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FENAJ realiza o I Encontro Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial

fenajMaceió será sede do I Encontro Nacional dos Jornalistas pela igualdade Racial (I Enjira). O evento, que deve reunir cerca de 100 participantes representando todos os estados do Brasil, é uma realização da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal), como parte integrante da programação do 36º Congresso Nacional dos Jornalistas, que acontecerá no período de 2 a 6 de abril do próximo ano, no Centro de Convenções, em Jaraguá (http://36congressojornalistas.com/enjira/).
Com o tema “Os jornalistas e a construção da Igualdade Racial na Mídia”, o I Enjira tem como objetivo fomentar um diálogo sobre o tema etnia e raça e seus desafios na mídia brasileira, traçando encaminhamentos para a implementação de ações afirmativas voltadas à igualdade racial nos veículos de comunicação social e nas assessorias de imprensa das esferas privada e pública.

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A realização do encontro é uma antiga aspiração dos coletivos de jornalistas que lutam contra o racismo e em defesa de ações afirmativas na mídia existentes nos sindicatos da categoria de vários estados, a exemplo do Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiros do Rio Grande do Sul e das Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojiras) de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Alagoas, Paraíba e Bahia. Por considerar a importância do tema, a Fenaj criou a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira).
Programação do I ENJIRA
02 DE ABRIL DE 2014 – Quarta feira
09h00 – Credenciamento
09h00 – Abertura
09h30 – Painel “Os jornalistas e a construção da igualdade racial na mídia”
– Cleidiana Ramos – Repórter especial no jornal A Tarde (BA) e premiada na categoria Mídia Impressa do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento – 2013;
– Washington Andrade – Jornalista, diretor-geral do Portal Áfricas;
– Rosane Borges – Coordenadora do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra.
11h00 – Debate
12h00 – Almoço
13h30 – Grupos de Trabalhos (GT’s)
15h30 – Plenária
17h00 – Encerramento
Fonte: premioabdiasnascimento

Igualdade entre mulheres e homens na política brasileira levará 250 anos

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Luis Macedo / Câmara dos Deputados

Apesar da vitória de Dilma Rousseff nas últimas eleições presidenciais, o Brasil vem despencando, ano a ano, no ranking mundial de participação de mulheres na política. No ritmo dos últimos cinco pleitos, o País ainda levará 252 anos para que a Câmara dos Deputados, por exemplo, tenha igual número de homens e mulheres.

A conta foi feita pelo demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, coordenador dos cursos de pós-graduação da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, ligada ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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O número de mulheres na “câmara baixa” (no caso do Brasil, na Câmara dos Deputados) é o parâmetro da avalição mundial feita pela Inter-Parliamentary Union. No País, elas ocupam apenas 44 (ou 8,6%) das 513 cadeiras.

No Senado, são 13 mulheres para 81 postos — ou 16% do total.

Os dados da Inter-Parliamentary Union referem-se à situação mundial em 1º de janeiro deste ano.

Hoje, o Brasil ocupa a 124ª posição entre os 148 países pesquisados. Há 15 anos, havia 29 deputadas na Câmara brasileira, o que garantia ao País o 79º lugar entre 129 nações. Ou seja: apesar de a situação no Brasil ter melhorado, no resto do mundo, a ampliação de vagas para mulheres ocorre mais rapidamente.

Com isso, o Brasil hoje aparece atrás de países como o Mali, internacionalmente conhecido pela prática da mutilação genital feminina. A nação africana possuiu 14 mulheres entre os 145 parlamentares – ou seja, elas ocupam  9,5% do congresso, 0,9 ponto porcentual acima da estatística brasileira.

Cotas

O demógrafo Alves afirma que a desigualdade entre os sexos na política brasileira não se deve a um preconceito do eleitor:

— Podemos notar que, nas últimas eleições presidenciais, por exemplo, Dilma Rousseff e Marina Silva, juntas, obtiveram dois terço dos votos. O gargalo para que a participação da mulher na política não está na população, mas nos partidos políticos.

Alves afirma que, no sistema político brasileiro, a regra que exige que 30% dos candidatos de cada coligação sejam do sexo feminino não é suficiente para alavancar a igualdade:

— Os partidos, de modo geral, podem colocar candidatas na disputa para cumprir a lei, mas não se esforçam para elegê-las, não investem nas candidaturas femininas. As cotas, a meu ver, funcionam bem em sistemas políticos com lista fechada, como ocorre na Argentina.

No sistema de lista fechada, o eleitor não vota no candidato, mas no partido.  Dependendo do número de votos, o partido coloca uma certa quantidade de candidatos no parlamento — a ordem de entrada é definida pelo próprio partido. Com isso pode haver exigência de que a lista seja composta alternadamente por homens e mulheres.

