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Hortas nas escolas: educação verde e alternativa ao digital

Cada vez mais as escolas e os educadores em geral têm buscado alternativas ao digital em salas de aula. A “invasão” dos aparelhos celulares tornou-se um fenômeno incontrolável. Apesar dos muitos benefícios que isso pode trazer, separar os pequenos dos olhares constantes nas telinhas é uma missão importante e que deve ser cumprida.

Segundo o site 365dicas uma alternativa que tem surgido em diversas localidades do país é a instituição das hortas nas escolas. É uma busca não por remover as novas tecnologias das vidas das crianças, mas sim uma tentativa de incluir em seu cotidiano novas atividades e novas formas de se divertirem.

A importância da educação ambiental

A educação ambiental é de grande relevância no século XXI por inúmeras razões. Em tempos em que se fala e que se presencia tanto os efeitos do aquecimento global, educar as novas gerações para as mazelas que a falta de cuidado com o meio-ambiente pode trazer é fundamental.

Nas escolas, a construção de hortas e mesmo de pequenos pomares é também uma maneira muito interessante de aliar teoria e prática. Em uma fase de tantas abstrações como é a infância, as crianças precisam de estímulos que sejam capazes de lhes revelar noções sobre a realidade.

Dessa forma, é louvável que estejam proliferando em todo o país projetos de criação de hortas. Eles exploram a relação das crianças com a natureza, principalmente em grandes metrópoles, em que pouco contato há com o “natural”.

A educação ambiental ainda é capaz de desenvolver uma consciência sobre as próprias ações nas crianças. É principalmente nesse sentido que as hortas escolares surgem. Ao dar aos pequenos a oportunidade de cuidarem de suas próprias plantinhas, eles percebem sobre o impacto que suas atitudes e que os seus hábitos têm no seu dia a dia.

Atividade interdisciplinar

Em termos pedagógicos, ter uma horta na escola é importante também para a dinâmica escolar. Por exemplo: em que grupo ou disciplina curricular encaixaríamos esse tipo de projeto? Nenhum e ao mesmo tempo todos.

Torna-se importante dizermos que esse tipo de atividade engloba uma série de temas pertinentes a muitas disciplinas. Ecologia é o principal, é claro, mas a alimentação e a nutrição também estão presentes. Por que não ensinar às crianças sobre os benefícios de uma rotina alimentar mais saudável por meio da plantação de vegetais?

Os educadores e a escola se beneficiam muito com esse tipo de prática. Ao gerarem situações reais de aprendizado, conseguem avaliar com muito mais clareza a evolução dos alunos. Ao sair dos quadros negros e dos cadernos de avaliação para a rua, a dinâmica de aprendizado muda completamente. Deixa de ser abstrata, estática para ser algo palpável e real.

Autonomia e autoconsciência

Com certeza os maiores beneficiados com esse tipo de projeto são as crianças. Como mencionamos acima, tornam-se indivíduos mais conscientes a respeito do meio em que vivem. Passam a questionar, mesmo que minimamente, os hábitos de consumo da família, dos vizinhos e dos coleguinhas.

De acordo com professores que levaram esse projeto adiante, foi possível notar também maior autonomia e maior desenvoltura por parte dos pequenos. Tornaram-se mais questionadores em relação a pequenas situações do cotidiano. Passaram a refletir sobre os lanches que levam ou consomem na escola e viram-se mais maduros em relação ao desperdício alimentar.

O projeto da horta escolar é benéfico ainda para a comunidade escolar como um todo. O envolvimento dos pais é recomendado e essencial, principalmente quando passam a ser questionados pelas crianças sobre o cotidiano familiar.

As crianças são gatilhos, visto que elevam seu aprendizado a outras esferas sociais. Mais do que um projeto interdisciplinar, ele é uma prática social que busca o bem-estar comunitário.

Educação verde x educação digital

Uma coisa não exclui a outra. É errado pensarmos que retirar das crianças os aparelhos celulares é a solução para que aprendam melhor. Essas ferramentas, felizmente ou não, são inerentes às novas gerações, devendo, portanto, serem vistas exatamente como o que são: ferramentas de estímulo ao aprendizado.

Em relação à educação digital, nada impede que um projeto como o da horta escolar se alie ao uso de tablets, smartphones e objetos do gênero. Nada melhor do que usar a tecnologia para otimizar um projeto que só traz benefícios a todos.

