Arquivo da tag: homossexualidade

Sandra de Sá admite homossexualidade: ‘Assumir é tirar um peso de você que não existe’

sandra de saSandra de Sá falou abertamente sobre sua orientação sexual durante uma entrevista a Marília Gabriela. A cantora afirmou que ser homossexual não é uma questão de escolha.

“Acho que não tem essa de escolha. É uma descoberta, é você se perceber. A homossexualidade é como a inteligência ou qualquer outro dom. Você desenvolve”, afirmou ela, que participou do programa “De frente com Gabi”.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

A cantora admitiu: “Se eu tive essa percepção, por que não vivê-la? Assumir é tirar um peso de você que não existe”.

Sandra de Sá já foi casada e tem um filho, o ator Jorge de Sá.

 

polemicaparaiba

Homossexualidade na telenovela brasileira: liberação ou reprodução de preconceitos?

CC/DIVULGAÇÃO TV GLOBO
CC/DIVULGAÇÃO TV GLOBO

O tema da homossexualidade, ou do homoerotismo, ou da homoafetividade, como preferem alguns, é praticamente sinônimo de polêmica em se tratando de Brasil, um país de ampla maioria cristã. Portanto, com uma população pouco simpática às relações sexuais fora dos padrões chamados heteronormativos, baseados nas relações homem x mulher, no casamento e no sexo para procriação. Nos últimos anos, devido à presença cada vez maior do tema na televisão e na Internet, principalmente, a polêmica parece ter crescido. E, para completar, a recente eleição de um pastor evangélico para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, acusado de homofobia e racismo, bem como as declarações do Papa Francisco sobre os gays durante a Jornada Mundial da Juventude, realizada no Brasil – “quem sou eu para julgar os gays” -, acirraram os ânimos do povo, criando uma verdadeira divisão entre militantes contrários e prós homossexualidade.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Polêmica é sinônimo de audiência e a televisão brasileira está sabendo tirar muito bem proveito disso, em especial por meio do seu principal produto interno e para exportação, a telenovela. No horário das 21h, considerado o mais nobre da televisão, a atual novela, “Amor à vida”, da Rede Globo, bateu o recorde de personagens homoafetivos na trama, pelos menos três. Até a TV Record, cujo proprietário, o bispo Edir Macedo, é líder da Igreja Universal do Reino Deus, conhecida por seu fundamentalismo em se tratando da questão homossexual, já tem personagens gays em suas novelas. Mas a pergunta é: de que forma esses personagens são apresentados?

Irineu Ramos Ribeiro, autor do livro “A TV no armário”, lançado pelas Edições GLS, em entrevista a Aditalafirma que nunca se falou tanto do tema na televisão brasileira e, para ele, o balanço atual é mais positivo do que negativo. Ou seja, as personagens estão cada vez mais próximas do que acontece na vida real. Na sua avaliação, a televisão teve que ceder às pressões de grupos gays organizados e da própria sociedade. “A mídia eletrônica só funciona na pressão e essa pressão demandava que fossem mostradas personagens gays de forma mais visível e menos jocosa”, afirma. Ele reconhece que o Brasil ainda está distante do nível de abordagem do tema por TVs de outros países, como a Alemanha e os Estados Unidos, e acredita que ainda há um longo caminho a percorrer, mas que a televisão brasileira vai chegar lá.

Nos EUA, para a construção de personagens homossexuais, os roteiristas consultam regularmente a organização não governamental Glaad (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation). O objetivo é evitar abordagens que difamem e excluam cada vez mais a figura do homossexual. O Brasil está longe disso, mas ao mostrar personagens em situações e com caráter de gente “normal”, para Ribeiro, há uma clara evolução. É o caso, por exemplo, do casal Eron e Niko, de “Amor à vida”, em que um deles se envolve sexualmente com uma amiga mulher, e também do vilão Félix, uma das personagens de maior destaque da telenovela brasileira na atualidade (fotos). “Quando se mostra que um gay pode, eventualmente, ter relações sexuais com mulheres sem que, por isso, ele deixe de ser homossexual; ou que um gay pode ter falhas de caráter, isso está representando o que acontece na realidade”, salienta o escritor, que também é editor de uma revista de turismo gay, Via G, e membro do Centro de Estudos e Pesquisa em Comportamento e Sexualidade (CEPCoS).

