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Ramalho Leite – Dorgival oitentão

 

 

A primeira vez que o procurei foi para pedir um empréstimo.Ele era diretor do Banco do Estado e eu o conhecia da Faculdade de Direito onde começou como professor assistente de Mario Moacyr Porto. De longe, já o vira pela redação de A União concentrado numa maquina de escrever e o cigarro se ultimando à espera de que terminasse o texto. Lá embaixo,nas oficiais quentes e fedendo a chumbo derretido, eu cuidaria da revisão. No caso dele nem precisava. Mesmo na rapidez com que escrevia não se permitia deixar algum erro para ser corrigido. Tive o empréstimo e ganhei um amigo.

Nomeado prefeito de João Pessoa chamou o ex-aluno para um cargo no seu gabinete. Fui secretario até que deixei a função para me candidatar a deputado. Nessa primeira eleição tive dois grandes eleitores: meu pai e Dorgival, que completou minha votação com um reforço de Itaporanga sob a regência de Adailton Teódolo e Sinval Pinto.

Na prefeitura da Capital botou ordem na casa.Inaugurou a era da informática e fez o primeiro Plano Diretor da cidade. Construiu mais de cem salas de aulas, deu sede a secretarias municipais, manteve a cidade limpa e reconstruiu a Bica. Preparou a cidade  para o futuro. Quem veio depois dele, só precisou trabalhar da porta da prefeitura para a rua.

Seu trabalho no município despertou a atenção das autoridades que decidiam o destino da Nação e buscavam novas lideranças. Foi alçado à condição de vice-governador do Estado e depois, com a renuncia de Ivan Bichara, tornou-se seu sucessor até março de 1999.

No governo, concluiu e realizou novas obras. Não lembro se terminou mas queria chegar com o asfalto a Princesa Isabel  passando pela sua Taperoá.

Quando estava na prefeitura lembro de uma noticia publicada em O Norte: “Dorgival chega a idade do lobo”. Completara quarenta anos na chefia do executivo municipal.

Deixou os cargos públicos e instalou sua banca de advocacia. Escreveu livros e ganhou assento na Academia Paraibana de Letras e no Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba. Apaixonado pela historia, tornou-se especialista na investigação de ramos familiares da Paraíba e contador de fatos ainda não escritos sobre paraibanos que honraram a nossa terra, mas sem o merecido reconhecimento.

Para que não aconteça com Dorgival Terceiro Neto o que soe ocorrer com outros ilustres paraibanos que foram personagens dos seus escritos, apresso-me para lembrar que a 12 de setembro, este paraibano singular e ícone da nossa recente historia política e administrativa, estará alcançando a casa dos oitenta anos.

Fica para este jornal, a lembrança da necessária comemoração em homenagem ao seu único redator que chegou a Governador da Paraíba.

RAMALHO LEITE

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