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O que é economia criativa e como ela pode mudar o seu negócio

Conceito é fio condutor da Feira Internacional de Negócios Criativos e Colaborativos, promovida pelo Sebrae-PB entre 25 e 28 de setembro, no Espaço Cultural, em João Pessoa

A união das antigas tradições do trabalho cultural e industrial a uma gama mais ampla de atividades produtivas (artesanato, audiovisual, museus, games, design, arquitetura, comunicação, teatro, música, websites etc.) levaram ao que hoje se conhece por economia criativa, parte determinante e crescente da economia global. Para estimular a prática dessa mescla de valores econômicos e culturais na Paraíba, o Sebrae promove, entre os dias 25 e 28 deste mês, a Feira Internacional de Negócios Criativos e Colaborativos (Fincc), no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa-PB.

Em todo o mundo, os governos e os setores criativos dão cada vez mais importância ao papel que a economia criativa desempenha – tanto por ser uma fonte de empregos e riqueza quanto pelo compromisso cultural e pela promoção da inclusão social e da diversidade. De acordo com Regina Amorim, gestora de Turismo do Sebrae-PB, os negócios criativos diferem dos convencionais porque produzem um valor econômico a partir da criatividade, da cultura e do conhecimento intelectual do empreendedor. “As novas economias são a chave para os negócios no século XXI. Entre elas, está a economia criativa, que começa não pelo capital financeiro, mas por uma boa ideia”, diz ela.

Além da ampla e complexa herança cultural, a economia criativa se distingue dos demais setores da economia por se preocupar com a sustentabilidade. Enquanto outros recursos vão se esgotando, o valor da criatividade continua crescendo. Para Regina, os negócios criativos não serão apenas um elemento desejável da atividade econômica, mas o fator crucial da nossa capacidade de nos adaptarmos e sobrevivermos como espécie. “Afinal, criatividade é um recurso ilimitado”, ressalta.

A percepção de que a criatividade é um processo disruptivo, que questiona os limites e os pressupostos estabelecidos, está até mesmo na agricultura, uma das atividades mais antigas da humanidade: enquanto a genética promove oportunidades e riscos, a mudança climática e as pressões produtivas exigem novos paradigmas. “O mundo está mudando em direção a uma economia que depende mais da criatividade e do conhecimento do que de qualquer outra matéria-prima”, conclui Regina.

Ativo econômico – Em relação aos empregos em economia criativa, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), os bens e serviços culturais participam de aproximadamente 7% do PIB mundial, e há expectativas de crescimentos anual entre 10% e 20%.

No Brasil, a área criativa gerou uma riqueza de R$ 155,6 bilhões para a economia brasileira em 2015, segundo o Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil, publicado pela Firjan em dezembro de 2016. Nesse mesmo ano, a participação do PIB Criativo estimado no PIB brasileiro foi de 2,64%, quando a Indústria Criativa era composta por 851,2 mil profissionais formais.

O Sebrae atua para transformar a habilidade criativa natural em ativo econômico e recurso para o desenvolvimento de negócios duradouros, como também para estimular modelos inovadores que desenvolvam a economia criativa brasileira.

 

Vivas Comunicação

 

 

Apenas 18% dos donos de negócio na PB têm CNPJ

Informalidade. Essa é uma das palavras que ainda estão presentes no cotidiano de grande parte dos donos de negócio na Paraíba. É o que aponta estudo realizado pelo Sebrae Nacional, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) do último trimestre de 2018. Conforme os dados, apenas 18% dos donos de negócio do estado possuem o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), que é o registro formal de uma empresa, ou microempreendedor individual (MEI), junto à Receita Federal.

Isso significa que, dos 514.090 donos de negócio existentes na Paraíba no respectivo período, apenas 92.145 possuem o CNPJ. Ainda conforme os dados, o percentual verificado na Paraíba se assemelha ao registrado no Nordeste, região onde apenas 17% dos donos de negócio são formalizados. Já no Brasil como um todo, segundo os dados do estudo, o percentual de formalização verificado foi de 29%, em um universo de 28,4 milhões de donos de negócios existentes no país no último trimestre do ano passado.

“Os números sobre informalidade na Paraíba refletem, principalmente, a insegurança dos empreendedores nesse momento de crise, visto que legalizar ou registrar uma empresa requer pagamentos de impostos e tributos, bem como conhecimentos específicos do mercado. Dessa forma, a incerteza se o negócio vai dar certo ou não acaba fazendo com que o empreendimento fique na informalidade”, destacou a gerente de Estratégia do Sebrae Paraíba, Ivani Costa.

Ainda de acordo com ela, os dados também estão relacionados ao fato de que, muitas vezes, o negócio iniciado é apenas uma fonte complementar de renda para o empreendedor. “Nesse caso, os empreendedores preferem experimentar o informal antes de escolher entre o negócio e o atual emprego”, acrescentou.

Além dos números gerais sobre formalização, o estudo realizado pelo Sebrae também aponta que o maior índice de donos de negócio sem CNPJ na Paraíba está no setor da agropecuária, que registrou índice de formalização de apenas 1,16%. Em seguida, aparecem o segmento da construção, com índice de formalização de 5%; o da indústria, com 10%; o setor de serviços, com 24%; e o comércio, segmento que registrou o mais percentual de formalização, com 30% dos donos de negócio possuindo o CNPJ.

Ainda falando sobre a Paraíba, a pesquisa também revela uma relação entre o nível de escolaridade e a formalização. Entre os donos de negócio sem instrução, o percentual de formalizados é de 2,3%, seguido pelos 10% verificados entre os que possuem o ensino fundamental, 22% para os donos de negócio com ensino médio e 50% entre os que concluíram o ensino superior.

Em relação ao gênero, os dados apontam uma pequena diferença entre homens e mulheres. No caso das paraibanas, 19% são formalizadas, contra 17% dos homens que possuem CNPJ. Outra segmentação apresentada pelo estudo revela uma diferença considerável entre donos de negócio brancos e negros. Nesse caso, apenas 14,3% dos negros estão formalizados, percentual que entre os brancos é de 25,6%.

Para traçar um perfil sobre o empreendedorismo informal, o estudo também apresenta dados relacionados ao local onde as atividades são exercidas e a idade dos donos de negócio no estado. No primeiro tópico, o menor índice de formalização, de 1,2%, foi verificado em negócios desenvolvidos em fazendas, sítios ou similares. Em seguida, aparecem aqueles que atuam em áreas ou vias públicas, cujo índice de formalização é de 2,6%.

Os demais índices são: local designado pelo cliente (4%); no domicílio (5%); em veículo automotor (11%); em domicílio de sócio ou cliente (19%); em estabelecimento de outra empresa (23%); e em local fixo (52%).

Quanto à idade, o menor índice de formalização, de 11%, foi verificado na faixa etária até 24 anos. Nas demais faixas, os números são: 13% para quem tem 65 anos ou mais; 15% na faixa entre 55 e 64 anos; 18% para quem tem entre 45 e 54 anos; 19% na faixa entre 25 e 34 anos; e 22% entre os donos de negócio com idade entre 35 e 44 anos.

Formalização

O Sebrae tem o incentivo à formalização como uma de suas principais preocupações, não só para que os empreendedores possam ter acesso aos benefícios por ela trazidos, como também pelo papel que eles possuem na economia, especialmente na geração de emprego e renda no país.

“A importância de se formalizar acontece, principalmente, pela visibilidade que o negócio passa a ter a partir do momento em que é legalizado. Além disso, a formalização também viabiliza acesso ao crédito, vendas para os governos, possibilidade de aumentar os mercados consumidores, dentre outras vantagens, além do aumento da renda do empreendedor e a melhora do PIB (Produto Interno Bruto) da região”, explicou a gerente de Estratégia do Sebrae Paraíba, Ivani Costa.

Ainda falando sobre formalização, Ivani destacou que obtê-la ficou mais fácil, para muitos empreendedores, com a criação da figura do microempreendedor individual (MEI), que em 2019 completa 10 anos. “Nesse momento de crise, é importante que o empreendedor busque investir em informações e cursos, em áreas como finanças, marketing e gestão, para se diferenciar no mercado”, acrescentou ela, ao lembrar que o Sebrae Paraíba oferece uma série de capacitações e atendimentos, em diversas áreas, para auxiliar empresários e potenciais empreendedores.

