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“Municípios precisam se organizar para vacinação contra Covid-19”, diz médica infectologista

O Governo Federal divulgou o plano para vacinar a população contra a Covid-19 e de acordo com o Ministério da Saúde, o processo será centralizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a doença é um documento com diretrizes que tem objetivo de apoiar os Estados e municípios no planejamento e organização da vacinação.

E, por isso, tivemos um bate papo exclusivo com a médica infectologista, Raquel Stucchi, para comentar pontos específicos dessa proposta. Raquel também é professora doutora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Com a apresentação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, ficou comprovado que ainda não é um plano definitivo e que não responde a muitas perguntas sobre como realizar a campanha de vacinação. A opinião da médica infectologista é de que “na verdade é o início de uma organização com algumas diretrizes que precisarão ser mais detalhadas nas próximas semanas. Mas o plano já dá uma indicação de como será a vacinação contra a Covid-19, o que é um avanço neste momento tão tumultuado sobre a situação do Brasil em relação a essa doença”, afirmou.

Há meses o Governo Federal tem se posicionando no sentido de que vai prestar toda colaboração para que a vacina seja realizada, o que o plano deixa claro é que a logística de distribuição de vacinas vai ser feita da mesma forma como todas as campanhas elaboradas pelo Programa Nacional de Imunizações. Em vista disso, a médica infectologista acredita que o papel dos municípios no plano de vacinação seguirá exatamente igual ao que se faz há anos.

“Os municípios precisam dimensionar o tamanho da sua população prioritária e avaliar qual a sua condição atual para fazer a vacinação. A partir disso elaborar estratégias como: estender o horário de funcionamento dos postos de saúde, além de quantificar as seringas e agulhas que precisarão ser usadas nessa ação”, explicou Raquel Stucchi.

O planejamento da vacinação nacional está orientado em conformidade com o registro e licenciamento de vacinas, que no Brasil é de atribuição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), conforme Lei nº 6.360/1976 e outros regulamentos técnicos. Diante disso, fica o questionamento se a aprovação das vacinas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) pode ser um obstáculo para uma efetiva imunização no Brasil.

Para a professora, é exatamente o contrário “é a validação da Anvisa que nos dá segurança para que a vacinação seja realizada em massa na população brasileira. Por isso é fundamental ter essa análise e a aprovação da Agência, uma vez que é o órgão responsável por essa verificação no Brasil”, destacou.

Segundo o plano brasileiro, o início da vacinação está previsto para fevereiro de 2021. Isso deixa 4 meses para vacinar todos os grupos prioritários e, em seguida, 12 meses para imunizar o restante da população. Desta maneira, a médica acredita que esse tempo pode ser suficiente para a imunização contra a Covid-19, mas “tudo vai depender dos acordos firmados com os produtores de vacinas. E nisso cabe destacar que nós talvez sejamos o País mais atrasado na formalização de acordos para compra de vacinas”, comentou.

Sobre a necessidade do imunizante precisar de 2 doses tomadas em um intervalo de tempo para fazer efeito e se isso pode gerar dificuldade na imunização, a especialista explicou que “a vacina ideal seria a de dose única e com benefícios como: quantidade suficiente e proteção de forma prolongada. Mas, infelizmente, não temos uma vacina assim. O sucesso da imunização também é responsabilidade dos estados, municípios e população”, avaliou.

Por fim, em relação à exigência de assinatura do termo de responsabilidade para quem tomar a vacina com status de uso emergencial, a médica acredita que isso seja desnecessário. “Um documento desse tipo não justifica. Mesmo as vacinas em uso emergencial, aprovadas pelos órgãos regulatórios, são certificadas de sua segurança. É diferente de alguém que resolve participar de um teste para uma vacina que está chegando, o que não é o caso. O que pode fazer sentido, para o Governo exigir um termo de responsabilidade, é um documento assinado pelos cidadãos que se recusam a tomar a vacina ou que não adotam as medidas de prevenção, afirmando que se ficarem doentes não vão ocupar leitos de hospitais”, declarou.