Cidades das mulheres

Se a situação da Câmara dos Deputados não é das melhores para a igualdade de gêneros na política, pequenas cidades são exemplos de que pode haver forte participação feminina na vida pública.

A pequena Fronteiras, cidade de 11 mil habitantes no interior do Piauí, é a cidade com maior proporção de mulheres na Câmara: são seis vereadoras, ante três vereadores. A segunda colocada nesse é também do Piauí. Trata-se de Barras, município de 44 mil habitantes, com oito mulheres e cinco homens em seu parlamento.

No total, segundo levantamento de Alves, 23 cidades têm mais mulheres do que homens na Câmara Municipal. O País têm 5,5 mil municípios.

A média da política regional é melhor que a nacional: 13,3% dos assentos de vereador e 12.1% das prefeituras são ocupados por mulheres.

Eleições 2014

Apesar de Dilma Rousseff ter ampliado a participação de mulheres nos ministérios, fortalecento figuras políticas femininas, como Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti, e outros postos importantes — como a presidência da Petrobras —, Alves afirma que ainda é cedo para prever o se isso terá algum efeito na eleição de 2014.

— O que é interessante notar é que a presença da ministra do Supremo Cármen Lucia como presidente do TSE em 2010 melhorou o cumprimento das cotas. Ela levou a questão adiante e cobrou os partidos que não cumpriam as regras.

 

 

R7

Comissão de Feliciano derruba projetos sobre igualdade de gênero e raça

(Foto: José Cruz/ABr)
(Foto: José Cruz/ABr)

Em meio a um protesto solitário a favor do aborto, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara rejeitou nesta quarta-feira (4) um projeto de lei que estabelecia normas de igualdade de gênero e raça nas condições e oportunidades de trabalho e na remuneração no serviço público.

O texto foi derrubado pela bancada evangélica porque determinava que “servidores públicos terão igualdade de oportunidades e de trato, independentemente de sua etnia, religião, opinião política, gênero e orientação sexual”.

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A proposta ainda determinava que “as denúncias de violência e assédio sexual ou moral ocorridos no ambiente de trabalho contra servidor público serão apurados pelo órgão competente no prazo máximo de trinta dias, a contar da apresentação de denúncia escrita”.

Sob o comando do deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), a comissão aprovou o parecer do deputado Marcos Rogério (PDT-RO), que recomendou a rejeição do projeto e aprovação de uma outra proposta, mas com um texto mais flexível.

O projeto alternativo determina a referência aos gêneros masculino e feminino na alusão a cargos, empregos e funções públicas, prevendo inclusive o emprego de neologismo para assegurar a flexão de gênero, como governador e governadora.

Segundo o pedetista, a proposta tem um vício de origem ao estabelecer uma casta diferenciada da sociedade. “Não podemos patrocinar na lei qualquer tipo de discriminação. Eu defendo a igualdade constitucional. Não há necessidade de fragmentar a sociedade”, afirmou.

A comissão também rejeitou um segundo projeto que cria “mecanismos para prevenir e coibir toda e qualquer discriminação praticada nos procedimentos administrativos ou judiciais perante o Estado”.

A justificativa é de que a Constituição “já reconhece de modo inequívoco o caráter odioso da discriminação e do preconceito, fundados em aspectos como a raça, o sexo, a idade e a origem. Condutas dessa natureza são passíveis de condenação na esfera penal, sem prejuízo da correspondente reparação civil”.

Apesar da rejeição, os projetos serão analisados por outras comissões da Câmara, se forem derrotados mais uma vez serão arquivados. Se houver divergência, seguem para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

PROTESTO

Após a aprovação das matérias, a Comissão de Direitos Humanos começou a debater a questão do aborto no país. Foram convidados representantes do Ministério da Saúde e religiosos.

A discussão foi interrompida por um protesto solitário. Uma mulher, que se identificou apenas como Maria, jogou tinta vermelha no próprio corpo, simulando sangue.

Ela começou a gritar palavras de ordem como “corpo da mulher” e “o Estado é laico”. A mulher foi retirada da Câmara por agentes da Polícia Legislativa.

Folha

Fátima Bezerra, empossada presidente do TJ-PB, diz que sonha com igualdade de oportunidades e de gênero

Secom-TJ
Secom-TJ

A primeira mulher a gerir o Tribunal de Justiça da Paraíba tomou posse na tarde desta sexta-feira (1), em sessão solene ocorrida no Fórum Cível Desembargador Mário Moacyr Porto. Maria de Fátima Morais Bezerra Cavalcanti é a desembargadora que marca na história do Poder Judiciário estadual, ao ser a primeira mulher a integrar a Corte paraibana, alcançando, agora, o cargo de presidente do TJPB, no biênio 2013-2015.

A nova mesa diretora que assume junto à desembargadora Fátima Bezerra é composta, também, pelos desembargadores Romero Marcelo da Fonseca Oliveira (vice-presidente) e Márcio Murilo da Cunha Ramos (corregedor-geral de Justiça).

