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Seleção encara Iraque para se redimir de tropeço na estreia

imagem: Lucas Figueiredo/MoWa Press
imagem: Lucas Figueiredo/MoWa Press

A autoanálise da seleção brasileira após uma estreia decepcionante indicou novos caminhos para o compromisso deste domingo. Para vencer o Iraque às 22h (horário de Brasília) no Estádio Mané Garrincha, Rogério Micale e sua equipe atacaram dois pontos em especial.

Na base da conversa, e com bastante privacidade, Micale buscou recuperar o ânimo de jogadores como Gabriel Jesus, que mostrou abatimento por um gol perdido. Além de pedir apoio aos torcedores, deixou claro que o clima de vaias no retorno ao Estádio Mané Garrincha pode se repetir.

“Se conseguirmos um gol rápido seria formidável, mas são 90 minutos e o que nos importa é ganhar. Temos que ter tranquilidade. O adversário sabe que o Brasil vive momento de pressão muito grande. Eu, se estivesse do outro lado, tentaria usar isso para desestabilizar. Temos que saber que temos 90 minutos para ganhar o jogo. Se vier a vaia por não conseguirmos resolver (rapidamente), temos que pensar que estamos lidando com a torcida adversária. É um momento em que temos de nos fortalecer, e não nos deixar levar por sentimentos”, disse Micale.

O MEIO-CAMPO INSPIRA PREOCUPAÇÕES

Mais importante que lidar com o coração dos atletas, na verdade, é consertar o coração do time. O desempenho do meio-campo brasileiro na estreia foi o ponto de maior preocupação para o treinador Rogério Micale, em especial de Felipe Anderson e Renato Augusto, ambos substituídos no segundo tempo.

A avaliação é de que a transição de bola e as trocas de passes foram muito lentas no primeiro jogo. Quando Luan e Rafinha Alcântara assumiram um lugar no time, que também passou a ter superioridade numérica, a seleção conseguiu abafar os sul-africanos e criar de forma mais rápida. Além disso, o distanciamento entre os setores (defesa, meio e ataque) e o baixo número de triangulações foram motivos para lamentação.

Na avaliação da comissão técnica, a situação poderia ser diferente se Fred, do Shakhtar-UCR, estivesse no grupo. O meia canhoto revelado no Internacional oferece justamente essas características ao time. Além disso, Rafinha também poderia ajudar mais. Entretanto, a condição física do jogador do Barcelona ainda não permite que ele atue 90 minutos. Sem 100%, ele ainda manca em alguns momentos e sente o ritmo mais forte.

Assim, o jeito é tentar lidar com esses problemas com o que tem em mãos. Micale tem utilizado Felipe Anderson em posição mais recuada que o normal, justamente, para dar mais velocidade à transição da equipe. Na sexta, Renato Augusto teve longa conversa com o auxiliar Odair Hellmann durante treino regenerativo, na piscina.

Esse sentimento de preocupação, vale frisar, não se estende para Thiago Maia. O único volante do time titular impressiona a comissão técnica pela vitalidade e pela forma como se conectou à ideia de jogo proposta para a seleção. “Fisicamente é um atleta que realmente impressiona bastante. Do ponto de vista técnico é um jogador fantástico. Temos aqueles jogadores que se destacam nas partes técnica e física logo cedo. Ele se enquadra entre esses perfis”, disse o preparador Marcos Seixas.

FICHA TÉCNICA

BRASIL x IRAQUE

Local: Estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF)
Data: 07 de agosto de 2016 (domingo)
Horário: 22h (de Brasília)
Árbitro: Ovidiu Hategan (Romênia)
Auxiliares: Octavian Sovre e Sebastian Gheorghe (ambos Romênia)

BRASIL: Weverton; Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos; Thiago Maia; Felipe Anderson e Renato Augusto; Gabriel, Gabriel Jesus e Neymar. Treinador: Rogério Micale

IRAQUE: Mohammed Hameed; Saad Luaibi, Ahmed Ibrahim, Mustafa Nadhim e Ali Adnan; Amjed Attwan e Ali Hisny; Hammadi Ahmed, Humam Tareq e Dhurgham Ismael; Sherko Kareem. Treinador: Abo Kll Hayder

Uol Esportes

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Estado Islâmico quer matar o Papa, diz embaixador do Iraque

papaO embaixador do Iraque junto à Santa Fé, Habbed Al Sadr, anunciou, nesta terça-feira, que o Papa Francisco tem sofrido ameaças do grupo extremista Estado Islâmico (EI). As informações são do Daily Mail.