Fonte: Brasil 61

 

Infectologista destaca medidas que devem ser adotadas na reabertura de estabelecimentos para evitar contágio da Covid-19

Municípios paraibanos, a exemplo de João Pessoa, começam a flexibilizar as medidas de isolamento social, implementadas em decorrência da pandemia do novo coronavírus, e alguns estabelecimentos comerciais, serviços e instituições foram liberados para retomar as atividades. Entre os espaços que podem ser reabertos, com uma série de cuidados e restrições, estão salões de beleza e barbearias, concessionárias, igrejas e templos religiosos.

Apesar de estarem liberados para atendimento ao público, medidas precisam ser adotadas para garantir segurança aos colaboradores e clientes, pois ainda vivenciamos uma pandemia, conforme afirma o médico infectologista do Hospital do Hapvida, Fernando Chagas.  “Os profissionais precisam usar máscaras, inclusive, é recomendado que o cliente também use, na medida do possível dentro do procedimento que esteja sendo realizado. Outro fator importante é a lavagem das mãos entre o atendimento de um cliente e outro, o que evita a transmissão cruzadas entre as pessoas”, alerta.

Com relação a salões de beleza e barbearias, o infectologista sugere ainda que é preciso ter um cuidado redobrado com as cadeiras de lavagem de cabelos. “É importante que seja feita a higienização dessas cadeiras, isso de um cliente para outro”, sugere, orientando a utilização de materiais descartáveis.

Apesar das medidas que precisam ser adotadas por estabelecimentos comerciais e de serviços, Fernando Chagas orienta que a população, ao frequentar qualquer um dos estabelecimentos, atente para alguns cuidados. “O interessante é que se busque sempre saber quais medidas estão sendo tomadas nesses lugares; questionar acerca da disponibilidade de álcool em gel, utilização de máscaras por parte dos colaboradores, se está atendendo por agendamento, o que evita aglomerações. Esses cuidados podem fazer a diferença no processo”, orienta.

Apesar de todas essas orientações, o infectologista Fernando Chagas lembra que o distanciamento é o melhor método para diminuir o risco de transmissão. “Não há medicamento que evite isso. Mas o isolamento tem impacto real, demonstrado por inúmeros estudos”, finaliza.

Retomada – No Estado foi implementado o plano ‘Novo Normal Paraíba’ que estabelecem a matriz de orientação para a retomada gradual das atividades e divide as localidades de acordo com o número de casos, atribuindo bandeiras, sendo que 126 (56%) municípios estão enquadrados na bandeira laranja; 82 (37%) na bandeira amarela; 14 (6%) na bandeira vermelha; e um (1%) na bandeira verde. Nos municípios sinalizados com bandeira laranja e vermelha, poderão funcionar atividades essenciais. Todos os segmentos da economia e da sociedade podem retomar suas atividades quando há a sinalização da bandeira verde

As recomendações de prevenção à COVID-19 do Ministério da Saúde são as seguintes:

·         Use máscara;
·         Lave com frequência as mãos até a altura dos punhos, com água e sabão, ou então higienize com álcool em gel 70%;
·         Ao tossir ou espirrar, cubra nariz e boca com lenço ou com o braço, e não com as mãos;
·         Evite tocar olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;
·         Ao tocar, lave sempre as mãos como já indicado;
·         Mantenha uma distância das pessoas;
·         Evite abraços, beijos e apertos de mãos;
·         Higienize com frequência o celular e os brinquedos das crianças;
·         Não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres, toalhas, pratos e copos;
·         Mantenha os ambientes limpos e bem ventilados;
·         Evite circulação desnecessária;
·         Se estiver doente, fique em casa até melhorar.

 

Assessoria de Imprensa

 

 

Coronavírus: barba dificulta vedação de máscaras, diz infectologista

Durante mais de 20 anos, o empresário e condutor ambiental Flávio Moreira Barbosa, 49 anos, via sempre, ao se olhar no espelho, a imagem de um cara barbudo. Deixava a barba crescer até a namorada começar a reclamar, para, enfim, apará-la, dizendo que não a tirava completamente por se tratar de uma promessa. A preocupação com o novo coronavírus, no entanto, fez com que Flávio abandonasse a barba antes mesmo de a promessa ser cumprida.

