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Momento Agevisa define o aleitamento materno como um gesto de amor e de promoção da saúde

Na edição desta quinta-feira (08) do Momento Agevisa, a Agência Estadual de Vigilância Sanitária ressaltou a importância do leite materno para a saúde e o desenvolvimento das pessoas; afirmou que o aleitamento materno, além de ser um gesto de amor e de ligação entre mães e filhos, é também um importante ato de promoção da saúde para ambas as partes; lembrou que o estímulo à produção do leite materno é a sucção feita pelo bebê, e enfatizou: “Quanto mais amamentar, mais leite, saciedade e saúde a mãe estará proporcionando ao bebê e a ela mesma”.

Veiculado dentro da programação do Jornal Estadual da Rádio Tabajara (AM-1110 e FM-105.5), o Momento Agevisa desta semana fez parte da Campanha de Incentivo à Amamentação promovida pelo Governo, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES/PB). A iniciativa envolve profissionais de saúde e das demais áreas da administração estadual, que foram estimulados e orientados a se valer de várias estratégias (com destaque para a informação) para conscientizar as pessoas sobre a importância de oferecer o leite materno ao bebê durante os primeiros anos de vida.

As ações de estímulo à amamentação ocorrem atualmente em mais de 170 países do mundo, onde o mês de agosto se inicia com a Semana Mundial de Aleitamento Materno. No Brasil, as ações vão do dia 1º ao dia 31, em face da Lei 13.435/2017, que criou o “Agosto Dourado” e o instituiu como o “Mês do Aleitamento Materno” em todo o território nacional.

Envolvimento da sociedade – Segundo a diretora do Banco de Leite Anita Cabral (da SES/PB), Thaíse Ribeiro, para que haja o fortalecimento da amamentação, é importante que toda a sociedade esteja envolvida, começando pela família e se estendendo por toda a comunidade. Conforme Thaíse, a amamentação, além de ser uma responsabilidade de todos, significa saúde para as crianças, a quem não se pode nem se deve negar o direito de acesso à primeira e melhor alimentação.

Como órgão da estrutura de Saúde do Governo da Paraíba, a Agevisa está integrada à campanha. Nesse sentido, conforme a diretora-geral Jória Guerreiro, a Agência se irmana à defesa do envolvimento de todos os familiares próximos, e não apenas da mãe, para que se garanta às crianças o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida e (de forma complementar) até os dois anos de idade, nos termos defendido pela Aliança Mundial para a Ação em Aleitamento Materno (WABA) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A abordagem inclusiva definida pela rede internacional de defesa do aleitamento materno foi pensada, neste ano, para contemplar pais, parceiros, familiares, dirigentes e colegas nos locais de trabalho, e a comunidade como um todo, com destaque para os profissionais de saúde. A ideia foi criar um ambiente propício e permitir que as mães amamentem de forma satisfatória em todos os ambientes, tanto em suas casas quanto no trabalho, por exemplo.

A base desse pensamento está na constatação de que a amamentação melhora significativamente quando há a participação de todos, segundo afirmativa da presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), doutora Elsa Giugliani. Segundo ela, os profissionais de saúde têm papel relevante, pois são eles que acompanham os pais e os filhos durante todo o processo.

“O pediatra, em especial, pode capacitar e empoderar os pais por meio do diálogo sobre vários aspectos do aleitamento materno, oferecendo informações atualizadas e embasadas em evidências; orientando com competência o manejo das eventuais dificuldades ao longo do processo da amamentação, e, sobretudo, escutando, elogiando (quando pertinente) e respeitando as escolhas, sem julgamentos”, enfatiza Elsa Giugliani.

Segurança alimentar e nutricional – No âmbito da Paraíba, a participação massiva no estímulo ao aleitamento materno foi defendida pelo secretário de Estado da Saúde, Geraldo Antônio de Medeiros, em Ofício Circular encaminhado aos órgãos da Administração Direta e Indireta. No documento, Geraldo Medeiros afirmou: “A amamentação está relacionada à garantia da segurança alimentar e nutricional no que se refere ao Direito Humano à Alimentação Adequada, sendo necessário para a fruição dos direitos humanos o acesso ao leite materno como primeiro e melhor alimento”.

