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Mais de 15 mil alunos saíram da UEPB por causa das greves

Mais de 15 mil alunos da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) se desligaram da instituição entre 2013 e 2016, período, durante o qual foram deflagradas duas greves de professores e servidores técnico-administrativos. Dados da Pró-Reitoria de Graduação atestam que entre 2013 e 2016, 15.128 alunos se desligaram da UEPB, apresentando como motivo, a indefinição sobre a conclusão dos cursos nos quais se matricularam.

De acordo com o professor Eli Brandão, Pró-Reitor de Graduação da UEPB, os cursos campeões de evasão de estudantes foram os de licenciatura. Os cursos de Odontologia, Psicologia, Fisioterapia, Direito, no Campina Grande; e Engenharia Civil, no Campus de Araruna, são os mais concorridos e segundo o pró-reitor registraram menos evasão motivada pelas greves.

No caso específico dos cursos da área de Saúde, no entendimento do professor Eli Brandão, a parcela dos alunos que pediram desligamento migrou para instituições privadas. “Esses estudantes conseguiram bolsas do Prouni, na certeza de sua absorção pelo mercado de trabalho depois de graduados”, disse.

O professor Eli Brandão explicou que, se a greve for suspensa ainda neste mês, dias letivos terão que ser repostos, mas os estudantes não terão férias de meio de ano. As aulas do primeiro semestre de 2017 serão retomadas em agosto. “Se houver mais uma semana de greve o semestre 2017.1 só poderia ser iniciado em 2018”, salientou Eli Brandão.

Em média, 20% dos alunos matriculados têm cancelado suas matrículas na Instituição e migrado para outras universidades com maior estabilidade no que diz respeito ao cumprimento do período letivo sem interrupção das aulas. , explicou o Pró- Reitor de Graduação.

“Estamos com o semestre irregular por causa das greves anteriores e com a situação se agravando com a atual greve. Quando estamos fazendo uma chamada, ela coincide com outras chamadas do Sistema de Seleção Unificada (SiSU). Agora vai começar o SiSU II, com a entrada regular em agosto, e nossa entrada do 2017.1 ainda nem começou. Então esse estudante que no ano passado fez o Enem entendia que o período 2017.1 iria começar em maio, por mais que estivesse atrasado. Mas chegamos ao meio do ano sem definição e esse aluno tem entrado no SiSU II para outra universidade. Cada vez mais temos registrado alunos que foram aprovados para o 2017.1, mas como o período não começou eles concorreram no SiSU II e estão pedindo cancelamento de sua matricula na UEPB para ir para outra Instituição”, comenta o pró-reitor.

pbagora

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STF proíbe policiais de fazerem greves

Foto :internete
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Por 7 votos a 3, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) declararam nesta quarta-feira (5) inconstitucional o direito de greve de servidores públicos de órgãos de segurança e decidiram proibir qualquer forma de paralisação nas carreiras policiais.

Embora tenha proibido as greves de policiais, a Suprema Corte também decidiu, por maioria, que o poder público terá, a partir de agora, a obrigação de participar de mediações criadas por entidades que representam servidores das carreiras de segurança pública para negociar interesses da categoria.

A decisão da Suprema Corte terá a chamada repercussão geral, ou seja, deverá ser seguida, a partir de agora, por todas as instâncias da Justiça.

A inconstitucionalidade das greves de policiais foi declarada no julgamento de um recurso apresentado pelo governo de Goiás contra uma decisão do Tribunal de Justiça do estado que havia considerado legal uma paralisação feita, em 2012, por policiais civis goianos.

No processo, diversas entidades se manifestaram contra a possibilidade de greve por agentes de segurança, com base no artigo 142 da Constituição, que proíbe sindicalização e greve de integrantes das Forças Armadas.

Desde 2009, diversas decisões de ministros do STF consideraram ilegais as greves de policiais militares, civis e federais, sob o argumento de que representam risco para a segurança pública e para a manutenção da ordem.

A advogada-geral da União, Grace Mendonça, defendeu no julgamento desta quarta-feira o recurso que pedia a inconstitucionalidade das greves de policiais civis.

“A paralisação de policiais civis atinge na essência a própria razão de ser do Estado, que é assegurar efetivamente à população a segurança. E mais, segurança essa que a Constituição Federal preserva e insere como valor mais elevado”, defendeu na tribuna do STF a chefe da Advocacia-Geral da União.

