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UEPB promove 4º Encontro Nordestino de Arborização Urbana com debate sobre biomas e ecossistemas

A quarta edição do Encontro Nordestino de Arborização Urbana (ENAU), promovido pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) em parceria com a com a Sociedade Brasileira de Arborização (SBAU) e a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), discutirá entre os dias 15 e 18 de outubro assuntos relacionados ao tema “Biomas e Ecossistemas: fundamentos à sustentabilidade do paisagismo e arborização urbana”. As atividades serão realizadas na Faculdade Maurício de Nassau, no Bairro dos Estados, em João Pessoa, com participação dos principais nomes da arboricultura do Brasil, Argentina e México.

As inscrições estão abertas e podem ser realizadas até o dia do evento, através do endereço www.enaujampa.com. Serão realizadas, ao longo dos três dias, atividades como minicursos, palestras, mesas redondas, painéis, além de visitas técnicas e um workshop. Segundo Arnaldo Bezerra, coordenador do Programa de Arborização Urbana da UEPB e vice-presidente do 4º ENAU, o evento tem como objetivo ampliar as discussões e sensibilizar a população para a conservação e ampliação das áreas verdes urbanas, ampliando o alcance das políticas públicas voltadas às questões de arborização.

“Nosso encontro propõe, além de discutir todas essas questões, focar na melhora da qualidade de vida das pessoas e também das cidades. Precisamos promover a arborização para que a saúde das pessoas melhore, a sensação térmica seja controlada e as cidades também ganhem com todas essas ações. Esse debate é importante, porque vamos dimensionar desde o que é tratado na legislação até as ações de arborização que são desenvolvidas nos municípios brasileiros e de outras grandes cidades do mundo”, destacou Arnaldo.

A abertura do evento será às 8h do dia 15 de outubro, com o workshop de escalada em árvores, que será realizado no Parque Solón de Lucena, no Centro de João Pessoa. Já a partir do dia 16 começam as visitas técnicas nos parques e praças da cidade, além dos minicursos e palestras nas dependências da Faculdade Maurício de Nassau. Dentro da programação ainda constam apresentações culturais e a preparação de uma carta direcionada à cidade de João Pessoa.

Para atingir seu objetivo, a organização do 4º ENAU quer ainda ampliar o debate sobre a educação ambiental, criando uma nova consciência nas pessoas. “Precisamos atingir cada vez mais um público maior para que as pessoas passem a entender a necessidade de produzir novos conhecimentos sobre a arborização urbana, o paisagismo das cidades, a sustentabilidade e a melhora na qualidade de vida e ambiental das populações e dos municípios”, acrescentou Arnaldo Bezerra.

 

Texto: Givaldo Cavalcanti

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Paraibano homenageia ‘nordestino’, lembra problema da seca e critica decisão do STF sobre proibição de vaquejadas

raimundo-liraEm pronunciamento na tribuna do Senado Federal, o senador Raimundo Lira (PMDB-PB) prestou homenagem ao Dia do Nordestino, transcorrido no último dia 08 de Outubro. Ele disse que tem um “orgulho imenso” de ser nordestino e que, mesmo com as dificuldades climáticas e a crise hídrica, o Nordestino é “forte e bravo”.

O senador lembrou das causas que tornam difícil a vida do nordestino e disse que os seis anos ininterruptos de seca dizimaram cerca de 70% do rebanho de gado, o que diminuiu a “poupança” de milhões de nordestinos que investiram na criação de animais.

Ele disse que a seca, associada à crise econômica, aumentou ainda mais o sofrimento, a angústia e o desespero dos nordestinos; e lamentou também os baixos investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Nordeste.

Lira apontou o atraso de quase cinco anos na conclusão das obras de transposição, lembrando que a obra poderia não ser tão emergencial, caso não houvesse o sucateamento do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS), órgão do governo responsável pela construção e manutenção de barragens e açudes na região.

— Hoje o que mata a sede do nordestino são essas barragens feitas a partir de 1942, no Nordeste brasileiro, pelo DNOCS. Essas barragens estão salvando a população dessa grande crise hídrica. E todas essas barragens estão danificadas, estão estragadas, porque, em função do sucateamento do DNOCS, elas não foram mantidas, não foi dada a elas a manutenção necessária – destacou Raimundo Lira.

