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Presidente da FPF considera ‘graves’ as suspeitas de manipulação de resultado em jogo do Campinense

A vitória do Campinense sobre o Vitória-PE na noite da última quinta-feira (6) foi colocada em xeque por torcedores e apostadores. Em aplicativos de mensagens, áudios relataram a atuação de uma rede de manipulação de resultados na partida. A presidente da Federação Paraibana de Futebol, Michele Ramalho, classificou como “graves” as suspeitas e pede que o caso seja investigado pelas autoridades competentes. A informação é do repórter Sérgio Rangel, do UOL Esporte.

Dentro de campo, a Raposa goleou o Vitória-PE por 4 a 0, em partida válida pela sexta rodada da fase de grupos do Campeonato Brasileiro da Série D. A partida foi antecipada para a noite de quinta-feira a pedido do Campinense que, assim como o Vitória-PE, já estava eliminado da competição. Nos aplicativos de mensagens, porém, apostadores relataram que integrantes de uma rede de manipulação de resultados “compraram o jogo do Campinense” (sic).

Divulgação

Na conversa de áudio, um torcedor diz que a partida seria 4 a 0 e citou José Pereira, o Pezão, homem forte do departamento de futebol rubro-negro, como um dos responsáveis pelo esquema. Pezão, assumirá, na próxima semana, oficialmente o cargo de diretor de futebol do clube de Campina Grande. Ele não foi encontrado pela reportagem do UOL Esporte para comentar a denúncia.

Em um dos áudios obtidos pelo UOL Esporte, uma outra pessoa informa que a partida estava bloqueada para apostas nos sites baseados em Campina Grande e comentava que um amigo jogou em uma casa de apostas no Pará e ganhou “dinheiro com força”.

Em um comunicado emitido na noite de quinta, a casa de apostas “Bets Esportes” informou que o resultado do jogo foi manipulado e informava aos seus clientes que devolveria o valor das apostas.

O “Bets Esportes” é mais uma das dezenas de bancas de apostas que operam ilegalmente no país. O domínio da empresa está registrado no Maranhão. A reportagem tentou obter contato com a empresa, mas não teve sucesso.

Nota divulgada pela “Bets Esportes”

O Campinense é patrocinado por um site de apostas. O principal parceiro do clube é a “MixBet”, empresa hospedada no Arizona, nos EUA.

Procurada pela reportagem, a presidente da Federação Paraibana de Futebol, Michele Ramalho, que chefia a delegação brasileira na Copa do Mundo de Futebol Feminino, na França, afirma que a suspeita deve ser investigada pelas autoridades locais.

– Se trata de denúncias graves e devem ser investigadas e apuradas pelos órgãos competentes – disse a mandatária do futebol paraibano.

Organizadora da competição, a CBF informou à reportagem que está apurando as informações antes de se manifestar.

Outro lado

O Campinense não se pronunciou sobre o caso. Os dirigentes do Vitória também foram procurados, mas não responderam aos contatos da reportagem do UOL Esporte.

Credibilidade em xeque na Paraíba

A suspeita de manipulação de resultados em Campina Grande agrava a credibilidade do futebol da Paraíba, que atravessa a maior crise da sua história.

No ano passado, dirigentes da federação, de Botafogo-PB e Campinense, além de árbitros, foram banidos do futebol pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, acusados de integrarem um esquema de manipulação de resultados, através da compra de árbitros.

A Operação Cartola, conduzida pela Polícia Civil da Paraíba e Ministério Público do Estado, revelou que dirigentes negociavam pagamentos para árbitros e adversários. Willian Simões, então presidente do Campinense, foi um dos banidos do futebol no ano passado pelo STJD. O caso segue na Justiça Comum, onde no mês passado foram ouvidas as primeiras testemunhas em audiência no Tribunal de Justiça da Paraíba.

Jogos vazios são alvos preferidos

Jogos sem apelo de público e com pouca importância na tabela da competição são os preferidos das máfias de manipulação de resultados. Com o estádio praticamente vazio, a partida de quinta-feira, em Campina Grande, teve apenas 305 pagantes e não mexeu na tabela da competição. Os dois times já estavam eliminados da Série D.

A equipe pernambucana terminou a competição sem nenhum ponto. Já o Campinense deixou a Série D com sete pontos.

A goleada foi a única do time paraibano no torneio. Em seis partidas, a equipe venceu somente duas e ainda teve um empate e três derrotas.