Representante do Ministério Público na sessão, o vice-procurador-geral da União, José Bonifácio de Andrada, também se manifestou contra as paralisações de policiais civis.

 “Não é cabível, compatível algum tipo de paralisação nessa atividade, como também não é admissível paralisação nos serviços do Judiciário, do Ministério Público. Algumas atividades do Estado não podem parar de forma alguma. E a atividade policial é uma delas”, ponderou Bonifácio de Andrada.

No julgamento desta quarta-feira, votaram para proibir as greves de policiais os ministros Alexandre de Moraes, Luis Roberto Barroso, Luiz Fux, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.

Por outro lado, o relator do caso, ministro Edson Fachin, e os ministros Rosa Weber e Marco Aurélio Mello se manifestaram pela constitucionalidade das paralisações de policiais, desde que fossem impostos limites às greves. O ministro Celso de Mello não participou do julgamento.

Votos dos ministros

Relator do recurso, o ministro Edson Fachin foi o primeiro magistrado a se manifestar no julgamento desta quarta. Ressaltando que o direito de greve estava diretamente relacionado à “liberdade de reunião e de expressão” prevista na Constituição, ele se posicionou favorável à legalidade dos movimentos grevistas de policiais civis, mas sugeriu que o tribunal determinasse limites e critérios às paralisações.

Entre as regras defendidas por Fachin para que os policiais tivessem assegurado o direito à greve estavam a prévia comunicação do movimento ao Judiciário, a definição de um percentual mínimo de servidores que deveriam ser mantidos em suas funções e o corte de ponto, desde que a motivação da greve não fosse o atraso no pagamento dos vencimentos.

“Com o devida vênia do entendimento esboçado nesses precedentes, em meu modo de ver, a solução para o presente caso pode e deve ser diversa. Embora a restrição do direito de greve a policiais civis possa ser medida necessária adequada à proteção do devido interesse público, na garantia da segurança pública, a proibição completa do exercício do direito de greve acaba por inviabilizar o gozo de um direito fundamental”, defendeu o relator.

Ao votar na sequência de Fachin, o ministro Alexandre de Moraes – que já atuou como ministro da Justiça e secretário de Segurança Pública de São Paulo – discordou da recomendação do relator pela legalidade dos movimentos de policiais civis e abriu uma divergência.

O mais novo magistrado do Supremo defendeu que o tribunal declarasse a inconstitucionalidade de todas as paralisações de servidores públicos de órgãos de segurança, conforme está previsto no artigo 144 da Constituição.

A carta constitucional classifica como integrantes dessas carreiras, além dos policiais civis e militares, os policiais federais, policiais rodoviários federais e bombeiros militares.

Em meio a sua fala, Moraes comparou um Estado em que a polícia está em greve a um Estado anárquico.

“Não é possível que braço armado do Estado queira fazer greve. Ninguém obriga alguém a entrar no serviço público. Ninguém obriga a ficar”, ressaltou o ministro.

“É o braço armado do Estado. E o Estado não faz greve. O Estado em greve é um Estado anárquico. A Constituição não permite”, complementou Moraes.

‘Homem lobo do homem’

Luis Roberto Barroso foi o primeiro ministro a acompanhar a divergência aberta por Alexandre de Moraes. Ao votar, Barroso afirmou aos colegas do tribunal que seu voto a favor da proibição das greves de policiais foi influenciado pela recente paralisação de PMs no Espírito Santo.

Em fevereiro, o estado ficou sem policiais militares nas ruas por sete dias por causa do protesto de familiares na porta dos quartéis. Nas ocupações, as mulheres dos policiais alegavam que eram elas que estavam no comando da paralisação. Para as autoridades, entretanto, essa era uma tentativa de encobrir o que, supostamente, seria um motim dos PMs.

Durante a paralisação dos policiais capixabas, aumentaram os índices de mortes violentas no estado e houve dias em que o comércio deixou de funcionar com medo da insegurança.

Também em fevereiro, parentes de policiais militares no Rio de Janeiro iniciaram um movimento como o do Espírito Santo. A Polícia Civil e os bombeiros do estado também fizeram paralisações no período.

