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Roberta Traspadini: Infância latino-americana pede socorro

O ano de 2013 foi mais um ano comemorativo para o capital transnacional atuante na América Latina, em contrapartida ao cenário de acirramento da precarização e intensificação da superexploração da força de trabalho na região.

Por Roberta Traspadini, no Brasil de Fato

 

Com um crescimento econômico de 2,6% em 2013, uma taxa de desemprego de 6,9% e um investimento direto estrangeiro da ordem de 173 bilhões de dólares, dados da Cepal – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, a América Latina amarga trágicos efeitos em sua histórica dependência enquanto processo inerente ao desenvolvimento desigual capitalista.

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Os 20% mais pobres se apropriam somente de 5% da riqueza produzida, enquanto os 20% mais ricos ficam com 47% de toda a riqueza produzida no continente. Lembrando que parte substantiva dessa riqueza é transferida para as economias centrais como remessa líquida de lucro, transferência de valor, através das operações das empresas transnacionais.

A América Latina possui uma população aproximada de 610 milhões de pessoas, segundo a Cepal. Na distribuição por grupos de idade: 27,9% (0-14 anos); 34,1% (15-34 anos); 19,2% (35- 49 anos): 11,9% (50-64 anos) e 6,9% (mais de 65 anos).

Destas, 164 milhões se encontram em situação de pobreza e 68 milhões em pobreza extrema. Entendida a pobreza como um processo histórico-social, resultado do modelo de desenvolvimento capitalista consolidado no continente nos últimos seis séculos, cujo pressuposto é o pagamento de salários abaixo da condição de sobrevivência cotidiana.

E quanto às crianças?

São quase 180 milhões de pessoas na faixa etária de até 14 anos. Cerca de 70 milhões delas vivem na pobreza e quase 30 milhões na pobreza intensa. Esta é a concreta realidade do mundo do trabalho na próxima década. Expropriados, oprimidos e miseráveis de hoje, para uma futura utilização ainda mais intensa na superexploração da força de trabalho.

A condição de pobreza e miséria é proporcional, no mundo do trabalho, à intensificação da superexploração. E esta é uma das facetas mais perversas do capitalismo, em particular na atual fase histórica de suas crises estruturais.

Pode haver escolha entre miséria, fome e um salário de sobrevivência indigno? Essa seleção entre um cenário ruim versus um menos pior tira a centralidade da necessidade de consolidação de um outro cenário diferente para a classe trabalhadora.

Existem no mundo, segundo a OIT – Organização Internacional do Trabalho –, 168 milhões de crianças trabalhando. Destas, 120 milhões trabalham em tempo integral e quase 70 milhões estão expostas a trabalhos considerados perigosos. Estima-se que na América Latina aproximadamente 20 milhões de crianças estejam nesta situação.

Além disto, 132 milhões de crianças nascem no mundo, inseridas no universo da desigualdade social e 53 milhões sequer são registradas.

É central entender que enquanto lutamos para que nosso cotidiano seja o da garantia de direitos numa sociedade que não os têm na prática como pilares, uma vez que é estruturalmente desigual, o capital investe na condição de intensificação da miséria na infância.

Enquanto nós lutamos contra a superexploração da força de trabalho que parte expressiva do nosso povo vive, o capital intensifica sua condição de morte da infância para ganhos abusivos no futuro.

Ainda sobre a realidade da infância na América Latina, 72,6% das crianças em situação de pobreza e miséria vivem um tipo de privação no universo dos direitos, ou seja, não têm acesso à escola, à saúde ou aos demais direitos sociais. Privação que pode virar, no mínimo, uma assistência social com baixos gastos públicos pelos governos da ordem burguesa e, no máximo, a intensificação da superexploração no mercado de trabalho no presente- futuro.

A estrada do capital é a estrada do sangue do trabalho latino-americano. Esta estrada, se tem uma moral, é a do lucro sobre a vida. A ordem neoliberal trouxe para a América Latina a histórica recondução da dependência, entendida como vínculos de subordinação entre nossas economias e as economias centrais, seja no âmbito externo do mercado internacional, seja na situação interna das economias do continente.

É nessa dinâmica geral que deve ser entendido mais do que o trabalho infantil, o sentido da vida na ordem imperante do capital. Diferenças de cor, de sexo e de idade são todas demarcadas no cenário dos planos superiores de maiores lucros, em detrimento à inferiorização na condição de vida e do ser dos trabalhadores latinos.

As explorações da infância não são um problema moral na era do capital. São inerentes ao cenário da condição desumana gerado pelo mesmo sistema. Meninas e meninos condicionados à ordem da morte sobre a vida são sujeitados à situação mais severa da condição histórica da humanidade: escravos do capital, servos do trabalho, mercadorias a serviço do dinheiro. E isto é uma imposição. Uma forma de ser condicionadora de outros universos possíveis.

A infância e o capital

Portanto, há que se responder a outras perguntas: o que é a infância? Qual o sentido de se ser criança? Quem educa, quem cria, quem auxilia a criança nos seus processos de desenvolvimento na bárbara era do capital?