As palavras do secretário paraibano referendam o argumento de que a amamentação é um dos melhores investimentos para salvar vidas, melhorar a saúde das pessoas e favorecer o desenvolvimento social e econômico de indivíduos e nações, como defendem os organismos internacionais e nacionais ligados à questão.

Segundo informações da Sociedade Brasileira de Pediatria, disponibilizadas em www.sbp.com.br/, a amamentação evita a desnutrição e a obesidade de bebês; protege os bebês de doenças; aumenta o vínculo entre mães e filhos, e ajuda as mães a se recuperarem mais rápido no pós-parto. Também conforme a SBP, o ato de amamentar funciona como um anticoncepcional natural (prevenindo a gravidez nos primeiros seis meses, com taxa de falha de apenas 2%); ajuda a diminuir o risco de alguns cânceres nas mães (o de mama, por exemplo), e pode reduzir nas mães o risco de doenças cardiovasculares.

Assessoria

 

 

Doação de leite materno em Guarabira ajuda mães de outras cidades da PB

Leite-maternoO banco de leite materno do Hospital Regional de Guarabira, no Agreste paraibano, está com um estoque maior do que a quantidade consumida na região. Um projeto implantado na unidade hospitalar tem ajudado mães de outras regiões do estado a receber o leite doado por moradoras do município. Segundo a idealizadora do projeto, a enfermeira Josefa do Nascimento, atualmente o hospital tem no banco uma média de 90 litros por mês, mas consome apenas cinco litros.

Zefinha, como Josefa é conhecida entre os funcionários, é enfermeira da unidade hospitalar há 14 anos. Atualmente ela trabalha no alojamento conjunto, com as mães que acabaram de ter filhos. Em janeiro deste ano o hospital estava sem reserva de leite humano, então ela e outros funcionários resolveram dialogar com as mães sobre a importância da doação. Um mês depois o hospital começou a construir o estoque.

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“Quando identificamos mães com bastante leite, a gente vai e explica pra elas sobre a importância do aleitamento materno, que supre todas as necessidades dos bebês. Após isso, fazemos a coleta e transferimos para o banco”, diz.

De acordo com a diretora do banco de leite humano de Guarabira, Daniele Meireles, como a oferta de leite é maior do que a procura no município, a cidade repassa a diferença para outras regiões do estado. “Toda nossa transferência tem que passar pelo Centro de Referência, em João Pessoa. Os outros hospitais fazem o contato conosco e conversamos com o centro para viabilizar a transferência e suprir a necessidade dos outros hospitais”, explica.

Segundo o diretor geral do Hospital Regional de Guarabira, Cleonaldo Freire, para que o banco funcione da forma como foi pensado, é preciso criar uma sintonia entre o hospital e as mães. “É feito um trabalho de coleta externa para que a mulher se sinta acolhida. É feito um trabalho de humanização tanto no hospital quanto após ela receber alta”, diz.

As coletas do leite acontecem no hospital e também através de solicitação, quando a equipe do banco vai até a casa da doadora. Após coletado, o leite passa por um processo de pasteurização, quando é esterilizado para eliminação de microorganismos nocivos à saúde dos bebês. “Com este processo feito, a gente sabe que o leite está 100% pronto e pode distribuir para as crianças que estão nos hospitais”, explica o técnico de laboratório George de Mesquita.

Com G1 Paraíba

Leite materno: os desafios de garantir a amamentação exclusiva

Clarisse Castro/Portal Fiocruz
Clarisse Castro/Portal Fiocruz

Amamentar é um ato de amor. Você provavelmente já ouviu ou leu essa frase em algum lugar, e não costumam existir dúvidas a respeito do valor que o gesto tem. Porém, além de amor, o processo de amamentação envolve confiança, dedicação, apoio e muita informação.

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Muitas mães têm a sorte de viver o momento de forma tranquila desde o princípio. O leite desce no tempo previsto, o filho pega bem o peito e os meses de mamadas dão força à relação dos dois e saúde ao recém-nascido.

