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Moda vegan: os prós e contras do veganismo na indústria fashion

Se você acompanha as notícias da indústria fashion, já deve ter se deparado com informações de que algumas grifes famosas estão abrindo mão do uso de couro e do pelo animal. Também já deve ter visto algum estilista renomado criando coleções de roupas sustentáveis.

É que a moda tem, cada vez mais, abraçado pautas ambientais e que tratam dos direitos animais. O veganismo, por exemplo, que virou moda na culinária, está ganhando espaço também no mundo fashion.

Embora seja uma prática que luta pelo fim da exploração animal, alguns especialistas indicam também alguns pontos negativos do veganismo, como, por exemplo, o preço das roupas. Quer saber um pouco mais sobre a moda vegan? Reunimos algumas informações para você.

O que é o veganismo

O veganismo é um modo de vida um pouco mais radical do que o vegetarianismo. Neste, como sabemos, não é permitido o consumo de carnes, principalmente as vermelhas.

Já no veganismo, as pessoas não podem consumir nada de origem animal, seja na comida, seja no vestuário e até mesmo nos produtos estéticos. Ou seja, tudo deve ter origem vegetal, desde a culinária até os cremes antirrugas.

Você talvez esteja se perguntando por qual motivo esse movimento tem essa postura de não usar nada de origem animal. Bem, segundo o The Vegan Society (Sociedade Vegana, um manifesto global dos veganos), o objetivo é excluir das ações diárias toda e qualquer exploração e crueldade com os animais.

Por isso, os veganos não comem carnes nem ovos e também não vestem tecidos como a lã. São contrários a todo tipo de caça – inclusive a de peixes – e, de forma geral, advogam pelos direitos dos animais.

Quando surgiu o veganismo

Embora pareça um movimento contemporâneo, segundo a The Vegan Society, o veganismo existe, na verdade, pelo menos desde a década de 1940. Em 1944, a dieta vegana foi definida pela primeira vez e já naquela época o objetivo principal dos ativistas era reduzir a exploração animal.

Na década de 1960, a sociedade vegana foi registrada como uma entidade de caridade e, na década seguinte, tornou-se também uma empresa.

Veganismo na moda

Na moda, podemos dizer que o veganismo ganhou mais força nos anos 2000-2010. Neste período, diversas ONG’s de proteção animal começaram a pedir que algumas grifes reduzissem o uso de alguns materiais de luxo de origem animal, como a pele e o couro dos bichos, como o de cobra e de jacaré.

No entanto, os veganos não lutam pela redução do uso apenas desses tecidos nobres (que costumam ser mais caros para o público). Também advogam pelo fim do uso da lã de ovelha, do mohair e da seda, por exemplo, que são mais acessíveis para o público de forma geral.

Segundo os ativistas, a intenção é mesmo reduzir ao máximo a exploração animal e conscientizar os consumidores dos impactos de aceitar os produtos que usem esses tecidos.

Efeitos positivos do veganismo na moda

O veganismo na moda levanta a bandeira dos direitos animais, que, inclusive, foram reconhecidos pela Organização das Nações Unidas, ONU, em 1978. Por isso, um impacto muito positivo do veganismo na indústria fashion é justamente reduzir a violência e a exploração dos animais.

Além disso, também busca promover o consumo consciente. É que os adeptos dessa onda tentam mostrar o público geral que nós não precisamos explorar os bichos para termos produtos luxuosos. Também não precisamos comprar roupa o tempo todo.

Questionamentos ao veganismo na moda

No entanto, alguns ambientalistas e mesmo estilistas acabam questionando os reais impactos do veganismo na moda. Muita gente alega que, para desenvolver os tecidos 100% de origem vegetal, é necessário muito investimento, o que encarece a produção para o público final.

Como os produtos ficam bem mais caros, apenas um público muito restrito consome as roupas veganas. Pensando nas roupas luxuosas, somente os multimilionários conseguem comprar essas peças.