 

portalcorreio

 

 

5 falhas que devem ser evitadas no pequeno negócio

A maioria das pequenas empresas fecha as portas antes dos primeiros cinco anos de vida 
Em pesquisa realizada pelo Sebrae, 30% das empresas brasileiras não conseguem vingar logo no primeiro ano de vida, e 96% desses negócios fazem parte do segmento de micro e pequenas empresas. O que acontece que pode levar as pequenas empresas a fecharem as portas? Saiba quais são as falhas que se deve evitar no pequeno negócio.

Segundo o estudo mencionado, apenas no Brasil, por ano, surgem mais de 1,2 milhão de novos empreendimentos formais e mais de 99% se referem às micro e pequenas empresas. Estes segmentos de negócio são os responsáveis por mais da metade dos empregos com carteira assinada no país.

consultor empresarial, Adriano Nodari, esclarece que, dentre as principais queixas que recebe está a do empreendedor não conseguir lidar com a entrada e saída de dinheiro ou a reclamação de que o negócio não sai do vermelho:

“Esses problemas são decorrentes do básico que é a falta de cuidado no momento de realizar o planejamento. Essa é também a parte que mais demanda tempo e dedicação, mas garanto que vale muito a pena e pode evitar muitos problemas e até mesmo o fechamento do negócio em longo prazo.”

Fique por dentro das 5 falhas que se deve evitar no pequeno negócio

Confira as principais falhas que se deve evitar no pequeno negócio, que segundo Nodari, podem ‘prevenir’ uma quebra nos primeiros cinco anos (tempo estimado para que muitas das micro e pequenas empresas fechem as portas):

1 – Falta de planejamento estratégico – Como já foi mencionado pelo consultor, essa é uma das principais falhas que se deve evitar no pequeno negócio. Antes de começar, é essencial realizar uma análise minuciosa do mercado, do segmento em que se pretende atuar. “É importante ter um plano de negócios que vai ajudar o empreendedor a seguir com a empresa, e o que vale ser lembrado é que mesmo que a empresa não tenha um plano, pode consertar o erro a qualquer momento”, orienta Nodari;

2 – Não se atentar às metas e prazos – Para a rotina saudável de um negócio é essencial estabelecer e cumprir metas dentro de prazos estipulados. “Aqui é fundamental que se pense em um eficaz plano de ação que vai ajudar o negócio a caminhar de maneira fluida. E claro, é importante que o empreendedor tenha disciplina, porque metas representam ações de longo prazo”, esclarece;

3 – Não ter um planejamento financeiro – Essa é outra das falhas mais comuns que se deve evitar no pequeno negócio. O empreendedor precisa ter um controle detalhado de todas as receitas do negócio, de todas as despesas e valores de investimentos. “Um dos problemas mais comuns dentre os empreendedores é não separar as finanças pessoais das finanças do negócio. Isso gera um grande descontrole nas finanças e até mesmo consequências graves”, alerta;

4 – Ignorar a importância da tecnologia nos processos – A tecnologia existe principalmente para facilitar e otimizar o tempo. Dentre os principais erros nas empresas está o de ignorar o papel da tecnologia na facilitação dos processos de produção em um negócio. Esse recurso bem aplicado pode aumentar a produtividade em um negócio, gerar agilidade na realização das atividades. Softwares de gestão, por exemplo, ajudam grandemente os negócios a se organizarem e evitam erros que podem causar prejuízos;

5 – Não pensar na divulgação do negócio – Em um mercado tão competitivo é fundamental que se pense em como pode fazer o pequeno negócio se tornar visível e ganhar espaço entre a concorrência. O marketing digital é essencial nesse processo, as pessoas estão em cada vez mais número no mundo virtual, portanto, é preciso estar onde elas estão. A divulgação é o que fará a diferença e o que ajudará a trazer os resultados mais depressa. “Empreendedores que ignoram a importância do marketing digital, estão na verdade, perdendo dinheiro, porque ao ser visto, um negócio terá maiores chances de lucros e, além disso, estará construindo uma reputação dentro o seu público e mercado”, finaliza o consultor.

Assessoria Adriano Nodari

 

Por que os investimentos a longo prazo são um bom negócio?

De modo geral, os brasileiros pensam mais no curto prazo; então, economizar e preparar-se para daqui 20 ou 30 anos não é algo que se ouve comumente nas rodas de conversa. No entanto, é sim um assunto que deve ser pensado para que se tenha, acima de tudo, tranquilidade.

Mais do que estar milionário, pensar no futuro é estar preparado para imprevistos e para mudanças grandes de vida que venham a acontecer, como comprar uma nova casa ou ter um filho. Com isso, ainda que não saiba onde estar daqui a 10 anos, já é possível ter a certeza de que estará preparado.

Mas como realmente se prevenir? Um dos caminhos mais assertivos é o dos investimentos: assim, ao pensar no longo prazo e adquirir aplicações que tenham essa característica, o investidor fica preparado para colher bons retornos no futuro.

Mas o que é longo prazo? Quanto tempo deve ter?

No mundo dos investimentos, considera-se longo prazo investimentos que tenham duração maior que um ano. Claro, esse é um período padrão, mas não significa que é válido para todos os investidores.

Nesse momento, é natural pensar: “mas um ano parece muito pouco”. Sim, isso é certo; mas levando em conta que existem muitas negociações na bolsa de valores que duram segundos, ou dias, um ano é, na realidade, um tempo aceito como longo prazo.

Ainda assim, tudo vai depender do perfil do investidor e da sua estratégia de aplicação, pois há situações que o longo prazo dura cerca de 5 anos, ou mesmo 10 e, em outros momentos, 1 mês é considerado longo prazo.

De todo modo, uma coisa é certa, a ideia de longo prazo é válida para quem pensa no futuro, com o propósito de aumentar e proteger o patrimônio atual. Por isso, é muito comum observar que é um período indicado para quem pensa na aposentadoria, na criação dos filhos ou mesmo na compra de uma casa.

Por que é vantajoso investir no longo prazo?

A regra de qualquer investimento é que, quanto mais tempo determinada quantia fica na aplicação maior são seus rendimentos. Isso, porque a ação dos juros compostos tem mais peso conforme o tempo.

Com isso, fica mais simples entender o porquê aplicações de longo prazo são mais interessantes do que as de curto e médio prazos. Junto a isso, entra também o fator orçamento, pois a maioria das pessoas não possuem recursos para economizar grandes quantias em pouco tempo.

Em grande parte das vezes, resta apenas alguns poucos reais do salário para poder investir e multiplicar o patrimônio; por isso, é fundamental que elas se antecipem o máximo que podem a fim de conseguir grandes montantes para realizar seus objetivos.

Nesse ponto, novamente, entram o poder dos juros composto!. Claro, é possível lembrar-se desse poder de modo negativo, quando os juros do cartão de crédito ou do cheque especial comprometem o orçamento, mas é importante saber que eles podem fazer grandes coisas positivamente também.

Outro ponto interessante é a união do prazo com a liquidez. Para quem não sabe, liquidez é a capacidade de determinado investimento tornar-se dinheiro em conta, ou seja, o quão fácil é, por exemplo, vender um ativo no mercado financeiro.

Para o longo prazo, quando se pretende resgatar os rendimentos apenas no fim da aplicação, não é preciso preocupar-se com a liquidez. Como ativos menos líquidos tendem a gerar mais rentabilidade, o investidor pode optar por produtos financeiros mais vantajosos.

Por fim, mas não menos importante, demorar mais para resgatar um investimento significa também pagar menos Imposto de Renda. Como as cobranças — principalmente em títulos de renda fixa — são feitas de forma regressiva, é possível diminuir o valor da alíquota ao mínimo.

Lembrando de novo: tudo depende, claro, do objetivo que se pretende realizar. Investir no longo prazo é excelente, desde que se tenham sonhos em um futuro mais distante; do contrário, é mais inteligente encontrar uma aplicação que esteja em concordância com as metas.

