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Reduzir a jornada de trabalho é viável, mas difícil, dizem especialistas. Burocracia é o primeiro obstáculo

jornada de trabalhoLarry Page, um dos criadores do Google, trouxe à tona uma ideia que deixou funcionários pelo mundo sonhando: por que, ao invés de trabalhar por oito horas, as pessoas não trabalham só por quatro? “Essa ideia de que todos precisam trabalhar freneticamente para suprir as necessidades das pessoas simplesmente não é verdade”, disse ele. Mas será que a proposta vingaria no Brasil?

O brasileiro, em média, segue uma jornada de oito horas diárias, com um intervalo para almoço que eleva o tempo reservado para o trabalho para um total de nove horas. Pelo que imaginou o executivo do Google, o tempo todo seria dividido entre duas pessoas, sendo que cada uma faria apenas metade do trabalho.

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Burocracia – O primeiro grande obstáculo a se enfrentar para importar o modelo proposto por Page seria o formato de contratação. No setor de tecnologia norte-americano é comum haver contrato por projeto: ao invés de horas diárias, o profissional tem de cumprir uma meta específica. Aqui no Brasil a CLT é o padrão; mesmo na área de tech, ela ainda predomina – embora haja casos de contratação diferenciada.

“[Dobrar o contingente] aumentaria custo para a empresa: quando somos contratados pela CLT, o valor para a empresa geralmente é o dobro do que a gente recebe. Mesmo diminuindo o valor das duas pessoas, haveria um acréscimo no total”, esclarece a consultora de Recursos Humanos Natassia Araujo, da Randstad Technologies.

Outro problema, até mais óbvio, é o fato de que cortar o tempo de trabalho também significa cortar o salário pela metade, o que geraria uma dor de cabeça para o profissional. “O custo de vida no Brasil é muito alto”, lembra a consultora. Isso significa que se essa pessoa não tivesse um salário alto, teria de arranjar outro emprego de quatro horas.

Ideia velha vs. problemas novos – Na verdade, a ideia de reduzir drasticamente o tempo de trabalho não é nova. O especialista João Xavier, que dirige a Ricardo Xavier Recursos Humanos, lembra que no século passado o britânico Bertrand Russel propôs exatamente a mesma coisa em seu livro “Elogio ao Ócio”. O sociólogo italiano Domenico De Masi também explora o tema com o conceito de “ócio criativo”.

“Eu acho que esse é o futuro, mas estamos longe dele”, opina Xavier. “Não é só aqui, no mundo inteiro há uma distância grande para se chegar neste ponto. A grande questão está no modelo econômico, porque tudo está baseado numa competição.” Ele explica: há pouca gente ganhando muito e muita gente ganhando pouco ou desempregada, então as vagas disponíveis são tão disputadas que o próprio trabalhador se sobrecarrega para não ser substituído.

O mercado de tecnologia foi um dos que começaram a quebrar esse esquema. Empresas como o próprio Google entenderam que os funcionários precisam te tempo ocioso para serem mais criativos. “Cada vez mais o trabalho está sendo substituído por máquinas e tecnologia – o operacional por máquinas e o executivo por computadores. Sobra o trabalho criativo e imaterial, então a sociedade vai ter de se reorganizar, você não faz um trabalho desses ficando oito horas por dia fazendo a mesma coisa sem parar”, dispara Xavier.

“É bastante a ideia do Google”, concorda Natassia, “mesmo trabalhando, você consegue investir em você. Do ponto de vista do RH é totalmente favorável, porque se você trabalha oito horas vidrado naquilo sua cabeça para de funcionar, é preciso liberar a criatividade.”

Vagas vs. profissionais – Por fim, há ainda a questão das vagas. A iniciativa de Larry Page dobraria a quantidade de postos de trabalho, mas como se a indústria vive reclamando que falta gente qualificada? No Brasil, 33 mil pessoas se formam a cada ano para a área, enquanto se criam 120 mil vagas, segundo a consultora da Randstad.

Tanto lá fora quanto por aqui surgem o tempo todo iniciativas que tentam ensinar programação aos leigos, há cursos gratuitos governamentais ou apoiados por gigantes como Microsoft e Facebook. Tudo porque sobra trabalho e falta gente para executá-lo, então de onde viriam essas pessoas sugeridas pelo executivo do Google?