O mercado de apostas esportivas online foi liberado em dezembro do ano passado e aguarda a regulamentação no Congresso Nacional. Apesar de ser proibido no país, cerca de 500 sites baseados no exterior recebem apostas de brasileiros. Estima-se que as apostas feitas no Brasil movimentaram cerca de R$ 4 bilhões neste ano.

Equipe @VozdaTorcida com UOL Esporte

 

 

Operação investiga manipulação de resultados de jogos do Paraibano

Operação apura irregularidades no Futebol Paraibano (Foto: Raniery Soares/Jornal Correio da Paraíba)

Uma operação deflagrada na madrugada desta segunda-feira (9), na Paraíba, investiga a manipulação do resultado de jogos no Campeonato Paraibano de Futebol. Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPPB), cumprem em cinco cidades 39 mandados de busca e apreensão. À Operação, foi dada o nome de ‘Cartola’.

Os envolvidos estão sendo investigados pelos crimes de organização criminosa, falsidade ideológica, manipulação de resultados (crimes do estatuto do torcedor) e por outras condutas sob apuração. Os 39 mandados judiciais foram cumpridos nas cidades de João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Campina Grande e Cajazeiras. A ação contou com a atuação de 230 policiais civis de diversas cidades da Paraíba.

Entre os locais onde a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão estão propriedades de pessoas ligadas ao Botafogo-PB, clube que conquistou o bicampeonato estadual nesse domingo (9), ao vencer o Campinense por 2 a 0, no Estádio Almeidão, em João Pessoa. As ações aconteceram nas casas do presidente do clube, o ex-vereador Zezinho do Botafogo, e do vice, Breno Morais. Ainda na Capital, foram cumpridos mandados judiciais nas residências do presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Amadeu Rodrigues, e da ex-gestora da entidade, Rosilene Gomes.

O representante do departamento jurídico da FPF, Hilton Souto Maior, negou que a entidade esteja envolvida em qualquer esquema criminoso. “Estamos à disposição da Justiça para colaborar. Não existe isso [desvio de dinheiro e manipulação de resultados]. A Federação prestou contas à Confederação Brasileira de Futebol, inclusive no Ministério dos Esportes, e foi publicado no Diário Oficial da União todo balancete dos anos 2015 e 2016. O de 2017 é prestado agora em 2018. Não tem nada de desvio de dinheiro”, garantiu.

A Operação Cartola é resultado de mais de seis meses de investigações e tem por objetivo apurar os crimes cometidos por uma organização composta por membros da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Comissão Estadual de Arbitragem da Paraíba (CEAF), Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba (TJD/PB) e dirigentes de clubes de futebol profissional do Estado da Paraíba (Cartolas).

Foi possível identificar a existência de dois núcleos principais, com aproximadamente 80 membros identificados, sendo o primeiro – liderança – formado por membros da FPF, CEAF e dirigentes de clubes de futebol profissional. Este núcleo (Cartola) é responsável pelas decisões mais importantes relacionadas ao meio do Futebol Paraibano e conta com uma sofisticada rede de proteção, elevado grau de articulação institucional.

O segundo núcleo identificado é formado por membros executores ligados à CEAF (arbitragem), funcionários da FPF e de clubes de futebol, que atuam segundo a direção, determinação do núcleo principal.

Dentre as principais condutas investigadas, destacam-se a manipulação de resultados de campeonatos de futebol, adulteração de documentos, interferência em decisões da justiça desportiva (TJD) e desvio de valores oriundos de partidas de futebol profissional.

Em face do sigilo das investigações, os detalhes sobre o modo de atuação dos investigados, individualização das condutas e demais características da presente organização só poderão ser divulgados posteriormente, após a conclusão da fase investigativa e análise de todo o material apreendido.

A Operação Cartola contou com o apoio fundamental de testemunhas dos fatos, com conhecimento detalhado das condutas praticadas, além do trabalho das equipes de monitoramento e vigilância da Polícia Civil, que analisaram centenas de documentos e realizaram diversas diligências durante os 06 meses de investigações. Outro aspecto importante a ser destacado está na competente e fundamental atuação da Justiça Criminal paraibana, através da 4ª Vara Criminal de João Pessoa, que analisou e deferiu as medidas cautelares relacionadas à operação.

Quaisquer denúncias sobre os fatos em apuração poderão ser encaminhadas através do disque denúncia da Polícia Civil (tel. 197 – sigilo garantido).