 

Conteúdo Gear SEO

 

 

Personagem gay agora é bom negócio para qualquer ator

Klebber Toledo e Zé Mayer: o casal gay da nova novela das nove, 'Império'
Klebber Toledo e Zé Mayer: o casal gay da nova novela das nove, ‘Império’

Interpretar um homossexual no cinema ou na televisão já chegou a ser visto como um risco profissional, a ponto de deixar o ator marcado para sempre. Não mais. O público amadureceu à medida que os gays foram conquistando seus direitos na sociedade, e, hoje, um personagem homossexual bem construído pode ser o passaporte para o reconhecimento e até o estrelato. Em Hollywood, basta citar os exemplos de Matthew McConaughey e Jared Leto, premiados com o Oscar deste ano de melhor ator e coadjuvante, respectivamente, por Clube de Compras de Dallas, em que ambos vivem homossexuais. Nas novelas brasileiras, a lista de atores que vêm alcançando reconhecimento com personagens gays é cada vez maior. Mateus Solano e Thiago Fragoso, o casal Félix e Niko de Amor à Vida, são prova disso.

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Sempre cercados de uma onda de curiosidade – em geral alimentada pela questão “vai ter beijo?” -, os gays se tornaram onipresentes na ficção, não só pela necessidade de mostrar o que acontece na vida real, mas também pela capacidade de mobilizar espectadores. Não é exagero dizer que Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller), de Em Família, atraíram mais atenção do que a protagonista Helena (Júlia Lemmertz). Pronta para substituir o folhetim de Manoel Carlos na faixa das 21h, Império entra no ar nesta segunda-feira com nada menos que quatro personagens gays: Xana Summer, um travesti interpretado por um improvável Ailton Graça; Téo Pereira, um blogueiro invejoso que vive de fazer fofoca na internet, vivido por um afetado Paulo Betti; Leonardo, um bonitão aspirante a modelo, papel do jovem galã Klebber Toledo; e – o mais surpreendente de todos – o cerimonialista Cláudio Bolgari, interpretado por José Mayer.

O galã com fama de pegador (de mulheres) surgirá em cena no quarto capítulo como um organizador das melhores festas do Rio de Janeiro. Casado com a ex-miss Brasil Beatriz (Suzy Rêgo), ele esconde de todos – exceto dela – que é homossexual e tem, há dez anos, um caso com Leonardo (Klebber Toledo). “Já faz um tempo que busco papéis diferentes, e acho divertido mexer um pouco com aquela fama de conquistador que se formou a meu respeito por causa de personagens anteriores”, comentou o ator, no lançamento da novela. Ao site de VEJA, ele afirmou que evita planejar suas realizações na profissão e prefere se deixar levar pelo papel. “Cada personagem traz conteúdos diferentes, e é isso que acaba criando, fisicamente, posturas e expressões diferentes a cada novo trabalho.”

Na única cena divulgada pela TV Globo em que o novo casal gay aparece junto, Claudio fala cara a cara com Leonardo, da mesma forma como o Pedro de Laços de Família (2000) faria com Helena (Vera Fischer), Ingrid (Deborah Secco) ou Cíntia (Helena Ranaldi). As fãs que se acostumaram a ver José Mayer em papéis sedutores, desde o Osnar de Tieta (1989), nunca poderiam ter imaginado que seu decantado sex appeal seria usado um dia em terreno gay. Mas a verdade é que o próprio ator nunca se acomodou no papel de galã: “O que existe de mais valioso nesta profissão é a liberdade para romper nossos próprios limites e ajudar o espectador a ampliar sua capacidade de perceber a multiplicidade da experiência humana”.

Vida real – Nas novelas, gênero que muitas vezes parece já ter esgotado todas as histórias possíveis, o universo gay é um terreno fértil e tende a ser explorado com cada vez mais liberdade, abordando desde os direitos civis como a aceitação dos familiares. Para Aguinaldo Silva, autor de Império, a dramaturgia nada mais é do que um reflexo do dia a dia. “Quando escrevo meus personagens, quero retratar um pouco do que vejo na sociedade. Sempre digo que não trabalho com tema, e sim com tramas. Esse é o meu lema quando escrevo uma novela”, contou ao site de VEJA. Tratados com tanto esmero pelos dramaturgos, esses papéis têm atraído o interesse dos atores. Até então com uma galeria de patricinhas mimadas na TV, Tainá Múller, a Marina de Em Família, não escondeu a felicidade de ser escalada para viver uma fotógrafa homossexual. “Há tempos eu queria uma personagem que me tirasse do chão”, comentou logo no início da novela que pode ser vista como um divisor de águas em sua carreira.

A partir desta segunda – já que José Mayer não precisa mais provar a que veio –, a bola está com o belo Klebber Toledo. Lançado em Malhação em 2007 e com cinco novelas no currículo, o ator de 28 anos tem em Leonardo seu personagem mais complexo. Em conversa com o site de VEJA, Klebber preferiu ser comedido ao falar da expectativa em torno do novo desafio. “Procuro não criar um rótulo para ele. É o Leonardo que tem de se classificar”, disse, frisando que seu personagem tem uma “história de amor” com Claudio. “É um relacionamento, não um namorinho, uma ficadinha.” Ele acredita que o casal vai conquistar a simpatia do público e não tem o menor receio de que o novo papel arranhe sua imagem de galã promissor.

Com a nova trama, Aguinaldo discutirá também o direito de permanecer no armário – uma ironia típica do autor para esses tempos de vigilância sexual. Já que Claudio esconde sua homossexualidade – e, pior, é casado com uma mulher –, o namoro tem os problemas típicos de um relacionamento extraconjugal. Com um agravante: o cerimonialista é alvo das fofocas do blogueiro Téo Pereira. Mais jovem e, portanto, com menos explicações a dar para o mundo, Leonardo pressiona Claudio a viver o amor sem reservas. “É um sentimento único. Ele ama mesmo essa pessoa”, diz Klebber, que diz ainda não ter concluído a formação de seu personagem. “Ele é natural, entregue ao que sente. Não sei se vai dar pinta. E sabe que eu nem pensei nisso?”

 

Patricia Villalba

Queixas contra empresas viram negócio que vai faturar até R$ 12 milhões em 2013

reclamaçãoO lançamento do site Reclame Aqui, em 2001, não foi exatamente um estouro. A página criada para consumidores se queixarem de empresas teve, ao longo do primeiro ano de vida, 23 postagens. E cerca de metade era da família de Mauricio Vargas, fundador do serviço. Parecia pouco provável que aquilo se tornasse uma companhia com perspectiva de faturar entre R$ 9 milhões e R$ 12 milhões em 2013.

 

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“Virou um grande negócio”, informa Vargas. Somente no ano passado, o número de reclamações postadas na página chegou a 3,7 milhões. São mais de 7,5 milhões de consumidores cadastrados. A cada dia, o site recebe 320 mil visitas e registra 10 mil novas queixas. “Estouramos no começo de 2010, quando o site começou a resolver os problemas dos consumidores”, conta o empresário.

“Antes disso, éramos só um mural de reclamações. Então descobrimos como essas reclamações poderiam ficar melhor indexadas no Google, ou seja, aparecer nos resultados quando alguém fizesse uma busca pela empresa. Começou a incomodar as empresas, e elas começaram a resolver os problemas dos clientes”, explica.

 

Até 2012, porém, o sucesso virtual não gerava receitas para Vargas. O Reclame Aqui, em si, não gera até hoje – recebe apenas doações, que o empresário afirma que chegam a R$ 25 mil por mês. Mas o empreendedor descobriu a fórmula para transformar reclamações de consumidores em resultados financeiros. E a mina de ouro estava nas próprias marcas que são alvo do site.

 

Vargas lançou uma ferramenta de gerenciamento de reclamações, que vende para as empresas. Ela permite, além de monitorar e responder queixas, criar um histórico dos consumidores, saber quando, onde e de quê ele reclamou no passado. No jargão do ramo, faz um “CRM virtual” (em referência a Costumer Relationship Management, ou Gerenciamento de Relação com Clientes, em inglês).