Para outras mães, contudo, um mundo de dificuldades se coloca no caminho, e o desafio é transpô-las sem perder a chance de viver uma fase única em afeto e aprendizado. “Tive muita dificuldade na amamentação. Meus seios ficaram muito feridos. Para mim, a melhor hora era quando ela estava dormindo. Pensar que teria que amamentar quando ela acordasse me deixava angustiada”. É o que relembra a jornalista Cristal Sá.

Morena, que hoje está no puro encantamento dos seus três aninhos, nem imagina o que sua mãe precisou fazer para garantir que ela tivesse amamentação exclusiva por cinco meses e meio. Os bicos dos seios racharam, fazer a retirada de leite pela ordenha era dolorido, e coisas muito inusitadas surgiram no caminho, como a recomendação de usar banana para ajudar a cicatrizar e minimizar a dor. “Não conseguia vestir nada. Andava sem blusa e pingando leite. Isso derruba qualquer autoestima. Todo dia eu pensava comigo mesma:  só vou amamentar hoje. Amanhã eu desisto. Mas, no dia seguinte, recomeçava.”

A história de Cristal é uma dentre várias que acontecem todos os dias, fazendo com que muitas mães desistam de amamentar, apesar de todas as provas de que o leite materno é a melhor alimentação para o bebê.

As dificuldades biológicas podem vir do tipo de bico do seio que a mãe possui ou da quantidade de leite que ela consegue produzir. Mas também há aquelas do tipo cultural: as cobranças, palpites, enganos e publicidades muito bem produzidas de laticínios colocam a insegurança na rota das mulheres.

Os dois tipos de dificuldade impedem que o índice de amamentação exclusiva até os seis meses, recomendado pela Organização Mundial de Saúde, atinja o padrão desejado.

Uma pesquisa realizada em 2008 e sistematizada em 2010 pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz em 227 municípios brasileiros, com 120.125 crianças, apontou que 87% dos municípios (198) apresentam um índice apenas razoável de amamentação exclusiva, quando algo entre 12% e 49% dos entrevistados declararam realizar a prática.

Para a doula e educadora perinatal, coordenadora da Roda Bebedubem, e mãe de três crianças, Débora Regina Diniz, grande parte das dificuldades é cultural. Segundo ela, ante o desafio de amamentar, toda mãe se cobra, é cobrada e alvejada por centenas de interferências que a distanciam da sua condição natural de mamífera. “Temos todos os aparatos, mas frente ao bebê e com toda a nossa insegurança, fica difícil reconhecer o poder que toda mulher tem. Precisamos confiar em nosso instinto”.

No Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), a enfermeira Nina Savoldi e a médica Marlene Assumpção, da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, recebem diariamente um sem número de mães e pais aflitos com as dificuldades de amamentar.

Muitos dos pais já são desencorajados na maternidade de persistir nas tentativas, e recebem recomendações de fórmulas {em forma de pó, são misturadas em água}, acessórios e medicamentos que nem sempre resolvem os problemas, e muitas vezes causam outros. “A recomendação da fórmula {substância em pó, a ser diluída em água, fabricada para ser muito parecida com o leite materno} nos primeiros dias de vida, quando tanto mãe quanto bebê estão aprendendo a viver o processo de amamentação, muitas vezes ancorada numa perda de peso instantânea do recém-nascido, revela o desconhecimento de alguns profissionais de saúde, mesmo que estes tenham boa vontade.”, explica Marlene.

