Arquivo da tag: negra

Autora paraibana lança livro de crônicas na Câmara dos Deputados, convidada pela comissão representante do Dia da Consciência Negra

Em seu livro de estreia, Waleska Barbosa, 43, autora paraibana radicada em Brasília há 19 anos, faz um convite já no título: Que o nosso olhar não se acostume às ausências.

A obra será lançada nesta quarta-feira, (11/12), às 16h, no Espaço do Servidor da Câmara dos Deputados, em Brasília/DF, a convite da Comissão Representante do Dia da Consciência Negra, coordenada pelo deputado Damião Feliciano (PDT-PB).

“É uma proposta para que maiorias ou grupos fora dos padrões normativos, que terminam tomados como minorias, sejam enxergados em seu direito de existir e na sua diversidade. Muitos dos textos têm esse tema”, explica.

O livro teve pré-lançamento no início de outubro, em Brasília, pouco antes da participação da autora na Feira de Livro de Frankfurt, onde fez parte da programação, a convite do projeto Sara e Sua Turma com o apoio institucional da Secretaria de Cultura do DF, da Fundação Cultural Palmares e Câmara Brasileira do Livro.

Na Feira de Livro, ela falou no International Stage ao lado de escritores brasileiros sobre o tema A Literatura que vem da periferia. Em novembro, lançou a obra na Feira Literária de Campina Grande, sua cidade natal, onde também ministrou uma oficina de escrita.

Fruto de edição independente, a obra foi viabilizada por uma campanha de pré-venda conduzida pela autora, que bancou a tiragem de 200 exemplares. As demais etapas foram presentes de amigos: o projeto gráfico é do Coletivo 105 e a ilustração da capa, do artista plástico Sérgio Abajur, paraibano que há onze anos mora na Alemanha, realizando trabalhos para o teatro.

Com 234 páginas, ‘Que o nosso olhar’ tem apresentação da escritora Leila de Souza Teixeira, a quem Waleska conheceu em São Paulo, em cursos de literatura promovidos pelo Sesc, e prefácio de Laura Castro, escritora baiana, editora de livros artesanais e professora universitária.

Nos 74 textos – crônicas e prosas poéticas – selecionados no acervo do blog  www.umpordiaw.com.br, ela (se) expõe sobre questões como violência, amor, desamor, maternidade solo, genocídio do povo negro, racismo, feminicídio. Expõe aspectos que permeiam a vida de mulheres da segunda idade, como se define, e questiona padrões e jugos.

Como cronista nata, Waleska também capta momentos pueris, do dia a dia, com uma forma poética e muito peculiar de se colocar diante dos fatos, expressa pelo ritmo de sua escrita e pela maneira de pontuar as frases. Também consegue ser dura e contundente ao apontar o que chama de ‘involução’ do ser humano.

Falando por si ou (re)contando histórias, ela descobriu que escrever era um caminho para o fim do silenciamento e da (auto)censura impostos a ela e, historicamente às mulheres, entre elas, às mulheres negras. A prática da escrita fez com que percebesse que sua forma de interagir com o mundo estava mudando e que conseguia, finalmente, falar com a boca.

O fio condutor da obra parte da identidade da autora como mulher negra, entendida e/ou reforçada, em função da escrita diária no blog. “O livro tem gênero. É feminino. É feminista. É mulher”, diz a orelha.

 

Serviço:

Lançamento do Livro “Que o nosso olhar não se acostume às ausências”

Dia: 11/12/2019

Hora: 16h

Onde: Espaço do Servidor – Anexo II – Câmara dos Deputados

 

Contatos: Waleska Barbosa (61) 9-9948.1398 www.umpordiawb.com.br barbosawal@gmail.com   @carnawaleska

 

 

 

Menino pode ter morrido em ritual de magia negra, diz polícia

Morte-de-MeninoA Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia Municipal de Sumé, a 267 quilômetros de João Pessoa, está investigando o caso de um menino de cinco anos que foi encontrado morto na manhã desta terça-feira, (13), apresentando lesões na cabeça e com o corpo aberto do pescoço até a altura da virilha. Segundo o delegado João Joaldo Ferreira, titular da Delegacia Seccional de Monteiro, região que responde pela área onde ocorreu o fato, a criança também teve o órgão genital extraído.