A cerimônia teve início com a exibição de um vídeo-relatório da gestão do desembargador Abraham Lincoln da Cunha Ramos, que deixou o cargo satisfeito com a nova mesa diretora. “Uma mulher de vocação assume o Tribunal e eu afirmo que a magistratura paraibana e o povo paraibano podem estar seguros de que os próximos dois anos serão muito profícuos. A Justiça será célere em virtude do foco da desembargadora em torno da conciliação e mediação”, disse.

Emocionada, a nova gestora do Tribunal agradeceu às presenças, falou do sonho da democracia e de uma sociedade mais justa, com igualdade de oportunidades e de gêneros. Quanto à gestão, afirmou que pretende construí-la com base na “eficiência e humanização, com plena e ampla transparência”.

A desembargadora aproveitou a ocasião para falar das ações que pretende executar à frente da administração do TJ, entre eles, a expansão do Processo Judicial Eletrônico (PJe); nomeação de servidores para suprir a carência de material humano nos quadros do Judiciário; incentivar à prática da conciliação; otimizar as rotinas administrativas; humanização dos trabalhos; entre outros.

“O Judiciário que eu quero não abre apenas as portas para o povo: vai até ele, procurando-lhe oferecer algo novo”, afirmou a desembargadora-presidente Fátima Bezerra Cavalcanti, assumindo o compromisso de aperfeiçoar os trabalhos judicantes da Paraíba.

O evento contou com a presença de autoridades jurídicas, políticas, eclesiásticas, entre eles, o governador do Estado da Paraíba, Ricardo Coutinho; ministros Og Nicéas Fernandes (STJ) e Francisco Falcão (CNJ); deputado Ricardo Marcelo (Assembleia Legislativa); senador Vital do Rego; deputado federal Benjamin Maranhão, prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo e conselheiro Fábio Nogueira, presidente do Tribunal de Contas/PB.

 

 

Assessoria

Entidades destacam avanços nesses dois anos de Estatuto da Igualdade Racial

Dois anos após a entrada em vigor do Estatuto da Igualdade Racial, representantes do movimento negro avaliam que houve avanços no atendimento de demandas históricas ligadas à população negra no país. Eles reconhecem, no entanto, que é preciso implementar de forma mais efetiva políticas e ações que garantam o combate à discriminação, a defesa de direitos e a igualdade de oportunidades.

Depois de tramitar por quase uma década no Congresso Nacional e ter sido sancionando pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o estatuto, com 65 artigos, entrou em vigor em 20 de outubro de 2010, mas ainda tem pontos que precisam de regulamentação. Está em fase de conclusão o levantamento do grupo de trabalho criado pelo governo para definir os pontos do estatuto que precisam de regulamentação e fazer um balanço sobre o que já está sendo desenvolvido na área de promoção da igualdade racial na esfera pública.

Para uma das coordenadoras da organização não governamental (ONG) Criola, Lúcia Xavier, o principal ganho trazido por ele foi a consolidação de políticas voltadas a esta parcela da população e a consequente responsabilização do Estado pelo cumprimento das ações. “O estatuto retirou do contexto temporário algumas políticas que antes eram realizadas esporadicamente, conforme a vontade dos governos, como as ações afirmativas destinadas ao enfrentamento das desigualdades étnicas, a proteção à cultura, às terras quilombolas e à saúde principalmente da mulher negra.”

No campo da saúde, o documento estabelece, entre outras responsabilidades, que é dever do poder público garantir que “o segmento da população negra vinculado aos seguros privados de saúde seja tratado sem discriminação”. Prevê ainda “ampliação e fortalecimento da participação de lideranças dos movimentos sociais em defesa da saúde da população negra” no controle social do Sistema Único de Saúde (SUS), o fomento à realização de estudos e pesquisas sobre saúde da população negra e a inclusão desse conteúdo nos processos de formação e educação permanente dos trabalhadores do setor.

Lúcia Xavier acredita que a definição das diretrizes garantiu uma “fonte jurídica segura” para que os governos nas três esferas de poder tomem medidas mais efetivas.

Por outro lado, a coordenadora da organização defende que haja avanços mais concretos nos processos de reconhecimento das terras quilombolas e nas políticas voltadas a essas comunidades, como o enfrentamento à desnutrição, e direcionadas ao fortalecimento da juventude negra.

O conselheiro estratégico do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas, Ivanir dos Santos, também considera o Estatuto da Igualdade Racial um “importante marco legal”, mas lamenta a lentidão com que seus efeitos são percebidos na prática. Segundo ele, o maior avanço registrado durante seu período de vigência foi a implantação da Lei de Cotas, regulamentada pelo Decreto nº 7.824, publicado esta semana no Diário Oficial da União. Ele destacou, no entanto, que a proposta de criação de cotas para negros nas universidades foi retirada do estatuto durante tramitação no Congresso.