Fonte:

Fundação Oswaldo Cruz

Estresse materno pode afetar bebê ainda no útero

Estresse maternoA gestação é cercada de grandes mudanças e as futuras mamães precisam ficar atentas para evitar o acúmulo de estresse. É fundamental pegar leve no trabalho, na alimentação e rotina. O estresse pode afetar o bebê ainda no útero, produzindo efeitos a longo prazo na vida da criança, sugerem pesquisadores alemães. “É impossível durante 40 semanas a mulher não se estressar; o que deve ser evitado é o extremo, ficar sob tensão intensa, por exemplo, conviver com um parceiro violento. O estresse provoca alterações biológicas em um receptor de hormônios e o bebê sente essa mudança, ele consegue ouvir os batimentos e inquietação da mãe”, explica a psicóloga da linha de cuidados mãe-bebê, do Hospital Nossa Senhora de Conceição, de Porto Alegre (RS), Eliana Bernner. Segundo ela, as alterações sofridas pelo feto durante a gestação podem fazer com que a própria criança seja menos capaz de lidar com o estresse mais tarde.

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Portal Andi

Campanha quer estimular a doação de leite materno para bebês em risco

Toda mulher que está amamentando pode ser uma doadora de leite. Difundir essa mensagem é o objetivo do Dia Mundial de Doação de Leite Humano, que foi comemorado nesse domingo (19). No Brasil, para estimular a prática, será lançada na quarta-feira (22), pelo Ministério da Saúde, a campanha “Doe leite materno e ajude a mudar o futuro de muitas crianças”.

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Apesar do aumento de bancos de leite no país, existe um déficit de cerca de 40% para atender os recém-nascidos em unidades de terapia intensiva, como explica o coordenador da Rede Brasileira de Bancos Leite Humano (RBLH), João Aprígio Guerra de Almeida. Segundo ele, sem a ajuda das mães doadoras, esse percentual tende a ser ainda maior nos próximos anos.

“Infelizmente, por um lado, e felizmente, pelo outro, com o avanço da medicina mais bebês que não teriam chances de sobreviver, como os que nascem com 600 gramas, estão sobrevivendo”, disse Aprígio. “São essas crianças que temos de nos preocupar em atender”, completou.

Recomendado pela Organização Mundial de Saúde, o leite materno é o melhor alimento para todos os bebês. Possui nutrientes e anticorpos que previnem doenças como a dengue e o cólera e pode evitar o desenvolvimento de doenças crônicas, como o diabetes e a obesidade na vida adulta. Além disso, está relacionado ao desenvolvimento da inteligência do bebê.

“Imagine um recém-nascido que nasce com seis meses, é prematuro, não está pronto para enfrentar uma série de fatores ambientais, seu sistema de defesa não está pronto. Para essas crianças, em algumas situações, posso dizer que o leite materno chega a se configurar como um fator de sobrevivência”, reforça o médico.

A doação de leite materno é simples e conta com o apoio de uma rede, que busca o frasco na casa da doadora. Em seguida, o leite é tratado e armazenado para que possa alimentar crianças prematuras ou com baixo peso, internadas em hospitais. As mães dessas crianças, pelo estresse de ver seus bebês com problemas, têm dificuldades de amamentar.

Para doar, a mãe que amamenta deve se informar sobre os procedimentos por meio do Disque Saúde 136 ou na internet, no site da RBLH. A mãe precisa separar um pote de maionese, por exemplo, esterilizá-lo em água fervente e colocar no recipiente o leite que sobrar da amamentação do próprio filho.

A rede de bancos de leite do Brasil é uma das maiores do mundo, com 211 postos de coleta. No Rio, as doações são organizadas pelo o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), da Fundação Oswaldo Cruz.

Isabela Vieira, da Agência Brasil

Mito do instinto materno gera culpa em mulher que não quer ter filhos

Orlando/UOL
Orlando/UOL

Quando a gente se depara com uma menina de três ou quatro anos brincando com uma boneca, daquelas que lembram um bebê, não titubeia em pensar na existência de um instinto materno. Mas será mesmo que toda mulher já nasce preparada para se dedicar a um filho?

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UOL Comportamento fez essa pergunta a três especialistas de diferentes áreas: uma antropóloga, uma psicóloga e um fisiologista. A argumentação de cada um deles é diversa, mas acaba chegando sempre à mesma conclusão: o instinto materno não existe.
A antropóloga Mirian Goldenberg diz que falar de instinto aprisiona as mulheres ao papel de mãe. “Elas também podem ser outras coisas”, diz ela, que é professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Essa ideia, construída culturalmente, vem sendo demolida pelas transformações ocorridas no país nos últimos anos. “Cresceu o número de mulheres que não têm filho ou adiam a gravidez. Isso mostra que o instinto materno não existe”, afirma a antropóloga.