“A Polícia já tem quatro suspeitos de terem participado do crime e uma força-tarefa está sendo realizada pelas Polícias Civil e Militar para chegar aos envolvidos. Tudo indica que o caso tenha a ver com rituais de magia negra. O inquérito policial já foi instaurado e estamos ouvindo pessoas ligadas à família, além de moradores da região. Também estamos aguardando o resultado da perícia para chegarmos a uma conclusão sobre o caso”, disse o delegado João Joaldo Ferreira.

ACOMPANHE O FOCANDO A NOTÍCIA NAS REDES SOCIAIS:

FACEBOOK                TWITTER                    INSTAGRAM

O garoto estava desaparecido desde o último domingo (11) e na manhã desta terça-feira (13), foi encontrado pelo padrasto conhecido como ‘Daniel’, em um matagal próximo à cidade de Sumé, no Cariri paraibano. De acordo com a versão do padrasto, ele saiu logo cedo para procurar o garoto e, ao perguntar a uma pessoa conhecida, foi informado que uma criança teria sido encontrada no matagal. Ao chegar ao local, se deparou com o enteado morto em uma vala e com o corpo totalmente aberto.

MaisPB

PADRE BOSCO – População negra na Paraíba

padre boscoDia 03 de julho de 2015, aconteceu uma Audiência Publica em João Pessoa, na FECOMÉRCIO, convocada pela CPI da Câmara dos Deputados, Brasília. A CPI tem a finalidade de ouvir nos estados as situações de violência contra jovens pobres e negros.
Na Paraíba é altíssimo o índice de morte. Foi dito que para cada 14 assassinatos 13 são negros. Outro dado preocupante: também foi dito que 58,39 por centro da população do estado se declara de cor negra; isso significa que essa população está sendo exterminada.
Sempre ouvi dizer que a juventude é o futuro do país. Nos anos 80, a metade da população do nosso país era jovem e hoje é idosa. É que os jovens não chegam mais à idade adulta, simplesmente desaparecem e aparecem mortos.
Participaram da CPI: Reginaldo Lopes (presidente), Rosângela Gomes (relatora), além do Delegado Edson Moreira, Damião Feliciano e Wilson Filho.
A mesa de abertura foi muito controvertida. Uma comissão que se propõe a averiguar o extermínio de jovens negros, em ambiente com muitos jovens assim identificados, não poderia chegar para defender a redução da maior idade penal. Ninguém entendeu a finalidade daquela defesa sobre a redução e, por isso três membros da comissão que adotaram essa postura, foram vaiados no plenário. Enquanto a CPI investiga não pode defender a mesma prática.

ACOMPANHE O FOCANDO A NOTÍCIA NAS REDES SOCIAIS:

FACEBOOK                TWITTER                    INSTAGRAM

A dinâmica adotada foi interessante: enquanto falava um membro da mesa, falava também uma pessoa da sociedade civil trazendo as demandas relacionadas à sua realidade.
A participação de jovens de cor negra foi de fundamental importância para explicitar a realidade de violência e de discriminação, inclusive religiosa, por ser de matriz africana, a que são submetidas essas pessoas, uma vez que a pessoa negra é sempre suspeita e ridicularizada até oficialmente nas redes sociais.
Ainda vale salientar que a pessoa negra é objeto de muitas piadas que agridem a moral e a dignidade do ser humano. Quem de nós não ouviu aquela expressão: “é um negro de alma branca”?
Se a CPI não servir para muita coisa, ate porque daqueles que vieram para reafirmar a redução da idade penal não se pode esperar algo bom, ela já serviu para que os agredidos historicamente pudessem fazer uso da palavra, deixando claro para todos os presentes que:
Os nossos jovens negros são assassinados; são perseguidos; superlotam as prisões; são tratados como se fossem de outra raça e de outra classe social; que nossa população paraibana é preponderantemente de cor negra; que nosso estado é extremamente racista; que no nosso país e no nosso estado ainda não temos uma identidade enquanto nação pelo fato de alimentarmos claramente a desigualdade em todos os âmbitos: quem é do bem e do mal; rico e pobre; branco e negro; patrão e empregado. Somos uma grande nação, é verdade, mas completamente fragmentada a partir de interesses sociais, econômicos e culturais. 

pebosco@gmail.com
O texto é de inteira responsabilidade do assinante

Governo vai estimular a inclusão da população negra no mercado de trabalho

inclusaoO Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) determinou hoje (1º) que as políticas, programas e projetos desenvolvidos pela pasta contemplem ações de estímulo à inclusão da população negra no mercado de trabalho. As medidas estão previstas no Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010).