Apesar de toda essa evolução, em pleno século XXI, manifestações de afeto e de relações sexuais ainda ficam de fora das cenas envolvendo as personagens homossexuais nas telenovelas brasileiras. Até hoje, só um beijo entre lésbicas foi registrado, na novela “Amor e revolução”, do SBT, em 2011. Os valores religiosos conservadores ainda seriam o principal motivo para a ausência de manifestações de afeto e de desejo sexual. Ribeiro afirma que, em relação ao sexo, principalmente, o forte caráter religioso da população brasileira ainda inibe esse tipo cena. Não por acaso, o livro de Ribeiro, lançado em 2010, revela como as emissoras ainda se pautam pelo preconceito.

Plábio Marcos Martins Desidério, professor da Universidade Federal do Tocantins, no artigo “Ficção e Homossexualidade na Tv Brasileira: de Eduardo e Hugo à Félix”, afirma que, mesmo que os escritores queiram abandonar estereótipos que foram e ainda são representados na televisão, eles acabam adotando representações da família tradicional, heterossexual, moderna e burguesa. Para ele, as mídias sociais talvez sejam, hoje, o principal termômetro em que os escritores e as emissoras utilizam para avaliar a produção televisiva.

No artigo “Personagens homossexuais nas telenovelas da Rede Globo: criminosos, afetados e heteressoxualizados”, Leandro Colling, pesquisador associado do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT) e professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), relata que, na década de 70, os gays nas telenovelas da Globo eram ligados com a criminalidade e a maioria era efeminada, afetada ou baseada em estereótipos. Na década de 80, a emissora começou a alternar personagens efeminados e afetados com personagens ditos “normais”, que não demonstravam nenhum traço que os distinguisse dos demais.

“Uma parte significativa dos personagens não mantém relação com ninguém e, quando isso ocorre, as cenas de sexo ou mesmo beijos não são exibidos. Ou seja, a televisão não mostra exatamente o principal aspecto que nos diferencia dos heterossexuais: com quem fazemos sexo. Além disso, a partir da década de 90, verificamos que, quando os personagens não são afetados, eles passam a se comportar dentro de um modelo heteronormativo”, assinala Colling.

por Benedito Teixeira,da Adital

Pai agride filho de 16 anos por não aceitar homossexualidade

sireneUm pecuarista de 46 anos foi indiciado pelos crimes de tortura e injúria por ter agredido o filho adolescente em Três Lagoas, a 338 km de Campo Grande. De acordo com a Polícia Civil, a família afirma que o pai não aceita a homossexualidade do garoto.“É uma violência absurda pautada pela homofobia”, resume o delegado responsável pelas investigações, Paulo Henrique Rosseto de Souza. O suspeito permaneceu calado durante o depoimento.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Conforme divulgado pela Polícia Civil, as agressões aconteceram na madrugada de segunda-feira (29). A mãe do adolescente contou aos policiais que o marido bateu no filho e tentou trancá-lo em um quarto sem energia elétrica porque não aceita a opção sexual do garoto.

A mulher relatou à Polícia Civil que o pecuarista bateu no rosto do menino, o derrubou no chão, subiu em cima dele, continuou a agredi-lo com socos e tapas e dizia que ele tinha que apanhar porque era gay.

Diante da situação, irmãos do adolescente e a mãe o levaram para a casa da avó, onde foi novamente agredido pelo pai que chegou ao local em seguida. De acordo com as declarações da mulher à polícia, o pecuarista deu socos e pontapés no adolescente, bateu a cabeça dele no chão e dizia que o filho estava “endemoniado”.

Ainda conforme a Polícia Civil, o próprio agressor levou o menino ao hospital e no caminho amarrou uma corda na perna do garoto, ameaçou jogá-lo do carro e arrastá-lo na rua caso não mudasse a opção sexual.

O Conselho Tutelar foi acionado e encaminhou mãe e filho à Polícia Civil já pela manhã. O hospital não avisou a Polícia sobre a violência e, segundo o delegado Paulo Henrique Rosseto, será apurado porque a unidade de saúde não fez a comunicação.

A mulher do pecuarista alegou também ter sido agredida verbalmente pelo marido e pediu medidas protetivas para que o esposo não se aproxime dela nem do filho. O pedido está em análise pelo Poder Judiciário. Conforme o delegado, o agressor já saiu da residência onde morava com a família.