“A existência do estatuto merece aplausos na medida em que nacionaliza uma política de ação afirmativa, mas lamentavelmente o ponto que foi retirado de seu texto durante a tramitação é exatamente o que garantiu maior impacto neste período. Ainda temos que batalhar muito para que as mudanças previstas sejam tiradas do papel”, disse. Ivanir dos Santos defendeu, para isso, que em todas as esferas de governo sejam destinados recursos mais “robustos” às políticas de promoção da igualdade racial.

Agência Brasil

Igualdade de gênero na política pode levar 148 anos, diz pesquisador

A representatividade feminina nas câmaras municipais do País ainda é pouco significativa. Nas eleições municipais de 2008, das 51.903 cadeiras disponíveis, apenas 6.504 foram ocupadas por mulheres. No pleito deste ano, das 57.365 disponíveis, 7.655 foram ocupadas por mulheres, ou seja, menos de 15%. Segundo o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), o ritmo é lento e, caso se mantenha, fará com que o Brasil atinja a paridade de gênero em espaços de poder municipais somente daqui a 148 anos. O Global Gender Gap Report, publicado em 2011, coloca o Brasil como o País com a maior desigualdade de gênero na política da América do Sul, ocupando o 87º lugar no ranking geral e a 114ª posição em representatividade política.

O demógrafo destaca que, desde as recomendações da Conferência Internacional das Mulheres de 1995, em Pequim, muitos dos países adotaram com sucesso políticas de quotas. “Argentina, Costa Rica e Cuba; todos passaram para mais de 40% de representatividade feminina. Países da África, como Moçambique e Angola também chegaram perto de 40%”, afirma.Ele aponta o funcionamento do sistema eleitoral nesses países como um fator que contribui para o resultado melhor. “Na Argentina, as eleições são com listas fechadas. Se o partido lança 30 candidatos e consegue eleger 10, para cada 2 homens uma mulher será, no mínimo, eleita”, explica.

Apesar dos dados, a socióloga da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Fátima Pacheco Jordão afirma que o “a melhora é perceptível”. E destaca: “É uma evolução da sociedade, com um papel mais importante das mulheres no mercado de trabalho, no sindicalismo e no partido”. Para ela, a melhora não é mais expressiva porque o Brasil começou muito recentemente a ter liderança femininas de peso. “Temos agora Dilma e Marina como referências. A Argentina tem Evita Perón há quantas décadas?”, exemplificou.

Exigência
Apesar do avanço modesto do número de mulheres eleitas para o legislativo municipal, o Brasil teve um crescimento mais expressivo no que se refere à quantidade de candidaturas femininas, que foi de 21,9% em 2008 para 31,9% do total no pleito deste ano.

O demógrafo credita o salto à mudança do verbo “reservar” pelo “preencher” na Lei 12.034, de 2009, em que se lê “do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo”. Para Alves, quando vigorava o termo “reservar” a lei fazia com que, na prática, partidos guardassem as vagas para mulheres mas as preenchessem frequentemente com homens.

Ele vê o resultado do aumento, no entanto, com reservas. E diz que os partidos podem lançar mão dos chamados candidatos laranjas para preencher tal exigência. E cita que coincidentemente cresceu muito o número de donas de casa candidatas.O número de candidaturas de donas de casa deste ano foi em torno de 20 mil, porém, pouco mais de 2% (cerca de 440) foram eleitas. Esta foi a quarta profissão mais listada entre os candidatos.

Para Fátima Pacheco Jordão, as candidaturas femininas são deixadas em segundo plano na distribuição de recursos dos partidos, apesar das mulheres representarem um papel importante em suas estruturas. “São mais do que 50% dos militantes inscritos nos partidos”, diz.

Preconceito
José Eustáquio Diniz Alves discorda da ideia de que o brasileiro reluta em eleger mulheres por preconceito. “As pesquisas mostram que o eleitorado vê com bons olhos a candidatura feminina. Geralmente não discrimina, mas não vota em qualquer pessoa; ele não vai votar na Mulher Pêra só porque é mulher”. Ele toma o desempenho de Marina Silva e da atual presidente Dilma Rousseff nas eleições presidenciais de 2010 como indícios de que o eleitorado não discrimina mulheres. “O Brasil é um dos poucos países em que 67% dos eleitores votaram em mulheres para a Presidência da República.”

Fátima Pacheco Jordão destaca que as duas candidatas tiveram também grande apoio do eleitorado masculino, mesmo na comparação com a candidatura do tucano José Serra. “Muitos homens votaram nas duas. Se o eleitorado fosse só de homens, Dilma teria sido eleita no primeiro turno”. Para o sociólogo Hilton Cesario Fernandes, que escreveu sua tese de mestrado sobre as eleições presidenciais de 2010, o voto feminino tende a ser mais moderado do que o masculino. Para ele, Dilma teria recebido menos apoio desse eleitorado não por ser mulher, mas por ser vista como menos experiente do que o candidato do PSDB naquele pleito.