O alerta acontece em um momento em que o pontífice se prepara para se deslocar à Albânia e planeja uma visita à Turquia, países de maioria muçulmana.

“O autoproclamado Estado Islâmico foi claro: eles querem matar o Papa. As ameaças são reais”, disse o iraquiano ao jornal italiano La Nazione.

Segundo o Al Sadr, como o grupo está tomando proporções mundiais e conta com integrantes de diversas nações, a ameaça é ainda mais grave e a segurança do pontífice estaria em risco em qualquer lugar do planeta.

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“Quero deixar claro que não tenho nenhum conhecimento sobre os futuros planos dos terroristas. Mas a regra do Estado Islâmico é clara: ou a pessoa se converte à religião deles ou morre. Com o Papa, a morte seria a única opção que eles dariam.”, disse o iraquiano.

Suas afirmações, no entanto, foram desvalorizadas pelo padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, que disse que não estão previstas medidas de segurança avançadas para a visita de Francisco aos países muçulmanos.

Terra

 

Papa pede que comunidade internacional proteja vítimas no Iraque

(Alberto Pizzoli/AFP)
(Alberto Pizzoli/AFP)

O papa Francisco pediu neste sábado (9) à comunidade internacional que “proteja todas as vítimas da violência no Iraque” em uma mensagem publicada em seu perfil oficial no Twitter.

Trata-se da quinta mensagem consecutiva sobre a situação no Iraque que o papa publica em menos de 24 horas em seu perfil, seguido por mais de 16 milhões de pessoas e que está disponível em nove idiomas, entre eles o árabe.

No norte do Iraque, os jihadistas de Estado Islâmico (EI) foram avançando nos últimos tempos fustigando os fiéis de outros credos que habitam na zona, muitos deles cristãos, obrigando-os a deixar seus lares e a se deslocar rumo a outras zonas, fugindo da violência.

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Ontem o Vaticano publicou a decisão do papa de enviar ao norte do Iraque o prefeito regional da Congregação para a Evangelização dos Povos, o cardeal Fernando Filoni, com o objetivo de expressar à população -principalmente aos cristãos- sua proximidade e solidariedade.

Filoni foi desde 2001 a 2006 núncio na Jordânia e Iraque e foi o único diplomata que não abandonou o país durante toda a guerra de 2003, segundo lembrou o porta-voz vaticano, Federico Lombardi.

Nesta primeira viagem se prevê também que seja levada à população uma primeira ajuda econômica por parte do papa e em setembro será organizada uma reunião no Vaticano entre os núncios da zona.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ter autorizado ataques a posições concretas de EI, além de uma operação humanitária, para assistir aos deslocados na zona.

Esta operação também conta com o apoio de outros líderes de diferentes países, como o presidente da França, François Hollande, que, por sua parte, chamou a União Europeia (UE) para que ‘desempenhe um papel ativo’ em resposta à ‘catastrófica’ situação que se vive no Iraque.

G1

 

Papa Francisco pede paz no Oriente Médio, no Iraque e na Ucrânia

papaO papa Francisco pediu neste domingo (27) que as autoridades do Oriente Médio, do Iraque e da Ucrânia busquem o caminho da paz, o bem comum e o respeito pela pessoa, “abordando cada disputa com a tenacidade do diálogo e da negociação e com o poder da reconciliação”.

Em discurso no Vaticano, após a oração do Angelus, ele disse que o centésimo aniversário da eclosão da Primeira Guerra Mundial será lembrado amanhã (28) e que espera que os erros do passado não se repitam.