Pressão interna e externa

De acordo com Mirian, as brasileiras começam a derrubar o mito de que só serão felizes se constituírem uma família. Mas há muita estrada pela frente. “Esses valores ainda estão muito introjetados nelas. As mulheres sofrem pressão interna e externa para terem filhos. Ainda não é uma escolha legítima”.
As próprias mulheres questionam umas às outras: você não vai passar por uma experiência tão determinante? Até o mercado estimula a crença no instinto materno para aquecer as vendas em efemérides como o Dia das Mães. As que não desempenham esse papel se sentem deslocadas diante da enxurrada de propagandas para a segunda data mais importante do ano para o comércio.

“Imagine se isso aconteceria na Alemanha?”, pergunta Mirian, usando como o exemplo o país que incentiva os casais a terem filhos, devido à baixa taxa de natalidade.

Comportamento adquirido, não instintivo

De acordo com a psicóloga Maria Luísa Castro Valente, da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), em Assis (SP), a maternidade, como outros comportamentos, é socialmente adquirida.

“A idade reprodutiva está se tornando mais tardia devido à inserção econômica feminina”, diz Maria Luísa. “Vivemos em uma cultura na qual muitas mulheres têm contato com um recém-nascido pela primeira vez quando têm seu próprio filho”.

Do ponto de vista biológico, o conceito de instinto materno também não encontra eco. “Essa ideia se baseia na existência de um conjunto de comportamentos inatos, que estariam prontos para serem desencadeados pelo estímulo, o recém-nascido”, explica Aldo B. Lucion, que é professor de fisiologia do sistema nervoso na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Segundo Lucion, nessa concepção haveria um período específico para que o elo afetivo se efetivasse, ou seja, até alguns dias depois do parto. Depois desse intervalo, nada feito.

“As premissas do instinto materno não foram comprovadas. Esse conceito de padrões comportamentais fixos pode gerar muita ansiedade na mulher, especialmente com seu primeiro filho”, explica o professor. “É muito comum a mãe ficar preocupada se está fazendo certo, como se houvesse um conjunto de condutas pré-estabelecido”.

Influências ambientais

Em vários animais, inclusive no ser humano, a maneira de agir das mamães é flexível e extraordinariamente adaptada ao ambiente. Dessa forma, o instinto materno como um padrão pode levar à negligência na construção de um modo de interagir com o bebê.

“Essa interação com o filho é mais dinâmica do que outras relações afetuosas”, afirma Lucion. Isso porque ele se desenvolve e se transforma rapidamente com o crescimento, requerendo que o vínculo seja naturalmente ajustável.

“O comportamento materno é biologicamente essencial e foi um passo evolutivo decisivo”, explica o professor. Ter uma prole em pequeno número, que recebe alto investimento, diferencia os mamíferos de outras espécies, que contam com uma grande quantidade de descendentes sem nenhum contato mais próximo com os genitores.
Uol

Informe revela que amamentação vem diminuindo e alerta sobre importância do aleitamento materno

amamentacaoApesar de ser do conhecimento público que o leite materno é o mais importante alimento para bebês em seus primeiros seis meses de vida, o recém-publicado informe da organização Save The Children “Superalimento para bebês” (Superfood for babies) revelou que a prática vem sendo deixada de lado em vários países, colocando em risco a saúde de crianças.

De acordo com o estudo, os índices de amamentação estão parando ou até mesmo diminuindo em escala global. Países como México, República Popular Democrática da Coreia e República Dominicana têm apresentado os mais baixos indicadores de aleitamento materno ou de aleitamento como fonte exclusiva de alimento.

