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Jovem coloca a cabeça na porta para olhar tiroteio e acaba atingida por bala perdida

Policial .Uma jovem foi vítima de uma “bala perdida”, na madrugada deste sábado (24) em Santa Rita, região metropolitana de João Pessoa.

De acordo com a polícia, estava acontecendo uma festa no centro da cidade , quando, por volta de 01h30, começou um tiroteio.

Nesse momento, Fernanda Ribeiro, 19 anos, estava dentro de casa e resolveu abrir a porta para ver o que estava acontecendo.

No momento em que colocou a cabeça na porta ela acabou sendo atingida por tiro na cabeça.

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A jovem foi socorrida para o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena e de acordo com as informações o estado de saúde dela é  considerado grave.

Paulo Cosme / David Martins

Só de olhar, mulheres conseguem saber se homem trai, diz estudo

As mulheres conseguem dizer com relativa  precisão se um homem desconhecido é fiel apenas olhando na cara dele. Os homens, no entanto, parecem não ter a mesma capacidade quando observam as mulheres, de acordo com um estudo australiano divulgado nessa quarta-feira (5). Em artigo publicado na revista “Biology Letters”, os pesquisadores descobriram que as mulheres tendem a fazer esse julgamento com base na aparência de masculinidade que os homens têm.

“As avaliações das mulheres sobre a infidelidade mostraram correlações significativas com as medidas de infidelidade real”, escreveu o grupo, liderado por Gillian Rhodes, do Centro ARC de Excelência em Cognição e seus Transtornos, da University of Western Australia, em Perth.
“Homens com aparência mais masculina foram avaliados com uma probabilidade maior de serem infiéis e terem uma história sexual de mais infidelidade.”

A atração não foi um fator para as mulheres fazerem a associação. No estudo, foram mostradas a 34 homens e 34 mulheres fotografias coloridas de 189 faces adultas caucasianas e se pediu que fosse avaliada a fidelidade dessas pessoas.

Os pesquisadores compararam as respostas com as histórias sexuais contadas pelos próprios 189 indivíduos e descobriram que as participantes mulheres eram mais capazes de dizer quem havia sido fiel e quem não tinha.

“Fornecemos a primeira evidência de que os julgamentos de fidelidade, baseados apenas na aparência facial, têm um fundo de verdade”, escreveram no artigo. Os homens, por sua vez, pareciam não ter nenhuma pista. Eles tendiam a perceber as mulheres atraentes e femininas como infiéis, quando não havia evidência de que fossem, observaram os cientistas.

A fidelidade é considerada importante no contexto de relacionamento sexual e de escolha do parceiro, escreveram os cientistas no artigo. Os homens com parceiras infiéis tendem criar o filho de outro homem, enquanto as mulheres com parceiros infiéis correm o risco de perder parte ou mesmo todos os recursos dos pais para as concorrentes.

Reuters

Teóloga diz que apesar do olhar conservador eclesial, ninguém acabará com o amor à Igreja libertadora

“O que o Espírito diz às Igrejas?”. É com essa provocação que acontece nos próximos dias 30, 31 de agosto e 1º de setembro, o Simpósio Teológico sobre os 50 anos do Concílio Vaticano II e os 40 anos da Teologia da Libertação. O evento acontece na cidade de Fortaleza, capital do Ceará e traz uma discussão importante sobre dois marcos para as igrejas brasileiras e latino-americanas.

A Adital conversou com a teóloga Mercedes Budallés, que estará participando do evento com a palestra “Como ser igreja-fermento de emancipação humana dentro de uma igreja-massa de eventos midiáticos”.

“E ainda que seja muito conservador o olhar e agir eclesial atualmente, em certos setores da Igreja, ninguém poderá acabar com a teimosia dos pequenos, com o seu amor a essa Igreja libertadora que lhes dá reconhecimento e dignidade”, afirmou em entrevista.