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“Que no centro de cada decisão não coloquem interesses particulares, mas o bem comum e o respeito pela pessoa. Lembrem-se que tudo está perdido com a guerra e nada se perde com a paz”, disse o pontífice aos fiéis reunidos na Praça São Pedro.

Francisco também lembrou que as crianças perdem a esperança de uma vida descente com a guerra.

“Penso, principalmente, nas crianças, das quais se tira a esperança de uma vida decente, um futuro de mortes de crianças, crianças feridas, crianças mutiladas, crianças órfãs, crianças que têm como brinquedos materiais bélicos, crianças que não sabem sorrir. Parem, por favor! Peço-vos com todo o meu coração. É hora de parar! Parem, por favor!”, disse o papa.

Fonte: Agência Brasil

Projeto de lei que permite casamento aos 9 anos causa polêmica no Iraque

pedofilia-iraqueUm projeto de lei que, segundo seus opositores, legaliza o casamento das meninas e o estupro conjugal provocou uma polêmica no Iraque, semanas antes de eleições previstas para o fim de abril.

Os opositores ao projeto – que, segundo analistas, tem poucas chances de ser adotado – afirmam que representa um retrocesso em matéria de direitos da mulher e que pode agravar as tensões entre diferentes confissões do país.

Seus opositores ressaltam que um de seus artigos permite que as crianças se divorciem a partir dos nove anos, o que significa que podem se casar antes desta idade, e que outro prevê que uma mulher seja obrigada a ter relações sexuais com seu marido quando ele pedir.

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Segundo um estudo de 2013 do grupo de pesquisa americano Population Reference Bureau (PRB), um quarto das mulheres no Iraque se casam com menos de 18 anos.

“Este projeto de lei é um crime humanitário e uma violação dos direitos das crianças”, declarou Hanaa Edwar, que dirige a associação Al-Amal (“esperança”, em árabe).

Os partidários do projeto de lei afirmam que o texto apenas regula práticas que já existem.

“A ideia da lei é que cada religião regule e organize a condição jurídica pessoal em função de suas crenças”, estimou Ammar Toma, um parlamentar xiita do partido Fadhila.

No entanto, analistas consideram muito improvável que o parlamento iraquiano vote este projeto e afirmam que se trata de uma manobra política.

Assim, o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki pode estar tentando deixar aberta a possibilidade de uma aliança com Fadhila após as eleições, que, acredita-se, não fornecerão maioria parlamentar absoluta a nenhum partido.

G1

Por que a invasão do Iraque foi o maior erro da história da política externa americana

bushEu estava lá. E esse lugar era onde se deve estar se você quiser ver os sinais do fim dos tempos para o império americano. Era o lugar para se estar se você quiser ver a loucura e, oh, sim, foi uma loucura, não filtrada através de uma mídia complacente e sonolenta que fez a política de guerra de Washington parecer, se não sensível, pelo menos sensata e séria o suficiente. Eu estava no Ground Zero, que era para ser a peça central de uma nova Pax Americana no Grande Oriente Médio.

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Não querendo estigmatizar, mas a invasão do Iraque acabou por ser uma piada. Não para os iraquianos, claro, e nem para os soldados americanos. E aqui a mais triste verdade de tudo: no dia 20 de março, que marca o décimo aniversário da invasão infernal, nós ainda não entendemos seu propósito. No caso de você querer ir para o cerne da questão, ao invadir o Iraque os Estados Unidos fizeram mais para desestabilizar o Oriente Médio do que nós poderiamos ter imaginado àquela altura. E nós – e muitos outros – iremos pagar o preço por isso por muito, muito tempo.

A loucura do Rei George
É fácil esquecer quão normal a loucura pareceu naquela época. Em 2009, quando eu cheguei no Iraque, já estávamos no momento do último suspiro da possibilidade de salvar algo que já podia ser entendido como o maior erro da história da politíca externa americana. Foi então que, como um oficial do Departamento de Estado designado para liderar duas equipes de reconstrução provincial no leste do Iraque, eu entrei pela primeira vez naquela fábrica de processamento de frango que ficava no meio do nada.