“Uma dica é investir em capital humano: ao invés de pegar dois e quebrar em quatro horas, pega um só e investe nele”, sugere Natassia.

Parece haver um consenso: a redução do tempo de trabalho é uma realidade possível e também necessária. O problema é convencer o mundo todo – não só o Brasil ou os Estados Unidos – a enxergar isso.

Olhar Digital

Paraíba reduz em 10% número de assassinatos, mas ainda registra média de 119 homicídios por mês

HomicídiosA Paraíba reduziu em 10,2% o número de assassinatos durante os cinco primeiros meses deste ano. Porém, apesar disso, o estado ainda tem registrado uma média de 119,2 homicídios por mês, já que de janeiro até maio foram 596 crimes que resultaram em morte, segundo dados da Secretaria de Segurança. Nos mesmo período do ano passado aconteceram 664 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) – homicídios dolosos ou qualquer outro crime doloso que resulte em morte.

Ao todo, 44 mulheres foram assassinadas durante esses cinco meses, o que representa uma média de 8,8 mulheres mortas violentamente. De janeiro a maio do ano passado esse número chegou a 64. Significa uma redução de 31%.

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Os dados do Núcleo de Análise Criminal e Estatística (Nace) da Secretaria da Segurança e da Defesa Social (Seds) foram apresentados durante reunião de monitoramento com gestores da pasta, presidida pelo governador Ricardo Coutinho.

Os dados da Seds ainda apontam que, entre os 17 estados que divulgam seus dados referentes ao registro de assassinatos, a Paraíba é um dos que mais reduziu esse tipo de ocorrência em seu território este ano.  Mato Grosso do Sul, por exemplo, registrou nos cinco primeiros meses de 2014 um aumento de 17,2% no número de CVLI. Já no Nordeste, Pernambuco apresentou em quatro meses um crescimento de 3,4% em quantidade de CVLI, e nos cinco meses os registros no Maranhão subiram 25,1%, por exemplo. No Ceará o aumento é de 15,4%.

O governador Ricardo Coutinho, que acompanhou a reunião de monitoramento realizada no Segundo Batalhão de Polícia Militar, na cidade de Campina Grande, destacou o trabalho realizado nas Áreas Integradas de Segurança Pública. “Todos os meses sentamos com todos os comandantes das Áreas Integradas de Segurança Pública. A nossa presença representa a responsabilidade com a qual o governo trata a política de segurança deste estado. E nós estamos aqui hoje para debater muitas coisas”, afirmou o governador, que ressaltou a redução dos homicídios na cidade de Campina Grande no mês de maio. “A cidade que mais reduziu o número de homicídios foi Campina Grande, que registrou uma queda de mais de 40% em relação ao mês de maio, o que representa que estamos no caminho correto, mas mostra que muito ainda precisa ser feito”, destacou.

O secretário da Segurança e Defesa Social, Cláudio Lima, ratificou que os dados apresentados apontam que o trabalho efetuado pelos órgãos operativos da pasta está no caminho certo. “Desde dezembro registramos redução em relação ao mesmo período do ano anterior e em Campina Grande, por exemplo, são sete meses da mesma forma. Em relação aos CVP vamos intensificar a presença de policiais nas ruas, com ações específicas previstas em nosso plano operacional. No mês de junho, foi feito um esquema especial por conta do São João em todo o Estado”, salientou.

Blog do Gordinho com Secom-PB

Prefeito de Sumé declara apoio a Ricardo, mas é flagrado em reunião com Cássio e pode se aliar ao tucano

cassio-O prefeito do município de Sumé, Francisco Duarte Neto, Doutor Neto (PMDB), vem declarando, nos últimos dias, em vários veículos de comunicação apoio ao projeto de reeleição do governador Ricardo Coutinho (PSB) nas eleições estaduais deste ano.

No entanto, neste final de semana, Doutor Neto foi flagrado em um encontro com o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), também candidato a governador, em João Pessoa. O prefeito e Cássio passaram horas conversando e tomando alguns drinks.

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Nos bastidores, as informações são de que o prefeito se encontrou com Cássio na Capital para definir seu apoio à candidatura do tucano.
MaisPB com o Pipoco.com

Ricardo anuncia que estado irá recorrer contra redução de bancada, mas alfineta Assembleia Legislativa

ricardoO governador Ricardo Coutinho (PSB) anunciou em entrevista ao programa ‘Paraíba Verdade’, da Arapuan FM, que o governo do estado irá recorrer contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que decidiu reduzir a bancada paraibana na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa.