Alves indica a democratização interna dos partidos como a melhor ferramenta para o aumento da representatividade feminina. “O partido que começar a adotar a paridade vai colher bons frutos e os outros partidos terão que fazer o mesmo”, diz. No início de setembro, o Partido dos Trabalhadores (PT) foi o primeiro do Brasil a mudar seu estatuto para que 50% de seus cargos de direção sejam ocupados por mulheres.

Agência Estado

Fortalecido, PSB negociará eleições de 2014 em pé de igualdade com PT e PSDB

O bom desempenho do PSB no primeiro turno destas eleições, a exemplo do que ocorreu em 2010, credencia a sigla a negociar os acordos partidários com vistas ao pleito de 2014 em pé de igualdade com o PT, partido do qual já é aliado em âmbito nacional, e o PSDB, legenda com a qual está coligada em outras cidades, como em Belo Horizonte. Essa é a avaliação de lideranças do partido e de analistas políticos.

“A gente não vai ficar fazendo projeto do que vai ser 2014 agora. Nós vamos decidir no processo histórico. É claro que essa eleição reorganiza o campo político no Brasil. Ela deixa muitas possibilidades diante da cena criada. Mas o que vai dizer o que vamos ter efetivamente em 2014 é o processo que estamos vivenciando hoje”, afirmou o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB.

O cenário eleitoral deste ano foi marcado pelo rompimento entre PT e PSB em duas cidades emblemáticas: Belo Horizonte e Recife, capitais em que, sob influência do senador tucano Aécio Neves e de Eduardo Campos, o partido impôs derrotas históricas no até então aliado, o PT, mesmo com o envolvimento de ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff. Em Fortaleza, os dois partidos também romperam a aliança e agora se enfrentam no segundo turno.

Apuração

Recife PE

100% das urnas apuradas

Geraldo Julio PSBE

51,15% 453.380 votos

Daniel Coelho PSDB

27,65% 245.120 votos

Humberto Costa PT

17,43% 154.460 votos

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Em Belo Horizonte, socialistas e petistas estavam juntos desde 1993, e, em Recife, há 12 anos. No caso da capital pernambucana, o candidato Geraldo Julio (PSB), apadrinhado por Campos e desconhecido do eleitorado, cresceu vertiginosamente e venceu no primeiro turno, derrotando o tucano Daniel Coelho (PSDB) e Humberto Costa (PT), apoiado por Lula.

A vitória de Geraldo Julio foi uma demonstração do poderio de Eduardo Campos, que também pode ser demonstrado no restante de Pernambuco, onde seus aliados alcançaram vitórias em 170 dos 184, conquistando os maiores colégios eleitorais –Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Caruaru.

Para Campos, com o resultado nacional alcançado pelo PSB no primeiro turno (com 416 prefeitos eleitos no país), o partido passará a ser visto com mais respeito na política nacional. “O PSB vem crescendo desde sua fundação. Agora o partido passou a ser mais visto. Mas essas eleições marcam a passagem da fase adolescente para a fase adulta”, disse.

O desempenho credencia Campos a vislumbrar uma candidatura para a sucessão presidencial em 2014, embora o socialista evite tocar no tema e afirme que o PSB manterá a aliança com o PT em âmbito nacional. Nos bastidores, entretanto, especula-se a possibilidade dos socialistas se unirem com tucanos daqui a dois anos.

“Essa é a grande dúvida. Todo o mundo quer saber o que o Eduardo Campos vai fazer ao deixar o governo”, afirma David Fleischer, professor de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasília).

“Em nível nacional, o governador Eduardo Campos também terá vitórias expressivas [nas eleições de 2012]. O PSB sai fortalecido. Uma eventual aliança entre Eduardo Campos e Aécio Neves é uma novidade para 2014”, acrescenta o cientista político Rodrigo Mendes Ribeiro, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Para a senadora Lídice da Mata, presidente do PSB da Bahia, o crescimento da sigla “é apenas a expressão de um partido que se afirma”. “É um movimento natural. O fato de nós sermos aliados do PT não quer dizer que nós sejamos subservientes a um projeto político único. Nós somos parte desse projeto político e queremos ser protagonistas nele.”

Em Salvador, a exemplo de São Paulo e Goiânia, o PSB apoiará candidatos do PT no segundo turno.

PT perde Belo Horizonte

Já na capital mineira, o rompimento entre PSB e PT se deu após quase quatro anos de desgaste durante o atual mandato de Marcio Lacerda (PSB), cuja candidatura em 2008 foi apoiada por petistas e tucanos. O estopim para a cisão foi a negativa dos socialistas em fechar com o PT na coligação proporcional para vereadores.