A lei de 2010 estabelece, entre outros atos, que o poder público estimule, por meio de incentivos, a adoção das mesmas ações pelo setor privado. Ações afirmativas para mulheres negras também devem ser asseguradas, assim como a promoção de ações para elevar a escolaridade e a qualificação profissional em setores da economia que possuem alto índice de ocupação por trabalhadores negros de baixa escolarização.

ACOMPANHE O FOCANDO A NOTÍCIA NAS REDES SOCIAIS:

FACEBOOK                TWITTER                    INSTAGRAM

Cabe ao Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) formular as políticas, programas e projetos voltados para a inclusão da população negra no mercado de trabalho e orientar a destinação de recursos para seu financiamento.

Segundo o MTE, a iniciativa faz parte do esforço para garantir à população negra a efetiva igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica.

A portaria do MTE foi publicada no Diário Oficial da União.

Agência Brasil

Dia da consciência negra será celebrado com evento cultural na comunidade quilombola cruz da menina em Dona Inês

 

A Prefeitura de Dona Inês preparou uma programação especial para celebrar o dia da consciência negra, que ocorre nesta quinta-feira, 20 de novembro. O evento será realizado na comunidade quilombola cruz da menina, há dois quilômetros da cidade.

 

A programação começa às 09h00 da manhã e vai até as 15h00, e conta com exposição religiosa e cultural, apresentações artísticas com dança e música, roda de capoeira, desfile temático, artesanato, oficinas e a oferta de serviços na área de saúde.

 

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

O objetivo, segundo os organizadores do evento, é dá destaque para a grande contribuição da comunidade negra para o município, “evidenciando os costumes e as tradições”.

programação dia da consciência negra

Assessoria

Mais de mil cidades declaram feriado no Dia da Consciência Negra

racismoNo Brasil, o Dia da Consciência Negra é comemorado no dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares.A data foi incluída em 2003 no calendário escolar nacional. Contudo, somente a Lei 12.519 de 2011 instituiu oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

A data é feriado em mais de mil cidades brasileiras. A lista completa de 1.047 cidades brasileiras onde dia 20 de novembro é feriado oficial, com a respectiva lei que regulamenta a data, pode ser conferida em levantamento realizado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

A lista abaixo poderá ser atualizada a partir da publicação ou revogação dos decretos que determinam o feriado.

Acre: no Acre, o 20 de novembro não é feriado oficial em nenhum município.

Alagoas: de acordo com a Lei Estadual n° 5.724 de 1995, todos os municípios do estado de Alagoas têm feriado no Dia da Consciência Negra.

Amazonas: desde 2010, por força de uma lei estadual, o dia 20 de novembro passou a ser considerado feriado em todos os municípios do Amazonas. A capital Manaus também tem uma lei municipal que decreta 20 de novembro feriado do Dia da Consciência Negra.

Amapá: a Lei Estadual Nº 1169, de 2007, garantiu feriado oficial em 20 de novembro em todas as cidades do estado do Amapá.

Bahia: apenas três municípios baianos têm o Dia da Consciência Negra no calendário oficial de comemorações: Alagoinhas, Camaçari e Serrinha. Em todos eles, o feriado foi determinado por lei municipal.

Ceará: no estado do Ceará, o Dia da Consciência Negra não é feriado em nenhum município.

Distrito Federal: O DF não tem feriado para comemorar o Dia da Consciência Negra.

Espírito Santo: as cidades de Cariacica e Guarapari têm feriado oficial no dia 20 de novembro, por determinação de leis municipais.

Goiás: quatro cidades goianas celebram oficialmente o Dia da Consciência Negra em 20 de novembro: a capital Goiânia, Aparecida de Goiânia, Flores de Goiás e Santa Rita do Araguaia.

Maranhão: apenas o município de Pedreiras terá feriado no dia 20 de novembro, garantido por uma lei municipal de 2008.

Minas Gerais: 11 cidades mineiras têm feriado do Dia da Consciência Negra em 20 de novembro: Além de Paraiba, Belo Horizonte, Betim, Guarani, Ibiá, Jacutinga, Juiz De Fora, Montes Claros, Santos Dumont, Sapucai-Mirim e Uberaba.