Outro ponto negativo é que nem sempre a moda vegana é sustentável, isto é, não é porque não explora os animais que a produção vai ser necessariamente consciente do ponto de vista ecológico.

Alguns designers, inclusive, criticam os colegas veganos, alegando que essa moda continua a impactar o ecossistema, ou melhor, continua a produzir resíduos que dificilmente serão absorvidos pela natureza.

Se você ficou interessada na moda vegan, vale a pena considerar esses aspectos e ponderar como é possível adotar uma postura mais sustentável também na moda.

 

Conteúdo Gear Seo

 

 

Ministro diz que governo está empenhado em aquecer indústria automobilística

carrosO ministro da Indústria e Comércio Exterior, Marcos Pereira, disse nessa terça-feira (16) que o governo federal está empenhado em criar uma estratégia para a retomada das vendas de veículos ao mercado interno como forma de impulsionar a produção no setor e garantir a estabilidade no emprego.

De acordo com Pereira, a ideia, que começou a ser discutida na semana passada com 19 entidades do setor, é estimular a renovação da frota e, para isso, estão sendo contatados os agentes financeiros, incluindo os bancos públicos. O ministro informou que assumiu compromisso com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) de finalizar o projeto até o final deste ano.

“O governo está trabalhando para melhorar o ambiente de negócios no Brasil, e estou empenhado em destravar as amarras burocráticas”, afirmou, citando dados relativos ao ranking Doing Bussiness 2016, do Grupo Banco Mundial, em que o Brasil aparece na 116ª posição entre 189 países com chances de bons negócios.

As afirmações foram feitas nessa terça (16) pelo ministro, em discurso de abertura do 26º Congresso & Expo da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), no Expo Center Norte, em São Paulo.

Em uma alfinetada política àqueles que defendem o pensamento esquerdista, Pereira afirmou, em seu pronunciamento, que para o governo em exercício a “ ideologia está fora de moda, queremos e buscamos resultados”.

Anfavea aposta no crescimento econômico

Também presente ao encontro, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, manifestou otimismo quanto à possibilidade de uma retomada na economia. “Em 2017, estaremos em uma situação mais robusta e podemos voltar à quinta colocação no mercado mundial”, projetou, após lembrar o quadro de retração, mencionando que, no acumulado até julho deste ano, houve um recuo de quase 25% nas vendas de veículos.

De acordo com o presidente da Anfavea, a indústria automobilística está com uma capacidade ociosa superior a 50%, sendo que na área de produção de caminhões, o percentual é maior, em torno de 75%.

O executivo observou que, mesmo obtendo de volta o crescimento do mercado doméstico, a indústria deverá continuar investindo, na busca dos clientes externos. “Novos mercados estão sendo abertos, é difícil conquistar, e uma vez conquistados esses mercados, a gente espera mantê-los de uma forma perene”.

Megale também destacou que os empresários do setor estão contando com a retomada da confiança da economia, após a definição política do país. Ele acredita que isso irá poderá ajudar a recuperar, principalmente, o setor de veículos pesados, que tem sido mais penalizado pela crise. O presidente da Anfavea assinalou que há sinais de liquidez no mercado, apontando como exemplo, as cotas de consórcios que poderia “irrigam a economia”.

Sobre o programa de renovação da frota, ele afirmou que estão sendo feito ajustes, e que não há ainda estimativa de prazo para a conclusão, porque a proposta envolve questões complexas. Megale antecipou que, em sua essência, o objetivo é retirar os veículos velhos de circulação, que poderiam ser utilizados em um projeto de reciclagem do próprio setor.