Segundo Barroso, esses recentes episódios demonstram que não é possível garantir um “caráter absoluto” do direito de greve para policiais. Ele, então, afirmou que acompanharia o voto de Moraes, que proibia irrestritamente as paralisações de servidores diretamente ligados à segurança pública, mas sugeriu que o poder público passasse a ser obrigado a participar de eventuais negociações com representantes da categoria policial.

“Nós testemunhamos os fatos ocorridos no Espírito Santo, em que, em última análise, para forçar uma negociação com o governador, se produziu um quadro hobbesiano, estado da natureza, com homicídios, saques. O homem lobo do homem. Vida breve, curta e violenta para quem estava passando pelo caminho”, enfatizou.

G1

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Servidores preparam greves e protestos contra medida que suspende data-base no Estado

greveA não concessão do reajuste salarial, que é dada aos servidores do Estado em todo início do ano, na gestão do governador Ricardo Coutinho (PSB), já era esperada com a crise econômica que também atinge a Paraíba, mas a suspensão da data-base com a publicação da medida provisória nº 242 já começa a causar revolta em algumas categorias, que ameaçam fazer mobilizações contra o ato do Executivo.

Conforme Medida Provisória, estão suspensos os reajustes das remunerações e subsídios aos servidores civis e militares da administração direta e indireta do Poder Executivo estadual, bem como dos proventos dos servidores inativos e pensionistas. A medida também suspendeu o efeito da 1º da Lei nº 9.073, de 14 de maio de 2012, que instituiu como data-base de reajuste o dia 1º de janeiro.

O Sindifisco-PB, que já havia programado uma paralisação nesta quarta-feira (27), para reivindicar aumento salarial, não descarta entrar em greve por tempo indeterminado se a medida do governador não for revista.

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“Amanhã nós vamos fazer uma paralisação de 24 horas de advertência e nos concentraremos às 10h no Centro Administrativo, para que o secretário da Receita, Marialvo Laureano, nos receba, porque queremos uma definição mais clara para a categoria do Fisco. Também não está descartada uma greve por tempo indeterminado”, ameaçou Victor Hugo, presidente do Fisco-PB.

Ainda segundo ele, que também é um dos coordenadores do Fórum dos Servidores do Estado, outras categorias como a do magistrado, dos procuradores e dos técnicos administrativos já estão se organizando para iniciar protestos contra o Governo.

“De um modo geral algumas categorias já estavam se organizando, mas após esse decreto haverá um aceleramento para fazer essas mobilizações. Amanhã mesmo já tem uma assembleia dos procuradores do Estado, os técnicos administrativos já estão marcando, os professores das universidades também”, contou.

O presidente do Clube dos Oficiais, coronel Francisco, Carlos Belarmino, alertou, “que por muito menos”, a categorias já fez grandes mobilizações.

“Há pouco mais de 30 e 60 dias dizia que as finanças estavam todas saneadas, que estava tudo bom, que tinha equilibrado o Estado e de repente, o Estado quebrou. Isso é lamentável. Acho que é ilegal, imoral. Ninguém nunca assistiu uma agressão tão grande a categoria”, reclamou.

Já o presidente Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado (Sintep), revelou que já foi solicitada uma audiência com o Governo para sanar dúvidas sobre quais categorias serão afetadas com a medida provisória.

“Na medida provisória tem dizendo que as categorias que tem piso serão respeitadas e nós estamos na categoria que tem piso, mas o governo pode desrespeitar o plano de carreira, que foi aprovado em 2003, então essa é a grande dúvida”, questionou.

 

 

portalcorreio

CUT teme retrocesso em proposta para regulamentar greves no serviço público

GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO
GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO

As centrais sindicais acompanham com preocupação projeto do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) sobre direito de greve no serviço público. Nessa quinta (31),  a Comissão de Consolidação da Legislação Federal adiou para a semana que vem a votação do texto do relator, Romero Jucá (PMDB-RR). Para o diretor-executivo da CUT Pedro Armengol, a regulamentação do direito de greve não pode estar separada do debate sobre negociação coletiva. “O que está acontecendo é que setores conservadores da política brasileira querem restringir o direito de os trabalhadores se mobilizarem por suas reivindicações, sem garantir efetiva negociação de sua pauta de negociação. Esse projeto é um retrocesso”, avaliou o dirigente.