Vaquejadas – Lira também comentou decisão do Supremo Tribunal Federal – STF que, por seis votos a cinco, optou pela inconstitucionalidade de uma lei cearense que regulamenta a vaquejada, atividade cultural que se manifesta há mais de cem anos no Nordeste, gerando cerca de 600 mil empregos em toda a região, segundo Lira.

Ele lembrou que a decisão pode embasar ações para proibir a atividade no restante do país, o que geraria ainda mais desemprego. Para Lira, se o STF considera a vaquejada cruel com os animais, o que falar da criação de frangos em cativeiro, atividade que não leva em conta o bem-estar das aves, disse ele, explicando os maus tratos com os pintos.

“Eu estou falando nos 600 mil empregos que vão ser fechados no Nordeste, depois de tanta crise, tanto sofrimento, tanta angústia e tanta desvalorização de patrimônio. É mais uma dificuldade para o Nordeste brasileiro. Essa decisão, tomada pelo STF por 6 votos a 5 mostra que não houve consenso”, destacou Raimundo Lira.

Assessoria

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Doutorando da USP é vítima de injúria por ser nordestino: “Seu paraíba pobre burro, ignorante comedor de areia!”

professorO leitor é testemunha de que nas poucas vezes em que esse espaço foi usado para externar questões de fundo pessoal, excepcionalmente se reportaram ao nascimento de meus filhos. Ponto. Entretanto, nesta quarta-feira, uma nova exceção justifica a incursão na medida em que o fato a ser tornado público tem ressonâncias que extrapolam o campo estritamente pessoal. Adquire, por isso mesmo, caráter coletivo, de interesse público. O fato: fui surpreendido no último sábado com as mais estúpidas e gratuitas agressões no bate-papo do Facebook, reproduzidas abaixo, com identificação do autor (certamente fake), com o qual não tenho qualquer vínculo ou conhecimento:
Gabriel Paulo

Início da conversa no bate-papo

Sábado 11:05

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Seu paraiba pobre burro fudido! Nunca será. Miseravel ignorante comedor de areia! Petista imbecil! Vai aprender a ler filho da p… antes de sair procriando q nem rato!

Volta pra tua terra miseravel!!!

Nordestino filho da p…! Aposto q vive de migalha do governo. Babão comedor de areia. Nunca será! Zé povinho!

Gentalha como vc tem que ser exterminada pra nao procriar mais!
​         Esse tipo abjeto de manifestação é reflexo do tom beligerante que invadiu as redes sociais (especialmente os microblogs) nos últimos meses. Foi algo estimulado por sociólogos, jornalistas e até um ex-presidente após as últimas eleições presidenciais, responsabilizando os nordestinos “burros” e “analfabetos”, segundo eles, pela derrota do candidato tucano.  Para essas pessoas, a campanha ainda não acabou. Atropelam, com isso, noções de civilidade e espírito democrático, itens que deveriam nortear a política.

 

Quanto ao “cidadão” em questão, espero contar com apoio do Ministério Público Federal no sentido de identificar a real identidade do autor das manifestações de preconceito e ódio, além do crime de injúria racial contra nordestinos configurado e que não deveria ficar impune.

 

polemicaparaiba

Uma história comovente, do menino nordestino da casa de taipa que virou doutor

historiaBomba na net uma matéria espetacular sobre o morador da comunidade de Luzeiro, a 215km de Natal, que saiu da casinha de taipa onde morava para cursar Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Veja na reportagem feita com o jovem nordestino que mesmo sendo pobre nunca abandonou seus objetivos.O jovem daquela casinha de taipa através de seus esforços estar sendo considerado um bom exemplo para que outros jovens se espelhe nele.Confira agora a história do menino da casa de taipa,que abandonou a roça e virou doutor Bomba na net uma matéria espetacular sobre o morador da comunidade de Luzeiro, a 215km de Natal, que saiu da casinha de taipa onde morava para cursar Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

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Veja na reportagem feita com o jovem nordestino que mesmo sendo pobre nunca abandonou seus objetivos.O jovem daquela casinha de taipa através de seus esforços estar sendo considerado um bom exemplo para que outros jovens se espelhe nele.Confira agora a história do menino da casa de taipa,que abandonou a roça e virou doutor   

 

portaldojulioag1

Semiárido nordestino recebe recursos para criação e recuperação de poços profundos

Municípios do seminário nordestino, afetados pela estiagem, receberão investimento para a criação de poços estratégicos que abastecerão a população com água. A ação será realizada pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) e é coordenada pelo Ministério da Integração e faz parte do plano do governo para ampliar a oferta de água para o consumo humano em regiões do Nordeste atingidas pela seca.