“Comecei a cogitar tirar a barba ao ver algumas matérias jornalísticas com infectologistas dizendo que ela aumenta o risco de contaminação pelo coronavírus”, disse à Agência Brasil. Segundo ele, a decisão não foi imediata porque, em outras matérias jornalísticas, havia especialistas que diziam o contrário. “Via das dúvidas, optei por tirar. Afinal, é uma segurança a mais”.

A decisão de Flávio foi acertada, segundo a médica Eliana Bicudo, assessora técnica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “A gente sabe que o vírus sobrevive no cabelo e na barba. Tanto é que, entre os equipamentos de proteção individual (EPI) usados por profissionais de saúde, estão a touca e a máscara”, disse ela.

Segundo Eliane, o maior problema da barba está relacionado ao uso da máscara de proteção, uma vez que dificulta a vedação no rosto. “A máscara precisa estar bem firme, vedada e ajustada ao rosto. Com barba, isso, no mínimo, fica difícil. Por esse motivo, os profissionais que lidam com a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, não podem ter barba”, acrescenta.

Aparentes contradições

Sobre o motivo de alguns especialistas terem minimizado o risco, conforme Flávio, a infectologista explica que essas aparentes contradições ocorreram no início da pandemia, quando não se vislumbrava a necessidade de uso constante de máscara, algo que tem sido cada vez mais indicado.

De acordo com Eliana, o cidadão comum até pode ter barba, mas é fundamental que tenha ciência de que ela dificulta uma vedação adequada da máscara. “Além disso, quem não tem hábito de usar mascara fica toda hora colocando a mão nela para ajustá-la ao rosto, e isso é ainda mais comum no caso de pessoas com barba. O risco é grande porque, se a mão estiver contaminada, contamina também máscara, barba, boca”, diz.

De fato, o uso da máscara incomodava o Flávio, quando ainda tinha visual barbudo. “Era difícil mantê-la colada ao rosto. A todo momento, eu tinha de ajeitá-la”.

A vulnerabilidade maior, segundo Eliana, é na lateral do rosto e na parte abaixo do queixo. Quando a barba é mais fina e limitada aos arredores da boca, o risco é menor, caso a máscara contorne em 360 graus os pelos.

Máscaras

No caso de quem está com a doença ou no dos assintomáticos, o ideal são as máscaras cirúrgicas ou a N95. A de pano é recomendada para a população, na tentativa de funcionar como mais uma barreira contra o vírus.

Uma pessoa doente tem de estar atenta para trocar, tanto a máscara cirúrgica quanto a de pano, a cada duas horas, porque estudos mostram que as gotículas atravessam a máscara, quando já molhada por causa de tosses, espirros ou mesmo por causa da fala.

“A gente sabe que a transmissão se faz por gotículas, que ficam no ambiente após falas, espirros ou tosse, e por contato. O vírus sobrevive por longo tempo nessas gotículas”, explica a infectologista ao destacar que não apenas os barbudos, mas todos têm de estar atentos principalmente à higienização das mãos e à distância mínima de 1 metro entre as pessoas.

‘Largadões’ preocupados

Como trabalha com turismo, Flávio está sempre conversando com pessoas, tanto de fora quanto do interior do estado. Dono da Destino Adventure – empresa localizada no município de Porto Nacional, a 64 quilômetros de Palmas, no Tocantins, que faz pacotes turísticos para regiões como Jalapão, Ilha do Bananal e algumas unidades de conservação – ele diz perceber que muitas pessoas tiveram preocupação similar à dele e acabaram deixando de adotar a barba como visual.

“O povo que, a meu exemplo, anda muito no mato tende a ser mais largadão e costuma deixar a barba crescer. No entanto, na medida em que o vírus foi avançando, vi cada vez menos pessoas com esse visual. No nosso grupo de whatsApp, pelo menos dez deles já tiraram a barba por precaução”, conta  o condutor ambiental.