 Raniery Soares, do Jornal Correio da Paraíba

Fifa identifica manipulação de jogos em partidas pré-copa para benefício de apostas

nyDois pênaltis com bola na mão, sendo que, nos dois casos, a bola não passou nem perto da mão. Foi assim, com marcações controversas, que a África do Sul, então treinada por Carlos Alberto Parreira, venceu a Guatemala por 5 a 0 em um amistoso antes da Copa do Mundo de 2010 (veja aqui os lances). O árbitro Ibrahim Chaibou, do Níger, não pensou duas vezes antes de apontar a marca fatal, mas o tempo mostrou que a atitude dele naquela noite ia muito além das questões técnicas. Uma investigação da Fifa, revelada em reportagem do jornal americano The New York Times, detalha um esquema de manipulação de resultados em amistosos pré-Copa em 2010 para beneficiar apostadores. Segundo a apuração da Fifa, Chaibou teria recebido 100 mil dólares naquela partida. Oficialmente, ele nega todas as acusações.

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A reportagem publicada neste fim de semana pelo NYT começa com a descrição do momento que o árbitro chega ao banco para depositar o dinheiro, levado em uma sacola em notas de US$ 100, poucas horas antes do jogo. O montante era tão incomum para o banco que o juiz ganhou de presente moedas comemorativas com a imagem de Nelson Mandela.

O documento confidencial da Fifa, ao qual o jornal americano teve acesso, afirma que Chaibou foi escolhido para aquele amistoso pela empresa Football 4U, sediada em Cingapura e ligada a uma quadrilha de manipulação de resultados no futebol. O árbitro também foi investigado um ano depois daquela partida, quando marcou um pênalti suspeito no amistoso entre Argentina e Nigéria no dia 1º de junho de 2011.

Amistoso 2010 África do Sul x Guatemala suspeita de manipulação (Foto: Getty Images)Pienaar, craque da África do Sul, no polêmico amistoso de 2010 contra a Guatemala (Foto: Getty Images)

Apesar de se tratar de amistosos, a reportagem parte da investigação para levantar questões sobre a vulnerabilidade da Copa no Brasil, que começa no dia 12 deste mês. Cita, inclusive, uma declaração de Ralf Mutschke, chefe de segurança da Fifa, ao site da entidade no dia 12 de maio deste ano.

– Os manipuladores estão procurando jogos que geram um volume muito grande de apostas, e obviamente os torneios internacionais de futebol como a Copa do Mundo geram esse volume. Então a Copa, no geral, tem um certo risco – afirmou Mutschke.

árbitro Ibrahim Chaibou (Foto: AP)Ibrahim Chaibou também levantou suspeitas em uma partida entre Argentina e Nigéria em 2011 (Foto: AP)

O documento da Fifa, que tem 44 páginas, revela detalhes do esquema montado pelos apostadores para manipular pelo menos cinco amistosos de preparação para a Copa do Mundo da África do Sul. Pelo menos 15 partidas estavam no radar dos criminosos, incluindo um duelo entre Estados Unidos e Austrália. Além da cena do árbitro depositando o dinheiro no banco, várias outras são descritas na investigação, mostrando a facilidade como os resultados são manipulados. Até ameaças de morte são citadas.

A Fifa concluiu que o esquema de 2010 contou com a ajuda de executivos do futebol sul-africano. Ainda assim, ninguém foi acusado formalmente ou banido de suas atividades. Na semana passada, uma porta-voz da Fifa admitiu que as investigações sobre o caso continuam em curso.

No caso de África do Sul x Guatemala, o esquema começou a ser montado com semanas de antecedência. Um homem identificado como Mohammad foi até o escritório da Federação Sul-Africana levando uma carta datada de 29 de abril de 2010. O documento oferecia árbitros para os amistosos da seleção do país-sede da Copa, cobrindo despesas de viagem, hospedagem e alimentação. A assinatura era de Wilson Raj Perumal, executivo da Football 4U e notório apostador conhecido como o maior manipulador de resultados do esporte mundial.

O árbitro Chaibou nega que conheça Perumal, mas o documento da Fifa detalha a relação entre os dois, incluindo a negociação para a manipulação do amistoso. “Eu posso fazer o serviço”, teria dito o juiz.