Situação grave

Conforme o delegado, o adolescente fez exame de corpo de delito e está com lesões no rosto e nas pernas. Os machucados poderiam ter sido mais graves, caso a mãe não tivesse tirado o filho de casa, levando em consideração que o pecuarista pesa mais que o dobro que o filho. “O pai tem 120 quilos e o filho, 50 kg”, fala a autoridade policial.

De acordo com Paulo Henrique Rosseto, o conflito na família existe pelo menos desde o ano passado. “A situação se arrasta há certo tempo. Há alguns boletins de ocorrência desde 2012. São ameaças, violência doméstica”, diz, explicando que o pecuarista ainda não havia sido punido porque as vítimas decidiam não dar continuidade aos procedimentos.

Para o delegado, a violência do pai ao filho por ele ser homossexual é “situação do século passado”. “A opção sexual é direito de cada um e deve ser respeitada”.

Paulo Henrique Rosseto explica que o Código Penal não tipica homofobia como crime, mas, pela descrição da situação, as agressões aconteceram porque o pai não aceita a opção sexual do filho.

Vítimas e testemunhas já foram ouvidas pela Polícia Civil. O pecuarista foi chamado para depoimento, mas, optou por ficar em silêncio. Ele foi à delegacia acompanhado de advogado

G1

Estudante ‘criou’ estupro coletivo na Paraíba para esconder homossexualidade da família, conclui Polícia

Delegado Pedro Ivo (Foto: 190PB)
Delegado Pedro Ivo (Foto: 190PB)

Um desfecho surpreendente para as investigações. A Polícia Civil da Paraíba concluiu neste sábado (27), o inquérito policial sobre o suposto estupro coletivo envolvendo uma adolescente de 14 anos, na cidade de Santa Rita, região metropolitana de João Pessoa, no dia 10 de abril deste ano. De acordo com o delegado Pedro Ivo, que presidiu as investigações, ficou comprovado que a estudante criou a história para esconder a homossexualidade.

“Não ocorreu o crime. A estudante confirmou durante depoimento que não foi sequestrada na frente da escola, não foi colocada em van e nem foi estuprada por cinco homens. Ela criou a história para esconder da família que é lésbica. Ela estava em Campina Grande onde foi encontrar com uma ‘namorada’, após marcar um encontro no Facebook. Como demorou para retornar para cassa e temendo reprimenda da família, a garota disse que tinha sido estuprada”, revelou o delegado de Homicídios, Pedro Ivo.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

O delegado revelou que após o crime ser noticiado todo o efetivo investigatório da Secretaria de Segurança Pública da Paraíba foi mobilizado para elucidar e, possivelmente, prender os supostos envolvidos.

“Durante semanas, a gente se debruçou no caso e a medida que as investigações iam se aprofundando, o desfecho nos levava para um caso inusitado. Ouvimos 12 pessoas entre famílias, amigos da estudante e comerciantes, onde a vítima disse que foi levada, e coletamos muitas provas”.

De acordo com o delegado, a estudante foi submetida a exames periciais onde foram coletados materiais genéticos para prender os supostos estupradores. “A adolescente passou por exames, mas o resultado não ficou pronto. Como ela percebeu que a gente estava perto de descobrir o caso, a estudante abriu o jogo e disse que não foi estuprada”.

Segundo Pedro Ivo, como não houve crime, o caso foi encerrado. “Foi um ato de irresponsabilidade da menor inventar um estupro que não aconteceu. O caso ganhou proporção nacional”.

No dia 10 de abril, a estudante procurou a Polícia Militar informando que foi estuprada por cinco homens quando ela saía do Colégio Carlos Chagas, no bairro do Tibiri II, em Santa Rita. Segundo a PM, a menor disse que estava nas proximidades da escola quando foi abordada por dois homens que a obrigaram a entrar em uma van onde mais três rapazes a esperavam. Em contato os policiais, a adolescente relatou que os acusados colocaram um pano no rosto dela e a doparam.

À época, o pai da garota confirmou que ela teria sido levada para um matagal e supostamente estuprada pelos criminosos. Após ‘a consumação do estupro’, os acusados teriam deixado a adolescente na avenida Campina Grande, três horas depois, no mesmo bairro onde teria sido raptada.