Flávio diz que não foi fácil a mudança de visual. “Foram mais de 20 anos usando barba. Já fazia parte do meu rosto. Realmente, a preocupação falou mais alto porque é uma doença assustadora. Por mais álcool em gel que a gente passe, continuamos vulneráveis. Foi uma decisão difícil, porém necessária”, disse ele após a reportagem informá-lo de que os especialistas consultados pela Agência Brasil chancelavam sua decisão.

“Claro que agora, ao olhar no espelho, acho estranho. Pareço outra pessoa. Mas o lado bom é que, além de menos vulnerável à doença, pareço agora mais novo”.

 

Foto: Marcello Casal Júnior/Agência Brasil

Agência Brasil

 

 

Coronavírus: infectologista alerta para risco de ‘escapadinhas’ durante quarentena

Após duas semanas de isolamento, ficar em casa tem sido desafiador para algumas pessoas e a tentação de dar uma ‘saidinha’ durante a quarentena pode até parecer inocente, mas a infectologista Márcia Yamamura da Universidade de Federal de São Paulo (Unifesp) de São José dos Campos (SP) alerta para os problemas coletivos que a quebra da quarentena pode ocasionar.

“Quebrar o isolamento causa impacto sim, porque se todo mundo pensar que é só uma saidinha inocente e que não vai acontecer nada, então vamos todos voltar para as nossas atividades rotineiras e vamos acabar expondo as pessoas ao risco de serem contaminadas, principalmente o grupo de risco”, explica a especialista.

Ainda de acordo com a infectologista, tudo que estamos vivendo durante a pandemia é novo e leva um tempo de adaptação, mas é preciso respeitar as regras, já que o novo coronavírus pode causar grandes complicações aos pacientes e o isolamento é a melhor forma de prevenção.

“Em um primeiro momento vivemos uma negação: ‘como assim vou perder minha liberdade de ir e vir? Vou ficar isolada?’. É uma situação nova para todos, mas precisamos respeitar as regras, porque ainda não temos um tratamento eficaz ou vacina e nossa meta é evitar espalhar o vírus para todo mundo”, afirmou a médica.

A infectologista reforça que mesmo sem sintomas da doença, a pessoa pode estar infectada e acabar contaminando outras pessoas. “Você pode sim estar transmitindo o vírus e não saber, porque muitas pessoas que estão infectadas são assintomáticas. Uma fala, uma tosse ou um espirro podem transmitir o vírus”, disse.

Dica

Além de manter as regras de higiene, distanciamento e ficar em isolamento para quem tem essa opção, a infectologista deu dicas para quem mora em apartamento e deseja sair um pouco de casa, ainda respeitando a quarentena.

“As pessoas estão se dividindo nos condomínios para que cada hora uma família desça para o pátio e fique um pouco, brinque. Há possibilidades para entrar em acordo com a comunidade local para evitar aglomeração e ainda assim sobreviver a essa fase que é tão difícil. Tudo vai passar, mas para isso é importante seguir as regras”, contou a médica.

G1

 

 

Infectologista explica diferença entre confinamento vertical e horizontal

O médico infectologista Fernando Chagas, do Hapvida em João Pessoa, faz um alerta à população para a importância de se manter o confinamento horizontal nesse momento de enfrentamento à proliferação do coronavírus no Brasil. De acordo com ele, por meio do confinamento horizontal é possível resguardar a saúde de idosos e pessoas que possuam comorbidades, ou seja, que tenham ocorrência de duas ou mais doenças relacionadas no mesmo paciente e ao mesmo tempo.

Fernando chagas explica que existe o confinamento horizontal e o vertical. O horizontal é aquele voltado para toda a população, sem distinção, de forma que garanta que todos estejam resguardados e não se tornem o foco de transmissão do coronavírus, por exemplo. Já o confinamento vertical é voltado ao paciente mais propenso a evoluir para um caso grave da doença.

“Então num tipo de confinamento em que se isola a população de maior risco, seria para garantir que essas pessoas mais vulneráveis não adquirissem a doença e evoluíssem para a forma grave. No outro caso, seria para diminuir a probabilidade da pessoa de risco contrair a doença, mas também das outras que não têm tanto risco se tornarem vetor para a transmissão. Dessa forma, os confinamentos horizontais e verticais são fundamentais nesse momento”, destaca o infectologista.