“Isso é muito ruim para a democracia. O estado da Paraíba está recorrendo novamente, através da Procuradoria, para garantir a quantidade de representação”, disse.

Apesar de manifestar interesse em manter a bancada paraibana com 12 deputados federais e 36 deputados estaduais, o governador não deixou de alfinetar os parlamentares ao afirmar que a qualidade dos parlamentares fica a critério da população.

 

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Ricardo Coutinho se mostrou indignado com o comportamento dos parlamentares da atual legislatura ao dizer que os deputados fazem oposição ao povo da Paraíba e não a ele. “A Assembleia deveria estar discutindo as ampliações dos aeroportos de João Pessoa e de Campina Grande, acompanhando o processo de industrialização do estado, mas preferem fazer a política menor”, alfinetou.

O chefe do executivo estadual também voltou a afirmar que é ‘vacinado’ contra as pesquisas eleitorais manipuladas e assegurou que existe uma ‘distância falsa’ entre o índice de aprovação de seu governo e o índice de intenções de voto.

Ele ainda classificou de ‘mesquinhez’ as declarações de políticos paraibanos contra a intenção do estado de promover o ‘Circuito do Forró’, em Campina Grande. “O São João de Campina é tão grande para mentalidades tão pequenas e ele não precisa ser compreendido com algo que não é propriedade de alguém, de algum grupo. Estamos oferecendo uma alternativa antes de começar o Parque do Povo em seis bairros com as melhores atrações que serão anunciadas por Chico Cesar e Rômulo Gouveia. Quem em sã consciência pode dizer que isso prejudica o maior São João do mundo, isso é uma visão oligárquica de posse sobre as coisas e que precisa acabar no estado”.

 

blogdogordinho

 

Couto aceita aliança com o PMDB, mas não sobe no palanque de Vené

LUIZ COUTOO deputado federal, Luiz Couto (PT-PB), revelou, nesta segunda-feira (26), que não subirá no palanque do ex-prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), nas eleições deste ano. Para justificar seu posicionamento, Luiz Couto disse ter problemas com alguns integrantes do PMDB e acusou o ex-governador José Maranhão de tentar lhe derrotar de todas as formas em 2010. “Tenho coerência, não vou subir no palanque de quem tentou me derrotar, e era dessa forma: vamos derrotar o velhinho”, observou.

Em relação ao seu voto para governador, Luiz Couto escondeu o jogo e não revelou em que votaria. Mesmo acenando para o apoio a reeleição de Ricardo Coutinho, Couto preferiu não manifestar sua posição e disse que o “voto é secreto”.

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Questionado sobre uma possível ingratidão dele com o PMDB, pelo fato de o partido ter manifestado apoio ao PT desde 2002, Couto lembrou que em 2010 o partido governava o Estado e a prefeitura de Campina Grande, mas mesmo assim Dilma perdeu na cidade porque os peemedebistas não fizeram campanha para a petista. “Na época da aliança com Cícero no 2° turno, o PMDB não pedia voto em Campina Grande, e por isso foi preciso organizar um comitê para a presidente”, contou.

Alexandre Freire – MaisPB

Papa Francisco inicia visita ao Oriente Médio, mas não visita Israel

O Papa Francisco chegou, este sábado, à Jordânia, a primeira etapa da sua viagem ao Oriente Médio, que o levará também a Belém (Cisjordânia) e Jerusalém (Israel), para relançar o diálogo inter-religioso e tentar ultrapassar um conflito regional que continua a agravar-se.

foto TONY GENTILE/REUTERS
Papa Francisco inicia visita ao Médio Oriente
Papa Franciso à partida de Itália

Para o chefe da Igreja católica, o diálogo inter-religioso pode aproximar campos políticos irreconciliáveis e mostrar que a religião não é um fator de ódio.

Em Amã, Francisco vai presidir a uma missa no estádio da capital e encontrar-se com 600 deficientes e refugiados, muitos oriundos da Síria, depois de ser recebido pelo rei Abdullah II. Está também prevista uma cerimônia no rio Jordão, onde Jesus Cristo terá sido batizado.