Mato Grosso do Sul: só a cidade de Corumbá tem feriado oficial em 20 de novembro, por força de lei municipal de 2008.

Mato Grosso: uma lei de 2002 determina feriado do Dia da Consciência Negra em 20 de novembro em todos os municípios do estado.

Paraíba: o 20 de novembro é oficialmente feriado apenas na capital, João Pessoa.

Pará: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Paraná: só a cidade de Guarapuava tem feriado oficial no 20 de novembro. O feriado foi determinado por lei municipal de 2009.

Pernambuco: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Piauí: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Rio de Janeiro: lei estadual de 2002 garante o feriado do Dia da Consciência Negra em todos os municípios cariocas.

Rio Grande do Norte: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Rio Grande do Sul: desde 1987, uma lei estadual determina que o 20 de novembro é feriado em todos os municípios gaúchos.

Rondônia: não é feriado, em 20 de novembro, em nenhuma cidade do estado.

Roraima: em nenhuma cidade do estado será feriado no dia 20 de novembro.

Santa Catarina: Florianópolis

São Paulo: não há uma lei estadual que detemine o feriado de 20 de novembro no estado. Entretato, a data está no calendário oficial de 101 cidades por leis municipais, incluindo a capital São Paulo. São eles: Aguai, Aguas Da Prata, Aguas De Sao Pedro, Altinópolis, Americana, Americo Brasiliense, Amparo, Aparecida, Araçatuba, Aracoiaba da Serra, Araraquara, Araras, Atibaia, Bananal, Barretos, Barueri, Bofete, Borborema, Buritama, Cabreuva, Cajeira, Cajobi, Campinas, Campos do Jordão, Canas, Capivari, Caraguatatuba, Carapicuíba, Charqueada, Chavantes, Cordeirópolis, Cruz das Almas, Diadema, Embu, Embu Das Artes,Estância De Atibaia, Florida Paulista, Franca, Franco Da Rocha, Francisco Morato, Franco da Rocha, Getulina, Guaira, Guarujá, Guarulhos, Hortolândia, Ilhabela, Itanhaem, Itapecerica da Serra, Itapeva, Itapevi, Itararé, Itatiba, Itu, Ituverava, Jaguariuna, Jambeiro, Jandira, Jarinu, Jaú, Jundiaí, Juquitiba, Lajes,Leme, Limeira, Mauá, Mococa, Olímpia, Paraiso, Paulo de Faria, Pedreira, Pedro de Toledo, Pereira Barreto, Peruíbe, Piracicaba, Pirapora do Bom Jesus, Porto Feliz, Ribeirão Pires, Ribeirão Preto, Rincão, Rio Claro,  Rio Grande Da Serra,  Salesópolis, Salto, Santa Albertina, Santa Isabel, Santa Rosa de Viterbo, Santo André , Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São João Da Boa Vista, São Manuel, São Paulo, São Roque, São Vicente, Sete Barras, Sorocaba, Sumaré e Suzano.

Sergipe: não é feriado em nenhuma cidade do estado.

Tocantins: só o município de Porto Nacional tem, por lei municipal, feriado no 20 de novembro.

Não viu seu estado ou município na lista? Nos ajude a atualizá-la. Entre em contato por e-mail:  ascom@palmares.gov.br ou na nossa página no Facebook: Fundação Cultural Palmares.

Fonte:

Palmares Fundação Cultural

Procon divulga 18 novos sites em lista negra de compras na internet

O Procon-SP adicionou nesta sexta-feira mais 18 sites na lista de sites de comércio eletrônico não recomendadas pelo órgão. Confira aqui a relação completa dos endereços que devem ser evitados para compras na internet.

Reprodução

Relação com 18 novos sites não recomendados para operações virtuais

Os fornecedores listados tiveram queixas registradas por consumidores, foram notificados, mas não responderam nem foram encontrados, impossibilitando qualquer tentativa de intermediação ou abertura de processos administrativos.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

As queixas contra esses sites ocorrem por irregularidades na prática do comércio eletrônico, principalmente por falta de entrega do produto adquirido. Esses fornecedores não são localizados, inclusive pelo rastreamento feito no banco de dados de órgãos como Junta Comercial, Receita Federal e Registro BR – responsável pelo registro de domínios no Brasil.