 

Mais de 180 empresas compraram o produto, chamado RAResponde. Entre elas, Banco do Brasil, Santander, Magazine Luiza, Ponto Frio, Extra, Lojas Americanas, Peixe Urbano e outras com forte presença na internet. “É nosso negócio mais importante”, afirma Vargas. Mas não é o único.

 

A companhia também lançou, no ano passado, uma consultoria chamada ProSumers. Serve para ensinar empresas a lidar com os consumidores em tempos de internet e redes sociais. O serviço também conquistou grandes marcas, como Panasonic, Eletrolux, B2W e LG. “Nós vendemos o óbvio, ou seja, como tratar essas pessoas”, diz Vargas, para explicar também o nome da holding que criou para controlar todas essas empresas, batizada de Óbvio Brasil.

 

A empresa tem agora 70 funcionários e está sediada em Campo Grande (MS), mas possui escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro. Não apenas passou a ter receitas como, em janeiro, atingiu o chamado “break even”, ou seja, tem lucro no balanço no fim do mês. E quer ampliar os negócios. Nesta sexta-feira (15), aniversário de 23 anos do Código de Defesa do Consumidor, está lançando o PagBlindado, um sistema de pagamento que só serve para empresas “idôneas”.

 

Vargas afirma ter recebido diversas propostas de investidores, interessados em comprar participações na empresa. “Fomos procurados por todos os fundos, Flybridge, Monashees, Mitsui, Redpoint, grupos argentinos, americanos…” O empresário não aceitou vender o Reclame Aqui e continua como controlador, com 40% (o resto pertence a sócios da época em que a empresa foi lançada). “Mas, se pintar, pintou”, diz.

 

E, mesmo sem render receita, o Reclame Aqui continua sendo o queridinho de Vargas. “O site é ‘blidado’, ninguém mexe nele. Nunca aceitei sequer colocar anúncio, para não comprometer a credibilidade da página”, conclui.

IG

Muricy elogia Marcelo Moreno, mas lamenta valores do negócio: ‘Difícil’

(Foto: Reprodução SporTV)
(Foto: Reprodução SporTV)

A tentativa do Santos de contratar o atacante boliviano Marcelo Moreno, do Grêmio, esbarra principalmente no alto salário do jogador. Após acertar com sete reforços, o clube não tem dinheiro para fazer novo investimento. Por isso, nesta sexta-feira à tarde, em entrevista coletiva no CT Rei Pelé, o técnico Muricy Ramalho admitiu que a negociação é inviável.

A informação que chegou aos dirigentes do Alvinegro era de que Moreno recebia cerca de R$ 400 mil mensais, mas na verdade somando luvas e salários o valor chega a aproximadamente R$ 500 mil.

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– Ele é um grande jogador, mas pelo salário fica complicado. No nosso orçamento fica difícil (encaixar), a não ser que o Grêmio abra mão de alguma coisa. Se ele viesse seria excelente, pois é um grande jogador.

Nascido na Bolívia, Moreno tem dupla nacionalidade, pois seu pai é brasileiro. Por isso, segundo o próprio jogador, ele não conta como um atleta estrangeiro, algo que confundiu Muricy. Como cada clube só pode relacionar três atletas do exterior em uma partida, o Santos procura um centroavante brasileiro, pois tem o trio argentino Patito Rodriguez, Miralles e Montillo.

– A dificuldade é que ele (Moreno) é estrangeiro. Estamos tendo dificuldades porque nos oferecem atletas estrangeiros, e estamos dando preferências aos jogadores brasileiros. Está difícil, pois algum time sempre leva oferecendo mais. Está correndo muito dinheiro. Os centroavantes estão empregados.

Na última quinta-feira, o Grêmio perdeu para o Huachipato, do Chile, por 2 a 1, pela Taça Libertadores, e Marcelo Moreno entrou no segundo tempo no lugar do volante Adriano, ex-Santos. O jogador ficou chateado por ter seu nome envolvido como moeda de troca na negociação com o Palmeiras por Barcos. Apesar disso, ainda prioriza a permanência no clube gaúcho.

Reserva, Moreno tem a concorrência de Kleber, Barcos, Vargas e Welliton no ataque do Tricolor. No Peixe, brigaria com André e Miralles. O próprio atleta se disse animado com a possibilidade de atuar com Neymar.

 

 

Globoesporte.com

Eletricidade: um negócio muito rentável no Brasil

“As hidrelétricas no Brasil tornaram-se fábricas de produção de eletricidade, de risco de realização da receita nulo e elevada lucratividade”. É a partir dessa crítica que o engenheiro e professor da Universidade Federal de Mato Grosso, Dorival Gonçalves Júnior, aponta as medidas políticas dos últimos anos, que têm transformado o setor elétrico brasileiro em uma fonte rentável para investidores nacionais e internacionais, e “a eletricidade em mercadoria internacional”. “Vender eletricidade produzida em base hidráulica, ao preço da produção térmica, transformou esta cadeia produtiva em fonte de elevada lucratividade e de intensa disputa de muitos setores capitalistas”, diz à IHU On-Line, em entrevista concedida por e-mail. E esclarece: “Desde 2004, com a lei 10.848, os novos empreendimentos hidrelétricos são licitados pelo Estado Brasileiro em leilões. Ganham o direito de construir e explorar economicamente o recurso hidráulico o consórcio de empreendedores que se dispõe a construir e vender no mínimo 70% da energia produzida, ao menor preço em reais por cada 1.000 KWh (R$/MWh) para as empresas distribuidoras.  Estas últimas são as empresas que vendem eletricidade para a quase totalidade da população brasileira (consumidores residenciais, comerciais, médias e pequenas indústrias, correspondem por volta de 75% do consumo nacional)”.

Para ele, a aprovação da lei 12.783, consequência da MP 579, “é a continuidade de uma política que busca dar competitividade aos capitalistas que optarem por instalar seus negócios no Brasil”. Gonçalves Júnior também questiona a redução de 18% da conta de luz, porque não atende à proposta das classes trabalhadoras. Para ele, o anúncio de diminuição das tarifas tem “um forte apelo ideológico para as massas trabalhadoras de que o governo está trabalhando pelas causas populares ao diminuir o custo da tarifa das residências dos trabalhadores e na manutenção/criação de empregos. Por outro lado, todos os capitalistas sabem que a diminuição das tarifas para os trabalhadores – se ocorrer – significa a diminuição do custo de reprodução da força de trabalho, logo está se criando mais um espaço para a expansão do lucro”.

Confira a entrevista.

Professor Dorival Gonçalves Júnior – Foto: Reprodução

IHU On-Line – Como avalia a Lei 12.783, oriunda da MP 579, sobre a renovação das concessões do setor elétrico?

Dorival Gonçalves Júnior – Antes de lhe responder preciso deixar claro que a minha avaliação é feita segundo a perspectiva da classe trabalhadora. Assim, a MP 579, agora Lei 12.783, é uma iniciativa do governo para tentar superar uma das contradições engendradas no interior da recente reforma industrial que aconteceu na cadeia produtiva de eletricidade. Estou falando dos elevados preços da eletricidade que atinge diretamente a classe trabalhadora, parcelas significativas da burguesia industrial e comercial brasileira. O processo de mudança patrimonial e política iniciado em meados de 1990, com a finalidade de resgatar o controle da exploração do trabalho através do processo de privatização e, consequentemente, o aumento da exploração dos trabalhadores através da demissão e intensificação do trabalho, concomitante à institucionalização da eletricidade como mercadoria com o seu preço internacionalizado, entre outras medidas tomadas, não tinham assegurado até o início dos anos 2000 a “atratividade” para os investimentos na geração. Isto acabou colaborando para o racionamento entre junho de 2001 e fevereiro de 2002. O governo do PSDB, que capitaneava este processo, apesar de ter estabelecido uma série de encaminhamentos, que mesmo sob o racionamento, garantiu a continuidade dos lucros, acabou perdendo credibilidade. Este evento associado a outros, permitiram ao PT credenciar-se para substituir o governo do PSDB.

