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Governo reforça necessidade de notificação imediata, pelos municípios, de casos suspeitos Covid-19

O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), reforça aos municípios que a notificação de casos do novo coronavírus (Covid-19) deve ser imediata. Por determinação do Ministério Público Federal, o serviço de saúde e/ou a Secretaria Municipal deverá garantir essa informação ao Estado em até 24 horas para evitar a subnotificação.

De acordo com a gerente de Vigilância em Saúde da SES, Talita Tavares, a fase atual da pandemia é da mitigação, na qual se reconhece que já existe em todo o território nacional a transmissão comunitária ou sustentada (entre a população). Nesta fase a prioridade da vigilância está voltada para a identificação dos casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), visando garantir o tratamento adequado a fim de evitar o óbito, bem como a elucidação do diagnóstico laboratorial. Todos os casos de SRAG, que incluem os suspeitos de Covid-19, devem ser notificados em até 24 horas a partir do diagnóstico clínico. Para isso, é necessário que as notificações sejam inseridas no sistema de notificação oficial da vigilância das doenças respiratórias, o SIVEP-Gripe, que também é on-line.

Talita Tavares pontua que nesta fase ainda é mantida a vigilância das síndromes gripais nas unidades sentinelas. Os casos leves, atendidos pelos profissionais das unidades básicas de saúde e das UPAs,  deverão ser notificados no novo sistema que foi disponibilizado pelo Ministério da Saúde, o eSUS VE, também on-line, disponível em: https://notifica.saude.gov.br/login.

“Essa ferramenta é utilizada pela Atenção Primária, com o objetivo de registrar dados dos pacientes com síndrome gripal, o que permitirá conhecer a magnitude e distribuição da Covid-19 no nosso território”, explica.

A gerente afirma ainda que a não contabilização dos casos suspeitos decorre, também, da não notificação desses casos pelos profissionais de saúde, o que impede a Vigilância de seguir com o monitoramento.  “Por isso a exigência da notificação imediata”, observa. Talita Tavares reforça também que as Secretarias Municipais de Saúde que possuem aplicativos e sistemas de notificação diferenciado devem também trabalhar alinhada com a SES.

“A Secretaria de Estado da Saúde precisa ter a mesma base de notificação que os municípios para evitar assim a subnotificação e garantir a divulgação de casos consistentes”, completa.

PB Agora

 

 

‘Um ano passando necessidade mesmo’, diz Ed Motta sobre período após polêmica com fãs brasileiros

Ed Motta revelou que passou por dificuldades financeiras após polêmica com fãs brasileiros. Em 2015, o cantor criticou o seu público brasileiro de shows na Europa e foi duramente hostilizado.

“Eu errei feio na forma como eu reagi com as pessoas na internet, isso eu me arrependo amargamente”, confessou o cantor ao programa Pânico da rádio Jovem Pan.

Perguntado se os artistas não devem ser honestos com o seu público, Ed respondeu que no “Brasil não vale a pena” ser honesto, pois ele recebeu muita represália pela atitude que teve. Chegou a confessar que ficou um ano sem conseguir pagar o condomínio de seu apartamento.

“Um ano passando necessidade mesmo, as pessoas fecharam todas as portas para mim. Agora as pessoas estão dando uma esquecidinha, mas eu virei uma espécie de Hitler assim”, desabafou o cantor.

“Eu fiquei numa situação financeira difícil mesmo, para a alegria da imprensa que fez aquilo”, ainda acusou Ed. No entanto, fez um mea culpa e concordou que reagiu mal ao comportamento do público que o estava incomodando.

Ele explicou que escreveu, na internet, que fez um show no interior da Inglaterra e que a audiência só era composta de “pedreiros”. Segundo ele, esse teria sido o estopim para que começasse a ser criticado.

“Aí é que está o mea culpa: isso não aconteceu tantas vezes para eu ficar mal humorado daquele jeito. É que eu sou um perfeccionista”, disse. E ainda justificou que o comportamento do público brasileiro lhe tirava a concentração durante suas apresentações.

Com relação à mudança de comportamento do público, afirma que não teve mais esse tipo de problema e considera isso algo positivo. “Mas não foi legal, foi bem ruim para mim”, finalizou.

