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Racismo e extermínio: dominicanos caçam, matam e expulsam haitianos

haitianosUma verdadeira caçada humana com requintes de perversidade está acontecendo na República Dominicana. Esta semana, uma discussão entre o haitiano conhecido como Tikiki e o dominicano Cheling Betre, que foi vice-prefeito da cidade de Las Maltas, na República Dominicana, desencadeou uma caçada que provocou incêndios e mortes, incluindo a decapitação de uma criança.

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Uma discussão acalorada sobre o pagamento de um serviço a menor ao haitiano Tikiki, que deveria receber 1.000 pesos e só lhe foi pago 450 por Betre, culminou com o político sacando uma arma e disparando contra o haitiano que revidou simultaneamente com um golpe de facão. Ambos feridos, foram socorridos, mas o vice-prefeito morreu no dia seguinte, na quarta-feira, 19 de março.Desde então, os haitianos estão sendo caçados naquela região. Relatos dos refugiados dão conta de uma mãe que fugiu com seu bebê, foi alcançada e o bebê decapitado na sua presença.

A xenofobia dos dominicanos perdeu o controle depois da publicação da decisão racista do Tribunal Constitucional Dominicano, a TC 168/13, que expatriou, em outubro do ano passado, haitianos e seus descendentes. Episódios violentos têm acontecido cada vez com mais frequência contra os cerca de 210 mil haitianos e seus descentes atingidos pela decisão retroativa, que alcança, indiscriminadamente, milhares de pessoas nascidas naquele país e retiraram-lhes a nacionalidade dominicana a que têm direito. Uma caçada insana que vai de encontro a todos os tratados internacionais e que pode se tornar equivalente do que o holocausto dos judeus pelos nazistas.

O caso de Las Maltas

Na última segunda-feira, o Grupo de Apoio a Repatriados e Refugiados (GARR) financiou a volta de 63 refugiados de Las Maltas às suas cidades-natal, entre eles 21 crianças entre 11 meses e 14 anos, que haviam chegado a cidade de Thomassique (na fronteira Central), entre os dias 22 e 23 deste mês. Originados de Cabo Haitiano, Petite Rivière de l’Artibonite, Léogâne, l’Estère, Hinche, Cerca Cavajal e da própria Thomassique, os haitianos expatriados relataram que não conseguirão recuperar as propriedades e pertences deixados na República Dominicana, pois temem ser vítimas da violência dos dominicanos, que agem às vistas das autoridades sem que contenham a onda de violência.

“Eu não vou me deixar ser morto pelos dominicanos, que não têm nenhum respeito pela vida dos haitianos. Eu escapei de mãos vazias com minha esposa e seis filhos. Felizmente, estamos aqui em nosso país”, disse ao GARR Cineus, que teve a casa queimada com tudo dentro. A haitiana Edith foi outra que deixou tudo pra trás e fugiu com um bebê de colo através das áreas montanhosas para salvar a vida do filho.

Jean Robert Pierre, vice-prefeito de Thomassique, cidade fronteiriça que recebe centenas de haitianos expatriados, reclamou da falha na administração da fronteira comum, que não ajuda financeiramente os haitianos expatriados ou expulsos abruptamente do país vizinho. “Lamentamos não sermos capazes de acomodar adequadamente os nossos irmãos e irmãs haitianos, porque nós não temos os meios para oferecer-lhes a assistência necessária”, disse, elogiando as entidades que ajudam a reconduzir essas pessoas às suas cidades, como faz o GARR.

Caçadas freqüentes

 

Não é a primeira caçada a haitianos registrada. No final de novembro de 2013, cerca de 1.283 haitianos também foram perseguidos pelos dominicanos depois de um duplo assassinato na localidade de Neiba (Jimani). Por medo de represálias, os migrantes fugiram para a cidade fronteiriça de Cornillon/Grand Bois (oeste do Haiti) através das regiões montanhosas. Alguns deles foram repatriados na fronteira de Jimani/Malpasse.

Ainda por medo de represálias, muitos cidadãos haitianos cruzaram a fronteira por Saltadère, Tilori e Savane Cloux,na mesma situação dos foragidos de Thomassique. Em Savannah en Cloux, o GARR já recebeu 34 pessoas, incluindo 14 crianças e um bebê de 15 meses, alguns feridos durante o trajeto, que receberam os primeiros socorros no Hospital São José de Thomassique. Por lá, souberam do caso do haitiano Pierre Onel, de Petite Rivière de l’ Artibonite, que foi queimado junto com sua casa, conforme denunciou a esposa Editha Elie.

 

Adital

De cada três haitianos, dois passam fome

 

Três anos após o terremoto que dizimou o país e matou centenas de milhares de pessoas e apesar da promessa feita pelos Estados Unidos para o Haiti se “reconstruir melhor”, a fome no país é pior do que nunca.

 

Reuters

HaitiAo menos 1,5 milhões de haitianos sofrem de desnutrição e outros problemas relacionados com a fome

Apesar dos bilhões de dólares comprometidos de todo o mundo, e dos programas de reconstrução, os problemas alimentares do país evidenciam quão vulneráveis seguem sendo os 10 milhões de habitantes.