Compra de eletricidade 

Durante a campanha eleitoral, o PT assumiu o compromisso de promover mudanças com vistas a assegurar a “atratividade” dos investimentos em toda a cadeia, no caso da indústria de eletricidade, sem abrir mão dos fundamentos executados pelo governo do PSDB. Isto é, manter a indústria de eletricidade organizada pelos “sinais de preços”. O PT eleito, após mais de um ano em discussão com todos os setores da burguesia industrial, comercial, e financeira interessada na cadeia produtiva de eletricidade, institucionalizou, em março de 2004, as leis 10.847 (criação da EPE) e 10.848 (comercialização da energia elétrica). Estas leis consolidaram um conjunto de medidas que solidificaram a elevada lucratividade da indústria em toda a cadeia e, além disso, reduziram os riscos dos investidores na geração, ao ancorar os novos empreendimentos com contratos de longo prazo, na conta de eletricidade dos consumidores do “mercado regulado”. A partir de então, a venda da eletricidade é feita em dois ambientes. O primeiro é o ambiente de contratação regulada, onde a eletricidade tem a tarifa definida pela ANEEL através de uma metodologia que assegura o preço internacional para a eletricidade. É neste ambiente que os consumidores residenciais, comerciais, e médias/pequenas indústrias compram por volta de 70% da eletricidade vendida no país. O outro, é o ambiente livre, onde grandes consumidores compram sua energia diretamente dos geradores, e dependendo da maneira que estão ligados no sistema de transporte de eletricidade do país, pagam “pedágio” pela transmissão e/ou “pedágio” pela distribuição. Esta foi a forma que arquitetaram para garantir aos setores capitalistas uma forma de poder comprar sua eletricidade abaixo do preço internacional, especialmente, pela possibilidade de poder tirar partido da produção no período de chuvas.

Assim, neste quadro institucional, a segurança econômica dos projetos estava garantida para todos os agentes industriais, comerciais e financeiros participantes da cadeia. Fato que pode ser evidenciado no crescimento das instalações de produção. Entre 2004 e 2012 a potencia instalada no país saltou de 90 GW para 120 GW. Acrescenta-se ainda, as estes 120 GW, a existência 26,6 GW em construção. Em termos da expansão da indústria, destaca-se que os números da geração repercutem diretamente sobre a transmissão e a distribuição. Os inúmeros negócios na geração, na transmissão e na distribuição concomitante à venda da mercadoria eletricidade ao preço internacional, garantem a todos os participantes da cadeia, uma lucratividade inigualável no ramo, mundialmente.

Mas, a partir da crise econômica instaurada em 2009, começa a surgir do lado da demanda, um movimento dos consumidores industriais e comerciais que compram eletricidade no mercado regulado questionando os preços praticados no país. Estes, com o objetivo de resgatar a competitividade em seus negócios, articulados nas federações de comércio e indústria, passam a questionar os reajustes anuais e as revisões tarifárias concedidas pela ANEEL às empresas distribuidoras. No ano de 2011, estes setores ganham apoio dos consumidores eletrointensivos, tais como os setores de: alumínio, papel celulose, petroquímico e siderúrgico. Grupos como a Alcoa, a Gerdau, entre outros, em audiências com o executivo, passaram a ameaçar o fechamento de plantas de produção no Brasil. A permanência do quadro de crise econômica, associado ao peso da eletricidade, na bolsa dos trabalhadores, nos custos das atividades industriais, comerciais e serviços, em síntese, a densidade política destes interesses, obrigou o governo a encaminhar politicamente estas reivindicações.

Modelo mercantil 

Contudo, como em 2004, o problema para o governo era como exercer uma ação política de controle – neste caso no preço – e simultaneamente afirmar que mantinha o modelo mercantil como forma de organizar a cadeia de eletricidade. No contexto do debate sobre a redução das tarifas, havia consenso entre todos os setores capitalista nas questões relacionadas à redução dos impostos e dos encargos setoriais. Todos os setores capitalistas e os trabalhadores organizados (MAB, sindicatos de eletricitários etc) tinham clareza do vencimento de concessões de empreendimentos – maioria de propriedade de empresas estatais – na geração e transmissão, já amortizados. Sobre esta questão, os setores capitalistas interessados na redução das tarifas advogavam a privatização através de licitação e com suas tarifas reduzidas por se tratar de empreendimentos amortizados. Já os setores capitalistas da indústria de eletricidade (geração, transmissão, distribuição), a questão não estava em renovar ou licitar as concessões. Para estes, a definição pelo estado dos preços da eletricidade dos empreendimentos amortizados, sinaliza uma intervenção direta na definição dos preços em toda cadeia produtiva da eletricidade.

Embora o governo tenha feito um enorme esforço para não desagradar
aos interesses capitalistas da cadeia produtiva de eletricidade,
isto não impediu o descontentamento do setor – Foto: Reprodução

Neste tema, os trabalhadores defendiam a renovação das concessões dosempreendimentos sob o comando das estatais e propunham que a venda da eletricidade dos empreendimentos amortizados, fosse destinada exclusivamente aos consumidores residenciais, como forma de reduzir acentuadamente as tarifas para este segmento de consumo. Além disso, os trabalhadores tinham pauta específica, em relação às condições de trabalho nas estatais. Então qual foi a saída arquitetada? Para compreender o encaminhamento dado, compete analisar o modus operandi do PT. O governo do PT tem, entre suas estratégias de poder, uma atuação política no Estado, no sentido de encaminhar medidas institucionais e econômicas com o objetivo de criar as condições para que interesses capitalistas nacionais/internacionais, tais como, os das cadeias produtivas ligadas: à mineração, energia, agronegócio, entre outras, sejam atraídas para instalar suas plantas de bens de produção, bens de consumo e bens de serviços no território nacional. Neste sentido, tirando partido da natureza privilegiada brasileira, que na ótica capitalista, esta natureza – combinada a tecnologias e à força de trabalho eficiente – é base de elevada produtividade do trabalho. Portanto, esta atuação política objetiva demonstrar às forças capitalistas que, ao realizarem os seus investimentos aqui, terão acesso a lucros superiores aos que obteriam em qualquer lugar do mundo. Esta política do governo do PT – de atração e expansão capitalista no Brasil – pode ser constatada:

1. Na busca incessante de reorganizar o Estado em novas bases institucionais onde o planejamento (criação das: Empresa de Planejamento Energético e Empresa de Planejamento e Logística) a regulamentação/fiscalização (fortalecimento das agências reguladoras: ANEEL; ANP; ANA etc) do Estado se realiza com princípios de mercado;

2. Na criação de políticas de controle do custo do crédito (redução de juros) e financiamento da produção e consumo ancoradas nos bancos estatais (Caixa; BB e BNDES);

3. No emprego das estatais como empresas que alavancam o desenvolvimento de cadeias produtivas (caso do papel da Petrobras para o desenvolvimento de polos petroquímicos, do agronegócio na produção de etanol e biodiesel e da ELETROBRAS nos consórcios de construção das grandes hidrelétricas e linhas de transmissão, são alguns exemplos deste apoio.) assegurando às empresas capitalistas os estágios de negócios mais lucrativos na cadeia de produção; e

4. Na expansão da oferta, através do Estado e da iniciativa privada, de uma rede de cursos de formação e especialização da força de trabalho (aumento massivo do número de vagas para a classe trabalhadora em escolas técnicas, universidades públicas e privadas) com vistas a aumentar a produtividade do trabalho dos trabalhadores brasileiros.

Projeto político do PT

Assim, o governo do PT, orientado por seu projeto político, supõe que, por um lado, atende a maioria dos segmentos capitalistas (nacional e internacional) que, atraídos por este cenário de oportunidades aos lucros extraordinários, veem no PT o partido político da ordem e defendem sua permanência no poder e, por outro lado, também tem apoio dos trabalhadores, pois mantido as políticas de aperfeiçoamento da produtividade da força de trabalho concomitante ao ambiente de crescimento econômico, independente das taxas de exploração do trabalho, grandes contingentes de trabalhadores são incorporados em processos produtivos. Isto aparenta aos trabalhadores a existência de melhores condições de trabalho, quando cotejadas as que existiam no passado recente.