Reprodutor de vídeo de: YouTube
MSN

TRE não descarta necessidade de tropas federais para as eleições na Paraíba

sauloDurante entrevista na Rádio CBN, na manhã desta segunda-feira (14), o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, desembargador Saulo Benevides, disse que a campanha eleitoral na Paraíba começou dentro da normalidade, mas não descartou a possibilidade de requer tropas federais durante as eleições na Paraíba.

O desembargador informou que a convocação de tropas federais só deverá ocorrer se a força estadual de segurança não conseguir garantir a normalidade da eleição. Ele disse ainda que o TRE está realizando reuniões com representantes de órgãos de segurança para traçar estratégias de forma que o pleito ocorra na maior tranquilidade.

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“Nós temos um povo ordeiro e com as providências que estão sendo tomadas tudo vai transcorrer dentro da normalidade. Em principio, não iremos precisar das tropas, porque eu acredito que a força pública do Estado, a Polícia Militar e a Polícia Civil, têm condições de assegurar um pleito tranquilo. Só diante de um fato assim mais concreto, mais grave ou de omissão, o que eu não acredito que ocorra na Paraíba, é que haveria a convocação de forças federais.”, explicou o desembargador.

 

 

Graça Macena

“Mobilizações das ruas abrem necessidade de debater avanço da reforma agrária”

JoaopedrostedileEm entrevista coletiva concedida aos veículos alternativos presentes na 12ª Jornada de Agroecologia do Paraná, João Pedro Stedile, da coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), avaliou a conjuntura do país criada pelas manifestações nas ruas e como elas afetam pautas históricas dos movimentos sociais, como a reforma agrária e a democratização dos meios de comunicação. A Jornada de Agroecologia começou na quarta-feira (7) e vai até este sábado (10).

Confira a entrevista.

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Qual a situação da Reforma Agrária?

A reforma agrária está parada desde o governo Lula, por vários motivos, como a pressão do capital que disputa a grande propriedade improdutiva, a falta de verbas do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e a aliança político-eleitoral que sustenta o governo ter os ruralistas como base de governo.

Nesse ano não houve nenhum projeto de assentamento ou desapropriações de terras no Brasil. Temos na nossa base por volta de 120 mil famílias acampadas, é um absurdo. Vamos ter uma reunião com a Dilma e cobrar que as políticas públicas sejam alteradas, ninguém aguenta mais esta situação no campo. A reforma agrária precisa de um impulso, e acredito que as mobilizações recentes ocorridas nas ruas vão ajudar a dar uma sacudida no país e obrigar a necessidade de se abrir um debate sobre as políticas estruturais do país, como a reforma agrária.

 

Quais as principais ofensivas do agronegócio nesse momento?

A principal ofensiva que os capitalistas estão fazendo é pela disputa da terra, da água e das mercadorias agrícolas. Daí a ofensiva contra o Código Florestal antigo, e agora a ofensiva vai ser contra as áreas quilombolas e indígenas.

Além disso, há o debate em torno do Código de Mineração fruto de articulação do capital com o Ministério de Minas e Energia, para ser aprovado em regime de urgência na Câmara, evitando o debate com a sociedade. Esse código, se for aprovado desta forma, vai ser um desastre, dando às empresas estrangeiras segurança jurídica para explorar o subsolo.

 

Como você avalia as manifestações ocorridas no Brasil?

Essas manifestações oxigenaram a política brasileira e abriram um novo ciclo de debates, e cada vez que um novo ciclo se abre, ele demora a desaparecer. O que se levantou nas ruas não é algo que irá acabar nas próximas eleições. Analisamos que esse ciclo vai trazer mudanças, quer o Congresso queira ou não.

Nós temos feito um esforço para que os setores organizados da classe trabalhadora e movimentos sociais se apresentem de forma organizada nesse clima e apresentemos um programa de mudanças para a sociedade por meio de jornadas de lutas e manifestações, como fizemos dia 11 e vamos fazer novamente no dia 30 de agosto.

 

As manifestações pressionam o governo a dar um passo à esquerda?

Na cabeça do governo estava tudo arrumadinho: a popularidade da presidenta em alta e o pacto de classes que sustenta o governo sob controle. As manifestações mostraram a fragilidade deste pacto.