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Para Armengol, a comissão quis votar de forma “atropelada” o texto. Ele garantiu que sindicatos e outras representações de categorias do serviço público vão se mobilizar até a próxima semana “para garantir um processo que trate a negociação coletiva e a greve no mesmo ambiente”.

Ontem, as centrais se reuniram em Brasília, no Dia de Mobilização Nacional pela Valorização do Serviço Público. Uma das cobranças foi a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que assegura o direito de negociação coletiva aos funcionários públicos. O documento foi criado em 1978 e aprovado pelo governo brasileiro apenas em 2010. Apesar disso, a convenção ainda não foi regulamentada.

“É uma legislação que procura moldar o processo de greve de forma legítima, para que servidores fiquem protegidos, o governo saiba como agir, mas, principalmente, para que a sociedade não tenha prejuízos”, argumentou Jucá, destacando pontos que proíbem a demissão de servidores quando a greve termina e o corte do pagamento pelos dias parados.

O projeto em discussão prevê que a população será avisada, com 15 dias de antecedência, sobre esse tipo de paralisação, que só ocorrerá após esgotadas todas as negociações. Segundo o relator, prevê também multas diárias para os sindicatos que descumprirem decisões judiciais relativas à greve. As entidades deverão convocar assembleia para definir as reivindicações, as quais serão levadas ao poder público para, em 30 dias, se manifestar. Se não houver acordo, será tentada uma negociação alternativa, que inclui mediação, conciliação ou arbitragem. Persistindo o desentendimento, os sindicalistas terão de comunicar a greve para a população, com 15 dias de antecedência, os motivos e o atendimento alternativo que será oferecido.

Hoje, por falta de quórum, a comissão especial do Legislativo criada para debater a consolidação de dispositivos constitucionais não votou o relatório do senador Jucá, considerado pela CUT um risco ao direito de greve no funcionalismo público. Ele também ampliou o rol de serviços considerados essenciais, que acabam limitados quanto à possibilidade de greve, tendo de manter, no mínimo, 60% da categoria trabalhando. Itens como ensino infantil e fundamental e os serviços de emergência e assistência médico-hospitalar e ambulatorial devem constar desta lista, que inclui ainda sistema financeiro, abastecimento de água, transporte coletivo, telecomunicações e distribuição de medicamentos a idosos e portadores de doenças crônicas.

“O mais importante de tudo são os mecanismos prévios de negociação com soluções alternativas para evitar a deflagração da greve. A sociedade, que é quem paga os impostos e sustenta o serviço público, tem direito a ter um serviço público contínuo. No caso de conflito há um patamar mínimo aceitável de continuidade do serviço público prestado”, afirmou Aloysio Nunes.

 

Com informações da Agência Brasil e da Agência Senado

redebrasilatual

Número de greves no ano de 2012 foi o maior desde 1997, aponta o Dieese

greveO número de greves no país atingiu em 2012 o maior número (873) desde 1997, segundo balanço divulgado nessa quarta-feira (22) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em relação ao ano anterior, o crescimento foi de 58%. A quantidade se aproxima dos primeiros anos do Plano Real – entre 1994 e 1996, o total de paralisações sempre superou mil. O número de horas não trabalhadas (86,9 mil) foi o maior desde 1991.

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Para o instituto, o aumento relaciona-se “em alguma medida” com a situação do mercado de trabalho nos últimos anos. “O crescimento do número de ocupados e do emprego formal influencia a disposição e as motivações do trabalhador. A combinação de um ambiente de maior segurança econômica com a percepção de que os ganhos salariais, apesar de expressivos, não são ainda suficientes para dirimir as perdas salariais de anos anteriores, reforça as mobilizações”, diz o Dieese.

Desde meados dos anos 1980, o Brasil teve três períodos de forte mobilização, também impulsionada pelo fim da ditadura, em 1985. Entre 1986 e 1987, o número de paralisações ficou acima ou próximo de mil – era a fase dos primeiros planos econômicos. Praticamente colado, veio o biênio 1989/1990, o fim do governo José Sarney, marcado pela hiperinflação, e o início da gestão Fernando Collor, com alta do desemprego e oposição à política econômica. Assim, 1989 registrou o maior número de greves da série histórica (1.962), seguido justamente por 1990 (1.773).