Competitividade 

Então, recuperando a entrevista da Dilma no final de 2012, para o governo, este ano é “o ano da competitividade …”. Portanto, a MP 579 (lei 12.783) é a continuidade de uma política que busca dar competitividade aos capitalistas que optarem por instalar seus negócios no Brasil. Esta norma atende a expressivos setores capitalistas. Isto pode ser verificado nas medidas políticas contidas na MP. A extinção da Reserva Global de Reversão – RGR e a redução da Cota de Consumo de Combustíveis – CCC – Cota de Consumo de Combustíveis e da Cota de Desenvolvimento Energético – CDE atende sem distinção a todos os setores capitalistas, sejam os da cadeia produtiva de eletricidade, sejam os que têm a eletricidade como um insumo em seus negócios. A renovação das concessões dos empreendimentos amortizados permite a diminuição das tarifas que varia entre 16% (para os consumidores residenciais) e 28% (consumidores industriais) no ambiente de contratação regulada.

Assim, apesar de não atender a parcela organizada dos trabalhadores (MAB e sindicatos de eletricitários, entre outros), tem no anúncio de diminuição das tarifas um forte apelo ideológico para as massas trabalhadoras de que o governo está trabalhando pelas causas populares ao diminuir o custo da tarifa das residências dos trabalhadores e na manutenção/criação de empregos. Por outro lado, todos os capitalistas sabem que a diminuição das tarifas para os trabalhadores – se ocorrer – significa a diminuição do custo de reprodução da força de trabalho, logo está se criando mais um espaço para a expansão do lucro.

Interesses capitalistas 

Embora o governo tenha feito um enorme esforço para não desagradar aos interesses capitalistas da cadeia produtiva de eletricidade, bancando os custos econômicos decorrentes da diminuição das tarifas nas empresas estatais, isto não impediu o descontentamento do setor que viu nesta MP, uma ação intervencionista de Estado e limitadora do mercado.

Este cenário oportunizou ao PSDB, que vem de sucessivas derrotas políticas, a tentar se credenciar de novo como o partido político que melhor representa os interesses capitalistas. Por isso tomou a decisão política de não aceitar a renovação das concessões dos empreendimentos das empresas estatais (CEMIG, COPEL e CESP) nos estados (Minas Gerais, Paraná, São Paulo) em que este partido detém o poder. Então, a MP 579 (lei 12.783) expressa o resultado momentâneo desta disputa política e econômica intercapitalista. A forma como a mídia tem “criado” um estado de elevado risco de operação e desabastecimento da eletricidade no país é prova de que a disputa continua. E esta reação contrária à lei 12.783 tende a aumentar à medida que for se aproximando o período de renovação das concessões dos empreendimentos amortizados, que estão sob controle das empresas privadas. No capitalismo, não existe empresa que reduz o preço de suas mercadorias porque os seus meios de produção já estão amortizados. Pois, o trabalho dos trabalhadores em instalações, máquinas e equipamentos amortizados são fontes de lucros extraordinários que os capitalistas não abrem mão.

Qual a implicação de construir hidrelétricas nos rios do Pantanal?

Para falar em hidrelétricas no Pantanal, antecede caracterizá-lo em termos de suas principais peculiaridades físicas e bióticas. Limitando-se ao Pantanal no território brasileiro, o Pantanal mato-grossense localiza-se nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, numa extensa planície banhada pela bacia do Alto Paraguai. Nas bordas da planície se estende uma estreita região de Planalto, divisora de águas das principais bacias brasileiras. No noroeste e norte de Mato Grosso, próximo ao divisor de águas do Pantanal com a bacia Amazônica, região que nasce o rio Paraguai, destacam-se os rios: Jauru, Cabaçal e Sepotuba. Na região norte, nordeste e leste de Mato Grosso, próximo ao divisor de águas do Pantanal com a bacia Amazônica e bacia do Tocantins está situada a bacia do rio Cuiabá, principal afluente do rio Paraguai na bacia do Pantanal. O rio Cuiabá se destaca pela dimensão de sua bacia de drenagem bem como pelos seus afluentes, como: o rio Manso; o São Lourenço e o rio Correntes. Outro rio afluente do rio Paraguai que se destaca é o rio Taquari, com sua bacia localizada no leste de Mato Grosso do Sul.

Pantanal sofre com a extinção do pescado e o desaparecimento da
atividade dos pescadores em municípios como o de Porto Esperidião (MT)
– Foto: Reprodução

Na região do Pantanal, a pluviometria média anual está em torno de 1.250 milímetros. O modo como ocorre o período seco e de chuvas acaba determinando o regime das águas na região que marcam as estações do Pantanal. Por isso, os habitantes nativos costumam dividir as estações no Pantanal em: “enchente” de outubro a setembro; a “cheia” de janeiro a março; a “vazante” de abril a maio; e a “seca” de junho a setembro. Os rios na região de planície são dotados de muitos meandros e canais que interligamos rios e as lagoas, constituindo grandes áreas de inundação nos períodos de cheias. É esta característica particular, como diz a pesquisadora da Embrapa Débora Calheiros, o “pulso das águas do Pantanal”, durante o período de cheias que faz os rios atingirem cotas suficientes para alimentar lagoas e as extensas áreas de alagamento, as quais determinam habitat especial responsável por uma rica e particular fauna e flora no pantanal mato-grossense.

Impactos das hidrelétricas 

Com estas considerações iniciais sobre o Pantanal é possível avaliar os impactos da construção de hidrelétricas nos rios do Pantanal. As hidrelétricas construídas estão localizadas na região de planalto da bacia de drenagem do Pantanal. A quase totalidade dos empreendimentos são usinas hidrelétricas a fio d’água e apenas uma delas é de reservatório de acumulação. Cabe destacar que as hidrelétricas a fio d’água são aquelas que a vazão afluente é igual à vazão de fluente. Isto é, a água que chega a montante das instalações da hidrelétrica, independente do volume, é lançada à jusante da instalação. Daí decorre o argumento de que este tipo de empreendimento causa baixo impacto, pois, segundo os que assim argumentam, este tipo de instalação não altera o regime hidrológico do rio.

Esta argumentação, em geral se mostra falsa na realidade, especialmente, quando se trata das hidrelétricas construídas na bacia de drenagem do Pantanal. Um exemplo típico é o caso do rio Jauru, em Mato Grosso, afluente do rio Paraguai. Neste rio foram construídos seis empreendimentos sucessivos em uma extensão aproximadamente de 60 Km. De modo que, considerando as hidrelétricas instaladas da nascente para a foz, a água a jusante da primeira hidrelétrica está praticamente na cota da barragem da segunda hidrelétrica e assim sucessivamente até a sexta hidrelétrica. Constituindo uma cascata de seis barramentos sucessivos, que mesmo sendo todos empreendimentos a fio d’água,estes, proporcionaram um grande impacto direto ambiental e social no rio Jauru. Cerca de 60 km do curso do rio Jauru que eram – sem a construção das hidrelétricas -, dotados de pequenas cachoeiras combinadas às corredeiras foram transformados num conjunto de seis reservatórios sucessivos. Limitando a análise sobre o que ocorreu no curso original do rio Jauru, verifica-se que, por um lado, pôs fim a declividade natural do rio na extensão em que foram construídas as hidrelétricas atingindo diretamente as espécies de peixes migratórias e, por outro lado, os reservatórios individualmente – apesar de terem reduzida capacidade de armazenamento – por estarem dispostos de maneira sucessiva, possibilita ao conjunto de hidrelétricas uma capacidade de armazenamento na cascata que determina um novo regime hidrológico a jusante do complexo. O que mostra a fragilidade do argumento de que as hidrelétricas a fio d’água não alteram a vazão natural dos rios.