A presidenta tentou dar este passo quando anunciou as medidas de convocar a Constituinte e o plebiscito, mas foi derrotada por seus ministros e sua própria base parlamentar. O que eu acho positivo é que o tema foi para a rua, e isso abre um espaço de debates sobre a reforma política, a Constituinte e o plebiscito popular. Inclusive queremos fazer um plebiscito perguntando à sociedade se ela quer a reforma política ou não. O Ibope fez essa pergunta semana passada e deu que 85% da população quer a Constituinte.

 

Por que o governo tem dificuldades em pautar a democratização dos meios de comunicação?

Não tocar neste tema faz parte dessa aliança de classe do governo. Os meios de comunicação do Brasil se transformaram numa arma da burguesia, num negócio que lucra financeiramente e na reprodução das ideias da classe dominante.

O tema da democratização da comunicação é muito parecido com a reforma agrária, porque ele propõe democratizar algo que a burguesia tem como patrimônio sagrado deles, e o movimento social está colhendo assinaturas para levar um projeto de lei popular ao Congresso. E só vamos conseguir esta democratização com um amplo movimento popular, nas ruas.

E as manifestações das ruas vão nesta direção. Não é à toa que vários protestos terminaram na porta da Globo. E agora a juventude marcou uma jornada dos estudantes pela democratização da mídia e contra a Globo, de 28 de agosto a 5 de setembro. Essa luta está só começando.

Foto: Pablo Vergara

brasildefato

Crianças só devem ter celulares em casos de necessidade

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

Objeto indispensável na vida de jovens e adultos, os celulares também são artigo de desejo das crianças. Dado como presente, muitas vezes o aparelho é usado inicialmente para jogos e ouvir músicas. Mas com o acesso à internet cada vez mais facilitado, com pacotes de dados de internet móvel mais populares, o uso indevido do aparelho pode ser um problema para a criançada.

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“Ele chama a atenção delas por ser um objeto de representação do mundo adulto”, explica a coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisa do Brincar da PUCSP, Maria Ângela Barbato Carneiro. Além disso, o celular também é capaz de saciar aquela curiosidade tão presente na cabeça dos pequenos. “As perguntas das crianças se vêem respondidas imediatamente com o acesso rápido e fácil à internet”, afirma.

 

Segundo a coordenadora, não é indicado dar esses aparelhos a crianças menores de 10 anos, pois, nessa idade, elas não têm condições de lidar com a tecnologia adequadamente. A especialista ainda ressalta a importância de os pais observarem se há realmente a necessidade de dar um celular para o filho. “Na maioria das vezes, os pequenos não precisam deles, pois não costumam sair sozinhos. Em casos de emergência, os pais podem ter contato imediato com os filhos através do telefone da escola, por exemplo”, diz.

 

Soluções inteligentes

 

Para controle maior dos pais, já existem aparelhos no mercado projetados especialmente para crianças. É o caso do Mobee: além de só aceitar quatro contatos na agenda telefônica (mãe, pai, casa e um adicional), o dispositivo oferece outras características bastante interessantes para os pais. Uma delas é o botão de “pânico”, que envia uma mensagem de emergência aos contatos assim que a criança o pressionar. O celular também possui um recurso no monitor, que permite aos pais ligarem para o aparelho e ouvirem qualquer coisa que esteja acontecendo em torno dos filhos.

 

Para a especialista, os celulares têm estimulado o consumo e a falta de comunicação entre as pessoas. No entanto, em casos de extrema necessidade, soluções como o Mobee (que só pode ser adquirido pelo site da empresa israelense e custa cerca de R$ 220), são alternativas viáveis. “Se não tiverem essa urgência, os pais devem preferir gastar esse dinheiro com atividades mais educativas, como livros, passeios, brinquedos e atividades culturais”, indica.

 

 

Cartola – Agência de Conteúdo – Especial para o Terra

Acesso à internet deixou de ser luxo e torna-se necessidade para brasileiro

No quarto-cozinha de 20m² em que a gerente comercial Gilmaria Araújo, 25 anos, mora, quase tudo foi comprado pela internet. Do notebook à mesa de jantar, passando pelo micro-ondas, o fogão, o reprodutor de DVD, a televisão, o smartphone e o armário de cozinha. A extensa lista, que inclui outros móveis e mais apetrechos tecnológicos, é a síntese da expressão “tudo ao mesmo tempo, agora”, usada para descrever uma geração de pessoas que quer viver intensamente o hoje, sem desgrudar do celular, do tablet e das redes sociais.