Alguns casos das empresas listadas são encaminhados para o Departamento da Polícia que combate os crimes eletrônicos e ao Comitê Gestor da Internet (CGI), que controla o registro de domínios no Brasil. Porém, muitos sites continuam em atividade.

 

iG

Uma luta contra a dominação branca e a dominação negra

HALDEN KROG POO/EFE
HALDEN KROG POO/EFE

Em 12 de fevereiro de 1990, quando Nelson Mandela foi solto, após 27 anos encarcerado, a África do Sul estava à beira de uma guerra civil entre brancos e negros.

“Durante a minha vida, me dediquei à luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Eu defendi o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e conseguir realizar. Mas, se preciso for, é um ideal para o qual estou disposto a morrer.”

Nelson Mandela, na abertura de sua declaração de defesa no Julgamento de Rivonia, em Pretória, em 20 de abril de 1964

A libertação de Mandela era fruto de negociações entre o regime segregacionista do Apartheid e a resistência negra, mantidas em segredo para não estimular ainda mais violência por parte dos extremistas de ambos os lados. Havia uma imensa desconfiança a respeito das intenções de Mandela, mas mesmo após séculos de opressão e de seu sofrimento pessoal, Mandela tomou as decisões que fazem muitos considerá-lo o maior líder político de todos os tempos.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Ao levar a todo o país uma mensagem em defesa da democracia e da igualdade, o Madiba, como é conhecido no país, se tornou o artífice da reconciliação entre brancos e negros sul-africanos, evitando o que poderia ser uma sangrenta guerra civil. Foi esse homem que a humanidade perdeu decorrente de uma infecção pulmonar, nesta quinta-feira (5). O anúncio oficial foi feito em rede nacional pelo presidente da África do Sul, Jacob Zuma.

A morte de Mandela era a má notícia que os sul-africanos esperavam há anos, desde que a saúde debilitada do ex-presidente começou a preocupar. A cada internação, o país entrava em apreensão, inúmeros boatos circulavam, o governo divulgava notas oficiais, até que vinha a notícia da alta. Desta vez, foi diferente. A morte de Mandela deve jogar boa parte do país em depressão.

Violência e o fim do Apartheid

O luto não se dá à toa. Após anos lutando contra o regime da supremacia branca de forma institucional, Mandela ajudou a fundar, em 1961, o Umkhonto weSizwe, braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA). Dois anos depois de entrar na luta armada, Mandela foi preso e condenado à prisão perpétua no famigerado Julgamento de Rivonia. Ele deixaria a prisão apenas nos anos 1990, quando se juntaria a algumas poucas figuras que tentariam colocar fim ao Apartheid.

Como o regime beneficiava diversos grupos, a resistência às mudanças seria ferrenha. Logo após a soltura de Mandela, uma onda de violência tomou conta da África do Sul. Chacinas foram cometidas várias vezes por dia em trens e outros locais públicos. Líderes comunitários e outras figuras públicas foram executados. Massacres nos guetos negros se tornaram comuns. A execução do “colar”, por meio da qual um pneu com gasolina era colocado no pescoço da vítima e incendiado, se tornou a horrenda face da violência no país. Isso sem contar a repressão violenta da polícia contra as manifestações de populações negras. Era uma época que os sul-africanos “morriam como moscas”, nas palavras do arcebispo anglicano Desmond Tutu, Nobel da Paz.

A violência daquele período era atribuída a uma guerra entre o Congresso Nacional Africano, grupo liderado por Mandela, que pregava a igualdade entre brancos e negros, e o Inkatha, movimento nacionalista zulu, um dos diversos povos sul-africanos. Essa era apenas parte da explicação. A violência generalizada era uma ação orquestrada pelas forças de seguranças do regime e pelos extremistas de direita do Inkatha. Milhares de membros da facção zulu foram treinados em campos secretos e receberam armas e dinheiro das forças de segurança do regime e de líderes brancos de extrema-direita. Alguns policiais, brancos e negros, chegavam a coordenar e participar dos massacres. Quando não havia gente do Inkatha, mercenários de países como Angola e Namíbia eram contratados. Em silêncio, para não serem identificados como estrangeiros pelo sotaque, matavam sul-africanos a esmo.