Risco – O especialista fez uma comparação do coronavírus com o O H1N1. Segundo ele, o H1N1 tem uma média de mortalidade de uma pessoa a cada mil acometidos. No caso do coronavírus, esse número pode chegar a até 50 pessoas a cada mil infectados. “É um universo grande de letalidade e quando consideramos que milhares de pessoas podem ser acometidas pela doença, a gente tem uma dimensão do risco do que ela representa para toda a comunidade. O coronavírus têm a potencialidade de causar muitas mortes”, alerta.

O infectologista do Hapvida disse ainda que o momento agora é de manter a calma e cumprir o isolamento. Para ele, é importante que a população se mantenha atenta para o risco do coronavírus no Brasil. “Nesse momento temos que ter mais cuidado, mas também temos que trocar o medo pelo respeito à doença”, observa.

 

Múltipla Comunicação

 

 

Covid-19: infectologista da UFPB defende isolamento social e teste em massa

Há uma década, surto da gripe suína, causada pela cepa do vírus H1N1, atingiu mais de 75 países e deixou o mundo em alerta. Hoje, o novo coronavírus (Covid-19), pertencente à família de vírus que causam infecções respiratórias, já provocou 34 mortes e 1.891 casos confirmados no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

Em entrevista à Assessoria de Comunicação Social (Ascom) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a médica infectologista Ana Isabel Fernandes, membro da Comissão de Enfrentamento ao Coronavírus da UFPB, defende isolamento social e teste em massa para o vírus descoberto em 31 de dezembro do ano passado, após casos registrados na China.

Além disso, a especialista compara a nova doença com a gripe suína de 2009; analisa se o número de leitos na Paraíba é suficiente; e faz projeção da pandemia e para a criação de vacina. Confira abaixo:

Ascom: O H1N1 também foi uma pandemia, em 2009. O coronavírus é mais grave? Ou as redes sociais e a mídia intensificam a sensação de perigo?

Ana Isabel Fernandes: O H1N1 também foi uma pandemia que matou muita gente, mas já existiam alguns antivirais que funcionavam contra ele. Então, o impacto da letalidade não foi tão grande. O que acontece com o Covid-19 é que é uma transmissão muito explosiva e os casos graves vão necessitar de respirador, isso corresponde a 5% dos infectados.

Se isso acontece de uma vez, uma população, é um impacto muito grande para os serviços de saúde, que não vão ter leitos suficientes para absorver esses casos. E como não existe um antiviral ainda, testado e já aprovado para uso, fica muito mais difícil  tratar esses doentes, e a doença se prolonga muito mais. Dura em torno de três semanas o tempo de internação, então é bem diferente do H1N1, que era algo mais rápido.

Ascom: O segundo contágio de uma mesma pessoa é possível? Se sim, isso pode acarretar nova proliferação após o período de quarentena?

Ana Isabel Fernandes: Ainda não sabemos se é possível reinfecção dentro de uma mesma onda de epidemia. Possivelmente vírus sofre mutações e vai ser possível as pessoas terem infecção de novo.
Mas essas respostas ainda não se têm. Precisa de mais algum tempo para observar como a pandemia vai se comportar.

Há uma preocupação do tempo de distanciamento social não ser o suficiente para a gente evitar que as pessoas que não tiveram o contágio possam ter de forma explosiva quando se liberar a normalidade das coisas.

Mas eu creio que os governos estão atentos para isso e não vão liberar a circulação das pessoas antes de se ter uma comprovação de como as coisas estão acontecendo em cada lugar.

Ascom: As medidas repressivas são necessárias pra reter a propagação do vírus?

Ana Isabel Fernandes: As medidas tomadas foram de extrema importância. Creio que a gente ainda não tem, aqui, pelo menos em João Pessoa, uma situação de calamidade porque essas decisões foram tomadas, a exemplo da UFPB, que fez isso de forma muito responsável, no momento exato que precisávamos fazer.