Entre 2002 e 2012, cerca de 40 milhões de brasileiros deixaram a condição de pobreza. Com maisdinheiro no bolso e mais dignidade, eles passaram a integrar uma nova e fortalecida classe média, que está mais plural, educada e, também, conectada. Nos últimos anos, ao passo que ia colecionando novos membros, a chamada classe C foi mudando a cara do Brasil tecnológico.

O acesso à internet, em 2006, era restrito a apenas 35,3 milhões de pessoas. Seis anos depois, esse número já ultrapassa os 83,4 milhões. Não por acaso, os 48,1 milhões de novos usuários alçaram o Brasil ao posto inédito de quinto país em número de conexões à rede mundial de computadores. Atentas a esse fenômeno, as empresas com atuação no país tiveram de se adaptar.

Correio Braziliense

Campanha alerta para necessidade de nova Lei Geral de Comunicações

“O Marco Regulatório/ para a comunicação/ tá atrasado faz tempo/ Mas não dá pra abrir mão”. O trecho é do cordel A peleja comunicacional de Marco Regulatório e Conceição Pública na terra sem lei dos coronéis eletrônicos, de Ivan Moraes Filho, que aborda a questão da concessão pública e a importância da mobilização popular em demanda por um novo marco regulatório.

É para chamar a atenção da sociedade para a necessidade – e urgência – de um novo marco regulatório para as comunicações que diversas organizações e movimentos sociais brasileiros promovem a Campanha Para Expressar a Liberdade – Uma nova lei para um novo tempo. A data escolhida para o lançamento nacional da iniciativa não poderia ter sido outra: 27 de agosto, justamente no dia em que o Código Brasileiro de Telecomunicações completou 50 anos de existência.

“São 50 anos de concentração, de negação da pluralidade. Décadas tentando impor um comportamento, um padrão, ditando valores de um grupo que não representa a diversidade do povo brasileiro. Cinco décadas em que a mulher, o trabalhador, o negro, o sertanejo, o índio, o camponês, gays e lésbicas e tantos outros foram e seguem sendo invisibilizados pela mídia”, afirma a carta de apresentação da Campanha.

A iniciativa alerta para a importância de uma nova lei das comunicações que garanta a participação popular, assegure os direitos humanos, a pluralidade e a diversidade. A intenção é mostrar que as pessoas têm direito de se informar e também de se expressar.

“O novo marco regulatório deve garantir o direito à comunicação e à liberdade de expressão de todos os cidadãos e cidadãs, de forma que as diferentes ideias, opiniões e pontos de vista, e os diferentes grupos sociais, culturais, étnico-raciais e políticos possam se manifestar em igualdade de condições no espaço público midiático. Nesse sentido, ele deve reconhecer e afirmar o caráter público de toda a comunicação social e basear todos os processos regulatórios no interesse público”, destaca a Campanha.

20 pontos

A iniciativa ainda apresenta “20 pontos para democratizar as comunicações no Brasil”. Destaca, por exemplo, a importância de uma arquitetura institucional democrática, com Conselho Nacional de Comunicação, órgãos reguladores de conteúdo, distribuição e infraestrutura, Ministério das Comunicações, e realização periódica da Conferência Nacional de Comunicação (a primeira ocorreu em 2009); participação social; separação de infraestrutura e conteúdo; fortalecimento das rádios e TVs comunitárias; democracia, transparência e pluralidade nas outorgas; garantia da produção e veiculação de conteúdo nacional e regional e estímulo à programação independente; regulamentação de publicidade, entre outros pontos.

Se você também quer participar e apoiar a campanha, acesse: www.paraexpressaraliberdade.org.br

Adital

Comissão da Verdade reafirma necessidade de depoimentos sigilosos

Os integrantes da Comissão Nacional da Verdade reafirmaram na segunda-feira (13), durante uma tensa audiência pública na sede da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ), que os depoimentos de testemunhas ou acusados de participação em crimes praticados pelos órgãos do estado, principalmente na ditadura civil militar entre 1964 e 1985, continuarão sendo colhidos e mantidos em sigilo. A comissão foi oficialmente instalada em maio e tem o prazo de dois anos para entregar um relatório sobre as violações aos direitos humanos ocorridas no país entre 1946 e 1988.