Divulgação / Ministério da Integração Os recursos para compra de equipamentos de perfuração de poços são destinados a melhorar a oferta de água para a população

  • Os recursos para compra de equipamentos de perfuração de poços são destinados a melhorar a oferta de água para a população

O Ministério da Integração Nacional (MI), destinou neste ano cerca de R$ 200 milhões, para recuperação, perfuração e instalação de 2.621 poços. Esse valor será distribuído da seguinte forma: R$ 63 milhões para os estados e R$ 137 milhões para órgãos federais, como por exemplo, o Dnocs que destinou os recursos para a criação dos poços profundos.

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A meta do órgão é instalar 800 poços, no semiárido nordestino, além de perfurar e instalar outros 600. Cada poço beneficia, em média, cerca de 30 mil pessoas.

 

Valor do manejo correto de águas pluviais

 

A importância de um serviço adequado de drenagem e manejo de águas pluviais torna-se de grande valor para a população das cidades na medida em que se acumulam os efeitos negativos das chuvas, tais como alagamentos, inundações, deslizamentos e perda de rios e lagos. A lavagem de superfícies urbanizadas acarreta aumento de carga de poluentes em rios e lagos, além de facilitar a veiculação de doenças como leptospirose e dengue, entre outras. A cobertura do solo também provoca erosão, reduzindo sua qualidade, tornando-os mais pobres e até mesmo impróprios para a agricultura.

 

Água para Todos

O Programa Água para Todos é destinado a promover a universalização do acesso à água para consumo humano em áreas rurais do semiárido, visando o pleno desenvolvimento humano e à segurança alimentar e nutricional de famílias em situação de vulnerabilidade social. Além disso, o programa levará também água para a produção agrícola e alimentar.

 

Fonte:

Dnocs

BNB lança Edital para construção de 30 mil cisternas no semiárido nordestino

 

O Banco do Nordeste, por meio de Contrato de Prestação de Serviços celebrado com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), lançou nessa terça (6) Edital de seleção pública de entidades privadas sem fins lucrativos interessadas na construção de 28.483 cisternas de placas de 16 mil litros para armazenamento de água e de 1.650 tecnologias sociais de acesso à água para a produção de alimentos (2ª água), voltadas à população de baixa renda, no âmbito do Programa Cisternas.

As ONG’s selecionadas através do Edital serão responsáveis pela seleção, cadastramento, capacitação das famílias e pedreiros e construção das cisternas. O Banco do Nordeste, por sua vez, atuará como mandatário do MDS, ficando responsável pelo acompanhamento do Programa.

No Estado da Paraíba serão beneficiados os municípios de Junco do Seridó, Salgadinho, São Mamede, Baraúna, Damião, Casserengue, Santana dos Garrotes, Tavares, Nova Olinda, Pedra Branca, Santa Inês, Manaíra, São José de Caiana e Serra Grande, envolvendo um total de 4.888 cisternas de água para consumo humano e 300 para produção de alimentos.

O Programa Cisternas integra o Programa Água para Todos e o Programa Fome Zero, do Governo Federal, tendo por objetivo principal garantir o acesso à água potável para famílias de baixa renda de forma universalizada, haja vista a carência desse recurso hídrico no semiárido nordestino, fortalecendo a participação da sociedade civil nas ações políticas de desenvolvimento local e de segurança alimentar e nutricional.
Para acessar o Edital na íntegra, acesse: www.bnb.gov.br (Acesso à Informação/Licitações e Contratos/Licitações Publicadas).

Assinatura do contrato

O Banco do Nordeste e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) assinaram na  segunda-feira, 5 de novembro, o Contrato de Prestação de Serviços que prevê a construção de 30.133 cisternas para armazenamento de água, em 37 municípios dos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais e Paraíba.

A solenidade aconteceu em Brasília e contou  com as presenças do presidente do Banco do Nordeste, Ary Joel Lanzarin e do diretor de Gestão do Desenvolvimento, Stélio Gama, além da ministra Tereza Campello e outros representantes do MDS.