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171: Fisco denuncia portaria do Governo que institui indústria da multa na Paraíba

fiscoEm nota veiculada nos principais canais de comunicação do estado, o Sindifisco Paraíba denuncia à sociedade a criação da portaria de número 171, editada pelo secretário de Estado da Receita, que promove o maior arrocho fiscal da história da Paraíba.
Segundo a denúncia, a partir de agora, todas as fiscalizações terão que necessariamente ser finalizadas com recolhimento de imposto ou lavratura de auto de infração, ou seja, com a punição do contribuinte. Em outras palavras, o auditor é obrigado a multar, caso contrário, será submetido à Corregedoria Fiscal da Secretaria da Receita.
Ainda segundo a denúncia, também serão encaminhados à Corregedoria, os auditores que ao aplicarem multas, não atendam aos índices previamente estipulados pela Secretaria. Autos nulos, improcedentes e parcialmente procedentes, também serão submetidos ao órgão corregedor.

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 O Sindifisco repudia o ato do Governo que institui a indústria da multa no Estado da Paraíba e lutará para restabelecer a justiça fiscal. (Assessoria)
Conheça a portaria:

PORTARIA Nº 171/GSER João Pessoa, 1º de julho de 2015.

O SECRETÁRIO DE ESTADO DA RECEITA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 3º, inciso VIII, alíneas “a” e “g”, da Lei nº 8.186, de 16 de março de 2007, Considerando a necessidade de avaliar a qualidade do trabalho desenvolvido  nas ações de monitoramento e nas auditorias fiscais; Considerando a necessidade de uniformizar os procedimentos adotados nas ações de monitoramento e nas auditorias fiscais elevando-os ao nível de excelência; Considerando que é imprescindível a correta aplicação das normas tributárias, R E S O L V E:

Art. 1º A Auditoria de Procedimentos, a que se refere o § 1º do art. 2º da Portaria nº 142/ GSER, de 11 de junho de 2015, desenvolverá suas ações observando, entre outros, os seguintes parâmetros:

I) a auditoria fiscal que, injustificadamente, deixou de observar o Roteiro Básico de Fiscalização de Estabelecimentos da Gerência Operacional de Fiscalização de Estabelecimentos e o Manual de Procedimentos da Gerência Operacional de Fiscalização da Substituição Tributária e do Comércio Exterior, a que reportam as Portarias nº 025 e 142/GSER, de 4 de fevereiro e 11 de junho de 2015, respectivamente;

II) a auditoria fiscal finalizada sem lavratura de auto de infração ou recolhimento de imposto espontâneo decorrente de notificação;

III) a auditoria fiscal finalizada com lavratura de auto de infração ou recolhimento de imposto espontâneo decorrente de notificação fora do índice de recolhimento previsto em relação ao valor das saídas;

IV) o auto de infração julgado definitivamente improcedente, parcialmente procedente ou nulo pelas instâncias administrativas. § 1º Excepcionam-se dos parâmetros estabelecidos nos incisos do caput, as ações solicitadas à Auditoria de Procedimentos pelas autoridades citadas no § 2º do art. 2º da Portaria nº 142/ GSER, de 11 de junho de 2015.

§ 2º As ações de monitoramento também estão sujeitas à Auditoria de Procedimentos, aplicando-se, no que couberem, as disposições deste artigo. Art. 2º Ante a demanda de serviço ou para solucionar uma necessidade específica, o Coordenador da Corregedoria Fiscal poderá solicitar à Gerência Executiva de Fiscalização a indicação de auditores fiscais para auxiliar os trabalhos da auditoria de procedimentos. Art. 3º Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação.

Leonilson Lins de Lucena

Secretário de Estado da Receita em Exercício

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Indústria da comunicação representa 15% do PIB mundial

jornalismo“Grandes jornais perdem inexoravelmente leitores no papel, mas não param de ganhá-los na web (43 milhões de internautas leem o New York Times); (porém) quando os sites dos grandes jornais passaram a ser pagos (como o Times), a visitação despencou (de 22 milhões para 200 mil)”. Este trecho faz parte da resenha do novo livro de Ignacio Ramonet, a ‘Explosão do Jornalismo’. O tema interessa a todos que enxergam na pluralidade da informação e no discernimento crítico que ela alimenta, a alma da democracia.

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Ramonet, um intelectual engajado nos impasses da expressão política no século 21, analisa um fenômeno que a mídia dominante conhece bem no Brasil: o declínio do jornalismo impresso e a ausência de um modelo de negócio que reproduza as mesmas taxas de lucratividade – e de hegemonia ideológica – em suporte digital.