Das 873 greves do ano passado, a maioria (461, 53%) foi feita no setor privado, com predominância da indústria (330, 37,8%). No segmento metalúrgico, o número cresceu de 60, em 2011, para 244, uma variação que o Dieese atribui, parcialmente, à “conjuntura de negociações” da categoria: “Em alguns ramos, no estado de São Paulo, a dinâmica da negociação da campanha salarial levou a categoria a buscar a negociação coletiva por empresa, o que resultou na deflagração pulverizada de greves”. Além disso, de 141 greves por participação nos lucros ou resultados (PLR) feitas na indústria, 113 ocorreram em empresas metalúrgicas.

O instituto cita ainda a greve nacional dos bancários, tanto do setor privado como público, “que atingiu o pico de 280 mil trabalhadores e prolongou-se por 10 dias”.

Entre as greves no setor público, 26% referem-se ao funcionalismo municipal, 13% ao estadual e 4,2%, ao federal. Em menor escala, as paralisações atingiram também empresas estatais.

O Dieese destaca as greves no setor público de ensino, especialmente após o reajuste no valor do piso nacional do magistério. “Desde então, ao longo do ano, professores e auxiliares de administração escolar paralisaram atividades em municípios onde os salários não foram regularizados.”

Praticamente 60% dos movimentos duraram no máximo cinco dias. Mais de 30% começou e terminou no mesmo dia. Em torno de 12% superaram um mês. Das 101 greves com duração acima de 30 dias, 87 ocorreram entre servidores públicos. E quase um quarto do total (24%) foram as chamadas greves de “advertência”.

“A ausência de regulamentação da negociação coletiva de trabalho no funcionalismo público continua a ser um fator importante para explicar a discrepância entre a duração das greves nas esferas pública e privada”, observa o Dieese. “Devido à virtual inexistência de data-base para a renovação das normas que regem as condições de trabalho, a paralisação das atividades é, muitas vezes, instrumento para pressionar pela abertura de negociações – que raramente têm início imediato.” O instituto lembra ainda que as negociações na área pública costumam ser complexas, por envolver vários órgãos e instâncias.

Foto: Tânia Rego/ABr

Vitor Nuzzi,

da Rede Brasil Atual

Greves impulsionaram movimento sindical em todo o país em 2012

Seguindo a tendência de 2011, o Brasil foi palco de muitas greves que mobilizaram milhares, em diversas partes do país, em uma clara demonstração da força dos trabalhadores públicos e privados. Uma delas marcou o noticiário: a dos servidores públicos federais, que retomaram reivindicações históricas, do governo Fernando Henrique Cardoso. Durante os oito anos de neoliberalismo, 80% do funcionalismo público ficou sem reajuste.

A paralisação de muitos setores do funcionalismo público federal, com destaque para os professores e funcionários das universidades, foi uma oportunidade para discutir a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em abril de 2010, o Senado ratificou a convenção da OIT, de 1978, que estabelece o direito do servidor à negociação coletiva nas esferas municipal, estadual e federal. No entanto, nenhum projeto de lei foi aprovado nesse sentido.

Fonte: Vermelho
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Docentes de Santa Rita, PB, cogitam cancelar ano letivo após greves

Desde o início de setembro que os professores da rede municipal de Santa Rita, na Grande João Pessoa, vêm fazendo paralisações seguidas devido um corte de 11 dias de salário no contracheque do mês de agosto, referentes às faltas nas salas de aula. Alguns professores não recebem salário desde Agosto. Com o calendário no limite, após uma greve que durou até julho, o ano letivo corre o risco de ser cancelado.

O professor Manoel Vieira, que faz parte da comissão de negociação, explicou que a greve, que durou quatro meses, terminou no dia 21 de julho, após uma determinação da 5ª Vara de Santa Rita. “Voltamos a trabalhar, mas quando foi no final de agosto, a prefeitura descontou 11 dias do contracheque de todos os professores, até daqueles que estavam de licença médica. Os professores então decidiram não entrar em outra greve, mas paralisaram as aulas”, explicou.

“Depois de quatro meses em greve, fizemos um calendário para repor as aulas, que tinha previsão para acabar no dia 28 de fevereiro. Só que depois disso a prefeitura retirou as dobras de carga horária de alguns professores e não está pagando outros. Nós já estamos no limite e com os professores não indo dar aula, não será possível cumprir o prazo e surge o risco de o ano letivo ser cancelado”, disse o professor Manoel.