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Em 1997, quase 1,2 milhões de haitianos não tinham alimentos suficientes para comer. Uma década depois, o número aumentou mais que o dobro. Hoje, 6,7 milhões, ou 67% da população passa dias sem comer, não pode ter uma dieta equilibrada ou limitou o acesso aos alimentos, de acordo com pesquisas realizadas pela Coordenação Nacional de Segurança Alimentar do governo. Além disso, ao menos 1,5 milhões sofrem de desnutrição e outros problemas relacionados com a fome.

Grande parte da crise é porque chove muito pouco e depois, muito. No ano passado, uma seca destruiu cultivos chave, seguida pelas inundações causadas por rastros da tormenta tropical Isaac e o furacão Sandy.

Devido à forte dependência do país às importações, a comida é cada vez menos acessível ao mesmo tempo em que a moeda do Haiti se deprecia frente ao dólar estadunidense. O salário mínimo do Haiti é de 200 gourdes, ou R$ 9,9 por dia. No final do ano passado, o salário equivalia cerca de US$ 4,75 (R$ 10,20), em comparação aos US$ 4,54 (R$ 9,74) da atualidade, uma pequena diferença que afeta consideravelmente o orçamento haitiano.

Da Redação, com AP

Governo vai conceder visto humanitário a haitianos ilegais no país

Acampamento de haitianos refugidos em Basileia, Acre (Foto: Raimundo Pacó/Frame/Folhapress)
Acampamento de haitianos refugidos em Basileia, Acre (Foto: Raimundo Pacó/Frame/Folhapress)

Os haitianos que entraram ilegalmente no país deverão receber visto humanitário que lhes garanta a permanência no país por cinco anos. O documento poderá ser renovado por igual período e, dependendo da situação, ser trocado pelo visto permanente. De acordo com o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, a regularização será destinada apenas aos imigrantes haitianos.

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“O conjunto de medidas especiais que o Estado brasileiro adota para fins de regularização dentro do nosso território está destinado aos haitianos, em virtude da responsabilidade diplomática e histórica que o Brasil tem com o povo do Haiti”, disse o secretário, em entrevista à imprensa na cidade de Rio Branco, antes de ir para Brasileia com a equipe multissetorial enviada pelo governo federal a fim de analisar a situação dos imigrantes ilegais no município acriano.

Ainda de acordo com o secretário nacional de Justiça, os africanos e asiáticos, também refugiados no Acre, passarão por outros procedimentos. “Essas medidas, a priori, não estão sendo alcançadas a quaisquer outras nacionalidades, que deverão seguir os procedimentos ordinários que a nossa legislação prevê. Caso haja uma solicitação fática de protocolo de refúgio, esse pedido é encaminhado para o Comitê Nacional para Refugiados para que haja deliberação, analisado cada caso individualmente. Se for negado, essas pessoas deverão se retirar do território”.

O grupo multissetorial que está em Brasileia é composto por representantes da Polícia Federal, dos ministérios da Justiça, Relações Exteriores, trabalho e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Além de verificar o problema fronteiriço, cada órgão terá uma função na regularização dos imigrantes. Serão emitidos documentos como CPF, Carteira de Trabalho e protocolo de pedido de refúgio no país.

Abrão explicou também que a equipe multissetorial irá estudar uma forma de solucionar o problema da imigração ilegal, mas não definiu o que deve ser feito. “Nesses quatro dias aqui, no Acre, nós vamos apurar o nosso diagnóstico em relação à questão dos haitianos. Já existe um conjunto de iniciativas elaboradas, visando a estimular a vinda [dos haitianos] pelo mecanismo da emissão de vistos no Haiti e desestimular a vinda pelas vias irregulares, terrestres aqui pelo Acre. Essas medidas serão anunciadas em um momento mais oportuno”.

O secretário de Justiça e Direitos Humanos do governo do Acre, Nilson Mourão, entende que o problema e a necessidade da participação do governo federal são urgentes. “Nosso principal objetivo é que as autoridades federais vejam, in loco, a realidade. Nós estamos carregando os problemas com muita dificuldade, com muito sacrifício, porque o problema é complexo. Agora estão vindo nos visitar e é extremamente importante que nos vejam, constatem a realidade, para tomar as providências que nós entendemos cabíveis”, disse.

Mourão defende a assistência aos imigrantes abrigados no estado, mas alerta para a presença de traficantes e coiotes (agenciadores de imigrantes ilegais) entre os refugiados. “A grande maioria são pessoas pobres, humildes, que buscam dias melhores aqui no Brasil. São vítimas, tanto da catástrofe como vítimas dos coiotes. É claro que no meio deles existem coiotes e traficantes infiltrados. Há todo um problema de tráfico de drogas, de contrabando, tráfico de armas que sempre acompanham movimentos migratórios que são feitos dessa forma”, alertou.

 

 

Marcelo Brandão, da Agência Brasil