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Sete situações em que mulheres reforçam o machismo contra elas

O machismo faz mulheres terem sua intimidade invadida nas ruas, receberem salários menores que os homens e ter oportunidades desiguais no mercado de trabalho, entre outros problemas. Arraigado na sociedade, esse fenômeno inclusive leva as próprias vítimas a reproduzirem falas e atitudes preconceituosas contra elas mesmas.

Para a psicóloga e sexóloga Ana Canosa, a cultura machista faz com que mulheres tenham comportamentos machistas sem se dar conta. Com ideias que entram nas cabeças delas ainda na infância

“É uma questão cultural, relacionada ao papel de gênero construído para mulheres. Todas as situações contadas nos contos de fadas diziam: os homens é que escolhem as mulheres. Por isso, para conseguir um príncipe, faça como Cinderela: seja boa, bonita, casta, generosa e prendada. Isso é fruto de uma ideologia machista, que converteu as mulheres em submissas que se estapeavam para competir por serem ‘as escolhidas’ de um homem”, avalia a sexóloga.

Muitas vezes, sem ter consciência disso, mulheres reproduzem comportamentos machistas
Thinkstock Photos

Muitas vezes, sem ter consciência disso, mulheres reproduzem comportamentos machistas

Tica Moreno, socióloga da Sempreviva Organização Feminista, entende que esse comportamento dificulta a luta por igualdade de gênero. “É fundamental que as mulheres se unam, uma mulher sozinha não vai conseguir fazer muitas mudanças na sociedade”, argumenta. “É preciso deixar de olhar as amigas como possíveis rivais, não reforçar antigas crenças e chavões”, acrescenta Ana.

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A seguir, Ana e Tica comentam comportamentos que as mulheres precisam parar de reproduzir para não reforçar o machismo.

1 – Criticar mulheres com vida sexual ativa
A edição atual do “Big Brother Brasil”, o reality show mais popular do País, traz um dos casos mais comuns de machismo. No programa, dois casais praticaram sexo frequentemente e sem falsos pudores. Porém, o público majoritariamente feminino da atração eliminou as mulheres que faziam parte dos pares e manteve os homens no confinamento.

O programa reproduziu um julgamento comum que a sociedade faz das mulheres que têm uma vida sexual ativa e com diferentes parceiros, sendo tachadas por isso como promíscuas. Essa culpabilização é conhecida pelo termo ‘slut shaming’. Enquanto isso, homens que têm a mesma atitude são celebrados com garanhões.

“Devemos parar de criticar as mulheres que assumem seus desejos e conquistas”, propõe Ana.

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Divulgação/TV Globo

No “BBB15”, as mulheres que fizeram sexo no confinamento foram eliminadas e os homens foram mantidos

2 – Por a responsabilidade da traição só na mulher
É comum quando um homem comprometido trai sua namorada ou esposa com outra a responsabilidade cair apenas sobre a mulher, que seduziu o rapaz indefeso. Até a traída é criticada por deixar o parceiro ir ‘procurar na rua’ o que não encontra em casa.

“No caso em que um homem comprometido em uma relação monogâmica trai a mulher com outra, a responsabilidade é do homem. Esse tipo de ponto de vista [culpabilização da mulher] acaba tirando a responsabilidade dele”, pondera Tica.

3 – “Ela não é mulher pra casar”
A separação preconceituosa e machista que se faz entre ‘mulheres para casar’ e ‘mulheres para transar’ muitas vezes é repetida pela própria mulher, que quer assim se diferenciar das chamadas ‘piriguetes’.

 “As mulheres acabam reproduzindo a lógica da sociedade machista. A culpa [desses atos] não é das mulheres individualmente, mas do patriarcado que se reproduz segundo esse sistema”, aponta Tica.

4 – Criticar o corpo de outras mulheres
Tica critica parte das revistas femininas que usam análises de moda para fomentar preconceitos. De acordo com a socióloga, essas avaliações embutem julgamentos estéticos. “Ela é muito gorda pra usar essa saia curta e deixar as pernas de fora’”, exemplifica a socióloga.