Adital – São 50 anos do Concílio Vaticano II e 40 anos da Teologia da Libertação. Como a senhora vê a trajetória das Igrejas nos dias atuais tendo como referência esses dois marcos?

Mercedes Budallés – Fazer memória, re(cor)dar ou passar pelo coração, faz bem. Mais ainda, aos que somos de antes, de durante e de depois do Concílio. Por isso, especialmente este ano, agradecemos a Deus, o Pentecostes que o Vaticano II foi para a Igreja. O Concílio foi uma nova vinda do Espírito sobre a Igreja, um kairós, um tempo de salvação. Para minha geração foi uma época de grandes mudanças visíveis na Igreja. Os jovens entusiasmados, acolhíamos as mudanças, sem saber muito bem o que acontecia. De fato, estávamos presenciando a passagem de uma Igreja da cristandade, triunfalista, centrada na hierarquia, com todo o poder na sua mão e por isso, Igreja dominadora… à uma Igreja, mistério (LG 1), povo de Deus (LG II), servidora especialmente dos mais pobres, semelhante à Igreja das primeiras comunidades cristãs e aberta aos novos sinais dos tempos. (GS 4; 11; 44).

O Concílio abriu as janelas da Igreja “para que possamos olhar para fora, e para que as pessoas possam olhar para dentro” como afirmava Joao XXIII. Sim, aconteceu um novo Pentecostes!

Entretanto, agora, eu mesma com a experiência dos anos e como teóloga, reconheço que já não sou tão otimista com o convite de olhar ou tentar olhar para dentro da Igreja. Não avançamos muito em questões que o mundo moderno nos questiona. O Concílio trouxe grandes mudanças, porém, não tratou dos temas já candentes naquela época, como o celibato sacerdotal e a falta de ministros ordenados. Ignorou o papel da mulher na sociedade e na Igreja e a participação de leigos e leigas nas responsabilidades ministeriais. O poder e função da cúria romana ficaram intocáveis, o que deu lugar a retrocessos. Assim, por exemplo, o Sínodo dos Bispos de 1985, convocado por João Paulo II, defendeu a identidade do Vaticano II, porém substituiu vários conceitos importantes afirmados nos documentos conciliares tais como Igreja ‘povo de Deus’ da Lumen Gentium por uma Igreja apresentada como ‘corpo de Cristo’; a mudança da palavra ‘pluralismo’por ‘pluriformidade’. E ainda, certos sintomas como a repetida importância dada à ‘santidade’ na Igreja como se a Gaudium et Spes fosse humana demais.

Adital – Os Documentos do Concílio sinalizaram uma Igreja mais próxima dos pobres, dos excluídos, e foi visto com muito entusiasmo pelos setores, digamos, mais progressistas da Igreja. Este sentimento ainda permanece?

Mercedes Budallés – Já na abertura do Concílio Vaticano II, o dia 11 de Setembro de 1962, o Papa João XXIII afirmou publicamente que “a Igreja sente o dever de assumir sua responsabilidade diante das exigências e necessidades atuais dos povos…” E que “…diante dos países subdesenvolvidos, a Igreja se apresenta tal como é, e quer ser, a igreja de todos, mas, particularmente, a igreja dos pobres.”

O fato de que os grandes documentos do Concílio Vaticano II afirmaram que a Igreja é povo de Deus, na Constituição Dogmática Lumen Gentium e comprometida com a vida, na Constituição Pastoral Gaudium et spes,declaravam que o pobres, maioria do povo de Deus e sua vida sofrida, eram as opções fundamentais do novo momento da Igreja, ao igual que foram as opções de Jesus.

Afortunadamente para nós, na América Latina isso foi bem entendido e assumido. Em grande parte, graças a bispos como Dom Manuel Larrain, do Chile, e nosso querido dom Helder Camara, daqui do Brasil, que organizaram uma contínua formação dos bispos latinos com os melhores teólogos da época, o Vaticano II trouxe uma mudança grande.