Em edição recente, a inglesa ‘The Economist’ chamou a atenção para a velocidade exponencial da taxa de conexão brasileira à web. A metade dos lares do país já está plugada na rede. “O Brasil é a segunda base mais importante do Facebook no mundo”, destaca o autor.

Tradicional

A mídia tradicional, segunda a revista conservadora, está perplexa diante de uma transição sem volta. Há muito dinheiro em jogo nessa travessia, explica Ramonet: a indústria da comunicação representa 15% do PIB mundial.

Não só dinheiro em espécie, cabe dizer. Mas também a sua versão concentrada e ainda mais valiosa: o poder político que se embaralha nessa encruzilhada. É sobretudo isso, que a ‘Economist’ não atenta, que adiciona especificidade e nitroglicerina ao caso brasileiro. “A ponto de a deriva de um setor empresarial tornar-se uma ameaça à democracia do país. Meia dúzia de corporações da mídia aqui pautam a vida política e tutelam a economia , como centuriões da riqueza acumulada e da autoridade corrente”, frisa Ramonet.

A explosão do jornalismo, como diz Ramonet brincando com a ambiguidade, atinge o suporte convencional com tal impacto que desordena a escala e o conteúdo da linha de produção, borra o divisor entre emissor e receptor e dissolve o próprio conceito do que se emite: a informação. “Sua estratégia no Brasil visa recuperar, por todos os meios –todos– um pedaço do chão firme anterior. Como a tecnologia é a variável exógena da equação, a alternativa dos ‘liberais’ que dominam a mídia converge para a luta pelo controle do Estado”, finaliza o autor. (com informações da Carta Maior)

Foto: Divulgação

 

da Agência FEM-CUT

Megaeventos e a Indústria Sexual: Somos mulheres e não mercadoria

Nos próximos quatros anos inúmeras serão as ações dos governos Municipais, Estaduais e Federal, voltadas para o investimento da Copa do Mundo de 2014 e a realização dos Jogos Olímpicos em 2016.

A realização de megaeventos é uma oportunidade de gerar investimentos capazes de reduzir as desigualdades, de gerar melhorias para a população brasileira por meio do desenvolvimento que traz, ampliando postos de trabalho, desenvolvendo a infraestrutura, o comércio local, proporcionando inclusão social. No entanto, vimos nos países que foram sedes da Copa, que tais eventos também geraram processos e consequências muito negativas para os segmentos sociais historicamente excluídos. Um deles, se refere ao aumento do tráfico e da exploração sexual de mulheres para fins de prostituição, empreendido pela indústria do sexo e do tráfico que age diretamente no processo de implementação dos megaeventos.

Não se ignora o fato de que a prostituição no Brasil já é um fenômeno cuja existência vem sendo discutida por nós mulheres feministas há muito tempo. Mas a realização da Copa e dos jogos Olímpicos recoloca de maneira específica essa questão e nos dá oportunidade de pautar com mais fôlego, em cima do calor dos acontecimentos, esse processo que tende a se agravar em decorrência da realização dos jogos.

Aproximadamente 40 mil prostitutas entraram na Alemanha durante a Copa do Mundo de Futebol, sendo que na Alemanha a prostituição é legalizada desde 2002. Segundo o relatório da ONU de 2003(UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes) o tráfico de mulheres para fins de prostituição “é considerada uma das atividades criminosas mais lucrativas do planeta, perdendo somente para o tráfico de armas e de drogas”.

A finalidade de exploração sexual corresponde a 79% dos casos do Tráfico de Seres Humanos, das pessoas traficadas neste mercado 66% são mulheres. Segundo a OIT – Organização Internacional do Trabalho estima-se que o trafico de pessoas movimenta cerca de 32 bilhões de dólares por ano.