Depois da Jordânia, o Papa segue para Belém (Cisjordânia), de helicóptero e sem passar por Israel, ao contrário do que está estabelecido no protocolo diplomático.

foto MUHAMMAD HAMED/REUTERS
Papa Francisco inicia visita ao Médio Oriente
Papa Francisco à chegada à Jordânia

“Esta vai ser uma viagem estritamente religiosa, primeiro para um encontro com (o patriarca de Constantinopla) Bartolomeu: Pedro e André vão encontrar-se uma vez mais, e isso é muito bom”, afirmou Francisco, no final da audiência geral da passada quarta-feira, numa referência aos dois apóstolos de Jesus, que representam respetivamente a Igreja de Ocidente e a Igreja de Oriente.

A ausência de uma solução política entre palestinianos e israelitas, a guerra na Síria e milhões de refugiados nos países vizinhos, as tensões e violências no Iraque e Egito compõem o pano de fundo em que decorre a visita de Jorge Bergoglio.

JN.PT

Aécio diz ter fumado maconha aos 18, mas não recomenda

aecioO senador mineiro e presidenciável tucano, Aécio Neves, se posicionou contra a legalização da maconha. Ele admitiu já ter fumado uma vez quando tinha 18 anos, mas diz ser contra a experiência do Uruguai, que legalizou o consumo da droga: “Não gostaria de ver o Brasil como cobaia de uma experiência que não se sabe o resultado. Não acho que essa seja uma agenda para o Brasil. Não sou a favor da descriminalização”.

A declaração do candidato, feita em entrevista à Folha de S. Paulo, vai de encontro com o posicionamento do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, que defende leis menos restritivas ao assunto no país.

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Aécio também se posicionou a favor da redução da maioridade penal para adolescentes de 16 a 18 anos que cometem crimes graves ou são reincidentes. “Não podemos fazer como o governo do PT: virar as costas”.

Ele voltou a criticar a gestão Dilma e disse que “o governo federal é criminosamente omisso no que diz respeito à segurança pública”. Segundo o tucano, nos oito anos em que governou Minas Gerais (2003-2010) ficou esperando recursos para construir penitenciárias. “Sabe quando vieram? Nunca”.

Ele também negou que irá acabar com o Bolsa Família.

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Ricardo diz que rompimento com Cássio foi bom para a PB, mas ainda procura motivos

ricardoO governador Ricardo Coutinho (PSB) em entrevista ao programa Rádio Verdade da Arapuan FM nesta segunda (19) declarou que o rompimento com o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) foi ‘bom’ para a Paraíba e reclamou que três meses depois ainda procura saber o motivo da separação.

Coutinho destacou que há três meses procura saber o motivo do rompimento e que por ‘incapacidade’, por não existir ou por ‘esperteza’ não se diz concretamente. “Acho que para a Paraíba isso não foi ruim porque, na essência, temos formas diferentes de ver o mundo, fazer política. Temos formas diferentes de ver e agir e meu projeto político é diferente, todo mundo sabe”, destaca.

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O socialista continuou apontando divergências entre ele e o tucano: “Somos diferentes no trato da coisa pública, no quesito participação popular, diferente nos investimentos públicos ou privados”, diz.

 

Para o governador, a população vai ter a ‘oportunidade histórica’ de fazer o confronto de políticos ‘que ao meu entender é ultrapassada com a nova política – que tirou comodidade, que tinha que tirar – mas trouxe a Paraíba para um novo patamar de desenvolvimento’.

Marília Domingues / Fernando Braz

 

Emissão de vistos humanitários explode no Brasil. Mas o país não está pronto para receber imigrantes

Haitianos são abrigados na igreja Nossa Senhora da Paz, no bairro do Glicério, em São Paulo - Nelson Antoine/ Fotoarena
Haitianos são abrigados na igreja Nossa Senhora da Paz, no bairro do Glicério, em São Paulo – Nelson Antoine/ Fotoarena

Há um mês, o governador do Acre, Tião Viana (PT), virou destaque no noticiário ao defender – sem cerimônia – uma irresponsável política de despachar para outros Estados do país haitianos que cruzaram a fronteira brasileira. A decisão causou desgaste com o governo de São Paulo e com a prefeitura paulistana, surpreendidos com a chegada em massa de imigrantes pobres e sem lugar para viver. Porém, a imprudência do governo acreano pode ser apenas a ponta de uma crise imigratória que bate à porta do país. No primeiro trimestre do ano, o Conselho Nacional de Imigração do Ministério do Trabalho (CNIg-MTE) emitiu 1.697 dos chamados vistos humanitários – o equivalente a 78% do total de vistos concedidos no ano passado inteiro.