O fato foi noticiado na Paraíba dias depois da repercussão nacional de um estupro coletivo de uma turista no Rio de Janeiro. O depoimento do namorado da turista americana à Polícia carioca ocorreu no dia 9 de abril. Um dia depois, teria ocorrido um caso parecido com a estudante paraibana, que, agora, foi desmascarado.

 

 

Hyldo Pereira

Prefeito assume homossexualidade: ‘Não fazia sentido esconder quem eu amo e respeito’

Edgar de Souza já ocupou a cadeira de vereador por três mandatos consecutivos (Foto: J. Serafim)
Edgar de Souza já ocupou a cadeira de vereador por três mandatos consecutivos (Foto: J. Serafim)

O prefeito de Lins (SP), Edgar de Souza (PSDB), foi o único candidato homossexual assumido a se eleger nas eleições de 2012 em todo o país ao cargo de chefe do Executivo, segundo levantamento da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). Sociólogo formado, ligado à igreja católica e à teologia da libertação, o prefeito começou cedo na política. Em entrevista ao G1, Edgar contou que, apesar dos ataques dos adversários na campanha do ano passado, sua trajetória na vida pública foi o principal motivo para obter 53,23% dos votos válidos e garantir a eleição.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

“Hoje sou muito feliz. Extremamente feliz. Por que se incomodar com a sexualidade alheia? Quem tem convicção da sua não se incomoda com a do outro. No que a minha sexualidade te atrapalha? Essa invasão da vida íntima das pessoas é feita de forma pejorativa. Dizem que sou anormal. Eu sou normal, não sou azul, não tenho três braços. Na vida pública a gente preza pela transparência, não fazia sentido esconder quem eu amo e quem eu respeito”, afirma.

Por que se incomodar com a sexualidade alheia? Quem tem convicção da sua não se incomoda com a do outro”
Edgar de Souza, prefeito de Lins

Atualmente com 34 anos, Edgar começou a conquistar a confiança da população aos 21 anos, com o início do primeiro mandato como vereador. A homossexualidade, no entanto, ainda não era declarada. De lá para cá, ele seguiu como vereador por outros dois mandatos consecutivos até sair candidato a prefeito no ano passado.

Em 2004, na reeleição para vereador, surgiram os primeiros comentários sobre sua posição sexual. Mas não tão forte quanto na eleição para a cadeira principal da prefeitura. A questão da homossexualidade só foi abordada por ele em público na campanha durante o último comício antes do pleito municipal. Ele falou no palanque: “Eu não tenho que esconder com quem eu vivo, quem eu amo. Se eu esconder, não mereço ser prefeito de vocês. Deus me ama como homossexual”.

Já sua vida íntima sempre foi usada para receber ataques dos adversários. Segundo Edgar, os políticos tentaram usar sua opção sexual para atrapalhar a candidatura. “Nunca usei a homossexualidade para levar uma bandeira e tudo o que eles tentaram fazer caiu por terra. Minha opção não define meu caráter e meus votos foram devido à minha história política.”

Na campanha, ele afirmou que a sexualidade não era relevante para o processo eleitoral. Mas para os concorrentes, sim. “Estão rolando dois inquéritos na polícia sobre panfletos distribuídos com fotos minha com meu companheiro. Foram enviados pelos Correios de 5 mil a 10 mil cartazes. No material tinha uma foto minha com Alex. Ele com a cabeça deitada no ombro e com vários corações.”

Prefeito assumiu a homossexualidade em público durante o último comício antes do pleito municipal

Outra ataque político conseguiu ser interceptado às véspera do dia da votação. “É comum que panfletos sejam distribuídos nas ruas. Equipes trabalharam na madrugada para evitar que o panfleto fosse espalhado. Tratava de um panfleto com minha foto como uma drag queen, com uma peruca horrorosa.”

Hoje, depois de mais de 100 dias à frente do comando da cidade, Edgar afirma que só pensa em um futuro melhor para a população de Lins. Como chefe do Executivo, ele fala que vai dar sua cara na administração, mas brinca que não vai pintar as ruas de cor-de-rosa. “Não vou pintar as ruas de rosa. Não tem a menor possibilidade de laço ou de rosa. E o rosa não é a cor do movimento gay: é colorido. Quero fazer uma administração moderna e fazer a cidade dar um salto de qualidade. Lins tem um potencial logístico extraordinário. Você não faz nada de bom se você não pensar grande. Não posso mudar o Brasil, mas esse pedacinho do país vai ser mudado.”