Apuração

Belo Horizonte MG

100% das urnas apuradas

Marcio Lacerda PSBRe

52,69% 676.215 votos

Patrus Ananias PT

40,80% 523.645 votos

Maria da Consolação PSOL

4,25% 54.530 votos

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Com a vitória de Lacerda –“cria” de Aécio Neves– sobre Patrus Ananias (PT) já no primeiro turno, o PT ficou praticamente isolado, já que a coligação de Lacerda, com 19 partidos, terá 32 das 41 cadeiras da Câmara dos Vereadores. De quebra, o PT perde seu principal foco de resistência ao grupo de Aécio Neves em Minas Gerais.

Aécio nunca admitiu publicamente que a saída do PT do campo de apoio ao PSB mineiro era um desejo seu e do PSDB, mas, para Mendes Ribeiro, é algo que o beneficiará. “Aécio Neves sai fortalecido no segundo maior colégio eleitoral do país. Ele ganhou uma eleição no próprio terreno dele. No confronto direto com a Dilma, ele venceu no território dele”, disse o professor.

A eleição de Lacerda pode ainda ser considerada uma vitória regional de Aécio sobre Dilma Rousseff, que chegou a participar de um comício de Patrus na reta final da campanha.

Aécio roda o país

Além do envolvimento no pleito da capital mineira, Aécio passou por várias cidades de Minas Gerais para tentar ajudar seus aliados políticos. E rodou o país ao lado do presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra. “Ele teve uma participação importante nessa campanha. Apareceu muito, pôs a cara”, avaliou o cientista político da UFMG.

Entre 24 de setembro e 2 de outubro deste ano, antes de entrar de cabeça na disputa em Belo Horizonte, Aécio participou de eventos políticos em 13 cidades situadas em nove Estados –Rio Grande do Sul, Paraíba, Sergipe, Piauí, Pernambuco, Bahia, Alagoas e Espírito Santo. Já nos últimos 12 meses, Aécio circulou por 35 cidades de 22 Estados.

Apuração

Fortaleza CE

100% das urnas apuradas

Elmano PT2ºT

25,44% 318.262 votos

Roberto Claudio PSB2ºT

23,32% 291.740 votos

Heitor Ferrer PDT

20,97% 262.365 votos

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“Tive a oportunidade de não apenas ficar mais conhecido, mas de conhecer um pouco mais a realidade de cada uma dessas regiões”, disse Aécio, ao UOL, no último sábado (6). “O que fiz foi prestar minha solidariedade aos meus companheiros do Brasil inteiro. Foi muito enriquecedor. Confesso que aprendi muito.”

PT x PSB em Fortaleza

Em disputas que prometem ser acirradas, o PSB ainda enfrentará o PT no segundo turno em CuiabáMauro Mendes (PSB) versus Lúdio Cabral (PT)– e Fortaleza.

Na capital cearense, depois de um primeiro turno acirrado entre Elmano de Freitas (PT), candidato da prefeita, Luizianne Lins (PT), e Roberto Claudio (PSB), apoiado pelo governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), e seu irmão Ciro, os próximos dias devem esquentar e consolidar mais a recente rixa entre os partidos na capital.

Apesar do racha, os candidatos da oposição acusam que Elmano e Roberto fizeram uma espécie de pacto de não agressão por serem de um único grupo unido desde a eleição de Luizianne à prefeitura da capital, em 2004. Os dois lados, naturalmente, negam.

PSB derrotado em Curitiba

Em Curitiba, o cenário foi o oposto ao de Belo Horizonte: o prefeito Luciano Ducci (PSB), apoiado pelo PSDB do governador Beto Richa, sequer foi ao segundo turno –passaram para a segunda etapa Ratinho Júnior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT). Ducci foi derrotado por uma diferença de apenas 4.402 votos para Fruet, candidato apoiado pelo governo federal.

Apuração

Curitiba PR

100% das urnas apuradas

Ratinho Junior PSC2ºT

34,09% 332.408 votos

Gustavo Fruet PDT2ºT

27,22% 265.451 votos

Luciano Ducci PSB

26,77% 261.049 votos

Ver placar de apuração completo

A derrota do PSB na capital paranaense expôs também a derrota de um grupo político que há 24 anos dominava o executivo municipal e do qual participaram nomes como o ex-prefeito e ex-governador Jaime Lerner, hoje no PSB carioca, e Beto Richa.

Nessa segunda (8), em Curitiba, Richa minimizou a derrota do aliado e disse não ver relação entre as eleições locais e eventual desgaste ante 2014.