 

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Ao chegar ao Brasil, esses imigrantes pobres – a maioria de nacionalidade haitiana, bengalesa e senegalesa – se deparam com uma realidade dura: burocracia para obter documentos e falta de estrutura para começar a vida. No Estado de São Paulo, por exemplo, porta de entrada de 45% dos imigrantes que desembarcam no país em busca de visto humanitário, a Polícia Federal atende apenas quatro pessoas por dia. A lentidão faz com que estrangeiros esperem mais de sete meses para regularizar sua estada.

 

 

“É frequente recebermos mais de cinquenta pessoas em um único dia, que ouvem a previsão de meses para conseguir o protocolo de entrada no país”, diz Larissa Leite, do Centro de Acolhida para Refugiados Cáritas Brasil. Após a emissão do protocolo de entrada pela Polícia Federal, esses imigrantes têm de aguardar uma entrevista com um agente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão do Ministério da Justiça.

Como a legislação sobre imigração no Brasil é defasada, datada de 1980, os estrangeiros de países pobres recorrem à lei do refugiado, promulgada em 1997 e mais atualizada, para entrar no país de forma legal. Segundo a lei, qualquer pessoa pode pedir refúgio no Brasil, mas o pleito é deferido apenas para pessoas oriundas de países em guerra civil e vítimas de perseguições politicas. Em 2013, o Brasil recebeu mais de 550 refugiados do Líbano e Síria.

É o caso do técnico em informática sírio Sadi*, de 32 anos, há cinco meses no Brasil fugindo da policia de seu país. Ele foi acolhido por uma mesquita em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Assim que chegou ao país, Fadi já obteve a carteira de trabalho e se esforça para aprender o português e conseguir um emprego. “Quero reconstruir minha vida”, diz ao mostrar um vídeo enviado por sua irmã com imagens do prédio onde morava, na cidade de Homs, completamente destruído.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), 77% dos pedidos de refúgio recebidos no ano passado não foram atendidos por se tratar de pessoas que vieram ao Brasil em busca de trabalho. Cerca de 1.800 bengaleses e 960 senegaleses entraram no país dessa forma no ano passado.

 

 

 

A fila para ter sua situação avaliada pelos técnicos do Conare também é longa: o órgão dispõe de apenas quatro agentes para apreciar os pedidos de refúgio. Em 2013, foram 5.769 casos analisados. Após a aprovação dos agentes, os pedidos passam por um novo processo de avaliação numa reunião com os membros do Conare. De acordo com o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, o contingente de funcionários do Conare é suficiente para a demanda.

 

 

 

Além da demora para obter documentos, os imigrantes que pleiteiam um visto humanitário no Brasil sofrem com a falta de abrigo. Disputam vagas em alojamentos mantidos por entidades da sociedade civil ou dormem em abrigos municipais frequentados por moradores de rua. No recente episódio envolvendo haitianos, a prefeitura de São Paulo, por exemplo, encaminhou o grupo para os endereços destinados a receber desabrigados. Os haitianos reclamaram de furtos de pertences e seguiram para o auditório da Missão Paz, uma ONG da Igreja Católica para receber estrangeiros.

 

 

 

O longo tempo de espera para regularizar a situação no Brasil termina com deferimento da permanência no país pelo governo federal. Porém, como o resultado é publicado no Diário Oficial da União, muitos acabam sem saber que foram contemplados. “É um meio de difícil acompanhamento. Muitos perdem o prazo para reclamar seu direito, o que acaba acarretando a sua revogação”, diz João Paulo Charleaux, da ONG Conectas Direitos Humanos.

Há dois anos no Brasil, o motorista Dao Lassana, de 32 anos, da Costa do Marfim, ainda espera a regularização de sua situação. “Vim para o Brasil em busca de trabalho e não consigo exercer a minha profissão”, diz ele, impedido de tirar a carteira de motorista por falta de documentação.