Até então, o plano de resconstrução americano estava afundando em rios de dinheiro mal gasto. No centro dos esforços americanos – pelo menos depois de os Estados Unidos abandonarem a ideia de um governo interino para o Iraque, e de que nossas tropas invasoras seriam recibidas com doces e flores como libertadores – nós não tinhamos conseguido reconstruir nada de significante. Primeiramente concebido como um Plano Marshall para o novo século americano, seis longos anos depois tudo tinha se desenvolvido em uma farça.

Na meu período de atuação, os Estados Unidos gastaram algo entorno de 2,2 milhões de doláres para construir uma enorme instalação no meio de nada. Ignorando a dura realidade dos iraquianos que nasceram e vendiam frangos ali há cerca de 2000 anos, os Estados Unidos decidiram financiar a construção de uma unidade central de processamento (tendo os iraquianos como gerentes de compras locais) que cortará os frangos com máquinas complexas trazidas de Chicago, empacotaria os peitos e asas em filme plástico e, em seguida, transportaria tudo para supermercados locais. Talvez tenha sido o calor do deserto, mas isso fazia sentido na época, e o plano foi apoiado pelo Exército, o Departamento de Estado e a Casa Branca.

Elegante na concepção, pelo menos para nós, mas não se conseguiu lidar com algumas deficiências simples, como a falta de energia elétrica regularmente, um sistema logístico para levar as frangos para a fábrica, capital de giro, e… mercearias. Como resultado disso, os reluzentes 2,2 milhões investidos na fábrica não processaram nenhum frango. Para usar algumas das palavras de ordem do momento, nada foi transformado, não qualificou ninguém, não estabilizou nem promoveu economicamente nenhum iraquiano. Ele apenas ficou lá vazio, escuro e não utilizado no meio do deserto. Como os frangos nós fomos depenados.

De acordo com a loucura da época, no entanto, o simples fato que a fábrica não ter cumprido nenhum de seus reais objetivos não significa que o projeto não foi um sucesso. Na verdade, a fábrica foi um sucesso na mídia dos EUA. Afinal, para cada visita monitorada, com fins de propaganda, à fábrica, meu grupo abastecia o local às pressas com frangos comprados, preparávamos as máquinas e faziamos uma apresentação fantasiosa.

No humor negro daquele momento, nós batizamos o lugar de Fábrica de Frango Potemkin. Entre visitas públicas e privadas, tudo ficava às escuras, apenas ressurgindo com o cantar do galo a cada manhã que alguma equipe de filmagem vinha para uma visita. Nossa fábrica foi, portanto, considerada um grande sucesso. Robert Ford, então na embaixada de Bagdá e agora embaixador dos EUA para a Síria, disse que sua visita foi o melhor dia que ele esteve no Iraque. O general Ray Odierno, então comandannte de todas as forças dos EUA no Iraque, enviou blogueiros e civis, que acompanhavam os militares, para ver o projeto da vitória. Algumas das propagandas proclamavam que “ensinando os iraquianos a florescer sozinhos dá a eles a capacidade de fornecer a sua própria estabilidade, sem necessidade de contar com os americanos”.

A fábrica de frangos era uma história engraçada no começo, o tipo da piada interna que você precisa saber o que realmente ocorre pra entender. É, nós desperdiçamos algum dinheiro, mas 2,2 milhões de dólares é uma quantia pequena numa guerra que um dia irá custar trilhões. Realmente, ao final das contas, qual foi o prejuízo?

O dano foi este: nós queríamos deixar o Iraque (e o Afeganistão) estáveis para avançar nos objetivos americanos. Fizemos isso gastando nosso tempo e dinheiro em coisas obviamente inúteis, enquanto a maioria dos iraquianos não têm acesso a electricidade, água limpa, regular e assistência médica ou hospitalar. Como poderíamos ajudar a estabilizar o Iraque se nós agíamos como palhaços? Como um iraquiano me disse, “é como se eu estivesse pelado em uma sala com um grande chapéu na minha cabeça. Todo mundo entra e ajuda a botar flores e fitas no meu chapéu, mas ningúem parece reparar que eu estou pelado”.