Durante o Concílio Vaticano II houve um famoso grupo de bispos, provenientes de todos os continentes, que se encontrava, a cada sexta-feira, para refletir sobre a missão da Igreja junto aos pobres e a necessidade de a Igreja ser sinal do Cristo pobre. Ao final do Concílio, no dia 16 de novembro de 1965, quarenta bispos de várias partes do mundo reuniram-se numa catacumba em Roma e assinaram o Pacto das Catacumbas. Cada um assumia o compromisso de viver pobre, rejeitar as insígnias, símbolos e privilégios do poder e a colocar os prediletos de Deus no centro de seu ministério episcopal, explicitando assim a evangélica opção pelos pobres.

Na América latina, o Celam, com aprovação de Paulo VI, bem perto do fim do Concílio, em 1968, convocou a assembleia de Medellin que tirou do Concílio conclusões práticas como a opção preferencial pelos pobres e a legitimação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) como uma realidade onde os leigos e leigas, a maioria pobre, eram reconhecidas, sujeitos da sua fé. A grande mudança já estava acontecendo e ainda foi reafirmada na Conferência de Puebla e mais recentemente na V Conferência em Aparecida.

Este sentimento ainda permanece, porque na verdade foi a opção de Jesus: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisa aos sábios e doutores e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25).

Adital – Sua palestra no Simpósio Teológico abordará assuntos pertinentes. Afinal, como se (re) configura o jeito de ser e viver Igreja mais comprometida socialmente com as comunidades e seus problemas diante de um outro contexto que cada vez se firma mais, esse da “Igreja-massa”?

Mercedes Budallés – Pediram-me falar sobre as perspectivas que têm, hoje, as “minorias abrâmicas” no interior da Igreja Católica para exercerem sua função de “fermento na massa”.

Dom Helder Camara chamava de “minorias abraâmicas” aquelas minorias frágeis e impotentes, mesmo aparentemente estéreis. Pessoas que esperam, com uma visão cheia de otimismo e com firme compromisso, a construção de uma sociedade justa e fraterna, já que essa é sua profunda aspiração.

Entramos na questão fermento-massa. Eu sempre disse ter aprendido uma nova teologia na minha vida com os mais pobres. Por isso, sinto a obrigação de trazer memórias: Preparando o 9º Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) que aconteceu em São Luiz (MA), em 1997, com o tema: “CEBs, Vida e Esperança nas Massas”, fui convidada assessorar uma Assembleia de CEBs na Arquidiocese de Goiânia. De entrada perguntei aos participantes: Que é massa para vocês? Um pedreiro explicou com detalhe o que é uma boa massa para a construção, mistura de cimento, areia, água… Uma boleira falou da massa para fazer um bom bolo. Teve quem falou de organizar uma ‘pamonhada’, de como ralar o milho, como temperar a massa etc. Dona Francisca América, mulher corajosa e firme na caminhada das CEBs em Goiânia, até hoje, gritou: A massa é algo que não está pronto!

De fato, a massa é, e sempre será, algo que não está pronto. Por isso, eu estou mais preocupada com o fermento, com a pequena semente… Os frágeis, os pequenos, as minorias abraâmicas, aquelas da margem, são, segundo Evangelho, as primeiras no Reino!

Devemos nos inquietar com a massa, sim. Porém, se “pelos frutos os conhecereis” (Mt 7,16 ) prestemos atenção ao que a experiência nos diz: a maior parte das grandes concentrações e manifestações de fé de massa acontece graças aos meios de comunicação social que são os que sustentam o sistema vigente, um sistema econômico neoliberal focando o sucesso.