“Antigamente existia uma facilidade de transferência de voto; hoje, o eleitor é focado nada ou quase nada nos apoiadores ou padrinhos políticos”, disse. Richa citou os casos de Humberto Costa e Márcia Lopes, candidata derrotada em Londrina, como exemplos de apadrinhados que também não vingaram ao segundo turno.

*Reportagem de Carlos Eduardo Cherem, Guilherme Balza e Rayder Bragon, em Belo Horizonte; Janaina Garcia, em Curitiba; Aliny Gama, em Fortaleza; Carlos Madeiro, no Recife; e Felipe Amorim, em Salvador.

Uol

Prorrogadas as inscrições para o Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero

O objetivo é estimular e fortalecer a pesquisa sobre as desigualdades entre homens e mulheres

As inscrições para a 8ª edição do Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero foram prorrogadas até o dia 19 de outubro. O Prêmio é uma iniciativa da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Educação (MEC) e da ONU Mulheres. O objetivo é desenvolver  a reflexão crítica e a produção científica em torno das desigualdades existentes entre homens e mulheres no Brasil, contemplando as abordagens de classe social, geração, raça-etnia e sexualidade.

Participantes

Para participar da categoria de Mestre ou Estudante de Doutorado, o candidato deve ter obtido o título de mestre ou estar cursando o doutorado em instituição reconhecida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculado ao MEC. Nesses casos serão escolhidos os dois melhores artigos científicos

Wilson Dias/ABr Plano Nacional de Políticas para as Mulheres propõe políticas de igualdade e justiça social para as brasileiras

  • Plano Nacional de Políticas para as Mulheres propõe políticas de igualdade e justiça social para as brasileiras

Entre os candidatos ao prêmio da categoria Graduação, poderão participar àqueles que estejam regularmente matriculados em cursos reconhecidos pelo MEC. Assim como a categoria anterior, serão selecionados os dois melhores artigos científicos.

Os estudantes de Ensino Médio devem estar cursando escolas públicas ou privadas reconhecidas pelo MEC, ou em escolas da Rede Federal de Educação de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.

Nas Categorias de Graduado, Especialista e Estudante de Mestrado e Mestre e estudante de doutorado serão oferecidas quantias em dinheiro e Bolsa de Mestrado e Doutorado no País.

Premiações

Os valores serão diferenciados, de acordo com a categoria, e podem chegar até R$10 mil, além de outros prêmios como computadores, Laptops e bolsas de estudo no País pelo CNPq.

Na categoria Estudante de Ensino Médio são duas possibilidades: “Etapa Nacional” e “Etapa Unidade da Federação”. Ao todo, serão 27 vencedores/as, um/a por estado e Distrito Federal, que serão agraciados com computadores, impressoras e bolsas de estudo.

Já nas categorias “Estudante de Graduação”, “Graduado, Especialista e Estudante de Mestrado” e “Mestre e Estudante de Doutorado”, serão premiados os seis melhores artigos científicos, sendo dois selecionados em cada categoria. Ao todo, nessas últimas categorias, os/as vencedores/as receberão bolsas de estudo e premiações em dinheiro no valor de R$ 46 mil.

Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero

É um concurso de redações, artigos científicos e projetos pedagógicos, dirigido a estudantes de Ensino Médio, Graduação, Pós-Graduação e Escolas da Educação Básica na área das relações de gênero, mulheres e feminismos, contemplando suas interseções com as abordagens de classe social, geração, raça, etnia e sexualidade.

Mais informações na página eletrônica do CNPq

 

Portal Brasil

 

Morre Eduardo de Oliveira, um lutador da igualdade racial

 

Morreu na tarde dessa quinta-feira (12) Eduardo Ferreira de Oliveira, ex-vereador pelo PDC, em 1958, um dos primeiros militantes negros e tido por todos como o mais aguerrido. Aos 86 anos, diagnosticado com problemas no coração, o professor Eduardo, como era carinhosamente chamado por todos, sofreu uma insuficiência renal por conta de uma arritmia cardíaca. Morre um guerreiro, mas sua luta permanece como um exemplo a ser seguido.


Professor Eduardo de Oliveira / foto: CGTB

O velório ocorrerá a partir das 22h, desta quinta, no Hall do Plenário Primeiro de Maio, 1º andar, Câmara Municipal de São Paulo, Viaduto Jacareí, 100, Centro. O enterro está marcado para às 15h deta sexta-feira (13), no Cemitério da Lapa, o cemitério da Goiabeira – Rua Bérgson, 347, Lapa, São Paulo, SP.

Diversas organizações do movimento negro já emitiram notas de pesar pela morte do militante incansável. “Era o militante do militante do movimento negro mais velho na atualidade. Ele tinha a consciência profunda de quem era os inimigos do Brasil, do povo, e ele tinha foco em sua luta. Ele nos ensinou como lutar. Durante toda a sua vida ele militou e contribuiu para a igualdade racial. É uma perda que vai emocionar todo movimento porque é como um pai de todos nós que vai embora”, declarou emocionado Edson França, presidente da União de Negros e negras pela Igualdade (Unegro).