A defesa dos atuais métodos de trabalho da comissão foi feita após inúmeros representantes de entidades da sociedade civil cobrarem maior divulgação dos depoimentos, parcerias com órgãos que representam as vítimas das violações e punição para os autores dos crimes.

“Nem sempre é possível. Eu acho que vocês todos têm que confiar que nós estamos querendo apurar, e para a apuração não podemos fazer tudo publicamente. Isso é uma investigação, temos que tomar depoimentos, muitas vezes em sigilo, para daí tomarmos outros depoimentos e ações. E se nós dermos publicidade nós estaremos prejudicando a descoberta da verdade”, disse José Carlos Dias, um dos membros da comissão e ex-ministro da Justiça no governo FHC, para as cerca de 200 pessoas que lotaram o auditório da OAB-RJ.

Cecília Coimbra, diretora do Grupo Tortura Nunca Mais, questionou os depoimentos sigilosos. “Não podemos continuar colocando sob sigilo, sob confidencialidade, a fala de alguns torturadores notórios. Por exemplo, o senhor Cláudio Guerra vai à Comissão da Verdade, fala um depoimento que ele já escreveu, ‘Memórias da Guerra Suja’, e dá sete nomes de membros do aparelho de repressão que a sociedade desconhece até hoje. Nós precisamos conhecer todas as falas, testemunhos e documentos que a Comissão da Verdade conseguiu. Nós estamos aqui pelo não sigilo, porque manter o sigilo é manter a confidencialidade que os torturadores até hoje têm nesse país”.

A audiência contou com grande participação de jovens e estudantes, a ponto de levar outro representante da comissão, o embaixador Paulo Sergio Pinheiro, a revelar que gostaria de poder participar dos atos de escracho realizados pelos estudantes em diferentes cidades do Brasil.

Fernanda Pradal, estudante e pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (Iser), reforçou a necessidade de um maior diálogo entre a comissão e a sociedade civil. “Acreditamos que um processo participativo e transparente é a única forma de legitimar o resultado que teremos daqui a dois anos. A comissão deve ter com clareza o que significa uma demanda por participação. Ela começa com uma demanda por uma agência pública, e além dessas audiências é fundamental relatórios parciais, não de conteúdo, mas sobre o processo interno e metodologias de trabalho da comissão”.

Punição em debate
Ao explicar as vantagens dos depoimentos em sigilo, Dias tocou em outro ponto sensível da comissão, o da não punição. “O fato que nós não temos o poder persecutório e punitivo, que indigna muita gente, e é normal que aconteça, deve ser usado para que possamos conseguir mais confissões, pessoas que vão à comissão, convocadas ou não, para depor”.

O ex-ministro disse ainda que em caso de convocação, o depoente tem a obrigação de comparecer, aí sim podendo ser punido caso não se apresente. “Eles têm a garantia da impunidade? Têm, porque a lei dá esta garantia, mas praticarão crime se não comparecerem quando convocados. E caberá um procedimento criminal”, afirmou.

Para José Pimenta, do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebrasp), a Comissão da Verdade deve forçar o fim do pacto imposto pelo estado à sociedade contra o esclarecimento da verdade histórica e as cobranças por justiça. “A opinião pública exige dessa comissão a apuração e todo o esforço no sentido de punição, mesmo que isso não esteja previsto nos objetivos da comissão, mas através da ação política, de todos os crimes que foram cometidos no passado e dão base e sustentação para os crimes de tortura, assassinatos e desaparecimentos que acontecem no presente”.

Diante do clima de enfrentamento que tomou conta da audiência, Paulo Sergio Pinheiro reiterou: “nós não julgamos, não vamos condenar nem absolver ninguém. O problema é que há uma desinformação sobre o que é uma comissão da verdade. Nenhuma comissão da verdade no mundo condenou alguém. Os processos de investigação, de pronúncia, de condenação são feitos pelo poder judiciário”.