Efeitos 

A dimensão dos impactos sociais e ambientais pode ser contatada na extinção do pescado e o desaparecimento da atividade dos pescadores do município de Porto Esperidião, em Mato Grosso, proporcionada pelas hidrelétricas construídas nestes últimos dez anos no rio Jauru. Situação muito semelhante a do rio Jauru -hidrelétricas construídas sucessivamente – já está parcialmente materializada nos rios: Juba – afluente do Sepotuba -; São Lourenço e afluentes; Correntes e afluentes; e o rio Itiquira, todos pertencentes à bacia do Pantanal. Mas, a condição de maior impacto ambiental e social, produzido diretamente por um empreendimento hidrelétrico localizado no Pantanal, é o caso da hidrelétrica Manso. Esta Hidrelétrica está localizada na foz do rio Casca com o rio Manso a cerca de 80 km da foz do Manso no rio Cuiabá. A hidrelétrica Manso é de reservatório de acumulação, cuja área de inundação se estende por mais de 43.000 hectares, seu reservatório tem uma capacidade de acumulação de volume útil de aproximadamente três bilhões de metros cúbicos. Os impactos diretos determinados por esta hidrelétrica são muitos.

Segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, por volta de 1000 famílias foram diretamente impactadas pelo empreendimento. Outro grande impacto verificado pela construção de Manso está no novo regime hidrológico imposto ao longo do curso do rio Cuiabá, principalmente, no trecho compreendido entre a foz do rio Manso no rio Cuiabá até a foz do rio São Lourenço no Cuiabá. Pois, como o rio Manso é o maior contribuinte nesta extensão – extensão do rio Cuiabá contida na região denominada baixada Cuiabana – com a construção da hidrelétrica a vazão do rio Manso, e por sua vez a do rio Cuiabá, ficou praticamente regularizada. Explicando a regularização. Com a construção da hidrelétrica o rio Manso não apresenta mais o seu regime natural, pois no período de “cheia” a maior parte da água afluente a barragem fica armazenada no reservatório para ser utilizada no período de seca. O rio Manso, a jusante do local onde está a hidrelétrica, tinha vazões de mais de 1.200 metros cúbicos por segundo, hoje as vazões neste período não ultrapassam 350 metros cúbicos por segundo, e, no período de seca, as vazões chegavam a menos de 20 metros cúbicos por segundo estando agora – após a construção da hidrelétrica – em torno de 150 metros cúbicos por segundo.

Construção eclusa de Tucuruí – Foto: Reprodução

Assim, com a regularização, o rio Manso que a jusante da barragem tinha durante operíodo de cheias vazões máximas superiores a 1.200 metros cúbicos por segundo e que durante a seca tinha vazões mínimas menores que 20 metros cúbicos por segundo passou, com a construção da hidrelétrica de Manso, a ter uma vazão que oscila entre o valor máximo e mínimo respectivamente de 350 e 150 metros cúbicos por segundo. Aqui, está a razão do grande impacto ambiental e social produzido pela hidrelétrica de Manso na região da baixada cuiabana. A construção da hidrelétrica alterou profundamente o regime hidrológico do rio Manso e do rio Cuiabá, especialmente, no trecho entre a localização da foz do rio Manso no rio Cuiabá e na foz do rio São Lourenço no rio Cuiabá. Ou seja, neste extenso curso do rio Cuiabá desapareceu o “pulso das águas”, com gravíssimas consequências, principalmente, para as áreas de planícies. Pois, o rio Cuiabá sofre significativa influência da regularização do rio Manso proporcionado pela Hidrelétrica Manso, de modo que, as águas em seu leito já não atingem as cotas capazes de através dos canais que ligam o rio às lagoas alimentá-las nos períodos de cheias. Assim, nesta área – baixada Cuiabana – as estações: “enchente”, “cheias”, “vazante” e “seca” foram intensamente modificadas. Para registrar é suficiente constatar o fim da atividade pesqueira em inúmeras comunidades ribeirinhas que se estendiam desde a cidade de Nobres até a cidade de Barão de Melgaço em Mato Grosso. As secas registradas nas Lagoas Siá Mariana e Chacororé, após a construção da hidrelétrica de Manso, são o testemunho inequívoco dos impactos ambientais produzidos no meio físico, biótico e social na região.

De acordo com os pesquisadores que estudam o Pantanal, as hidrelétricas e PCHs instaladas ao longo do bioma utilizam 70% do potencial hidrelétrico da Bacia do Alto Paraguai. O que esse valor significa e representa considerando a peculiaridade do bioma?

Atualmente, a potência instalada pelo conjunto das 37 hidrelétricas (Usinas Hidrelétricas – UHE’s – são as instalações com potência instalada acima de 30 MW – e as PCH’s– são as denominadas Pequenas Centrais Hidrelétricas cujas instalações tem potência instalada compreendida entre 1 MW e 30 MW –) existentes na bacia do Pantanal está em torno de 1.140 MW,  que corresponde exatamente à potencia instalada na UHE de Machadinho, localizada no rio Pelotas na divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Este valor equivale – hoje – acerca de 1,2% da potência instalada em PCH’s e UHE’s no Brasil. Mas, cabe destacar, que o parâmetro geralmente utilizado – potência instalada em usina hidrelétrica – não é uma noção que mostra a produtividade da hidrelétrica. Este indicador diz respeito apenas à quantidade que a instalação poderá produzir. O parâmetro que indica a produtividade de uma usina é a sua energia firme. De maneira simplificada, energia firme – de uma usina de produção de eletricidade – equivale à quantidade de potência elétrica média que a usina assegura durante o período de um ano.

Para exemplificar considere duas situações concretas. A primeira, a usina hidrelétrica de Manso, localizada no rio Manso na bacia do pantanal mato-grossense, que tem 210 MW de potência instalada e sua energia firme é de 92 MWmédios. A segunda, a usina hidrelétrica Serra do Facão, localizada no rio são Marcos – em Goiás – afluente do rio Paranaíba, com potência instalada de 210 MW, mas a sua energia firme é de 182 MWmédios. O que se procura mostrar aqui? Procura-se evidenciar que para compreender se uma usina hidrelétrica é produtiva é necessário saber a sua energia firme e não a sua potência instalada, como em geral, as propagandas para a viabilização de empreendimentos hidrelétricos fazem. Assim, pelo exemplo, as hidrelétricas de Manso e Serra do Facão, apesar de terem a mesma potência instalada – 210 MW –, Serra do Facão produz duas vezes mais eletricidade, em média por ano, do que a hidrelétrica de Manso. Então, utilizando a noção de energia firme verificamos a baixa produtividade média das hidrelétricas instaladas na bacia do pantanal, uma vez que, a produção na bacia não ultrapassa a 600 MWmédios. Este valor corresponde apenas a cerca de 1,1% da produção nacional, quando referenciado na produção hidrelétrica no Sistema Interligado Nacional em 2011.

Contudo, a irrelevância da produção das hidrelétricas do Pantanal não está materializada apenas no reduzido percentual de sua contribuição ao sistema interligado nacional, mas sim, no período que a sua produção é considerada significativa. As hidrelétricas localizadas na bacia do Pantanal operam todas interligadas ao Sistema Elétrico Nacional, e o período em que elas conseguem produzir maisé no período de maior pluviosidade na região Sudeste. E este período é exatamente quando existe excedente de eletricidade no sistema, pois as hidrelétricas do Sudeste, especialmente as da bacia do Paraná, estão “vertendo energia”. Para esclarecer, energia vertida é a operação – na hidrelétrica – no período em que a vazão afluente possibilitaria a produção da potência instalada. Mas como as cargas (residenciais, industriais, comerciais etc) não demandam esta capacidade deenergia que a usina pode produzir e como o seu reservatório não tem capacidade de armazenamento para reservá-la para o período de baixa afluência, os operadores da hidrelétrica se veem obrigados a descartar parte da vazão afluente através dos vertedouros e não a direcionando aos grupos turbo-geradores, que produzem eletricidade. Esta operação – vazão lançada aos vertedouros – é denominada na usina hidrelétrica de energia vertida.