Por volta de 2009, é claro, tudo isso deveria estar muito óbvio. Nós não estavamos mais dentro do sonho neoconservador de uma superpotência mundial incomparável, estávamos apenas atolados no que aconteceu neste sonho. Nós eramos uma fábrica de galinhas no deserto que ninguém queria.

Viagem no tempo para 2003
Aniversários são tempos de reflexão, em parte, porque é muitas vezes só retrospectivamente que reconhecemos os momentos mais significativos em nossas vidas. Por outro lado, em aniversários muitas vezes é difícil lembrar o que era tudo, realmente, quando tudo começou. Em meio ao caos do Oriente Médio hoje, é fácil, por exemplo, esquecer como as coisas pareciam no começo de 2003. O Afeganistão pareceu ter sido invadido e ocupado de forma rápida e limpa, de forma que os soviéticos (os britânicos, os gregos antigos…) jamais poderiam ter sonhado. O Irã estava assustado, vendo o poderoso exército americano na sua fronteira oriental e em breve na ocidental também, e estava pronto para negociar.

A maioria do resto do Oriente Médio foi enfiado em um longo sono com ditadores confiáveis o suficiente para manter a estabilidade. A Líbia era uma exceção, embora as previsões eram de que em pouco tempo Muammar Kadafi iria fazer algum tipo de acordo. E ele fez. Tudo o que era necessário era um golpe rápido no Iraque para estabelecer uma presença militar americana permanente no coração da Mesopotâmia. Nossas futuras guarnições militares lá, obviamente, supervisionariam as coisas, fornecendo os músculos necessários para derrubar todos os futuros elementos desestabilizadores. Isso fazia tanto sentido para a visão neoconservadora do começo da era Bush. A única coisa com a qual Washington não contava era que nós fossemos o primeiro elemento desestabilizante.

De fato, o grande plano estava se desintegrando até durante o período em que ele estava sendo sonhado. Com vontade de ter tudo em seus termos, a equipe de Bush perdeu uma oportunidade diplomática com o Irã que poderia ter feito o barulho de hoje desnecessário. Como parte do desastre, homens desesperados, blindados pela história, aumentaram o volume de medidas desesperadas: tortura, gulags secretos, dissimulações, uso de drones para assassinatos, e ações extraconstitucionais em casa. O mais frágil do acordos foi aparado para tentar salvar alguma coisa, incluindo ignorar a rede de proliferação nuclear paquistanesa A.Q Khan em troca de uma aproximação com Líbia, e uma foto brega da Condoleezza Rice com o Kadafi.

Dentro do Iraque, as forças do conflito sectário entre sunitas e xiitas foram desencadeadas pela invasão dos EUA. Isso, por sua vez, criou as condições para um confronto entre os Estados Unidos e o Irã dentro da política interna iraquiana, similar à crescente guerra na política interna do Líbano entre Israel e Irã.

Nada disso terminou. Hoje, de fato, a guerra na política interna desses países simplesmente achou um novo palco, a Síria, com várias forças usando “ajuda humanitária” para empurrar e impulsionar os seus alidados sunitas e xiitas.

Descontentando as expectativas neoconservadoras, o Irã emerge da década americana no Iraque economicamente mais poderoso, com o comércio não oficial entre os dois vizinhos sendo avaliado agora em cinco bilhões de dólares por ano, valor que continua crescendo. Nessa década, os Estados Unidos também conseguiram remover um dos contrapesos estratégicos do Irã, Saddam Hussein, substituindo-o por um governo dirigido por Nouri al-Malaki, que já encontraram apoio em Teerã.

Enquanto isso, a Turquia está agora envolvida em uma guerra aberta com os curdos do norte do Iraque. A Turquia é, naturalmente, parte da Otan, então imagine o governo dos EUA sentado em silêncio enquanto a Alemanha bombardeava a Polônia. Para completar o círculo, o primeiro-ministro do Iraque advertiu recentemente que uma vitória dos rebeldes da Síria vai desencadear guerras sectárias em seu próprio país e vai criar um novo refúgio para a Al Qaeda, que iria desestabilizar ainda mais a região.