Ascom para o Focando a Notícia

João Pessoa recebe Encontro Nordestino de Mulheres de Terreiros

 

No Brasil, as religiões de origem africana, especialmente o candomblé, foram dominadas pelas mulheres. Comumente chamadas de “mães de santo”, as yalorixás, também são consideradas nos ambientes dos terreiros como zeladoras ou cuidadoras dos orixás, inkices, vodunces e outras entidades e guias espirituais. Parte dessas sacerdotisas que atuam no Nordeste brasileiro estarão em João Pessoa, participando de um encontro, entre os dias 10 e 12.

            A abertura do evento vai ocorrer na noite desta sexta-feira, 10, na Fundação José Américo, na praia do Cabo Branco, a partir das 19 horas. No dia seguinte estão previstas “salas de conversas” e plenárias.

            Segundo a Yá Dagã Dulce de Oyá, uma das organizadoras do evento, a intenção é promover o intercâmbio religioso entre as mulheres do candomblé, umbanda e da jurema sagrada na região.

            No sábado, 11, uma das discussões vai girar em torno do tema “Direitos humanos no resgate à ancestralidade”. As mulheres de terreiros paraibanas e do Nordeste devem discutir no evento ainda questões sobre ética religiosa, auto-afirmação religiosas e sustentabilidade.

            O evento recebeu o apoio do Governo do Estado, através das secretarias de Saúde, do Desenvolvimento Humano, da Mulher e da Educação. A Prefeitura de João Pessoa, através da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, também está apoiando. Assim como a Prefeitura Municipal de Santa Rita. Outros apoiadores são a Fundação José Américo e o Centro de Valorização e tradição Afrobrasileira (CVTAB) – Ilê de Oxossi.
SERVIÇO
III  ENCONTRO PARAIBANO DE MULHERES DE TERREIROS
II  ENCONTRO NORDESTINO DE MULHERES DE TERREIROS
LOCAL: Casa de José Américo de Almeida – Cabo Branco
DATA: 10 a 12 de agosto
Abertura, dia 10, a partir das 19 horas aberta ao público.

Assessoria de Imprensa para o Focando a Notícia

I Seminário Nordestino de Educação Popular e Economia Solidária para educadores/as será realizado em Recife

O objetivo do seminário é estabelecer uma relação entre os coletivos estaduais organizados em torno da Rede de Educadores em Economia Solidária que buscam construir autonomia e, através dessa construção e de experiências, fortalecer, evidenciar e sistematizar as aprendizagens.

Durante os três dias serão apresentados debates, rodas de diálogos, sessões de socialização e carrosséis pedagógicos sobre as práticas e fundamentos da Economia Solidária, com a presença de autoridades, convidados e profissionais da área.

Além disso, haverá uma programação artístico-cultural e de lazer durante a noite, com Tendas de Trocas e Tenda Cultural, com feira e exposição de produtos e serviços da economia solidária e festa de confraternização.

As inscrições para os grupos e pessoas interessadas em participar devem ser feitas até o dia 10 de julho pelo endereço eletrônico: seminarioeducaecosol@gmail.com. Ao enviar o e-mail, colocar no campo “assunto” o nome do carrossel pedagógico para qual o texto e a apresentação se inscrevem.

Devem ser encaminhados textos sobre um dos cinco temas dos carrosséis pedagógicos: Fundamentos da Educação em Economia Solidária, Sistematização de experiências e construção do conhecimento, Prática Pedagógica de Educação em Economia Solidária, A expressão artística e cultural na educação em economia solidária e Organização dos educadores em economia solidária.

O evento é realizado pelo Centro de Formação em Economia Solidária do Nordeste (CFES-NE), projeto apoiado pelo Ministério do Trabalho, através da Secretaria Nacional de Economia Solidária.

Serviço:

Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE

Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n, Dois Irmãos

CEP: 52171-900 – Recife/PE

Maiores informações:

Regulamento para a participação do Seminário Nordestino de Educação Popular e Economia Solidária

Adital

Censo destaca grande número de nordestino que estão voltando para seus estados

Wilane Oliveira saiu do Ceará para a Irlanda em 2007 para estudar. Lá, conheceu um português e se casou. Depois do período de intercâmbio, conseguiu arranjar um bom emprego na mesma área, no setor hoteleiro:

– A Irlanda era um país produtivo, com muitas oportunidades.