Os programas religiosos propagam direta ou indiretamente a teologia da prosperidade e geram igrejas massificadas, individualistas, cheias de emoções passageiras e sem nenhum compromisso com a transformação da sociedade. Em minha opinião, fomentar um cristianismo esclarecido e atuante diante dos grandes problemas que assolam a nossa sociedade, só pode se fazer desde baixo, desde as minorias, com os empobrecidos. A massa é algo que não está pronta. Cuidemos do fermento, dos pequenos. Como Jesus fez!

Adital – Que contribuições específicas podem dar os grupos de reflexão bíblica e de teologia feminista, no nosso contexto?

Mercedes Budallés – A Constituição DEI VERBUM foi o documento que respondeu a um dos objetivos do Concílio Vaticano II que era difundir a Palavra de Deus, em cumprimento ao desejo de Jesus que disse “…anunciai a Boa Notícia a toda criatura” (Mc 16,15).

Penso que a partir daqui deu-se uma verdadeira revolução na leitura e interpretação bíblica. O importante é a vida do povo de Deus! Não temos que procurar na Bíblia verdades científicas ou históricas, mas a verdade sobre Deus e sobre o sentido da vida e do mundo (DV 11). De acordo com a DEI VERBUM, a Palavra de Deus suscita a fé e convoca a comunidade. Foi a fé do povo de Deus que acolheu e guardou esta Palavra para indicar o caminho da nossa salvação. E foi Jesus quem enviou o Espírito para nos introduzir na plenitude desta verdade (DV 20).

É o que fizemos, especialmente na América Latina, lendo e interpretando a Bíblia em favor da vida, animando uma leitura em comunidade. Com isso, constatamos a importância das Comunidades Eclesiais de Base com seu jeito de ser Igreja e nelas a leitura popular da Bíblia, que especialmente o Centro de Estudos Bíblicos, o CEBI, realiza desde faz muitos anos somando com outros centros de aprofundamento bíblico numa ótica libertadora.

Como teóloga feminista, opto por aprofundar uma teologia de gênero, de classe, de etnia (de raça) e de geração. Uma leitura politica! Muito mais abrangente que a luta por recuperar o lugar das mulheres na Igreja. Trata-se de recuperar o sujeito humano na sociedade seja mulher, jovem, criança, idoso, e ainda o mais pobre, o negro…. já que dentro da Teologia da Libertação, fazemos uma opção por ‘outra teologia’, aquela que proclamava a Igreja do Vaticano II, como foi entendida na América Latina, a Igreja de Medellin, de Puebla e até a de Aparecida… Uma Igreja inclusiva onde todas as pessoas tenham seu espaço: Mulheres, homens, pobres, menos pobres, índios, negros e brancos. Crianças, jovens, adultos, idosos… Todas e todos com voz, participantes, dialogantes… A serviço do Reino de Deus!

Adital – Há esperança e fé num novo caminhar mesmo sob o olhar conservador eclesial?

Mercedes Budallés -Tive a graça de Deus de morar e trabalhar pastoralmente na Prelazia de São Felix do Araguaia (MT). Eu sei que outra Igreja é possível, porque já vivi nela! Com muitos limites e problemas. Mas, o compromisso evangélico, a pobreza real entre nós, agentes de pastoral, a vida de comunidade partilhada com os mais pobres, nos dava a liberdade de quem experimenta já o Reino de Deus aqui na terra.

E ainda que seja muito conservador o olhar e agir eclesial atualmente, em certos setores da Igreja, ninguém poderá acabar com a teimosia dos pequenos, com o seu amor a essa Igreja libertadora que lhes dá reconhecimento e dignidade.

Adital

Segundo estudos, desviar o olhar nem sempre é sinal de mentiras

Durante muito tempo, psicólogos acreditaram que desviar o olhar é sinal de mentira. Essa ideia era (e ainda é) aplicada em diversas situações, desde entrevistas de emprego até briga de casal. Mas após submeter 82 voluntários a experimentos, pesquisadores das universidades de Hertfordshire e de Edimburgo, ambas no Reino Unido, e da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, concluíram que não há evidências concretas que possam comprovar estatisticamente que uma pessoa desvia o olhar quando está mentindo. O estudo foi publicado na edição desta semana no periódico científico Plos One.