O New York Times afirma que “várias federações nacionais cujas seleções vão competir no Brasil são tão vulneráveis quanto a sul-africana, com problemas financeiros, em crise administrativa e divididas politicamente.

globoesporte

Médica cubana acusa Veja de manipulação

medica“Eu vim para o Brasil para trabalhar, não para ficar dando entrevistas”, foi assim que Yamile Mari Min, médica cubana que atua no posto de saúde do Bairro Santa Luzia, me recebeu no início da tarde desta segunda-feira. Por diversas vezes, ela já havia sido procurada pela nossa equipe, mas se recusava a falar.

O meu objetivo era repercutir reportagem publicada pela Revista Veja, que denuncia suposta tentativa de pressão por parte do Ministério da Saúde e do governo de Cuba para que os médicos da ilha de Fidel Castro permaneçam no país. Segundo a revista, Vivian Isabel Chávez Pérez (chamada de capataz dos médicos na reportagem) exerceria esta função e teria, sob ameaças, conseguido manter as duas médicas cubanas em Jaraguá do Sul.

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O fato foi desmentido pelo o secretário de Saúde, Ademar Possamai (DEM), que foi citado pela revista. Segundo ele, em dezembro, as médicas estavam com dificuldades de adaptação e quase chegaram a se desligar, mas depois de contato do Ministério da Saúde, o problema foi solucionado e hoje está tudo bem. Depois de alguns minutos de conversa no consultório, Yamile foi perdendo a desconfiança e admitiu que foi procurada pela Veja na semana passada, mas disse que se negou a falar por entender que parte da imprensa vem tratando deste assunto sob a ótica estritamente política. “Eu e todos os médicos cubanos sabíamos quanto iríamos ganhar ao vir ao Brasil. Ninguém é obrigado a nada, a gente se inscreve sabendo de tudo. Eu estou aqui para ajudar o meu país”, resumiu a cubana já com sorriso no rosto e falando um bom português. Para ela, a prova da importância do programa é a satisfação da comunidade.

A polêmica em torno da presença dos profissionais cubanos no Brasil está no fato de que eles recebem R$ 1mil ao mês, os outros R$ 9 mil a que teriam direito são depositados em uma conta do governo de Cuba. No término do contrato, quando retornam para casa, os médicos recebem mais um percentual do valor, o restante fica com os cofres públicos, funciona como um imposto retido na fonte em um país onde a educação e a saúde são 100% financiadas pelo governo.
De Cuba para Jaraguá do Sul

Yamile Mari Min, médica cubana que atua no Posto do Santa Luzia e foi citada pela Revista Veja desta semana, critica decisão de Ramona Matos Rodriguez, que deixou o programa Mais Médicos e entrou com uma ação trabalhista por danos morais de R$ 149 mil contra o governo federal. Os cubanos recebem R$ 1 mil ao mês, auxílio moradia, alimentação e transporte.

A matéria da edição desta semana da Revista Veja denuncia pressão para permanência de médicos cubanos no país, citando profissionais que estão em Jaraguá do Sul. A reportagem cita suposta declaração da coordenadora de Atenção Básica no município, Nádia Silva, que teria dito: “(elas) sofreram um impacto psicológico muito grande por causa dessa diferença de tratamento (salário). Não havia uma semana que não reclamassem das dificuldades de viver aqui”. Procurada pela coluna ontem, Nadia desmentiu as informações publicadas na revista. “Na verdade saiu tudo diferente do que a gente falou. Não sei se eles tinham um interesse com a matéria, mas estamos muito chateados”, contesta a coordenadora, que admite que em dezembro as duas médicas pensaram em deixar o município, mas acredita que tenha sido por dificuldade de estar longe dos familiares e amigos. “Está tudo muito bem”, avalia.

 

 

revistaforum

Professor demonstra manipulação de O Globo sobre Venezuela

Diante da manipulação da informação nos jornais da Rede Globo, como O Globo, sobre a situação econômica da Venezuela, depois da confirmação de que o candidato Nicolás Maduro,  Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv) venceu a eleição no domingo (14), o professor de economia Victor Leonardo enviou carta ao impresso manifestando sua indignação. No domingo, uma onda de violência foi iniciada pela oposição.