É o caso do professor de Economia congolês Omana Petench, de 48 anos. “Só quero validar meu diploma no Brasil e dar aula em uma universidade”, diz ele, que deixou todos seus documentos ao fugir do Congo às pressas.

Legislação – A precariedade no acolhimento de imigrantes no Brasil é resultado de uma legislação voltada mais à defesa da integridade nacional do que ao caráter humanitário que o tema requer. O Estatuto do Estrangeiro foi criado na época do regime militar e, segundo especialistas, é refratário aos imigrantes.

“Os fluxos migratórios recentes evidenciam a necessidade de o Brasil estabelecer um plano que permita articular de forma eficiente respostas entre autoridades nos níveis federal, estadual e municipal”, diz Jorge Peraza, oficial de desenvolvimento de projetos da Organização Internacional para as Migrações (OIM), com sede em Genebra.

Segundo Paulo Abrão, há uma forte mobilização do setor industrial para a flexibilização dessas regras. “É razão de desestímulo para o país, diante da competividade por cérebros entre as nações. Por isso, o Estatuto do Estrangeiro é alvo de um debate público para sua modificação com propostas de alteração já em tramitação no Congresso Nacional.”

“Há um apagão de mão de obra não qualificada no Brasil que poderia ser suprido por imigrantes”, diz o ministro Marcelo Neri, da Secretaria de Assuntos Especiais da Presidência da República.

*nome trocado a pedido do entrevistado

Neymar convive com dores, mas sofre pressão no Barcelona para jogar final

neymarNeymar ainda tem o pé esquerdo lesionado, se queixa de dores no local, mas encara enorme pressão para que esteja disponível no jogo decisivo do Campeonato Espanhol, diante do Atlético de Madrid, sábado, no Camp Nou. O Barcelona espera por evolução do quadro, além de um sacrifício do atacante para sentar no banco de reservas.

O cenário atual é pessimista. Neymar sequer consegue treinar com a bola por reclamar de dor no pé ao calçar a chuteira. Só que a importância da partida e o receio de ser visto como jogador de “corpo mole” o fazem acelerar o tratamento.

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Em uma demonstração de esforço, Neymar já pulou etapas do tratamento, e passou a conciliar fisioterapia com treinamentos físicos. A informação vinda do pai, Neymar da Silva, é de que o desejo do atacante em jogar a final é grande. Já o Barcelona comunica que espera por testes com bola até sexta-feira, e ainda uma avaliação decisiva horas antes da partida.

Neymar tem um edema no quarto metatarso do pé esquerdo e já reclamava de dores no local há algum tempo. Antes da final da Copa do Rei, quando se lesionou na derrota para o Real Madrid por 2 a 1, no dia 16 de abril, chegou a realizar exames que não apontaram nenhuma lesão.

A previsão de recuperação dada na época foi de um mês. Desde então, o atacante passou a realizar tratamento fisioterápico em dois períodos no Camp Nou. Só que a falta de crença no clube de que o time chegaria com condições de título na última rodada do Campeonato Espanhol o deixavam com pequena pressão.

A proximidade da Copa do Mundo também impulsionou a pressão atual. Ele e até mesmo o ídolo Lionel Messi já foram acusados por torcedores de estarem priorizando a preparação para a disputa no Brasil. Na época em que se lesionou, Neymar trocou a foto do perfil no Twitter em que usava a camisa do Barcelona para uma com o uniforme da seleção brasileira, e assim, foi vítima de diversas críticas da torcida do Barça.

O cenário atual no Campeonato Espanhol deixou o jogador ainda mais pressionado. Só que ele não conseguiu participar dos dois treinamentos do time realizados nesta semana.

“Não sou eu que decido qualquer coisa sobre jogadores lesionados. Ainda estamos na quarta-feira e temos três dias até o jogo. Vamos ver como o Neymar vai se encontrar, pois é claro que é um jogador muito importante para a gente”, disse o meia Xavi, quando perguntado sobre a perspectiva de ver Neymar em campo.

A imprensa catalã já aposta em um time com Alexis Sánchez, Messi e Pedro no ataque. Neymar figura como opção no banco de reservas, mas para jogar poucos minutos caso o Barça não esteja vencendo. O Barcelona precisa vencer o Atlético de Madrid no Camp Nou para ficar com o título. Outro resultado deixa o time adversário como campeão.

Uol