Para o capital, a infância foi, é e será o tempo histórico para o adestramento para o trabalho. Espaço de educação para a concorrência, para o sucesso monetário, para o êxito individual, e, sobretudo, para a conformação ideológica incontestável deste processo como único e inquestionável.

Algumas crianças sendo educadas para serem trabalhadoras superexploradas no futuro, outras vivendo a superexploração na infância como processo natural e um grupo seleto de crianças bem aventuradas vivendo a orgia de serem dominantes na era do capital.

A infância, enquanto estágio ou manutenção do processo de desenvolvimento capitalista é a fase da produção material e ideológica da suposta oportunidade burguesa. Portanto, não é infância. É venda de uma ideia de inclusão na infância.

Assim, a partir do que vivem as crianças e adolescentes na atualidade de nossa América Latina, entendemos que a dependência e o desenvolvimento seguem como a principal tônica do debate sobre os projetos que temos em detrimento ao que precisamos construir.

É possível sonhar com algo que se deseja para o futuro, contemplando a realidade. Mas é imprescindível sonhar com os pés no chão, materializando a organização consciente da luta de classes.

Resolver o problema da exploração e opressão dos trabalhadores na sociedade capitalista é sinônimo de superar a estrutura do desenvolvimento desigual inerente à mesma, tanto no âmbito mundial quanto no continental. Um problema que exige muitas contestações à ordem somadas à conformação de um projeto de classe que seja antagônico ao do capital e aglutinador da esquerda latina e mundial. Um projeto de classe capaz de conduzir suas ações contra o verdadeiro inimigo, o capital em todas as suas facetas, em um sentido real de produção do contra-poder à ordem dominante.

Somente um projeto de poder popular é capaz de libertar as crianças da classe trabalhadora da condição miserável do histórico sistema de exploração e opressão que recai sobre ela e seus pares da classe.

*Roberta Traspadini é economista, educadora popular e integrante da organização Consulta Popular.

 

Portal Vermelho

Couto manifesta apoio ao papa Francisco e diz que ele conhece realidade latino-americana

 

papa franciscoO deputado Luiz Couto (PT-PB) manifestou apoio, do plenário da Câmara Federal, ao papa Francisco e também enalteceu o seu pedido para que “rezemos por ele”. “Esta é uma atitude que mostra humildade e acolhimento.

 

Couto também classificou o gesto com um sinal de quem vai mudar a rota existente na Cúria Romana, “fazendo com que a Igreja seja missionária e não uma instituição burocrática”. “Que os bispos sejam mais pastores do que burocratas”, sugeriu.

 

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“Como disse Joseph Ratzinger, quando renunciou, a igreja precisa acabar com a hipocrisia religiosa, com essa divisão de poder, cada um querendo ter poder”, acrescentou.

 

O parlamentar elogiou a escolha de um latino-americano como papa. Para ele, este é um fato importante porque se trata de um pontífice que conhece a realidade de sofrimento desta região.

 

Luiz Couto ressaltou que a igreja precisa entrar na luta contra os grandes e graves problemas, a exemplo da exploração sexual de crianças e adolescentes, da pedofilia, do trabalho escravo e das guerras existentes.

 

 

 

Ascom Dep. Luiz Couto

Lula pede a intelectuais criação de ‘doutrina’ da integração latino-americana

Encontro com acadêmicos e pensadores de diversos países da região ocorre em São Paulo 

 

Lula pede a intelectuais criação de 'doutrina' da integração latino-americanaSegundo o ex-presidente, “integração é uma palavra fácil de ser falada, mas difícil de ser colada em prática” (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

São Paulo – Na abertura do encontro com intelectuais sul-americanos de esquerda, que ocorre nessa segunda-feira (21) num hotel de São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou da necessidade de juntar os pensadores da região para a construção de uma “doutrina” da integração latino-americana. Segundo Lula, a ideia vem amadurecendo desde seu primeiro mandato presidencial.

O ex-presidente considera a integração é “uma palavra muito fácil de ser falada, mas muito difícil de ser colocada em prática, tais os problemas políticos, as incompreensões e os preconceitos” que cercam o tema.

“Lamentavelmente, aqui na América Latina se adotou uma política esperta, de nos dividir. (…) Sempre houve preconceito, sempre houve uma preocupação maior de relação preferencial com os EUA… ou com a Europa… ou com qualquer um, menos entre nós mesmos. Entre nós existia um processo de desconfiança generalizado. E era uma coisa cultural, porque vem inclusive muito baseada na formação de nossos embaixadores, de preconceitos e mais preconceitos entre nós. Não tem explicação, depois de mais de 500 anos, eu inaugurar a primeira ponte entre Brasil e Bolívia; não em explicação, depois de mais de 500 anos, eu inaugurar a primeira ponte entre Brasil e Peru. Nós estávamos, de forma muito conscientes, voltados para a Europa e os EUA, e de costas para nós”, disse Lula.

Ele adiantou que a ideia agora é os intelectuais dos vários países trabalharem em conjunto para fornecer subsídios não apenas aos governos, mas também à sociedade.