Não só a gordofobia, mas qualquer outra desvalorização por conta da estética é muito presente na vida de muitas mulheres. Por isso, comentar com uma amiga que ela tem muito peito, pouco bumbum, ou que ela é magra demais, só vai deixá-la mais triste e colaborar com a falta de união. “A mulher tem que valorizar outras questões, sair do papel de deusa sedutora”, defende Ana

5 – Dar mais valor às roupas do que às conquistas
Seja na posse de uma presidente ou na cerimônia do Oscar, as roupas das mulheres tendem a ser mais valorizadas do que suas conquistas profissionais. Por conta disso, atrizes de Hollywood como Reese Witherspoon, Cate Blanchett e Julianne Moore têm apoiado uma campanha para combater essa conduta.

Batizada como #AskHerMore, a campanha pede que repórteres façam perguntas mais criativas sobre a profissão e as conquistas das atrizes, e não apenas sobre o que elas vestem.

Campanha usa a hashtag #AskHerMore para pedir que jornalistas façam perguntas mais inteligentes às atrizes
BBC

Campanha usa a hashtag #AskHerMore para pedir que jornalistas façam perguntas mais inteligentes às atrizes

Ana acredita que ainda estamos longe do momento “quando roupa, cor de cabelo, tamanho de bunda, de peito, de cintura, idade, sobrenome e aliança no dedo não farão a menor diferença no valor que alguém possa ter como pessoa humana”.

6– Invejar conquistas das outras mulheres
“Freud já dizia, no começo do século 20 sobre “a inveja do pênis”. Não do pênis como órgão, mas do poder que ele representava em uma cultura machista e moralista. Nasceu com pênis, o mundo estava aberto, em todas as dimensões. Nasceu com vulva e vagina, todas as proibições. Então, quando uma mulher tem poder legitimado culturalmente, no trabalho, na beleza, entre outros, os olhos invejosos se voltam para ela”, assinala Ana, acrescentando que é necessário evitar mais esta ferramenta de reprodução do machismo.

7 – Criar filhos de modo diferente
Não só dentro nas escolas e na rua, mas dentro de casa a educação na maioria das vezes ainda é muito sexista. As mães têm parte da responsabilidade de desconstruir o machismo desde cedo, segundo as especialistas. Muitas delas dividem as tarefas de casa de forma desigual. Assim, meninas lavam a louça do jantar enquanto os meninos assistem TV com os pais. Estes afazeres não dependem de sexo ou gênero para serem feitos.

 

iG

Moralismo e machismo imperam em decisões judiciais que envolvem conflitos de gênero

JEFFERSON COPPOLA/FOLHAPRESS
JEFFERSON COPPOLA/FOLHAPRESS

Duas decisões recentes da Justiça reacenderam a discussão sobre a atuação do Poder Judiciário em casos de violência contra as mulheres. Os desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo inocentaram um fazendeiro da acusação de estupro contra uma adolescente de 13 anos alegando que ele não tinha como saber que ela era menor de idade, em virtude do seu comportamento. Já no TJ de Minas Gerais, dois desembargadores consideraram que certas fotos e formas de relacionamento por parte de uma mulher demonstram “não ter ela amor-próprio e autoestima”.

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“O Judiciário, como parte da sociedade, reflete esse problema em que a violência do homem perante a mulher é diminuída. Isso tem de ser combatido. Será que se fosse o contrário, a vítima de violência fosse homem, seria assim?”, analisou a professora de Direito da Faculdade Getúlio Vargas (FGV) Angela Donaggio.

No caso paulista, que corre em segredo de justiça, um fazendeiro da cidade de Pindorama foi preso em flagrante, em 2011, com duas meninas, uma de 13 e outra de 14 anos. Somente com a primeira ficou comprovada a relação sexual. Ele chegou a ficar preso por 40 dias, mas foi libertado.