Já as estimativas do Instituto Europeu para o Controle e Prevenção do Crime, informa que cerca de 500 mil pessoas são traficadas de países mais pobres para este continente por ano. Em âmbito global, o número de mulheres e crianças traficadas anualmente atinge cerca de 4 milhões.

Os dados da PESTRAF (Pesquisa sobre tráfico de mulheres, crianças e adolescentes) indicam a existência 241 rotas de Trafico Interno e Internacional de crianças e adolescentes e mulheres para fins de exploração sexual, sendo que os principais destinos são Europa (Espanha, Holanda, Itália e Portugal) e America Latina (Paraguai, Suriname, Venezuela e Republica Dominicana). O Brasil também é pais de destino para pessoas traficadas da Nigéria, China , Coréia, Bolívia , Peru e Paraguai

As vítimas brasileiras, na maior parte provem de classes socioeconômicas desfavorecidas, com baixa escolaridade, tem filhos e exercem atividades relativas a prestação de serviços domésticos ou ao comercio. O aliciamento dessas vítimas geralmente ocorre por meio de promessas de emprego, na área doméstica, para ser dançarina ou modelo por remunerações maiores.

O debate sobre legalização e regulamentação da indústria do sexo

No contexto de megaeventos a defesa pela legalização da prostituição surge como fórmula mágica ao enfrentamento dessa questão, o debate foi colocado no caso da Alemanha e na África do Sul quando foram sedes da realização da Copa do Mundo. Não por acaso, tramita em nosso congresso uma lei de autoria do Deputado Federal Jean Wyllys batizada de “Gabriela Leite” que pretende regulamentar a prostituição tornando-a uma profissão no Brasil.

Essa medida na verdade não questiona quem são os verdadeiros beneficiários com essa regulamentação, que é na verdade mais um ato liberal do que uma preocupação com a vida das mulheres e com o sistema patriarcal de exploração a que estão submetidas. Legalizar ou regulamentar a prostituição não resolve o problema senão que legaliza um monstruoso esquema de mercantilização das mulheres.

A afirmação de que a prostituição é um trabalho voluntariamente escolhido ou que equivale ao emprego no setor de prestação de serviços ou ainda que legalizar significa defender os direitos civis e sociais das prostitutas não se sustenta.

Entre 85% e 90% das prostituídas estão submetidas ao poder de um proxeneta ou de cafetões que são os maiores beneficiados pelo comércio de mulheres, ficando com maior parte do lucro obtido com a exploração de seus corpos. Atrás desse sistema temos ainda um forte esquema de máfia, de corrupção e de escravidão de milhões de mulheres, sujeitas a um forte esquema de violência.

Em pesquisa realizada em Chicago demonstrou-se que 21,4% das mulheres que trabalham como garotas de programa e dançarinas foram violadas e violentadas mais de dez vezes, um estudo norte-americano realizado em Minneapolis revelou que 78% das pessoas prostituídas foram vítimas de violência por proxenetas e clientes, em média 49 vezes por ano; 48% foram arrancadas à força de seus lugares de origem e transportadas para outro estado e 27% foram mutiladas. Já no Canadá as mulheres prostituídas conhecem uma taxa de mortalidade quarenta vezes superior à média nacional.

De outro modo, muitas vezes usa-se a justificativa de que a legalização da prostituição permite à prostuída maior segurança e tratamento adequado. Tal fato não se comprova verdadeiro, a legalização na verdade visa atingir a integridade e legitimidade do explorador e maior segurança sanitarista ao mesmo e não às exploradas. Além é claro de que a prostituição é uma atividade altamente rentável e sua regulamentação na verdade tem como efeito estimular o crescimento da indústria sexual.

Nos países onde a prostituição foi legalizada são poucas as pessoas prostituídas que tiveram acesso a proteção: 4% nos Países Baixos, entre 5% e 8% na Alemanha, entre 6% e 10% em Viena (Áustria), 7% na Grécia. Sob essas condições pode-se mesmo afirmar que a prostituição é um ato “livre” ou de escolha individual?