“Queremos aprender com vocês, saber o que vocês estão pensando esse tema na academia (…) para que sejam criados instrumentos para avançar na integração.”

Debates

Após a fala de Lula, a primeira mesa de debates teve Aldo Ferrer, economista, ex-ministro da Economia, atual embaixador da Argentina na França, e Marco Aurélio Garcia, assessor de Relações Internacionais da Presidência da República do Brasil.

As intervenções ressaltaram que a América Latina vive um momento de avanços, com governos progressistas, democracia avançando e melhorias sociais. “Nunca tivemos um momento tão propício para este debate”, destacou Aldo Ferrer, que ressaltou três mudanças fundamentais que já aconteceram, a melhora na qualidade das lideranças, o que possibilitou a ênfase no social; o fracasso do neoliberalismo e da crença de que o mercado sozinho resolveria a todos os problemas e a consolidação da democracia.

Marco Aurélio Garcia alerta, no entanto, que não se pode tratar esse momento como “um parêntesis progressista em uma história conservadora”. As políticas sociais parecem ser a grande marca desse novo direcionamento progressista da região, com resultados concretos que já têm proporcionado.

Diversas intervenções dos intelectuais coincidiram ao apontar a necessidade  de uma ênfase na inovação, na técnica e na indústria com maior valor agregado. “Brasil e Argentina vendem juntos dois terços das proteínas do mundo, mas não agregam valor a esses bens”, disse o economista argentino Bernardo Kosacoff, ex-diretor da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), lembrando que é necessário aproveitar o enorme mercado interno da região e “levantar nossa auto-estima”. O senador uruguaio Alberto Curiel também enfatizou a necessidade de infraestrutura produtiva integrada e mais valor agregado aos produtos da região. “Temos vários desafios que eu não sei como resolver. É preciso falar com empresários, o Lula está fazendo isso, é preciso falar com trabalhadores, o Lula está fazendo isso, é preciso falar com movimentos sociais, e o Lula já fez isso…”

Curiel criticou, no entanto, a falta de planejamento estratégico, embora reconheça os avanços sociais em toda região. Salomón Lerner, ex-primeiro ministro do Peru, concordou. “Hoje, quem planifica, quem faz pensamento estratégico são as multinacionais. A participação dos grupos políticos no governo é cada vez menor. A questão é como fazer para que essas militâncias, no momento progressista em que vivemos, participem da política. E não que a política seja discriminada como incapaz, corrupta e inoperante.”

O cientista político uruguaio Álvaro Padrón se uniu ao coro ao comemorar os avanços significativos na redução da pobreza e da desigualdade, mas alertou para os limites desse processo. “Foi a primeira vez que tivemos democracia, crescimento, distribuição de renda. Mas isso só não se traduz em desenvolvimento. Precisamos ter ganhos de produtividade, sem isso, atingiremos um limite muito em breve. Esse é o desafio fundamental.”

A cientista política Ingrid Sarti, presidente do Fórum Universitário Mercosul (FoMerco) agradeceu ao Instituto Lula por intervir justamente no desafio de levar o pensamento da academia para as instâncias decisórias. “Como professora, faço parte desse trabalho árduo de pesquisa, que muitas vezes acaba engavetado. É muito importante que o Instituto Lula possa ser um motor dessa articulação e dar algum auxílio à formação de políticas públicas.”

Theotonio dos Santos, economista da Universidade Federal Fluminense, afirmou que uma integração comercial daria mais poder de negociação internacional à América Latina. “O Chile tem 40% do cobre do mundo e entregamos esse produto abrindo mão da capacidade de influenciar o preço internacional dele.”

 

 

Com informações do Instituto Lula

 

Começa na Nicarágua encontro de movimentos sociais da esquerda latino-americana

 

Representantes de movimentos sociais da esquerda latino-americana e caribenha iniciam nessa segunda (16) na Nicarágua um debate sobre os mecanismos de dominação imperialista e as experiências positivas dos governos progressistas. O Encontro será realizado na Universidade Nacional de Engenharia (UNI), nesta capital, até o dia 19 de julho e contará com a participação de reconhecidos intelectuais estrangeiros e dirigentes de esquerda.

De acordo com o secretário geral da Frente Nacional dos Trabalhadores de Nicarágua, Gustavo Porras, durante o evento serão analisadas formas distintas que o capitalismo adota atualmente em detrimento da vontade democrática e do bem-estar social.

Os participantes também vão expor experiências dos movimentos sociais em seus países e abordarão a transcendência de revoluções como a cubana e a Popular Sandinista da Nicarágua.

Porras disse que na nomeação pretende-se emitir uma resolução de apoio à liberdade dos Cinco Cubanos detidos nos Estados Unidos desde 1998 por lutar contra o terrorismo.

Os participantes do evento também demonstraram seu apoio à Revolução Popular Sandinista no próximo 19 de julho em comemoração pelo aniversário 33 do triunfo desta ação libertadora.

Fonte: Prensa Latina

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