Após ter sido condenado em primeira instância, ele foi absolvido pela 1ª Câmara Criminal Extraordinária do TJ paulista, no dia 16 de junho. A consideração é de que as meninas se prostituíam e que o fazendeiro não teve condições de avaliar acertadamente a idade das garotas.

Na argumentação, o relator do caso, acompanhado pela maioria do colegiado, argumenta que “não se pode perder de vista que em determinadas ocasiões podemos encontrar menores de 14 anos que aparentam ter mais idade”.

E prossegue: “Mormente nos casos em que eles se dedicam à prostituição, usam substâncias entorpecentes e ingerem bebidas alcoólicas, pois em tais casos é evidente que não só a aparência física, como também a mental desses menores, se destoará do comumente notado em pessoas de tenra idade”.

No caso mineiro, Rubyene Oliveira Borges processou o ex-namorado, Fernando Ruas Machado Filho, por ele ter divulgado fotos íntimas dela para familiares e amigos. Em primeira instância, ele foi condenado a pagar uma indenização por danos morais de R$ 100 mil.

O réu recorreu e a 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais reduziu a indenização de R$ 100 mil para R$ 5 mil. O julgamento ocorreu em 10 de junho deste ano e o acórdão foi publicado no dia 24 do mesmo mês.

O relator do processo, desembargador José Marcos Rodrigues Vieira, já havia proposto redução ao valor do dano moral para R$ 75 mil, mas reforçou que não se pode considerar a vítima culpada pela situação. “Pretender-se isentar o réu de responsabilidade pelo ato da autora significaria, neste contexto, punir a vítima.”

Porém, o revisor do processo, desembargador Francisco Batista de Abreu, discordou de Vieira e caracterizou a vítima como alguém de “moral diferenciada”, a quem não caberia o cuidado com a mesma. “Quem ousa posar daquela forma e naquelas circunstâncias tem um conceito moral diferenciado, liberal. Dela não cuida. (…) A exposição do nu em frente a uma webcam é o mesmo que estar em público.”

O magistrado argumentou ainda que o relacionamento amoroso entre os dois não poderia ser considerado, já que havia sido de um tempo curto e que no momento da realização das fotos não havia mais um relacionamento constituído. “Não foram fotos tiradas em momento íntimo de um casal ainda que namorados. E não vale afirmar quebra de confiança. O namoro foi curto e a distância. Passageiro. Nada sério”, afirmou.

Angela ressalta que, no TJ de Minas Gerais, o desembargador Vieira fez uma avaliação técnica sobre o caso. Mas o relator fez uma análise moral, apegando-se a discorrer sobre o que seriam fotos sensuais ou que tipo de relacionamento pode ser considerado um namoro ou não.

“Em praticamente todos os trechos do voto se busca desmoralizar a autora da ação. E o objeto do julgamento não é esse, mas sim a responsabilidade do réu em divulgar as fotos íntimas”, afirmou. Angela admite que não se pode inibir valores morais e ideologia pessoal, mas o julgamento deve ser pautado na norma jurídica.

Para ela, uma decisão que reduzisse o valor da indenização, somente, ainda seria aceitável. “Mas uma decisão baseada em argumentos dessa natureza é muito triste de se ver. Deve ser extremamente frustrante para a autora da ação ser vítima da divulgação das imagens e receber essa decisão”, afirmou.

Para a militante da Marcha Mundial de Mulheres Sônia Coelho, a inversão de culpa nesses casos reforça os valores machistas e abre caminho para a perpetuação da violência. “Uma das principais consequências é que as mulheres ficam constrangidas em denunciar novos casos de violência, além da descrença que isso causa sobre o Poder Judiciário”, afirmou.

“Os agressores acabam por se sentir muito à vontade com isso. É quase um ambiente de compreensão, de solidariedade”, complementa Sônia.