Muitas pessoas, ainda descrentes, não acreditam muito na necessidade desse isolamento social. É preciso que elas se conscientizem, porque é algo que, se um fizer e o outro não fizer, a gente pode não ter o sucesso desejado.

É necessário que as pessoas entendam que não podem sair correndo para o supermercado e se aglomerarem lá. Estão dispensadas do trabalho, mas se aglomeram fazendo compras. Tudo precisa ser controlado, agora.

Ascom: Há divergências entre a OMS e o Ministério da Saúde sobre os testes em massa ou apenas casos suspeitos. Qual sua avaliação?

Ana Isabel Fernandes: Eu concordo com a necessidade de se fazer teste em massa, porque quando a gente testa mais, a gente sabe onde a doença está se proliferando mais, áreas da cidade, e outras medidas mais agressivas podem ser tomadas.

Então é superimportante, a exemplo de tantos países que fizeram os testes, inclusive para liberar os pacientes  dos isolamentos. Se já negativou o exame, então o indivíduo pode conviver socialmente. Se testar positivo, prolonga-se o isolamento. É importante que a gente também tenha essa ferramenta de controle da infecção em uma comunidade.

Ascom: O que o Brasil está fazendo de certo e errado no combate à doença? Que medidas que ainda não adotou deveria tomar?

Ana Isabel Fernandes: Não adianta, muito, ficar olhando para o passado, mas a gente tinha como evitar esse caos que está acontecendo. Não havia a transmissão local no Brasil. Se a gente tivesse feito o controle das viagens internacionais, evitaria que pessoas infectadas que vieram do exterior circulassem normalmente no país.

Essas pessoas precisavam ter  sido monitoradas. Pelo menos as que tinham sintomas deviam evitar circulação. Talvez devêssemos ter suspendido, por exemplo, o carnaval, porque os casos explodiram depois. Com essa abertura, chegam muitos turistas, uma circulação muito grande de pessoas.

Se tivéssemos tomado esses tipos de medidas no início, talvez tivéssemos evitado esta situação. Outro momento que foi crucial: quando São Paulo explodiu com seus casos, o Ministério da Saúde precisaria ter antecipado os bloqueios às mobilidades das pessoas de lá para outros estados. Devíamos ter coletado amostras, isolado as pessoas sintomáticas e orientado a quarentena para as que tinham chegado de viagem.

Ascom: O número de leitos disponibilizados na Paraíba é suficiente?

Ana Isabel Fernandes: Nenhum estado do país está pronto para uma pandemia dessa monta. A gente vê países de primeiro mundo sofrendo por falta de leitos. É muito difícil fazer uma colocação de que estamos tranquilos com o número de leitos. Não estamos.

As providências estão sendo tomadas. Redes hospitalares estão sendo ampliadas. Leitos estão sendo alocados para isso e a organização de possíveis Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Tudo isso está sendo feito meio que em cima da hora, mas que está sendo resolvido e encaminhado de forma importante.

Contudo, o que eu acho que de mais importante fizemos foi o distanciamento social. Essa medida foi a mais importante para a gente não estar em uma situação caótica como Recife, com falta de plantonistas, com médico já adoecendo, com furos de escalas e a necessidade de ampliar todo o corpo clínico de todos os serviços.

Ascom: Que projeção você faz para essa pandemia na Paraíba?

Ana Isabel Fernandes: Eu tenho esperança de que o nosso cenário vai ser um pouco diferente porque nós começamos as medidas de contenção antes de termos, até, confirmação de casos, aqui. Quando os estados vizinhos anunciavam os seus primeiros casos, nós já fizemos as medidas de contenção. Isso adiou pelo menos em duas semanas o surgimento de casos e, talvez, a maior gravidade deles.

Eu tenho esperança de que podemos fazer muito. Acho que as autoridades, a universidade, as sociedades científicas têm se unido de forma muito importante para cada um dar a sua contribuição no sentido de combatermos esse mal que tem assolado e deixado o mundo perplexo e parado.

Podemos tirar algo positivo de tudo isso se entendermos os movimentos que estamos fazendo agora, de cooperação, de união em torno de um objetivo, que é importante para todos. Não adianta eu ter álcool em gel se meu vizinho não tiver. Não adianta eu fazer o isolamento social se meu vizinho não fizer.