A relação entre os movimentos oculares e o discurso foi difundida pela programação neurolinguística (PNL), conjunto de técnicas psicológicas criadas na década de 1970 com o objetivo de “entender melhor como o ser humano, age, pensa e se comunica”, segundo seus divulgadores. Para a PNL, os movimentos oculares dizem o que a pessoa está pensando. Por exemplo, se o desvio do olhar é para o canto superior direito, significa a tentativa de visualizar algo imaginado. Se for para o canto superior esquerdo, é a busca de uma memória, ou seja, uma experiência já vivida.

Segundo os pesquisadores, embora a PNL não considere os pensamentos imaginados como sinônimos de mentira, essa ideia se generalizou e muitos praticantes de PNL usam esse conceito para detectar mentiras.

Verdade ou mentira

Para testar essa ideia, os pesquisadores realizaram três experimentos: analisaram a quantidade de olhares desviados, os ângulos de desvio e a duração desse olhar oblíquo (como a PNL não estipula o quanto dura um olhar mentiroso, eles analisaram olhares longos e curtos). A ideia inicial era justamente encontrar mentirosos olhando para os lados. Mas isso não aconteceu.

Os pesquisadores colocaram os voluntários em três situações diferentes para detectar variações estatísticas na detecção da mentira. Primeiro, selecionaram 32 pessoas e pediram para parte delas mentir em uma situação específica. As respostas foram gravadas e analisadas.

Depois, com outro grupo de 50 voluntários, “treinaram” parte deles em PNL, contando sobre os movimentos oculares e seus supostos significados. Depois, mostraram os vídeos do primeiro grupo e pediram para que eles apontassem quando um voluntário mentia ou não. O objetivo era saber se quem aplica a PNL acerta quando o outro mente. O índice de acertos foi irrisório.

Em um terceiro teste, os participantes de ambos os grupos assistiram a vídeos em que familiares procuravam por parentes desaparecidos. Em metade dos casos havia evidências de que a pessoa estava mentindo. O objetivo era saber como a PNL seria aplicada e como a mentira seria detectada. Novamente, o índice de acertos foi baixo.

Resultados

De acordo com os pesquisadores, esse é o primeiro trabalho a testar experimentalmente os conceitos da PNL e os três estudos não dão suporte à noção de padrões que relacionem o movimento dos olhos e a mentira. Segundo eles, o resultado negativo está de acordo com pesquisas anteriores que analisaram os movimentos faciais (incluindo detecção de movimento ocular) e se mostraram ineficientes pra detectar a mudança de comportamento.

O próximo passo, dizem os pesquisadores, será analisar por que esses conceitos – apesar de falhos – foram tão difundidos.

Revista Exame

Perseguição: jornalista paraguaia é demitida por olhar fotografia

Protestos em Assunção contra o golpe que destituiu Fernando Lugo em 22 de junho

Após o golpe de Estado que destituiu o presidente legitimamente eleito, Fernando Lugo, fui enviada pelo Portal Vermelho a Assunção para acompanhar o desenvolvimento da crise. Para viabilizar o projeto, entramos em contato com pessoas que lá pudessem me hospedar pelo período de uma semana. Muito gentilmente, a jornalista Fátima Rodríguez me abrigou em sua casa durante esse período e com ela pude acompanhar a angústia e as incertezas que o processo político em curso acarretava em sua vida.

Na quinta-feira (5) Fátima estava com dengue e, portanto, deveria permanecer em repouso, mas estava em casa aflita porque havia descoberto que seu nome estava na lista de pessoas que seriam despedidas da TV Pública. Embora funcionária concursada da Usina Binacional de Itaipu, ela trabalhava na TV e coordenava um projeto com camponeses e indígenas. Fez diversas ligações para tentar “livrar sua cabeça”, mas não conseguiu.