Sônia lembra que os casos não são isolados, mas ocorrem em muitas instâncias do Judiciário e locais do país. Ela lembrou do caso do pai que engravidou a própria filha, então com 12 anos, na cidade de Beberibe, no Ceará. O juizWhosenberg de Morais Ferreira considerou que a menina tinha plena consciência dos atos e havia seduzido o pai.

“Infelizmente, ainda é muito aceita a ideia de que o homem age por amor, por ciúme ou por emoção nos casos de violência contra a mulher. E assim as mulheres são consideradas culpadas dos atos que elas foram vítimas. A mulher já é historicamente reprimida no espaço social, mas também o é no espaço institucional e judiciário”, conclui a militante.

Em ambos os casos relatados, ainda cabe recurso.

 

 

RBA

Manual para resistir ao machismo em 2014

Big Brother, Carnaval, Copa, eleições. Como encarar, sin perder la ternura jamás, um ano muito traiçoeiro?

Por Marília Moschkovich*, no Outras Palavras

 

Imagem: Alice Soares

Para muita gente o ano engrena de verdade esta semana. Quem volta ao trabalho sente a rotina de novo, quem voltou na semana passada já começa a acostumar. O número de piadas sobre a quantidade de eventos públicos e políticos importantes neste ano revela que brasileiros e brasileiras já perceberam algo diferente. Além disso, as manifestações políticas de meados de 2013 não deixam dúvida: a resposta da população a esses eventos também pode ser outra. Diante de tanto auê, é preciso também um olhar atento. Temos pela frente um ano cheio de oportunidades para fortes e nojentos machismos, assim como a chance de combatê-los.

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Em 14 de janeiro, começou o Big Brother Brasil. Claro, isso ocorre todo ano, há 14 anos. E todo ano é um show de machismo. No programa, obviamente, mas sobretudo nos comentários cotidianos sobre as participantes mulheres. É também no cotidiano que podemos agir contra esse machismo. Questionar as opiniões senso-comum sobre “aquela periguete”, recusar a graça de certas piadinhas ou simplesmente emitir opiniões não-machistas sobre o programa e os participantes são algumas estratégias para lidar com a situação.

Em seguida, vem o carnaval. É muito comum que as pessoas confundam “liberdade sexual”, no carnaval, com “liberdade de exercer poder sobre as mulheres”. Liberdade sexual pressupõe consentimento, exercício de poder não. Os comentários típicos são mais ou menos aqueles que ouvimos no BBB, mas na vida real. “Estava pedindo”, “ninguém mandou ir no bloco”, etecétera, etecétera, etecétera. Combater a cultura do estupro é também recusar, no dia-a-dia, essa mentalidade que subjuga mulheres de todos os grupos sociais e raciais todos os dias (mesmo que nem sempre da mesma forma).

O machismo desenfreado que veremos este ano não se limita, obviamente ao BBB e ao carnaval. Convencidos de que os homens são todos heterossexuais, machistas e máquinas biológicas irracionais guiadas por imagens de mulheres nuas, os grandes portais de notícias certamente produzirão enxurradas de pseudo-matérias sobre as “gatas da arquibancada” ou “musas da torcida” durante a Copa do Mundo. As páginas desses sites serão forradas de fotos de torcedoras, funcionárias de estádios, vendedoras ambulantes, gringas, não-gringas, familiares e amigas de jogadores, modelos reivindicando posição de “musa” e, enfim, toda e qualquer mulher que julgarem “bonita” em padrões extremamente racistas, cissexistas e machistas de beleza. Caso você não seja diretamente envolvido na produção dessas pérolas do jornalismo punheteiro, resta recusar-se a endossar essa babaquice, e questionar as pessoas próximas que repassam links, comentam “as gatas” e coisas afins. Não é uma revolução, mas é um começo.

A Copa ainda trará de bandeja a lembrança de que a seleção feminina de futebol é absolutamente ignorada, de que quase não há mulheres arbitrando, narrando, comentando, treinando, e muito menos na posição de técnico. Nosso país não apenas se curvará aos interesses de grandes empresas e da máfia da FIFA (como já vem fazendo nos últimos anos), mas também a uma ideologia estupidamente machista. O país simplesmente para, se reforma, se adapta, para que um bando de homens possam, entre homens, fazer uma coisa considerada culturalmente “de homem”. Desculpa, não consigo não ter nojo.