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O informe aponta que nestes casos existe incapacitação profissional na área da saúde para orientar as mães sobre a importância e a forma adequada de alimentar recém-nascidos. Outro agravante é a falta de apoio às mães que trabalham, já que as licenças maternidade em alguns países tem curta duração. “Na realidade, a maioria das mães que vivem em países mais pobres não tem acesso a nenhum tipo de licença maternidade remunerada”, explica o documento.

Por outro lado, Brasil, Nicarágua, Honduras e Peru se destacam na América Latina em promover iniciativas para incentivar a prática da amamentação e, consequentemente, o desenvolvimento infantil. Dentre esses países, o Brasil aparece como “um pioneiro no desenvolvimento de políticas em matéria de aleitamento materno e um exemplo para outros países”.

Para estimular a prática da amamentação, Save the Children recomenda que governos e organizações civis reforcem ações sobre a importância da prática do aleitamento materno como fonte exclusiva de alimento para salvar a vida das crianças.

Benefícios do aleitamento materno

O aleitamento materno feito desde o nascimento pode salvar 95 bebês por hora (830 mil por ano), em todo o planeta. O informe de Save the Children reforça a importância de o bebê receber o colostro, primeira secreção que sai do seio materno logo após o parto, em sua primeira hora de vida depois do parto, para fortalecer o sistema imunológico e proteger a saúde da criança, diminuindo consideravelmente a probabilidade de morte por causa de doenças como diarreia e pneumonia.

Para ler o informe completo, em inglês, clique aqui.

 

 

Adital

Pernambucana de 31 anos é ‘campeã’ de doação de leite materno

Enquanto Michele Maximino amamenta a filha, técnica extrai leite do outro seio (Foto: Ederval Trajano / Acervo pessoal)
Enquanto Michele Maximino amamenta a filha, técnica extrai leite do outro seio (Foto: Ederval Trajano / Acervo pessoal)

Em Quipapá, cidade da Mata Sul pernambucana a aproximadamente 180 quilômetros do Recife, a unidade municipal de saúde não dispõe de um local apropriado para receber e manter doações de leite materno. Sem ter o que fazer com o excedente, a técnica em enfermagem Michele Maximino, 31 anos, desprezava o leite que sobrava após amamentar a filha Mariana, de 7 meses. No Recife para brincar o carnaval, ela resolveu procurar um banco de leite da capital depois da folia, o que acabou acontecendo na quinta-feira (14). Segundo o marido, em apenas três dias, ela acumulou nove litros e meio e deixou de boca aberta os funcionários do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip) que, infelizmente, não puderam receber a doação, porque o leite estava acondicionado inadequadamente.

Surpresos com a quantidade e com a facilidade da mulher para doar, os funcionários do banco de leite a orientaram sobre a higienização dos seios e dos vasilhames que vão receber o material. Na primeira ordenha na unidade de saúde, Michele conseguiu doar 1,3 litro, de acordo com o marido dela, Ederval Trajano. “Michele sempre teve essa quantidade de leite, a gente nunca procurou saber se era muito ou pouco. O pessoal do Imip ficou abismado mas, para nós, foi uma coisa normal”, conta. O marido lembra que, no mesmo dia, Michele voltou ao Imip e doou mais 680ml. Ainda na quinta-feira, mas em casa, ela guardou mais 700ml em dois vasilhames.

“São situações especiais em que algumas mulheres têm uma hiperprodução de leite. No caso de Michele, ela está amamentando muito bem a filha, e consegue fazer uma ordenha com muita facilidade. O normal em cada ordenha é algo em torno de 200ml, às vezes até menos. Quando conseguimos 200ml, a gente faz uma festa”, conta a nutricionista Tereza Freire, coordenadora do banco de leite da maternidade municipal Bandeira Filho, no Recife, que agora está atendendo Michele.