Nesta terça-feira (10) ela publicou uma carta em que denuncia o processo que culminou em sua demissão. A justificativa é, no mínimo, risível: ela e outros companheiros observavam uma foto em que estava escrito: “Federico golpista”. Vale atentar que não foi demitida porque estava com o cartaz, ou porque tirou a foto, mas porque a estava observando. Segue a íntegra da carta que publicou:

“Para que não andem perguntando, por meio de seus ‘colaboradores’ que filiação partidária tenho e tenham informação de ‘primeira mão’, quero contar publicamente a Judith María Vera[diretora interina da TV Pública], Martín Sanemann [ministro da Secretaria de Comunicação – Secom], e a Franklin Boccia [diretor paraguaio de Itaipu]: não tenho nenhuma filiação partidária.

Pensava que o Partido Liberal tinha lutadores contra a ditadura e pelos Direitos Humanos, mas hoje confirmo que estava equivocada e que hoje, esses que levam a bandeira de lutadores contra a ditadura, são os que repetem a mesma prática do Partido Colorado na época de Strossner.

Se trabalhar pelas políticas públicas pelo direito à comunicação para todos e todas, incluindo principalmente as comunidades indígenas e rurais, é ser socialista, então sou socialista. Se isso é ser bolivariano, sou bolivarina; se isso é ser de esquerda, sou de esquerda!

Talvez eu não tenha estudado nos Estados Unidos, nem na Europa, como seus filhos e filhas, senhores. Sou camponesa, meus pais não tiveram a mesma oportunidade que vocês – senhor Sanemann, senhora Judith, senhor Franklin – de me mandar estudar no exterior como fazem com seus filhos, mas fiz um mestrado na Argentina que paguei limpando pisos e cuidando de crianças, com muito orgulho!

Em 5 de abril de 2010 entrei em Itaipu como estagiária, sendo profissional e tendo mestrado. Entrei como estagiária após ter participado de um concurso de seleção em março de 2010 no qual fiz provas de redação e conhecimento sobre política energética nacional. Trabalhei quatro meses sem ganhar nada. Depois, após uma avaliação, pelo desempenho atingido, em 1º de novembro de 2010 fui promovida à categoria de aprendiz, nível em que estive até que fui promovida por meus méritos a funcionária plena em 20 de junho de 2011. Desde a minha entrada em Itaipu desempenhei meu trabalho profissional como jornalista na Área da Imprensa, na [secretaria de] Comunicação Social.

Em agosto de 2011, a Secretaria de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento solicitou meu comissionamento para colaborar com as políticas públicas com enfoque em Comunicação para o Desenvolvimento, tendo em conta minha expertise na área, já que desde então eu também exercia a atividade de professora na Universidad Nacional de Pilar no curso de Comunicação para o Desenvolvimento em sua sede em de Filadelfia, Chaco.

Em 4 de julho de 2012, após o golpe, o senhor Martín Sanemann, ministro do novo regime, me encontrou em ‘flagrante delito’ de estar observando uma fotografia de uma pessoa que tinha um cartaz onde se lia ‘Federico Golpista’. O senhor Sanemann disse, na ocasião, que era democrata e que chamaria para ‘conversar’ todos os que pensávamos que havia sido um golpe. Dois dias depois, em 6 de julho, me chamaram no Recursos Humanos para me dizer que “temos um documento para você assinar’. E nada da conversa.

Se isso não é uma perseguição ideológica e política, o que é? Se isso não é ditadura, o que é? Tenho a consciência tranquila e o compromisso por lutar por um Paraguai para todos e todas. Onde todos e todas tenhamos as garantias de nos expressar livremente. Viva o Paraguai democrático. Não à ditadura! Nunca mais”.

Fátima Rodríguez

Portal Vermelho