M-D-M (mulher – dinheiro – mercadoria)

O ato de legalizar reduz o debate sobre os mecanismos constitutivos dessa relação que não altera as relações com o crime organizado, a dinâmica das relações mercantis e patriarcais e seu papel na opressão das mulheres. Podemos brincar um pouco aqui com a famosa fórmula de Marx no Capital, sobre a circulação simples de mercadorias:

A fórmula clássica é M—D—M(mercadoria, dinheiro, mercadoria), transformação da mercadoria em dinheiro e retransformação de dinheiro em mercadoria.

A fórmula da prostituição ficaria assim M–D–M (mulher, dinheiro, mercadoria), transformação da mulher em mercadoria. Legalizar a prostituição significa atestar que a mulher é uma mercadoria. O neoliberalismo tornou-se o principal motor do desenvolvimento da indústria do sexo, do tráfico de mulheres e de crianças para fins de exploração sexual, fortalecendo as relações comerciais do capitalismo e sustentando o mecanismo de opressão das mulheres.

Não concordamos com a criminalização das pessoas vítimas do tráfico para exploração sexual e não negamos a necessidade de um debate sério e medidas sobre o tema da prostituição, mas que devem se inserir no âmbito da construção de políticas e processos que alterem estruturalmente a vida das mulheres, que modifique as relações capitalistas patriarcais que reproduzem todos os dias a mercantilização de nossas vidas e nossos corpos.

Defendemos e continuaremos a defender nossa autonomia, bem como as decisões sobre nosso corpo por isso continuaremos a afirmar que somos mulheres e não mercadorias.

[Fonte:democraciasocialista.org.br].

Para estimular indústria, MS dará preferência a equipamentos nacionais em compras públicas

Mais de 80 itens fabricados no País poderão ser adquiridos pelo SUS a preços até 25% superiores aos  similares importados. Serão investidos R5 757 milhões para expansão do SAMU e construção de UPAs

Os equipamentos de saúde fabricados por empresas nacionais terão preferência sobre similares estrangeiros nas compras públicas para o Sistema Único de Saúde (SUS). A medida faz parte do conjunto de ações de estímulo a compras governamentais de equipamentos dentro do Programa Brasil Maior, anunciado nesta quarta-feira (27) pela presidenta Dilma Rousseff.

“O cenário de crise nos preocupa, mas não nos amedronta. Nenhum país hoje permite aventuras fiscais que não levem em conta investimentos. Vamos proteger a produção e os empregos. Vamos criar e expandir parcerias internacionais. Estamos tomando todas as medidas no país”, assegurou a Presidenta Dilma Rousseff.

Para estimular a indústria nacional, serão estabelecidas margens de preferência de 8% a 25% para compra de equipamentos adquiridos. Mais de 80 itens fabricados no País poderão ser adquiridos pelo SUS a preços até 25% que similares importados.

“Queremos estimular a indústria nacional e ampliar a capacidade de atendimento do SUS com equipamentos de qualidade. Quanto mais complexo for o equipamento e quanto maior for a necessidade da rede pública para a ampliação de sua oferta, maior será o estímulo”, detalha o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Entre as medidas de estímulo à indústria, também consta a abertura de uma linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para compra de equipamentos em saúde pelos estados e municípios.

O financiamento exigirá mínimo de 60% de índice de nacionalização para estimular a produção verticalizada de  equipamentos médicos no Brasil.  “As medidas têm como objetivo revitalizar a indústria nacional de equipamentos e reduzir a dependência do mercado internacional”, acrescenta Padilha. Segundo o ministro, o financiamento do BNDES vai permitir que estados e municípios equipem e modernizem a rede de saúde pública, desde a atenção básica até a alta complexidade.