 

 

Técnico formado pelo Senar desenvolve hortas em unidades prisionais da Paraíba

Projeto incentiva produção de hortaliças em quatro presídios da PB

A agricultura periurbana está presente em quatro unidades prisionais da Paraíba graças ao trabalho e visão de um egresso do curso Técnico em Agronegócio do Senar. Edson Firmino conseguiu aliar a paixão pelo agro à sua rotina de trabalho como agente penitenciário e o resultado foi um trabalho social que transforma a vida de detentos em todo o Estado.

O agente penitenciário teve seu primeiro contato com o agro na propriedade rural dos avós, em Casinhas, no interior de Pernambuco. Com o intuito de ajuda-los na gestão da produção de hortaliças, Edson decidiu fazer o Curso Técnico em Agronegócio do SENAR. Durante as aulas, ele percebeu que poderia ligar seu trabalho, a época na Unidade Prisional Padrão de Santa Rita, à agricultura.

“Dentro do curso, eu entendi que a cultura de hortaliça é de consumo diário, ou seja, alguém sempre vai estar comprando e alguém sempre vai estar consumindo. E quando olhava para as áreas ao redor do presídio, via que tinha oportunidade muito grande para uma produção ali, só precisava descobrir se esse projeto era viável ou não”, explica Edson.

O trabalho desenvolvido pelos detentos também contribui para a remissão da pena. A cada 3 dias de serviço há redução de 1 dia na condenação.

A questão se tornou no trabalho final de conclusão do curso. Edson descobriu que se plantasse 13 itens que o presídio comprava, economizaria dois terços do que o Estado paga por esses mesmo produtos. Ele mostrou a pesquisa para o diretor do Presídio Padrão de Santa Rita da época, Cícero Júnior, que pediu pra Edson implantar o projeto lá.

Juntos, eles investiram uma quantia inicial de 600 reais para implantação e pediram ajuda ao SENAR para criar parcerias que doaram compostos orgânicos, cursos para compostagem e kits de irrigação de microaspersores.

“Trabalhos como o de Edson transformam realidades e incentivam a produção do agronegócio com responsabilidade social e ambiental. É nosso papel como instituição de ensino incentivar a atividade. Nós acreditamos em projetos inovadores e que tem esse perfil social de transformação”, afirma a coordenadora da Rede e-Tec Brasil na Paraíba, Poliana Queiroz.

Poliana Queiroz, coordenadora regional da Rede e-Tec Brasil na ParaíbaPara sua realização, o projeto passou por três fases. A etapa de consumo, que consiste em análise de solo, preparo dos 4 mil m², depois montagem da área de semeadura com plantio das bandejas.

A segunda etapa é a comercial. Edson fez contato com vendedores de mercados de João Pessoa que garantiram a compra do que for produzido do interesse deles. Isso resultou na produção de folhosas – rúcula, alface roxa, americana, coentro e cebolinha –, mais viáveis para se produzir sem que haja um preparo muito grande da terra.

A renda gerada pela comercialização, deverá cobrir os custos da produção e ainda gerar uma renda de aproximadamente R$ 750,00 que será destinada às famílias detentos.

A última etapa é a ampliação. O projeto começou com 12 apenados em Santa Rita, na região metropolitana da capital, e agora já está instalado em outros três presídios no Estado: Presídio Feminino, Sílvio Porto e Penitenciaria Agrícola. Por isso, Edson foi transferido e agora coordena o projeto em João Pessoa.

“Eu acho essa iniciativa muito boa porque me dá trabalho, cuido da minha família e porque eu gosto de plantar. Meu trabalho antes era na construção civil, como pedreiro, mas sempre apreciei o campo. É muito gratificante ver algo que eu cultivei. Quando eu sair daqui eu quero trabalhar na agricultura, porque é na horta que eu gosto de estar. Me sinto bem aqui”, comenta o detento da penitenciária agrícola.

Nos dias de visita, quartas e domingos, eles não trabalham na horta. Todos os outros dias a lida inicia pela manhã e dependendo da necessidade, trabalham 8 horas, mas a carga horária pode variar de acordo com a rotina das unidades.

O agente espera que essa atividade se torne um projeto-lei que seja implantado em todas as classes prisionais e escolas públicas com sua adaptação orçamentária. “Eu acredito na ocupação, e acredito na mão-de-obra prisional. É uma oportunidade para eles conhecerem algo diferente do que as 23 horas que ficam trancados numa cela. Esse projeto é meu voto de confiança neles”, defende.

Assessoria de Comunicação Sistema Faepa/Senar-PB