Globo ataca governo venezuelano com dados manipulados

Prezada Senhora Sandra Cohen

Editora de Mundo de O Globo

ManipulaçãoJá é sabido que o jornal O Globo não nutre qualquer simpatia pelo governo do presidente venezuelano Hugo Chávez, e tem se esforçado a formar entre os seus leitores opinião contrária ao chavismo – por exemplo, entrevistando o candidato Henrique Caprilles sem oferecer ao leitor entrevista com o candidato Nicolás Maduro em igual espaço. Isto por si já é algo temerário, mas como eu não tenho a capacidade de modificar a linha editorial do jornal, resigno-me. O problema é que o jornal tem utilizado sistematicamente dados um tanto quanto estranhos na sua tarefa de formar a opinião do leitor. Sou professor de Economia da Universidade Federal Fluminense e, embora não seja “especialista” em América Latina, conheço alguns dados sobre a Venezuela e não poderia deixar de alertá-la quanto aos erros que têm sido sistematicamente cometidos.

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Como parte do esforço de mostrar que o governo Chávez deixou a economia “em frangalhos”, o jornalista José Casado, em matéria publicada em 15/04/2013 (“Economia em frangalhos no caminho do vencedor”) informa que o déficit público em 2012 foi de 15% do PIB. Infelizmente, as fontes desta informação não aparecem na reportagem (apenas uma genérica referência a “dados oficiais e entidades privadas”!!!), uma falha primária que nem meus alunos não cometem mais em seus trabalhos. Segundo estimativas apresentadas para o ano de 2012 no “Balanço Preliminar das Economias da América Latina e Caribe”, da conceituada Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), o déficit foi de 3,8% do PIB, ligeiramente menor do que no ano anterior, mas muito inferior ao apresentado pelo jornal. Caso o jornalista queira construir a série histórica para os resultados fiscais para a Venezuela (e qualquer outro país do continente), pode consultar também as várias edições do “Estudio Económico” também da Cepal. Para poupar o seu trabalho: a Venezuela registrou superávit primário de 2002 a 2008: 1% do PIB; 2003: 0,3; 2004: 1,8; 2005: 4,6; 2006: 2,1; 2007: 4,5; 2008: 0,1; e déficit nos anos seguintes: 2009: -3,7% do PIB; 2010: -2,1; 2011: -1,8; 2012: -1,3. O déficit é decrescente, mas bem distante dos 15% do PIB publicados na matéria. Afirmar que o déficit público na Venezuela corresponde a 15% do PIB tem sido um erro recorrente, e também aparece na matéria intitulada “Onipresente Chávez”, publicada na véspera, também no caderno “Mundo” do jornal O Globo em 13/04/2013. A este propósito, tenho uma péssima informação a lhe dar: diante de um quadro fiscal tão saudével, o presidente Nicolás Maduro não precisará realizar ajuste fiscal recessivo, e terá condições de seguir com as políticas de seu antecessor.

A matéria do dia 15/04/2013 possui ainda outros erros graves. O primeiro é afirmar que existe hiperinflação na Venezuela, e crescente. Não há como negar que a inflação é um problema grave na Venezuela, mas O Globo não tem dispensado o tratamento adequado para informar os seus leitores. A inflação na Venezuela tem desacelerado: foi de 20% em 2012, contra 32% em 2008 (novamente utilizo os dados da Cepal). Tudo indica que o jornalista não possui conhecimento em Economia, pois a Venezuela não se enquadra em qualquer definição existente para hiperinflação – a mais comumente utilizada é de 50% ao mês; outras, mais qualitativas, definem hiperinflação a partir da perda da função de meio de troca da moeda doméstica, situações bem distantes do que ocorre na Venezuela.

Outro equívoco é afirmar que “não há divisas suficientes para pagar pelas importações”. A Venezuela acumula superávits comerciais e em transações correntes (recomendo que procure os dados – os encontrará facilmente na página da Cepal). Esta condição é algo estrutural, e a Venezuela é a única economia latino-americana que pode dar-se ao luxo de não precisar atrair fluxos de capitais na conta financeira para financiar suas importações de bens e serviços. Isto decorre exatamente das exportações de petróleo.