É preciso que todos entrem em uma sintonia e se empenhem no combate a essa doença. Medidas educativas ainda são muito necessárias. É preciso que cada um vá multiplicando. Assim como o vírus faz, ao sair contagiando todo mundo, a gente também pode fazer esse movimento, contagiar com o bem, com informação, com medidas necessárias para o combate à doença.

Ascom: Como a senhora vê o desenvolvimento de vacina e de cura para a doença?

Ana Isabel Fernandes: As vacinas são extremamente promissoras. Muitas grandes empresas trabalhando para esse fim. No entanto, a gente não vai ter isso em curto prazo. Acredito que para o próximo ano, nas mutações do vírus, a gente vai poder evitar novas ondas dessa epidemia, mas, para agora, não temos nenhuma perspectiva. Mas há chances muito boas de sair uma vacina e antivirais também.

As informações são da Ascom/ UFPB

 

Uso indiscriminado de antibióticos aumenta risco de casos de superbactéria, diz infectologista

O uso indiscriminado de medicamentos, sobretudo antibióticos, aumenta de forma considerável o risco de casos de superbactérias – micro-organismos resistentes à maior parte dos tratamentos disponíveis. O alerta é do diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcos Antonio Cyrillo.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 440 mil casos de tuberculose resistente são registrados no mundo todos os anos, além de cerca de 150 mil mortes decorrentes de infecções por superbactérias.

“Não há hospital livre disso. Lógico que um hospital de grande porte e de alta complexidade ou um hospital universitário com vários leitos de UTI [unidade de terapia intensiva] e que interna pacientes com cirurgias complicadas são o tipo de lugar que pode ter mais bactérias resistentes. Mas nenhum hospital ou casa de repouso com longa permanência está livre disso”, observou Cyrillo.

Para o infectologista, o uso indiscriminado de antibióticos configura, de certa forma, um problema cultural, já que o profissional de saúde se sente mais seguro ao receitar o medicamento. “Ele acha que está fazendo um bem para o paciente, mas vários fatores precisam ser levados em conta na hora de fazer um programa de prevenção e também de orientação para o uso de antibiótico”, reforçou.

Na tentativa de conter os casos de superbactéria no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que a venda de antibióticos só pode ser feita com a apresentação de duas vias da receita médica. O objetivo, de acordo com a gerente de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde, Magda Machado, é restringir a automedicação, já que uma via fica retida pelo estabelecimento.

Ela lembrou que, após os casos da superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) registrados no país nos últimos anos, a Anvisa editou uma nota técnica que trata da identificação, prevenção e controle de infecções relacionadas a micro-organismos multirresistentes. Entre as obrigatoriedades nas unidades de saúde está a higienização das mãos por meio do uso de álcool em gel por profissionais de saúde e visitantes.

Francisca Silva, 52 anos, é representante de laboratório e tem medo de contrair qualquer tipo de infecção resistente a medicamentos. “Tomo certos cuidados com a higiene porque trabalho em hospital e, por isso, estamos suscetíveis a todo tipo de contaminação. Procuro me proteger de qualquer uma delas”, contou.

A dona de casa Andreia Queiroz da Silva, 34 anos, tem lúpus, doença que compromete o sistema imunológico, e também se preocupa em manter hábitos como lavar as mãos com água e sabão quando frequenta unidades de saúde. “Acho que está faltando informação sobre essa superbactéria. Nos hospitais, é comum vermos panfletos com orientações sobre a higienização das mãos, mas muita gente não segue.”

Cleide Teixeira, 39 anos, é enfermeira e trabalha há 19 anos na mesma unidade de saúde. Além da higienização das mãos, ela usa luvas cirúrgicas descartáveis como alternativa para se proteger e proteger os pacientes de micro-organismos multirresistentes. “Nós, profissionais de saúde, estamos expostos a qualquer tipo de doenças. Temos a obrigação de evitar que os pacientes sejam contaminados”, avaliou.

Agência Brasil