Com a crise econômica europeia, no entanto, as coisas começaram a mudar, ao mesmo tempo em que as notícias do Brasil, e particularmente do Ceará, ficavam mais animadoras.

– Eu e meu marido ficamos desempregados. As coisas foram ficando difíceis e a gente acabou vendo todos os nossos sonhos desaparecerem. Enquanto isso, o Brasil se transformou, está crescendo, e ainda vem a Copa do Mundo – conta.

Como Wilane, muitos brasileiros tomaram o mesmo rumo de volta para casa. E o estado que mais recebeu nativos de volta é o Ceará, segundo o Censo 2010, divulgados há duas semanas pelo IBGE. A pesquisa mostra que 47% dos que migraram para o estado eram, na verdade, cearenses voltando. Foram mais de 57 mil pessoas entre 2005 e 2010.

Na volta, Wilane trouxe o marido e os dois filhos. Hoje, o casal tem uma empresa de quentinhas na periferia de Fortaleza:

– E ainda estamos perto da família, do aconchego do lar.

O sociólogo Elcio Batista, da Universidade Federal do Ceará, explica que vários fatores contribuem para que o cearense retorne para seu lugar de origem:

– A economia do estado vive um ciclo virtuoso. O Ceará apresenta a maior taxa de crescimento do Nordeste. Há investimentos públicos e privados em educação, universidades. Escolas técnicas estão sendo construídas. Na saúde, temos a construção dos hospitais regionais.

Para Batista, ao mesmo tempo em que é uma boa notícia, a imigração de retorno também traz preocupações.

– A primeira é o forte impacto na prestação de serviços públicos para essa nova demanda populacional – diz. – Tem de haver planejamento e investimento em políticas para esse grupo.

O também microempresário Marcos Aurélio Almeida, de Senador Pompeu, no sertão cearense, tem uma relação de amor e ódio com São Paulo. Foi três vezes à maior metrópole da América do Sul. Na primeira, em 1988, trabalhou como caixa de padaria. “Queria juntar dinheiro e voltar logo”. Em dois meses, não conseguiu fazer economia, mas foi embora do mesmo jeito.

– O clima de lá não me agradou e não gostei da minha moradia – explica.

Em 1991, retornou para a “terra da garoa”. Passou cinco anos, guardou algum dinheiro e voltou para Senador Pompeu. Mas a empresa que ele abriu não deu certo. Foi para São Paulo pela terceira vez. Passou 12 anos trabalhando como gerente de padaria. Já tinha levado a mulher e formado família. Mas, quando já estava acostumado com a “nova moradia”, viu-se forçado a voltar:

– Fui assaltado duas vezes seguidas. A violência lá (em SP) é grande demais.

O sociólogo Elcio Batista aponta justamente o fato de a violência ser ainda menor no estado, assim como o trânsito, é também um dos fatores a atrair de volta cearenses:

– O trânsito das cidades cearenses é ainda bem menos intenso do que nas grandes metrópoles. E a violência é menor. Se o objetivo era conseguir uma vida melhor fora daqui, esses fatores estão fazendo as pessoas acreditarem no contrário.

Marcos Aurélio foi um desses a acreditar e, hoje, é dono de uma das maiores pizzarias do sertão do Ceará. Tem dez funcionários. O negócio é um sucesso.

– Não sei como passei tanto tempo longe do meu Ceará. É meu lugar. Estou perto dos meus amigos e nunca mais quero sair – diz. – O próximo passo é abrir outro estabelecimento.

A família da socióloga Paula Tesser resolveu passar um período na França, em 1994. Eles voltaram. Ela ficou. Fez mestrado e começou o doutorado. Casou-se e, depois do nascimento da filha, repensou a moradia.

– Senti muita falta de me relacionar com a família. O ritmo de vida parisiense é muito intenso – afirma Paula.

Depois de se tornar doutora, resolveu voltar para Fortaleza.

– Vários colegas meus estavam desempregados na França. E, em Fortaleza, o cenário era propício para mim. Várias faculdades particulares surgiam e eram uma ótima oportunidade de trabalho.

Hoje, ela leciona e estuda para concursos.

– Temos um nível de vida melhor e com mais qualidade porque estamos perto da família – conta, dizendo que nas horas vagas se dedica à música. – Na França eu também cantava, e a efervescência cultural de Fortaleza contribui para que eu continue fazendo o que gosto.

Fonte: O Globo
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