O problema, Senhora Sandra Cohen, é que os erros cometidos ao expor a situação econômica venezuelana não se limitam à edição do dia 15/04, mas tem sido sistemáticos e corriqueiros. Como parte do esforço de mostrar que o governo Chávez deixou uma “herança pesada”, a jornalista Janaína Figueiredo divulgou no dia 14/04 (“Chavismo joga seu futuro”) que em 1998 a indústria respondia por 63% da economia venezuelana, e caiu para 35% em 2012. Infelizmente, a reportagem comete o erro primário que o seu colega José Casado cometeu: não cita suas fontes. Em primeiro lugar, a informação dada pelo jornal é que a Venezuela era a economia mais industrializada do globo terrestre no ano de 1998. Veja bem: uma economia em que a indústria representa 63% do PIB é super-hiper-mega-industrializada, algo que sequer nos países desenvolvidos foi observado naquele ano, nem em qualquer outro. E a magnitude da queda seria digna de algo realmente patológico. Como trata-se de um caso de desindustrialização bastante severo, procurei satisfazer a minha curiosidade, fazendo algo bastante corriqueiro e básico em minha profissão (e, ao que tudo indica, o jornalista não fez): consultei os dados. Na página do Banco Central da Venezuela encontrei a desagregação do PIB por setor econômico e lá os dados eram diferentes: a indústria respondia por 17,3% do PIB em 1998, e passa a representar 14% em 2012. Uma queda importante, sem dúvida, mas algo muito distante da queda relatada por sua jornalista. Caso a senhora, por qualquer juízo de valor que faça dos dados oficiais venezuelanos, quiser procurar em outras fontes, sugiro novamente a Cepal, (Comissão Econômica para América Latina e Caribe). As proporções mudam um pouco (21% em 1998 contra 18% em 2007 – os dados por lá estão desatualizados), mas sem adquirir a mesma conotação trágica que a reportagem exibe. Em suma: os dados publicados na matéria estão totalmente errados.

O erro cometido é gravíssimo, mas não é o único. A reportagem ainda sugere que a Venezuela é fortemente dependente do petróleo, respondendo por 45% do PIB. Novamente, a jornalista não cita suas fontes. Na que eu consultei (o Banco Central da Venezuela), o setor petróleo respondia por 19% do PIB em 1998, contra pouco mais de 10% em 2012. Como a Senhora pode perceber, a economia venezuelana se diversificou. Não foi rumo à indústria, pois, como eu mesmo lhe mostrei no parágrafo acima, a participação desta última no PIB caiu. Mas, insisto, a dependência do petróleo DIMINUIU, e não aumentou como o jornal tem sistematicamente afirmado.

A edição de 13/04/2012, traz outros erros graves. Eu já falei anteriormente sobre os dados sobre déficit público apresentados pela matéria assinada pelo jornalista José Casado (“Onipresente Chávez”). A mesma matéria afirma que a participação do Estado venezuelano representa 44,3% do PIB. O conceito de “participação do Estado na economia” é algo bastante vago, e por isso era importante o jornalista utilizar alguma definição e citar a fonte – mas isto é algo, ao que tudo indica, O Globo não faz. Algumas aproximações para “participação do Estado na economia” podem ser utilizadas, e as mais usuais apresentam números distantes daqueles exibidos pelo jornalista: os gastos do governo equivaliam a 17,4% do PIB em 2010 (contra 13,5% em 1997) e a carga tributária em 2011 era de 23% (contra 21% em 2000), nada absurdamente fora dos padrões latino-americanos.

Enfim, no afã de mostrar uma economia em frangalhos, O Globo exibe números que simplesmente não correspondem à realidade da economia venezuelana. Veja bem: eu nem estou falando de interpretação dos dados, mas sim de dados equivocados!

Seria importante oferecer ao leitor de O Globo uma correção dessas informações – mas não na forma de errata ao pé de página, mas em uma reportagem que apresente ao leitor a economia venezuelana como ela é, e não o caos que O Globo gostaria que fosse.

E, por favor, nos próximos infográficos, exibam suas fontes.

Atenciosamente,

Victor Leonardo de Araujo

Fonte: Rede Democratica

Palestra sobre manipulação do lixo abre II Semana da Água de Lagoa de Roça (PB)

 

 

semana da aguaA aberturada II Semana da Água de São Sebastião de Lagoa de Roça, distante 152 quilômetros de João Pessoa, terça (16/04), foi marcada com o tema das doenças resultantes da manipulação do lixo. Isto aconteceu com uma palestra foi apresentada pelos coordenadores da Vigilância Municipal Ambiental e Sanitária, Anderson Gomes e Tatiana Rodrigues.  O evento é realizado pelo Projeto Rio Mamanguape, patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras ambiental, em parceria com a Prefeitura daquele município e sua programação prosseguirá até quinta-feira (18/04).

O objetivo da Semana da Água é apresentar a culminância das várias áreas de atuação do Projeto Rio Mamanguape, em seu segundo ano de execução, para que a sociedade civil organizada tome conhecimento do seu desenvolvimento.