Além desses casos mais óbvios, neste ano veremos também – muito provavelmente – um espetáculo de opiniões machistas na época das eleições. Já falei sobre isso aqui, e é importante lembrar e manter na cabeça a seguinte pergunta: “eu faria o mesmo comentário ou me incomodaria com a mesma coisa sobre um candidato homem?”. Sempre que a resposta for “não”, pare e repense, pois você provavelmente está sendo machista. Questionar as próprias opiniões e atitudes é o passo número zero de qualquer transformação real na sociedade.

Para terminar, é importante lembrar que, seja qual for a situação em 2014, o questionamento do machismo precisa ser estrutural. É importante criticar as ideias, posicionamentos e atitudes das pessoas, e não os indivíduos em si. Cada pessoa é mais do que suas atitudes machistas, racistas, elitistas, e é importante não levar a discussão para o lado pessoal. Ainda há gente disposta a dialogar, de fato, se questionar, aprender, se transformar. Quando ficar evidente, porém, que quem está diante de você não é uma dessas pessoas, o melhor conselho que eu posso dar é: fuja. Ignore. Não leve a sério. Não vale a pena gastar sua energia com essa gente. Melhor se poupar, porque este ano você definitivamente vai precisar dela.

 

 

Portal Vermelho

Machismo: pesquisa mostra que brasileiros ainda querem uma ‘Amélia’

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

O machismo no Brasil é um tema que volta e meia está no topo das discussões: quando se pensa que avançamos neste aspecto, logo aparece alguma novidade para provar o contrário. E enquanto muita gente pensa que alguns conceitos ficaram lá no século passado, uma pesquisa vem trazendo dados preocupantes dentro deste cenário.

 

O instituto Avon apresentou esta semana os resultados do estudo Percepções dos homens sobre a violência doméstica contra a mulher. O tema machismo foi abordado em diversas questões, uma vez que o comportamento representa um tipo de violência.

 

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Ficou comprovado que muitos deles ainda esperam da mulher o papel de Amélia: servil e pouco ousada. Entre os destaques, estão dados como: 85% dos homens consideram inaceitável que a mulher fique bêbada; 69% não querem que a mulher saia com amigos (as) sem o marido e 46% não gostam que mulheres usem roupas justas e decotadas.

 

Quando o assunto são as tarefas domésticas, 43% acham que quem deve cuidar da casa é a mulher, enquanto que 89% dos entrevistados consideram inaceitável que a mulher não mantenha a casa em ordem. No campo da sexualidade, 47% deles concordam que o homem precisa mais de sexo do que a mulher.

 

Álcool, roupas e liberdade
Sair com as amigas, para muitas mulheres, é sinônimo de liberdade e de algumas horas de descontração – longe das obrigações envolvendo trabalho, filhos e casa. Embora alguns homens tenham dificuldade em admitir, o ciúme e o instinto de ‘propriedade’ está presente em muitos relacionamentos.

 

​Luciano Vinícius de Carvalho Castro, 36, tecnólogo, reforça os números da pesquisa neste sentido. “Sair com as amigas implica em não saber o que está acontecendo, o que coloca o homem na condição de quem perdeu o controle sobre a situação”, afirma.

 

Já o gestor ambiental Marcos Flavio, 28, discorda. “Dentro de uma razoabilidade moral, não sendo ridículo, nem expondo a intimidade, creio que uma roupa decotada, combinando, seja sim bonito”, analisa.

 

As roupas justas, condenadas por 46% da amostra, também representam um problema para Luciano. “É natural que o homem hétero sinta atração pelo corpo da mulher. É isso que, a princípio, desperta sua libido, e ele não se sente confortável sabendo que outros homens possam estar – e estarão – admirando o corpo de ‘sua propriedade’”, pontua.