Segundo o professor as escolas municipais estão praticamente sem aula, já que estão acontecendo paralisações em sequência. “Como alguns professores estão sem receber desde agosto, eles não têm dinheiro para bancar o transporte e ir até o colégio. Com isso, algumas escolas estão liberando os alunos por falta de professores às 9h30, no turno da manhã, e às 15h30 no turno da tarde.

A Secretaria de Educação confirma a atual paralisação dos professores e que ela acontece por conta de um impasse no pagamento do terço de férias. A secretaria, no entanto, nega que haja alguma possibilidade do cancelamento do ano letivo. A Educação informou que a Secretaria de Finanças é que teria mais informações sobre as negociações com os professores.

O professor Manoel afirmou que o impasse no pagamento do terço de férias foi resolvido após uma determinação da Justiça, mas que logo após aconteceu o corte do contracheque. O G1 tentou falar com Finanças, mas nenhum dos telefonemas feitos até às 16h foram atendidos.

g1 PB

Gleisi diz que houve abuso nas greves de servidores

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse nessa sexta (21) que houve abuso por parte de servidores públicos na recente onda de greves registrada no país. Segundo ela, o Ministério do Planejamento e a Advocacia Geral da União (AGU) discutem internamente a regulamentação do direito de greve, mas não há uma definição sobre possível envio ao Congresso de projeto de lei por parte do Executivo.

“Este tema está em pauta e eu acredito que, com os abusos que tivemos nessa greve recente, com certeza isso vai ter um reflexo nas discussões e nas definições do Congresso Nacional”, ressaltou. Ela falou no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços.

Sobre a greve dos Correios, Gleisi lembrou que os funcionários paralisaram os serviços no ano passado, quando conseguiram reajuste salarial. “Temos que ter direitos, os trabalhadores podem reivindicar, mas temos que saber que há limites e que há uma situação econômica do país, com limites principalmente no serviço público na questão orçamentária”, concluiu.

Agência Brasil

Em 2009 e 2010 ocorreram 964 greves no país, segundo levantamento do Dieese

Nos anos 2009 e 2010 ocorreram 964 greves no país, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Foram 518 greves em 2009 e 446 em 2010. Os números são os maiores da última década, superando o total de greves ocorrido em 2008 (411 greves). Os dados foram divulgados na segunda (16).
O Dieese utilizou a base de dados do Sistema de Acompanhamento de Greves, desenvolvido e mantido pelo próprio departamento e que reúne informações das greves desde 1978. O sistema é abastecido com notícias sobre greves veiculadas em jornais impressos e eletrônicos e da imprensa sindical.
Segundo o Dieese, o número de greves de trabalhadores em 2009 foi maior na esfera privada (266) do que na pública (251). Em 2010, o número de greve em empresas privadas (176) foi menor do que no funcionalismo público e nas estatais (269). Houve uma greve que envolveu os dois segmentos em ambos os anos.
Em 2009, o total de horas paradas chegou a 34.730, a maior parte delas na esfera pública (25.316 horas). Já em 2010, o total de horas paradas alcançou 44.910 horas, dos quais 38.085 horas no setor público. O Dieese disse que essa discrepância entre os setores público e privado se deve à ausência de regulamentação da negociação coletiva de trabalho no setor público e também ao fato de que, na esfera pública, as negociações são geralmente mais complexas, já que envolvem vários órgãos e instâncias de poder.
Em geral, a motivação para a paralisação foi por melhores salários com 266 greves em 2009 e 214 em 2010, seguida pela reivindicação de plano de cargos e salários e auxílio-alimentação. Para o Dieese, houve queda significativa no número de greves por causa de demissões, que passou de 41 paralisações em 2009 para oito, em 2010.
Segundo o estudo, o número total de greves ocorrido em 2009 pode estar na crise econômica mundial, que afetou principalmente a indústria. “O ambiente econômico adverso e marcado por grande incerteza ensejou greves de caráter mais defensivo contra demissões em massa e tentativas de flexibilização – ou descumprimento – de direitos e condições de trabalho”, diz o estudo. Em 2010, a recuperação da economia repercutiu na redução do número de greves, principalmente na indústria.

Elaine Patricia Cruz/Repórter da Agência Brasil
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