SAMU– Também integra estas ações o investimento de R$ 757 milhões para a expansão da cobertura do Serviço de Atendimento Móvel de urgência (SAMU 192) e para a construção de Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h).Na aquisição de 2.125 ambulâncias do SAMU 192, estão sendo investidos R$ 326,2 milhões. A medida tem como objetivo renovar a frota com vida útil vencida, permitindo que o Sistema Único de Saúde atenda mais, e de maneira mais qualificada, as ocorrências recebidas no serviço. Para a construção e ampliação de 192 UPAs 24h, estão sendo direcionados recursos de R$ 431,5 milhões..

Além desses investimentos, os serviços de Atenção Básica também receberão reforços. Será empenhado o valor de R$ 1,156 bilhão para a construção de 1.253 Unidades Básicas de Saúde. Outras 5.622 UBS serão ampliadas em todo o Brasil, o que capacitará uma expansão do número de atendimentos nos postos de saúde.

MEDICAMENTOS – A Saúde foi a primeira área a adotar margens adicionais para produção estratégica, selecionando produtos biológicos com grande aplicação em oncologia e em outras doenças crônicas relevantes. A medida que estabeleceu margens de preferência para medicamentos produzidos nacionalmente, já está valendo desde maio. Estão contemplados 126 produtos de saúde, que podem ser adquiridos por preços até 25% superiores aos dos demais, de acordo com a complexidade tecnológica e a importância para o sistema público.

São 78 medicamentos e fármacos, quatro insumos e 44 produtos biológicos. A margem de preferência é calculada em termos percentuais em relação à proposta melhor classificada para produtos manufaturados estrangeiros no processo licitatório.

As compras dos medicamentos e vacinas corresponderam, em 2011, a R$ 4 bilhões (do total dos R$ 12 bilhões gastos com medicamentos) e respondem por cerca de 20% do déficit externo do setor.  Com a aplicação das margens, estima-se impacto no mercado nacional de R$ 2 bilhões e geração de cinco mil empregos, além da arrecadação adicional de R$ 50 milhões.

Agência Saúde

Alimentada pela escassez, “indústria da seca” fatura com a estiagem no Ne

A seca no Nordeste é sempre sinal de sofrimento para o sertanejo. Mas a falta de chuva também movimenta o meio político e o comércio das cidades atingidas pela estiagem. A chamada “indústria da seca” fatura alto com a falta de alimentos para os animais e de água para os moradores.

O exemplo mais conhecido no sertão –e relatado por diversos moradores ao UOL–  é o uso político na distribuição dos carros-pipa, marca registrada do assistencialismo simples. Segundo os relatos, alguns políticos visitam as comunidades e se apresentam como “responsáveis” pelo envio da água. Os moradores também reclamam da alta nos preços de serviços e alimentos para os animais.

“A prefeitura nos ajuda muito, nos mandando água por carros-pipa. Às vezes demora, mas sempre vem”, conta a agricultora Maria Gildaci, 66, de Tacaratu (PE), sempre citando que o prefeito é “quem manda” o carro para a sobrevivência dela e da família, que vive em uma pequena casa no sítio Espinheiro.

Falas como a Gildaci, agradecendo os políticos, são comuns, mas a prática está sendo combatida por organizações do semiárido. “Água é um direito, não é dada de favor. Agricultores relatam com frequência que vereadores se apresentam trazendo carros-pipa e que prefeitos estão se utilizando disso para as eleições. Estamos fazendo levantamentos e vamos tentar identificar onde isso está ocorrendo para tomarmos providências”, afirma o coordenador da ASA (Articulação do Semiárido), Naidson Batista.

Para Batista, o uso político da água é histórico no Nordeste, mas vem perdendo força nos últimos anos. “A indústria da seca, na história brasileira, é um instrumento de alguns, em detrimento de outros, para aumento de poder econômico, político ou social de determinado grupos. Embora ela venha perdendo força, não seria possível erradicar uma prática de 400 anos em apenas 10”, afirma.

Segundo o coordenador, os investimentos cobrados, como poços, barragens e cisternas, não foram feitos a contento ao longo dos anos, o que facilitou a política assistencialista. “Isso faz parte da indústria da seca, pois deixa o sertanejo vulnerável, à espera sempre de ações emergenciais.”