Ao ouvir um início de vaias, reiterou, “a comissão não é um tribunal de justiça. As críticas devem ser permanentes, mas aproveitemos a oportunidade, não vamos ficar repetindo que os torturadores não vão ser condenados. Não vão ser!”

“Por enquanto”, gritou alguém da plateia, e os estudantes irromperam em coro “cadeia já! Cadeia já! Para os fascistas do regime militar”.

Ao retomar a palavra, esclareceu, “os torturadores não vão ser condenados pela comissão nacional da verdade, agora, é perder tempo achar que o relatório apresentado pela comissão não vai ter consequências”. E completou: “estamos juntos com a sociedade no sentido de esclarecer e de demonstrar a responsabilidade concreta do estado brasileiro durante a ditadura pelos crimes que foram cometidos, no mais alto nível. Não foram abusos ou excessos, tudo o que foi cometido foi com conhecimento dos altos níveis do governo”.

Força popular

A psicanalista Maria Rita Kehl, também integrante da Comissão da Verdade, registrou o clima de confronto da audiência, “às vezes é um pouco chocante ouvir de companheiros da mesma luta um tom acusatório, como se o nosso sigilo, às vezes necessário para uma investigação, fosse da mesma ordem do sigilo de quem está escondendo crimes e etc”, mas não deixou de reconhecer a possibilidade de reviravoltas a partir da mobilização popular.

“Talvez devemos confiar na força e combatividade da sociedade brasileira. Se por lei não nos cabe punir, e não nos cabe, a sociedade está aí. Assim como a Comissão da Verdade foi criada em parte pelo vigor e pela pressão da sociedade, o destino das revelações não está nas nossas mãos, nós não podemos decidir ou obstar nada que a sociedade conseguir pressionar para que o Congresso faça”.

 

 

cartamaior

Relatório chama atenção para necessidade de investimento na juventude

Investir na Juventude na América Latina e no Caribe: Um imperativo de direitos e inclusão. Esse é o título do informe apresentado na semana passada pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). O documento, que destaca a situação da juventude na região, foi um dos destaques da reunião do Comitê Especial da Cepal sobre População e Desenvolvimento 2012, o qual ocorreu na semana passada em Quito, no Equador.

O informe destaca a necessidade de aproveitar o momento demográfico da América Latina e do Caribe – com grande quantidade de jovens – para investir na juventude de agora a fim de evitar maiores problemas no futuro. “Se se investe hoje em sua formação educativa e para o emprego, assim como em sua saúde, as possibilidades de que se realizem uma contribuição decisória para o desenvolvimento da região é clara. Do contrário, quando estes/as jovens forem adultos e idosos, suas possibilidades de se valerem por si mesmos se verão seriamente constrangidas e os investimentos que não se realizaram hoje serão exigidos no futuro, ainda que em um cenário completamente desfavorável”, destaca.

Os dados da publicação também alertam para a importância desse investimento. De acordo com o relatório, informações da Organização das Nações Unidas (ONU) do ano passado destacavam que 26% das pessoas da região têm entre 15 e 29 anos de idade.

Apesar da porcentagem significativa de jovens, os dados sociais não são animadores. Segundo o estudo, cerca de um terço da juventude latino-americana e caribenha vive em situação de pobreza. Em 2009, 30,3% dos/as jovens de 15 a 29 anos da região eram pobres e 10,1% viviam na indigência.

O informe ainda chama a atenção para jovens que não estudam nem trabalham. Conforme o documento, 16% das pessoas de 15 a 29 anos estão nessa situação na América Latina e no Caribe. São jovens excluídos/as tanto do sistema educacional quanto do mercado de trabalho. Essas e outras exclusões – como gravidez precoce, violência, falta de acesso à educação, entre outras – contribuem para a reprodução da pobreza em gerações futuras.

As organizações que produziram o relatório reforçam ainda a importância de elaborar sistemas de proteção e promoção social para as juventudes. “Estes sistemas deveriam responder os requerimentos específicos e os principais déficits que hoje devem enfrentar nossas juventudes e suas famílias. Busca-se que as medidas contempladas estejam fundadas em garantias e que estas, por sua vez, se baseiem nos direitos internacionalmente reconhecidos. Para isso, requer-se o compromisso decidido dos Estados para fundar um novo pacto junto a seus jovens e uma agenda explícita de investimento que garanta sua plena inclusão e o desenvolvimento de seus projetos no centro das sociedades”, destacam.