Enquanto Michele Maximino amamenta a filha, técnica extrai leite do outro seio (Foto: Ederval Trajano / Acervo pessoal)Michele Maximino conseguiu doar 1,5 litro de leite
materno, em uma ordenha só
(Foto: Ederval Trajano / Acervo pessoal)

Na primeira doação que fez na maternidade, sexta-feira (15) passada, Michele conseguiu doar 1.540ml. “O leite dela flui com muita facilidade. Ainda paramos de ordenhar um dos seios porque a neném acordou e quis mamar. Ou seja, Michele produziu mais do que um litro e meio”, ressalta Tereza. Na tarde da sexta, Ederval Trajano lembra que a mulher doou mais 800ml e, durante este final de semana, já há seis frascos – cada um com 350ml – cheios de leite, esperando o momento de serem levados para o banco da maternidade, na segunda-feira.

A filha do casal, Mariana, nasceu em junho do ano passado, prematura de sete meses. “Ela nasceu em Caruaru [no Agreste] e a previsão era passar entre 40 e 50 dias na UTI, mas passou somente 17, por causa do leite materno”, diz o orgulhoso pai. Trajano conta que eles estão começando a incrementar a alimentação da menina, incluindo frutas e outros itens nas refeições, mas admite que está sendo difícil tirá-la do peito. “Ela é um bebê saudável e está muito habituada ao leite materno”, afirma.

Mariana é a terceira filha de Michele. Além da menina, com Ederval ela também tem Gabriel, de 2 anos. Do primeiro casamento nasceu Richard, que hoje tem 13 anos. Na lembrança do marido, a abundância de leite também aconteceu após o parto de Gabriel. “Ela amamentava umas cinco crianças que moravam perto de nós”, conta.

 

G1

Começa em mais de 170 países a Semana Mundial do Aleitamento Materno

A Semana Mundial do Aleitamento Materno começou nesta quarta (1º) e vai até a próxima terça-feira (7) em mais de 170 países. O objetivo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é estimular a amamentação e melhorar a saúde de crianças menores de 5 anos em todo o mundo.

A data comemora a assinatura da Declaração de Innoceti, em agosto de 1990, por diversos países – incluindo o Brasil. Entre os objetivos apresentados pelo documento estão estabelecer um comitê nacional de coordenação da amamentação e adotar uma legislação que proteja a mulher que amamenta no trabalho.

A OMS defende que o aleitamento materno é a melhor forma de fornecer ao recém-nascido os nutrientes necessários. A orientação é que o bebê receba exclusivamente o leite materno até os 6 meses e, depois disso, ele seja associado a outros alimentos até que a criança complete 2 anos ou mais.

No caso do colostro (tipo de leite mais grosso e de cor amarelada produzido ao final da gestação), a recomendação é que ele seja fornecido ao recém-nascido até uma hora após o parto.

Dados da organização indicam que a malnutrição responde, direta ou indiretamente, por praticamente uma em cada três mortes entre crianças menores de 5 anos, sendo que mais de dois terços delas são associadas a práticas inapropriadas de alimentação e ocorrem no primeiro ano de vida da criança.

“Nutrição e carinho nos primeiros anos de vida são cruciais para uma boa saúde e para o bem-estar ao longo da vida. Na infância, nenhum presente é mais precioso do que o aleitamento materno. Ainda assim, menos de um em cada três bebês é exclusivamente amamentado durante os [primeiros] seis meses de vida”, informou a OMS.

Confira os dez passos definidos pela Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano para o sucesso da amamentação:

– Ter uma política de aleitamento materno escrita, que seja rotineiramente transmitida a toda equipe de cuidados de saúde;

– Capacitar toda a equipe de cuidados da saúde nas práticas necessárias para implementar essa política;

– Informar todas as gestantes sobre os benefícios e o manejo do leite materno;

– Ajudar as mães a iniciar o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento do bebê;

– Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação, mesmo se vierem a ser separadas dos filhos;

– Não oferecer a recém-nascidos bebida ou alimento que não seja o leite materno, a não ser que haja indicação médica;

– Praticar o alojamento conjunto, permitindo que mães e bebês permaneçam juntos 24 horas;

– Incentivar o aleitamento materno sob livre demanda;

– Não oferecer bicos artificiais ou chupetas a crianças amamentadas;

– Promover grupos de apoio à amamentação e encaminhar as mães a esses grupos na alta da maternidade.

Paula Laboissière/Repórter da Agência Brasil
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