Enquanto isso, militarmente queimado, economicamente sofrendo com as guerras no Iraque e no Afeganistão e sem qualquer moral no Oriente Médio pós-Guantánamo e Abu Ghraib, os Estados Unidos sentam sobre suas próprias mãos, com a faísca regional do que veio a ser chamada de Primavera Árabe se apagando, para ser substituída por desestabilização ainda maior dentro da região. E mesmo assim Washington não parou de procurar a versão mais recente da (agora sem nome) guerra global contra o terror em regiões cada vez mais novas que precisam de desestabilização.

Tendo notado a facilidade com que o entorpecido público americano patrioticamente olhou para o outro lado, enquanto nossas guerras seguiram seus caminhos específicos para o desastre, nossos líderes nem sequer piscam mais ante a possibilidade de mandar caças americanos não tripulados e forças de operaçoes especiais para lugares cada vez mais distantes, notavelmente mais para dentro da África, criando das cinzas do Iraque uma versão do estado de guerra perpétua que George Orwell uma vez imaginou em seu romance não-utópico 1984.

Feliz aniversário
No décimo aniversário da Guerra do Iraque, o Iraque continua, em qualquer nível, um lugar perigoso e instável. Até mesmo o sempre otimista Departamento de Estado aconselha viajantes americanos que vão para o Iraque, posto que esses cidadãos “continuam correndo risco de serem sequestrados… porque grupos rebeldes, incluindo Al Qaeda, ainda estão ativos”, além de notar que “a norma do Departamento de Estado para negócios americanos no Iraque aconselha o uso de ‘Detalhes de Segurança'”.

Numa perspectiva mais ampla, o mundo está muito mais inseguro e perigoso do que estava em 2003. De fato, para o Departamento de Estado, que me enviou para o Iraque para testemunhar as leviandades do imperialismo, o mundo tornou-se ainda mais assustador. Em 2003, no momento infame do “missão cumprida”, só a embaixada em território afegão foi considerada “extremamente perigosa” na lista de embaixadas além-mar. Não muito mais tarde, ainda, Iraque e Paquistão foram adicionados nesta lista. Hoje, Iemêm e Líbia, antes seguros para embaixadas, agora estão categorizadas como “extremamente inseguras”.

Outros lugares antes considerados tranquilos para diplomatas e suas famílias, como Síria e Mali, foram esvaziadas e não contam com nenhuma presença diplomática americana. Até mesmo a sonolenta Tunísia, uma vez calma o bastante para que uma escola de árabe fosse estabelecida na embaixada, conta agora com uma equipe reduzidíssima com nenhum familiar residente. No Egito isso é oscilante.

Explicitamente o grande apologista da estrátegia adotada no Iraque, com a ausência de George W. Bush e dos altos funcionários de seu governo, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair lembrou-nos recentemente de que há mais no horizonte. Admitindo que há “muito tempo desistiu de tentar persuadir as pessoas do Iraque que foi a decisão certa”, Blair acrescentou que novas crises estão se aproximando. “Você tem uma crise hoje na Síria, você tera uma outra no Irã em breve”, disse ele. “Estamos no meio dessa luta, que vai levar uma geração, e vai ser muito árduo e difícil. Mas acho que estaremos cometendo um erro, um erro profundo, se pensarmos que podemos ficar fora dessa luta”.

Pense nesse comentário como um aviso. Depois de algum modo ter transformado todo o Islã em um inimigo, Washington simplesmente atrelou-se a intermináveis crises nas quais não tem nenhuma chance de vencer. Nesse sentido, o Iraque não foi uma aberração, mas o auge histórico de um modo de pensar que agora está lentamente ruindo. Por décadas, os Estados Unidos terão uma força militar grande o suficiente para garantir que a nossa queda seja lenta, sangrenta, feia e relutante, embora inevitável. Um dia, porém, mesmo os caças não tribulados terão que aterrissar. Assim, feliz 10 anos de aniversário, Guerra do Iraque! Uma década depois da invasão, um caótico e instavél Oriente Médio é o legado não terminado da nossa invasão. Eu acho que o alvo da piada somos nós ao final, embora ninguém esteja rindo.


Tradução: Mailliw Serafim e Caio Sarack

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