Confira o documento completo em: http://www.cepal.org/publicaciones/xml/8/47318/Informejuventud2011.pdf

Reunião da Cepal

A reunião do Comitê Especial da Cepal sobre População e Desenvolvimento ocorreu entre os dias 4 e 6 de julho em Quito, no Equador. Além de juventude, o evento discutiu questões como população, direitos e desenvolvimento. Na ocasião também foi apresentado o relatório População, território e desenvolvimento sustentável, elaborado por Cepal com o apoio do UNFPA.

Informe llama la atención sobre necesidad de inversión en la juventud

Invertir en la Juventud en América Latina y el Caribe: Un imperativo de derechos e inclusión. Éste es el título del informe presentado la semana pasada por la Comisión Económica para América Latina y el Caribe (Cepal) y por el Fondo de Población de las Naciones Unidas (UNFPA). El documento, en el que se destaca la situación de la juventud en la región, fue uno de los puntos importantes de la reunión del Comité Especial de la Cepal sobre Población y Desarrollo 2012, que ocurrió la semana pasada en Quito, Ecuador.

En el informe se destaca la necesidad de aprovechar el momento demográfico de América Latina y el Caribe –con gran cantidad de jóvenes– para invertir en la juventud actual a fin de evitar mayores problemas en el futuro. “Si se invierte hoy en su formación educativa y para el empleo, así como en su salud, las posibilidades de que realicen un aporte decisorio al desarrollo de la región es clara. De lo contrario, cuando estos/as jóvenes sean adultos y adultos mayores, sus posibilidades de valerse por sí mismos se verán seriamente constreñidas y las inversiones que no se realizaron hoy, serán exigidas en el futuro, aunque en un escenario completamente desfavorable”, se destaca.

Los datos de la publicación también alertan sobre la importancia de esta inversión. De acuerdo con el informe, informaciones de la Organización de las Naciones Unidas (ONU) del año pasado destacaban que el 26% de las personas de la región tiene entre 15 y 29 años de edad.

A pesar del porcentaje significativo de jóvenes, los datos sociales no son alentadores. Según el estudio, cerca de un tercio de la juventud latinoamericana y caribeña vive en situación de pobreza. En 2009, el 30,3% de los/las jóvenes entre 15 y 29 años de la región eran pobres y el 10,1% vivía en la indigencia.

En el informe también se llama la atención sobre los jóvenes que no estudian ni trabajan. De acuerdo con el documento, el 16% de las personas entre 15 y 29 años están en esa situación en América Latina y el Caribe. Son jóvenes excluidos/as tanto del sistema educacional como del mercado de trabajo. Éstas y otras exclusiones -como embarazo precoz, violencia, falta de acceso a la educación, entre otras– contribuyen a la reproducción de la pobreza en generaciones futuras.

Las organizaciones que produjeron el informe refuerzan además la importancia de elaborar sistemas de protección y promoción social para las juventudes. “Estos sistemas deberían responder a los requerimientos específicos y a los principales déficit que hoy deben enfrentar nuestras juventudes y sus familias. Se busca que las medidas contempladas estén fundadas en garantías y que éstas, a su vez, se basen en los derechos internacionalmente reconocidos. Para ello, se requiere del compromiso decidido de los Estados para fundar un nuevo pacto junto a sus jóvenes y una agenda explícita de inversión que garantice su plena inclusión y el desarrollo de sus proyectos en el centro de las sociedades”, destacan.

Lea el documento en forma completa aquí: www.cepal.org/publicaciones/xml/8/47318/Informejuventud2011.pdf

Reunión de la Cepal

La reunión del Comité Especial de la Cepal sobre Población y Desarrollo se realizó entre los días 4 y 6 de julio en Quito, Ecuador. Además de la juventud, en el evento se discutieron cuestiones como población, derechos y desarrollo. En la ocasión también fue presentado el informe Población, territorio y desarrollo sustentable, elaborado por la Cepal con el apoyo del UNFPA.

Traducción: Daniel Barrantes – barrantes.daniel@gmail.com

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