Para o Inkatha, aquela era uma luta para manter a autonomia da terra KwaZulu e buscar a independência. Para os extremistas brancos, era uma estratégia dupla: primeiro manter a argumentação de que os negros eram incapazes de se autogovernar. Caso isso não desse certo, o CNA, de Mandela, ao menos ficaria enfraquecido para a eleição presidencial que se seguiria, a primeira na qual brancos e negros poderiam votar e ser votados livremente.

A estratégia de desestabilização não deu resultados graças à força de caráter de inúmeras pessoas, entre elas o então presidente sul-africano, Frederik Willem de Klerk, e de Mandela. Entre 1990 e 1993, a África do Sul revogou leis que davam amparo jurídico ao Apartheid, desmantelou seu arsenal nuclear e convocou eleições livres para 1994. Ao contrário do que pensavam os extremistas, o CNA não estava enfraquecido por conta da violência. Nas urnas, o partido obteve uma vitória massacrante, e Mandela se tornou o primeiro presidente negro na história do país.

‘Nação Arco-Íris’

No poder, Mandela operou um milagre político. O Madiba fez os sul-africanos acreditarem no seu sonho, o de que a África do Sul poderia ser mesmo uma “Nação Arco-Íris”, na qual todas as “cores” poderiam conviver de forma harmônica. Mandela conseguiu contemplar os anseios das minorias brancas e conter a ânsia por justiça de líderes negros, muitos dos quais desejavam vingança após décadas de abusos e arbitrariedade.

A face mais visível do esforço de reconciliação feita por Mandela foi o apoio à seleção de rúgbi da África do Sul, os Springboks, na Copa do Mundo de 1995. Mandela não permitiu a mudança de nome e uniforme da equipe e tornou a seleção, símbolo de orgulho dos brancos, em orgulho nacional. A empreitada teve um fim épico com a improvável vitória da África do Sul sobre a Nova Zelândia, no hoje mítico Ellis Park, em Johannesburgo. A história foi registrada de forma magistral no livro Conquistando o Inimigo, de John Carlin, e no filme Invictus, de Clint Eastwood.

O apoio aos Springboks era parte da estratégia de Mandela de liderar pelo exemplo. Para o sul-africano comum, branco ou negro, era inevitável se questionar: como pode um homem que ficou encarcerado por 28 anos deixar a prisão sem qualquer resquício de rancor e adotar um tom tão reconciliatório? Se Mandela podia, todos podiam.

O milagre da Nação Arco-Íris foi também institucionalizado. Sob Mandela, a África do Sul passou a ter programas de habitação, educação e desenvolvimento econômico para a população negra; instalou a Comissão da Verdade e da Reconciliação, que serviu como catarse coletiva para o país; e aprovou uma nova Constituição, vista até hoje como ponto central de estabilidade na África do Sul.

O legado de Mandela

Desde que assumiu a presidência, Mandela deixou claro que gostaria de ser apenas o responsável pela transição da África do Sul, e não o guia eterno do país. Ele fez isso pois desejava uma África do Sul independente, inclusive dele próprio. A África do Sul que Mandela imaginou, no entanto, não conseguiu completar o sonho do líder visionário durante sua vida. Contra a vontade de Mandela, e de sua família, sua imagem é usada persistentemente de forma política, às vezes por líderes que dilapidam seu legado. Esse processo foi agravado pelo silêncio ao qual Mandela foi obrigado a se recolher devido ao agravamento de sua doença.

Nos governos de Thabo Mbeki (1999-2007) e do atual presidente, Jacob Zuma, ambos do CNA, a África do Sul teve grande crescimento econômico, mas a desigualdade social é maior que a existente no fim do Apartheid. O CNA, por sua vez, deixou de ser o partido da liberdade para se tornar um amontoado de políticos acusados de corrupção e de agir em benefício próprio. A Liga Jovem do ANC, fundada por Mandela, passou a ser conhecida pelos atos e palavras de intolerância de seus líderes, um perigo para uma país onde a violência racial está contida, mas a tensão entre brancos e negros, não.

Apesar do uso político de sua imagem, Mandela continua sendo o bastião da democracia na África do Sul. Talvez, o distanciamento entre seu legado e a condição atual do país tenha servido para, nos últimos anos, tornar mais agudo o sofrimento da população a cada nova internação. Hoje, finalmente, chegou o dia de deixar Mandela descansar, e dos sul-africanos colocarem o país no rumo sem um exemplo vivo para guiá-los.