 

Já quando o assunto é o álcool, rejeitado por 85% dos homens da pesquisa, as opiniões são divergentes. Diego Rodrigues, 28, executivo, acredita que é aceitável uma mulher ficar bêbada, mas com uma ressalva. “Desde que não seja uma coisa frequente, ou em situações em que não convém.”

 

O gestor operacional Robson Leandro da Silva discorda. “E daí que a mulher ficou bêbada? Se fosse o contrário (mulheres achando inaceitável homens bêbados) diriam que é frescura”.

 

Luciano observa que, entre os que criticam e os que simplesmente aceitam, também existe uma terceira categoria: os que tiram uma vantagem dessa situação. “Acho pior que considerar inaceitável, a maioria dos homens espera tirar proveito de mulheres alteradas pelo álcool”, observa.

 

Síndrome de Amélia
O estigma da Amélia, ‘que era mulher de verdade’, vem sendo rejeitado ao longo dos anos por muitas mulheres, que hoje em dia têm enorme representatividade no mercado de trabalho. Os homens mais abertos à esta mudança de padrão aceitaram a virada, porém, como comprova a pesquisa, existem muitos que ainda preferem se acomodar no papel de marido provedor – que simplesmente é servido e não assume papéis na vida doméstica.

 

Luciano tem uma explicação para a alta porcentagem que acha que cuidar da casa é coisa de mulher. “Eu diria até que mais de 43% acham isso, pois é uma mentalidade transmitida e reproduzida pela família tradicional”. Diego concorda: “acho que mulher tem mais bom gosto para cuidar da casa no que diz respeito a móveis, louças, organização.”

 

Adriana Tamashiro ficou com o rosto cheio de hematomas após a agressão Foto: Divulgação
Violência à mulher é problema cultural; especialistas cobram campanha
Foto: Divulgação

 

Para Matheus, o segredo é o equilíbrio. “Os casais atuais dividem as tarefas e compartilham as coisas boas e ruins de cuidar da casa”, afirma, embora também acredite que “as mulheres são muito mais preocupadas com isso que os homens.”

 

Robson é contra o número da pesquisa. “Essa divisão não deve existir. Se você divide a casa com alguém, deve dividir as tarefas. A menos que um dos dois tenha por hobby, por exemplo, cozinhar. O que não acredito que aconteça com a questão da limpeza. Felizmente, as mulheres trabalham hoje e não devem assumir as funções de doméstica”, observa.

 

Sexo
Os hormônios masculinos geralmente são os ‘culpados’ pela aparente maior necessidade de sexo deles. E pelo visto eles concordam, já que 47% pensam desta forma, segundo a pesquisa.

 

C.R.S., 33, contato comercial, que prefere não se identificar, a informação procede. “O homem é mais sexual do que a mulher. Os homens admitem e as mulheres mais convencionais também. Mas não é palavra, é comportamento, pelo menos sob minha visão.”

 

Luciano acha que, neste caso, o machismo vem delas. “A maioria das mulheres que introduziram o machismo em suas vidas pensa que o homem necessita mais de sexo do que elas mesmas. Por isso acham um absurdo dividir a conta do jantar e do motel”, completa.

 

Violência doméstica
Os números da violência propriamente dita, revelados pelo estudo, também não são animadores. Entre os mais alarmantes, estão o de que 16% já foram violentos com a companheira, atual ou ex; 56% dos homens já cometerem algum tipo de agressão com a companheira, entre eles, xingamentos (53%), empurrões (19%), tapas (8%).

 

Além disso, 35% disseram desconhecer a lei Maria da Penha, enquanto que 48% deles não apoia a mulher a buscar a Delegacia de Mulher caso o homem a obrigue a fazer sexo sem vontade.

 

A pesquisa lembra ainda que a cada 4 minutos uma mulher é vítima de agressão no Brasil e até 70% delas sofrem violência ao longo da vida.

 

Terra