O diretor do Polo Sindical do Médio São Francisco da Fetape (Federação dos Trabalhadores em Agricultura de Pernambuco), Jorge de Melo, também relata que políticos e fazendeiros ainda se aproveitam da seca para lucrar. “É só começar a escassez de alimentos para ter gente aumentando o preço das coisas. É o que chamam da lei da oferta e procura. Além disso, há um claro uso político, que vem sendo combatido e está enfraquecendo, mas ainda existe no sertão”, diz.

Para tentar reduzir o desvio político da água, o governo de Pernambuco anunciou, na última quarta-feira (16), que os carros-pipa contratados pelo Estado serão equipados com GPS e terão fiscalização dos conselhos de desenvolvimento dos municípios –que ficarão responsáveis por enviar relatórios mensais sobre o cumprimento dos cronogramas.

Ganho econômico

Além do uso político, muitos setores da economia também faturam com a venda de produtos. Um dos exemplos é a palma (espécie de cacto que serve de alimento para o gado). Segundo os moradores, o preço da tarefa de palma (equivalente a uma área plantada de 3.053 m²), que antes da estiagem ficava em torno de R$ 1.200, hoje chega a custar até R$ 2.500 em algumas localidades de Alagoas e Sergipe.

“Quem tem sua palma plantada para os seus animais não quer vender. Agora a seca é boa para aqueles que plantam a palma como investimento e estão vendendo mais caro e lucrando muito”, citou o produtor Vilibaldo Pina de Albuquerque, de Batalha (AL).

O carro-pipa também é um negócio rentável. Os preços cobrados pelos “pipeiros” no sertão inflacionaram com a seca. “Existe, e muito, a indústria da seca. Um exemplo: antes, a prefeitura contratava um carro-pipa por R$ 100 para lavar o matadouro. Hoje, para o sujeito trazer a mesma quantidade de água ele obra R$ 200. E olhe que o preço do combustível não subiu e ele pega água no mesmo lugar”, afirma o secretário de Infraestrutura de Batalha (AL), Abelardo Rodrigues de Melo.

Em Sergipe, os investidores estão comprando carros-pipa para ganhar dinheiro. “Hoje, quem tem um dinheiro sobrando está comprando um carro-pipa para distribuir água. Demanda é o que não falta. Aqui estamos precisando de mais, mas não há”, diz o coordenador da Defesa Civil de Poço Redondo (SE), José Carlos Aragão. “E o carro-pipa não é a solução, e só uma política emergencial. Hoje você leva a água, amanhã já precisa de novo. É um investimento de curta duração.”

Na cidade sergipana –a mais afetada do Estado, com 15 mil pessoas atingidas pela estiagem–, o movimento de carros-pipa é intenso e atua em diversos setores da economia. Na oficina de Antônio Rodrigues, cresceu a procura por consertos dos caminhões. “Hoje 30% do que faturo é com esses carros. Contratei até uma pessoa para me ajudar, porque a procura é grande e tem caminhão aqui todo dia. Queria não ter mais esse serviço, que aqui chovesse e o povo parece de sofrer. Mas estou trabalhando dignamente.”
Melhores condições

Para o economista Cícero Péricles, apesar da “indústria da seca” ainda existir, as condições de enfrentamento do sertanejo à seca atual são melhores do que aquelas enfrentadas na última grande estiagem, em 1998.

“Há mais de uma década a política de água obteve ganhos consideráveis pela entrada das cisternas e barragens subterrâneas nos espaços da agricultura familiar, reforçando os antigos instrumentos, como os poços artesianos, tubulares, barreiros, açudes e adutoras. A presença dos órgãos públicos mudou da intervenção exclusivamente assistencialista e emergencial para instituições públicas, com maior capilaridade, municipalizadas, que fazem a cobertura permanente com os programas sociais. A ampliação da Previdência Social no campo, assim como de programas de transferências de renda, a exemplo do Bolsa família, reduziram em muito a pobreza absoluta no meio rural”, afirma o economista.

Uol