 

 

por José Antonio Lima, para a Carta Capital

Edital seleciona projetos sobre cultura negra

cultura negraO Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lança edital para seleção de projetos voltados ao apoio de manifestações e práticas culturais da população afrodescendente. A seleção é destinada a empresas públicas ou privadas sem fins lucrativos, desde que não estejam vinculadas à estrutura funcional do Ministério da Cultura.

Com o tema Música, Canto e Dança de Comunidades Afrodescendentes, as atividades deverão envolver ações de mapeamento, pesquisa, produção bibliográfica e audiovisual; apoio à organização e à mobilização comunitária; entre outras que se relacionem ao universo da música, canto e dança e contribuam para a preservação de práticas tradicionais referenciais de comunidades afrodescendentes no território brasileiro.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

O tema delimita o universo de bens culturais que poderão ser objeto do projeto, mas não estabelece a quantidade máxima de bens e nem a obrigatoriedade de atendimento das três expressões citadas. Outra recomendação para o edital é que projeto se desenvolva em comunidades de pequeno ou médio porte, localizadas em território específico, para garantir que a execução, acompanhamento e monitoramento do projeto sejam compatíveis com a sua natureza.

O edital restringe-se a projetos que tenham prazo de execução de dois anos e que solicitem apoio nos limites de R$ 250 mil a R$ 300 mil, excluído o valor da contrapartida. O prazo para o envio dos projetos ao Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan vai até dia 26 de maio.

Os projetos poderão trabalhar as três formas de expressões culturais conjuntamente ou deter-se em apenas uma delas. O importante é que contemplem ações que envolvam algum destes elementos da cultura afrodescendente no Brasil. Além disso, precisam ter um coordenador técnico que tenha formação mínima de mestre em Ciências Sociais (Sociologia, História, Antropologia) e contar com um Termo de Consentimento Prévio das comunidades envolvidas na realização do trabalho.

A atual seleção faz parte do projeto Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial Relacionado à Música, Canto e Dança de Comunidades Afrodescendentes na América Latina, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A proposta é do Centro Regional para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial da América Latina (Crespial), do qual participam 13 países da América Latina e Caribe, comprometidos com a execução de experiências‐piloto de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial afrodescendente em suas abrangências nacionais.

Para outros esclarecimentos, os interessados podem procurar o Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI), enviando e-mail para Desirée Tozi (desiree.tozi@iphan.gov.br) ou para Paulo Peters (paulo.peters@iphan.gov.br).

Clique aqui para acessar o edital na íntegra.

 

Fonte:
Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Vaticano revela componentes químicos da fumaça branca e negra

Imagem reprodução TV Globo
Imagem reprodução TV Globo

Clorato de potássio, lactose e colofónia são os componentes acrescentados à queima das cédulas de votação para originar a fumaça branca que anuncia ao mundo que a Igreja tem novo papa, informou nesta quarta-feira o Vaticano.
CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

O porta-voz do pequeno estado, Federico Lombardi, explicou também que a fumaça negra, que anuncia que ainda não há um papa, é obtida com a queima das cédulas junto com perclorato de potássio, antraceno e enxofre.

Foram instalados na Capela Sistina a estufa tradicional, usada desde o conclave de março de 1939, no qual Pio 12  foi eleito, e onde são queimadas as cédulas das votações, e uma estufa auxiliar, que permite, graças a um mecanismo eletrônico, aumentar a visibilidade das fumaças.

Lombardi explicou que o momento em que se queimam as cédulas é ligado um dispositivo eletrônico na estufa auxiliar com uma espécie de cartucho com cinco cargas, que são ativadas uma após outra durante sete minutos.

Esses cartuchos contêm clorato de potássio, lactose e colofónia, para originar a fumaça branca, e perclorato de potássio, antraceno e enxofre para gerar a negra.

As duas estufas, instaladas na parte posterior da Capela Sistina, estão unidas ao tubo interno da chaminé, que mede 15 metros de altura e que através de uma janela do templo vai até o telhado. A parte externa mede cerca de dois metros e é visível da Praça de São Pedro.

A estufa onde as cédulas são queimadas é feita de ferro fundido, tem um metro de altura e 45 centímetros de diâmetro. O dispositivo tem em sua parte inferior uma pequena abertura onde se acende o fogo, e na parte superior uma onde os votos são colocados. Na tampa superior estão escritos os anos e meses dos conclaves realizados desde 1939.

 

 

EFE