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A solenidade de abertura aconteceu na Escola Municipal Pedro da Costa e contou com a participação de autoridades locais numa cerimônia que também incluiu apresentações culturais. Participaram os secretários de educação, Railson Messias Cardoso, agricultura, Aderbal Sousa e o auditor da Prefeitura Genildo Júnior, que representou a prefeita Maria do Socorro Cardoso, além do vereador Carlos Antônio da Costa, que representou a Câmara de Vereadores. Também participaram representantes das Associações dos Sítios Imbé e Alto dos Brás, do Conselho de Desenvolvimento Rural e da Secretaria de Saúde.

semana da águaA articuladora da área de educação ambiental do Projeto Rio Mamanguape, Maria Zélia Araújo, falou representando a coordenadora geral, Maria José dos Santos e apresentou como o projeto tem funcionado nos sete municípios da sua área de abrangência, além de apresentar um breve relato das ações realizadas em São Sebastião de Lagoa de Roça. Uma exposição de fotos das ações realizadas pelo Projeto em São Sebastião de Lagoa de Roça, que seria apresentada pela técnica Maria Zélia Araújo, foi transferida na programação e será apresentada amanhã (17/04).

Para o secretário de educação, Railson Cardoso, o evento é muito positivo, pois é uma oportunidade de levar aos alunos e professores a discussão sobre a utilização racional da água.

A partir das 9h30, foi apresentada a palestra sobre “Doenças causadas pela manipulação de lixo”, pelos coordenadores da Vigilância Municipal Ambiental e Sanitária, Anderson Gomes e Tatiana Rodrigues. Eles apresentaram conceitos básicos sobre lixo e sua correta manipulação, as consequências da falta de uma destinação correta e as principais doenças causadas por várias vetores que convivem com o lixo.

Hoje de amanhã (17/04), à partir das 8h, programação da II Semana da Água prevê a realização de uma oficina para levantar as expectativas em relação a reedição do Projeto Rio Mamanguape, em todas as suas áreas de atuação.

Amanhã (18/04), a programação prevê a realização de uma série de apresentações de projetos da área de educação ambiental elaborados pelas escolas e apresentações culturais. Em seguida acontecerá uma caminhada reflexiva com a participação de escolas municipais e com roteiro previsto para alguns dos pontos de referência da cidade. O local de concentração é a Escola Municipal Pedro da Costa, a partir das 8h.

 

 

Asssessoria de Imprensa para o Focando a Notícia

Deputado suspeita de manipulação e caixa dois e quer CPI para investigar pesquisas eleitorais na PB

O deputado Tião Gomes, presidente do PSL na Paraíba, suspeita que institutos estariam manipulando resultados de pesquisas para favorecer determinadas candidaturas e também do uso de caixa dois na campanha para custeá-las, devido aos altos valores cobrados pelos responsáveis.

Tião vai acionar o Ministério Público e a Receita Federal para investigar denúncias contra institutos de pesquisas em todos os municípios e quer a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa para o mesmo trabalho.

Segundo o parlamentar, as divergências entre resultados é o principal indício de fraude nas pesquisas, além do preço cobrado pelos institutos para realizar o trabalho e publicar o resultado. “Em Sousa, por exemplo, teve uma pesquisa que Lindolfo Pires com 8% á frente e, em outra, André Gadelha estava com 2% de vantagem. Quem está com a razão? Por que a divergências nos números? Temos que buscar respostas”, afirmou Gomes.

O próprio deputado foi surpreendido com pesquisas publicadas sobre a preferência do eleitorado em Solânea e Bananeiras, onde está certo da vitória de seus candidatos. “Me ofereceram as pesquisas por R$ 25 mil, cada. Não aceitei porque achei muito caro. No outro dia, o mesmo instituto publicou resultados totalmente diferentes, favorecendo meus adversários”, contou.

Além do valor absurdo, Tião estranhou o número de indecisos em cada pesquisa. Em Solânea, 25% não tinha candidato e, em Bananeiras, outros 17%. “Isso é um absurdo, faltando poucos dias para as eleições. Por isso, queremos uma investigação ampla para acabar com essa máfia que só favorece a quem lhe paga. Somente a Receita Federal, o Ministério Público e a Assembléia, através de uma CPI, podem acabar com essa fraude contra o eleitor paraibano”, sustentou Gomes.

Assessoria