Edson, que integra o Conselho Nacional da Igualdade Racial ao lado do professor Eduardo de Oliveira, fez questão de mencionar alguns pontos da trajetória dele, como quando compôs o Hino à Negritude, aprovado no Congresso Nacional e aguardando sanção presidencial. Também fundou o Congresso Nacional AfroBrasileiro (CNAB) e um dos responsáveis pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial.

“Como conselheiro da República, enfrentou a todos para a aprovação do estatuto. Encarou olho no olho a todos que já tentaram sufocar a luta do povo negro. Ele defendeu todas as bandeiras de luta negros e negras”, lembrou o dirigente da Unegro.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a Confederação das Mulheres do Brasil, a Federação árabe Palestina do Brasil (Fepal), e a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) também divulgaram notas.

“O movimento negro brasileiro perde hoje, 12 de julho de 2012, um dos seus mais longevos e ilustres militantes, o professor Eduardo de Oliveira. Sem nunca perder a crença de que ainda poderemos viver uma sociedade livre do racismo, o autor do Hino à Negritude nos deixa contribuições importantes como poeta, jornalista, escritor, primeiro vereador negro da cidade de São Paulo, presidente e principal articulador do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB)”, diz um trecho da nota da Seppir.

“Sempre foi um lutador e muito lúcido. Ele estava numa lucidez tremenda, apesar da idade avançada. Por isso, não esperávamos essa notícia agora”, comentou Sandra Mariano, da Conem.

Eduardo de Oliveira era viúvo desde 2009 e deixou seis filhos, além de netos e bisnetos. “Um eterno lutador. Essa é a imagem que fica de alguém que lutou a vida inteira para combater a discriminação racial não somente no Brasil, mas no mundo”, declarou José Francisco Ferreira de Oliveira, 54 anos, filho do professor Eduardo. Ele também lembrou da importância que seu pai teve na inserção da discussão racial dentro dos partidos políticos. Atualmente, militava no Partido Pátria Livre.

Eduardo de Oliveira também escreveu livros como “Quem é quem na negritude brasileira (registro salutar sobre personalidades negras da nossa história)” e poesias. Em uma delas, intitulada Banzo, disse:

“Eu sei, eu sei que sou um pedaço d’África
pendurado na noite do meu povo.
Eu sinto a mesma angústia, o mesmo banzo
que encheram, tristes, os mares de outros séculos,
por isto é que ainda escuto o som do jongo
que fazia dançar os mil mocambos…
e que ainda hoje percutem nestas plagas.”

Deborah Moreira, do Vermelho
Focando a Notícia

Reparação e Promoção da Igualdade Racial de Salvador são discutidas em JP

 

 

O secretário Municipal da Reparação (SEMUR) de Salvador (BA), Ailton dos Santos Ferreira, estará em João Pessoa nesta sexta-feira, 6, para falar da experiência de sua Secretaria na capital baiana. A partir das 15 horas ele participa de uma roda de diálogo com ativista do movimento negro paraibano no auditório do Sindicato dos Trabalhadores/as em Educação do Município (SINTEM).

“Na pauta deveremos discutir as ações afirmativas de combate ao racismo e de promoção da igualdade racial na cidade de João Pessoa, para fundamentar a cobrança por políticas públicas desta área aqui na Paraíba, inclusive com vistas a reforçar a demanda deste movimento social por criação de uma secretaria específica, nos moldes da SEMUR de Salvador, na estrutura governamental também aqui na nossa capital”, detalha Dalmo Oliveira, representante do Fórum Paraibano de Promoção da Igualdade Racial (FOPPIR).

A reunião com Ferreira tem apoio do Setorial de Combate ao Racismo do PT paraibano, que convidou para o evento simpatizantes, filiadas e filiados, candidatas e candidatos do partido nas eleições deste ano para discutir a temática, a partir da experiência da secretaria soteropolitana. “Consideramos que essa temática deva ser discutida de forma transversalizada dentro de uma proposta de projeto de governo que queremos consolidar em João Pessoa”, diz a psicóloga Socorro Pimentel, coordenadora do Setorial na Paraíba.

SERVIÇO

O QUE É: Roda de diálogos com o secretário Municipal da Reparação (SEMUR) de Salvador (BA), Ailton dos Santos Ferreira

QUANDO: sexta-feira, 06/07

QUE HORAS: 15

ONDE: SINTEM – Avenida Tabajaras 799 – Centro, (83) 3222-6125 (Próximo ao Sebo Cultural)

FOTO: BERNARDES COMUNICAÇÃO SSA

FÓRUM PARAIBANO DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL

(83) 9665 0161

Assessoria de Imprensa para o Focando a Notícia