evangelização”. A Igreja nos pede um enfrentamento consciente e vigoroso diante dos novos desafios. Estamos inseridos num mundo em transformações, em processo de mudanças. A Igreja, depositária do dom mais precioso que Deus deu à humanidade, tem a missão de partilhá-lo com todos os homens e mulheres: a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo. É decisivo o modo como apresentamos o Evangelho neste tempo tão marcado pela cultura midiática.

O conteúdo é a mensagem cristã, mas ele pode não ser acolhido se não for bem apresentado, na forma e na linguagem que as pessoas possam receber com entusiasmo. No tempo da comunicação a forma tem grande peso e termina influenciando a recepção da mensagem divina. É por isso que falamos em nova evangelização. Novos tempos, novas culturas, novas visões de mundo e, por tanto, faz-se necessário um novo jeito de anunciar Jesus Cristo.

A Conferência Nacional da Igreja no Brasil (CNBB), na Assembléia de 2011, aprovou as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (2011-2015), indicando as cinco urgências: “Igreja em estado permanente de missão; Igreja: casa da iniciação à vida cristã; Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral; Igreja: comunidade de comunidades; Igreja a serviço da vida plena para todos”.

As dioceses já estão trabalhando nessa perspectiva de “reconhecer-se em estado permanente de missão” a fim de cumprir o mandato do Senhor de anunciar o Evangelho a todas as pessoas, centrando o foco da sua ação evangelizadora, na iniciação para a vida cristã, na animação bíblica, na vida comunitária e nos compromissos da defesa da vida plena para todos.

Está muito claro que toda ação da Igreja deve partir de Jesus Cristo como ficou expresso no objetivo geral das diretrizes: “Evangelizar, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo”. Com este fundamento, podemos articular um bonito projeto de vida eclesial, visando formar comunidades cristãs, centradas no Evangelho e no testemunho feliz dos que optam por Cristo.

Como religioso capuchinho, acompanha-me o espírito missionário, o sonho de construir fraternidade e de viver com simplicidade. Quero colocar-me a serviço da Diocese de Campina Grande com todo o meu ser, experiência de vida e conhecimentos adquiridos ao logo da minha existência. Tenho certeza de que é Deus que está me enviando a Campina Grande e que Ele me dará forças e inspiração para realizar o meu ministério episcopal.

Confio na generosidade dos padres, religiosos, religiosas, seminaristas e agentes de pastoral. Estes irmãos e irmãs formam um exército qualificado de operários a serviço da Igreja. Vou contar com a amizade e disponibilidade de cada um deles.

A Igreja diocesana é uma rede de comunidades paroquiais, movimentos, pastorais, comunidades novas e instituições. Sei que viver concretamente a fé numa comunidade é uma bênção única. Na comunidade nos identificamos como filhos e filhas de Deus e somos reconhecidos com tais. Estas comunidades serão acompanhadas com meu olhar de pastor.

As pessoas de boa vontade, independente da crença que possuem, encontrarão em minha pessoa acolhimento e as mãos estendidas para trabalhar em prol da vida e da dignidade do ser humano.

Irmãos, com estas breves palavras quero apenas apresentar-me, mostrando meus primeiros sentimentos com essa nomeação.

Com as bênçãos de Deus, a intercessão de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Diocese de Campina Grande, e a oração de todos, trabalharemos para edificar a obra de Deus, que é crer em Jesus Cristo e fazer a sua santa vontade.

Abraço fraternalmente todo o Povo de Campina Grande e peço ao Senhor, pela intercessão da Imaculada Conceição, que faça descer sobre todos as bênçãos de Deus todo poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Dom Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz, OFMCap.

Bispo nomeado para Campina Grande

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