Adolescência
O prefeito contou que sofria demais quando tinha relação com algum homem ainda na adolescência. A primeira relação sexual foi com um rapaz aos 14 anos. “Na hora tem o desejo, mas depois vinha a carga religiosa, a carga moral. Era um sofrimento danado. Chegava em casa chorando. Tomava banho e esfregava o braço até quase sair a pele. Ficava sentindo o cheiro da pessoa e me virava o estômago. Em programas de televisão que discutiam a homossexualidade, as pessoas falavam que se libertavam aos 19 anos. E daí eu falava que precisava me curar. E por coincidência ou algo que a própria mente projetou, aos 19 anos eu me assumo também pra mim. Sair do armário não tem que ser para os outros. Tem que ser para você. Esse é o grande passo porque você rompe a barreira da depressão, do sofrimento”, avisa.

Edgar de Souza afirma que também fez sexo com mulheres. A primeira vez, aos 16 anos. Atualmente, o prefeito de Lins tem uma relação estável há 9 anos com outro homem, Alex, de 31 anos. Os dois trocaram alianças depois da eleição no ano passado e moram juntos em uma casa com dois meninos, de três e dois anos, além damãe das crianças. Elas foram adotadas depois de um problema com o pai, que é dependente químico.

Me senti muito ofendido quando o Marco Feliciano colocou no Twitter que o destino da criança criada por casais homoafetivo é ser vítima de pedofilia. É uma idiotice que não tem tamanho.”
Edgar de Souza, prefeito de Lins

Religião
Na vida pública, Edgar sofreu preconceito dentro da igreja, mas ele diz que está com a consciência tranquila. “A minha formação cristã fez eu reconhecer que Deus me ama como homossexual. Dentro da igreja sempre tive a consciência muito tranquila. Tive um problema de embate pessoal com a doutrina quando houve a publicação de um documento do Vaticano do Papa Bento XVI, que falava que os homossexuais não poderiam atender ao sacerdócio. Mas a vivência nas comunidades é muito maior do que isso.”

A opção sexual dividiu seus apoiadores religiosos na campanha eleitoral. “Durante a campanha tive apoio de vários pastores e de muitas igrejas evangélicas. Não podemos generalizar. Obviamente também tiveram vários pastores que foram contra por conta da minha homossexualidade. Também tiveram católicos mais conservadores que acham que a homossexualidade é um problema.”

Marco Feliciano
O deputado e pastor Marco Feliciano (PSC), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara (CDH) e é alvo de protestos por todo o país, também deixou o prefeito de Lins indignado com algumas declarações. “Me senti muito ofendido quando o Marco Feliciano colocou no Twitter que o destino da criança criada por casais homoafetivo é ser vítima de pedofilia. É uma idiotice que não tem tamanho. A maior parte de casos de pedofilia acontece em relações heterossexuais, porque a maior parte das pessoas é hetero. Larga a mão de ser idiota falar uma coisa dessa. Ele coloca todo mundo sob suspeição. Sabe aquela coisa, se na rua tem um traficante todo mundo se torna traficante.”

Apoio nas ruas
Nas urnas, Edgar de Souza conquistou 53,23% dos votos válidos. E nas ruas da cidade, os moradores não se incomodam com a homossexualidade do prefeito. O que eles querem é avaliar o trabalho como administrador de Lins. “Acho que não tem nada a ver. Cada um faz aquilo que gosta. Ele é um cara que veio da roça e uma pessoa muito boa. Esperamos que ele faça o bem para a cidade”, disse o funcionário público aposentado, Sebastião Germano da Silva.

Outra moradora também é a favor de discutir apenas o desenvolvimento da cidade. Para a garçonete Tânia Aparecida Rodrigues, a opção sexual de Edgar não deve ser envolvida com a condição de prefeito. “Jamais vai atrapalhar ele na prefeitura. Não interfere nas coisas da cidade. Queremos que ele faça Lins crescer. A opção sexual é um assunto particular. A cidade inteira sabe que ele é gay.”

 

Edgar, de 34 anos, mantém relação há nove anos com Alex, de 31 anos (Foto: Divulgação / Edgar de Souza)Edgar, de 34 anos, mantém relação há nove anos com Alex, de 31 anos (Foto: Divulgação / Edgar de Souza)

G1