Para ter a dimensão do quanto de energia é vertida nas hidrelétricas localizadas no Sudeste brasileiro, basta utilizar apenas os dados da hidrelétrica de Itaipu. Nesta, a média anual de energia vertida nos últimos seis anos (2006 a 2011), é maior que toda a energia que pode ser gerada pelo potencial hidráulico (construídas e levantadas) da bacia do pantanal. Assim, se nos referenciarmos: nas características de baixa produtividade das hidrelétricas do Pantanal; na insignificante contribuição que as hidrelétricas do Pantanalpodem dar ao sistema interligado nacional; e, principalmente, nos impactos que estes empreendimentos estão provocando na bacia do Pantanal, não existem argumentos para dar continuidade à implantação de empreendimentos hidrelétricos no pantanal mato-grossense.

Quais são os interesses econômicos e políticos que tentam viabilizar a construção de novas hidrelétricas e PCHs no Pantanal?

Para responder esta pergunta, exige recuperar alguns aspectos marcantes, relacionados ao processo de reforma na indústria de eletricidade brasileira. A crise de reprodução do capital na indústria de infraestrutura estatal nos anos 1980/90 – aqui, falo especialmente da indústria de eletricidade brasileira – resultante das políticas de utilização das empresas estatais pelas forças econômicas acabaram esgotando o modelo de estatal de produção de eletricidade. Isto impôs aos setores capitalistas ligados à cadeia de produção da eletricidade uma atuação política no sentido reorganizá-la em novas bases, com vistas a recuperar a acumulação de capital.

Neste sentido, controlar diretamente todo o processo produtivo com vistas a resgatar a lucratividade, requeria a transferência do patrimônio estatal para o controle direto do capital. Por isso, o encaminhamento do processo de privatização das empresas elétricas e a organização das empresas estatais em bases de gestão privada. Outra medida política fundamental neste contexto foi a transformação da eletricidade em mercadoria internacional. Isto é, a eletricidade no Brasil, por ser predominantemente produzida a partir de recursos hidráulicos, tinha no período estatal – em acordo com os mais diversos interesses capitalistas – os seus preços vinculados aos custos da cadeia produtiva hidráulica. Isto fazia da tarifa de eletricidade brasileira, na época da produção sob a gestão do Estado, uma das mais baratas mundialmente. Então, outra medida central para resolver a crise de reprodução do capital era à institucionalização da mercadoria eletricidade ao preço de mercado, isto é, ao preço internacional. E, em 1994, o governo da época institucionalizou o preço da eletricidade brasileira, vinculando-a ao custo da cadeia produtiva térmica. Isto elevou as tarifas de eletricidade no Brasil ao dobro do que se pagava no período estatal. Vale lembrar que isto foi feito no exato momento em que se implantava no país um plano econômico – Plano Real – que reduziu praticamente à zero a inflação, fato que, permitiu obscurecer a manobra de exploração realizada.

Venda de energia

Vender eletricidade produzida em base hidráulica, ao preço da produção térmica, transformou esta cadeia produtiva em fonte de elevada lucratividade e de intensa disputa de muitos setores capitalistas. Desde então, os segmentos capitalistas ligados à indústria de eletricidade, organizados segundo os seus interesses específicos e gerais, atuam em várias frentes, sobretudo, no interior do estado brasileiro, procurando institucionalizar e regulamentar uma cadeia industrial para a eletricidade, aglutinada em negócios de baixo risco e fonte de lucros inigualáveis neste ramo da produção no mundo.

Na atualidade, são quatro os segmentos de negócio: geração, transmissão, distribuição e comercialização. Desde 2004, com a lei 10.848, os novos empreendimentos hidrelétricos são licitados pelo Estado Brasileiro em leilões. Ganham o direito de construir e explorar economicamente o recurso hidráulico o consórcio de empreendedores que se dispõe a construir e vender no mínimo 70% da energia produzida, ao menor preço em reais por cada 1.000 KWh (R$/MWh) para as empresas distribuidoras.  Estas últimas são as empresas que vendem eletricidade para a quase totalidade da população brasileira (consumidores residenciais, comerciais, médias e pequenas indústrias, correspondem por volta de 75% do consumo nacional). Aqui, é importante destacar que, quem ganha o leilão, conquista o direito de explorar economicamente o recurso hidráulico licitado por trinta e cinco anos. Em geral, cinco anos para construir o empreendimento e trinta para explorar economicamente sem riscos, pois, no leilão o grupo empreendedor conquista um contrato de venda de pelo menos 70% de sua produção para as empresas distribuidoras por trinta anos. Por isso, as hidrelétricas no Brasil tornaram-se fábricas de produção de eletricidade, de risco de realização da receita nulo e elevada lucratividade. Risco de realização de receita nulo, porque o grupo que ganha o leilão, já tem assegurado antes de construí-la, a venda de sua produção durante 30 anos com os contratos assinados e endossados pelo estado brasileiro com as empresas distribuidoras, que são obrigadas a comprar a sua energia nestes leilões. Elevada lucratividade, pois de um modo geral, estes empreendimentos tem sido conquistados, referenciados no custo de produção térmica.

Hidrelétricas no Pantanal

No caso das hidrelétricas construídas na bacia do Pantanal, estas têm contratos de venda a preços que se constituem um verdadeiro assalto ao bolso dos trabalhadores brasileiros. Pois, a maioria dos empreendimentos foi construída tirando partido de formas contratuais carregadas de benesses proporcionadas pelo Estado, a exemplo do PROINFA. Este programa instituído em 2004, no bojo do clima do pós-racionamento 2001-02, em nome de aumentar a produção de eletricidade através de fontes alternativas (pequenas centrais hidrelétricas, biomassa e eólica) o Ministério de Minas Energia elaborou um programa definindo o valor econômico de cada fonte de eletricidade e incumbiu a ELETROBRAS de celebrar contratos de compra de eletricidade por 20 anos, com os candidatos à produção, com preços por MWhanálogos ao custo das térmicas. Oito PCH’s construídas na bacia do pantanal durante os anos 2000 têm contratos com o PROINFA. Este é caso das PCH’s José Gelasio (26,6 MW) e Rondonópolis (23,7 MW), localizadas no município de Rondonópolis, em Mato Grosso, no ribeirão Ponte de Pedra, pertencente à bacia do rio São Lourenço. São empreendimentos que somam receita anual em torno 30 milhões de reais (para comprovar esta informação basta recorrer ao site da ANEEL no seguinte endereço eletrônico:http://www.aneel.gov.br/cedoc/areh20121385_2.pdf). Como os investimentos realizados não ultrapassaram a 100 milhões nos dois empreendimentos, estas PCH’s – com contratos de 20 anos de venda de sua produção – tiveram os investimentos recuperados em pouco mais de três anos com a receita assegurada pelo PROINFA. Aqui, cabe a pergunta:Quem paga esta conta? Cabe destacar que os custos do PROINFA são rateados entre todas as classes de consumidores do Sistema Interligado Nacional e, evidentemente, quem paga é a classe trabalhadora, pois só com muita luta esta consegue transferir os custos de sua reprodução para a sua mercadoria – força de trabalho.

Até meados de 2010, todos os locais com potenciais para instalação de PCH’s foram muito disputados como negócios de lucros garantidos. Atualmente, com a crise capitalista acentuada a partir de 2008, a indústria eólica mundial, com a suspensão de muitos contratos de venda de seus equipamentos, passou a disputar todos os mercados. O Brasil, considerada a organização institucional da indústria de eletricidade com a garantia do retorno ao capital investido, atraiu, em curto espaço de tempo, um grande número de montadoras de equipamentos eólicos. Estas, ao final de 2012, totalizavam no território nacional oito montadoras com uma capacidade de produção anual em torno de 3,9 GW. Estas empresas, associadas a outros grupos de interesse, passaram a participar dos leilões de novos empreendimentos, colocando os seus preços bem abaixo das Pequenas centrais hidrelétricas e das térmicas de biomassa. No último leilão de compra de eletricidade, ao final de 2012, as eólicas venderem eletricidade a menos de R$ 89,00/MWh, fato que, inviabilizou 22 projetos de PCH’s e 10 projetos de térmicas a biomassa que participaram do leilão. Assim, momentaneamente, a concorrência intercapitalista está detendo a expansão de empreendimentos hidrelétricos na bacia do Pantanal.

 

 

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